Tinha menos de dois anos de formado o jovem repórter que tentou invadir o apartamento de José Dirceu no Hotel Nahoum. Pelo que soube em Brasília, voltou para a casa da mãe.
Não sei a idade do repórter da Folha que iludiu a confiança do tio, no caso Battisti. Mas foi exposto de forma fatal pelo próprio tio, em um artigo demolidor. E inspirou um artigo da ombudsman do jornal, no qual afirmava que era ingenuidade confiar em jornalistas. Tornou-se exemplo de como não se deve confiar em jornalistas. Dificilmente conseguirá fontes dispostas a lhe passar informações relevantes.
A campanha eleitoral do ano passado expôs outros jovens jornalistas, alguns com belo potencial, mas que tiveram a imagem afetada no alvorecer de suas carreiras, por conta de métodos inescrupulosos empregados em suas reportagens.
Culpa deles? Apenas em parte. Esse clima irracional foi fomentado por chefias que não se pejaram em jogar os repórteres aos lobos.
Processo semelhante ocorreu na campanha do impeachment, mas com resultados inversos. Uma enorme quantidade de mentiras divulgada, aceita pelos editores e pelos leitores sob o álibi de que valia qualquer coisa contra Collor. Foi um período vergonhoso para a mídia, no qual os escândalos reais não eram apurados, mas divulgava-se uma enxurrada de mentiras que não resistiam a um mero teste de verossimilhança. Dizia-se que Collor injetava cocaína por supositório, que ficava em estado catatônico e precisava ser penetrado por trás por um assessor, que fazia macumba nos porões do Alvorada.
Os que mais mentiram se consagraram, ganharam posições de destaque em seus veículos. Premiou-se a mentira e a falta de jornalismo, porque os escândalos reais demoravam mais para serem apurados e nem de longe de aproximavam do glamour da notícia inventada.
Processo similar ocorreu durante e após a campanha do mensalão. Surgiu uma nova geração de repórteres sem limites, hoje em dia utilizados pelas chefias para atingir adversários através da escandalização de fatos normais.
Agora, em plena era da Internet, ocorre o inverso. Esses jovens ambicionam a manchete, a aprovação das chefias, o curto prazo. Mas o registro de seus malfeitos estará indelevelmente registrado na Internet. A médio prazo, será veneno na veia para suas carreiras.
Pior, está-se criando uma geração de jornalistas para quem o jornalismo virou um vale-tudo: vale mentir, inventar, enganar, espionar, supor sem comprovar.
A reação de Caco Barcelos na Globonews nada teve de política ou ideológica - no programa sobre a tal Marcha Contra a Corrupção, depois editado para tirar suas afirmações mais impactantes contra o mau jornalismo. Ao denunciar esse jornalismo declaratório, simplesmente fazia uma defesa do jornalismo que aprendeu a praticar, de respeito aos fatos, de apuração das denúncias, de cautela nas acusações.
Em muitos outros jornais há uma geração de jornalistas mais velhos formados sob esses princípios, mas que a falta de opções obriga a se calar ante tais abusos. Há igualmente uma jovem geração saindo do forno das faculdades que entendeu a diferença entre os princípios jornalísticos e esse arremedo que a era Murdoch lançou sobre a mídia mundial - especialmente sobre a brasileira.
No final dos anos 80, quando a mídia brasileira abraçou o jornalismo sensacionalista, considerava-se ter entrado em linha com os grandes veículos globais - para quem a notícia é espetáculo, não serviço público.
Nos últimos anos, Roberto Civita importou de forma chocante o padrão Murdoch para a mídia brasileira - rapidamente imitada por outros jornais carentes de personalidade jornalística própria. A cada dia que passa, esse estilo - ainda que influenciando setores mais desinformados - parece cada vez mais velho e anacrônico.
Muitos dizem que o problema da velha mídia é não saber como se colocar nas novas tecnologias. Penso que é outro: é ter desaprendido as lições do velho jornalismo legitimador.
@Erly Ricci: "A informação sem credibilidade é como a mica: ouro de tolo" mais o comentário do Fernando Antônio sobre a pirita.
O mestre J.Cabral de Melo Neto ensina (serve para jornalista) que "catar feijão se limita com escrever". Tem que jogar fora a palha, o eco. Porém, contrário ao feijão, há que guardar a pedra, o denso - que mantém a atenção alerta.
A mica - além da pirita - também é um tipo de ouro de tolo. Não foi gafe não, Fernando. Ela brilha como o ouro e pode ser confundida com o ouro sim - para os inexperientes. O bom garimpeiro porém não se engana. A mica é leve, palha sem densidade, notícia frouxa. De imediato é lavada para fora da bateia junto com a areia branca irrelevante. O ouro verdadeiro é denso e permanece com outros pesados - a ferragem.
Agora o bom garimpeiro sabe também dar o passo final que separa os dois. Apurar somente o que interessa. É emocionante ver brilhando a verdade dos fatos no fundo, Nassif.
Prezado Nassif. Quando você pergunta se a culpa é deles, tenho certeza que sim. Será que são tão ingenuos para não perceberem que estão fazendo coisa errada? Com certeza não são ingenuos, mas sim mau carater. Querem se dar bem em seus empregos, ficar bem com seus chefes.
Por onde anda Marilene Felinto?
Está fazendo falta
Falta de conhecimento é o maior problema da nova geração de jornalistas. Muitos sabem falar diversos idiomas, são experts em informática, mas analfabetos em apurar informação. Não comparam os dados que chegam a suas mãos. Confiam em tudo. A maior regra do bom jornalismo é desconfiar, a outra é investigar. A Escola de Base é exemplo disto. Diversos coleguinhas acreditaram no delegado que inventou diversas mentiras sobre os donos daquela escola e o resultado foi trágico. Para complicar, temos alguns editores que perderam o senso crítico. É contra o governo, vale qualquer coisa. É contra a oposição, empurra-se para debaixo do tapete. Hoje, leio os jornais com critérios. Alguns nem pego nas mãos. Determinadas revistas recuso assinar. Mais parecem mulheres divorciadas ainda com ódio do ex-marido. O problema é que os dinossauros (entre eles me incluo) estão saindo de cena nas redações. Não vejo bons substitutos. Exemplo disso ocorre no Facebook, com novos coleguinhas de profissão escrevendo absurdos. Alguns até elogiam o suicídio. Este detalhe mostra o nível do atual jornalismo. Repórter precisa entender que não é artista, não é superstar. Deve ser humilde, aprender a ouvir, ficar quieto e investigar criteriosamente supostas denúncias que chegam a suas mãos. Não pode embarcar no primeiro bote que aparecer. Deviam ler o livro Barra Pesada, do inesquecível Octávio Ribeiro, o Pena Branca; um dos grandes repórteres que já tivemos no Brasil. Caco Barcellos é um de seus díscipulos. Se essa nova geração de jornalistas aprender 30% da sagacidade de Pena Branca, o nível começa melhorar.
E por falar nisso, minha mãe foi a pessoa que melhor definiu ética...
"vergonha na cara".
Bravo! Belíssimo texto..
Eles hoje querem ser mais realistas que o Rei.. Sbem direitinho - pois aprendem cedo, já na faculdade - o tipo de sangue que o patrão gosta de beber e, para colhê-lo, não hesitam em ir até as profundezas do inferno para buscá-lo..
Muito triste, mas é uma constatação.
No caso de notícias de cotidiano, a necessidade de publicar rapidamente (e maneira bem sensasionalista) algo na internet tem contribuído para gerar erros básicos. O acidente da Imigrantes que tinha, segundo a imprensa, 300 carros envolvidos no dia que aconteceu, começou a ter o número diminuído e já está em menos de 100 veículos. Será que 200 veículos evaporaram no meio da neblina ou será que é a imprensa que está perdida dentro de uma neblina densa?
Rabuja, o que eu ouvi do concessionário e da Polícia Rodoviária é que foram 300 veículos envolvidos, porém, aproximadamente 100 deles tiveram avaria sendo a estes que eles se referem quando falam em 100 veículos. Ou seja, somente aqueles que deram entrada nas companhias de seguro.
Nilva, tudo bem, mas não foi bem isto que foi publicado nos portais que eu li nos dias após o acidente.
Hoje o Terra publicou:
http://noticias.terra.com.br/brasil/transito/noticias/0,,OI5362929-EI998...
O que eu acho é que a ânsia por um furo jornalístico em tempos de internet está contribuindo para esta pressa em divulgar notícia sem uma checagem básica. Claro que não me refiro aos casos em que parcialidade é intencional.
Outra vítima tem sido a língua portuguesa que tem sido assassinada frequentemente. Eu estava colecionando aberrações gramaticais e ortográficas do Terra... cada coisa assustadora.
Saindo um pouco do tema, mas ainda sobre a qualidade dos jornalistas e suas matérias fraudulentas e do esgoto, hoje saiu no O Globo on line reportagem sobre as primeiras multas aplicadas às muculmanas em razao do uso do niqab. Tudo corria muito bem quando a reportagem coloca na boca da entrevistada que ela vai recorrer à Corte INTERAMERICANA de Direitos Humanos, se for necessário. Veja bem nao é erro do repórter, é fraude mesmo, pois o que levaria uma muculmana vivendo na Franca buscar a realizacao de seus direitos em San Jose da Costa Rica quando a Corte Européia de Direitos Humanos se encontra ali mesmo na Franca, em Estrasburgo?
RIO - A França aplicou nesta quinta-feira as primeiras multas desde que, em abril passado, entrou em vigor a lei que proíbe o uso do véu islâmico integral em locais públicos. As duas mulheres punidas, ambas francesas, foram presas em Paris há três meses por usar o niqab, véu que deixa apenas os olhos à mostra.
Hind Ahmas, que terá que pagar 120 euros, e Najate Nait Ali, que pagará 80 euros, foram duas das 91 mulheres com véu paradas até aqui pela polícia francesa nas ruas. As duas pretendem recorrer até última instância na França e, se preciso, dizem que irão à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
- Sem essa condenação, eu não poderia ir adiante. É preciso ter uma punição com multa para que eu possa ir à Corte Interamericana de Direitos Humanos - disse Hind Ahmas.
Grupos muçulmanos dizem que, desde que a restrição foi imposta, várias mulheres com véu foram ofendidas e até agredidas nas ruas.
Bélgica, Itália, Dinamarca, Áustria e Suíça têm ou planejam ter uma legislação similar à francesa sobre o uso do véu.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/09/22/franca-aplica-primeiras-multas-por-uso-de-veu-islamico-925416847.asp#ixzz1YiM9B4mq
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E outra, os cursos de jornalismo oferecem carne fresca de forma incessante. Semestralmente quantos novos jornalistas entram no mercado? É todo um pelotão pronto para a batalha.
As novas mídias tem influência nisso. A notícia é agora mais descartável, porquê precisar averiguar, investigar e averiguar de novo perdendo tempo no manuseio da matéria se vc é pressionado pela chefia e pela concorrência para colocá-la em pé e avante?
Fico imaginando o ambiente de uma dessas redações por aí, os novos jornalistas com gel no cabelo, camisas sociais listradas, de olhos arregalados na frente do monitor, sentados em formato de concha, anciosos, de olho no twitter...
E o Sindicatos do Jornalistas de SP? E a FENAJ?
Ficam quietinhos. Como se nada tivesse acontecendo. Sequer, protestam contra este tipo de jornalismo.
Este tipo de jornalista não deveria ter registro profissional. Ou deveria?
O que acontece com um jornalista que tenta "plantar" ou "retirar" algo a força de uma fonte?
Nada? Então, um jornalista pode fazer o que quiser. É isso? É um deus?
Então, Deus nos valha, pq está cheio de "deuses" nestas redações da vida.
Enquanto se julgar o que se faz em termos de velho e novo, ultrapassado e vanguardista, a crítica não será possível.
Esse jornalismo é ruim porque é ruim. Não é porque está parecendo ultrapassado (algo que somente o blogueiro parece enxergar).
O jornalismo nasceu no esgoto, no século XVIII, como panfleto, e assim continuou ao longo de todo o século XIX.
Basta ler um romance qualquer de Balzac (Eugene Grandet, por exemplo) para aprender que a palavra de ordem na época (por volta de 1830) em qualquer jornal era espinafrar os adversários e levantar a bola dos amigos.
Havia, em França e todos os outros países ocidentais, o jornal liberal, o comunista, o Bonapartista, o monarquista, o carbonário - e por aí vai.
A situação continuou a mesma pelo menos até o fim da Segunda Guerra.
A ideia do jornalismo objetivo, imparcial, quase nunca foi mais que um ideal, mas só pegou mesmo depois de 1945 com a crescente especialização da profissão e a necessidade de um noticiário mais fidedigno por parte dos definidores de políticas públicas e corporativas num ambiente cada dia mais global.
Por 200 anos antes disso, e na maioria dos lugares depois disso, a marca original da imprensa - o caráter de panfleto e o espírito de partido - continuou a imperar.
Nada de novo nem de velho, portanto. Apenas o bom (muito raro) e o mau (muitíssimo comum) jornalismo como de costume.
Abs, joseph
A inVeja reescreveu a lei de taliao:
Olho por Olho, Lente por Lente.
frasista. Duro é que fico horas pra bolar um trocadilho e pensam que foi erro de digitaçâo. Ou dizem < ele repete os ditados errados>.Tuiteiro @wilsonyoshio. Desconfio que o Twitter foi inspirado nos irmâos Maia,Carlito e Hugo,e Dalton Trevisan&l
Se depender da visão dos comentaristas deste blog, o modelo ideal de jornalismo é o feito pelo Granna e pelo Pravda. Falar de jornalista que traiu a confiança do tio para obter uma entrevista com um ex-terrorista chega às raias do constrangimento. Battisti só está solto devido a um capricho do ex-presidente Lula. Para os comentaristas deste blog, o caso Watergate deveria punir os repórteres que foram atrás da notícias.
Mas, é claro, que a indignção com a Veja se dá em função da "vítima" ser o impoluto e insuspeito José Dirceu. Se um repórter da Carta Capital tentasse fazer o mesmo com o Serra, estaria agindo em prol do Brasil.
Tenho acompanhado os comentários neste blog há muito tempo. Creio que conheço a maioria das pessoas que fazem comentários aqui e sei, pelo que leio, que a maior reclamação aqui é a mesma de qualquer cidadão decente. É pela decência que se roga neste espaço, diferentemente dos comentários nos blogs dos colunistas da veja, tão de baixo nível quanto seus editores.
Aqui conjuga-se a ética do jornalismo como a defendida pelo excelente e saudoso Cláudio Abramo. Penso, meu caro trollo, que você precisa ler isso:
"Sou jornalista, mas gosto mesmo é de marcenaria. Gosto de fazer móveis, ca deiras, e minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista - não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão. Suponho que não se vai esperar que, pelo fato de ser jornalista, o sujeito possa bater carteira e não ir para a cadeia.
Onde entra a ética? O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer? O cidadão não pode trair a palavra dada, não pode abusar da confiança do outro, não pode mentir. No jornalismo, o limite entre o profissional como cidadão e como trabalhador é o mesmo que existe em qualquer profissão. É preciso ter opinião para poder fazer opções e olhar o mundo da maneira que escolhemos. Se nos eximimos disso, perdemos o senso crítico para julgar qualquer outra coisa. O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito. A ética do jornalista é a ética do cidadão. O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista.
A resolução da questão ética depende também do que o jornalista considera seu dever de cidadão. Caso ele saiba de algo que põe em perigo a pátria, que põe em perigo o povo brasileiro, o dever do cidadão deve se refletir na profissão. O limite do jornalista é esse, ou seja, o limite do cidadão. Se um médico souber que estão preparando um golpe de Estado, ele tem a obrigação de contar, se for contra. Se for a favor, ele não tem obrigação. A ética do jornalista, portanto, é um mito que precisa ser desfeito.
O jornalista não pode ser despido de opinião política. A posição que considera o jornalista um ser separado da humanidade é uma bobagem. A própria objetividade é mal-administrada, porque se mistura com a necessidade de não se envolver, o que cria uma contradição na própria formulação política do trabalho jornalístico. Deve-se, sim, ter opinião, saber onde ela começa e onde acaba, saber onde ela interfere nas coisas ou não. É preciso ter consciência. O que se procura, hoje, é exatamente tirar a consciência do jornalista. O jornalista não deve ser ingênuo, deve ser cético. Ele não pode ser impiedoso com as coisas sem um critério ético. Nós não temos licença especial, dada por um xerife sobrenatural, para fazer o que quisermos.
O jornalismo é um meio de ganhar a vida, um trabalho como outro qualquer; é uma maneira de viver, não é uma cruzada. E por isso você faz um acordo consigo mesmo: o jornal não é seu, é do dono. Está subentendido que se vai trabalhar de acordo com a norma determinada pelo dono do jornal, de acordo com as idéias do dono do jornal. É como um médico que atende um paciente. Esse médico pode ser fascista e o paciente, comunista, mas ele deve atender do mesmo jeito. E vice-versa. Assim o totalitário fascista não pode propor no jornal o fim da democracia e entrevistar alguém e pedir: "O senhor não quer dizer uma palavrinha contra a democracia?"; da mesma forma que o revolucionário de esquerda não pode propor o fim da propriedade privada dos meios de produção. Para trabalhar em jornal é preciso fazer um armistício consigo próprio."
Trecho retirado do livro A Regra do Jogo, de Claudio Abramo (1923 a 1987)
Parei de no Gramna e Pravda. Outra múmia da Guerra Fria tentando dar uma de assombração no blog.
Arrume uns argumentos decentes e aí terá sua opinião ouvida, concorde-se ou discorde-se dela. Enquanto vier com essa baboseira de extrema direita lobotomizada, será só mais uma trollagem inútil atestando a boçalidade de uma oposição desarvorada.
ABAIXO A DITADURA
Caro Aquaviva, você me parece ser um típico deslumbrado com o eficiente marketing do lulismo e que busca desqualificar todos os que pensam.
Quero deixar claro que a reportagem de Veja sobre as relações de José Dirceu com membros do poder foi extremamente pobre e desprovida de fatos comprobatórios. Claro que a você não deve causar estranheza o fato de um ex-ministro e lobista confesso realizar encontros semi-clandestinos em um hotel de Brasília.
Se Veja fosse mais competente, teria escalado um jornalista mais experiente e não um novato como o referido repórter. Nada me surpreenderia se, algum dia, for revelado que José Dirceu mantinha negócios com a Editora Abril ou com outro veículo do chamado PIG.
O que não significa que políticos fora do poder, como José Serra e outros (como Ciro Gomes e Tasso Jeiressati) não ajam com métodos semelhantes a Jose Dirceu, recebendo autoridades e empresários empenhados em favores pessoais.
Mas, infelizmente, a seletividade não é um defeito exclusivo da chamda mídia golpista. O que só míopes ou fanáticos como você não enxergam.
Bem, pela sua argumentação voce é um dos fiéis leitores da revista Veja.
Não tome medida dos outros pela sua régua.
Nunca concordaria que nenhuma revista, jornal ou TV, fizesse uma reportagem mentirosa, falsa ou criminosa sobre o José Serra ou qualquer outra pessoa ou politico que fosse.
Um crime nunca justifica outro.
O que queremos é uma imprensa ética, imparcial, transparente, que atue de forma republicana, na defesa dos interesses publicos quando cubrir as ações da Administração Pública, seja de qualquer partido, de centro, direita ou esquerda, pois o dinheiro público vem dos nossos impostos e tem que ser aplicado corretamente em benefício de toda a sociedade, é para isso que o Estado existe.
Essas histórias e o vídeo abaixo, quando uma jornalista da Record tentou atrapalhar a entrevista ao vivo da colega da Globo, mostra que estão faltando aulas de ética nas escolas de jornalismo:
De José Arthur Giannotti, em março de 1996, sobre o jornalismo da Folha: "Como só se percebe uma ação humana de um ponto de vista, pretende equilibrar suas perspectivas distribuindo equitativamente pauladas em todos os agentes. Nesse contexto notícia é o deslize. O jornalista passa a ser um gafanhoto à procura de tropeços na vida pública, sempre correndo perigo de virar um carreirista, de inventar notícias para agradar aos chefes. Este simulacro de independência termina passando por cima de tudo o que é novo; em particular ignora aquelas tendências da cultura brasileira que procuram tomar distância das práticas do correntio. Isto porque o deslize não dá muito trabalho para ser detectado e informado, enquanto o novo requer a busca paciente, amorosa, de uma vereda que se esboça. Dando uma no cravo e outra na ferradura, com o medo insano de tomar partido, a Folha de hoje termina por quebrar a ferradura e ferir o pé do cavalo. Seu simulacro de independência faz dela, em virtude de seu tamanho e significado cultural, o jornal mais conservador e reacionário do país, precisamente no momento em que ela se maquia com todas as cores."
Nassif,
Perguntei por que aqui analisaram-se apenas os métodos de obtenção das imagens no Hotel mas ninguem opinou sobre o fato de ser ou não correto Ze Dirceu receber funcionários do governo e de estatais em horário de expediente com ele sendo consultor de empresas listadas no mercado. Ao meu ver seria informação privilegiada.
Fui educado e coloquei uma questão em debate.
Por que meu post nao foi publicado?
Obrigado.
Marco
Vou começar listando alguns nomes de jovens jornalistas que me dão arrepios, quem quiser pode continuar a lista:
- Rodrigo Bocardi;
- Renata Loprete;
-
Caro Carlos, é difícil fazer essa lista. Existem inúmeros exemplos além desses dois que você colocou. O problema é que a maioria não se destaca, pois faz mais do mesmo. Então a gente nem lembra o nome.
Já a lista dos que "não dão arrepios", ou melhor, dão e muito, mas aos seus chefes, é bem menor e vale o destaque. Cito alguns, além do Caco:
Roberto Pontual, Silo Bocanera, Geneton de Moraes Neto, Ricardo Amorim (que consegue fazer algo que se possa chamar de jornalismo, convivendo com o Maianrdi e o Caio Blinder!)
Tem uma também que tem me chamado a atenção devido a discrição e ponderação com que analisa a economia, é a Flavia de Oliveira do programa da Maria Beltrão. Ela é a anti-Miriam Leitão!
Juliano Santos
Eu gostaria que muitos Cacos Barcelos trabalhassem na globo.Quanto mais espaços deixarmos para os "maus" ocuparem, menos possibilidades teremos de mudar a situação.
Guardada as devidas proporções, entendo que essa arrogância e falta de escrúpulos atinge também novos executivos e os novos publicitários. Todos atrás dos números, da fama a qualquer custo, nem que isso dure menos do que uma primavera.
Tomara que jovens jornalistas já tenham se alfabetizado para lerem seu bom artigo
O nivel de desinformação é assustador, acham que basta ter indignação.
Ontem, num curso, estávamos executando uma tarefa e conversando, quando a professora comentou: “...meu pai foi convidado para um cargo de confiança, porque ele é o tipo de pessoa absolutamente honesta, que não sabe e nem conseguiria ser desonesta” – comentário feito, com certeza, cheio, de orgulho.
A resposta de um dos mais jovens alunos da classe foi rápida e certeira: “...se seu pai vier falar comigo, eu ensino a ele rapidinho” – fala ainda mais cheia de orgulho que a primeira.
O que significa isso? Deixo pra vcs, pois eu sangrei.
Só para elucidar: não, esse curso não tem absolutamente nada a ver com mídia.
Adri
Nassif:
Claro que o meio influencia as pessoas sim, mas isso não tira delas a responsabilidade sobre as suas escolhas e decisões. Por exemplo, o jovem repórter que fez o trabalho sujo no Hotel Nahoum para incriminar o José Dirceu, sabia perfeitamente o que estava fazendo. Preferiu e escolheu o caminho da fama fácil e enganadora. Como muitos comentaristas já disseram acima, isto é falta de caráter. Nada a ver com o retorno do recalcado. Será se o seu chefe mandasse ele mergulhar num lago sujo, cheio de m.... ele faria isso? Não, não é? Fez o trabalho sujo na esperança de uma recompensa qualquer, sem se preocupar com o outro. Este que se dane... "Eu quero é tirar vantagem"... O resto que se exploda...
José Antônio
A inVeja investe no jornalismo invadisgativo.....
frasista. Duro é que fico horas pra bolar um trocadilho e pensam que foi erro de digitaçâo. Ou dizem < ele repete os ditados errados>.Tuiteiro @wilsonyoshio. Desconfio que o Twitter foi inspirado nos irmâos Maia,Carlito e Hugo,e Dalton Trevisan&l
Nassif,
nesta questão do Dirceu no hotel Nahoum, após tantas críticas (procedentes, diga-se) à forma de obtençõ das imagens, não vimos sua opinião sobre se é ou não aceitável um ex-dirigente que assumidamente presta consultoria para empresas privadas receber minsitros e dirigentes de estatais NA ATIVA.
Sabemos que a CVM pune rigorosamente informações privilegiadas sobre empresas listadas: lá estava Gabriellli com Dirceu, que presta serviços para empresas com interesses no segmento de petróleo, EBX inclusa. Isto tudo em horário comercial !! Eu tenho meu FGTS enfiado na Petrobrás, por que não tenho o mesmo direito de saber coisas que Dirceu sabe do presidente da empresa em um encontro secreto?
Vacarezza e outros adevrsários de Palocci estiveram lá em meio à crise da Casa Civil.
Seria ético José Dirceu estar tão envolvido de maneira secreta em questões que tratam de matérias de interesse público e dinheiro público? Por que ele não poderia ter marcado uma audiência no ministérios para falar com estas pessoas? Precisava ser no hotel?
Aqui muito se condenou o método, mas a gravidade destes encontros passou batida, ninguem se manifestou. Por quê?
Deixe de ser tolinho (ou seria trollinho?). Por acaso o Zé Dirceu precisa de se encontrar secretamente com seus companheiros de partido? Encontro secreto num dos mais badalados hotéis de Brasília só na cabeça de quem se informa pela Veja.
Não meu caro, não pode encontrar presidente da Petrobras em horário de expediente em quarto de hotel ! Isto só pode na sua cabeça de pessoa que não se importa com dinheiro de milhões de cidadãos que está investido em uma empresa pública que é a maior do mercado de capitais brasileiro. Pra voce isso nao deve importar nada, não é mesmo, afinal, que importância que tem a Petrobrás? Voce já leu algum código de ética na vida?
Tampouco deve ler algum jornal (porque deve achar que estão todos comprometidos); muito menos deve saber quais são as punições para quem faz uso de informação privilegiada. Pergunte à CVM se isso pode. Voce sabe o que é CVM?
O mesmo vale para ministros e parlamentares, que ali foram em horário de expediente. Se isso não tem importância pra voce, lamento sua falta de cidadania, que condesce com esta postura mancomunada entre poder público e capital privado, dentro do qual Zé Dirceu é o grande intermediador auferindo alguns milhões. Aliás, cadê os 20 milhões do Palocci?
As pessoas estão começando a se indignar de maneira SUPRAPARTIDÁRIA, mas o grande obstáculo pela limpeza na política, além dos feudos eleitorais e parlamentares dos Sarneys da vida, são as pessoas esclarecidas taparem os olhos pra este tipo de postura dos homens públicos, relativizando os crimes, abrandando as pilantragens e favorecimentos que praticam em interesse próprio.
Lamentável.
Desculpe-me a ignorância, Marcos, mas como é que você sabe que Gabrielli se encontou com José Dirceu no seu quarto de hotel e em horário de expediente? Pela leitura da Veja?
Sim, as imagens não mentem. Ou vão dizer que foi montagem?
Então se não foi em horário de expediente foi fora dele. Aí pode né? E os outros ministros, em plena época de fritura do Palocci? Foram lá tricotar, falar de futebol?
Faça-me o favor. É este tipo de relativização de crimes que estou dizendo que faz tão mal ao país ! qaxjf
Bem, marco, antes de tudo você precisa aprender a ler e com você nem desenhando, já que as imagens da veja não foram gravadas no quarto - a não ser que o quarto do dirceu seja de 3 metros quadrados. O que se questiona é a forma que é feita a denúncia, não a denúncia - incomprovável, aliás, pela simples razão de que no hotel circulam todos os figurões de brasília, inclusive de outras agremiações do lado de lá da rua. Nassif está apontando um grande problema do jornalismo de hoje, feito com facas nos dentes. Você leu o texto do Cláudio Abramo que postei? E se leu, consegue entender o que diz?
Marco na década de 60, no tempo das grandes manifestações de estudantes, o Zé Dirceu tinha a fama de sedutor, e que a mulherada não lhe dava sossego, e ele não se fazia de rogado. Tenho pra mim – pelo ódio que o Zé desperta em alguns homens – que não eram só às mulheres que ele encantava. Nem digo que seja o seu caso, mas a pessoa rejeitada não perdoa nunca.
Eu também passei por isso no início da carreira, mas já não era tão jovem, não aceitei me submeter, virei frila e acabei mudando de profissão.
Há que se registrar que a competição pelo emprego - ou melhor, subemprego - hoje é brutal, muito pior do que qualquer outro período anterior. E que o narcisismo faz parte da profissão. Os casos de narcisismo extremo e patológico também existem.
Não entendo essa moral que o Caco possui. Pode ser que ele seja um grande jornalista, não duvido, mas a quanto tempo trabalha na Globo? será que não sabe o que o empregador dele fez a vida toda? não vejo diferença nehuma entre o Caco e o Bonner, ou com o Bial. Eles cumprem o mesmo papel na Globo. O que ele acha da bolinha de papel? o que ele achou do delegado Bruno? nunca ouvi nehuma opinião dele sobre isso. Aqui na Bahia tem um ditado que resume o que acho: quem com porcos se mistura, farelo come.
Como diz meu filho, é expressionante. Mas o título de Repórter Toddynho pertence a outro "jornalista":
http://cloacanews.blogspot.com/2011/03/reporter-toddynho-entala-com-canu...
- Direito - veterinária - atriz -modelo - cineasta - diretora - jornalista !
- Como diz certo locutor esportivo: pelos meus filhinhos.
Não imaginava que uma escolha profissional pudesse ser feita lendo uma embalagem de todynho, acho que aquele repórter que tentou invadir o quarto do Zé Dirceu é da mesma turma dessa bela moça, de QI tão delicado, para falar o mínimo.
A mãe natureza é cruel, definitivamente parece que a beleza não combina com inteligência.
Incrível........são jovens acéfalos...totalmente. Cada dia que passa estes jovens de 20,25,30 anos estão mais e mais imbecilizados......verdadeiras crianças em corpos de adultos......Jovens sem o menor comprometimento nem visão de futuro. Jovens que moram com pais, não trabalham e, alguns casos, nem estudam.....vivendo as custas da família...algumas famílias, vivem todos da aposentadoria do mais velho.....que carrega um bando de parasitas, da geração saúde, nas costas......
A declaração desta jovem, Taturana, é o exemplo perfeito do que digo......uma boçal que viverá da aparência ....pois a cabeça .........sumiu!!!!
PS...não quero generalizar...meu comentário não serve para todos.....ainda bem que muitos jovens, quando bem orientados e educados, conseguem fugir deste lugar comum que citei acima.
como dizia Paulo Leminski, Para cada bicho de sete cabeças, tem sete sem nenhuma
Tenho lá minhas dúvidas se “jornalistas” que se sujeitam ao vale-tudo são escanteados. Parece mais que são promovidos. Diogo Mainardi, por exemplo, fugido para a Itália continua prestigiado e rindo a toa. A velha imprensa parece ser grata com os que se submetem e fazem o seu jogo.
Confesso que no caso do impeachment do Collor tomei certa antipatia por Nassif, que remava contra a correnteza. Na campanha eleitoral de 89 fiz campanha ferrenha contra o então candidato Collor-Globo; depois, acompanhei atentamente todo o processo do impeachment. Por ex, numa das CPIs que tratou do tal "empréstimo do Uruguai" (para justificar origem de grana suspeita), vi um parente meu depor p/ atestar a legalidade do suposto empréstimo - mas eu sabia que fora ele próprio quem fabricara o documento; Suplicy levou à CPI a secretária Sandra que desmontou a farsa e a tal secretária comentou que tinha medo que tudo aquilo "acabasse em pizza" (foi ali que nasceu esta expressão). Então é explicável que eu (e a torcida do Flamengo e do Corinthians) embarcasse na tal correnteza. Hoje, com o advento da internet, dá para enxergar com clareza o quanto insana (jornalisticamente falando) foi aquela correnteza que, atesto aqui, Nassif não queria embarcar. Ele e alguns poucos Jornalistas (com "J"), como o saudoso Carlos Castello Branco, o Castelinho, então no JB. Mas Castelinho estava circunscrito na esfera política ao passo que Nassif batia no mau jornalismo de então, dando a impressão de que fazia as vias da chamada "tropa de choque" de Collor liderada pelo então deputado Roberto Jefferson.
Errata: a expressão "acabar em pizza" não "nasceu" na ocasião do impeachment do Collor, mas sim foi popularizada com o depoimento da secretária Sandra. Parece que tal expressão só era usada em SP, assim mesmo num grupo restrito de pessoas.
Repetindo a expressão do Mino Carta, pergunto aos meus botões: a quantas anda o ensino da ética nas faculdades de jornalismo?
Acabo de ler o livro "Sorte e Arte", de José Roberto Alencar, o Zé Grandão, jornalista excepcional que o Nassif generosamente apresentou aos leitores da minha geração. O livro - incluindo as orelhas escritas por Nirlando Beirão e o prefácio primoroso de Sérgio Buarque de Gusmão - deveria ser leitura obrigatória nos cursos de jornalismo. Ali se discutem a ética, lealdade e verdade, algo em falta não apenas no jornalismo, mas também na administração de veículos de comunicação. Não só os princípios, mas os meios e os fins de várias empresas jornalísticas estão mais sórdidos do que podemos tolerar. Será mesmo que cada povo tem a imprensa que merece?
PS. Não tenho a menor vocação para puxa-saco, portanto declaro com absoluta sinceridade minha gratidão eterna ao Nassif pela dica sobre o Zé Grandão. Estou lendo também "Muita Sorte e Pouco Juízo". Aquele seu amigo era realmente especial. E como escrevia bem, sô!
Cara Aracy, adorei o filme "O menino maluquinho" uma criação original do Ziraldo. Lá pelas tantas me aparece uma molequinha a importunar o irmão querendo ir junto a um mal-feito que ambos, ele e o colega planejavam executar. Conscientes de suas traquinagens, das implicações morais e das possíveis consequências os moleques birram: "você não vai". Depois de explicar por que vem a afirmação inocente e por isso mesmo engraçadíssima: "mas eu também quero ser ladrona!" Coisas de crianças querendo roubar frutas alheias, ainda hoje as mais gostosas.
Bem, criei-me dando conta de cada goiaba e até araçá, banana, manga ou o que fosse à minha mãe ao chegar em casa com elas. E muito vi isso na vizinhança. Começa por aí: Não roubarás! O sétimo mandamento. A partir daí, escola nenhuma será necessária, até mesmo porque Ética na faculdade sem uma base moral na família é pura hipocrisia, na melhor das hipóteses, sonho. Na minha grossa visão das coisas, a ética começa de aí. Ainda no meu grosso modo de entender, a onda do "se dar bem", defendida subliminarmente pela mídia ao estabelecer "o estado geral de corrupção" fingindo combater a mesma corrupção, e apregoado na Era Collor está surtindo seus efeitos agora. O que significa que vai piorar quando chegar a "geração mensalão". Resumindo: já que todo mundo rouba...! Não conheço curso de faculdade pra reverter isso por si só; uma cultura de ladroagem. O estrago do PIG é muito pior do que o que se pensa.
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