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O BC e a confraria dos “juristas”

Coluna Econômica - 05/09/2011

A decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic em meio ponto desmascarou pela primeira vez um dos mais deletérios e antigos personagens da vida econômica brasileira: a “confraria dos juristas”, um grupo que inclui de algumas consultorias econômicas, alguns economistas ligados a bancos, aliados a alguns comentaristas econômicos formadores de opinião na velha mídia, que nos últimos anos conseguiu se apropriar completamente da política monetária do BC.

Não se trata do mercado como um todo, mas de um grupo que jogou com informações privilegiadas, ganhando em cima dos demais segmentos do mercado.

VamoVamos por partes.

O mercado futuro de qualquer ativo embute uma aposta e dois apostadores. Digamos que o preço futuro esteja em 100. O apostador que acha que o preço vai para 105 “compra” o contrato a 100; o que acha que o preço vai cair, “vende” o contrato a 100. Se o preço for a 105, o que “comprou” a 100 ganha a diferença de 5; o que vendeu a 100, perde a diferença. Portanto, há sempre um lado que ganha e outro que perde.

O ponto central desse jogo, a ser garantido pelas autoridades reguladoras (BC), é a isonomia das informações. Ou seja, todos os agentes têm que ter acesso às mesmas informações. A desobediência a essa regra caracteriza o “insider information”, a informação privilegiada, tipificada como crime financeiro, obrigando à interferência do Ministério Público e da Polícia Federal.

***

Nos últimos dias houve uma grita infernal da “confraria dos juristas”, sustentando que o BC tinha perdido a credibilidade, que não conseguiria mais articular as expectativas do mercado.

Como assim? Antes da reunião do Copom houve queda nas taxas futuras de juros, significando que o mercado, por maioria, havia assimilado os sinais do BC e apostado na queda de juros. Quem não apostou foi um segmento específico que poderia ter ganhado milhões caso o BC tivesse mantido a taxa Selic. E ganhado milhões em cima dos que achavam que a taxa ia cair.

***

Por que essa minoria barulhenta achava que os juros permaneceriam imóveis, se a maioria do mercado, analisando os sinais do BC, apostava na queda? Porque essa minoria julgava ter informações que a maioria do mercado não tinha. Na verdade, sempre trabalhou com informações privilegiadas do BC.

No período de Henrique Meirelles, denunciei algumas vezes reuniões de diretores do BC com economistas de mercado. Não eram reuniões abertas a todo o mercado. Participavam dela o mesmo conjunto de economistas que têm mais vocalização na velha mídia, as fontes preferenciais, justamente aqueles que estão berrando contra a decisão do BC.

***

Com a decisão do Copom desta segunda-feira, desnudou-se o jogo. Há o mercado em si e, nele, a confraria dos “juristas”. E os ganhos desse pessoal se dava em cima dos demais agentes do mercado, baseados em informações privilegiadas que recebiam do BC.

***

Portanto, a partir de agora não se fale mais do “mercado” genericamente, nem de “porta-vozes”. Todo esse coro de lamentações ouvido nos últimos dias ajuda a mapear os elos dessa confraria de “juristas”.

Seria bom que autoridades em geral começassem a olhar com mais presteza esse jogo.

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13 comentário(s)

Comentários

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Nassif,

No caso específico dessa queda de juros, me parece que houve também aquela velha intenção de criticar toda e qualquer ação do governo Lula/Dilma.

 

Georgeis10 (segnda-feira, 05/09/2011 às 09:23),

É claro que isso conta. Fiz a crítica ao post de Luis Nassif, tanto aqui na Coluna Econômica dele de segunda-feira, 05/09/2011, neste post "O BC e a confraria dos “juristas”" publicado às 06:00, como no post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" de sexta-feira, 02/09/2011 às 18:39 em que ele antecipa a Coluna Econômica que seria do domingo. A minha censura foi mais no sentido de que não acho correto atribuir a crítica ao interesse ilícito contrariado. Ainda mais que a ilicitude supõe irregularidade de vários participantes.

É claro que cabe supor que a crítica a ação do Banco Central em reduzir os juros foi decorrente de interesses. Interesses e ideologia são faces de uma mesma moeda, afinal não se pode esperar que um patrão com interesses de patrão tenha a mesma ideologia de um empregado. Assim, quem defende a manutenção da lucratividade ou os interesses dos bancos não vai argumentar a favor da redução da taxa de juro.

E há ainda a questão do preconceito contra Lula que se estende a Dilma Rousseff, pois não é aceitável para essa turma que um torneiro mecânico tenha escolhido para o suceder alguém competente. Sobre o preconceito vale a leitura de artigo que Bernardo Kucinski brilhantemente escreveu intitulado "O preconceito contra Lula no jornalismo brasileiro" publicado originalmente na Revista do Brasil em 22/01/2008 e que pode ser visto no site "Observatório do direito à comunicação" no seguinte endereço:

http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=2446

E que se pode ver também no Portal Luis Nassif no seguinte endereço:

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/os-preconceitos-contra-lula

No portal Luis Nassif, o artigo foi postado por Saulo Machado em 21/02/2010 às 14:40. E lembrar que ao preconceito junta-se a vontade de ficar contra.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 06/09/2011

 

Mais que informação privilegiada, a confraria formava a informação através do boletim FOCUS.

A base teórica da confraria é o sistema de metas de inflação, um modelo péssimo e filosoficamente errado, aonde a febre é uma meta para o médico, a disfunção é uma meta, uma aberração que poucos paises seguem, é um modelo reducionista, reduz TODA A POLITICA ECONOMICA á meta de inflação, no modelo não cabem politica industrial e de emprego, metas de investimento, de crescimento do PIB, inserção dos jovens no mercado de trabalho. metas de educação, de eficiencia da maquina publica, o modelo teorico da confraria dos juros é um desserviço ao futuro do Pais.

 

Andre Araujo (segunda-feira, 05/09/2011 às 09:08),

Era para mandar o comentário que eu enviei segunda-feira, 05/09/2011 às 14:11 junto ao seu como um complemento ao meu de segunda-feira, 05/09/2011 às 08:58. Infelizmente eu devo ter feito alguma confusão.

Tinha, entretanto, que analisar e elogiar este seu comentário de segunda-feira, 05/09/2011 às 09:08. Você deve ter surpreendido muitos comentaristas. Principalmente o seu comentário que está na primeira página do post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" de sexta-feira, 02/09/2011 às 18:39, pois ao post com mais de 70 comentários deve ter havido muito mais leitores. Um comentário que ainda ficou melhor com o aperfeiçoamento que você fez e enviou sábado, 03/09/2011 às 16:42 para o post "Os que ganham com a Selic" também de sábado às 13:20. Tão surpreendente que, além dos elogios e os espantos, foi transformado no post "O mito do Banco Central Independente", de sábado, 03/09/2011 às 20:42. Lá no seu comentário você mostra que sob o aspecto político não existe a independência do Banco Central.

Aqui neste post "O BC e a confraria dos “juristas”" de segunda-feira, 05/09/2011 às 06:00, você vai além. Você faz a crítica ao Regime de Metas de Inflação.

Venho mencionando há um bom tempo o antigo post no Blog do Luis Nassif "Projetobr" intitulado “O modelo de metas de inflação” de 03/08/08 08:59 e que estava na Aba de Economia e fora originado de comentário seu. Lembro que eu ficara surpreso com as informações que você trouxera sobre o Regime de Metas de Inflação, pois para mim, até aquele momento, eu tratava o Regime de Metas de Inflação apenas com desdém.

Resolvi ler mais sobre o Regime de Metas de Inflação e então descobrir o artigo “O regime de metas de inflação: uma abordagem teórica” de José Luis Oreiro e de André Lúcio Neves e saído no Ensaios FEE uma publicação semestral da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser da Secretaria de Planejamento e Gestão do Rio Grande do Sul (Ensaios FEE, Porto Alegre, V. 29, n. 1, p. 001-302, 2008) e que pode ser encontrado no seguinte endereço:

http://www.fee.rs.gov.br.ensaios.fee.29.1.pdf

Lendo o artigo percebe-se que o Regime de Metas de Inflação é o último avanço da teoria econômica no combate a inflação.

Agora você me surpreende dizendo que o "sistema de metas de inflação é um modelo péssimo e filosoficamente errado,  . . . é um modelo reducionista, . . . [e nele] não cabem política industrial e de emprego, metas de investimento, de crescimento do PIB, inserção dos jovens no mercado de trabalho, metas de educação, de eficiência da maquina pública, . . . . é um desserviço ao futuro do Pais."

Era tudo que eu precisava contar nas críticas que tenho feito pelo menos nos últimos quatro anos ao Regime de Metas de Inflação.

E há ainda a frase inicial do seu comentário em que você nela desmonta toda a argumentação de Luis Nassif. Sim, não se trata de informação privilegiada, pois a informação era formada e informada via boletim FOCUS.

Eu concordo com você sobre o Regime de Metas de Inflação e nesse sentido indico comentários meus junto ao post "O declínio da independência dos BCs" de 12/01/2010 às 13h26 no blog de José Paulo Kupfer e que pode ser visto no seguinte endereço:

http://blogs.estadao.com.br/jpkupfer/o-declinio-da-independencia-dos-bcs/

Concordo, entretanto, também com o que dizem o José Luis Oreiro e o André Lúcio Neves no artigo indicado acima “O regime de metas de inflação: uma abordagem teórica”. Apreendi com o que dizem José Luis Oreiro e o André Lúcio Neves e assimilei a idéia do Regime de Metas de Inflação como uma evolução da teoria monetária, mas penso que foi uma herança maldita deixada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Agora como tenho insistido há tempos, é impossível para um governo de um partido de esquerda como o PT, que não é hegemônico no Brasil, tirar da superestrutura administrativa do país o Regime de Metas de Inflação.

Aliás, sobre a questão do Banco Central e o Regime de Metas, apesar de muito coincidentes, temos tido sempre diferenças de opiniões. No antigo post no blog de Luis Nassif “O modelo de metas de inflação” ao mesmo tempo que eu apreendia com as informações que você disponibilizava, eu o criticava por você considerar que a escolha de Henrique Meirelles fora um erro do governo Lula. Para mim não, Henrique Meirelles fora escolhido porque Lula precisava pôr na presidência do Banco Central um presidente para inglês ver e também para que brasileiros que se tomassem por ingleses também pudessem ver. Alguns se tomavam por ingleses por presunção infantil, mas uns poucos, como parecia ser o seu caso, tomavam-se por ingleses por razões atávicas, das quais evidentemente não podiam fugir.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 05/09/2011

 

Luis Nassif,

Você acusa uma parte do mercado que você chama de “confraria dos juristas” e que seria “um grupo que inclui de algumas consultorias econômicas, alguns economistas ligados a bancos, aliados a alguns comentaristas econômicos formadores de opinião na velha mídia” e que teriam apropriado-se “completamente da política monetária do BC” em um jogo em que o grupo contava “com informações privilegiadas” e assim “ganhando em cima dos demais segmentos do mercado”.

Bem, acho essas acusações muito genéricas. Só que você dá um passo além e diz que:

“No período de Henrique Meirelles, denunciei algumas vezes reuniões de diretores do BC com economistas de mercado. Não eram reuniões abertas a todo o mercado. Participavam dela o mesmo conjunto de economistas que têm mais vocalização na velha mídia, as fontes preferenciais, justamente aqueles que estão berrando contra a decisão do BC”.

Quer dizer é só saber as pessoas que participavam dessa reunião e o Ministério Público teria prova para acionar o pessoal do Banco Central e os economistas de fora participantes dessa reunião como sujeitos a várias penalidades no Código Penal.

Só que não sabe de nenhuma ação nesse sentido. Fica só esse disse-me-disse. Um texto assim é um ataque ao Ministério Público, pois acusa-o de inoperante. E não se sustenta, pois tenta fazer crer que basta tirar o Henrique Meirelles para tudo de repente mudar ainda que tenha demorado quase 9 meses para assim proceder, como bem apontou Romanelli no comentário que ele enviou segunda-feira, 05/09/2011 às 07:52.

E dizer que os economistas ou formadores de opinião estão reclamando não porque acham que o Banco Central tomou a decisão errada, mas porque não obtiveram a informação privilegiada de qual a decisão seria tomada, me parece extremamente leviano. E atinge o Banco Central antigo e o atual, afinal os que não estão reclamando agora não estão reclamando por que receberam a informação privilegiada?

Eu sou leigo e normalmente não tenho condições de avaliar as decisões do Banco Central. No futuro eu vejo se a decisão teve algum viés. No segundo semestre de 2003, o Banco Central reduziu de forma firme o juro. Avaliando dois ou três anos depois do ocorrido, eu considerei que o Banco Central teria abaixado o juro além do recomendável e fizera assim para que, em 2004, a recuperação econômica, que se projetou que adviria da moeda desvalorizada e da queda de juro, pudesse consolidar as candidaturas do governo. A prova que eu tinha três anos depois dessa minha ilação foi a necessidade de reverter a queda do juro ainda no ano de 2004 e a manutenção do juro em patamar mais alto em 2005 e 2006 para impedir seqüelas mais graves decorrente da queda brusca do juro no segundo semestre de 2003.

Em princípio, entretanto, eu sempre considero que o Banco Central está certo dentro daquilo que é a intenção dele fazer. Está certo no sentido que são pessoas inteligentes e conhecedoras da área em que estão trabalhando e contando com informações suficiente sobre a economia brasileira e os instrumentos que estão ao dispor dos agentes públicos para o controle dessa economia. Assim quando veio a queda do juro nessa reunião em setembro de 2011, eu imaginei que o Banco Central já sabia que o PIB praticamente não crescera. Por isso que quando o IBGE informou que o segundo trimestre de 2011 crescera 0,8% em relação ao trimestre anterior, o dado do crescimento me parecera maior do que eu avaliei que seria tendo por base a redução da taxa de juro.

Pode ser também que o Banco Central tenha abaixado o juro tendo em vista o cenário da economia mundial. Se for com base nesse cenário, e depois se mostrar que o cenário é melhor e o Banco Central tenha necessidade de elevar o juro, pode-se imaginar que o Banco Central tenha errado, mas isso apenas se não se conseguir ficar com a inflação próximo da meta, ou então que se tenha que subir a taxa de juro muito de tal modo a estancar o crescimento econômico. De todo modo, para os dois casos em que possa ver malabarismo para ajudar o governo na eleição de 2012, há também a possibilidade de o Banco Central ter errado porque como já o disse há mais tempo José Serra: “o Banco Central erra”. É truísmo, mas é preciso mencionar a voz de autoridade para que as pessoas possam ver a explicação em coisas simples e não em teorias mirabolantes.

E o Banco Central pode também ter pretendido com essa ação apenas deixar claro que ele resolveu trabalhar com uma inflação um pouco mais alta do que vinha trabalhando até agora. Sem ser economista, eu acredito que isso é melhor sob o aspecto econômico para o Brasil. Há bons economistas que pensam o contrário.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 05/09/2011

 

Luis Nassif,

Vejo que você insiste em ver junto aos críticos da ação do Banco Central em reduzir o juro um viés de posicionamento em defesa do interesse próprio e não um posicionamento em razão das crenças nas concepções ideológicas que esses críticos professam.

Fiz dois comentários junto ao post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" de sexta-feira, 02/09/2011 às 18:39 em que você traz na sua Coluna Econômica que seria do domingo as mesmas acusações deste post "O BC e a confraria dos “juristas”" de segunda-feira, 05/09/2011 às 06:00.

Enviei sexta-feira, 02/09/2011 às 20:59 o primeiro comentário e junto a esse primeiro comentário enviei sábado, 03/09/2011 às 10:34, um segundo comentário e que podem ser visto na terceira página do post "O Banco Central e a confraria dos "juristas"" no seguinte endereço:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-banco-central-e-a-confraria-dos-juristas?page=2

O endereço que eu deixei foi o da página dos meus comentários, mas o que há de melhor no post está na primeira página com a discussão que se trava a partir de comentário de sexta-feira, 02/09/2011 às 19:01 de Gunter Zibell – SP. Ao comentário de Günter Zibell – SP, há uma resposta sua enviada também nas sexta-feira às 19:10. E junto da sua resposta há um complemento de Andre Araujo que ele enviou também na sexta-feira às 21:21. Lá Andre Araujo começa a expor uma idéia muito cara a ele sobre a inexistência de Banco Central independente. Em post posterior aqui no seu blog intitulado "Os que ganham com a Selic" de sábado, 03/09/2011 às 13:20 feito a partir de comentário de Marcos Queiroz Dias junto ao post ""O Banco Central e a confraria dos "juristas"", o Andre Araujo desenvolveu mais a idéia da não existência do Banco Central independente em comentário que ele enviou sábado, 03/09/2011 às 16:42. O comentário dele foi transformado no post "O mito do Banco Central Independente", de sábado, 03/09/2011 às 20:42 e cujo endereço é:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-mito-do-banco-central-independente

O endereço do post "Os que ganham com a Selic" com o comentário de Andre Araujo que virou post é:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-que-ganham-com-a-selic

O comentário de Andre Araujo e que depois virou post é pelo menos um dos bons resultados dessa sua Coluna Econômica com crítica aos críticos da redução recente da taxa Selic pelo Banco Central.

Insisto, entretanto, que embora eu possa concordar com parte de sua análise, não acho correta você vê na crítica um viés de interesse contrariado.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 05/09/2011

 

Um artigo a se ler: (aqui postado por Sergior nos comentos ao post "os que ganham com a selic")

Entre a cordialidade e o servilismo! Por Paulo Kliass, na Carta Maior 

Tá certo, eu sei que existe muita polêmica acerca das possíveis interpretações sobre a proposição de Sérgio Buarque de Holanda quanto à natureza cordial do jeito brasileiro de ser. Mas o fato é que há elementos de ordem sociológica e cultural que parecem comprovar esse nosso lado de sempre querer agradar, de ser o bonzinho. Nelson Rodrigues falava do complexo de vira-lata e muitas vezes nos deixamos flagrar por uma conduta que se encaixa bem nessa expressão.

Por outro lado, é amplamente conhecido o fato de que nossas elites guardaram, desde sempre, uma postura servilista face aos interesses e as pressões das elites dos países do chamado “centro do mundo”. E essa forma de encarar a nossa posição nas relações internacionais continua muito presente até os tempos recentes. Uma citação em qualquer revista ou jornal dos Estados Unidos ou da Europa é considerada como muito mais importante do que qualquer outro meio de comunicação daqui de dentro. E as observações ali contidas devem ser levadas “a sério”! Muitas vezes confunde-se o necessário ”aprender com a experiência internacional” com simples e vulgar “copiar os caminhos e os modelos” adotados pelos países que maior influência exercem sobre nossas classes dominantes.

E esse tipo de subserviência vale para as esferas da cultura, da política, da sociologia e, principalmente, da economia. Nesse último domínio, então, a coisa é terrível! E um elemento que agrava as conseqüências é que pegamos o mau exemplo a seguir com uma defasagem temporal – uma cópia pirata mal feita, no momento inadequado. É o velho problema de querer ser mais realista do que o rei! E a história recente está cheia de fatos. Os sucessivos acordos com os organismos internacionais (Fundo Monetário Internacional – FMI e Banco Munidial – BM) desde os anos 80, a aceitação dos modelos de ajuste macro-eocnômico incluindo privatização e liberalização irresponsável da nossa economia, a abertura sem controle de nosso sistema financeiro e nossa conta de capitais aos operadores do resto do mundo, entre outros.

Do passado recente, o caso mais emblemático foi, sem dúvida alguma, a decisão anunciada pelo governo em 2003, logo depois da posse de Lula. O Ministro Palocci veio a público, sem que houvesse nenhuma pressão a exigir uma medida dessa natureza, anunciar a boa vontade do Brasil em assegurar o pagamento dos juros e serviço da dívida pública. Para tanto, anuncia, em cerimônia de muita pompa, a elevação unilateral do superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB. Um exemplo de bom mocismo para o mundo das finanças! Nesse mesmo momento, por exemplo, a nossa vizinha Argentina estava em pleno processo de renegociação de sua dívida externa e chegou a entrar em “default” (termo do financês para o não pagamento de um compromisso financeiro) até que os credores externos aceitaram uma redução do valor nominal da dívida. Já os nossos neo-convertidos à responsabilidade fiscal do Planalto Central acusavam o falecido presidente Kirchner de demagogia e populismo. No entanto, o futuro mostrou o acerto da via adotada por ele. O catastrofismo não colou. Apesar da negociação dura dos “hermanos” e da perda imposta aos credores espalhados pelo mundo, o capital internacional não deixou de se dirigir para aquele país. Muito pelo contrário!

Pois bem, parece que as raízes da cordialidade e do servilismo são mais profundas do que se imaginava. A tradição continua firme e forte.

Na semana passada muita gente se animou com a disposição da Presidenta Dilma em – finalmente! – receber as centrais sindicais e as entidades do movimento pela reforma agrária. Afinal, já havia muita reclamação de que ela estava com seus ouvidos mais voltados para o capital (em especial, o financeiro) e pouco sensível às demandas dos trabalhadores. Porém, parece que o otimismo durou pouco. A grande surpresa foi a natureza do anúncio mais importante do encontro: péssimas notícias para o País e para a maioria da população.

Dilma anunciou em alto e bom tom, para quem quisesse ouvir: o governo vai aumentar, ainda mais, a meta do superávit primário de 3% para 3,5% do PIB para o ano em curso! Uma loucura! Não bastasse a previsão de pagamento superior a R$ 200 bilhões de recursos públicos para pagamento de juros da dívida pública, a Presidenta anuncia que vai reservar ainda mais valores do Orçamento para essa destinação estéril do gasto público. E ainda tem a desfaçatez de chamar isso de “responsabilidade fiscal”!

Seja por estar mal assessorada no assunto, seja por estar mesmo com segundas intenções, o fato é que a proposta de Dilma não se sustenta nem mesmo de acordo com os argumentos apresentados até agora. Senão, vejamos. O governo apresentou três razões para tal decisão: i) a necessidade de apresentar uma postura de responsabilidade no trato da questão fiscal; ii) abrir espaço para redução da taxa de juros no Brasil; iii) evitar que a crise nos países desenvolvidos afete ainda mais nossa economia. Então, vamos lá, analisando um por um.

Superávit primário, recordemos, nada mais é do que um eufemismo (ou uma enganação) do economês para dizer que todas as despesas públicas são iguais, mas para lembrar que algumas são mais iguais do que outras. Uma situação de equilíbrio fiscal faz referência a alguma forma de igualdade entre o total arrecadado pelo Estado e o total de suas despesas. Numa situação de superávit, as receitas são maiores que as despesas e o Estado pode dispor de mais recursos para, por exemplo, realizar investimentos não previstos. O pulo do gato veio com a criação desse conceito de “superávit primário”. Nesse caso, todo o esforço fiscal vai ser realizado para preservar apenas um tipo de despesa: os gastos financeiros, com o pagamento de juros da dívida pública. Ou seja, os demais gastos (pessoal, saúde, educação, investimentos, etc) são contidos e apenas os gastos com juros permanecem “imexíveis”.

Ora, parece estranho aparecerem de novo com o discurso encomendado da seriedade no trato da questão fiscal, quando o Estado esteve justamente com uma política de redução de arrecadação, em função das isenções e deduções concedidas às empresas e ao capital em geral ao longo dos últimos 3 anos. Aliás, essa foi uma das medidas acertadas para evitar o aprofundamento da crise por aqui, desde o seu recrudescimento em 2008. Mas parece que não se consegue sair da lógica viciada dos interesses das classes dominantes. Cortam-se as receitas por meio da isenção de impostos devidos pelas empresas e depois repassam a conta da “necessária responsabilidade fiscal” à maioria da sociedade por meio de cortes na previdência social, nas áreas sociais e nos investimentos. Seriedade na condução da contabilidade pública? Estamos todos de acordo. Porém, que tal começarmos a reduzir despesas inúteis, como os gastos com a dívida pública? Nesse caso, o caminho é justamente o oposto do praticado desde há muito e anunciado agora outra vez: é necessário reduzir o superávit primário e aumentar os gastos com investimento público!

E ainda no campo da arrecadação, a cordialidade e o servilismo tupiniquins poderiam bem se espelhar um pouco na postura das elites de alguns dos países tão levados em conta. O triliardário norte-americano Warren Buffet acaba de declarar publicamente ser favorável à taxação sobre as grandes fortunas como sendo uma forma de contribuição dos muito ricos para a saída da crise. E o ultraconservador Presidente Sarkozy acabou de aprovar um aumento no Imposto das Grandes Fortunas na França, com o mesmo intento. Por mais que se possa discutir a respeito das verdadeiras intenções por trás das iniciativas de tais personalidades do mundo da política e das finanças, no mínimo elas poderiam servir como argumento para implementar algo similar aqui em nossas terras. A Constituição Federal aguarda desde 1988 pela regulamentação do artigo 153, que cria o Imposto sobre as Grandes Fortunas! Haja espírito cordial e de subserviência!

Felizmente parece que o governo se deu conta da necessidade de que a taxa SELIC seja reduzida. Mas causa estranheza o anúncio público que tenta condicionar a possibilidade de baixar os juros ao aumento do superávit primário. É só mesmo prá confundir! Ora, o governo pode decidir baixar os juros na hora que quiser. Basta vontade política! Porém, até agora a postura sempre tem sido de cordialidade e servilismo com o capital financeiro. A Presidenta da República é quem nomeia os integrantes do COPOM (diretoria do BC). Ora se a preocupação (mais do que justificada, diga-se de passagem!) é evitar uma elevação descontrolada do consumo e as possíveis pressões inflacionárias, o Banco Central tem à sua disposição outros instrumentos, a exemplo da elevação do depósito compulsório dos bancos [1] . Provoca o mesmo efeito de reduzir a demanda e não tem o altíssimo custo do pagamento de juros. Os únicos prejudicados serão as instituições financeiras, que reduzirão seus ganhos fáceis e sem risco de mamar nas tetas abundantes do Tesouro Nacional.

Ou então, os responsáveis pela economia estão envergonhados de dizer publicamente que mudaram de idéia. E agora acham que a razão de nossa taxa de juros ser elevada é porque nossa dívida pública é grande e que o esforço de política econômica deve ser toda para reduzir a dívida. Essa é outra falácia do discurso liberal, mas que saiu de moda nos últimos anos, em razão da crise generalizada pelo mundo ter mostrado que a realidade é bem mais complexa que seus “modelitos” possam sugerir. É claro que a taxa de juros de um país sempre guarda alguma relação com o risco de se emprestar para aquele Tesouro – por exemplo, comprando títulos da sua dívida. Mas isso não tem nada a ver com o Brasil ostentar taxas estratosféricas há décadas, mesmo depois de muita gente já ter festejado nossa cotação como “investment grade” pelas agências de risco internacional. Podemos baixar nossa SELIC para níveis de 6% ao ano sem problemas – e ainda assim estaremos na lista dos “top ten” mais altos. Reduzimos os juros e ainda ganhamos como bônus da operação a desistência de uma boa parcela do capital especulativo que vem para cá. Com isso, a taxa de câmbio pode ficar num nível mais realista e haverá uma queda nas despesas financeiras do orçamento. Ou seja, basta não querer ser tão cordial assim, bem como recuar um pouco na taxa de servilismo ao capital financeiro internacional. Só teremos a ganhar com isso.

O terceiro argumento fala da necessidade de se evitar que a crise internacional nos afete de forma negativa. Perfeito! Ninguém quer que sejamos prejudicados pela recessão nos Estados Unidos e na Europa, com suas repercussões sobre a China, Índia e demais países de peso na cena mundial. Mas o que isso tem a ver com o aumento do superávit primário? Nada ou muito pouco! Muito pelo contrário! A solução passa pelo reforço do mercado interno, com a recuperação da capacidade de investimento do Estado e pela manutenção do nível de renda por meio de programas importantes como o salário mínimo, benefícios da previdência social, Bolsa Família e demais projetos na área social. E como os recursos orçamentários são finitos, a escolha deve recair sobre a redução das despesas com juros. Além disso, por via indireta, a redução da SELIC permite trazer a taxa de câmbio a níveis menos fantasiosos, com o fim dessa valorização artificial atualmente em vigor. Com uma desvalorização no real, as exportações ficam estimuladas e as importações ficam mais responsáveis. Ou seja, aponta-se no caminho inverso da atual tendência à desindustrialização. Essa é forma de evitar um contágio negativo da crise externa sobre nós.

E me despeço aqui com uma frase de Paul Krugman, economista que pode ser acusado de tudo, menos de ser esquerdista ou sonhador. Escreveu ele recentemente: “Logicamente, os suspeitos habituais chamaram essas ideias de irresponsáveis. Mas eles sabem o que é, de fato, irresponsável? Sequestrar o debate sobre a crise para conseguir as mesmas coisas que defendiam antes da crise, e deixar que a economia siga sangrando.” [2]

[1] http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4896

[2] http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18253

 

 

 

 

Enquanto isto.......o que são 100 anos para quem ama de verdade...não é mesmo??  Para nós, reles mortais, sem padrinhos, sem informações privilegiadas....a vida é dura......mas quando penso que quem banca a festa sou eu e meus pares....puxa vida.......vai um dry  martini aí??? Na hora de me avisarem......ninguém lembra de  mim...mas quando chega o IR.....aí de mim!!!!  

Troco.....um dia de povo por uma informação privilegiada!!!

Vapt-vupt....volto logo.....vou para Brasilia......

 

Justo a mim coube ser eu!!! Mafalda

Olha Dê apesar de tudo, trabalhar duro ainda compensa viu.

Para fazer o errado, tem que saber fazer mais certo que o certo, senão dá problema. É só vermos o caso Marka, parece que eram informações privilegiadas, certamente o seu uso não compensou para os donos, hehehe.

"Com informações privilegiadas suficientes e US$ 1 milhão, você pode ir à falência em um ano." Warren Buffett.

 

@DanielQuireza

Pois é Daniel...minha indignação.......o que estes caras ainda fazem soltos??  Aguentar Cacciola em liberdade, é dose!!!  Festa de Maluf....estão de brincadeira!!!  EStes caras estão rindo da gente faz tempo.....Cadê PF?? Cadê MPF?  Cadê todo mundo??  Só sobrou a gente para trabalhar e os bandidos para ganhar!!  A grande maioria dos brasileiros hoje, trabalha para pagar juros.....tá na hora de mexer no vespeiro...tá na hora de acabar com a palhaçada.......  

 

Justo a mim coube ser eu!!! Mafalda

"Digamos que o preço futuro esteja em 100. O apostador que acha que o preço vai para 105 “compra” o contrato a 100; o que acha que o preço vai cair, “vende” o contrato a 100. Se o preço for a 105, o que “comprou” a 100 ganha a diferença de 5; o que vendeu a 100, perde a diferença. Portanto, há sempre um lado que ganha e outro que perde."

Nassif,

O que está dito acima mostra de forma compreensível ao leigo, ao mortal comum, a toda e qualquer pessoa simples do povo o que sempre foram essas operações do BC: um joguinho com jeito infantil (ou traquinagem?!) de perde-ganha de duas pedras onde sempre ganharam os mesmos que o sistema elegeu para esse fim, e sempre perdeu o restante, ou seja, a quase totalidade dos brasileiros.

Então, meu caro, para mim, em um governo do povo, pelo povo e para o povo, essa banca maligna seria extirpada, encarcerados todos os seus autores, e o patrimônio dos seus beneficiados confiscados por ser puro crime de lesa-pátria. Simples assim!

 

desculpe, mas me sinto usado por TODOS os lados...

O seu raciocínio estaria certo se o BC não tivesse, contrariando inclusive a CIÊNCIA, se não tivesse insistido em aumentar a própria taxa nestes sete meses que antecederam a  tal inversão de "expectativas".

..vc pode até dizer dos que se beneficiavam  ..mas aqui tb falta falar dos que ETERNAMENTE erram a MÃO e não pagam ou prestam satisfação

..eu sei que sou daqueles que sempre se ferra, principalmente por não gostar de formar e participar de PANELA...

..sim, concordo que existem os DEformadores, por exemplo desde que vi MIRIAM LEITÃO sair no carro do GUSTAVO Saco-de-maldade quando este foi  mandado embora ..desde lá tinha esperanças de que pra qq um que tivesse duvidas, que estas se dissipariam  ..mas não foi o que ocorreu  ..a imprensa e patrocinadores foram mais rápidos

Verdade é que o BC JAMAIS pode ser autonômo e oS governoS precisam colocar isso em pratos limpos (a bem inclusive do sentido da democracia)

..verdade ainda é que a decisão econômica quase sempre gravita entre o Ruim e o Pior  então, então mas transparência e debate tem que ser EXIGIDOS ..sim, verdade  tb que até hoje sempre houve e ainda haverão os que saberão de primeira mão

..agora, uma outra coisa que não me conformo é de ver pouquíssimos agentes ganhando BILHÔES por cima da ignorância da população que não é esclarecida sobre os efeitos e ônus que uma decisão de se aumentar o JUROS por ex  acarretam pra Nação

..e mais ainda, NÃO entendo como essa turma consegue se blindar e nunca ser punida quando ERRAM a mão e passam dos limites sem serem com isso sequer convidados  a prestarem satisfação ..mas que ao contrário, cuja maioria ainda sai por aí ganhando os tubos pra dar consultoria e emitir opinião

ps - ahhh sim, antes que me esqueça  ..a decisão do governo, embora tardia, é CORRETA  ..mas ele estará errando de forma grave caso não resolva por em  PAUTA a discussão sobre a adoção de outras medidas que já deveriam estar em prática (regulação do crédito e mercado externo, desindexação, desazonalização, espaçamento da correção de contratos e salários, desoneração e inentivo ou não, pontuais, desconto e incentivo pra vendas a vista frente as com cartão, controle de capital externo, isonomia etc)

 

Romanelli (segunda-feira, 05/09/2011 às 07:32),

Bom o seu comentário. Mostrou que a análise de Luis Nassif fica um tanto frágil quando se a estende no tempo.

Agora, continuo achando que você exagera nos seus convencimentos, cometendo os mesmos enganos de Luis Nassif ao acusar sem muita fundamentação os outros. Não gosto da opinião de Miriam Leitão, mas não gosto porque a opinião dela em minha concepção ideológica é errada e não porque ela seja uma deformadora de opinião.

Não sou economista, mas me parece que falta ao economista a capacidade de raciocinar na perspectiva de que a opinião dele esteja errada e do outro esteja certa. Não penso que se deva proceder assim para assumir a teoria do outro, o que pode até se verificar quando se chegar a conclusão de que a teoria do outro é melhor. Deve-se agir assim, porque desse modo se tem mais capacidade de  analisar as possibilidades de raciocínio contrário. Essa análise é boa até para que você possa-se sentir mais seguro de sua ideologia.

Há sempre a possibilidade de o outro defender um ponto de vista por má-fé. Só que não se pode descartar o argumento só porque quem o defende age de má-fé. É raro, mas é possível que esteja certo mesmo quem age por má-fé.

A afirmação de que a inflação é o mais injusto dos impostos é para mim balela. Só que não considero impossível que se venha a provar que a inflação seja realmente o mais reprovável dos impostos. Agora com os conhecimentos que temos hoje o mais provável é que a inflação não seja o mais nocivo dos impostos. Por isso que eu acho que exista boa quantidade de economistas e jornalistas influenciados por esses economistas que sabem que a inflação não é o mais injusto dos tributos, mas mesmo assim propagam que a inflação é o mais nocivo dos impostos por má-fé. Só que eu não tenho que fazer a distinção entre quem age por má-fé e quem age por acredita no que diz. É uma distinção impossível de ser feita e que em nada influencia minha argumentação. Por que acusar o outro se eu não tenho como provar?

Então para mim você extrapola, ou talvez, no caso, você exagere, quando acusa a Miriam Leitão de deformadora de opinião. Isso se o sentido de deformadora for um sentido de má-fé, se for só no sentido de erro trata-se de uma crítica mais forte, mas que eu até a endosso pelo que eu a escutei na CBN descrevendo a medida do Banco Central em reduzir o juro em Zero ponto cinco percentuais. Não entendi, entretanto qual a relação que há das opiniões de Mirian Leitão com o fato de ela ter saído no carro de G. Henrique de Barroso F. quando ele foi demitido do Banco Central. Era uma prestação de solidariedade a quem estava fraco.  Um comportamento a merecer mais louvor do que crítica).

Agora quanto às medidas que você relaciona, elas me parecem que corroboram uma política de redução drástica de inflação. Seria correto isso para o Brasil? Para mim para que tenhamos inflação muito baixa no Brasil temos que ter juros elevadíssimos. A razão disso foi o fato de que pessoas com as mesmas ideias de você em 1994 quiseram acabar com a inflação muito rapidamente. Em razão disso nós nunca conseguimos estender o prazo de rolagem da dívida.

Como bem lembrou G. Henrique de Barroso F. em matéria publicada na Folha de S. Paulo de 15/06/2011, com o seguinte título "Estatística subestima déficit público, diz ex-presidente do BC". O endereço do índice geral para a reportagem na Folha de São Paulo "Estatística subestima déficit público, diz ex-presidente do BC" ainda que seja só para assinantes é:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/indices/inde15062011.htm

Esse ponto de vista de G. Henrique de Barroso F. foi apresentado sob outro enfoque junto ao post "Entendendo economia brasileira com Gustavo Franco" de quarta-feira, 31/08/2011 no blog Economia e Capitalismo no seguinte endereço:

http://economiaecapitalismo.blogspot.com/2011/08/entendendo-economia-brasileira-com.html

Você pode censurar G. Henrique de Barroso F. por ele criticar aquilo que ele mesmo gerou. É verdade, mas é isso que eu vejo como resultado das medidas que você está propondo.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 05/09/2011