Por Assis Ribeiro

Em crise, LBR deve gerar baixa contábil no balanço do BNDES

Por Luiz Henrique Mendes e Janice Kiss | De São Paulo
Valor Econômico - 17/01/2013 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social deve fazer uma baixa contábil de R$ 700 milhões relativa à operação da LBR - Lácteos Brasil em seu próximo balanço. Em 2011, o banco patrocinou a criação da companhia com aporte de R$ 700 milhões, R$ 450 milhões em capital e R$ 250 milhões com a subscrição de debêntures conversíveis em ações. O banco tem 30% da empresa

O plano do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de criar uma gigante do leite enfrenta sérios problemas. O Valor apurou que o banco estatal deve fazer uma baixa contábil da ordem de R$ 700 milhões relativa à operação da LBR - Lácteos Brasil em seu próximo balanço, a ser divulgado até março. Na prática, o BNDES assume que o investimento feito em 2011 para criar a LBR dificilmente será recuperado. Procurada, a instituição não comentou a informação.

Quando sua criação foi anunciada, em 22 de dezembro de 2010, a LBR tinha planos audaciosos de liderar e consolidar o pulverizado mercado brasileiro de lácteos. A empresa surgiu da fusão entre o laticínio Bom Gosto, do empresário gaúcho Wilson Zanatta, e a Leitbom, controlada pela Monticiano Participações - empresa que tem como acionistas a GP Investimentos e a Laep, dona da Parmalat no Brasil.

Como um dos principais acionistas da Bom Gosto, o BNDES patrocinou a criação da LBR com um aporte de R$ 700 milhões em 27 de janeiro de 2011. Do montante investido pelo banco, R$ 450 milhões entraram no caixa da LBR via aumento de capital e outros R$ 250 milhões com a subscrição de debêntures conversíveis. O banco estatal detém uma fatia de 30,28% no capital da empresa por meio de seu braço de participações, o BNDESPar.

Com a fusão entre a Bom Gosto e Leitbom, a Lácteos Brasil surgiu como uma gigante com faturamento bruto de R$ 3 bilhões, 31 fábricas, 56 mil fornecedores de leite e uma captação de cerca de 2 bilhões de litros de matéria-prima por ano - uma das três maiores do país, junto com DPA (joint venture entre Nestlé e Fonterra) e BRF - Brasil Foods.

Com dificuldades, a empresa decidiu suspender pelo menos cinco marcas e fechar 11 fábricas até 2012

À época de sua criação, os executivos da empresa tinham perspectivas bastante otimistas. Em entrevista concedida ao Valor em dezembro de 2010, o então presidente da LBR, Fernando Falco, disse que a companhia projetava atingir faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2012, o que seria "possível de ser alcançado só utilizando a capacidade ociosa", disse o executivo. Naquele momento, a LBR detinha uma capacidade ociosa de 30% em suas fábricas.

Mas os planos da LBR fizeram água em pouco tempo. Com dificuldades para capturar as sinergias esperadas com a fusão e um emaranhado de 16 marcas, sendo 12 delas apenas de leite longa vida (UHT), a companhia pôs em curso uma estratégia que já levou à suspensão de pelo menos cinco marcas e ao fechamento de 11 fábricas até dezembro, segundo fontes familiarizadas com a empresa.

O Valor apurou que a LBR pretende fechar outras cinco fábricas, deixando só 15 unidades em operação. No meio desse caminho, a empresa chegou a negociar outra fusão, desta vez com a Parmalat italiana, empresa que foi adquirida pouco tempo depois pelo grupo francês Lactalis.

Em 2011, ano de sua criação, a LBR registrou um resultado desastroso. Conforme balanço publicado no Diário Oficial do Estado de Goiás em 20 de abril do ano passado, a empresa amargou um prejuízo líquido (atribuído aos acionistas) de R$ 305,5 milhões. No período, a receita líquida da LBR atingiu R$ 2,2 bilhões.

O mau resultado da LBR respingou no BNDES. Em 31 de dezembro de 2011, a empresa de lácteos apresentou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) negativo e quebrou uma cláusula restritiva do contrato referente aos R$ 250 milhões adquiridos em debêntures conversíveis pelo BNDES, conforme atesta o último balanço trimestral divulgado pela Monticiano, controladora da LBR.

Pelos termos da emissão feita pela LBR, as debêntures adquiridas pelo BNDES têm seu saldo corrigido pelo IPCA e pagam juros anuais de 7,5%, acrescidos da taxa de inflação. A partir de 2016, a empresa deve pagar 20% do montante principal por ano. Os papéis vencem em 2020.

Mas o contrato de debêntures previa um "gatilho" para o pagamento antecipado dessas debêntures. Se o índice de alavancagem (a relação entre a dívida líquida e o Ebitda) da LBR ficasse acima de quatro vezes, a empresa teria de quitar antecipadamente o saldo das debêntures com o BNDES, além da multa de 10% e juros. Foi o que ocorreu no fim de 2011.

Para evitar o pagamento antecipado justamente no momento em que enfrenta problemas financeiros, a LBR fez um pedido de "waiver" - uma espécie de perdão por ter rompido o contrato - ao BNDES. A expectativa da Monticiano era que o "waiver" fosse concedido pelo banco até 31 de janeiro de 2012.

Mas o BNDES ainda não analisou o pedido. Procurado pelo Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, o banco informou que ainda analisa o pedido de "waiver" e que não definiu um prazo para dar sua resposta à empresa.

Se os resultados de 2011 foram ruins e dispararam o "gatilho" das debêntures, os dados disponíveis sobre o ano passado trazem indícios ainda piores. Em 12 de novembro de 2012, a BNDESPar publicou seu balanço trimestral, no qual reportou que a Lácteos Brasil obteve um prejuízo de R$ 301 milhões entre janeiro e julho. Trata-se de uma perda similar à registrada em todo o ano de 2011. No documento, o BNDES já provisionava uma perda de R$ 14,7 milhões com a LBR.

Procurada diversas vezes, a LBR não quis se pronunciar. A empresa sequer informa quantas unidades possui e as que estão em operação. Também procurados, GP Investimentos, Laep e o empresário Wilson Zanatta, da Bom Gosto, não comentaram. (Colaborou Sérgio Ruck Bueno, de Porto Alegre)

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+26 comentários

Este é o BNDS que vai chorar o leite derramado?

http://www.ocafezinho.com/2013/01/20/o-bndes-e-a-mulher-do-malandro/

 

A tabela abaixo refere-se ao lucro líquido do BNDES nos últimos 13 anos:

De 1998 a 2002, o lucro líquido do BNDES foi de R$ 3,7 bilhões. De 2008 a junho de 2012, foi de R$ 33,66 bilhões.

 

Tá maus!

Dá, não!

Cumpadis são sombra de jornalecos!

Pluft!

 

Amiguinho, você está mais por fora que casca de ovo.

A LAEP é uma empresa aberta, tem ações em bolsa, assim como a BNDESPar. A LBR não tem ações, é uma caixa preta.

A LAEP e a BNDESPar tem obrigação de divulgar os resultados das empresas onde elas são acionistas para os investidores.

Analisando-se os resultados de ambas, que acusam a perda de dinheiro com os investimentos feitos na tal da LBR, chega-se a conclusão que todos tomaram no rabo. Investidores do BNDES, incluso o contribuinte brasileiro via governo federal e os investidores da LAEP.

A LAEP já avisou o mercado que seus investidores irão tomar no rabo com suas ações. 

http://www.ultimoinstante.com.br/pt/noticias_20130118/setores_alimentos_bebidas_fumo/157004#axzz2IZ7vSRGp

E se quiser confirmar, de uma olhada na análise trimestral da BNDESPar, acusando o acúmulo de prejuízos da LBR a cada trimestre.

R$ 130mi até março, 217 até julho e 301 até setembro. Se não recuperaram esse prejuízo até 31/12, não tem jeito não, o BNDES vai ter que acusar essa perda em seu balanço. 

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias...

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias...

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias...

 

Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.

Tenho uma micro empresa. Quero me transformar numa mega. Também quero um caraminguá do BNDEs!

 

A LBR não é a LAEP.

Foi a  2ª maior compradora de leite no Brasil, pouco abaixo da Nestlé.

Não possui ações em BOLSA.

A reportagem do Valor é confusa, assim como os dados constantes dos sites de análises.

Misturam LAEP com LBR, o prejuízo é da LAEP, não da LBR..... não consegui os dados da empresa de leite.

Uma coisa é uma coisa.

Bom, qualquer coisa é melhor que deixar o mercado na mão da Nestlé!

O BNDESPAR é sócio da LBR e possui direito de preferência em caso de alienação.

 

Pensei que para defender o mercado de monopólios o Jango tinha criado um tal de CADE em 1963.

Quer dizer que agora o governo controla monopólios inventado concorrências ?

 

Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.

Negativo. Não tem só a Nestle produzindo leite no Brasil, existem grande numero de empresas sólidas, como Fazenda Boa Vista, mega produtor, Elege, dezenas de GRANDES cooperativas, como a Itambé, NÃO HÁ NENHUMA JUSTIFICA para criar Campeão Nacional do Leite, porque não da farinha, do biscoito, do peixe, da ervilha em conserva? Que logica mais idiota, não tem pé nem cabeça. Porque o BNDES não financia as cooperativas tradicionais para repassarem o financiamento para os produtores de leite, verdadeiros herois empresariais, ganha-se um pouco em um mês e perde-se em três, é um negocio que só se faz por amor porque como negocio é um desastre, sei porque estou nele há quarenta anos.

 

"Que logica mais idiota, não tem pé nem cabeça." tem lógica sim é pragmátismo politico.

O que é mais facil André pedir "contribuição"para o partido para 2000 produtores ou para 1 "compeão nacional".

 

Entao a reportagem ESCONDEU a LAEP porque so a menciona duas vezes, e de passagem ainda por cima!  Nao sobra nada mais a se concluir.

 

O Valor apurou que a LBR pretende fechar outras cinco fábricas, deixando só 15 unidades em operação.

O "Valor" apurou...... em 2011.

Tais fábricas foram fechadas durante a reestruturação.

Claro que não confio na OI, Na GP, na CSN, na AES.

Mas é a forma do BNDES evitar o monopólio estrangeiro, com custos óbvios.

 

A LBR – Lácteos Brasil S.A. se consolidou como líder no mercado de leites UHT e creme de leite no País durante o primeiro semestre de 2012, segundo dados recentes copilados pela empresa de pesquisa e monitoramento Kantar Worldpanel. A companhia continua na liderança com um market share de 15,3% no mercado de leite UHT. O resultado foi alcançado devido ao crescimento de vendas das marcas da LBR: Lider, Bom Gosto, LeitBom, São Gabriel, Ibituruna e DaMatta, e, principalmente, pelo intenso crescimento obtido com a marca Parmalat, uma das marcas mais importantes do mercado de lácteos no Brasil. Além disso, a LBR também superou a concorrência na categoria creme de leite, assumindo a liderança nesse importante segmento, atingindo 20% de participação de mercado, com a soma de suas marcas. Também nessa categoria, a marca Parmalat vem se destacando com forte crescimento no último ano, após a reformulação e o relançamento de suas embalagens. “Estamos muito contentes com o resultado, pois isso só reforça a competência e qualidade de marcas que estão cada vez mais presentes na vida no dia-a-dia da família brasileira”, comenta Gerson Francisco, diretor de Vendas e Marketing da LBR.

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André, restrinja-se a comentar tua praia!

Qual é, mesmo?

Análise de "Valor" ....... preciso?

Das tuas?

 

Provavelmente, depois de algumas semanas. um ex executivo do GP ou da empresa assumira o negocio com um perdao da maior parte divida. É assim que nascem os novos bilionarios no Brasil. Era sim com FHC e continua depois de 10 anos.

 

O IMPERADOR BNDEs é assim mesmo, parece um orgão autônomo que não deve nenhuma satisfação ao Estado e a população, tanto que se acha excluido da lei de acesso à informação. Não tem só esse caso não, tem o do grupo Friboi, aquele que "espontaneamente" ia comprar a Delta. O pior é que está previsto que ele receba mais de R$ 50 bi de aporte do Tesouro Nacional neste ano.

 

o risco é inerente ao sistema capitalista, seria muita idiotice achar que toda empresa em que o BNDES investe se transforme em sucesso, se a maioria tiver sucesso, então já estará bom.

 

Nada a ver. O BNDES não pertence ao sistema capitalista e sim ao sistema ESTATISTA, que opera 100% com dinheiro publico e não está na logica de Estado jogar dinheiro em aventuras capitalistas. Bamcos de fomento, por todo o mundo, não costumam correr riscos,

operam com sólidas garantias, NÃO FINANCIAM FUSÕES E AQUISIÇÕES. Os prejuizos do Banco Mundial, do BID, do Banco Europeu de Desenvolvimento, do Banco Africano de Desenvolvimento, da Corporacion Andina de Fomento são quase ZERO, esses bancos não entram de sócios de frigorificos, de laticinios ou de supermercados. O que o BNDES está fazendo NÃO É OPERAÇÃO DE BANCO DE FOMENTO, financiar uma empresa comprando outro é negocio para o mercado de capitais PRIVADO.

 

Quando se é sócio de uma empresa sempre poderão haver perdas e ganhos.

 

Ganhos e perdas. Bem, por enquanto só perdas e lá vai o dinheiro da viúva. Que tal a Dilma colocar um critério simples para escolher ou manter membros para sua equipe econômica: QI maior que o de um ovo cozido.

 

Então voce acha que o BNDES nunca obteve ganhos com nenhuma empresa da qual é sócio ?

Tem certeza ?

 

Enquanto isso, na sala da justiça :

http://www.terravivasc.com.br/historia

 

Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.

Coutinho já disse alguma coisa a respeito? 

Ele sempre fala.

 

Ele NUNCA fala. Desfila sua ""cara de conteudo"" como futuro Premio Nobel de Economia.

 

Dentro do script, a desastrosa politica de Campeões Nacionais vai acabar num mar de prejuizos, a turma da Unicamp tem crurriculo inquestionavel de fracassos tanto em macro economia (Plano Cruzado) como em gestão de bancos, empresas e clubes. No setor carne os prejuizos poderão ser muito maiores do que no leite, na area internacional a carteira de creditos de dificil cobrança, começando na Venezuela e terminando na Bolivia vai à casa de muitos bilhões de dolares, hoje é dificil de quantificar porque o BNDES não divulga nada, alegando sigilo bancario, o que é um completo absurdo, o Banco é 100% estatal e os recursos são todos do Tesouro, sigilo bancario aplica-se ao dinheiro de depositantes e não a recursos do Tesouro emprestados a particulares.

O Banco está há muito tempo fora de rota, despejou na economia desde 2009   R$350 bilhões para nada,

não produziu crescimento e nem melhororu a infra-estrutura, o xodó do Banco é emprestar dinheiro para uma empresa comprar outras, como se isso ajudasse o desenvolvimento. Enquanto isso serve de pouso no Rio de ""assessores"" campineiros praticando a eficiente ""gestão Palmeiras"" na Rua Chile.

 

Não há praticamente riscos em empréstimos à Venezuela e à  Bolívia. Todos os pagamentos  entre as nações sulamericanas entram em uma caixa úníca dos Bancos Centrais  da região. Se um devedor fica inadiplente ele simplesmente não consegue mais fazer negócios com nenhum de seus vizinhos. 

No mais, estes empréstimos são para comprar produtos e serviçoes brasileiros, especialmente serviços de engenharia. Talvez você seja um dos prefira que o Brasil  seja  apenas um  exportador de commodities.

 

Eu ja tava pra dizer mais ou menos isso.  A compania surge do nada com valor de mercado de 3 bilhoes, desde que quase um bilhao seja "emprestado" de banco estatal, depois comeca a fechar fabrica apos fabrica, e tirar marcas do mercado.

Ja vi isso tantas vezes nos EUA que ate desanima...  eh sempre o mesmo roteiro, ate as palavras sao as mesmas -nem a "sinergias" podia faltar, clichee infalivel.

So o estado em que os produtores de leite se acharam imediatamente depois da fusao nao pode ser falado.

Deixe me advinhar...  foi uma burrada apos a outra da LBR.  Acertei?

 

Só que nos EUA não tem BNDES para financiar essa brincadeira, é tudo dinheiro privado.

 

E o BNDES irá, literalmente, chorar sobre o leite derramado.

 

Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.