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MEC e o "jeito certo" de falar

por foo

Eu só acho uma tremenda cara-de-pau o jornal escrever:  "Mesmo assim, surgiu recentemente uma grande discussão sobre variações na linguagem oral em desacordo com a norma culta, motivada pelo livro didático "Por uma Vida Melhor". O que motivou a discussão não foi o livro didático, mas a mídia. E muito leitor mal informado caiu nessa.

(Ainda bem que não estamos em época de eleição -- caso contrário a polêmica seria sustentada por muito mais tempo.)

Da Folha.com

MEC descarta regra do "jeito certo" de falar desde 1997

A orientação para que as escolas não "consertem a fala de aluno para evitar que ele escreva errado" consta desde 1997 dos Parâmetros Curriculares Nacionais --ou seja, passou pelos governos FHC, Lula e Dilma.

Os documentos servem como orientação a escolas, professores e editoras.

Quando abordou nos PCNs o tema "qual fala cabe à escola ensinar", o Ministério da Educação já orientava que a escola "precisa livrar-se do mito de que existe uma única forma certa de falar".

Mesmo assim, surgiu recentemente uma grande discussão sobre variações na linguagem oral em desacordo com a norma culta, motivada pelo livro didático "Por uma Vida Melhor".

Na semana passada, o site IG divulgou que o livro, ao tratar da diferença entre a língua oral e a escrita, afirma que é possível dizer, em determinados contextos, "os livro ilustrado mais interessante estão emprestado".

A educadora Maria Cristina Ribeiro Pereira, uma das coordenadoras dos PCNs em 1997, diz que a inclusão do tema nos parâmetros teve como objetivo chamar a atenção da escola para preconceitos não visíveis.

"O preconceito em relação à fala acontece não apenas com jovens e adultos. É comum, por exemplo, quando uma criança sai de uma escola rural para uma urbana, sofrer preconceito pelo modo de falar." Ela não quis comentar o livro "Por uma Vida Melhor" por não tê-lo lido.

Para o linguista e acadêmico da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, no entanto, a orientação dos PCNs foi um "erro de visão".

"Há uma confusão entre o que se espera de um cientista e de um professor. O cientista estuda a realidade de um objeto para entendê-lo como ele é. Essa atitude não cabe em sala de aula. O indivíduo vai para a escola em busca de ascensão social", diz Bechara.

Anteontem, a ABL divulgou nota oficial criticando o livro e o MEC. Marcos Bagno, autor do livro "Preconceito Linguístico", discorda.

"Discutir preconceito linguístico na escola é fundamental para que alunos que vêm de classes menos favorecidas não se sintam reprimidos ou amedrontados", diz.

"A atitude normal da escola sempre foi zombar da fala dos alunos. Esse debate é fundamental para criar um ambiente mais acolhedor."

Bagno critica os meios de comunicação por terem criado o que ele chama de falsa polêmica. "A discussão sobre preconceito linguístico ocupa apenas 2% do tempo de sala de aula. Nos outros 98%, o que se faz é ensinar as normas cultas de prestígio."

Ele argumenta também que a língua é dinâmica. 'Há 50 anos, dizer que alguém "poderia se mudar' era crime bárbaro, pois o certo seria poder-se-ia. Hoje, no entanto, quase todos os manuais de redação de jornais orientam a evitar a mesóclise."

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Comentários

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De fato essa discusrção é muito mais ampra. Veja o caso duma propaganda da Caixa com os aluno zerado em cálculo. É exatamente a mesma coisa, só que agora o précunceito é cum alunos de ingenharia que não duminam cárculo intrincados feito por Niltom e Laibnizes que serve para ser ingenheiro e fazer prédios com mais de trez andares, porém para que vem do meio do povo e vai trabaiar fazendu casa em favelas não precisa dessas contas, mas coisa simples que qualquer predeiro sabe até melhor. Por isso, já vi gente falando maus de livro para esses chamando CONCRETO ARMADO EU TE AMO.

 

Muito bem colocadas as "hipocrisias sociais" no comentário da professora Odonir. Gostaria de lembrar que além das questões levanadas por ela um dado: durante muitos anos, a editora Globo monopolizou o mercado de livros para educação de jovens e adultos. Além das questões sociais e políticas, infelizmente, há também questões econômicas, interesses contrariados. Como ex-colega e admiradora do seu trabalho e da sua competência, toda solidariedade à professora Heloisa Ramos,  vítima de preconceito e má-fé.

 

 

Não estamos em época de eleição, mas já recomeçou a pré-campanha eleitoral na grande mídia. Vai ser a escandalização permanente até as próximas presidenciais. Aliás, nada de novo sob o sol: é o comportamento genético do PIG.

 

__________________________________

"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", Geraldo Vandré.

Depoimento da professora Amanda Gurgel
http://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA

Vale a pena assistir.

 

Quem é esse Bechara mesmo? Ele entrou para a Academia por qual obra relevante para a literatura brasileira?

Escreveu clássicos "imortais", como Os Marimbondos de Fogo? Ou os de Paulo Coelho, o Camões do neopaganismo? Está no nível do "imortal" Roberto Marinho?

Com esse plantel, a ABL tem muito cacife, mesmo, para opinar sobre a língua portuguesa!

Entre a Academia das Múmias, a língua popular e Mário Quintana, eu prefiro estes dois últimos:

http://poetamarioquintana.blogspot.com/2009/01/mario-quintana-entrevista-de-1987.html

P - Já se tentou três vezes colocar o seu nome na Academia Brasileira de Letras e não se conseguiu. Qual é, agora, a sua relação com a Academia?

R - As minhas relações com a Academia foram sempre boas, eu sempre me dei com gente de lá. Não estou dizendo que "as uvas estão verdes", mas, na verdade eu nunca quis pertencer à Academia. O pessoal de mentalidade futebolística não se satisfazia com apenas um nome gaúcho no time e achavam que devia ter outro lá. Resolveram me candidatar. Quando me candidataram da primeira vez, eu recebi o recado de um senador, que estava tudo preparado para entrar o Portela, os votos já estavam prontos e que eu deveria desistir... e eu disse para ele, por telefone, que não haveria de desistir porque o pessoal iria pensar que era covardia minha. E seria muita desconsideração de minha parte. Aliás, eu não gosto de Academia e jamais quis pertencer a ela porque a gente perde um tempo enorme recebendo visitantes estrangeiros de valor muito suspeito. Se pensa que ser estrangeiro é grande coisa, que ser francês ou inglês é uma raridade e não é bem assim. Depois, na Academia, se começa a discutir quem vai ser o sucessor de quem, se recebe impressões de toda a parte para se votar e eu acho que isso atrapalha a vida do camarada, não é? Eu acho que ultimamente a Academia virou um depósito de ministros e com o perdão de alguns amigos que eu tenho lá, um asilo de velhos. Mas eu não tenho nada contra a Academia. De fato não há contradição minha em lamentar que não tenha sido eleito porque eu tensionava fazer tudo pela academia, se fosse eleito. Acho que, antes de tudo, ela deveria ter muita gente jovem. Eu acho que já seria uma renovação e acabava com aquela coisa. Na academia, já não gostaram muito de mim porque dois anos antes da minha candidatura eu tinha dito que a Academia era uma espécie de sociedade recreativa e funerária (risos).

 

Não sei se você está sendo realmente irônico (cadê o acento de ironia que o veríssimo fala?), mas lá vai:

http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=348

Realmente suas posturas são contraditórias, mas não chega nem aos pés da boçalidade que impera entre os defensores da concordância verbal que brotaram em nossa imprensa nos últimos dias.

Mas é um absurdo que se delegue qualquer importância a uma entidade que elege para seus quadros um ser da envergadura moral de José Sarney. Tenho impressão que suco de cajú faz mal as sinapses.

 

O problema, ao menos pra mim, é menos a dor nos ouvidos causada por barbeiragens na conjugação de verbos (emplacar um "nos vai" ou um "a gente vamos", por exemplo) do que a exposição de um sintoma de limitação do vocabulario, isso de "falar errado". Quem fala mal, pensa mal e entende pouco do que ouve e do que lê.

 

"emplacar um "nos vai" ou um "a gente vamos", por exemplo":

Ambos teem muito mais de 100 anos e ambos sao do portugues de Portugal.  Sei disso porque os portugueses que alugavam nossa casa falavam assim.

Nao eh ignorando a historia linguistica em seu contexto mundial que um ponto desses vai pra frente.  Pelo contrario, o ponto torna se irrelevante.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Esse é o objetivo do preconceito. Tachar o falante da variante popular de burro, incapaz e intelectualmente inferior. Logo, justifica-se que seja pobre. "A contrario sensu", legitimam-se os ricos e poderosos, manejadores da variante "culta" da língua, como inteligentes, capazes e intelectualmente superiore. Por isso, são ricos e poderosos. Cada um ocupa o seu lugar devido conforme seus méritos. Não há nada o que mudar! 

 

Meu caro Morales, a lingua historicamente serve como identidade de grupos ou classes, lembro George Bernard Shaw em PIGMALEÃO, um romance classico sobre linguistica, que no teatro foi transformado na peça MY FAIR LADY. O Coronel Higgins, inguista, sabia de que bairro de Londres vinha o interlocutor porque naquela época vitoriana os bairros tinham sotaques especificos. A classe alta inglesa tinha um modo de falar, a aristocracia tinha outro, inimitavel, porque as crianças com 5 anos já eram internadas em escolas exclusivas aonde a fala era condicionada de tal forma que ninguem poderia imita-los na idade adulta. Havia um sotaque de Eton muito marcado, os alunos de Cambridge tambem tinham seu codigo linguistico. Hoje mudou bastante mas não de todo. Ingleses das classes altas falam com um vocabulario bastante proprio bem como com um acento mias polido do que nos demais ingleses.

Nos EUA há tambem boas diferenças entre americanos cultos da Costa Leste e os sulistas, quer dizer há diferenças regionais e dentro delas diferenças de classe mas nunca tão marcantes como na Inglaterra.

No geral a formação da fala se inicia em casa e essa mecanica domestica é fundamental e em alguns casos fica por toda a vida. Conheço advogados ja exercendo a profissão que não usam a concordancia do plural, continuam falando ""os processo"", quer dizer nem toda a escolarização corrigiu vicios de formação da fala em casa.

 

Mais um tópico da série:"Grandes escandalizações para prejudicar grupos partidarios eleitos, que os donos das empresas de comunicação e seus comandados mais altos não gostam... Ou desconfiam levemente"

 

By Familia Marinho e Camelô, Familia Frias e os amigos do Otavinho e grupo Estadão (?) e seu apoio direto a outro candidato "administrador dos administradores"....

 

 

A turbá está atrasada em 14 anos? Só falta dizer que os petralhas já se organizavam para a primeira chegada de Lula ao planalto.

Fico triste com o Bechara: lendo seus livros não vemos nem sombra da estupidez em que se transformou esse episódio na grande mídia.

 

Sempre foi um grande conservador.

 

Acredito que toda esta tentativa de escândalo sobre o livro do MEC tem um objetivo próprio: prejudicar a imagem do ministro Fernando Haddad. Como ocorreu no caso do ENEM, parte da imprensa fez o possível para demonizar o ministro. e novamente parte da grande imprensa faz questão de criar um escândalo sem sequer analisar o assunto, apenas com intenção de fragilizar a administração do MEC. 

Outros interesses devem estar por trás destas reportagens. O MEC é responsável pela compra de material didático, motivo de guerra constante entre as grandes editoras. A unificação do ENEM também mexeu com um mercado exclusivo, com diversos cursinhos e escolas, editoras de apostilas, etc. O ministro pode ter feito algumas escolhas erradas, mas em geral sua gestão está sendo muito boa. Os problemas ocorrem quando se mexe na estrutura que está acostumada com as facilidades do mercado...

 

Nassif,

Sem o conhecimento da lingua culta, de prestígio, até o salutar desempenho da atividade sexual fica comprometido.

Sem o domínio da ênclise, como anunciar a chegada do orgasmo?

Segue primoroso texto da Patrícia Campos Mello: 

Preciosidades da verdadeira língua portuguesa, ou o êxtase em ênclise

Aqui em Washington, tenho o privilégio de conviver com vários portugueses, ou tugas, como eles dizem. E o enriquecimento lexical é notável – os portugueses têm expressões excelentes para vários aspectos da vida. Entre parênteses, aspecto não é aspecto – é aspeto, sem pronunciar o cê (e agora, com a reforma, sem escrever o cê). Já facto não perdeu o cê com a reforma, porque fato é terno. Hã?

Os lusofalantes originais, aliás, estão furibundos com a tal reforma. Despediram-se a duras penas do pê em excepção e em adopção.

Os portugueses não morrem de fome – eles, paradoxalmente, ficam “cheios de fome”. Para aqueles que vêm de Lisboa, é linguagem corrente não concordar o advérbio com o adjetivo – “isto aqui é muita caro”, por exemplo.

Há grandes expressões, ou “bestiais”, melhor dizendo. Outro dia, comentei com um amigo que achava a Katie Holmes muito bonita.

- “Ela é banal de autocarro”, ele disparou. Ou, para leigos, “mulher bem comum, daquelas que a gente encontra no ônibus”. De borla é de graça, boleia é carona.

Além das piadas prontas, claro.

Dia desses, espiei uma colega portuguesa escrevendo um post sobre a dificuldade dos humoristas para fazer piadas com Obama. “Ninguém goza com Obama”.

E entrando nesse assunto mais, digamos, gráfico, descobri que os portugueses devem ser um dos poucos povos no mundo que têm orgasmo em ênclise – “estou-me a vir” é a frase por eles usada,contou-me a minha colega.

 

Tem outra que é bastante erótica também: "Fá-lo-ei"

Falando nisso, eu acho que o Jânio Quadros era o sujeito que mais "falava errado", dentro do ponto de vista da comunicação. Não me conformo até hoje com o "Fi-lo porque qui-lo". O povão não entendeu nada e ainda por cima é feio paca

 

Juliano Santos

Esse Bagno é figura manjadissima nos meios de educação, cita-lo dá todo o viés de qualquer assunto, é a Teologia da Libertação da Educação.

 

André, isso que você disse é a famosa falácia ad hominem. Você não passa de um troll. Vá se catar.

 

Hi, AA!

Reproduzindo ideias do blog do esgoto para validar seus comentários? És discípulo do R. A.? 

 

Já que você é conhecidíssimo defensor das minorias, e em especial da norma culta,  poderia aplicá-la com maior apuro.

 

_O Sr. tomou parte nesses tumultos? _Não são tumultos, Sire, é uma revolução!

Tudo isso se originou de um post no blog Poder Online escrito pela jornalista Thais Arbex.

Ela deu uma folheada no livro, viu um erro de concordância e mandou bala. Não entendeu muito bem qual era a discussão que o livro pretendia desenvolver.

Como disse um professor amigor meu:

"Se um jornalista não consegue entender meia página de um livro didático, para que serve a norma culta?"

 

 

Enviei um e-mail a ela, na oportunidade, criticando o viés que ela usou inclusive nas perguntas feitas ao Bechara. Tive dezenas de alunos que são hoje jornalistas ou que vivem da palavra escrita e falada e sabem a importância e o cuidado com o que produzem para ser divulgado. Parece-me falta de competência mesmo, de conhecimento. Ou teria sido essa moça, porque  jovem, apenas uma ferramenta utilizada pelo ciberespaço. Não quero crer em sua má-fé.

Ainda tenho confiança e crença no ser humano e, por ser PROFESSORA, deposito muito mais que isso ainda, nos jovens.

 

Odonir Oliveira

....Hhhannn ... entendi .... a c..gada vem desde 1997 !!! .... entendi ....

 

Ricardo:

Se voce se agarra nesse argumento, fica claro

que, realmente, voce ainda não entendeu.

Leia novamente. Vai lendo, até entender.

 

O livro está corretíssimo, recomendo a todos, pois é excelente!!!

Segue abaixo trecho dos parâmetros curriculares nacionais do ensino fundamental estipulados por FHC, em 1998, onde menciona dentre outros: o preconceito linguístico, e que não há o certo ou errado na linguagem, etc., posição do governo FHC que também considero correta sobre este tema.

 

http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf

 

Parâmetros Curriculares Nacionais

Terceiro e Quarto Ciclo do Ensino Fundamental

Língua Portuguesa

 

Ministério da Educação e do Desporto

Secretaria de Ensino Fundamental 

 

 

1998

 

 

Presidente da República

Fernando Henrique Cardoso

 

Ministro de Estado da Educação e do Desporto

Paulo Renato Souza

 

 

 

(...)

 

Implicações da questão da variação lingüística para a prática pedagógica

 

A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em .Língua Portuguesa. está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. Embora no Brasil haja relativa unidade lingüística e apenas uma língua nacional, notam-se diferenças de pronúncia, de emprego de palavras, de morfologia e de construções sintáticas, as quais não somente identificam os falantes de comunidades lingüísticas em diferentes regiões, como ainda se multiplicam em uma mesma comunidade de fala. Não existem, portanto, variedades fixas: em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades lingüística, geralmente associadas a diferentes valores sociais. Mais ainda, em uma sociedade como a brasileira, marcada por intensa movimentação de pessoas e intercâmbio cultural constante, o que se identifica é um intenso fenômeno de mescla lingüística, isto é, em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades lingüísticas, geralmente associadas a diferentes valores sociais.

O uso de uma ou outra forma de expressão depende, sobretudo, de fatores geográficos, socioeconômicos, de faixa etária, de gênero (sexo), da relação estabelecida entre os falantes e do contexto de fala. A imagem de uma língua única, mais próxima da modalidade escrita da linguagem, subjacente às prescrições normativas da gramática escolar, dos manuais e mesmo dos programas de difusão da mídia sobre “o que se deve e o que não se deve falar e escrever”, não se sustenta na análise empírica dos usos da língua.

 

E isso por duas razões básicas.

 

Em primeiro lugar, está o fato de que ninguém escreve como fala, ainda que em certas circunstâncias se possa falar um texto previamente escrito (é o que ocorre, por exemplo, no caso de uma conferência, de um discurso formal, dos telejornais) ou mesmo falar tendo por referência padrões próprios da escrita, como em uma exposição de um tema para auditório desconhecido, em uma entrevista, em uma solicitação de serviço junto a pessoas estranhas.

 

Há casos ainda em que a fala ganha contornos ritualizados, como nas cerimônias religiosas, comunicados formais, casamentos, velórios etc. No dia-a-dia, contudo, a organização da fala, incluindo a escolha de palavras e a organização sintática do discurso, segue padrões significativamente diferentes daqueles que se usam na produção de textos escritos.

 

Em segundo lugar, está o fato de que, nas sociedades letradas (aquelas que usam intensamente a escrita), há a tendência de tomarem-se as regras estabelecidas para o sistema de escrita como padrões de correção de todas as formas lingüísticas. Esse fenômeno, que tem na gramática tradicional sua maior expressão, muitas vezes faz com que se confunda falar apropriadamente à situação com falar segundo as regras de bem dizer e escrever, o que, por sua vez, faz com que se aceite a idéia despropositada de que ninguém fala corretamente no Brasil e que se insista em ensinar padrões gramaticais anacrônicos e artificiais.

 

Assim, por exemplo, professores e gramáticos puristas continuam a exigir que se escreva (e até que se fale no Brasil!):

O livro de que eu gosto não estava na biblioteca,

Vocês vão assistir a um filme maravilhoso,

O garoto cujo pai conheci ontem é meu aluno,

Eles se vão lavar / vão lavar-se naquela pia,

quando já se fixou na fala e já se estendeu à escrita, independentemente de classe social ou grau de formalidade da situação discursiva, o emprego de:

O livro que eu gosto não estava na biblioteca,

Vocês vão assistir um filme maravilhoso,

O garoto que eu conheci ontem o pai é meu aluno,

Eles vão se lavar na pia.

 

Tomar a língua escrita e o que se tem chamado de língua padrão como objetos privilegiados de ensino-aprendizagem na escola se justifica, na medida em que não faz sentido propor aos alunos que aprendam o que já sabem. Afinal, a aula deve ser o espaço privilegiado de desenvolvimento de capacidade intelectual e lingüística dos alunos, oferecendo-lhes condições de desenvolvimento de sua competência discursiva. Isso significa aprender a manipular textos escritos variados e adequar o registro oral às situações interlocutivas, o que, em certas circunstâncias, implica usar padrões mais próximos da escrita.

 

Contudo, não se pode mais insistir na idéia de que o modelo de correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível padrão de língua ou que corresponda à variedade lingüística de prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação negativa.

 

Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que existe uma forma correta de falar, o de que a fala de uma região é melhor da que a de outras, o de que a fala correta é a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de que é preciso consertar a fala do aluno para evitar que ele escreva errado.

 

Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem: o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição, mas por extensão da competência lingüística e pela construção ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.

 

No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando as características e condições do contexto de produção, ou seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de língua e o estilo às diferentes situações comunicativas:

saber coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazê-lo; saber que modo de expressão é pertinente em função de sua intenção enunciativa, dado o contexto e os interlocutores a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da linguagem.

 

(...)

 

Para isso, a escola deverá organizar um conjunto de atividades que, progressivamente, possibilite ao aluno:

 

* identificando e repensando juízos de valor tanto socioideológicos (preconceituosos ou não) quanto históricoculturais (inclusive estéticos) associados à linguagem e à língua;

* reafirmando sua identidade pessoal e social;

. conhecer e valorizar as diferentes variedades do Português, procurando combater o preconceito lingüístico;

. reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social

 

(...)

 

A discriminação de algumas variedades lingüísticas, tratadas de modo preconceituoso e anticientífico, expressa os próprios conflitos existentes no interior da sociedade. Por isso mesmo, o preconceito lingüístico, como qualquer outro preconceito, resulta de avaliações subjetivas dos grupos sociais e deve ser combatido com vigor e energia. É importante que o aluno, ao aprender novas formas lingüísticas, particularmente a escrita e o padrão de oralidade mais formal orientado pela tradição gramatical, entenda que todas as variedades lingüísticas são legítimas e próprias da história e da cultura humana.

Para isso, o estudo da variação cumpre papel fundamental na formação da consciência lingüística e no desenvolvimento da competência discursiva do aluno, devendo estar sistematicamente presente nas atividades de Língua Portuguesa.

 

Coisa para Zé explicar. Como é possível alguma corrente política chegar ao poder pela vias normais sem que não venha de muito tempo se inserindo em tudo quando for dos governos anteriores?

 

Não fica, (ou ficam, sei lá). Quando se trata do PT, no pig não há concordâncias, só discordâncias.

Mas com essa revelação de que tudo começou no governo do ilustrado FHC, a teoria do pig, a de que o PT quer impor ao Brasil o lulo-petismo também na grámatica, já era

 

Juliano Santos

Sociedade moderna: efeito manada.

Sobre o livro "Por uma Vida Melhor" sua repercussão e outros.

É chocante observar como a sociedade moderna se assemelha ao preconizado em livros distópicos, principalmente os escritos no final da década de 40 e inicio da década de 50, tais como  "1984" de George Orwell e "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury.

A incidência constante de comportamentos como os observados nas matérias e comentários sobre o livro "Por uma Vida Melhor" deixa claro que vivemos uma sociedade de efeito manada, que pensa sem reflexões, sem comprometimento e com um único objetivo: o de promover um linchamento.

Daí podemos compreender a concepção e o sucesso dos extraordinários programas tipo "Big Brother", aliás nome tirado do do livro "1984", onde promovemos o julgamento exclusivamente por parámetros emocionais e ao final elegemos o nosso "herói". Mas que herói?

Da para imaginar quantos jornalistas que assinam as diversas matérias sobre o livro leram este mesmo livro? E os leitores que fecham um julgamento também o leram?

Essa forma acéfala de comunicação, com o seu efeito manada, tem levado a sociedade a promover linchamentos morais e físicos a muitos. Suas consequências se tornarão cada vez mais graves.

Temos observado que o chamamento para o linchamento feito pelo jornalismo é cada vez mais presente. Mesmo que isso represente uma necessidade da sociedade é preciso que os meios de coação de uma democracia, seu aparato jurisdicional se manifestem.

Ou, entraremos em uma convivência onde se atinge o extremo de a própria esposa entregar seu marido ao "sistema" por ele pensar de forma diferente do que é permitido, no caso do livro "Fahrenheit 451, possuir qualquer livro.

 

Assis,

quanto ao "efeito manada", observe que os comentários normalmente acompanham a ideia do post.

São mais favoráveis ou contrários em função disto. Mesmo aqui no Nassif.

 

Sim, Ed, mesmo sete incível blog do Nassif.

Abraços

 

Não, Ed, neste incrível blog do Nassif, os comentários são bem mais diversificados do que os que você encontra na Folha, na Veja , etc.

Não dá para comparar

 

Isso é efeito, também, da lógica autoritária que perpassa o ensino, inclusive da língua portuguesa.

O efeito manada pode ser minorado se se estimula, desde a infância, o senso crítico, coisa que os reacionários querem, a todo o custo, evitar.

 

O texto abaixo é meio antigo, mas acho que vale para o momento...

 

Manual de Redação

 

Você é daqueles que nunca sabe se seu texto é bom? Você é daqueles que gostariam de ter sempre à mão regrinhas básicas de como escrever?

 Pois aqui estão algumas dicas para você melhorar seu desempenho nas Redações:

 1. Vc. deve evitar abrev., etc.

 2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, conforme deve ser do conhecimento de V. Sa. Outrossim, tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.

 3. Anule aliteraçoes altamente abusivas.

 4. "não esqueça das maiúsculas", como já dizia a profa. Simone, minha professora lá no Colégio Etapa, na Vila Mariana.

 5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

 6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

 7. Estrangeirismos estão out, palavras de origem portuguesa estão in.

 8. Seja seletivo no emprego de gíria, bicho, mesmo que sejam maneiras. Sacou, galera?

 9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.

 10. Nunca generalize: generalizar sempre, em todas as situações, é um erro.11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra seja repetida.

 12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".

 13. Frases incompletas podem causar.

 14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes, isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.

 15. Seja mais ou menos específico.

 16. Frases com apenas uma palavra? Corte!

 17. A voz passiva deve ser evitada.

 18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação

 19. Quem precisa de perguntas retóricas?

 20. Nunca use siglas desconhecidas, conforme recomenda a A.G.O.P.

 21. Exagerar é 100 bilhões de vezes pior do que a moderação.

 22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitar-las-ei!"

 23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

 24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível! Sério!

 25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

 26. Cuidado com a orthographia, para não estrupar a língua.

 27. Seja incisivo e coerente. Ou talvez seja melhor não...

 

 

 

A esquerdolandia não larga o osso. Estão apontando um descaminho para a juventude que fala errado. Cimo falar errado está certo, segundo essa nova e surpreendente teoria, os 4 milhões de jovens que chegam ao mercado de trabalho todo o ano continuarão desempregados porque nenhuma grande  empresa aceita essa tese, nem as estatais, e exigem nos seus testes de admissão ao emprego  conhecimento da NORMA CULTA, do PORTUGUES GRAMATICAL e não da giria agora com patrocinio oficial.

O mundo competitivo não mudou quanto à linguagem. Sem um portugês correto e depois um inglês correto, essa juventude não sai do lugar, ou melhor sai para a marginalidade, massa de manobra da esquerdolandia, que aqui no blog, em peso, adorou o livro Para UMa Vida Melhor, atestando o viés ideologico da obra.

 

André,

Também me espanto. Espanto-me de ver jornalistas, que vivem de ler, escrever e interpretar, não conseguirem compreender um único texto de meia página!

Espanta-me também que vários outros jornalistas e demais indivíduos que presam tanto a língua que dormem sobre a gramática ao invés do travesseiro, nem sequer busquem se informar mais (preceito da alguém muito bem alfabetizado) e passem a acreditar cegamente em qualquer textinho de quinta categoria, tomando por verdade uma interpretação qualquer ao invés da realidade que insiste em se apresentar.

Espantam-me, por fim, aqueles que aplicam a metodologia de um livro para jovens e adultos, que já tem a língua consolidada, como uma ação pedagógica oficial em curso para o Ensino Fundamental!

É de tão difícil leitura o livro "Por uma vida melhor" que tais críticos não perceberam que não há livro didático para alfabetização nas primeiras séries que use tal metodologia. Se existir, a abordagem sobre variantes linguísticas é diferente, tomando por base o uso formal e informal da língua e os estilos linguísticos (carta, memorando, narrativa, etc...).

Por fim, o que este episódio prova é que não basta ser formado na gramática e defender um tal de idioma culto. Isso não vale absolutamente nada se não existir também inteligência e criticidade no indivíduo.

(FHC que o diga. Até hoje tenta entender o que aconteceu com o Brasil de Lula. - Aliás, talvez ele escreva um texto sobre isso, em defesa da língua que "ele" fala.)

 

"Por fim, o que este episódio prova é que não basta ser formado na gramática e defender um tal de idioma culto. Isso não vale absolutamente nada se não existir também inteligência e criticidade no indivíduo".

Bingo.

 

O curioso desta discussão "linguística" levantada pela mírdia golpista é, como de hábito, fazer uso político para oposição contra o governo que não lhes interessa, por não interessar aos seus aliados e representados (o pior é que deveria...).

Este assunto nasceu com a "direitolândia neoliberândia"  pois é baseado em norma criada em 1997, sob a batuta da labuta do grande filho da pátria (sem rima, pois não sou poeta), o príncipe FHC.

Como nas manchetes e fotos de hoje, sobre o Pallocci, o negócio é desconstruir permanentemente Dilma (e Lula).

Com isso, mantém as discussões relevantes do país sempre em segundo plano.

Sempre a já cansada tese da água mole (em gotas ou em jatos) em pedra dura...

 

É que o AA sofre de "mesóclise", que é uma doença transmitida por aves, especialmente as de biso grande

 

Juliano Santos

André,

você comete, deliberadamente, uma distorção, para poder estabelecer sua crítica.

não existe nenhuma proposta, no caso em debate, de se defender o ensino errado da língua. mas, apenas, a advertência para que se acabe com o preconceito linguístico contra aqueles que falam (e escrevem) usando formas distanciadas da norma culta.

considerar este aspecto é fundamental para que não joguemos por terra, inclusive, contribuições literárias importantíssimas e que forjaram e forjam nossa cultura, nascidas da linguagem popular que, sem obedecer padrões da norma culta, enriqueceram e enriquecem a nossa vida cultural. você ousaria jogar no lixo a contribuição de papativa do assaré e toda a contribuição dos cordelistas nordestinos, por exemplo? você jogaria no lixo a obra de guimarães rosa que elevou a linguagem de um quase analfabeto à condição da mais fina filosofia?

ou seja, que se considere estas formas como formas válidas, mas isto não implica em que se abdique da responsabilidade de se ensinar de acordo com regras e padrões estabelecidos historicamente, e nem que se abdique da incorporação de expressões novas e formas novas de falar que acabam sendo integradas por uma dada sociedade.

compreender, repeitar, os muitos falares é apenas parte da vivência democrática, esta é a grande contribuição da sociolinguística. mas isto, naturalmente, não determina a teoria pedagógica. este é o grande perigo, perigo que se expressa na sua interpretação dos fatos. a teoria pedagógica precisa ser rigorosa. em educação, trata-se de garantir a todos o acesso aos bens culturais inclusive às determinações da norma culta, sem desprezo ou preconceito às formas populares da língua mas, quem sabe, um olhar atento àquelas expressões que mereçam ser incorporadas como válidas gramaticalmente, porque já validadas social e historicamente.

e cabe ainda considerar: o ensino da língua, a línguagem, não pode mais ser transformada na mera normatividade gramatical. a apreciação da literatura, sob todas as suas formas, se não prescinde da gramática, não pode transformar a gramática em teoria pedagógica, coisa que só embrutece a língua porque parece nascer antes do que a própria linguagem. não é assim historicamente, não é assim no ensino!

e, por fim, caberia esclarecer alguns desavisados: nada disto pode se confundir com um certo populismo nascido da sociolinguística mesmo, sobretudo nos seus estudos iniciais no Brasil. o caso brasileiro, onde a língua guarda uma forte e decisiva unidade linguística, não se confunde com a luta de certos grupos sociais que tiveram remetidas para o gueto linguístico (por lutas de hegemonia política e econômica) sob a forma de dialetos, por exemplo, línguas plenas. esta é uma outra luta. no Brasil este caso serve para as nações indígenas que, ao longo do tempo, foram sendo vencidas em diversos aspectos, inclusive na supressão das suas línguas. resgatar este patrimônio não é ameaça à nossa unidade cultural, mas o seu enriquecimento.

este trololó da imprensa é apenas trololó... briga política que se obedece (nem sempre) normas gramaticais, não obedece um padrão honesto de luta política. e é isto o que se esconde nesta briga.

 

 

 

luz

O livro deve ter uma 200 páginas em tamanho A4. O "pomo da discórdia" está em meia página de um capítulo específico sobre variantes linguísticas...

O AA, os jornalistas e membros da ABL podem criticar e dizer que 1 capítulo para variações linguísticas é muito. Indo além, podem até dizer que não deveria HAVER CAPÍTULO NENHUM sobre variações linguísticas. "Essa discussão não é da escola é dos pesquisadores", disse um imortal da ABL ontem. Afinal, professor não pesquisa e autor de livro didático se submete a ABL.

Enfim. A partir deste capítulo, num livro de 200 páginas, VOLTADO PARA O ENSINO DE ADULTOS se conclui que estamos passando O ANO TODO ensinando só o português errado nas escolas de Ensino Fundamental.

Acho que alguém aqui é analfabeto funcional... Não consegue interpretar o texto de uma reportagem. E o jornalista não consegue interpretar meia página de texto de um livro didático para ensino de adultos...

De fato as faculdades particulares estão muito ruins.

 

Pura demagogia.

Essa coisa de "falar certo" sempre foi usado como instrumento de discriminação, ou seja, se o sujeito não domina a norma culta é cidadão de segunda classe, objeto das mais vis discriminações (cansei de ver isso). Nâo é "errado" (sic) o estudante conhecer variações do idioma. Importante é lhe ensinar em que espaço social deve usar cada uma delas. Estamos falando de discernimento. Isso é difícil, não é? Vocês (a classe que você tão bem representa) não querem que se ensine a pensar, discernir, diferenciar. Pensar cria revoluções. Isso, vocês que estão sentados confortavelmente em suas poltronas, com a boca escancarada cheia de dentes, não querem mesmo.

Viés ideológico é esse disparate que escreveu.

Tenha dó AA.

 

 

André, fique tranquilo. A função da escola e do professor de português sempre vai ser ensinar a norma culta. Ninguém está propondo o contrário. O que os livros citados defendem é que o aluno que chega à escola falando uma variação diferente da padrão não seja discriminado ou ridicularizado por isso. Mas isso não quer dizer que agora vale tudo e que não é mais necessário estudar gramática padrão, isso seria uma irresponsabilidade sem precedentes pois dominar a norma culta da língua é uma questão de ciddania.

 

O fato de falar "errado" não impede de aprender a escrever na norma oficial. Não são excludentes.

O fato de alguém saber escrever e até falar de acordo com a norma oficial também não é garantia de que a pessoa tenha a mínima capacidade de raciocínio para entender qualquer questão, por mais simples que seja. Como você nos cansa de provar.

 

André,

Você se deu ao trabalho de *ler* a obra que está criticando?

Aqui vai o capítulo que gerou tanta polêmica. Leia e chegue a suas próprias conclusões:

http://www.advivo.com.br/sites/default/files/documentos/v6cap1.pdf

 

Caramba! O André Araújo acabou de psicografar o grande professor Hariovaldo Almeida Prado. Amém!


 

O que você não entendeu é que reconhecer a diferença de usos e contextos da língua falada e da língua escrita (que são coisas diferentes) permite ensinar tanto a norma culta de escrita e de discurso, quanto pregar o respeito às características regionais e sociais da língua falada. Mas para entender isso vc precisaria ter de sair da bolhinha de pensamento conservador que você habita.

 

UIRAN. Hoje não  há docente capaz de ensinar penas uma. Como irá fazer para  ensinar duas? Simples. Joga a que não sabe fora e  insina  a qi soubé

 

 

 

RECONHECER AS DIFERENÇAS?? So what? Serve a que proposito didatico?

O livro é muito bonzinho, não ataca ninguem, preserva a lingua culta, reconhece as diferenças.

QUAL É A FINALIDADE DESSE LIVRO? ELE FOI EDITADO PARA QUE FUNÇÃO?

 

Nossa! A Folha fazendo jornalismo, se eu contar ninguém ninguém acredita. Já até dei print!

 

Uma conclusão: é a turma do apartheid querendo uma lingua mais olfativa. E a exploração, pelo mesmo sistema midiático aliado às elites, com objetivos eleitoreiros mas não didáticos ou de cidadania.