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Jorge Gerdau e o Ideb

Da Folha

Lições do Ideb: urgência não é igual a pressa

JORGE GERDAU JOHANNPETER

Não devemos apressar ações sem que haja o necessário fundamento, pois nosso compromisso deve ser com a aprendizagem dos estudantes

Os dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009, divulgados recentemente pelo MEC (Ministério da Educação), trazem um quadro evolutivo da aprendizagem e da aprovação dos nossos estudantes.
Se, por um lado, a análise dos dados recomenda reflexão, por outro, indica que há o que comemorar no desenvolvimento da educação.
A cautela se justifica pelo imenso desafio que a sociedade brasileira deve vencer nos próximos anos para atingir as metas para a educação básica traçadas até 2021, quando devemos chegar ao patamar que países desenvolvidos já alcançaram em 2003.
O desempenho do ensino médio também exige atenção especial. Se, nas séries iniciais do ensino fundamental, tivemos crescimento do Ideb, as notas do ensino médio seguem praticamente estagnadas.

DitoDito isso, quais são os motivos de comemoração? O principal é a própria existência do Ideb: ele representa o reforço de uma cultura de avaliação, baseada em objetivos e metas passíveis de acompanhamento não só por especialistas, mas pela sociedade. Para o Todos pela Educação essa é uma conquista que merece ser lembrada, já que não há boa gestão sem avaliação.Outro fato que não pode deixar de ser celebrado é o resultado dos anos iniciais do ensino fundamental. Nessa etapa do ensino, o índice subiu de 4,2 pontos em 2007 para 4,6 pontos em 2009. E o crescimento foi puxado, principalmente, pela aprendizagem dos alunos na Prova Brasil, e não apenas pelas taxas de aprovação.
Certamente não alcançaríamos esse resultado se não fosse a contribuição direta de professores, diretores e gestores, que focaram o trabalho no alcance das metas traçadas. Se o país persistir nesta rota, nossas crianças terão bom desempenho nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Mas, para prosseguir no caminho das conquistas na aprendizagem, temos de estar atentos aos agentes que interferem nos rumos da educação brasileira.
Ano eleitoral é momento mais que propício para isso, já que a população vai escolher seus representantes e, por consequência, as diretrizes das políticas públicas.
Não podemos aceitar dos próximos governantes uma desaceleração no processo de aprendizagem, porque ela, já sabemos, traz impactos decisivos sobre a vida de nossos jovens e sobre a capacidade produtiva e a competitividade do Brasil.
É preciso que haja, por parte do futuro presidente e dos próximos governadores, compromisso com os avanços que vêm sendo conquistados e com os caminhos sedimentados nos últimos anos.
E também que eles se envolvam na tarefa de acelerar o ritmo de melhoria da educação. Não devemos apressar ações sem o necessário fundamento, pois nosso compromisso deve ser com a aprendizagem dos estudantes. A educação exige urgência, o que é muito diferente de pressa.
Assim como na saúde, não existe uma prioridade única nas políticas de educação. Os problemas decorrem de diversos fatores e são variados os gargalos a serem atacados até a garantia de um direito constitucional: o da educação de qualidade para todas as crianças e jovens. Se observarmos a economia brasileira na última década, podemos constatar que superamos disputas ideológicas e partidárias que, embora legítimas, muitas vezes dificultavam a implantação de medidas econômicas que melhor atendessem aos interesses do país. Isso é o que defendemos na educação.

JORGE GERDAU JOHANNPETER, empresário, é presidente do conselho de governança do Todos pela Educação. 

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Comentários

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Diga-se de passagem, educação e saúde , duas das áreas públicas mais sofridas! Preciso comentar mais alguma coisa.  E estranhamente a mídia sequer comenta, ignora solenemente o que  vem acontecendo. Prefere mostrar outras manifestações, como as que passaram na profissão reporter. Que vergonha! Sinto muito, mas  vocês que fazem parte da Fundação Roberto Marinho deveriam ter vergonha de apresentar um programa sobre manifestações (marcha da maconha e gls, nada contra, são manifestações) mas não mostrar nada, absolutamente nada, ignorar solenemente as greves dos professores (que são em 8 estados). Meu Deus! Que país é este! Aliás, aproveitem e usem esse programa do Caco Barcellos no telecurso de vocês. Ou dê de graça o matérial didático do telecurso aos professores do estado, porque com nosso salário, tá difícil. Adoraria fazer uma análise detalhada do conteúdo,  aliás é o que costumo fazer para evitar doutrinações ideológicas. Prefiro nem comentar sobre o pouco que assisti.... triste.

 

 

Parabéns! Seu Jorge.

 

N.Lopes

Venho discorrendo com colegas meus cotidianamente sobre os problemas da educação brasileira. Os governos que de fato quiserem de fato enfrentar a questão com seriedade, terá de enveredar por intensos debates. Mas como diz o ditado: impossível fazer omelete sem quebrar-se os ovos.

Um desses mais intensos enfrentamentos dar-se-a no plano das corporações. Assim, como a maior parte das categorias que diante da nova realidade nacional tem de apresentar resultados diante das gestões que impõem metas a serem cumpridas, a classe docente tem uma resistência muito forte a um melhor controle do estado sobre as atividades educacionais.

Quem vive de educação hoje no Brasil sabe que os profissionais da área (tanto pública quanto privada) tem uma formação precaríssima e que se refletirá no seu desempenho como educador. Os centros de formação são deficitários.

Sempre que se aponta e se toca nesse ponto nevráugico que é a incapacidade do professor de atender a toda essa demanda por conhecimento em mundo ligeiro como o nosso, tenta-se justificar tais inabilidades com o discurso dos baixos salário.

Decerto, que a remuneração para educadores no Brasil não é algo do qual se possa gabar. Mas diante desta assertiva escapatória, a pergunta que surge como conseqüência é se os governos num ato por Decreto resolvessem instituir um salário compatível com as expectativas das categorias isso se traduziria em melhor qualidade no ensino. Tenho quase certeza que a resposta é não.

Em certos debates costumo falar que a categoria ao mesmo tempo em que é vítima desse aviltamento salarial, também é beneficiária. Dentro da seguinte lógica: a remuneração aviltante torna os postos da educação algo preterível. Grandes profissionais, possíveis talentos desprezam a atividade por questões óbvias. O  que torna a educação uma porta escancarada para aqueles que querem simplesmente um "emprego".

Haverão aqueles que protestarão afirmando que tudo aqui é generalizante. E sinto-me a vontade para negar tais afirmações. Ainda encontramos a custo de muita observação professores dedicados, talentosos e relutantes em entregar, apesar das agruras, condição de sonhador. Mas são exceções, o que só confirma a regra. E  a expressão mais deletéria dessa realidade é o "governo finge que paga, vocês fingem que aprendem e eu fingo que ensino".

Sem dúvida que os governos são em última instância os maiores responsáveis por essa precarização. É verdade ainda que hoje em estágio atual os professores mais são parte do problema que da solução.

As  discussões para busca de uma solução que nos alavanque nos próximos dez anos em fundamentos qualitativos a educação brasileira tem de sair dos salões e da exclusividade dos "especialistas", talvez, uma conferência nacional de educação, algo que envolva uma gama maior de atores sociais para apresentação de propostas.

A utilização de recursos eletrônicos como auxiliares no processo de ensino é algo muito bem vindo.

Certos Estados já adotam tais recursos, predominamente nos cursos de aceleração (TRAVESSI, AVANÇAR, ETC)

Não se trata aqui de uma proposta para universalização dos cursos de aceleração, que a meu ver são apropriados somente em casos de retardo escolar para fora de faixa.

Mas os mecanismos de tais experiências poderiam ser aproveitadas nos cursos regulares.

Posso citar como exemplo a utilização do material produzido pela fundação Roberto Marinho, o TELECURSO 2000. Pelo que conheço os materiais da área de humanas são muito bem produzidos e atraentes para o espectador. Parece-me que a fundação padre anchieta também dispoõe de materiais similares.

Diferentemente dos cursos de aceleração no qual os professores são localizados por áreas (um de humanas e um de exatas), a proposta dos cursos regulares seria de um professor por disciplina.

Os materiais não seriam suficientes per si, mas um eficiente recurso contra as tão odiadas e cansativas aulas expositivas ou mesmo as voluntaristas improvisadas.

O educador teria nesse cenário o papel de repercutir os temas propostos e assistidos, estendendo-os com discussões em sala e apresentação de textos complementares.

Como os materiais são de empresas privadas, certos temas apresentam carências e omissões, mas caberia ao educador o preenchimento das lacunas expostas.

Ou seja, na inabilidade do professor, o aluno teria no mínimo o registro dos conteúdos essenciais para conhecimentos dos temas variados em sala de aula.

Necessário seria a atuação dos governos para implementação dos  cursos de capacitação necessários, salário digno, bonificações estimulantes por mérito, dotação das escolas da infraestrutura adequada (uma tv LCD 32" (min) e DVD por sala) e, sobretudo, assistência e acompanhamento dos programas. 

 

Você quer algo que, assim que decretado, irá imediatamente melhorar a qualidade da educação? Isso existe, é a diminuição do número de aula por professor, permitindo que uma parte de seu tempo na escola seja usado no planejamento, preparação de atividades, atualização, cursos, e também na elaboração e correção de provas.

O aumento do salário para níveis minimamente decentes também é fundamental, mas só traz resultados a médio prazo ao atrair pessoas cada vez mais qualificadas para a carreira, a exemplo do que vem acontecendo no funcionalismo público federal.

 

A carência de mão de obra qualificada no setor industrial está por trás da preocupação de um dos maiores industriais do país com os rumos da nossa educação. Salutar preocupação, principalmente pela honestidade em reconhecer avanços realizados pelo governo com o qual não se identifica ideologicamente. Está aí um exemplo que deveria ser seguido pelos grandes grupos de mídia.

 

Engraçado que fala, fala, fala e nada é dito.  Não aparece melhoria de salários para professores, a falta destes no mercado, das políticas pedagógicas desastrosas sendo praticadas desde os anos 90, da violência nas escolas, na falta de estrutura, etc.

 

Texto que possui apenas lugares comuns e de lugares comuns sobre educação estou de saco cheio.

 

 

Essa é Elite boa do Brasil, uma elite não perversa e raivosa, que almeja o desenvolvimento de todos, que compreende que sua capacidade nata de desenvolvimento está atrelada ao desenvolvimento de todos.

 

Parabéns Jorge Gerdau, você é aparte do Brasil industrial rico que os brasileiros teem muito orgulho.

 

Aproveitando o tema, segue a notícia abaixo. Ressalte-se que (é só buscar as estatísticas) cada vez menos alunos buscam as licenciaturas; e nas periferias, cada vez menos professores se sentem dispostos a ir até elas - além das distâncias, condições de trabalho e várias outras coisas mais. E como os índices de educação melhoram para mim é uma incógnita.

Rede estadual do RJ perde quatro professores por dia; baixo salário seria motivo da desistênciaElisa EstronioliEm São Paulo

De janeiro a junho de 2010, a rede estadual do Rio de Janeiro perdeu quase quatro professores por dia, sem contar aposentadorias, mortes e demissões. Isso significa que 681 docentes foram exonerados da Educação estadual. Os dados obtidos pelo UOL Educação são da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. De acordo com o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), os professores abandonam a rede por causa dos baixos salários.

Além dos professores exonerados, 1.029 professores se aposentaram, 137 morreram e 170 foram demitidos - num total de 2.017 professores. A rede estadual conta com 75 mil professores. Considerados todos esses motivos, o sistema perdeu 11 profissionais por dia no mesmo período.

Segundo a Secretaria, a exoneração pode representar duas situações: ou que o professor realmente está deixando a rede ou que foi aprovado em um novo concurso e teve de deixar sua matrícula anterior. Nem a secretaria nem o sindicato conseguem precisar quantos desses professores realmente abandonaram a rede pública, mas o Sepe afirma que eles representam a maioria absoluta dos casos de exoneração.

Com a rotatividade no sistema estadual de ensino, a necessidade de concursos é constante. Segundo a secretaria, o último foi feito em 2009, para disciplinas e coordenadorias regionais onde não existiam mais candidato a serem convocados de concursos anteriores.  Além disso, foram convocados profissionais que fizeram concurso em 2007 e 2008.

R$ 765 de salário

Os salários baixos, uma reclamação que não é exclusividade dos docentes fluminenses, são o principal motivo dos abandonos. De acordo com o sindicato, os professores de nível 3, com formação superior, que representam a maioria dos contratados pelo Estado do Rio de Janeiro, recebem no início da carreira vencimentos de R$ 765,66. No nível 9, o mais alto da carreira, o salário chega a R$ 1.511,27.

“Com esse salário [de R$ 765,66], os professores estão dando aula em duas, três escolas, e o Estado não paga o transporte. No fim do mês, o professor fica com um salário mínimo”, diz Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sepe.

Segundo levantamento do sindicato, em 2009 o número de exonerações também foi bastante alto: 1540. "Neste ano, o piso estava abaixo de R$ 500", justifica Lugão.

O professor Nicholas Davies, da UFF (Universidade Federal Fluminense), concorda com o Sepe: "O professor não permanece na rede porque o salário é muito ruim. Eu mesmo fui professor durante nove anos, mas assim que pude prestei concurso para a UFF."

Segundo Lugão, por causa disso, a rotatividade no setor é muito alta. “Muitos professores não ficam nem um ano na rede. Assim, não é à toa que o Rio de Janeiro esteja no penúltimo lugar do ranking do Ideb”. No último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), referente a 2009, as notas de rede estadual do Rio de Janeiro ficaram abaixo da média nacional em todos os ciclos. De primeira a quarta série, a média da rede estadual fluminense foi 4,0, contra 4,6 na média nacional. De quinta a oitava, foi 3,1 contra 4,0 no Brasil. No ensino médio, 2,8 contra 3,6.

 

É um absurdo pagar salários tão baixo aos professores, que são as pessoas que cuidam de nossas crianças, que representarão o futudo do País. O que ocorre ? As pessoas, talvez com razão, preferem virar bancárias e outras funções burocráticas do que se arriscar a dar aulas. Dar aulas é atividade complexa, é necessário saber o conteúdo, se atualizar constantemente, dar exemplo aos alunos, preparar aulas, corrigir provas etc. Mesmo assim, o Pais prefere pagar mais a burocratas de nível médio, que nem 8 horas diárias trabalham do que aos Professores. Para mim, é questão de prioridade, não adianta reclamar. O negócio para quem pensa em ter filhos, é juntar dinheiro desde já para poder pagar escola particular.

 

@DanielQuireza

Complementadndo apenas o que você discorreu tão bem, olha que se fala muito dos baixos salários dos professores, geralmente focando a escola pública.

Mas a situação nos grandes negócios sobre o ensino e a educação, na iniciativa privada, a coisa é muito pior!

Sem contar com a chantagem dos "donos de escola" sobre os seus professores e a relação escola x alunos (e pais) x professores: o elo mais fraco da corrente é sempre o professor.

 

Velho Capitão