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O Coletivo Corrente Cultural, de Poços

Tenho um timeline "nassif", no Twitter.

Ontem foi invadido por comentários entusiasmados de uma rapaziada, com frases tipo "nada será como antes", mencionando Tetê Nassif - querida sobrinha de Poços de Caldas, que trabalha com a mãe, Tereza Mesquita, em uma das mais formidáveis experiências educacionais do interior: a Escola Criativa Idade, que já mereceu duas teses na UFMG e elogios entusiasmados de Paulo Freire.

Junto com um grupo de artistas independentes de Poços, Tetê montou o Coletivo Corrente Cultural (clique aqui), mapeando os artistas e montando eventos. Os fundadores do coletivo foram Pedro Cezar, Diego Ávila, PC Belchior e Natássia Meirelles

Aí vai a apresentação do projeto. Vale a pena fuçar no site para entender sua riqueza. Estão trabalhando, na ponta, para a criação de uma economia da cultura, de fato.

Sobre o coletivo

O Corrente Cultural é um núcleo de produção independente sem fins lucrativos voltado para o desenvolvimento da cena artística sul-mineira. Sediado em Poços de Caldas, MG, pólo pouco reconhecido da produção autoral do estado, este espaço de atividades coletivas visa criar um maior diálogo entre todos os níveis da cadeia produtiva local (artistas, público, casas de espetáculos), bem como buscar parcerias com os setores público e privado. Além disso, o coletivo agrega profissionais de diversas áreas afins como jornalistas, designers, fotógrafos e técnicos especialistas. 

A iniciativa está em caráter experimental e em sua primeira fase de atuação, o trabalho com a Música está em primeiro plano, devido a uma certa urgência observada pelos agentes envolvidos com esta área. Fomentar a criação, democratizar a informação e renovar a interação "música x ouvinte", são medidas fundamentais para o processo de evolução do cenário independente poçoscaldense, e da região.

E aqui o manifesto:

Elo: Tetê Nassif

Pensar em um grande festival de música independente logo nos remete ao cenário das grandes cidades. Mas, surpreendam-se! Aconteceu em Poços de Caldas! 
O Festival #VaiSuldeMinas apareceu como um grito de incentivo a todos que produzem música independente na cidade e com certeza mudou e fez história!

Vencedora do Festival #Manancial de Música Estudantil, a banda Danateia Rock fez a abertura das apresentações neste domingo na Praça do Museu mostrando que mereceu a vaga garantida para este festival.  Breno (vocal) desabafou: “É o que faltava na cidade como incentivo pras bandas produzirem suas próprias músicas”.

Logo depois, a banda Psicose entrou. E como o próprio nome já diz tudo, a banda mandou seu recado de um jeito irreverente e muito performático com a vocalista Cláudia que soltou os cabelos e agitou! “Um evento deste porte demonstra o quanto acreditam na música própria”, disse Stéferson (baixista).

Homens bem vestidos, engravatados... Filme antigo? Não, foi a galera do Havannaarrebentando num show fantástico e de muita elegância! Rock de ótima qualidade que agitou a galera! “O Coletivo, através deste Festival, dá o gás para a música autoral”.

Os Ilhonas (Taubaté-SP) subiram no palco e arrebentaram! Segundo Toni Matos (voz e violão), a cidade deles fica devendo este incentivo e estímulo para as bandas independentes e elogiou a iniciativa do Coletivo.

Babi Jaques e Os Sicilianos (Recife-PE) entraram no palco no clima de “O Poderoso Chefão” sem deixar o calor do frevo de lado! E mais poderosa que a garra desta banda não existe: saíram da capital pernambucana com seis meses de formação e caíram na estrada, viajando pra divulgar sua música. Literalmente seguiram as palavras de Milton Nascimento, “com a roupa encharcada e a alma repleta de chão, todo o artista tem de ir aonde o povo está”.

“Agora aguenta, vai rolar um som pesado” (Zeca Baleiro na música Heavy Metal do Senhor). A banda Souls for Sale arrebentou com um som bem pesado e de muita qualidade. Agitou a galera que soltou seus bichos dançando alucinadamente!

Para fechar com chave de ouro, nada melhor do que a banda K2. Na estrada há mais de doze anos, foi a banda precursora deste movimento de coletivização em prol da música independente na cidade. “Todas as bandas convidadas elogiaram a iniciativa e o que é melhor, as bandas querem se mostrar do melhor jeito porque estão apresentando algo que é seu”, disse Douglas (bateria).

Um Festival como este mostra o quanto a cidade tem potencial nesta cena da música independente. E o quanto o sonho coletivo e cooperativo faz muito mais sentido do que um sonho individualizado e competitivo.

O Coletivo Corrente Cultural mais uma vez fez e faz história na cidade!
“Tenho comigo as lembranças do que eu era” (Bailes da vida, música de Milton Nascimento) porque certamente, depois deste festival, ninguém será o mesmo! Nenhuma banda será a mesma!

Tenho muito orgulho em fazer parte deste movimento!

A Cobertura #VSM ainda prepara o seu 5º e último Ato trazendo tudo sobre a mega oficina de quatro dias, "AudioVisual nas Novas Mídias", e a reunião explicativa "O que é o Corrente Cultural". Fim de ano com informe & ações, valorizando sua cultura, só no site do Corrente Cultural! Fique aqui!

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Muito bacana o pessoal do Corrente Cultural.

Novos movimentos culturais vem surgindo em Poços, o Cultura de Poços éum deles também...

www.culturadepocos.com

 

 

 

O Coletivo Corrente Cultural é pra todos nós! Gosto de pensar nele como uma grande mesa de café da tarde com lugar pra todo mundo que estiver descalço.

Abraços, e que coisa boa ler isso aqui Luis!

 

Maior do que o orgulho de ver isso acontecendo na nossa "terrinha" (Poços de Caldas) é o orgulho de ver os objetivos do projeto e ser amigo dos idealizadores, que não só idealizaram, como botaram a mão na massa e fizeram acontecer.

O importante é ressaltar que independente de onde seja, projetos assim são inspiradores e espero que floresçam em outros lugares do mundo, sempre priorizando o talento e evitando o êxodo e perda de artistas nesse meio concorrido e injusto do ponto de vista financeiro. Vamos acabar com o "quem tem $, aparece", e valorizar o verdadeiro artista.

Um abraço a todos e fica registrado aqui o meu apoio!

Parabéns!

 

o próximo evento não perderemos de jeito nenhum. Poços sempre transpirou isso.

 

 

Nassif:

 

Visitei o sítio do Coletivo Corrente Cultural, pela primeira vez, em 27 de outubro último. Fui atrás de notícias sobre o Noite Independente e a apresentação da Babi Jaques e os Sicilianos, uma banda pernambucana. Aí vi que a Moe e os Independentes Químicos abririam o show e que este seria ilustrado com textos de Victor Negri e desenhos da artista plástica Tetê Nassif. Achei interessante a proposta de apresentação destas obras - penduradas em um varal. Lembrou-me o cordel nordestino. E aí pensei: penso que esta artista plástica (Tetê Nassif) é parente do jornalista Luis Nassif. Salvo engano, você estava em Poços naquele final de semana que antecedeu à Noite Independente, realizada numa segunda-feira. Não há dúvida de que o Coletivo Corrente Cultural é um projeto de grande importância.

 

Martim Assueros

O Coltetivo foi uma iniciativa de PC Belchior, Pedro Cezar, Diego Ávila e Natássia Meirelles. Hoje conta comigo e mais de 70 artistas na cidade! É um orgulho imenso fazer parte desta nova história!

 

Você ressaltou que o coletivo também está voltado para a região. Acho isso muito importante, quanto mais abrangente geograficamente, melhor será. Até porque, naquela região existem grandes artistas desconhecidos.

 

Cafezá, tudo bem? Você ressaltou uma característica interessante que é o fato de direcionarmos as atividades para a nossa cidade e região. Isto é um princípio do coletivo: fortalecer a cadeia produtiva da cultura local. Temos diversos artistas excelentes que não tem meios de escoar a produção e acabam abandonando a cidade, ou abandonam a obra que iniciaram - cansamos de ver isso acontecendo aqui. Então, trabalhando numa perspectiva de "um passo de cada vez" estamos conseguindo resultados muito positivos no que diz respeito a criação de espaço e capacitação destes artistas. Esta capacitação se dá através do auto-questionamento, em debates, e da partilha de conhecimentos individuais, formando um know-how coletivo. Tá bem bacana!

A cidade tem um potencial muito grande, mas ainda peca em pontos básicos, como a falta de autonomia do setor responsável - a Divisão de Cultura é um departamento da Secretaria de Turismo, o que na maioria das vezes impede um funcionamento eficiente. Mas longe de assumir a postura de "reclamão", estamos metendo a mão na massa e buscando parcerias, montando projetos que seguem diretrizes sugeridas pelos próprios artistas e profissionais envolvidos. Em janeiro completamos 1 ano de atividades e muita coisa já foi feita.

Muitos dos conceitos de economia solidária e troca de tecnologia - o que possibilitou uma velocidade maior na nossa construção - foram (e são) aprendidos com o pessoal do Fora do Eixo, rede nacional de coletivos do qual somos ponto parceiro. Assim, podemos pensar em diversos patamares, nacional e estadual, mas garantindo as características e atendendo demandas da população do município.

Abração.