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Heleno de Freitas - O filme do Ano

 

Rodrigo Santoro é ‘Heleno’, jogador de futebol, ídolo do Botafogo nos anos 40Rodrigo Santoro é ‘Heleno’, jogador de futebol, ídolo do Botafogo nos anos 40 Foto: Fernanda Vasconcellos / Divulgação

 

Difícil resistir a esse sorrisinho matador que Rodrigo Santoro exibe na foto. Na pele de Heleno, jogador de futebol, ídolo do Botafogo nos anos 40, no filme de mesmo nome, o ator não precisou se esforçar para mostrar o charme do personagem quando ele estava em seu auge. Trabalho árduo Rodrigo teve ao mergulhar na fase fundo do poço do jogador, que após seu apogeu, morreu aos 39 anos, louco, vítima de sífilis.

— Depois de dois meses de filmagens, paramos 40 dias para que eu emagrecesse. Dieta rigorosa, pouco carboidrato e muito suor, com exercícios aeróbicos — conta o ator, que perdeu 12 quilos neste espaço de tempo: — Não recomendo fazer em casa. Não é divertido. Acho que as coisas têm que ter equilíbrio. Apesar de todo acompanhamento, no fim, estava me sentindo fraco.

 

Rodrigo emagreceu 12 quilos em 40 dias para viver a fase de Heleno em um sanatórioRodrigo emagreceu 12 quilos em 40 dias para viver a fase de Heleno em um sanatório Foto: Divulgação

 

A recompensa pelo sacrifício veio num jantar regado a massas.

— No último dia de filmagem, o Zé (diretor José Henrique Fonseca) fez um jantarzão. Tinha lasanha, macarrão com um monte de molho e tive que ir devagar. Mas eu comi um pouquinho de cada coisa e, para encerrar, o que eu mais adoro: sorvete — diz Santoro de, 36 anos.

Mesmo com essa entrega total a "Heleno", que estreia dia 30 e é feito em preto e branco, o ator não acredita que o papel seja o mais complexo de sua carreira.

— Prefiro dizer que foi o trabalho que mais me exigiu, porque me envolvi como produtor, o que nunca tinha feito — conta o astro, que bateu de porta em porta para conseguir patrocínio e não teve moleza por ser ele a pedir: — Acho que quando o ator está envolvido também com a produção, soa mais sólido. Mas não senti facilidade, demoramos anos para captar. Todo mundo recebe você, mas para assinar embaixo é outra história.

Por estar tanto tempo envolvido com o jogador, Santoro aponta as influências do atleta sobre ele.

— Estou jogando bola melhor, o pessoal da pelada agradece (risos). Além disso, foi uma experiência muito intensa, um mergulho profundo na história de vida trágica de um personagem. Não dá para sair ileso — constata o ator, que, vascaíno convicto, saiu sem sequelas de ter vestido a camisa do Botafogo: — Claro, era estranho no começo, mas usei também a minha paixão pelo meu time para emprestar um pouco à paixão do Heleno pelo time dele.




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Demarchi

"Heleno de Freitas era o príncipe da era de ouro do Rio de Janeiro, os anos 40, quando a cidade era um cenário de sonho, cheio de glamour e promessas. Bonito, charmoso e refinado nos salões elegantes, era um gênio explosivo e apaixonado nos campos de futebol. Heleno tinha certeza de que seria o maior jogador brasileiro de todos os tempos. Mas a guerra, a sífilis e as desventuras de sua vida desviaram seu destino, numa jornada de glória e tragédia."

 

Demarchi

É sempre assim, divulgação, comentarios, coincidencias impressionantes nos bastidores.

Ai voce senta no cinema e assiste a um filme arrastado e chato. Não tão chato como os do Jabor  financiado pela Embrafilme que  aceitava tudo na prestação de contas( tinha prestação de contas???)

A triste historia deste mineiro de São João Neponuceno e digna e merecedora de um bom filme.

 

Rodrigo Santoro é de uma beleza inigualável.


Pude vê-lo de pertinho no aeroporto, até conversamos sobre cinema, e o cara é um armário, altíssimo, porte atlético, lindo de doer as vistas, lindo de dar vertigem...hehehe


Mas como beleza não é tudo, o cara ainda é de uma simpatia contagiante, sorridente com todos, uma graça de pessoa, totalmente distante da empáfia que vemos em sub-celebridades e outros artistas tupiniquins.


Mas beleza e simpatia não são tudo, né?


Como se não bastasse a bênção da beleza e a generosidade da simpatia, o cara é de um talento ímpar! É só dar um bom papel a ele que faz daquilo uma obra.


É daqueles artistas capazes de fazerem de tudo por um papel: emagrecer, engordar, enfeiar, embelezar mais ainda, embarangar novamente... o cara é pura entrega na interpretação.


Filmes como Abril Despedaçado, Bicho de Sete Cabeças, Carandiru, Simplemente Amor mostram como ele evoluiu com o tempo, como ocorre a entrega em seus papéis.


Dentre essa nova geração de artistas, eu o coloco no mesmo nível de Selton Melo, outro mestre nos papéis que desempenha e que se sobressaiu como diretor e intérprete em O Palhaço (excelente!!) e mais como ator em Jean Charles.


Apenas tenho a lamentar que nosso cinema ainda deixe a desejar diante de feras como esses dois. Ainda falta muito para atingirmos um patamar melhor no cinema.


Estou louca pra ver Heleno, mas tenho certeza que nosso galã arrasou, como em tudo que faz.


Salve, Rodrigo Santoro!


 


Só mais uma coisa a dizer, bem rapinho: BEM FEITO LUANA PIOVANI...KKKK

 

Filme brasileiro nem de graça. É o pior ladrão que existe.

 

Nassif

a questão da desindustrialização é pior do que normalmente é aceita.

Veja o caso da nossa industria cinematográfica. Enquanto UE, China, India e outros tratam profissionalmente deste setor, aqui uma mísera cota é quase "destroçada" pela empresa que tem o Murdoch entre seus sócios. Não me canso de repetir: a UE tem cota de 50 por cento para produtos do espaço comunitário. Ea China, sabendo que o domínio do ingles veio através de hollywood e tecnologia, não abandona os dois campos, investindo muito no segundo e agora acordando pro primeiro.

Uma produção americana pra TV, por exemplo, tem seus custos todos abatidos lá. Assim, como uma produção brasileira pode despontar? Ou melhorar? O que de verdade está ocorrendo é que estamos perdendo profissionais e técnica. Como na TV aberta, no cinema a panelinha em torno da Globo Filmes cria o monopólio necessario a manter o status atual inalterado.

Resumindo: na questão da desindustrialização o cambio é importante, mas tambem devemos olhar para a nossa cultura de desvalorizar o nosso país: "aqui tudo é ruim, sem charme, etc.". Poucos percebem que o que existe são problemas que temos que resolver e  dizer que nada presta não é nada inteligente.

 

Vá afogar suas mágoas no rio, Solimões...hehehe. Santoro é um dos poucos atores brasileiros que merecem ser vistos. Talentoso, boa gente, diferente dos mauricinhos e patricinhas que a Globo produz em série. Dê uma chance ao cinema brasileiro, além do que a vida do Heleno é um bom tema, sem dúvida.