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Jornalistas com deficit de letramento

Diz o dito popular que médicos enterram seus erros. E os jornalistas os repercutem.

A falta de atenção e capacidade de compreensão do que diz o  livro didático Por uma Vida Melhor, da editora Global é indicativo de deficit de letramento entre jornalistas. Junte-se a problemas de leitura, interesses mercadológicos, ignorância científica, leviandade intelectual e oportunismo político.

São inúmeros os sintomas do deficit de letramento. Entre eles, dificuldade de relacionar textos (problemas com a intertextualidade), desatenção ao cotexto em que aparecem as sentenças  e incapacidade de  associar o texto ao contexto de enunciação - para não falar nas posições discursivas, mas isso é outra história.

O problema não é só encontrado no ensino básico.  É comum que o deficit de letramento seja detectado também em outros níveis de escolaridade, mesmo entre aqueles que, em suas profissões, fazem largo uso da leitura e da escrita.

Linguistas já chamaram a atenção para o fato de que se estes jornalistas fossem submetidos ao PISA seriam reprovados.

Aqui a lista de jornalistas e intelectuais que precisam aprimorar sua leitura.

No caso deles, talvez não seja difícil.

____________

 

Clóvis Rossi (Folha de SP): atribuiu aos autores do livro "crimes linguisticos" e "argumentos delinquenciais". Fundamentou seus ataques a uma pequena passagem do livro. O capítulo não era tão grande para ele se abster da leitura. Uma das marcas do deficit de letramento é a incapacidade de fazer correlações cotextuais. Interpretou "demonstração linguistica" com "pregação linguística", o que não cabe a este ramo do saber.

Flávia Salme (IG): levou a escolas sua leitura equivocada do livro. Induziu alunos a se pronunciarem contra. No seu texto, confunde modalidade e registro com normas.

William Waack (Rede Globo): iniciou o programa Painel, da GloboNews, perguntando se é "certo ensinar errado". Tímido com a explicação de Maria Alice Setubal, professora convidada, pergunta :"Embarcamos numa furada?". Ela responde: "sim". Nem Afonso Romano o apoiou.

Mônica Waldvogel (Globo): a reportagem de abertura do programa Entre Aspas, por meio de um recorte descontextualizado do livro,  induz os entrevistados a condenarem  a obra, os autores e o MEC. Cala-se diante das intervenções de Cristóvão Tezza e Marcelino Freitas.

Jornalista do jornal O Globo (vários): as reportagens sobre o livro didático foram assinadas por vários jornalistas. Todos insistiram na tese - não confirmada - de que o livro contém "erros grosseiros de português".

Augusto Nunes (Veja): perseguiu a professora Heloísa Ramos, durante dias. A professora é consultora da revista Nova Escola, da própria Abril, a que serve o jornalista.

Reinaldo Azevedo (Veja): a partir de trechos soltos, confundiu demonstração linguistica com pregação política. Partidarizou o que é consenso no campo da linguistica internacional.

Merval Pereira (Globo): fez afirmações fora do escopo da obra: "o Ministério da Educação está estimulando os alunos brasileiros a cultivarem seus erros”. Não há passagem clara neste sentido no livro.

Carlos Alberto Sardenberg (Globo): chegou a afirmar que o livro defende o modo de falar do ex-presidente Lula. Não leu o livro.

 

A mea-culpa da Folha de São Paulo, no editorial "Os livro", não foi acompanhada do necessário pedido de desculpas aos autores da obra. A seu favor, deve-se frisar que o jornal publicou dois artigos que mostram que nem todos deixaram de se ater à obra para comentá-la.  Ressalte-se aqui a honestidade intelectual de Hélio Schwartsman e de Thais Nicoleti de Camargo.

 

Quem mais criticou sem ler?

Marcos Vilaça (Presidente da Academia Brasileira de Letras). Caso gravíssimo. O presidente da instiuição responsável pela memória das letras no país sequer teve o cuidado de consultar a obra. Acreditou no que foi levado pelos jornalistas. Desacreditou a instituição.

Ruy Castro (Escritor). Ele não leu o livro e se indignou com o que não havia sido escrito na obra. O escritor vive da leitura de livros. Mas ele mesmo não deu o exemplo.

Evanildo Bechara (Gramático). Cometeu o erro mais grave de sua carreira acadêmica. Criticou autores sem ter lido o livro. Um gramático não pode desconhecer a necessidade de ler para emitir juízos.

Edgar Flexa Ribeiro (Educador). Ele também não leu o livro e emitiu opinião a partir de trechos descontextualizados. Envolvido com educação, deu um passo em falso e será cobrado por isso.

Cristóvão Buarque (Senador). Sem ler o livro, diz que a obra pode prejudicar alunos. Este é  um caso bastante sintomático. Como sua bandeira é a Educação, poderia ter sido mais cuidadoso ou pelo menos ter lido o capítulo em que aparecem as citações da imprensa. Sem fundamentação na realidade do que estava escrito no livro, declarou: "Existe um risco de se criar duas formas de falar o português" (existem várias formas de falar português, até porque toda língua é constituída por dialetos, como fica claro nas diferenças entre o Português Europeu e o Português Brasileiro); "os estudantes da rede pública, ao adotar erros de concordância verbal como regra, não terão a menor chance de passar em um concurso" (o livro em nenhum momento diz isso); "Tem que se ter em mente uma questão fundamental: sotaque e regionalismos são uma coisa, a língua portuguesa é outra" (esta diferença é absurda do ponto de vista das ciências linguísticas").

Todos os personagens acima devem desculpas à professora Heloísa Ramos e à ONG Ação Educativa. Eles se deixaram levar pela cobertura da imprensa. Pode-se desculpá-los por isso, mas é bom que reflitam.

Considero que estamos diante de um novo caso Escola Base, e todos que não se retratarem terão ajudado a constituir um novo crime de imprensa.

A professora Heloísa Cerri Ramos foi atacada pelos blogs da Veja, que tentaram ridicularizá-la. Já a Ação Educativa, com 15 anos de existência, e inúmeros projetos de pesquisa no campo da educação*, além de ações como pontos de leitura, também foi caluniada sem direito á resposta.

Todos estes jornalistas e intelectuais citados apresentaram problemas graves de letramento. Recomenda-se que repensem o que disseram e tenham a humildade de consultar o capítulo, antes de emitir novas opiniões.

Além disso, um pedido de desculpas não faz mal a ninguém.

A educação brasileira agradece.

______

* A ONG é responsável, junto com o Instituto Paulo Montenegro, pelo Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, pesquisa de acompanhamento permanente.

Diante dos problemas com os jornalistas, as estatísticas devem ter piorado.

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É Marcelino Freire,só para comentar.

 

Não se pode esperar muito de jornalistas e supostos "especialistas e intelectuais", que se "formaram " durante a vigência do SBIM-Sistema Brasileiro de Idiotização em Massa, implantado pela ditadura no início dos anos 70.

 

 

"Jornalista do jornal O Globo (vários): as reportagens sobre o livro didático foram assinadas por vários jornalistas. Todos insistiram na tese - não confirmada - de que o livro contém "erros grosseiros de português"."

 

 Em 1977 e 1978, meus livros didáticos de história do Brasil eram do tipo "patriotismo grosseiro", onde o significado de patriotismo era aquele de 1977 e 1978. No ensino médio, os livros de biologia, física, matemática e química ignoravam a história da ciência. E depois de três anos de livros de inglês, continuei monoglota. Acho que os problemas da educação básica e seus livros são mais antigos do que o noticiário atual sugere.

 

Sou jornalista por formação e gostaria de tecer alguns comentários sobre o texto "Jornalistas com Défict de Letramento"

A falta de leitura, interesses mercadológicos, ignorância científica, leviandade intelectual e oportunismo político não são exclusividades jornalísticas. Em todas as áreas podemos encontrar esses mesmos tipos de problema. Creio que o jornalista não tem a obrigação de entender de lingüística assim como o lingüista não precisa entender de medicina para dar a sua aula, porém, nenhuma dessas atividades impedem as pessoas de tecerem seus comentários, pois antes de serem lingüistas ou jornalistas ou médicas, são cidadãs.

Alguns desses referidos jornalistas levaram em suas bancadas especialistas no assunto, e se não o fizeram, deveriam. Mesmo não sendo sua função, dentro do exercício jornalístico analisar méritos lingüísticos, o jornalista tem a obrigação, no entanto, de apresentar as repercussões que o assunto reflete na sociedade e fazer com que essa mesma sociedade seja ouvida.

Se o jornalista William Waack (o qual não nutro nenhum apreço) iniciou o programa perguntando se é "certo ensinar errado", é porque é dessa maneira que o tema está sendo tratado nas rodas de bares, nos pontos de ônibus, nas redes sociais. E esses fenômenos não podem ser ignorados. Choveu na internet uma série de manifestações vindo de todos os setores e regiões do país. Do rico ao pobre, do analfabeto ao canonizado, nas fileiras das academias, entre os que conhecem profundamente a lingüística até mesmo os professores despreparados de muitas escolas do Brasil.

Concordo que deva existir sim o debate. Os fenômenos lingüísticos não podem ser deixados de lado, da mesma maneira que as repercussões - favoráveis ou desfavoráveis - da população sobre esses fenômenos também não. Se a língua é viva e encerra em si anseios, características e transformações sociais, essa mesma sociedade jamais pode deixar de ser ouvida ou ter sua voz abafada. Creio que há um sentimento de relativismo no ar. O mesmo relativismo tão criticado dentro das academias serve agora de pretexto para abarcar idéias de que está “correto falar errado”. No mínimo a proposta é excludente e fruto de uma minoria pensante de uma região sudeste e capitalista, que sequer analisa as diferenças dialéticas existentes dentro do próprio país. O que não podemos ser é levianos ao ponto de querer que as ideias de uma minoria ou de uma classe prevaleçam sobre as demais. Sejam elas quais forem. A vontade popular jamais pode ser cerceada.

Concordo com o Prof. Dr. Wedencley Alves Santana de que “jornalistas não podem julgar sem ler”, mas ele também deveria se lembrar de que jamais podemos dizer que um jornalista não leu se não tiver certeza dessa informação.

Luciano Lucci

 

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Sou jornalista por formação e gostaria de tecer alguns comentários sobre o texto "Jornalistas com Défict de Letramento"

A falta de leitura, interesses mercadológicos, ignorância científica, leviandade intelectual e oportunismo político não é exclusividade dos jornalistas. Em todas as áreas podemos encontrar esses mesmos tipos de problema. Creio que o jornalista não tem a obrigação de entender de lingüística assim como o lingüista não precisa entender de medicina para dar a sua aula, mas nenhuma dessas atividades impedem que as pessoas de tecerem seus comentários, pos antes de serem lingüistas ou jornalistas ou médicas, são cidadãs.

Para isso também existem os especialistas. Alguns desses referidos jornalistas levaram em suas bancadas especialistas no assunto, e se não o fizeram, deveriam. Mesmo não sendo sua função, dentro do exercício jornalístico analisar méritos lingüísticos, o jornalista tem a obrigação, no entanto, de apresentar as repercussões que o assunto reflete na sociedade e fazer com que essa mesma sociedade seja ouvida.

Se o jornalista William Waack (o qual não nutro nenhum apreço) iniciou o programa perguntando se é "certo ensinar errado", é porque é dessa maneira que o tema está sendo tratado nas rodas de bares, nos pontos de ônibus, nas redes sociais. E esses fenômenos não podem ser ignorados. Choveu na internet uma série de manifestações vindo de todos os setores e regiões do país. Do rico ao pobre, do analfabeto ao canonizado, nas fileiras das academias, entre os que conhecem profundamente a lingüística até mesmo os professores despreparados de muitas escolas do Brasil.

Concordo que deva existir sim o debate. Os fenômenos lingüísticos não podem ser deixados de lado, da mesma maneira que as repercussões - favoráveis ou desfavoráveis - da população sobre esses fenômenos. Se a língua é viva e encerra em si anseios, características e transformações sociais, essa mesma sociedade jamais pode deixar de ser ouvida ou ter sua voz abafada. Creio que há um sentimento de relativismo no ar. O mesmo relativismo tão criticado dentro das academias serve agora de pretexto para abarcar idéias de que está “correto falar errado”. No mínimo a proposta é excludente e fruto de uma minoria pensante de uma região sudeste e capitalista, que sequer analisa as diferenças dialéticas existentes dentro do próprio país. O que não podemos ser é levianos ao ponto de querer que as idéias de uma minoria prevaleçam sobre as demais. Concordo com o professor Prof. Dr. Wedencley Alves Santana de que “jornalistas não podem julgar sem ler”, mas ele deveria se lembrar também que não pode dizer que um jornalista não leu se não tiver certeza dessa informação.

 

Faltou o Jabor na lista, e o Ferreira Gullar. 

 

Belo texto, Weden!

 

Por que o MEC, através do setor responsável, no mesmo dia em que começou essa "polêmica", não convocou uma entrevista coletiva para mostrar o livro e a ÚNICA página em que aparecem as frases "erradas" devidamente cotejadas com a sua forma na norma padrão? Por que não defendeu sua avaliação positiva do livro? Por que o mesmo órgão deixou que o kit anti-homofobia se transformasse em "kit gay"? Por que não convocou uma entrevista coletiva para lembrar as estatísticas de morte, agressões físicas e tendências suicidas, além das agressões morais, para defender a necessidade de se trabalhar a questão nas escolas?

Por que o governo ou os órgãos responsáveis não se manifestam imediatamente, defendendo sua posição, quando mentiras desse quilate são jogadas no ventilador? Por que não reage, sempre, como reagiu agora contra a revista Época e a "reportagem" sobre a saúde de Dilma?

Por que ficar calado? Por que não tomar uma atitude? Saudade daquela Dilma do debate da Band no 2º turno.

 

Prezado Morales,

Tomei a liberdade de transcrever integralmente seu texto porque isso facilita comentá-lo:

"Aqui na minha região não se fala desse jeito, logo, a sua premissa está equivocada. Mas, vou lhe contar uma história verdadeira. A minha filha de 11 anos lê muito. Há pouco mais de um mês, ela estava com as leituras da casa esgotadas (e já tinha lido a edição do mês da Turma da Mônica Jovem, que ela coleciona). Então, ela disse para mim: "Pai, vamo lá na livraria... (não vou fazer "merchandizing" da livraria) comprá uns livro, que eu tô sem nada pra lê! (Ou algo semelhante). Eu devo ter respondido: "Vamo, sim, filha!"

Desafio você a, ao mesmo tempo:

a) ser sincero, b) responder que você NÃO fala (como eu e minha filha) SEM o "s" da flexão da primeira pessoa do plural e SEM o "r" do infinitivo com seus familiares e amigos, e c) que você corrige seus filhos, parentes e amigos quando eles falam de maneira semelhante a mim e a minha filha, como você da a entender como o devido em seu comentário."

.................

1- De fato, todos falamos mais ou menos assim como vc descreveu. Uns mais, outros menos, mas é dificil imaginar alguem que no cotidiano reproduza fielmente na fala todas as regras da "norma culta".

2- Entretanto, não considero esse fato (o falar diferente do que "reza a cartilha")como demonstração ou muito menos prova da existencia de uma "norma popular".
Falamos assim por ignorância, displicência, pressa, preguiça ou tudo isso junto. Mas, independentemente da razão que nos leve a falar assim sabemos (ou deveriamos saber)que não está de acordo com o padrão da ( mais uma vez) "norma culta".
Observe que na fala os desvios (que a autora chama de "variedades") são muito mais tolerados - acho essa palavra importantissima para "desenrolar o pacote" - que na escrita.
E aqui já fica uma indagação que eu gostaria de ver algum linguista respondendo. Há "normas cultas" para a fala e para a escrita. Ok?
Ok...
Por que não há "normas populares" para a escrita? Pelo menos a autora fez referencia a opção de quem fala e não de quem escreve...

3- A resposta para essa indagação tenho como sendo a inexistencia de "norma popular". Há sim, um "jeito" de falar, uma "forma" de falar, que deve ser ( como de fato é...) objeto de estudo da linguistica. Mas daí a dizer que essas "variedades" ( prefiro desvios...)consusbanticiam "normas" vai uma distancia grande!
Permita-me um exemplo, usando palavras do seu proprio texto e do comentarista inicialmente retrucado por vc ( me desculpe o amigo lá em cima, perdi seu nome e não sei como acessar sem estragar tudo...).

"Vamos comprar" Ok... Essa é a forma da "norma culta". Aqui no Recife, no Amazonas e no Paraná.
Dizemos "vamo comprá" ( alguns até dizem "ramo comprá" hehehe...)Ok...
Mas não dizemos assim seguindo "uma norma".
Se assim fosse quem dissesse "vamo cumprá" ( como exemplificado lá em cima pelo colega...) estaria "fora da norma popular".
Ou será que a "norma popular" aceita várias variedades ( pra ser pleonastico mesmo!). Bem... sendo assim, até quando será uma norma e a pártir de quando deixará de sê-la?

4- No exemplo dado as possibilidades são limitadas ( afinal, duas palavras, apenas). Mas se vc levar essa "abertura para variedades" A frase inteiras verá que a "norma popular " é mais extensa que a norma culta....

5- No mais, amigo, reconheçamos: Diversas coisas fazemos ( ou deixamos de fazer) contrariando normas, regras, receitas, prescrições, diariamente.
E as regras, normas, receitas, prescrisções não deixam de sê-las por conta disso. Muito menos se criam "regras populares".

Pode-se até chegar ao ponto dos desvios serem são predominantes, tão usuais, tão aceitos, que venham a se transformar em norma, mas até que chegue aí não serão normas!

6- Pra concluir.
Realmente acho que se fez uma tempestade num copo d"agua, inclusive com o uso politico da questão. Isso é inequivoco!
Mas acho que a professora foi sim infeliz nesse trecho do livro, especialmente no uso da expressão "preconceito linguistico" ( sim, sei que não é dela originariamente...). Hoje, tudo é "preconceito", "hipócrisia", "falso moralismo" ou coisa que valha...
Acho, sinceramente, que o uso dessaexpressão deu uma imensa bandeira... Mas deixa pra lá...

PS- Espere que o weden não me condene por estar falando no assunto sem ter lido o livro ( li apenas, obvio, a pagina discutida). Isso - essa postura de "não leu não mpoderia falar" daria gasto pra mais uma porção de bytes...

 

É preciso muito, muito mais...educar a TV  e a imprensa brasileira, não educadores(as)

 

A revista Época da Globo, comete crime travestido de "informação"

http://www.tijolaco.com/

Blog de Brizola Neto

28
May Época não merece desmentido. Merece processo

Os médicos Antônio Carlos Onofre de Lira, diretor técnico, e Paulo Ayroza Galvão, diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês, por solicitação da Presidenta Dilma Roussef, emitiram agora à tarde um longo e detalhado relatório sobre os atendimentos prestados a ela.

Tratam em detalhes e com absoluta transparência todo os diagnósticos e terapêuticas relativos a eles.

O assunto de interesse público – a saúde da Presidenta – foi tratado com uma transparência ímpar. Aliás, sempre foi, mesmo quando ainda candidata.

Mas não foi transparência o que fez a Época. Foi violação de documentos médicos  privados  -  e cuja divulgação só pode ser feita por autorização do paciente, segundo resolução nº1605/2000, do Conselho Federal de Medicina.

A revista teria todo o direito de formular perguntas sobre a saúde da presidente a ele ou a seus médicos. Mas está confesso nas próprias páginas da revista que “Época teve acesso a exames, a relatos médicos e à lista de medicamentos usados pela presidente da República”. Não foi, repito, informação sobre assuntos ou políticas públicas. Nem mesmo um diagnóstico ou prognóstico que, por sério, pudesse ter interesse para a sociedade. Foram detalhes personalíssimos, que a ninguém dizem respeito.

Isso é crime, previsto no Art. 154 do Código Penal. Tanto quanto é crime a violação de um extrato bancário, de qualquer pessoa. Crime para quem viola o que está sob sua guarda, seja um profissional hospitalar ou um gerente de banco, quanto para quem o divulga, sabendo que foi obtido de forma ilícita.

Não havia um crime a denunciar, um perigo a prevenir, algum direito de pessoa ou da sociedade a proteger, com a divulgação.

A intenção, prevista na lei de “produzir dano a outrem” está marcada pela fotografia “fúnebre” da capa e pela reunião maliciosa entre o uso de remédios para uma infecção – a pneumonia – com outras situações que nada têm a ver com ela – o hipotireoidismo, por exemplo – e até substâncias de uso tópico para aftas, como o bicarbonato de sódio e o Oncilon.

Isso nada tem a ver com o dever de dar informações sobre a saúde de uma pessoa pública.  Tanto que elas são e foram dadas sempre, nos boletins médicos.

A motivação foi política: gerar medo, intranquilidade e dúvida sobre sua capacidade de governar. O que se praticou foi um crime – e não apenas um violação ética, o que já é grave – e crimes devem merecer responsabilização.

Mas, aqui, no país onde o inimigo político é culpado até que prove sua inocência (e olhe lá), pretender que a imprensa aja dentro da lei é “perseguição”.

PS. Senti falta da nossa blogosfera progressista para falar deste absurdo e do assanhamento tucano em demolir o governo que o povo elegeu. Será o frio que está fazendo hoje? (Em tempo, o Azenha deu divulgação a esta maracutaia farmacêutica da Época)

 

 

 

 

Pessoal, qual a surpresa? São esses jornalistas que escrevem para os leitores que dizem que o Lula  repetiu a politica de FHC. Ai você pergunta pra eles qual  era essa política e ninguém sabe responder!!!

 

 

Noam Chomski escritor linguista

 

 

Leia o que diz reitor da Unicamp: “A verdade é que se um estudante fizer cursinho ano após ano, uma hora ele passa, mas muitas pessoas com potencial podem ser desperdiçadas por não terem feito uma escola que proporcionasse o mínimo”, [Eles não prestaram vestibular, mas entraram na Unicamp, http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/eles+nao+prestaram+vestibular+mas+entraram+na+unicamp/n1596980560046.html#comentarios]

 No mínimo, esse faz propaganda induzindo quem quiser ingressar na Unicamp pela via normal a pagar pré-vestibular e indica que sempre soube de tudo. Se fosse reitor de pública federal, Cristovam e dezenas de outros iriam pedir CPI para investigar e até culpar o ministro por toda bandalheira. Mas, com é pública de SP, nem pedir que esse compareça em audiência pública para explicar deste de quando sabe disto e dos porquês, adianta porque a turma do governo bloqueia tudo. Quanto menos investigar quantas redações zeraram só no último vestibular por puro preconceito linguísitco.

 

 

 

No best seller da indignação o Autor Estephan Ressel diz que devemos estas em rede para podermos indignai-vos melhor e devemos procurar

 

Muito interessante, mas gostaria de saber o que o pessoal diria ao filho se escutasse ele falando:

"Nós vai lá na livaria cumprá os livro das matéria da escola"

Opção 1) Filho, você falou errado. O certo é: "Nós vamos lá na livraria comprar os livros das matérias da escola"

Opção 2) Filho, você não está errado em falar assim, pois é uma outra norma, a norma informal. Mas em outras ocasiões pode ser necessário falar de outra maneira: "Nós vamos lá na livraria comprar os livros das matérias da escola"

Opção 3) Não falaria nada, afinal de contas você estaria cometendo preconceito linguístico contra o seu próprio filho.....

 

Se o filho nasceu em um ambiente que fala "nós vamos", jamais ele chegaria dizendo "nóis vai", muito menos "cumprá".   A escola não ensina essa forma de falar. É uma forma que o aluno aprende em seu ambiente, em seu contexto.

Em nenhum momento, NENHUM, a professora disse [ou qualquer professor diz], que é pra falar a "outra norma" a que você se refere se a pessoa não pertencer a um contexto que fala assim. O que ela diz, e estou batendo em uma tecla desnecessária [porque é fato! Duvido que você não ouça as pessoas dizendo "dois real"], é que há diferentes formas de fazer concordância na língua e que essa concordância se justifica por regras. Dizer "os livro" é a regra de plural de algumas classes não escolarizadas. Na escola, deve-se aprender, ao mesmo tempo, falar a língua oficial [a norma culta]  e não desmerecer a linguagem dos pais, dos avós etc. Para ficar bem claro, a "norma" dos pais não se limita a falar "os livro" não.  A forma de falar de uma pessoa traz consigo sua identidade, seu contexto, sua bagagem ideológica, suas crenças, etc.

Só mesmo quem não conhece a realidade da escola e os problemas enfrentados por alunos, muitas vezes oriundos de famílias cujos pais são analfabetos; alunos oriundos de contexto rural, etc., pode embarcar numa brincadeirinhas dessas como a que você está sugerindo.

 

A não ser que eu segregue socialmente os meus filhos, a linguagem dele não é produto somente do ambiente em que ele nasceu, mas sim daqueles que ele tem contato ao longo da sua vida. Em outras palavras, a linguagem dele é influenciada pelo ambiente familiar (pais, avós, irmãos), escolar, de amigos etc. Logo, é "brincadeirinha" sua querer fazer acreditar que uma maneira de falar contrária a norma culta pode e deve ser preservada porque os pais, avós e amigos falam dessa maneira.

 

Por outro lado, matreiramente, você não respondeu a pergunta do meu comentário, que nada mais é do que uma situação hipotética, mas viável de acontecer. Responda, e depois continuamos.

 

E por fim, quanto a norma dita popular, sugiro ler o comentário do comentarista emanuel rego lima, sab, 28/05/2011 - 23:29. Aí podemos continuar a discussão.

 

Não é uma questão de ser "preservada", colega. É uma questão de ser "respeitada" e reconhecida como variante legítima.

Falantes não decidem o que "preservar" ou não na língua. Falantes falam e a língua sofre ou não alterações em decorrência do uso. Não se conseguiu preservar o "Vossa Mercê", não é mesmo?

Concordo que me expressei mal ao dizer "nasceu". O "contexto" a que me referi realmente não se limita ao ambiente familiar.

 

 Já na primeira linha sua  correta escrita foi pro espaço:

 "...ao filho se escutasse ele falando"

 O "correto" seria:

 "...ao filho se o escutasse falando"

 

NRA,

Você me pergunta o que eu faria se meu filho dissesse:

"Nós vai lá na livaria cumprá os livro das matéria da escola"

Eu explicaria o seguinte.

"Filho, em certas regiões do país, como no Rio de Janeiro e Minas Gerais entre outras, a linguagem falada permite a aspiração do R até sua anulação no infinitivo.

Por isso você fala "comprá" (desculpa filho, não é corrente a estação "cumprá", mas sim "comprá", como seu próprio velho pai utiliza).

No português brasileiro, particularmente, são comuns as reduzidas. Por isso que você e eu falamos "tchiatro" e "futibol". Mas isso não nos faz inferiores aos paulistas, que costumam falar futebol e teatro. Esta reduzida não ocorre, no entanto, na palavra "comprar". 

Filho meu... quanto à conjugação, entenda que "nós vai" é mais comum em certas regiões  rurais do país, enquanto nas regiões urbanas a conjugação do "tu" com verbos em terceira pessoa é mais comum: "tu vai na festa hoje?",dizem muitos dos seus coleguinhas.

Mas filho meu, antes de discutirmos isso, vai até o livro "Aprendendo a viver",  da professora Heloísa Ramos, resultado do projeto da ONG Ação Educativa, com 15 anos de projetos educacionais importantíssimos no país, e veja que lá existem 16 exercícios de passagem da norma popular para norma culta.

Vou repetir meu filho: "o livro tem diversos exercícios de passagem da norma popular para a norma culta".

Então você aprenderá com o livro que existem normas, e que a escola deve trazer - olha, meu filho, estou  repetindo o que os autores do livro disseram - a norma culta escrita, e as normas cultas faladas, para os alunos.

Agora meu filho, nunca faça como a maioria dos imbecis que eu ouvi até hoje , que fizeram críticas sem ler o livro.

Isso é leviandade.

Afinal, pai que é pai pode se preocupar com a entrada do filho na norma culta, (aquela falada pelos falantes cultos,  e que muitas vezes é distante da norma gramatical), mas importante mesmo é que este pai, sinceramente, mostre o que é uma atitude leviana, para que seu filho nunca tenha desvios de caráter.

No mais, filho meu, é por isso que, preocupado com seu caráter, seu pai jamais acusou ninguém sem provas em redes sociais, em debates em fóruns e blogs.

Te amo.

 

Perfeito, mas com tão longa explicação você evitou responder a simples pergunta que seu filho devia estar se fazendo naquele momento: "papai, afinal, posso falar assim ou não?"

 

Aqui na minha região não se fala desse jeito, logo, a sua premissa está equivocada. Mas, vou lhe contar uma história verdadeira. A minha filha de 11 anos lê muito. Há pouco mais de um mês, ela estava com as leituras da casa esgotadas (e já tinha lido a edição do mês da Turma da Mônica Jovem, que ela coleciona). Então, ela disse para mim: "Pai, vamo na livraria... (não vou fazer "merchandizing" da livraria) comprá uns livro, que eu sem nada pra lê! (Ou algo semelhante). Eu devo ter respondido: "Vamo, sim, filha!"

Desafio você a, ao mesmo tempo:

a) ser sincero, b) responder que você NÃO fala (como eu e minha filha) SEM o "s" da flexão da primeira pessoa do plural e SEM o "r" do infinitivo com seus familiares e amigos, e c) que você corrige seus filhos, parentes e amigos quando eles falam de maneira semelhante a mim e a minha filha, como você da a entender como o devido em seu comentário.

 

Não há premissa errada. A "norma popular", creio eu, abrange termos característicos de determinadas regiões assim com individuais, da própria pessoa.

 

 

Não seria melhor consultar a “Agência de Colocação de Pronomes e Reparos Estilísticos” do Aldrovando Cantagalo?

 

“Contra ratos não há argumentos.” (Palmério Dória)

O mais interessante desta celeuma é que ao mesmo tempo em que detratam um livro sem ler, não pedem desculpas aos autores detratados, divulgam a intenção de um "Programa de Autoregulamentação".

os caras são loucos!!!

 

 

 

letramento! bendito letramento! bonito de se ver! bonito de se ouvir! em quantos letrados tropeçamos ruins da idéias! em quantos maus letrados tropeçamos ruins das idéias! temos até excelentes letrados lógicos ruins das idéias na internet! noves fora, os bons das idéias estão ganhando largado dos letrados lógicos. inclusive por aqui, nesse blog coalhado do LN da elenização. (coalhada é coisa de mineiro e é parecido com coisa heterogênia).

 

O PLATÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS ENTREVISTA DOCENTE CORRETOR DE REDAÇÃO

 

 

O senhor trabalha em universidade pública e participa corrigindo redações. O quê o senhor acha de ensinar errado?

- Veja bem. Nós só temos algo próximo de 5 mil vagas e precisamos, para  haver alguma lucratividade, de uns 50 mil candidatos. Se todos tivessem um conhecimento médio em linguagem seria impossível corrigir tantas provas, exigindo uma quantidade imensa de pessoas quando queremos até que os ganhos disto sejam apenas para uma meia dúzia. E mesmo que o sistema pague um extra fabuloso, enquanto de cada 100 redações mais de 90% zerando logo na primeira frase, fica tudo maravilhoso.

 

Como o senhor também trabalha formando docente,  você induz que esses ensinem tal qual indica a professora no seu livro?

- Com certeza!!! Até, como já mostrei, para que fique mais fácil  ganharmos um extra sem muito esforço. Além disto, o que temos na rede pública são aluno  sem a mínima condições de aprender nada e a única coisa a se fazer é ensinar o que esses já sabem.

 

Mas, como o senhor tem tanta certeza de que os seus alunos não serão também docente da rede privada?

- Quem quer isso vai estudando por fora e não espera, até porque já sabe que não terá. Além do mais, na rede privada tem quem exija e fique vigiando tudo que ele faz na sala de aula. Já na pública, é só fechar a porta e fazer o quiser e como quiser, sem que deva qualquer satisfação a seu ninguém. Bastando, obviamente, que tenha certas amizades e não se meta, fora elogiar,  no que os demais estão fazendo.

 

 

O senhor não acha tudo isso uma perversidade contra o povo?

- Absolutamente não!! Isso sempre se fez e em todas as disciplinas e ninguém nunca disse nada. De fato, os que foram nomeados no tempo da ditadura, a qual expulsou e perseguiu  docente indesejável, gente que até fugiu deixando os alunos sem aula, salvo raras, exceções o general escolheu para nomear sem concurso exatamente quem fosse capaz de promover tais coisas, já que queria evitar que, se rede pública fosse mediamente letrada, a guerra para ingressar na universidade publica, os excedentes, seria terrível.  Posto que, pobre é bicho metido e o fato de não haver alojamento, comida, livro e haver campus de universidade pública que só para se deslocar entre blocos de aulas precisa ter carro, por isso a ditadura fez onde foi possível cidades universitárias, mesmo assim, nem todo  deixa de persistir fazer curso em universidade pública.

 

E perguntamos, na condição de anonimato, para projetor do Enem o porquê de ter sido tão fácil corrigir milhões de redação em menos de dois meses.

- Simples, meu caro!!! Mais de 90% desses zeram na primeira frase com coisas como neça frasi... E lembro que se não fosse assim o custo para que as empresas tenham lucro por participar do  Enem seria astronômico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na crítica sem ler, realmente superaram-se uns aos outros em estupidez...

relacionando com espetáculos musicais, desde o início ficou parecendo uma turma de surdos de nascença esbanjando farta sapiência ao criticar a orquestra, o maestro, o compositor e, não satisfeitos, também os dançarinos.

Essa realmente vai entrar pra história como o creme dos cremes estragados.

 

 

Com tantos letrados dando mancadas deste jeito, acho que vou me candidatar a uma vaga da Academia Brasileira de Letras. Adoro chá!

 

 

Caro,

 Também adoro chá. Mas tenho alergia a naftalina.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

A questão é;

Qual o objetivo concreto do ataque a Dilma, inclusive com a capa da Época sugerindo uma quase morte a ela?

Que eles não gostam todo mundo sabe. O porque do ataque coordenado é que queremos saber.

 

Sobre as grosserias que pseudo-intelectuais despejaram sobre o livro, fica uma certeza: diante de quem quer que seja comum microfone ou uma câmara de televisão, aproveitam e agradam ao entrevistador, respondendo exatamente o que estes querem.

Nassif, se me permite, em meu blog: Martins Andrade e Você, cujo endereço é: http://martinsandade.wordpress.com, tem um artigo sobre esse  assunto, inclusive com exemplos de comuncação oral, típicas do interior cearense, de onde sou.   

Abraço.

Martins Andrade

Radialista em Fortaleza

 

"Linguistas já chamaram a atenção para o fato de que se estes jornalistas fossem submetidos ao PISA seriam reprovados."

Preocupação infundada. Os alunos que HOJE usam material didático deste tipo e são reprovados nestes mesmos testes serão os jornalistas, colunistas e até os lingüistas de amanhã. E continuarão a ser reprovados. Aí talvez não exista mais ninguém para se indignar. Bastará alegar que o país não faz parte da OCDE e não mais participar destes testes meritocráticos desumanos que não respeitam os indivíduos, suas particularidades, regionalismos, valores, etc. que tudo será resolvido...

Falando sério: acho muito mais grave a afirmação do livro que a língua culta é mais uma forma de "dominação das classes inferiores pelas superiores" (cito de memória). Em países sérios,  o idioma formal é uma das coisas que mais aglutina, une e traz igualdade para a sociedade. Aqui, fazem dela só mais uma arma para aqueles que pregam a luta de classes (e vivem disso).

OCDE, te cuida que qualquer hora a gente "pegamos ocêis"...

 

 

 Quem prega a luta de classes são os ruralistas que estão na Lista Suja do Trabalho Escravo.

 

 

Déficit de letramento, jogo de interesses, associado a uma grande pretensão = jornalista.

 

Abraço!

 

A Academia Brasileira de Letras também sofre de déficit (com acento) de letramento. Criticou o livro do MEC (http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11763&sid=727).

 

Quer dizer que quem não concorda com o livro tem problema de letramento? Estão comentendo o mesmo erro dos jornalistas...

 

É apenas uma constatação.

 

Apenas gostaria de ouvir a opinião de um neurolinguista sobre o assunto. Meus parcos conhecimentos leigos sobre a matéria dizem que o uso da afirmação "É claro que pode" em meio aquele texto longo e explicativo tentado dizer que você pode dizer "os livro" mas que está errado, funciona inversamente ao propósito. O que fica gravado é o "claro que pode" e não a longa explicação posterior. Assim, se isto realmente for verdade, o livro é inadequado.

 

Bacana, Nassif

 

Sábias palavras. A gente precisa mesmo ter um cuidado enorme com a interpretação das coisas. Interpretar é apenas ler o que está lá, talvez trazer aquilo para nosso cotidiano. Vejo sempre em veículos maiores uma superinterpretação de fatos e ideias. Daí, quase mataram (publicamente!) uma pessoa que fez um trabalho bacana. Lamentável episódio. E o livro é bem legal, aliás.

Abraço

 

Que alegria tive ao ler o artigo "Jornalistas com deficit de letramento" enviado por Luisnassif. Sou professora de Linguística, mas confesso que já nem tinha argumentos para discutir com as pessoas que me provocavam, pois elas estavam tão impregnadas de preconceito, que minaram as minhas forças. Lembrei de uma frase de Einstain: é mais fácill desintegrar um átomo do que um preconceito... Este artigo me deu a coragem de que tanto preciso para continuar a luta.

Parabéns a este Blog por divulgar artigos tão pertinentes.

Maria Auxiliadora Lustosa Coelho

 

Coloquei lá no twitter #retratacaoja

Acho muito necessário, principalmente em função de todos os problemas que começamos a enfrentar com os pais de alunos na escola.

Tem de fazer o mesmo sensacionalismo e se retratar.

 

Esse post está muito bom! Concordo com tudo. Arrancou de mim muito do que eu queria dizer!!

Gostaria de informar que os alunos formandos da Puc-Sp 2011 estamos com um texto de resposta a essas enormes ofensas e difamações, e gostaríamos de publicar, já que seremos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste incidente. Precisamos de sugestões de fontes que aceitem!

Obrigada!

(Ah, o nome do autor é Marcelino Freire - e não Freitas).

Abraços cordiais

Ana Amália

 

   Só para contribuir: o prof. ATALIBA DE CASTILHO, linguista e autor da GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO, em entrevista que pode ser encontrada em http://www.youtube.com/watch?v=DROHTF4iaiQv, diz que a autora do livro errou. Para ele, a pergunta feita no texto é “errada”. Assim mesmo, com essa palavra.

   Ele fala em dois “problemas” que o texto do livro “de fato traz”. 1) A pergunta "Mas eu posso falar 'os livro?’”, segundo ele, é errada. As pessoas falam assim e, portanto, não é uma questão de perguntar se pode. Aliás, ele não vem com meias palavras: “Quando você tem uma pergunta errada, você tem uma resposta errada”. 2) O texto do livro também estaria inadequado, segundo Castilho, por utilizar a expressão “norma popular”. Para ele, “é melhor preservar o uso de norma só para o padrão culto”. 

   Indo ao ponto: apesar de dizer que o livro está certo em afirmar que há as diversas variedades do português etc. etc., o professor dá razão implicitamente ao que foi dito na imprensa sobre a adequação da obra. Implicitamente, é claro. Embora diga que quem critica o livro não o leu, ele, que leu, também critica. E critica justamente sobre o ponto em que se concentra a crítica da imprensa. Não sei se o professor fez isso de propósito, querendo mesmo puxar a orelha da autora e de outros que saíram em sua defesa, ou se a bronca veio sem premeditação. Mas ele não fez discurso igual ao de outros linguistas de sua própria corrente. Estou me fixando aqui, obviamente, apenas no que ele disse sobre o assunto da polêmica: o livro é ou não inadequado?

 

A entrevista do Prof. Ataliba já foi publicada aqui no Nassif, e o sentido dela absolutamente nao dá razao à imprensa! Você está pinçando frases fora do contexto.

 

Veja bem: O que o professor Ataliba diz é que a pergunta "eu posso falar os livro?" está "errada" , porque as pessoas já estão falando assim. Não seria, então, uma questão de "poder", porque se trata de um fato da língua. Em nenhum momento ele diz que a autora errou ao descrever a variedade popular, como o fez.

Com relação à palavra "norma" , o que ele diz é que "seria melhor" [veja bem: seria melhor; mas trata-se sim de uma norma  para o linguistas]  preservar a palavra norma para a norma padrão [para não haver ruído - só por isso].

Ataliba é muito claro reafirmar a questão da marcação do plural em "oS livro", no artigo. Inclusive dá exemplo da fala na língua Francesa em que não se pronuncia o "s".

 

 

É uma pena que o jornalismo no Brasil esteja indo cada vez mais para o buraco, e com isso, levando o povo brasileiro junto.

Deveríamos fazer um protesto: onde estão os jornalistas competentes? Serão eles também manipulados por um bando de idiotas sensacionalistas que ao invés de levar informação de maneira séria, só querem fazer do povo brasileiro, que já é tão massacrado,  fantoches da vergonha pública que vivemos hoje?

 

Só discordo do Nassif em um único aspecto deste seu texto: na minha opinião, o erro mais grave da carreira acadêmica de Evanildo Bechara não foi criticar o livro citado, mas foi ter endossado aquela ridícula, enervante e inócua reforma ortográfica. Como tradutora e intérprete, não conheço um só profissional sequer em qualquer área das Letras que a aprove. É triste ver gramáticos e a ABL aprovando essa excrecência e depois ainda vir dar opinião "de autoridade" sobre um livro que não leram.

 

Parabéns! (Só esta palavra já diz tudo o que penso.)