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O debate Pondé-Nicolelis na Flip

Nassif:

Este “duelo” entre a água e o vinho deve ter sido um espetáculo, ainda por cima naquela beleza que é Parati.

Do iG

Debate na Flip contrapõe ceticismo filosófico com ciência

'O que humaniza o ser humano é o fracasso', disse Luiz Felipe Pondé, em conversa com o neurocientista Miguel Nicolelis

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura | 07/07/2011 23:22

Para o neurocientista Miguel Nicolelis, uma possibilidade. Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, um risco. A última mesa da quinta-feira (dia 7) da Flip 2011 teve duas performances inspiradas e um público pronto a responder com palmas ou risadas às muitas frases de impacto.

Performances enriquecidas pela oposição entre o ceticismo radical de Pondé – "o que caracteriza o ser humano é o sofrimento" – e a crença no poder da ciência de Nicolelis – "estamos próximos do instante em que o cérebro primata vai se libertar dos limites físicos do corpo". Ponto para a curadoria, que além de acertar na escolha dos nomes, reservou o horário mais nobre do dia para o encontro.

Nicolelis começou sua apresentação – cheia de recursos audiovisuais – descrevendo o cérebro como "prisioneiro desse corpo de primata que tem ações limitadas" e suas pesquisam que buscam tornar o cérebro capaz de comandar máquinas robóticas.

Proeza que pode significar a recuperação dos movimentos para pacientes com lesão medular. A meta, afirmou, é fazer a primeira demonstração pública de uma prótese de corpo inteiro, comandada por uma criança paraplégica, na Copa de 2014 – "um gol da ciência brasileira".

A voz embargada e o conteúdo do anúncio – em tom de promessa – fizeram o público entusiasmar-se. Não à toa, a ótima mediadora, a jornalista Laura Greenhalgh, em sua próxima intervenção, questionou-o sobre o uso que faz de imagens religiosas para explicar conceitos científicos. Nicolelis defendeu o uso, por conta de sua eficácia na transmissão de conhecimentos complexos para leigos.

Ciência versus religião

O que para Nicolelis conduz a uma vida melhor, para Pondé significa um perigo. A necessidade do ser humano de ir além de si mesmo, explicou o professor de ciências da religião, casa-se com os projetos de uma engenharia político-social que, em última instância, tem muito a ver com eugenia.

Baseado no pensamento do filósofo alemão contemporâneo Peter Sloterdijk de que a eugenia – na forma da busca contínua do ser humano de se superar e diminuir seu sofrimento – está no cerne do pensamento científico e filosófico ocidental, Pondé alertou: "os cérebros podem ser enormes máquinas de produção de crenças monstruosas".

Em algo, no entanto, o cético e o otimista concordam: a ciência nunca será capaz de criar máquinas com consciência humana.

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Aqui o áudio do debate ocorrido na Flip

Áudio (Embed)

 

 

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"Nesse admirável mundo novo, centrado apenas no poder dos relâmpagos cerebrais, nossas habilidades motoras, perceptuais e cognitivas se estenderão ao ponto em que pensamentos humanos poderão ser traduzidos eficiente e acuradamente em comandos motores capazes de controlar tanto a precisa operação de uma nanoferramenta como manobras complexas de um sofisticado robô industrial."

"Nesse futuro, enquanto sentado na varanda de sua casa de praia, de frente para seu oceano favorito, você um dia poderá conversar com uma multidão de pessoas, fisicamente localizadas em qualquer parte do planeta, por meio de uma nova versão da internet (a “brainet”) sem a necessidade de digitar ou pronunciar uma única palavra. Nenhuma contração muscular envolvida. Somente por meio de seu pensamento."
________________________________________

Este cenário futuro vai acentuar tremendamente e a nível global, a já grande dicotomia entre corpo e mente e a perda da individualidade, em prol de uma coletividade altamente invasiva, massificadora,  controladora e onipresente.

E ninguém conseguirá viver sem estar inserido nesta "brainet", o celular é só um,  muito pálido, vislumbre do que está por vir...

Será o futuro da  humanidade ser um grande formigueiro cerebral? com todos conectados a todos em um ambiente extremamente, desequilibradamente, mental? Será um ser humano empobrecido em sua complexidade, embora com o aspecto mental extremamente fortalecido, talvez o fim do Homo Sapiens e começo do "Homo cerebrus", raça cabeçuda, grandes cabeças em cima de corpos raquiticos...

As formigas são seres cabeçudos, altamente organizados e produtivos, más serão capazes  de criar, ou ao menos comprender, uma canção como esta que canta Atahualpa Yupanqui?

Por Atahualpa Yupanqui

Para cantar bagualas no cuenta la voz,
Sólo se precisa poner en la copla todo el corazón,
No han de ser bagualas mientras haiga sol,
Andando y de noche, rodeado de silencio se canta mejor,
Golpeando las piedras mi buen marchador,
Cómo si marcara mesmo los latidos de mi corazón,
Y en los guardamontes haciendo el tambor,
Con mis lejanías, con mis esperanzas, si habré cantado yo,
Pa cantar bagualas no cuenta la voz,
Sólo se precisa poner en la copla todo el corazón,

Lo qué dentra a la cabeza,
De la cabeza se va,
Lo qué dentra a la cabeza,
De la cabeza se va…
Lo qué dentra al corazón,
Se queda y no se va más…
Lo qué dentra al corazón,
Se queda y no se va más…
Tú quieres saber porqué, tú quieres saber porqué,
Escúchalo bien, escúchalo bien…
Al corazón sólo dentra la pura verdad,
Qué al corazón sólo dentra la pura verdad,
Cuándo tengáis una pena,
Cuándo tengáis un dolor,
Si son cosas verdaderas,
Llegarán al corazón,
Tú quieres saber porqué, tú quieres saber porqué,
Escúchalo bien…, escúchalo bién…, escuchalo bién…
Qué al corazón sólo dentra la pura verdad,
Qué al corazón sólo dentra la pura verdad,
Palabrita ay Dios, la pura verdad…
Palabrita ay Dios, la pura verdad…
Lo qué dentra a la cabeza,
De la cabeza se va,
Lo qué dentra a la cabeza,
De la cabeza se va…
Lo qué dentra al corazón,
Se queda y no se va más…
Palabrita ay Dios, la pura verdad…
Palabrita ay Dios, la pura verdad…

http://www.youtube.com/watch?v=QIyMt1bs1_0

 

O Delírio Digital de Nicolelis: O Brasil alinhado à agenda tecnognóstica internacional

Posted by Wilson Roberto Vieira Ferreira in , , , on Terça-feira, Janeiro 11, 2011A entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo" concedida pelo internacionalmente prestigiado neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis é um flagrante exemplo das principais características da retórica do "delírio digital" que justifica a agenda tecnognóstica atual: o mix de messianismo, exterminismo e transcendentalismo para racionalizar os esforços das neurociências e ciências cognitivas em virtualizar a consciência.
Definitivamente, a pesquisa científica brasileira se alinha à agenda tecnognóstica desse início de século. Miguel Nicolelis, um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio mundial, na última quarta-feira foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, na qual já foi membro Galileu Galilei e tendo como um dos seus atuais membros o físico inglês Stephen Hawking.

Nicolelis é diretor do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (Rio Grande do Norte). Pioneiro nos estudos sobre a interface cérebro-máquina, suas descobertas apareceram na lista das dez tecnologias que devem mudar o mundo, divulgada em 2001 pelo MIT (Massachusets Institute of Technologie) e em 2009 foi o primeiro brasileiro a merecer uma capa da revista Science.
A entrevista concedida por Nicolelis a Alexandre Gonçalves do jornal “O Estado de São Paulo” (para lê-la clique aqui), pode ser considerada extremamente didática. Primeiro, porque, em poucas palavras, consegue resumir a utopia tecnognóstica que orienta a agenda científica das últimas décadas. E, segundo, por ser um ótimo exemplo da retórica dessa utopia que denomino como “delírio digital”: um misto de messianismo, exterminismo e transcendentalismo.
Delírio Digital
Lendo a entrevista, não saia da minha cabeça a lembrança daquele slogan que marcou os primeiros textos messiânicos dos anos 90 sobre as transformações que a tecnologia digital e a Internet trariam para o mundo: “Adapt or You´re Toast”, adapte-se ou você está frito!
O discurso de Nicolelis é dominado por expressões como “novidade explosiva”, “corpo deixar de ser o fator limitante”, “eficácia”, “evolução”, “o que definimos como ser mudará drasticamente”, “seleção natural rápida”, “criamos um sexto sentido”, “a evolução humana vai se acelerar”.
O tom emergencial da retórica de Nocolelis sobre a inevitabilidade evolutiva humana determinada pelos avanços científicos tem um tom evidentemente exterminista: tudo o que é passado é um fator limitante (corpo, linguagem etc.). Deve ser superado num processo de seleção natural acelerado, dessa vez não mais comandado por genes ou processos biológicos, mas, agora, pela vontade do cérebro.
O elemento messiânico da sua retórica revela o elemento místico por trás da racionalidade científica: as ferramentas científicas deixam de ser meras extensões ou potencializadoras das ações do corpo humano. 
Mais do que isso, as ferramentas (exoesqueletos, nanotecnologias, neuroengenharia) transformarão a própria noção de “ser”. Uauuu! O que séculos de filosofia buscaram, agora, de uma só vez, será tudo resolvido e revelado: o problema é a linguagem, estúpido! Como Nicolelis afirma, corpo e linguagem serão eliminados para uma conexão direta entre o cérebro e as máquinas.
Para além dos óbvios problemas filosóficos dessa afirmação (mais abaixo trataremos disso), o messianismo é evidente: descobertas tecnocientíficas levadas a cabo por uma elite do conhecimento anunciam transformações radicais no próprio ser humano. Os dois lados da equação (elite e ser humano) são tomados num sentido abstrato, sem determinação histórica ou política (“ser humano” quem, cara pálida?). Se pesquisadores como o francês Paul Virilio e o canadense Arthur Kroker já demostraram que toda agenda científica ou tecnológica atende, em primeiro lugar, a interesses táticos e bélicos (as aplicações militares do “exoesqueleto” é um exemplo explícito) para, mais tarde, seus subprodutos serem comercializados para a população civil, temos motivos suficientes para desconfiarmos dessa retórica messiânica.
Do exterminismo e messianismo a retórica do “delírio digital” converge para o transcendentalismo. É a revelação do seu conteúdo místico ou tecnognóstico: a necessidade de abandonarmos os nossos corpos. É a concepção do “Pós-humano”, um novo ser que não necessitaria mais do corpo ou da linguagem. A tecnologia criaria um atalho para o espírito transcender como pura “vontade”.
Como Nicolelis afirma:

“criamos um sexto sentido. Vai ser uma novidade explosiva, mas não posso dar mais detalhes, pois o artigo ainda não foi publicado. A internet como conhecemos vai desaparecer. Teremos uma verdadeira rede cerebral. A comunicação não será mediada pela linguagem, que deixará de ser o principal canal de comunicação. Para entender isso, basta pensar que toda linguagem é um comportamento motor – como mexer o braço. Esse comportamento motor também poderá ser decodificado e transmitido. Grandes empresas – como Google, Intel, Microsoft – já tem suas divisões de interface cérebro-máquina.”

Dentro da concepção exterminista, corpo e linguagem são problemáticos. Finitude, existência e limitação definem o corpo; e diferenças de idiomas, incompreensão, entrelinhas e conotações são atributos da linguagem. Tudo isso atrapalham as potencialidades da vontade pura. São “ruídos” que atrapalham a livre manifestação. A vontade é inequívoca, reta. Transcende a torre de babel da linguagem e a falibilidade da carne. Para Nicolelis a Neuroengenharia libertará o homem
não só do corpo mas da torre de babel da linguagem. 
O elemento transcendentalista é evidente na retórica do delírio digital: se Deus puniu o homem com a pluralidade de idiomas (como narra o episódio bíblico da Torre de Babel) para condená-lo à prisão do espírito na incomunicabilidade da linguagem, agora a neuroengenharia vai trazer a solução através do atalho tecnocientífico. Exterminando corpo e linguagem, o potencial do espírito (a Vontade) se libertará.
É claro que esses elementos retóricos do delírio digital são encobertos pelas aplicações médicas imediatas: pesquisas em torno do Mal de Parkinson e os benefícios do exoesqueleto para pessoas com paralisia física. 
A divulgação midiática desses resultados confere uma imagem utilitária e altruísta à neuroengenharia e ciências cognitivas. De certa forma, laicizam (encobre os propósitos místicos ou transcendentalistas) e popularizam uma tecnociência conduzida por uma nova elite (a “classe virtual”, como chama Arthur Krooker).
Mas quem controlará o Hardware?
Depois que as tecnologias digitais decretaram a morte das mídias tradicionais, agora a retórica exterminista decreta o fim da última mídia, o próprio corpo. Esse desejo por virtualização é o que define a ideologia da nova elite, segundo Kroker:

“Isso não tem a ver com ser pró ou anti tecnologia, mas em considerar as consequências da realidade virtual quando tão profundamente se fala na linguagem do exterminismo. Na era da classe virtual, tecnologia digital funciona para desmerecer a experiência corporal, para nos fazer sentir humilhados e inferiores diante da renderização do corpo em diferentes formas eletrônicas, de computadores a televisão no brilho e vampirismo do mundo da propaganda. A atitude em considerar o corpo como um projeto que não deu certo nos conduz a uma cultura dominada por um niilismo suicida” (Kroker, Arthur & Marilouise, Hacking the Future. New York, St. Matin’s Press, 1996, p. 80.)

Se misticamente falando esse discurso é tecnognóstico, politicamente representa um projeto político maior: a endocolonização. Se historicamente a evolução das mídias e da publicidade se basearam na sistematicamente desvalorização do julgamento individual para mais facilmente serem aceitos os conteúdos midiáticos e publicitários, agora temos o estágio final desse movimento: a endocolonização através da desvalorização da experiência corporal individual de tal forma que a mente esteja livre para se integrar a um banco de dados mundial e o monitoramento de fluxos de informações.
Não mais interfaces ou periféricos. O cérebro diretamente integrado e sem resistências.
O Neuromarketing e a Memética de Richard Dawkins já havia iniciado esse movimento de endocolonização por meio do mapeamento dos estímulos neuronais para a eficaz fixação das mensagens de propaganda. Agora, com a neuroengenharia e a busca da interface final (cérebro/máquina, biológico/eletrônico) teremos a possibilidade da quebra da resistência final: o espírito, agora traduzido como “vontade”.
Mas quem controlará o Hardware? O discurso despolitizado de Nicolelis parece ignorar essa questão fundamental. Embora fale em “democratização da ciência”, tranquilamente fala de que Google, Intel e Microsoft possuem seus departamentos de neuroengenharia. Partindo dos fatos históricos envolvendo complexo militar e a tecnociência apontados por Kroker e Virilio, quem controlará o hardware que pavimentará essas infovias onde circularão indivíduos com o seu ego imerso nas redes digitais?
As problematizações sócio-políticas sobre Engenharia social, monitoramento e controle são temas que passam longe dessa retórica messiânica e tecnoutópica.
Onde está a consciência?
Para René Descartes a consciência estava em uma
glândula localizada no cérebroEmbora toda a discussão das ciências cognitivas e neuroengenharia ter ares high tech e de ultra-modernidade, seu pressuposto é cartesiano. Assim como o filósofo francês René Descartes, no século XVII, procurava localizar a consciência (para ele estaria localizado num glândula no cérebro), agora, ao descrever a consciência dentro dos modelos computacionais, procura-se localizá-la no cérebro, desprezando o resto do corpo (para Nicolelis, a única função do corpo será a de manter o cérebro vivo).
Isso vai contra todos os avanços da recente história da Filosofia e da Psicologia.
Por exemplo, a grande contribuição da fenomenologia do francês Merleau-Ponty no século XX foi estabelecer as bases cinestésicas da consciência e da percepção. Partindo de um princípio holístico, corpo e consciência estão relacionados e mutuamente engajados. A própria percepção de si mesmo e do ambiente depende do posicionamento corporal e da sua ação sobre os objetos. Consciência e experiência estão em um mesmo fenômeno e não são excludentes como encara o cogito cartesiano.
De forma regressiva as neurociências retomam a essa concepção cartesiana de consciência como algo que sobrevoa a existência e que, portanto, deve ser libertada por meio de uma intervenção da neuroengenharia.
Portanto, a retórica do celebrado neurocientista brasileiro Nicodelis definitivamente se alinha à agenda tecnognóstica da comunidade científica internacional. Uma agenda marcada pela convergência das neurociências e ciências cognitivas criando uma verdadeira “religião da tecnologia” (a tecnognose) cuja utopia transcendentalista encobre projetos políticos e sociais bem materialistas: engenharia social, controle e monitoramento a partir de verdadeiras cartografias futuras da mente.
Postagens Relacionadas:

 

http://cinegnose.blogspot.com/2011/01/o-delirio-digital-de-nicolelis-o-brasil.html

 

 

 

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No  "admirável mundo novo" nossos cérebros serão transformados em computadores de última geração. As pessoas se comunicarão sem que seja necessário um só clique, a não ser o do pensamento. Nenhuma distância será impecilho para a comunicação.

Para alguns, e de forma equivocada para mim tambem, Nicolélis chegava a ser o homem que, tal como ocorre no Mito da Caverna, de Platão, veio  para libertar os prisioneiros da impossibilidade de ver a luz.
Eu não quero ser libertado. Está ótimo na minha caverna.

Sem nenhum demérito para com Nicolélis, quero é distância desta interface homem x máquina, se bem que não seria de todo um mal se o neurocientista me presenteasse com um chip de gravar sonhos, nada mais que isso, ou seja, somente durante o sono, uma vez que costumo esquecer-me de sonhos quando acordo, agora mesmo acabei de sonhar com Ney Matogrosso cantando, num ensaio para seu novo show. Será que a tecnologia de Nicolelis nos proporcionará esta viagem? Duvidododo que um sistema cartesiano como preconizado por ele(Nicolélis/Máquina) dê espaço para o devaneio. Por isso quero distância, a não ser do chip onírico, esse eu quero, pois através dos sonhos posso vasculhar o mundo sem sair da minha adorável caverna. Deixem-me quieto. Não quero o ´admirável mundo novo` de Nicolélis.
Não quero.
Não quero.
Não quero.
Deixem-me com minha "cabeça de primata".

Afinal de contas, o que nos diz o Mito da Caverna?

Por  Benito Pepe, em seu blog:

A Alegoria da Caverna de Platão - Livro VII da República
Apostilas Filosofia, Artigos 

Esta alegoria, também chamada Mito da Caverna foi escrita por Platão século IV a.C, está contida no livro VII da Republica de Platão. É Leitura imprescindível para todas as pessoas de qualquer área de atuação.
Prefiro usar a palavra “Alegoria” pois penso que demonstra mais claramente o objetivo de Platão. A Palavra mito pode lembrar algo não tão representativo ou até mesmo “mentira” se considerada com o uso contemporâneo, e na realidade se usássemos o Mythos com o sentido ainda remanescente na época de Platão poderia se confundir ainda mais, tendo em vista que o Mythos Grego tinha uma força muito especial na Cultura de então. (para saber mais sobre mythos leia Do mito à Filosofia…). Portanto vamos a Alegoria da Caverna! Mas antes recordemos um pouco quem foi Platão.
Platão viveu em Atenas (427-347 a.C), era de família Nobre, seu nome verdadeiro era Arístocles, mas seus “ombros largos” deram-lhe o apelido que tem o Significado da palavra “Platão”. Ele foi discípulo de Sócrates (considerado por Platão, e por outros, como o homem mais sábio e justo de então). Platão fundou a famosa Academia uma espécie de universidade pioneira dedicada à pesquisa científica e filosófica e um centro de formação política. Desenvolve a Teoria das Idéias onde menciona que o processo do conhecimento se desenvolve por meio da passagem progressiva do Mundo das Sombras e Aparências para o Mundo das Idéias e essências.
Para Platão, somente os filósofos, amantes da verdade, teriam condições de libertar-se da Caverna das ilusões e atingir o mundo luminoso da realidade e sabedoria.
Quando falamos dessa Alegoria podemos destacar alguns pontos que normalmente não são tão bem lembrados. Por exemplo: a questão dos Paradigmas e a questão do “conhecimento”. (veremos isso mais à frente)
Podemos dividir e entender esta alegoria da Caverna em três etapas:
1.1. – o ambiente, o local e a situação em que se encontram as pessoas.
1.2. – a libertação dolorosa e a saída também dolorosa da caverna.
1.3. – o retorno à caverna – a educação – o desejo de repassar o conhecimento deslumbrado.
Outros pontos que podem ser lembrados: o prisioneiro que escapa pode ser Sócrates; quando ele retorna e tenta libertar os outros presos, demonstra o que deve fazer um bom político, um bom governante, ou um bom educador como queiram. Todos esses sentidos estão subjacentes no diálogo.
Vamos agora ler Platão através de seu texto adaptado e narrado por Marilena Chaui. Depois faremos novas considerações.
A Alegoria da Caverna
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam, porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidisse sair da caverna rumo à realidade.
Algumas considerações da Marilena Chaui
O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo a condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense) (?) Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.

Bem, amigo leitor, podemos perceber claramente que a Caverna é o mundo como nós o vemos, muitas vezes com nossos pré-conceitos, paradigmas e dogmatismos, “conhecemos” apenas a “nossa caverna” e achamos que tudo e o todo está contido ali. Imagine um homem de uma tribo no meio da Floresta amazônica que nunca saiu de lá de sua tribo, nunca viu nem assistiu uma Televisão (aliás ele não perdeu nada por isso, muito pelo contrário…) ele só conhece o seu mundo a sua caverna. Nós somos assim quando através de “achismos” e crendices mirabolantes que nos são passadas, acreditamos ser os donos da verdade, e não ouvimos nada e mais ninguém.
Outro paralelo interessante à Alegoria da Caverna é o próprio exemplo da televisão, imagine pessoas que vivem só encarando uma televisão com suas “informações”, novelas e programas de auditório etc. Essa é uma Caverna. É preciso “abrir a mente”, pensar, refletir, questionar, enfim Estudar Filosofia! Não podemos ver sem refletir, não sejamos como os presos da Caverna de Platão, que quando apareceu um “libertador” quiseram o matar."http://www.benitopepe.com.br/2009/03/31/a-alegoria-da-caverna-de-platao-%E2%80%93-livro-vii-da-republica/

 

 

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Belo debate. Reaualiza o grande dilema da era moderna: A questão de se saber aonde se encerram as fronteiras humanas: "Nos confins de sua alma ou nos objetos que produz?. Ou seja, a velha oposição mítica entre o subjetivo e o objetivo. Sobre isso uma pasagem senscional escrita por Walter Benjamim, no texto Ruia de mão única (de 1928):

"Se, como fez uma vez Hillel com a doutrina judaica, se tivesse de enunciar a doutrina dos antigos em toda concisão, em pé sobre uma perna, a sentença teria de dizer: "A Terra pertencerá unicamente àqueles que vivem das forças do cosmos". Nada distingue tanto o homem antigo do moderno quanto sua entrega a uma experiência cósmica que este último mal conhece. O naufrágio dela anuncia-se já no florescimento da astronomia, no começo da Idade Moderna. Kepler, Copérnico, Tycho Brahe certamente não eram movidos unicamente por motivos científicos. Mas, no entanto, há no acentuar exclusivo de uma vinculação ótica com o universo, ao qual a astronomia muito em breve conduziu, um signo precursor daquilo que tinha de vir. O trato antigo com o cosmos cumpria-se de outro modo: na embriaguez. É embriaguez, decerto, a experiência na qual nos asseguramos unicamente do mais próximo e do mais distante, e nunca de um sem o outro. Isso quer dizer, porém, que somente na comunidade o homem pode comunicar em embriaguez com o cosmos. É o ameaçador descaminho dos modernos considerar essa experiência como irrelevante, como descartável, e deixá-la por conta do indivíduo como devaneio místico em belas noites estreladas. Não, ela chega sempre e sempre de novo a seu termo de vencimento, e então povos e gerações lhe escapam tão pouco como se patenteou da maneira mais terrível na última guerra, que foi um ensaio de novos, inauditos esponsais com as potências cósmicas. Massas humanas, gases, forças elétricas foram lançadas ao campo aberto, correntes de alta freqüência atravessaram a paisagem, novos astros ergueram-se no céu, espaço aéreo e profundezas marítimas ferveram de propulsores, e por toda parte cavaram-se poços sacrificiais na Mãe Terra. Essa grande corte feita ao cosmos cumpriu-se pela primeira vez em escala planetária, ou seja, no espírito da técnica. Mas, porque a avidez do lucro da classe dominante pensava resgatar nela sua vontade, a técnica traiu a humanidade e transformou o leito de núpcias em um mar de sangue. Dominação da Natureza, assim ensinam os imperialistas, é o sentido de toda técnica. Quem, porém, confiaria em um mestre-escola que declarasse a dominação das crianças pelos adultos como o sentido da educação? Não é a educação, antes de tudo, a indispensável ordenação da relação entre as gerações e, portanto, se se quer falar de dominação, a dominação das relações entre as gerações, e não das crianças? E assim também a técnica não é dominação da Natureza: é dominação da relação entre Natureza e humanidade. Os homens como espécie estão, decerto, há milênios, no fim de sua evolução; mas a humanidade como espécie está no começo. Para ela organiza-se na técnica como physis na qual seu contato com o cosmos se forma de modo novo e diferente do que em povos e famílias. Basta lembrar a experiência de velocidades, por força das quais a humanidade prepara-se agora para viagens a perder de vista no interior do tempo, para ali deparar com ritmos pelos quais os doentes, como anteriormente em altas montanhas ou em mares do Sul, se fortalecerão. Os Luna Parks são uma pré-forma de sanatórios. O calafrio da genuína experiência cósmica não está ligado àquele minúsculo fragmento de natureza que estamos habituados a denominar "Natureza". Nas noites de aniquilamento da última guerra, sacudiu a estrutura dos membros da humanidade um sentimento que era semelhante à felicidade do epilético. E as revoltas que se seguiram eram o primeiro ensaio de colocar o novo corpo em seu poder. A potência do proletariado é o escalão de medida de seu processo de cura. Se a disciplina deste não o penetra até a medula, nenhum raciocínio pacifista o salvará. O vivente só sobrepuja a vertigem do aniquilamento na embriaguez da procriação." 

Fonte virtual: http://www.culturaebarbarie.org/blog/2009/05/a-caminho-do-planetario-walter.html

 

Bonita escolha de momento! Bonito texto!

 

Embriaguês e êxtase como experiência cósmica tem a ver com Dionísio em oposição ao mundo lógico e perfeito apolíneo, de Apolo:

 

Apolíneo-dionisíaco é uma expressão relativa ao que vem dos deuses: Apolo e Dioniso – expressão popularizada e tratada por Nietzsche como um contraste no livro ‘O nascimento da tragédia”, entre o espírito da ordem, da racionalidade e da harmonia intelectual, representado por Apolo, e o espírito da vontade de viver espontânea e extasiada, representado por Dioniso. Conforme diz Blackburn no verbete apolíneo/dionisíaco.

Um quadro das distinções corriqueiramente apresentadas entre Apolo e Dioniso, embora não retratem “verdadeiramente” suas essências, podem ser descritas da maneira que segue.

Apolo:
Bela Aparência; Sonho; Forma (limite); Princípio de individuação; Resplandecente; Ordem; Serenidade; etc.

Dioniso:
Música; Embriaguez; Uno Primordial (não há forma, sem limite); Indiferenciação; Essência; Desmedida; Domínio Subterrâneo; etc.

O homem constitui um elo com o mundo. Não deveríamos nos afastar dessa realidade que era vivenciada na época antiga. “O Nascimento da tragédia” apresentado por Nietzsche, parece prever o que ocorreria com o homem 1 século depois desse livro ser publicado, hoje o homem evita toda a finitude e a “realidade” que é mostrada na tragédia grega. O homem dos nossos dias não aceita sofrer, não enfrentar a dor, não aceita a angústia, procura afastar-se de “todo mal” através de medicamentos e mais “medicamentos”, foge de tudo e de todos, utiliza-se de um movimento desenfreado, da agitação, das “atividades”, evita a solidão, não dá tempo para si próprio, tem medo do “real;” e o pior é que a “normalidade” da sociedade é uma loucura assustadora. A propósito: Quem é “louco”? Quem é “sano”?

Outra questão está ligada ao conhecimento, há uma diferenciação entre o conhecimento trágico (dos pré-socráticos) e o conhecimento racional (em Sócrates). No “conhecimento” racional valoriza-se a causalidade e o efeito, a causa e efeito não apareciam nos pré-socráticos como aparecem na contemporaneidade, mas eram imanentes, eram intrínsecas à natureza. O conhecimento racional vai se colocar acima da Arte e da Vida, e pior, começa a julgá-las. A partir de Sócrates e de Eurípides a instância mais importante passa a ser o “conhecimento” e não mais a “arte”. Platão depois, vai dizer que a “arte” é apenas uma cópia da cópia (nosso mundo) de um “original” que estaria no mundo das ideias (o mundo supra-sensível).

Com todo esse processo perdemos algo especial que vinha dos gregos originais, entre essas perdas estão o sentido de pertencimento e Valor absoluto da natureza, Conforme comenta Brockelman:

O que perdemos, portanto, foi a habilidade de ver nossa vida como parte de uma ordem e uma realidade mais amplas, para além de nossos transitórios desejos e sonhos diários. Ao ver a natureza e todo o universo como uma “matéria” posta aqui para nossa transformação e uso infinitamente produtivos, reduzimos a realidade a um mero valor extrínseco para nós; ela não é mais vivenciada como intrinsecamente valiosa em si. Por conseqüência, perdemos todo senso de pertencer a um drama e a uma realidade mais vastos e significativos. (2001, p.23)

Abraços do Benito Pepe

http://www.benitopepe.com.br/2009/05/16/o-apolineo-e-o-dionisiaco-%E2%80%93-apolo-e-dioniso-em-nietzsche-a-perda-da-proximidade-com-a-natureza-que-tinha-o-homem-antigo/

 

 

94 (IV)

"Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

(...)

102

- "Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.

1 (V)

"Estas sentenças tais o velho honrado
Vociferando estava, quando abrimos
As asas ao sereno e sossegado
Vento, e do porto amado nos partimos.

 

Lamentável a Flip se prestar a palco dessa nulidade chamada Pondé!

 

Entre o branco e o preto (cores somente, para os patrulheiros de plantão) existe o abismo do nada, o terceiro excluido, o fora de contrato. Ao branco a exultação, a premiação e a bajulação. Ao preto a humilhação, o desprezo e o vilipêndio. Viva o rei e tasca a Geni! 

 

Ops, esqueci do link, aproveito a oportunidade para sugerir ao Nassif uma forma de acharmos as postagens do Brasilianas. E viva a caterse, a imperfeição, os defeitos, este caminhar por linhas tortas. Eu quis dizer catarse. Como se vê, a máquina já se intromete por demais em nossas vidas, de ciborgue tô fora. Leia este texto do CineGnose, mas leiam com atenção, chega de pressa, tive que ficar de cama para atentar  issso

http://www.advivo.com.br/blog/wilson-ferreira/o-delirio-digital-de-nicolelis

 

 

...spin

 

 

"[...] cético e o otimista concordam: a ciência nunca será capaz de criar máquinas com consciência humana."

"Nunca" e' uma palavrinha perigosa. As escalas de tempo com as quais estamos acostumados (decadas, seculos, no maximo milenios) nada sao diante da historia do universo, uns 15 bilhoes de anos. A ciencia moderna, comecando com Galileu, nao tem nem 600 anos.

Pelo que entendi, o filosofo Ponde' afirma, acertadamente para mim, que o fracasso e o sofrimento constituem a tonica da vida tal como a conhecemos. Neste caso, pouco ha' a perder arriscando como sugere o Professor Nicolelis. Temos que atingir outro patamar, que permita de fato ao ser humano chegar perto do estagio divino que alguns intuem. Queremos ser deuses mas nos deparamos com barreiras de todos os tipos. O infinito parece logo ali, mas temos que nos adaptar as contingencias, muitas vezes humilhantes e absurdas.

"We want the world and we want it now" (J. Morrison)

 

 

Engraçado, acabei de ler um texto no qual o autor expressa a mesma visão de Pondé. Trata-se de Wilson Ferreira, editor do blog Cinegnose, nosso colaborador. 

 

 

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Nao cheguei a ler essa "visao" de Ponde mas o link tem um artigo perfeitamente sensacional da primeira aa ultima linha --ate mesmo nos erros-- de autoria do Cinegnose/Wilson!  No entanto, de acordo com o item acima a visao de Wilson nao tem nada a ver com a de Ponde tampouco, e de fato ele nem menciona Ponde.

 

Ivan, aqui o vídeo, uma parte do debate

 

 

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Lendo o texto de um e de outro percebi o seguintes elo: a excessiva fé no homem-ciborgue em contraposição ao homem que sofre, que tem sofrimentos, devaneios, etc.

 

 

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Pondé assumiu uma posição não de ceticismo mais de pessimismo mesmo. Pessimismo "Shopenhauriano". Nesta posição, ele so pode achar a vida  uma mercadoria ruim como aliás, achava Shopenhauer introdutor do pensamento budista na Alemanha. Por este motivo talvez tenha feito esta declaração de que o desejo do ser humano de superar suas amarras naturais seja algo perigoso; próximo da eugenia. Ele também parece se basear, não como defensor, mas como critico, no pensamento de Peter Sloterdijk, que causou extremo mal estar ao dizer que o humanismo é uma forma de doutrinação e que portanto podemos desistir dele sem remorços. No lugar deste conceito poderemos adotar, segundo o filosofo, uma postura pós-humanista de refinamento do genêro humano usando a tecnologia.

Acontece que "refinar" a espécie é algo que a cultura humana ja faz desde sempre. Aliás, a cultura assim como a racionalidade, já são um mecanismo adaptativo que levam a esta busca por emancipação. Sem cultura e sem racionalidade, não há seres humanos; não há humanismo. Portanto, tanto o filosofo alemão, que recebeu um respota bastante dura de Habermas quando  defendeu o abandono do humanismo, como o brasileiro, que o utiliza para contrapor Nicolelis, fazem um entendimento incompleto da questão do desenvolvimento cientifico com o objetivo de melhorar as condições de vida dos seres humanos sobre Terra. Usar a cultura e a racionalidade para desenvolver conhecimento e melhorar a si mesmo é o mais puro humanismo. É a solidariedade expressa no seu sentido mais profundo. Solidariedade que até o pessimista Shopenhaeur defendia como remédio para curar o egoísmo inato dos seres humanos.

 

Dá-lhe Nicolelis! Esse Pondé é muito reacionário e superficial. Muito adaptado ao jornaleco que o publica.

 

Até quero ver este "homem feliz"  porque liberto do seu corpo de primata, preconizado há  décadas pelos neurocientistas. Prefiro o este homem que sofre, que tem catarses, que devaneia, neste ponto concordo com Pondé

 

 

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Nicolélis, do qual sou admirador, esteve na luta junto com todos nós para impedir a vitória da direita, ou melhor dizendo, do esgoto, o que não me impede de discordar do seu projeto de homem feliz num "admirável mundo novo":

“Neste livro, eu proponho que, assim como o universo que tanto nos fascina, o cérebro humano também é um escultor relativístico; um habilidoso artesão que delicadamente funde espaço e tempo neuronais num continuum em> orgânico capaz de criar tudo que somos capazes de ver e sentir como realidade, incluindo nosso próprio senso de ser e existir. Nos capítulos que se seguem, eu defendo a tese de que, nas próximas décadas, ao combinar essa visão relativística do cérebro com nossa crescente capacidade tecnológica de ouvir e decodificar sinfonias neuronais cada vez mais complexas, a neurociência acabará expandindo a limites quase inimagináveis a capacidade humana, que passará a se expressar muito além das fronteiras e limitações impostas tanto por nosso frágil corpo de primatas como por nosso senso de eu.


Eu posso imaginar esse mundo futuro com alguma segurança baseado nas pesquisas conduzidas em meu laboratório, nas quais macacos aprenderam a utilizar um paradigma neurofisiológico revolucionário que batizamos de interfaces cérebro-máquina (ICM). Usando várias dessas ICMs, fomos capazes de demonstrar que macacos podem aprender a controlar, voluntariamente, os movimentos de artefatos artificiais, como braços e pernas robóticos, localizados próximo ou longe deles, usando apenas a atividade elétrica de seus cérebros de primatas. Essa demonstração experimental provocou uma vasta reação em cadeia que, a longo prazo, pode mudar completamente a maneira pela qual vivemos nossas vidas.


Nesse admirável mundo novo, centrado apenas no poder dos relâmpagos cerebrais, nossas habilidades motoras, perceptuais e cognitivas se estenderão ao ponto em que pensamentos humanos poderão ser traduzidos eficiente e acuradamente em comandos motores capazes de controlar tanto a precisa operação de uma nanoferramenta como manobras complexas de um sofisticado robô industrial. Nesse futuro, enquanto sentado na varanda de sua casa de praia, de frente para seu oceano favorito, você um dia poderá conversar com uma multidão de pessoas, fisicamente localizadas em qualquer parte do planeta, por meio de uma nova versão da internet (a “brainet”) sem a necessidade de digitar ou pronunciar uma única palavra. Nenhuma contração muscular envolvida. Somente por meio de seu pensamento.


A perspectiva dessa maravilhosa alforria, que hoje ainda pode soar para alguns como magia, milagre ou alquimia, não mais pertence ao domínio da ficção científica. Esse mundo do futuro está começando a se delinear, diante de nossos olhos, aqui e agora.”

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12715


 

 

...spin

 

 

Ouso modestamente discordar tanto de Nicolelis quanto de Pondé. De Nicolelis no fato da possibilidade de estar sendo usado para que seu conhecimento e suas pesquisas sejam utilizadas para o apriosionamento do ser humano na máquina. O que pode ser libertador para uma minoria deficiente, pode ser o precurso para o aprisionamento gradual da maioria.

Em relação ao texto:

"...descrevendo o cérebro como "prisioneiro desse corpo de primata que tem ações limitadas"

Acho que o equiívoco está aí, quando ele subestima o potencial natural do corpo humano, mutilado pelas condicionantes culturais, sociais e historicas. A ciência deveria, inclusive desde o seu início, ser uma busca essencial do desenvolvimento do aparelho biológico natural.

A interação homem/máquina só não aprisionará o ser humano se for estabelecida no intuito principal do desenvolvimento da ferramenta corporal, para que ela atinja todas as suas potencialidades.
Se for aplicada apenas para substituição das capacidades originais corporais, estaremos em vias de nos distanciarmos de nossa natureza original.

No caso de Pondé, discordo radicalmente no que e relaciona ao sofrimento. Wilhem Reich estudou e demonstrou que qualquer realização psico-afetiva humana passa pelo prazer. Não acredito no sofrimento. Reich dizia que o masoquismo se baseia na busca do sofrimento como punição pela culpa da busca do prazer. Ou seja, ninguém gosta ou se realiza através do sofrimento.

A gente pode aprender quando está em sofrimento. É um aprendizado pra que se volte à harmonia, exatamente para não mais sofrer. Mas até aí ... a pessoa paga a dívida, mas os lucros, só através do prazer.

Contudo não se pode confundir prazer com vício, com impulsos destrutivos ou qualquer coisa que o valha. O prazer genuíno não se confunde com a efemeridade das excitações mórbidas, e que são profundamente insatisfatórias.  

 

Ouso modestamente discordar tanto de Nicolelis quanto de Pondé. De Nicolelis no fato da possibilidade de estar sendo usado para que seu conhecimento e suas pesquisas sejam utilizadas para o apriosionamento do ser humano na máquina. O que pode ser libertador para uma minoria deficiente, pode ser o precurso para o aprisionamento gradual da maioria.

Em relação ao texto:

"...descrevendo o cérebro como "prisioneiro desse corpo de primata que tem ações limitadas"

Acho que o equiívoco está aí, quando ele subestima o potencial natural do corpo humano, mutilado pelas condicionantes culturais, sociais e historicas. A ciência deveria, inclusive desde o seu início, ser uma busca essencial do desenvolvimento do aparelho biológico natural.

A interação homem/máquina só não aprisionará o ser humano se for estabelecida no intuito principal do desenvolvimento da ferramenta corporal, para que ela atinja todas as suas potencialidades.
Se for aplicada apenas para substituição das capacidades originais corporais, estaremos em vias de nos distanciarmos de nossa natureza original.

No caso de Pondé, discordo radicalmente no que e relaciona ao sofrimento. Wilhem Reich estudou e demonstrou que qualquer realização psico-afetiva humana passa pelo prazer. Não acredito no sofrimento. Reich dizia que o masoquismo se baseia na busca do sofrimento como punição pela culpa da busca do prazer. Ou seja, ninguém gosta ou se realiza através do sofrimento.

A gente pode aprender quando está em sofrimento. É um aprendizado pra que se volte à harmonia, exatamente para não mais sofrer. Mas até aí ... a pessoa paga a dívida, mas os lucros, só através do prazer.

Contudo não se pode confundir prazer com vício, com impulsos destrutivos ou qualquer coisa que o valha. O prazer genuíno não se confunde com a efemeridade das excitações mórbidas, e que são profundamente insatisfatórias.