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O blefe Albert Fishlow

Uma enorme confusão, recorrente na cobertura econômica, é tratar a economia como se fosse uma ciência única. Já cansei de ver o reputado filósofo Eduardo Gianetti dando entrevistas sobre cenário macro-econômico. Assim como o cabeça de planilha Fábio Gimabiaggi pretendendo pontificar sobre projetos de país.

Para quem conhece cenários, Fishlow não é nada. Era especialista em trabalho. Nos últimos quinze anos passou a enganar plateias norte-americanas, por seu suposto conhecimento sobre cenários econômicos brasileiros, e platéias brasileilras - por seu suposto conhecimento do que os EUA pensam sobre cenários brasileiros.

Já participei de alguns debates com ele. É o chamado construtor de cenários do dia. Levanta, vai para a rua, molha o dedo, vê para que lado o vento sopra e depois joga para o futuro uma percepção exclusiva daquele momento.

Em dezembro de 1998, pós-acordo com o FMI, com os dólares fugindo do país, esse senhor preconizava uma volta à normalidade. Um mês depois, com a explosão da maxi, dizia que a economia brasileira iria se esfrangalhar. Seis meses depois, com a normalização do mercado cambial, sustentava que dali para frente, tudo seria diferente.

Em dezembro de 1998 participei de uma mesa com ele, promovida, se não me engano, pela Anbid. Foi vergonhoso para eu e outros companheiros presentes - Mirian Leitão, Celso Pinto - o discurso vazio de Fishlow.

Meses depois, fui mediar um debate em BH, com ele na mesa. Deixei a posição de moderador para informar, em alto e bom tom, meu inconformismo com a fragilidade de seus argumentos.

Dia desses a Época fez um seminário com Fishlow como estrela principal. Agora, essa entrevista na Folha.

Em ambos os casos, apenas um atestado da juventude da imprensa, que não captou o histórico de chutes e irresponsabilidades desse senhor.

Folha de S.Paulo - Fishlow defende corte de gastos de verdade - 02/07/2011

Fishlow defende corte de gastos de verdade

Professor emérito da Universidade Columbia diz que país não conseguirá crescer e conter a inflação ao mesmo tempo

Fishlow diz que a taxa de juros é insuficiente para alcançar os dois objetivos e sugere aperto na Previdência

MARIANA CARNEIRO
DE SÃO PAULO

Debelar a inflação e manter o crescimento são desejos inconciliáveis, diz Albert Fishlow, 75, professor emérito da Universidade Columbia e da Universidade Berkeley, que estuda o Brasil há mais de 40 anos: "Não funciona".
A resposta para sair desse dilema é o corte "verdadeiro" das despesas do governo. À Folha Fishlow decretou a obsolescência do superavit primário e diz que só o reordenamento dos gastos do país levará o Brasil a taxas de crescimento mais elevadas.

Folha - É possível combater a inflação e manter o crescimento da economia?
Albert Fishlow - Quando se tem dois objetivos na economia e apenas um instrumento, não funciona. São necessários dois instrumentos. O instrumento principal -utilizado há muitos anos- é a política monetária [ajuste da taxa de juros]. O que está faltando é a política fiscal. Foi por causa disso que a presidente Dilma anunciou no início do ano uma redução de despesas. Mas o corte vem depois de um aumento dos gastos no ano passado.


Mas o governo não está fazendo superavit primário?
Superavit primário não é um superavit real. É um esforço que não considera as despesas com juros. Se o Brasil está interessado em ter uma taxa de juros mais baixa, tem que reduzir os gastos governamentais, criar um superavit ou ao menos eliminar o deficit fiscal [tudo que é gasto além da arrecadação]. Não há razão para o Brasil, com os preços de commodities altos, não ter superavit fiscal. O Chile, que produz cobre, tem superavit.


Então não adianta fazer superavit primário?
Foi uma boa ideia no início. Mas hoje cria erros, porque tem gente no país que acha que há superavit, quando na verdade o que se tem é um deficit de cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto.


Se não é possível alcançar crescimento e combater a inflação ao mesmo tempo, o que o governo deve priorizar?
Neste momento, a redução da inflação. Senão o crescimento futuro vai ser menor: o governo terá de aumentar ainda mais os juros, vai ter que mexer ainda mais na taxa de câmbio e vai ter que limitar mais ainda os investimentos em infraestrutura.


O governo aposta em medidas para conter o crédito para ajudar a controlar a inflação sem abater o crescimento.
Pode ter impacto, mas não vai ser suficiente para evitar uma ação maior na área fiscal. E, veja bem, quando falamos de uma diferença entre o crescimento produzido com a política que estou descrevendo e o da política atual, não falo de algo grande.


De quanto?
Estamos falando de 3,5% de crescimento em vez dos 4,5% que o ministro Guido Mantega está prevendo. Temos outro problema, que é a falta de investimento dentro do país. O país não tem como crescer sem aumentar o investimento para tratar problemas de infraestrutura.


O sr. defende o sacrifício de parte do crescimento agora?
É um dilema. O fato é que vai haver uma taxa [de crescimento] maior fazendo as políticas necessárias agora do que postergar para ver o que poderá acontecer.


Por que o Brasil tem juros mais elevados que países com situação fiscal pior?
Está ligado à possibilidade de o país não continuar as políticas de longo prazo, com a tentação de gastar mais. Como consequência, o país ficou com taxa de juros alta. Com uma política em que o esforço fiscal entra como elemento forte, os juros no país ficam iguais aos dos outros.


Que gastos devem ser preferencialmente observados?
O deficit na Previdência. O governo precisa reduzir o volume de dinheiro que está gastando. O principal é a correção automática das aposentadorias com o salário mínimo. Isso vai criar problemas no ano que vem, porque vai haver um aumento superior a 12% do salário mínimo.

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+31 comentários

Caro Nassif,

Creio que vc se enganhou de pessoa. O Albert Fishlow é o maior dos brasilianistas. Seus trabalhos sobre distribuição de renda no Brasil e história econômica brasileira são clássicos e respeitados em todo o mundo. Olhe só um pouco de sua produção: http://scholar.google.com.br/scholar?q=fishlow+brazil&hl=pt-BR&btnG=Pesquisar&lr=

 

Que pena que vc, tão conhecedor da história econômica brasileira, não tenha as contribuições de Fishlow. Ainda há tempo.

 

 

Você está falando do Fishlow dos anos 70. Eu me refiro ao dos anos 90 em diante. Você fala do economista que se especializou em distribuição de renda. Eu critico o que se aventurou a traçar cenários sem conhecer o tema.

 

Gostaria de saber de onde saíram essas informações bizarras sobre o Fishlow.

O homem acertou a previsão de crescimento para 1999 (0%, previsão feita ainda em 98).

Ele criticou veementemente o Barros de Castro (então presidente do BNDES), que garantia que o Real iria se desvalorizar lentamente. Fishlow defendia que o real continuasse valorizado (pode-se concordar ou discodar, claro), mas disse com todas as letras que as incertezas sobre a economia eram grandes demais e não era possível evitar o pânico sobre a moeda.

De onde saíram essas invenções sobre o Fishlow?? Isso é calúnia pura! O objetivo deste blog é difamar adversários intelectuais?

 

Prezado Nassif

Uma informação : Eu provavelmente sou o único Brasileiro que tem  quase 30 páginas de comments no Blog The Economist e todos somando  aproximadamente 5.000 (cinco mil!) recomendações de Leituras !. Agora se uns "Palhaços" acham que o The Economist é porcaria ....., nada podera ser discutido!.

 

  E...?

 

Edu

Quando não se tem argumento , fala-se estultismos !. Não seja palhaço de Blog   .A propósito , aponta os erros de  inglês do meu texto que tanto o 'ESCANDALIZOU" !.

Agora é claro que esta tentativa de "babação" da Dilma é inócua !. E também é óbvio que  a economia brasileira é totalmente atrelada aos interesses internacionais . E é de uma "Palhaçada" ufanística única querer  contestar aqueles que realmente definem o futuro econômico do País (veja o câmbio). E o cara (O Fishlow!) tem razão : para que gastar tempo com os "Eduidiotas Tupiniquins  da vida" ?-Um monte de Irrelevantes que só falam porcaria em fóruns internacionais !-Os famosos Lords do profesor Nicoledis !. Ainda me lembro da idiotia intelectual econômica profunda da época do Governo Lula sobre a depreciação do Dólar frente ao Real , entendida bizarramente e asininamente  como um sinal  de fortalecimento econômico  do País , e sucesso debitado unicamente   ao PT e e Aliados-Tudo Palhaçada e enrolação ! . E agora , o que os "Eduidiotas"  tem a falar ?. E a desvalorização da Petrobrás ?.E o Prosub e FX-2  que foram para o "ralo" ?. E os "esquemões" financeiros da Copa e Olimpíada ?.

Penso que o FHc II foi um desastre !. Mas o LulaI & Lula II , apesar do "Franciscanismo" (muitas das vezes falso  -Olha o Mensalão!) , corroborou o velho dito de que o inferno está cheio de "Espertos"  e bem -intencionados . E o Brasil pode estar  adentrando nos "Quintos  dos..."-tomara que não! . E tudo por causa da má gestão e corrupção no trato das  dívidas dos Municípios , Entes Federativos (Estados) , Setor Privado e o próprio Governo Central Brasileiro .

A propósito, se a atual proposta  da repartição dos Royalties do Petróleo não for aprovada na íntegra , como proposta pelo Senador Ilbysen , a Federação Republicana Brasileira pode estar dando os primeiros pasos para a Goulartização Plena  do Governo da Presidenta Dilma.Esta é a minha triste  previsão política , como comentarista do Blog . E certamente o Governador Alckmin de SP deve apoiar o novo lema " O Petróleo sempre foi e será de todos os Brasileiros" .( e não de uns poucos Estados bem aquinhoadas de longa data , neste Tristes Trópicos !).

 

sei, a desvalorização das açoes da Petrobras não tem nada haver com a crise dos subprimes americanos, é tudo em função das trapalhadas tupiniquins.

 

Este Sr. é americano.

Defende os interesses americanos.

Quando provocado a comentar sobre o deficit fiscal americano foi sempre evasivo.

É a forma americana de impor o lema: "Façam o que eu digo. Não façam o que eu faço."

E a nossa imprensa é incapaz de analisar criticamente o que estes Srs. realmente querem.

 

 

Boa Nassif! Muito boa! O brasilianista escreve e fala sobre economia brasileira ao sabor dos ventos. Talvez alguma coisa um dia cole...

E como bem escreveu o Ivan acima, o cara escreve e fala sob medida!!!

 

O Sistema Político (Internacionalmente PARECIDO, com eleições a cada 4 anos, dominadas pelo PODER dos Grupos Financeiros em COMPRAR a eleição de seus representantes) faz tbém com que os braços MIDIÁTICOS desses Grupos nos apresentem discussões "sérias" sobre economia, para concluírem (e "concluirmos") que sua pauta É ACEITÁVEL e factível como a melhor "solução" para nossos "problemas"...

Empreste dinheiro (muiiito) a juros (exorbitantes?), consuma muito (principalmente das indústrias que os banqueiros são os principais acionistas), não pague a dívida, quebre um país e depois se aproprie do mesmo através das privatizações "necessárias" .

É a Cartilha Neoliberal, RESUMIDA.

Srs. !!!

A Raiz do problema está no SISTEMA POLÍTICO...

Temos que QUEBRAR essa relação UMBELICAL entre os "políticos" e os Grupos Financeiros !!!!!!!

Se "político" é FUNCIONÁRIO PÚBLICO, temos que selecioná-los MUITO MELHOR e torná-los NÃO DEPENDENTES dos Grupos Financeiros !!!

Simples !! E fácil de fazer...Basta o POVO EXIGIR isto !! Mas alguém tem que esclarecer isso ao POVO...

Att.

Martin

 

Na área de energia tem um gajo deste... Será que alguém sabe de quem falo?

 

Nassif,

Temos hoje uma situação confusa sobre quais diretrizes econômicas devem ser adotadas e de como se comportará nossa economia.

Gostaria de saber como você vê o nosso momento econômico, sua avaliação e analise sobre a economia brasileira.

Um abraço

 

Entao a falha foi procurar alguem que defende a agenda neoliberal que ela, falha, justifica e empurra goela abaixo dos brasileiros ha 30 anos...  Novidade nao eh.

A materia a respeito dos "cortes de gastos" drasticos ja estava pronta ha 30 anos atraz, so muda a cara do dork dando a entrevista.

Nao eh entrevista com individuo, eh agenda da media.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Ô Ivan, você que mora aí nos Estates, poderia mandar um desses brasilianistas "go loock if I'm in the corner, please", por mim ?

 

Juliano Santos

Looonge de mim uma classe dessas, Juliano!!!

Eu mando eh fuck off mesmo...

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

"Nao eh entrevista com individuo, eh agenda da media."

Pefeito!

 

Fishlow é mais um avatar criado para defender as teses que interessam ao capital.

 

Prezado Nassif

Ainda acho que o problema brasileiro é de forte viés cultural :

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Oct 9th 2010 8:22 GMT

Dear Sir of The Economist
The structural debt can be reduced significantly ONLY if there is a world political desire for that .Presently, huge debts are powered and enforced in others developing governments by central countries in order to satisfy corporated investors in the Stock Market -Just politics and nothing with Economics Sciences protocols !.For instance if you consult the brilliant Panel of The economist "The clock debt" you see that :
United Kingdom :
Public debt : U$ 1.647.063.013.699 ; Public debt as % of : 74.8%.
Brazil :
Public debt : U$ 1.135.693.150,685
Public debt as of GDP : 59.3%
Of course that there is Liar deification of LULA as a new Brazilian “MAO" as much FHC have been nastly deified as "The Prince of Maquiavel " through the Success of the REAL PLAN of the Itamar Franco Government !.What the country really needs is to curb the corruption at the higher top office governments and well paid public officers -specially those responsible by the account reports on public spending ( The so called Tribunais de Contas da União , Estados e Municípios) ; from the President of Republic cabinet to University Professors . Brazil economics problems surely belong to the sphere of justice -just account on Tribunals those culprits! , like it is done routineously in UK.Do that : the Country will be shinning in less than a decade

 

Com todo respeito MathPhysics, you need to learn how to write in english!

 

"Debelar a inflação e manter o crescimento são desejos inconciliáveis".

Portanto, para esse sr. Fishlow os 8 anos do governo Lula não existiram.

A Folha amplifica as "análises" do sr. Fishlow para minar a economia brasileira pelo aspecto psicológico.

 

o blefe,deu entrevista para o blefe....as duas coisas não valem nada(fishlow e fsp).

reinaldo carletti

 

Mas Nassif,

como voce mesmo mostrou pra todo mundo, a imprensa nao esta interessada se a analise eh correta ou nao.

Pra eles basta que a analise tenha o resultado que eles querem, que eles publicam.

E eh bem o caso dessa materia, neh

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

 

Os intelectuais farsantesPosted on 30/06/2011


Bernard-Henri Lévy

Por Emir Sader.

Foi publicado na França este mês, mas poderia ter sido no Brasil. Os intelectuais farsantes – O triunfo midiático dos especialistas em mentira, do diretor do Instituto de Relações Internacionais e estratégicas e professor da Universidade de Paris VIII, Pascal Boniface, o livro retrata o tipo de “intelectual midiático” que prolifera pelo mundo afora e do qual nem a França, nem o Brasil ficaram excluídos.

A preocupação central dele não é com os que fazem análises equivocadas, mas com os que mentem deliberadamente para ganhar espaços midiáticos, a partir do qual se projetam como supostos “intelectuais” e ganham suposta “autoridade” para opinar sobre qualquer coisa. “São farsantes que fabricam a falsa moeda intelectual para garantir seu triunfo sobre o mercado da convicção”.

Como o fim justifica os meios, “a fronteira entre farsantes e mercenários não é clara”. Os que circulam pelas páginas econômicas articulam suas “verdades” com assessorias a setores empresariais. É um negocio redondo: publicam “preocupações” de empresas privadas – na verdade, seus “interesses” – depois de ter feito palestras e ouvido suas opiniões, de forma remunerada. Faz parte tácita do contrato, artigos defendendo os pontos de vista desses setores empresariais, como se fosse uma interpretação sobre os destinos e dilemas da economia do país.

Na primeira parte do livro, Boniface analisa o fenômeno e destaca alguns dos temas prioritários, como a defesa do Ocidente como defesa da democracia, Israel como ilha de civilização cercada de regimes totalitários que o querem destruir, o conceito de “islamofascismo”, o pânico do Islã.

Na segunda parte, ele analisa alguns personagens conspícuos, similares aos que temos no Brasil. O caso mais conhecido é o de Bernard-Henri Lévy: BLH é certamente o próprio modelo do farsante, o “mestre absoluto”, alguém que construiu sua carreira “manejando sem vergonha a mentira”.

Aqui nós conhecemos seus nomes ou pelo menos topamos em algum momento com suas caras, se zapeamos ao acaso pela televisão. Todos cabem na definição de Boniface, com suas carreiras perfeitamente enquadradas no conceito de “intelectual farsante”. (Um deles chegou até à Academia Brasileira de Letras.)

São exatamente o contrário do intelectual da esfera pública, aquele voltado para os grandes temas de interesse nacional e popular, oposto aos donos do poder, com abordagem alternativa e com linguagem acessível a todos.

http://boitempoeditorial.wordpress.com/2011/06/30/os-intelectuais-farsantes/

 

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

É, olhando para a foto desse intelectual farsante francês, me lembro de como a mídia usa e abusa da imagem nas suas artimanhas ilusionistas.

O sujeito tem uma estampa que engana mesmo. Parece um filósofo francês brilhante e revolucionário. Uma capa e tanto para uma espécie de "Vogue para intelectuais"

Imaginou o Demetrio Magnolli com uma estampa dessa, invés daquela cara de cavalo bobo? Aí sim o governo poderia se preocupar um pouco

 

Juliano Santos

Pra mim economista tem a mesma credibilidade dos astrólogos.

 

Arte é Luz - União e Olho Vivo

Nassif, esse e mais um dos especialistas do PIG, fala irrefletidamente e como esses "colonistas" devemos desconfiar a que interesses eles servem.

 

Nassif, veja que beleza...

O título do documento original de 180 páginas é "CANDIDADO + DINHEIRO + MÍDIA = VOTO"

A matéria original no Gawker: http://gawker.com/5814150/roger-ailes-secret-nixon+era-blueprint-for-fox...

O documento na íntegra está aqui: http://gawkernet.com/ailesfiles/ailesfiles.html

A matéria da Folha:

01/07/2011 - 23h14

Fox News foi um projeto secreto da era Nixon, revela site dos EUA

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DE SÃO PAULO

A emissora de TV americana Fox News --conhecida pela posição abertamente conservadora--, criada em 1996 pelo estrategista de mídia republicano Roger Ailes como um ponto de vista "juto e equilibrado", já havia sido prevista na década de 70 como uma forma de transmitir matérias "pró-governo", revela o Gawker, um site de notícias sobre mídia dos EUA.

Leia a reportagem do Gawker, em inglês

Uma pesquisa encontrou o documento entitulado "Um Plano para colocar o Partido Republicano no noticiário de TV" na Biblioteca Presidencial Richard Nixon.

O memorando faz parte de uma seção com 318 páginas que detalha os esforços de Ailes, considerado um intelectual republicano, junto às administrações de Nixon e de Bush "pai", o ex-presidente George H.W. Bush.

Contratado como consultor, ele ofereceu conselhos e expertise aos dois líderes, nos anos 70 e 90.

De acordo com o Gawker, os arquivos --que incluem notas escritas à mão-- mostram Ailes como um mago da propaganda republicana e um "incansável produtor de TV" que levava em consideração detalhes como a árvore de Natal da Casa Branca. Para ele, a televisão tinha um caráter decisivo na construção da narrativa política, diz o site.

"Ele frequentemente lançava ideias sobre a realização de eventos fabricados e estratégias para manipular a grande mídia para coberturas favoráveis, e usava seus contatos nas emissoras para evitar a ocorrência de narrativas ameaçadoras", afirma o Gawker.

Ailes chegou a montar a Television News Incorporated (TVN) no início da década de 70 como uma emissora abertamente republicana, que, embora tenha durado menos de cinco anos, serviu de embrião para o que anos mais tarde seria a Fox News.

 

CDM (Sábado, 02/07/2011 às 10:36),
Importantíssima essa sua chamada ainda que ela esteja um tanto deslocada neste post "O blefe Albert Fishlow" de sábado, 02/07/2011 às 10:09. Não sei se já virou post, mas vou chamar atenção dela junto a um post mais atual.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 03/07/2011

 

Sempre tive a mesma percepção desse brasilianista ""dmócrata"", que circula há pelo menos trinta anos no circutio de palestras com esse discurso inocuo, sem conteudo, meras perfumarias sobre situações que ele sempre flexibiliza ao máximo para poder reajustar suas afirmações logo à frente. Não tem uma linha ideologica, de teoria economica, de visão historica, dança ao vento,  de sua cabeça nada de novo, criativo ou perceptivo se extrairá. Não é o unico blefe, é apenas dos mais conhecidos.

 

Andre Araujo (sábado, 02/07/2011 às 10:34),

Nunca dei nada pelo Albert Fishlow. Como não sou economista até que não importava muito com o que ele dizia, mas como ele recomendava muita política para a atividade econômica eu ficava muito ressabiado com isso porque os economistas sempre trabalham com tudo mais permanecendo constante e na política tudo está em constante movimento. Além disso, ele elogiou o Plano Real desde o início. E desde o início eu era contra o Plano Real, pois previa pelo que dizia a experiência aqui no Brasil e acolá que toda vez que se acaba com a inflação de uma vez você destrói o Balanço de Pagamentos e só os cabeças de planilhas não viam isso.

Então eu não precisava nem mesmo vir aqui neste post "O blefe Albert Fishlow" de sábado, 02/07/2011 às 10:09, mas Luis Nassif falou tão mal do Albert Fishlow sem dizer o que ele dissera que eu resolvi acessar o post para ver o que de tão impróprio Albert Fishloww teria dito.

E eis que eu leio a primeira declaração dele na entrevista à Folha de S.Paulo com o título "Fishlow defende corte de gastos de verdade" de 02/07/2011. Diz ele lá:

"Quando se têm dois objetivos na economia e apenas um instrumento, não funciona. São necessários dois instrumentos. O instrumento principal - utilizado há muitos anos - é a política monetária [ajuste da taxa de juros]. O que está faltando é a política fiscal."

E não é que eu acho que ele tem razão. Afinal ele está pedindo para o Brasil aumentar a receita e eu concordo que essa é a política correta.

O que eu não concordo muito é dizer que a política monetária (Basicamente a taxa de juros) é o instrumento único para alcançar o objetivo de combate à inflação. Não é bem isso, o tributo só existe no Estado Democrático de Direito porque há inflação. Se o governo inflasse a economia de dinheiro, mas os preços não subissem, não haveria necessidade de tributo no Estado Democrático de Direito. O que significa que, na sua origem, a finalidade do tributo é combater a inflação (No Estado Democrático de Direito).

Então a receita pública no Estado Democrático de Direito tem como finalidade impedir inflação. E tem também a finalidade de aumentar o desenvolvimento econômico. Assim como o juro, pois com ele o Estado consegue mais recursos para fazer os investimentos necessários para que o país tenha melhores condições de crescimento.

São dois instrumentos: juro e aumento de receita e dois objetivos: manter baixa a inflação e aumentar o crescimento econômico e os dois instrumentos se interagindo.

Aliás, uma curiosidade importante: há ainda um terceiro instrumento para reduzir inflação e aumentar o crescimento: a própria inflação.

Inflacionar o mercado, isto é, aumentar a quantidade de dinheiro na economia produz aumento de preço e esse aumento de preço reduz a demanda (Epa! Epa! Epa! Já li sobre essa idéia de redução da demanda quando se tem um texto de economistas de alto coturno que defende o aumento de poupança!) e assim há o combate a inflação. E inflacionar o mercado de dinheiro para construções de estradas, de rede de saneamento, de transmissão de energia, também tem como efeito taxas mais robustas de crescimento econômico. São três instrumentos para só dois objetivos. É uma luta desigual em que o Estado, quando quer, ganha.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 02/07/2011

 

Caro André, estes especialistas sempre ficam com aquele discurso de enrolação quente, de olho na audiência para ver se o que falam está agradando, não sai disto nunca, não defendem nada que valha a pena acreditar, é como os seminários que tenho frequentado por estes dias, falam dos problemas (taxa de juros, câmbio, tributos, guerra fiscal, royalties,...) e não propõe nada, fica difícil tomar partido, mesmo porque, as reformas são necessárias pelo próprio dinamismo da sociedade, que se renova a cada segundo.

No meu ponto de vista, a única unanimidade que se conseguiria no Brasil seria por um dinheiro novo, um que fosse a favor do povo e da nação e não servil ao capitalismo internacional e aos rentistas que nos exploram até a alma. Mas este nenhuma mídia sensata, que queira continuar existindo, irá sequer mencionar, quanto mais defender.

O Povo Unido Jamais Será Vencido.

 

Follow the money, follow the power.