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O debate sobre as mudanças no PT

Da Carta Maior

“Transformação” do PT gera polêmica em simpósio de História

Discordâncias sobre o caráter dos governos Lula e Dilma marcaram a mesa “Do petismo ao lulismo: o PT ontem e hoje”, uma das que abriram o Simpósio Internacional Esquerda na América Latina: História, Presente, Perspectivas, que acontece na USP. Todos concordaram que o PT mudou, mas enquanto André Singer defendeu as políticas sociais das gestões Lula e Dilma como cumpridoras de parte do programa original do partido, Cyro Garcia e Tales Ab’Saber condenaram o lulismo por, segundo eles, beneficiar grandes grupos econômicos.

Igor Ojeda, na Carta Maior

São Paulo – Discordâncias sobre o caráter dos governos Lula e Dilma marcaram a mesa “Do petismo ao lulismo: o PT ontem e hoje”, uma das que abriram o Simpósio Internacional Esquerda na América Latina: História, Presente, Perspectivas, que acontece a partir desta terça-feira (11) até a próxima quinta-feira (13) no campus da Universidade de São Paulo (USP). A programação do evento, promovido pelo Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, pode ser conferida aqui.

Participaram da mesa “Do petismo ao lulismo” o cientista político e jornalista André Singer, ex-porta voz de Lula; Cyro Garcia, presidente do PSTU-RJ e membro da central sindical Conlutas; e o psicanalista Tales Ab’Saber. De maneira geral, Singer fez críticas ao processo de “transformação” do PT – principalmente, a partir de 2002, segundo ele – e buscou defender as políticas sociais adotadas por Lula e Dilma.

Garcia e Ab’Saber, por sua vez, condenaram as gestões petistas por, segundo eles, beneficiarem os grandes grupos econômicos.

Em sua exposição, André Singer afirmou que o PT surgiu como um partido de natureza radical mais significativa que seu caráter socialista. “Na história política do Brasil, há uma longa tradição de conciliação pelo alto. O PT se propôs a ser um partido radical a partir dessa leitura. Foi uma novidade a existência de um partido legal e abertamente radical. Numa cultura política avessa ao confronto, se apresenta como um partido que quer romper com a ordem. A segunda novidade e que deu certo: ganhou o apoio dos movimentos sociais desde o início”.

O cientista político listou três evidências concretas do radicalismo do PT durante os anos 1980, que se traduziu em três recusas: a primeira, a votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 1985, após a derrota das Diretas Já; a segunda, a votar a favor da Constituição de 1988; a terceira, o rechaço ao apoio do PMDB no segundo turno das eleições presidenciais de 1989, por este ser um partido burguês.

“Minha hipótese é que o PT arquivou esse radicalismo em 2002. Tomou a direção da moderação. Para mim, foi de repente, embora se olharmos com lupa os anos 1990 podemos perceber indícios disso. No entanto, publicamente, nos anos 1990 ainda não estava mudando. Em 2002, a mudança foi abrupta, com a assinatura da Carta ao Povo Brasileiro, que em seguida foi incorporada ao programa de governo do Lula. O que estava lá? Um conjunto de garantias ao capital de que o PT não faria um governo de ruptura. Foi uma mudança de fundo. De um partido de confronto para um partido de não confronto com o capital”, analisou.

Para Singer, o lulismo é a implementação na prática dessa nova política, mas com uma característica incomum: simultaneamente, a ativação de um mercado interno “por baixo”.

“Foram executadas políticas de combate à pobreza capazes de ativar o mercado interno e diminuir a desigualdade social, cumprindo uma parte importante do programa original do partido”. Segundo o ex-porta voz de Lula, essa realidade configurou, em 2006, uma nova base social de eleitores para o PT: adesão de setores de baixa e baixíssima renda e afastamento dos eleitores de classe média.

“Hoje, o PT, que era um partido da classe média, é um partido popular. Por causa disso, é muito forte, e essa realidade, somada à capilaridade que acumulou ao longo dos anos, fará com que sua hegemonia dure por muito tempo.”

O presidente do PSTU-RJ, Cyro Garcia, autor do livro PT: de oposição à sustentação da ordem, discordou de Singer quanto ao momento da mudança do caráter do PT. Para ele, a transformação do partido em uma agremiação “da ordem” começou a ocorrer em 1988, quando conquistou as eleições em várias cidades importantes do país.

“A partir daí, o PT passa por um processo de profunda burocratização – incrusta-se no aparato estatal burguês. O Congresso do partido de 1991 consolida um projeto reformista. Em 1992, expulsou a Convergência Socialista por defender o ‘Fora Collor’, avaliando que o mesmo tipo de mobilização poderia ser usado contra o Lula em seguida, pois tinham a esperança de que ele ganharia em 1994. Em 1994, passa a aceitar doações de pessoas jurídicas. A Carta ao Povo Brasileiro é o corolário dessas mudanças. O PT abandona o caráter classista e passa a defender o ‘cidadão’”, analisou.

Para Garcia, o PT tinha um caráter mais classista que radical, já que era formado por setores da Igreja Católica, grupos que haviam participado da luta armada contra a ditadura, organizações trotskistas e, sobretudo, o novo sindicalismo.

“O slogan de campanha era: ‘Vote no 3, o resto é burguês’. Sua característica principal era a ruptura da ordem.” Segundo o integrante do PSTU, o partido obteve um crescimento eleitoral progressivo ao longo da década de 1980 sem fazer concessões, contrariando, de acordo com ele, a tese de que uma agremiação de esquerda precisa ceder espaço para a burguesia se quiser ganhar eleições.

Na opinião de Garcia, o governo Lula se beneficiou de uma conjuntura econômica mundial favorável para executar uma política assistencialista que serviu, segundo ele, para manter a pobreza no país. “É uma política para se locupletar da pobreza. Por isso é o partido dos pobres, para que estes continuem votando no PT. Dá o peixe para que continuem dependentes.”

Segundo o integrante do PSTU, não houve distribuição de renda durante as gestões petistas, mas “concentração de renda”. “Tem muito dinheiro a banqueiros, empreiteiras. Um estudo mostrou que de cada real doado ao PT, as empreiteiras têm um retorno de R$ 8,50. É um investimento tranquilo, não é mesmo?”

Em sua exposição, o psicanalista Tales Ab’Saber explicou os principais eixos do seu livro Lulismo, cultura pop e cultura anticrítica. Segundo ele, as gestões petistas deram um passo na direção do favorecimento dos grandes grupos econômicos, estabelecendo um pacto social entre os extremos e uma inclusão social por meio do consumo. “Consumo como centro da própria subjetivação social e política”. Para Ab’Saber, “Lula comandou um grande processo de aceitação da hegemonia do mercado”.

“Houve uma celebração do aquecimento econômico, que pouco alterou a condição de vida concreta. O lastro real deve ser encontrado na expansão brutal das commodities brasileiras e na descoberta de novos campos de petróleo, que se traduzem em negócios futuros garantidos”, opinou. Para ele, após a eclosão da crise econômica internacional, o governo Lula passou a ser visto como um modelo conservador que pode reorganizar uma retomada do capitalismo.

“Por isso o Obama chamou o Lula de ‘o cara’. É um modelo edulcorado pela redenção do PT às práticas tradicionais. A gestão política foi entregue à direita política”, defendeu. Para Ab’Saber, toda essa política foi mediada pela figura carismática de Lula, um “ídolo pop”.

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Concordo com a Anarquista. Também não vejo uma boa alternativa para o PT, que eu critico bastante, pela mistura braba que tem (e já vem tendo há alguns anos). Eu tive alguma esperança no PSB, esperança que foi para o espaço, infelizmente. O PT nunca foi um partido socialista clássico, mas é a única alternativa pragmática para o meu voto por enquanto.

Anseio por outras coisas, mas está difícil. PSOL ? Hum, não sei não.

 

Mudanças no PT... Algumas vezes podem não ser para o melhor. 

http://advivo.com.br/blog/gunter-zibell-sp/que-fim-levaram-todas-as-flores

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Críticas importantes em relação a um partido que incentiva o debate e promove a democracia. Um seminário sobre as mudanças ocorridas na direita brasileira resultaria um profundo silêncio e mal-estar.

 

O PT não é esquerda; é um partido difícil de definir mas, se tomarmos Lula como centro, teremos um PT acomodador, conciliador, negociador, dentro dos parâmetros estreitos das possibilidades coordenadas pelo capitalismo financeiro hegemônico. O PT, nos anos 80, era o sonho de uma ascensão aom poder pela via democrática, mas um poder de fato e não somente nas letras da Constituição que, nas mais das vezes, é letra morta. Depois, malfadadaa estratégia "revolucionária", com muitas aspas, dos núcleos políticos, o partido caiu na via institucional com gozo e graça, foi a crescer até que chegou ao zênite brasiliano, e daí crê que sua manutenção nesse estágio é o máximo de sua pretensão. Se, com isso, se vê no papel de reformador do estado e precursor de algumas políticas integradoras, bem, isso é quase que mero acidente. Precisamos, e com urgência, de outro partido representativo, de fato de esquerda, e não pálidas sopmbras como o PSTU ou PSOL. Se não, vamos adernar ao bipartidarismo prático tipo EUA, com seus partidos marginais, sem representatividade, sem influências, sem quaisquer cadeiras e sem participação cidadã. Maldição, ter que escolher, pelo resto da vida, entre PT e PSDB. Céu e Inferno em duas siglas só. Não queriramos iso para nós.

 

Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica

"Segundo o integrante do PSTU, o partido obteve um crescimento eleitoral progressivo ao longo da década de 1980 sem fazer concessões, contrariando, de acordo com ele, a tese de que uma agremiação de esquerda precisa ceder espaço para a burguesia se quiser ganhar eleições."

haha, e o PSTU ganhou quais eleições de cargo majoritário mesmo? 

 

Este Cyro Garcia, que era bancário, está na politica há muito tempos, são aqueles caras parasitas de sindicato, que não largam o osso.

O discurso desse cidadão no passado era, Fora FMI ! Fora FHC ! Fora Burguês !

O negócio desses cara era dizer  Fora qualquer coisa que viesse à cabeça.

Décadas se passaram, e esse cidadão continua com o mesmo discurso, só que agora é, Fora Lula ! Fora Dilma ! Fora a pqp !

Qual a agenta positiva que estes caras criaram ?

Qual a proposta de mudança real criada por este cidadão ?

Este Cyro Garcia é candidato a vereador aqui no RJ, pelo PSTU.

Adivinhem qual é o discurso dele ?

Fora Lula !

Fora Dilma

Fora a pqp !

O mundo mudou, o Brasil mudou, e eles pararam no tempo.

 

Estou de saco cheio por tudo que vem acontecendo no país, e nós democratas, não fazemos nada.

Eu inclusive. Parece que estamos todos anestesiados, que fomos dopados. Mas essa lombra vai passar e vamos acordar.

Eu creio !!!

gAS

O Simpósio denomina-se "Simpósio Internacional Esquerda na América Latina: História, Presente, Perspectivas".

Assim, discorrer sobre o PT enquanto Esquerda é falar de História.

Falar do presente da Esquerda na América Latina é impraticável, resta falar das perspectivas.

Até porque, concordando com o prof. Mazzeo :“O PC pregava que era preciso uma revolução democrática burguesa e depois a socialista; já o PT hoje fala que é preciso uma revolução democrática burguesa e ponto final”.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20878

 

Simpósio Internacional Esquerda na América Latina: História, Presente, Perspectivas.

Minha Nossa Senhora!, ainda bem que o título do simpósio se auto define, que cheiro de mofo, que coisa mais anacrônica, que desperdício de tempo. Discutir esquerda, Santo Deus, isso só acontece nos bananais latinoamericanos mesmo. 


 

Desculpa aí amigo, mas bananal é a casa da senhora sua mãe.  Respeite a nossa América Latina.

 

Você é o mesmo JL pelego do Proifes, nao é? Tá se mostrando... 

 

Não querida Lúcida, não sou o JL do Proifes, sou outro sujeito, nem sei o que é Proifes. Mesmo assim pode me chamar de pelego, não dá nada, para quem assume posições a direita, contra o coletivismo e a favor do liberalismo econômico, é normal receber e aceitar xingamentos. A situação se inverteu, antigamento quem comia criancinhas eram os comunistas, hoje são os capitalistas sem coração.

 

 

No caso dos comunistas, era mito. Já quanto aos capitalistas... Vide a Nestlé, responsável por morte de bebês na África, desestimulando o aleitamento materno, só para ter lucro... 

 

Sou negro, canhoto e de esquerda. E acho justo e correto ser assim, agora, para além da crítica ao PT e as posturas que ele adotou, eu me pergunto: existia uma outra forma do PT chegar ao poder, que não fosse por esses meios?

Por qual motivo os partidos que se apresentam "de esquerda" não compuseram, ainda que em dissonância com o PT, a base aliada do governo? Por qual motivo PSTU, PCO - antes - e o PSOL - depois - não compuseram a chamada "base aliada" do PT?

Do contrário, preferiram se aliar à oposição mais a direita e usar do mesmo expediente baixo dessa direita para criticar o PT, sem propor nenhuma solução prática e efetiva para os nossos problemas sociais. Apenas críticas, críticas e mais críticas. Algumas com fundamento; outras por puro rancor.

A esses mesmos partidos de esquerda, eu pergunto: algum partido de esquerda na Europa, Ásia ou EUA fez melhor do que o PT fez? Que medidas esses partidos tomaram para salvar os trabalhadores de seus países?

Vejam o retrocesso da Grécia, em acabar com os direitos trabalhistas consagrados na luta contra o capitalismo: jornada de 40h semanais, descanso remunerado, etc. Vejam o descalabro que o partido de esquerda espanhol fez com o seu povo.

Eu pergunto aos partidos de esquerda: o que essa esquerda, que se diz socialista, propos de diferente para o Brasil, além das costumeiras críticas ao capitalismo, ao sistema industrial, a mais valia, etc? O quê?

Se teve alguma coisa, para além da crítica, por favor, estou aberto a opiniões e críticas.

 

Edú Pessoa,


Se você tem uma mínima noção da história da social-democracia europeia, sabe que as reformas que essa esquerda - que não quis romper com o capitalismo - esteve mil anos à frente de qualquer coisa que possa se atribuir ao PT. E, precisamente por não ter querido romper com o capitalismo, essa esquerda não só não conseguiu preservar essas mudanças MUITO MAIS PROFUNDAS E MAIS ABRANGENTES DO QUE O PT JAMAIS FARÁ, mas, com o tempo, esses mesmos partidos, adaptados à ordem capitalista, se tornaram cúmplices no desmantelamento dessas conquistas dos trabalhadores.


Se isso ocorreu com avanços bem mais robustos e significativos, que dizer das pífias migalhas que o social-liberalismo do PT tem feito muito timidamente nos últimos anos.


É porque conhecemos a história da "esquerda" oportunista mundial que criticamos o PT!

 

Morales,

É fato que o PT precisou passar por mudanças, e essas mudanças são se adaptar a essa sistemática de alianças, etc e tal. E também é legítimo que os partidos de esquerda façam críticas ao PT ou a forma como o PT vem conduzindo determinadas coisas. Nisso eu concordo plenamente.

Agora, por outro lado, enquanto estamos aqui falando em nome dos trabalhadores, milhões de nossos companheiros estão sem o que comer, sem trabalho, sem salário digno. Ainda que não tenha sido o melhor dos mundos, o PT fez alguma coisa. Alguma coisa que o PSDB, por exemplo, em 8 anos de governo, não fez.

É possível avançar a esquerda do PT? Sim, é plenamente possível. O que eu não concordo é que com o excesso de críticas desses partidos e sem propostas viáveis, palpáveis e factíveis para o estado de coisas que aí está. O PSOL explora a corrupção no PT, mas não fala do financiamento de campanha; critica a reforma da previdência, mas não propõe uma reforma que contemple tudo e todos.

É fato que o país ainda vem aprendendo a lidar com as divergências. Já dizia Nelson Rodrigues: "toda unanimidade é burra". O que discordo é da crítica puramente pela crítica.

Problema sem solução continua sendo um problema.

 

Edú Pessoa,

A Europa está provando que reformas, dentro do capitalismo, sempre são temporárias. E, na Europa, para implementá-las, foi preciso o "medo do comunismo", configurado na existência da URSS e de fortíssimos movimentos operários. Os apoiadores do PT pretendem que o partido faça reformas permanentes no capitalismo (reformas que estamos esperando que aconteçam, pois o que temos visto foi a manutenção de uma altíssima taxa de exploração do trabalho, só que num contexto de crescimento econômico; ou seja, os banqueiros e grandes capitalistas tiveram lucros imensos. E os trabalhadores tiveram umas migalhas, que, no entanto, dada a miséria anterior e o neoliberalismo da direita tradicional, parecem ganhos significativos. Só que, em termos relativos, como sempre, quem ganhou foi a burguesia, havendo só uma redistribuição da renda entre setores dos assalariados com alguma coisa sobrando para os mais miseráveis.) sem mobilização social (que o PT tem, sistematicamente, sabotado, desmobilizando e garroteando sindicatos e movimentos populares), em aliança com setores da direita (ou seja, querem acabar a exploração em aliança com os exploradores!) e sem nenhuma ameaça de um sólido movimento revolucionário internacional.

Sugiro que você leia Rosa Luxemburgo, Reforma ou Revolução:

http://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1900/ref_rev/index.htm

As reformas são arrancadas da classe dominante quando esta se sente ameaçada e prefere fazer concessões a perder a posição de classe dominante. Acreditar que é possível fazer reformas significativas sem imensa pressão social (e pior: em aliança com setores da classe exploradora é de uma ingenuidade ou má-fé sem tamanho).

Você pega como exemplo da esquerda revolucionária o PSOL. É conveniente para o argumento petista, mas completamente equivocado. Eu costumo dizer que o PSOL é o PT com progéria, porque, em pouquíssimos anos, tem reproduzido todos os defeitos que levaram o PT ao estágio de oportunismo atual: a ênfase em lideranças carismáticas e midiáticas, a irresponsabilidade dessas celebridades para com a disciplina partidária, a nefasta disputa de correntes pelo aparelho partidário tomando boa parte do tempo e dos esforços da militância, a lógica de frente de partidos nanicos (as tendências), cujos militantes não se centralizam pela decisão da maioria do partido, o eleitoralismo a todo custo, posto à frente da organização e mobilização das massas, a falta de critério para seleção de candidatos, permitindo a entrada e ascensão de oportunistas, etc., etc., etc.

Há muitos defeitos, limitações e deficiências no resto da esquerda classista e revolucionária. Sem uma crítica e uma autocrítica séria, corre-se o risco de que não se construa uma alternativa ao oportunismo do PT. Mas essa esquerda não deve ser, de nenhuma maneira, propositiva no sentido de melhorias para o funcionamento do sistema. Ela tem de almejar a derrubada do sistema. As melhorias devem ser arrancadas pela mobilização e pela luta. É a acumulação de forças para a superação do capitalismo que pode, no processo, permitir conquistas e reformas duradouras (que, no entanto, só podem ser preservadas com a superação da sociedade exploradora). O resto é semear ilusões, que serão dissipadas à primeira crise séria do sistema, com a costumeira traição dos oportunistas cada vez mais adaptados às instituições da burguesia. Foi assim em todos os processos - muitos deles muito mais profundos e duradouros do que as migalhas que o PT tem distribuído timidamente - protagonizados pela esquerda reformista (e chamar o PT de hoje de reformista é ser muito caridoso!).

 

Mas essa esquerda não deve ser, de nenhuma maneira, propositiva no sentido de melhorias para o funcionamento do sistema. Ela tem de almejar a derrubada do sistema.

 

Fecho com você Morales. Chega de socialista politicamente correto e comunista que quer ir pro céu.

 

1. Não sei o que você quer dizer com o fato dfe ser negro, mas a quantidade de melanina na pele nada quer dizer da visão de mundo de qualquer pessoa. Haja vista Obama, Bush, Colin Powel, Petraeus.

2. Não sei em que país você viveu nos últimos vinte anos, mas a bancada de deputados federais eleita pelo PT em 2002 era composta por 33 deputados (dos 91 eleitos) que se diziam contrários à Carta aos Brasileiros e às medidas tomadas por Pallocci em fevereiro de 2003 (aumento do superávit fiscal, dentre elas). Eram contrários também à reforma previdenciária enviada por Lula ao Congresso em abril de 2003. Foram contrários na primeira votação da emenda relativa a esta reforma, aprovada com os votos favoráveis do PSDB, do DEM, dos partidos fisiológicos de direita que, desde então, passaram a gravitar em torno do PT. Dentre estes deputados, cabe destacar Walter Pinheiro, Gilmar Machado, Arlindo Chinaglia, Luciano Zica, deputados ligados às tendências Articulação de Esquerda e Democracia Socialista, Ivan Valente, Chico Alencar, Luciana Genro, Babá e outros. Eram críticos à esquerda da política econômica neoliberal implementada por Pallocci/Meireles/Lula; da política de privatização da previdência pública implementada por Berzoini; da manutenção da política privatizante na área energética, implementada por Dilma; da não reforma agrária. Eram contrários à aprovação de Lei de Bio-segurança, como haviam sido durante o governo FHC; eram contrários à aprovação da Lei de Inovação Tecnológica, como haviam sido durante o governo FHC; eram contrários ao fator previdenciário, como haviam sido durante o governo FHC; eram contrários ao arrocho salarial aos trabalhadores do serviço público federal, como haviam sido durante o governo FHC; contrários à denúncia vazia para retomada de imóveis alugados, como todos os movimentos sociais deste país são deste tempos imemoriais. 

3. Muitos destes se acomodaram e foram cooptados pelo lulismo. Exemplos maiores são Gimar Machado, Arlindo Chinaglia, Walter Pinheiro. Outros abandonaram a política; outros saíram do PT, buscando outros rumos, não se conformando que o partido pelo qual haviam lutado (e, em muitos casos, apanhado), se transformava no partido preferencial dos banqueiros, das grandes construtoras, do grande agronegócio; que manteve a Bolsa SELIC; que fez acordos com Daniel Dantas para criar a OI; que apresentou parecer no STF dizendo da validade da Lei de Anistia imposta pela ditadura civil-militar; que não buscou federalizar o assassinato de Dorothy Stang; que implementou BElo Monte, sem respeitar os interesses das populações indígenas e ribeirrinhas, e, em particular neste caso, ao contrário do que sempre assumiu o compromisso de fazer; etc, etc, etc. 

 

Por qual motivo os partidos que se apresentam "de esquerda" não compuseram, ainda que em dissonância com o PT, a base aliada do governo? Por qual motivo PSTU, PCO - antes - e o PSOL - depois - não compuseram a chamada "base aliada" do PT?


Do contrário, preferiram se aliar à oposição mais a direita e usar do mesmo expediente baixo dessa direita para criticar o PT, sem propor nenhuma solução prática e efetiva para os nossos problemas sociais. Apenas críticas, críticas e mais críticas. Algumas com fundamento; outras por puro rancor.


Com a devida vênia, não acho que seja de fato uma aliança formal (ou informal) e sim, que simplesmente estão do mesmo "lado", fora do governo, por obra do destino e das urnas. Creio que o problema com essa esquerda citada, principalmente o PSOL (que abandonou o PT enquanto governo), é querer fazer política de oposição de forma parecida com que o PT fazia quando outros estavam no poder. A posição diferente, de governo, exige de uma esquerda postura diferente e responsável. É possível ser voz dissonante e importante dentro do governo, sem necessariamente concordar com tudo. Ou sendo oposição, articular projetos de lei com o apoio da sociedade para realizar mudanças importantes no país.


Indo mais além, hoje com o advento da lei de acesso à informação seria possível fazer diagnósticos com alguma precisão do que se passa em certas áreas de um governo, para propor soluções ou apontar falhas grotescas. Mas tirando a imprensa, não vejo ninguém fazendo uso de tal novo mecanismo de forma inteligente, mesmo que tendenciosa.


Quanto ao resto do comentário que não destaquei, "voto com o relator".

 

Desculpe amigo, mas não acho que essa possível não. Não com esse governo do PT.

O rolo compressor te esmaga. Só prá não citar o PSOL e etc, vou ficar com dois petistas de carteirinhas que tinham propostas concretas, frutos de anos de vida dentro do PT e foram trucidados por isso que o PT se tornou depois que fez aliança com as elites capitalistas: Cristovam Buarque e Marina Silva.

O Cristóvam jogou a toalha logo, quando viu que todo aquele papo de acabar com a mercantilização da educação, de trazer todos os brasileiros para o ensino público pela sua qualidade ( a ser implementada ) era tudo lorota. Conversa prá chegar ao poder.

A Marina até que tentou, mas também sucumbiu sob o poderio desenvolvimentista de Dona Dilma.

 

Concordo plenamente com você nesse aspecto, de que é possível ser oposição e preencher as lacunas que o governo tenha deixado passar. Falta é responsabilidade e seriedade para atuarem dessa forma, como você bem destacou.

 

mas é claro que os partidos da esquerda se colocam na oposição ao PT, e não por serem revolucionários, mas por manterem algum pingo de ideal socialista, pois no governo o PT apoia o grande capital, alavancando ou não um número estatístico referente à "linha da pobreza". Muito bem, muitos agora não estão mais dentro de um gráfico da pobreza, mas isso foi fruto dos próprios poderes conquistados pelas classes baixas ou foi apenas uma medida economica que acaba por beneficiar as elites? O dia em que as elites não precisarem mais do consumo de massas, todos os pobres voltam para a linha, o gráfico, as planilhas da miséria. Fala-se em Lula como grande Estadista, mas o fato é que esses efeitos são todos efeitos de Governo, e não de Estado. 

A única forma de se alterar substancialmente a ordem social, de baixo para cima, é com mobilização popular e de base, e os sindicatos que formam a base do PT certamente não estão interessados nisso. A Conlutas, por todas as críticas que podem ser feitas a ela (e aos partidos que tentam dirigir-la), é um exemplo do que a esquerda pode ser no sentido da emancipação das classes baixas e trabalhadoras, pois é uma forma de empoderar os das classes baixas, um empoderamento político e não meramente econômico, é a vontade de um maior poder político das classes baixas, e não vontade de uma maior linha de crédito.

 

A que direita esses partidos se aliaram?

Aliança à direita que eu conheço é a do PT com o PMDB - aliás, o pioir PMDB - o PP, do Nalufo, o PR, do Macedo. 

E é exatamente por causa dessa aliança preferencialmente à direita, que o PSTU, o PCO e o PSOL, para citar apenas os que você mencionou, sairam, fora desse conglomerado.   

 

Clap, clap, clap. E olhe que ando completamente sem ilusoes quanto ao PT. Mas, pelo menos por enquanto, NAO HÁ ALTERNATIVA VIÁVEL. 

 

Também tenho minhas ressalvas ao PT, Anarquista, mas preferimos votar num partido que pensa no seu povo e luta pelo país, do que essa direita disfarçada de esquerda que virou o PSTU/PCO/PSOL.

 

Aí já acho que você exagera. Nao gosto desse discurso, e me lembro muito bem de quando esse mesmo discurso era feito contra o PT. 

 

Esses partidos nanicos de esquerda (PSOL/PSTU/PCO/PCB) poderiam muito bem se unir e formar um partido de esquerda pequeno-médio que incomodaria muito o PT, pois tem militância aguerrida e alguma base social (que, mesmo na  versão PT light, é a diferença entre o mesmo e os demais partidos, que muitas vezes precisam de pura militância profissional ou militância PMDB - a que só quer cargos). A pergunta é: porque esses partidos não se unem?


Será que é porque não conseguem conviver com o contraditório? Porque a Heloísa Helena está deixando o PSOL após ela ter perdido as rédeas do partido que fundou? Esses partidos recebem verba do fundo partidário? Se sim, está explicado porque não se unem: só querem a grana do Fundo.


O PSOL tem muita gente bem intencionada, mas os gritalhões (as Heloísas Helenas e Lucianas Genro da vida) ofuscam essas pessoas.


O PT mudou, sim. Se para melhor ou pior, só o tempo dirá. Chegará o dia em que precisaremos alijá-lo do poder (que vicia e deturpa). Quando vai ser? Bem, só depende de haver alternativa viável.


Podemos até conjecturar sobre o léxico: enquanto a maioria dos partidos (PT incluso) procuram as SEMELHANÇAS (e se juntam em alianças), os nanicos de esquerda procuram as DIFERENÇAS entre eles ('sou trotskista, e não me junto com stalinista nem maoista', e outros discursinhos).


Os chavões (e o Chavez - lol, não resisti a uma piadinha, sou mesmo um doente) cansam (Cansei! Opa, não consigo parar de fazer piadinha, sou mesmo um caso perdido!).

 

Kung Fu Tze disse tudo: "a política de um país deve ser centrada em 3 diretrizes: educação dos jovens, lealdade com os amigos e respeito aos mais velhos"

Concordo contigo que o PT precisou passar por mudanças para chegar ao poder e fazer.... as mudanças que o país precisava. Agora, o que os partidos de esquerda menores fizeram para construir uma proposta a esquerda do PT?

Não fizeram absolutamente nada... não construíram nada, uma vírgula. Apenas se apoderaram dos movimentos estudantis e dos sindicatos, como forma de "sugar" fundos partidários, poder, prestígio e influência. Nada mais.

Por exemplo: na questão da reforma da previdência, que culminou na saída de HH do PT e a fundação do PSOL, o que o partido fez para propor algo em contrário? Nada.

No blog discutimos a questão da reforma política, a luz dos mensalões - petista e tucano. O que os partidos fizeram além de criticar?

Concordo que os partidos podiam se unir, mas ao contrário, segregam cada vez mais, o que agrada - e muito - a direita brasileira, que hoje briga com um único inimigo potencial: o próprio PT.

 

Ôpa, to sentindo cheiro de "partido único" por aqui.

 

 


Nos últimos 90 dias o PT fez 3 simpósios.


 1 Transformação do PT como o post acima menciona.


 2  O material da tinta que seria usada os prédios petistas.


 3 Se seria com licitação ou não a tinta usada.


        Ficou definido:


        O PT irá ser transformado um dia que não se sabe quando.


         O material da tinta, 3 concorrentes, terá a ´palavra final de João Paulo Cunha( que nesse momento não possui mais tv a cabo.)


          A licitação  ficou a critério do impoluto Palocci- com seu vasto conhecimento da matéria enquanto prefeito de Ribeirão Preto- o munícipio é outro,mas esqueci agora.


           E ficou decidido:


           Desde que o poderoso chefão Lula aprove. Se não,muda tudo.E todos obedecem.


           Mas nem na ditadura vi um general com esse poder todo.


           Escrevo sério.Porque até os generais se rebelavam.Como por exemplo o generaL Frota.


         Mas no PT ninguém se rebela contra o generalíssimo Lula.


           Paor enquanto....

 

Queriam escutar o que de um integrante de seita trotskista como o PSTU, por favor gente PSTU/PSOL e cia. são partidos que operam a partir de uma transformação social pela via revolucionária, eles disputam eleições só para marcar posição, eles não acreditam na democracia formal. Debater com esses caras é a mesma coisa que falar com uma parede.

 

Depois de tudo o que está acontecendo na Europa (e aqui, de uma forma diferente, via "compra do estado"), você ainda acredita em democracia formal? Se há ou nao alternativas é outra questao, mas acreditar? Você ainda acredita? MESMO?  

 

Como disse certa vez um camarada do qual não me recordo o nome: "Não pode existir democracia num sistema capitalista por um simples motivo: o sistema consegue colocar preço em tudo, inclusive nos votos e nos mandatos"

 

Houve uma celebração do aquecimento econômico, que pouco alterou a condição de vida concreta.

Dezenas de milhões saindo da pobreza e miséria...Isso não é 'concreto'? 



 

É muito relativo isso, porque os limites definidos para miséria, pobreza e classe C são muito baixos e próximos no Brasil. 

Houve, é claro, um grande aumento de consumo, especialmente de automóveis. E o retorno do desemprego aos baixos níveis de 1985/1986.

O acesso a educação superior melhorou muito, isso acho mais importante pelo impacto que pode ter no futuro.

Acho que um indicador que poderia medir melhor a evolução das condições de vida é o de moradia, algo como m2 por habitante em construções não precárias. 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Os gregos acham que não. E olha que as reformas do Papandreou pai foram bem mais profundas do que as do Lula. Não precisou mais do que duas décadas para que fossem brutalmente revertidas. E começou pelo mesmo partido das reformas, que tem no mome a palavra socialista.