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Líderes europeus pedem que gregos rejeitem esquerda

Líderes europeus pedem que gregos rejeitem esquerda nas urnas

Da Reuters

ATENAS, 16 Jun (Reuters) - Líderes europeus pediram que os gregos rejeitem os esquerdistas radicais que ameaçam romper os termos do pacote de resgate da economia da Grécia, no caso de vencerem as eleições parlamentares de domingo - um resultado que poderá abalar os mercados financeiros em todo o mundo.

Encabeçando uma onda de descontentamento no país, o líder do partido esquerdista Syriza, Alexis Tsipras, de 37 anos, emergiu da obscuridade na política e hoje disputa o poder com base na promessa de rejeitar os termos punitivos do pacote de 130 bilhões de euros (163,75 bilhões de dólares) se for o vencedor da dramática disputa eleitoral deste domingo.

Do lado da direita, o herdeiro do establishment e líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, de 61 anos, diz que essa medida iria levar à saída do país da moeda única e condená-lo a uma calamidade econômica ainda maior.

Diante da perspectiva de um resultado apertado, os líderes europeus usaram toda a sua força neste sábado para pedir aos gregos que votem com a cabeça.

A chanceler alemã, Angela Merkel - cujo país, com a economia saudável, é essencial para reerguer os parceiros mais fracos do bloco-, alertou que o pacote de resgate não será renegociado.

"Por isso que é tão importante que as eleições gregas conduzam preferencialmente a um resultado no qual aqueles que vão formar um futuro governo digam: 'sim, nós manteremos os compromissos firmados'", disse Merkel em um encontro de seu partido, a Democracia Cristã.

O presidente do Eurogroup, Jean Claude Juncker, afirmou que haverá graves consequências se o Syriza sair vitorioso.

"Se a esquerda radical vencer, algo que não pode ser descartado, as consequências para a moeda única são imprevisíveis", disse Juncker, que chefia o grupo de ministros de Finanças da zona do euro, em declarações ao jornal austríaco Kurier.

"Nós teremos de conversar com qualquer governo. Somente posso prevenir contra a saída da moeda única. A coesão interna da zona do euro ficaria em perigo."

Tsipras declarou que os credores da Grécia estão blefando quando ameaçam cortar os fundos se o país renegar os termos do pacote de resgate - aumento de impostos, perda de empregos e cortes de salários que contribuíram para condenar o país a uma recessão recorde.

ESPANHA E ITÁLIA

Tsipras diz que a zona do euro não irá permitir a saída da Grécia do bloco, temendo a pressão que isso imporia a duas economias muito maiores, a Espanha, que acabou de obter um resgate de 100 bilhões de euros para seus bancos, e a Itália, que poderá ser o próximo a buscar ajuda.

A eleição de domingo é uma nova votação parlamentar, já que a realizada em 6 de maio resultou num impasse, no qual o Syriza, partido que é uma coligação de esquerda até então à margem na política grega, obteve o segundo lugar nas urnas.

Pesquisas de opinião divulgadas duas semanas atrás, quando foi imposta uma proibição legal para divulgação de sondagens, indicavam o Syriza e a Nova Democracia praticamente empatados. A previsão é que nenhum dos dois conseguirá vencer com folga, o que conduzirá a conversações para uma coalizão de governo.

O resultado dominará uma reunião do Grupo dos 20, no México, na segunda e terça-feira.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, fez um apelo neste sábado por maior união fiscal e política na Europa e pediu aos gregos que mantenham o que foi definido.


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Já o jornal britânico The Guardian diz o contrário, "votem na esquerda":

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/jun/17/syriza-victory-greece-austerity-crisis?CMP=twt_gu

A Syriza victory will mark the beginning of the end of Greece's tragedy

A vote for the left today will drastically change the austerity policies that have created a humanitarian crisis

Syriza's leader, Alexis Tsipras, casts his vote in Athens on SundaySyriza's leader, Alexis Tsipras, casts his vote in Athens on Sunday. Photograph: Simela Pantzartzi/EPA

The Financial Times Deutschland last week published an article on its front page headlined "Resist the demagogue". It was written in Greek. The article advised the Greeks to reject the radical left Syriza party and vote for the rightwing New Democracy today. It is the culmination of an astounding campaign of fear and blackmail against the democratic right of Greeks to elect a government of their choice.

 

Angela Merkel, the European commission president José Manuel Barroso, and even George Osborne, have ordered the Greeks to vote the right way. This direct intervention into the democratic process of a sovereign state follows a plethora of threats and rumours, secrets and lies, telling people that if they vote for Syriza, the country will be ejected from the euro and untold catastrophes will follow.

 

Why are the European elites carrying out this unprecedented campaign, which strikes at the heart of the EU and would lead to outrage if the target were the British, the Italians, or the French? The reason is simple. If the Greeks vote a Syriza government into office, the EU and the IMF will have to drastically change the austerity policies that created an economic disaster and a humanitarian crisis.

 

The 6 May result saw Syriza's share of the vote jump from 4% to 17%, while the New Democracy and Pasok parties, which had alternated in government with a combined 80% of the vote in the last 40 years, collapsed to 32%. On 7 May, the Europeans started admitting the Greeks have been punished disproportionately, and that austerity does not work and must be mitigated. On 17 June, a Syriza victory will be the first defeat of austerity in Europe and will have international repercussions.

 

The belated admission by the IMF and EU "experts" that austerity does not work is a direct result of the 6 May results. The figures are staggering: more than 20% contraction of output over four years; 22% unemployment and 54% youth unemployment; a 24-point jump in the poverty index; and a 50% reduction in the salaries and pension of civil servants. The second memorandum moved to the private sector, abolishing collective bargaining and other basic labour law protections, as well as cutting the minimum wage and unemployment benefits by up to 32%.

 

The Guardian has documented the humanitarian catastrophe that followed. Soup kitchens for the middle class, a huge jump in homelessness and mental disease, daily suicides, lack of basic medicines, cancer patients turned away from pharmacies, and hospitals ceasing operation because of a lack of basic supplies. The question on Sunday is not between the euro and the drachma, but between the continuation of these policies or salvation from the greatest destruction a people have experienced in peacetime. If something is leading to the exit from the euro, a probable collapse of the eurozone and a possible world crisis of 1930s magnitude, is not the Syriza policies but extreme austerity and mad economic recipes.

 

Syriza is totally committed to the eurozone. Its manifesto promises an immediate repeal of all laws enacted by the Greek government after the bailouts. Some of the measures affecting the private sector were never demanded by the troika – the EU, IMF and the European Central Bank – and were introduced by the establishment parties. After that, negotiations will start for a substantial reduction of the debt, which may be followed by a moratorium on servicing the debt until the economy starts growing again.

 

In a highly symbolic move, the minimum wage and unemployment benefit will return to their pre-austerity levels. Syriza's anti-austerity and pro-Europe policies represent the best interests of the Greek people.

 

Why don't the Greeks bow to the threats coming from such powerful quarters? Why has the disinformation campaign backfired, making Merkel the best canvasser for Syriza? The answer can be found in the same FT article. New Democracy, the paper admits, is "co-responsible" (with Pasok) for the sorry state of the country. The two establishment parties built their rule on an inefficient and corrupt state, characterised by clientelism, corruption, and kickbacks for apparatchiks and their coffers. Their servile acceptance of the European austerity diktat sounded their death knell. The majority of the people did not evade their taxes because they are taxed at source, and they did not act corruptly because they did not have any power. Now they do not accept the FT logical fallacy: vote for the parties who brought you to your current predicament in order to be saved.

 

Throughout history, revolutions have succeeded when a power system runs its course and becomes historically obsolete. It may survive for a while but eventually a political agent appears, to give the final push to the redundant and harmful ancien regime. The collapse of the Greek political elite is a textbook case of how historical necessity combines with popular desire to lead to radical change. Whether Syriza wins on Sunday or not, a new type of socialism will enter the European scene.

 

But why was Syriza adopted by people who never formerly associated with the left? One answer lies in the resistance of the Greeks over the last two years, particularly the occupations of Syntagma and 60 other squares throughout Greece. The multitude in the squares represented every section of the community. Greeks and foreigners met with a common political desire to get rid of austerity and the corrupt establishment.

 

The post-civil war divide between victors and defeated dissolved in the popular assemblies of the squares and in clouds of teargas. Syriza members participated in the occupations without attempting to lead or direct. The party is a coalition of 12 groups with equal rights in policymaking. Disagreements are allowed. Syriza's internal organisation came closest to the direct democracy operating in the squares. On 6 May, the multitude of the squares met again in the polling stations and voted massively for Syriza. This is how revolutions occur.

 

On Sunday, the Greeks have a rendezvous with history. A Syriza victory will be the beginning of the end of the Greek tragedy and a message to the rest of the world.

 

 

Estão desesperados e se recusam a enterrar o defunto !

Já nem conseguem mais perceber que não dá pra anunciar um pacote de resgate toda semana. A hora do acerto de contas vai ter que chegar mais cedo ou mais tarde. 

 

Isto mostra que o financismo, o pior lado do capitalismo, assaltou a democracia e quer roubar o direito dos povos a escolher o seu destino: um absurdo!

 

Só faltava essa agora! Os líderes da "democracia ocidental" querem pautar a eleição dos países mais fragilizados ? Querem dizer , do alto de sua sabedoria/prepotência qual o caminho a percorrer? Para o bem deles uma ova!

Então dona Merkel deve ser coerente e avisar aos alemães também: na próxima votem de novo na CDU porque a esquerda é que inventou a especulação, a jogatina do mercado sem liquidez, os derivativos , etc. Foi a esquerda que nos convenceu de que isso era bom demais, por isso são culpados da crise que vem se arrastando desde 2007/2008. 

Os banqueiros da Islândia, Irlanda, o Bear Stearn, Lehman Brothers, foram todos seduzidos e induzidos ao erro por socialistas? É isso que estão falando? É brincadeira , não é ?

 

Espero que os gregos, a bem da democracia e da vergonha na cara, rejeitem a Europa.

 

Rejeitando ou aceitando, com ou sem vergonha na cara, vão ter que se acostumar com a idéia de viver como povo de um pais pobre.

 

"Se a esquerda radical vencer, algo que não pode ser descartado, as consequências para a moeda única são imprevisíveis", disse Juncker, que chefia o grupo de ministros de Finanças da zona do euro, em declarações ao jornal austríaco Kurier.

Ou seja, se vencer, pode ser que ao invés de sobrar apenas para os países mas fracos, sobre para todo mundo, inclusive para os bancos. Gregos, ajudem a preservar nossos lucros, sacrificando seus empregos!! Afundem, mas não nos levem junto!!!

 

Isto porque a esquerda não quer perder empregos, salários, aposentadorias, recursos na saúde, transportes etc, e ajudar a salvar os bancos europeus, estes coitados. São muito intolerantes os esquerdistas, né?

 

"Líderes europeus pediram que os gregos rejeitem os esquerdistas radicais que ameaçam romper os termos do pacote de resgate da economia da Grécia,"...

e eleja os de direita para que continuem permitindo a transferência de riqueza e exploração, respeitando as regras, respeitando a liberdade de mercado, respeitando o neoliberê.

A direta é igualzinha, lá como cá, como pontua o comentarista Toni.

 

"Líderes europeus pedem que gregos rejeitem esquerda nas urnas"

ou

"Líderes europeus pedem que gregos votem na direita fascista"

 

O título que melhor corresponderia ao corpo da matéria seria:

Líderes da direita europeia pedem que gregos rejeitem esquerda

De preferência abrindo um box lembrando: 1. que esses líderes, representantes do financismo, quebraram a zona euro; 2. que o país de Frau Merkel ainda não mergulhou na crise porque a Alemanha foi a principal beneficiária da ciranda financeira que arruinou Grécia, Espanha, Portugal, Itália (na beira do precipício, sempre andando em frente)... Quando o Merkelduto secar, afunda a Alemanha também. A jogada de Merkel e sua patota é sangrar o resto da Europa, de modo a evitar a hemorragia alemã.

Tomara Hollande aguente a pressão.

P.S. Um colega postou um comentário dizendo que a solução seria à Argentina, algo assim. Não precisam os gregos, espanhóis, portugueses, italianos etc., atravessarem o equador em busca de um exemplo. A Islândia fica mais perto.

 

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"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", Geraldo Vandré.

Qualquer semelhança com terras mais ao sul é apenas coincidência.

 

Toni

A saída para a Grécia e para qualquer outro país que use a cabeça é à portenha. Eles têm mais é de cair fora do euro.

Engraçado isso... Será que esses "líderes europeus" não estariam exercendo ingerência indevida em assuntos internos da Grécia? Afinal de contas, até onde eu saiba, a Grécia é uma democracia, onde as eleições são livres. Imagina se o Chaves desanda a falar para os eleitores gregos rejeitarem os mercadistas radicais... Ia ser um "OH! QUE HORROR!" Ora, os banqueiros alemães e seus marionetes e puxa-sacos que vão à PIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!

Se os gregos tiverem bom-senso, votarão naqueles que estão preocupados com o bem-estar da população grega (isto é, contra o acordo "goela abaixo"). Qualquer outra hipótese é sangrar até a morte.

 

Ou o Brasil acaba com o PIG, ou o PIG acaba com o Brasil

"There can be no daily democracy without daily citizenship" Ralph Nader