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O desafio do desemprego estrutural

O desemprego estrutural é o grande desafio a ser enfrentado no capitalismo contemporâneo. As inovações tecnológicas produziram uma gigantesca massa de pessoas que sobrevivem nas franjas do sistema. Na Europa, são muitas vezes chamados de "mileuristas" - pessoas, geralmente jovens, que sobrevivem pulando de um (sub)emprego temporário para o outro, ganhando menos de mil euros por mês. Com baixas perspectivas de inserção, vivendo nos subúrbios das grandes cidades, não chegam nem mesmo a caracterizar um "exército de reserva" de mão-de-obra. Apesar de todos os programas de reinserção, a verdade é que não existem lugares disponíveis no mercado de trabalho onde eles possam se reinserir. Tornam-se subempregados crônicos, e desenvolvem uma visão de mundo ressentida e com altíssimo poder explosivo. 

No Brasil, esse problema fica em grande parte mascarado pela existência de uma enorme parcela da população ainda mergulhada na pobreza e na miséria. Um operador de telemarketing, aqui, não se sente um "perdedor", um pária, alguém sem nenhuma perspectiva. Pelo contrário. No seu entorno imediato, ele(a) tem uma posição perfeitamente sustentável de um ponto de vista psicológico. Os programas sociais do governo, por outro lado, deram novo alento às camadas mais marginalizadas da população. Isso faz com que todos se sintam, de alguma maneira, beneficiados. Mas é preciso compreender que esse movimento tem uma limitação clara. Mais cedo ou mais tarde, o capitalismo terá que lidar com essas situações de exclusão - se conseguir encontrar algum modo de lidar com elas. 

A esquerda está paralisada diante desse cenário. Parte dela aposta silenciosamente (ou nem tanto) na ruptura. As tensões irão se tornando cada vez mais intoleráveis, até fazer o sistema capitalista implodir. No seu lugar, teremos Algo - a Coisa, o Treco, aquilo que ninguém sabe muito bem o que é, e se irrita bastante quando perguntado a respeito. Se você espiar o jogo que essas pessoas têm de fato em mãos, não irão encontrar nada além do velho modelo socialista, com propriedade coletiva dos meios de produção e planejamento centralizado. Não dá certo, eles sabem disso. Mas não se importam nem um pouco. É tudo na base do "vamo que vamo", pois "o caminho se constroi no caminhar" e , se preciso for, endurecerão "sem perder a ternura jamais". Os devotos de Santa Rita de Cássia têm comportamento um pouquinho mais racional.

O desafio da esquerda hoje é esse: imaginar formas de intervenção estatal dentro do capitalismo que sejam economicamente viáveis e criem uma situação social e psicologicamente sustentável para as pessoas que estão na periferia do sistema. Programas de renda mínima são interessantes, mas insuficientes. Para quem sai da miséria, o Bolsa Família é uma conquista fabulosa. Para quem saiu da classe média (como é o caso de muitos desses jovens europeus desempregados), é simplesmente um remendo vergonhoso. É nisso que a esquerda tem que começar a pensar. Não me refiro apenas à Europa. Aqui entre nós, é fundamental que esse passo adiante seja dado. Em pouco tempo, o assistencialismo (absolutamente necessário) já não será SUFICIENTE. É nesse vácuo que a direita tentará entrar. Talvez não em 2014. Quase que certamente em 2018. Se não tivermos respostas, eles terão. Estão tentando articulá-las desde agora. E nós? Vamos continuar usando botoms do Che Guevara?

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"Se você espiar o jogo que essas pessoas têm de fato em mãos, não irão encontrar nada além do velho modelo socialista, com propriedade coletiva dos meios de produção e planejamento centralizado."

Certamente, a esquerda atual é muito mais sofisticada que isso.

Não vejo que é essa a postura de pessoas que estão no governo, por exemplo. Possivelmente, eles ainda não tem em mente nenhuma alternativa para o assistencialismo, mas em momento algum fazem transparecer que aguardam silenciosamente o capitalismo implodir e implantar propriedade coletiva dos meios de produção com economia planificada.

Dizer que somos comunistas, bolcheviques, adoradores de Lenin e outras coisas similares é um velho bordão do pessoal da geração Hariovaldo Prado que comenta em blogs, quase tão anacrônico quanto o sistema que caiu no leste europeu.

Porém, eu nunca ouvi isso saindo de um cara de esquerda, como o Jotavê.

 

Eu usaria uma regra de três. Há mta gente desempregada, e mtos fazendo hora extra. Ora, se 20% não têm emprego (como já sucedeu em minha adorada Espanha), por que não reduzir na mesma proporção as horas de trabalho? Podem até baixar o salário proporcionalmente, que em 3 meses ou 6 ele volta ao anterior ou perto dele, mesmo com menos horas trabalhadas, simplesmente porque cairão os auxílios-desemprego, -saude, as despesas hospitalares com depressão, e tantos outros custos. Por que continuamos acreditando nas 8 horas diárias de trabalho do começo do século XX?

Agora, chamar o Jotavê de troll... Seriedade, gente! Ou só querem o eco de vcs mesmos? Eu discordo dele em vários pontos, mas ou temos na Internet um espaço de debate, ou só queremos ouvir o mesmo que pensamos. Se queremos o eco, não precisamos ler, basta ser autista, não é? 

 

Ô PROSA RUIN ,Papo de playboy. Deus que me livre.

 

Não exagere na bebida, rapaz. Desse jeito, você se acaba.

 

 A paralisação da esquerda, no tocante ao desemprego estrutural, também se deve à falta de movimentos coletivos que embasem alternativas viáveis de ação e pensamento.

Os sindicatos, por exemplo, que sempre exerceram a ação política de esquerda, na base, estão olhando tudo como se estátuas fossem. Pouco ou nada têm contribuído na busca de alternativas para o desemprego estrutural.

É fato que, nos últimos vinte anos, os sindicatos no Brasil estejam enfrentanto os mais baixos índices de sindicalização. As pessoas praticamente "desistiram" dos sindicatos. Quantos trabalhadores participam de assembléias? Quantos movimentos coletivos reivindicatórios tivemos nos últimos anos? Pouquíssimos. Se os sindicatos estão à margem dessa discussão, imaginem os próprios trabalhadores.

Sem trabalhador, não há sindicato. Sem sindicato, esvazia-se o debate pela busca de maior empregabilidade, a menos que a sociedade se conforme em aceitar apenas a visão dos donos do capital.

É possível diminuir essa distância entre sindicatos e trabalhadores, com o objetivo de ampliar o debate, fortalecendo, portanto, a busca por alternativas socialmente viáveis? 

Sim, é. Por exemplo, a esquerda, especialmente pela ação dos sindicatos (até porque a empregabilidade lhes interessa diretamente), pode aprender com o movimento software livre. Por quê? O software livre, que, sem dúvida, é um movimento coletivo - talvez, um dos mais significativos que a humanidade já presenciou - soube trabalhar muito com a participação coletiva e democrática, preservando incólumes os direitos individuais. Aqui, todos participam, opinam e constroem juntos. O indivíduo, sim, se destaca, mas, o objetivo maior é o coletivo.

Qual a importância disso para a ação sindical progressista, na busca de alternativas para a empregabilidade, considerando, aqui, uma atuação política, papel que o sindicato pode e deve exercer?

Em tempos de individualismo, de busca pelo hedonismo, desprezo pela ação coletiva, elementos bastantes explorados pela direita e pela mídia (no Brasil, como se sabe, a mídia é praticamente partido de direita), é muito difícil convencer os jovens a enveredarem pela ação coletiva*. Hoje, bombardeado, por todos os lados midiáticos, por ideias que apregoam a importância maior do indivíduo em face do coletivo** (como se fosse possível dissociar um do outro...), o jovem está mais preocupado em manter seu emprego, ainda que subemprego, como bem colocado no texto supra, do que lutar por melhores condições de trabalho para todos. O coletivo? Que se dane, quero garantir o meu. Como se o coletivo não redundasse em benefícios para o próprio indivíduo.

E daí que entra a experiência realizada pelos "movimentos coletivos digitais", cujo maior expoente é o movimento do software livre. Seus defensores souberam dialogar melhor com os jovens. Por exemplo, falar em revolução socialista para esse público é perder tempo. Não é que não gostem, simplesmente não entendem. Primeiro, claro, não viveram a época. Segundo, a mídia não lhes deu alternativa, depois de tanta lobotomia midiática, senão desprezar esse tipo de pensamento. 

E mais: os adeptos do software livre, em grande parte, foram amealhados digitalmente. "Está tudo na internet"; ou: "estão todos na internet". Pelo que pergunto: onde os sindicatos? Estão na internet? Não estão. Estão travando debates digitias com jovens que já nasceram, como se diz, conectados? Não estão.

Como é que a esquerda, e nesse caso, contextualizei a questão da empregabilidade pela ação sindical, vai trabalhar alternativas, quando menos no campo das ideias, se o público que está no front (principalmente o jovem, que, em geral, trabalha conectado) está muito distante do seu alcance? 

Impensável, a meu ver, debater alternativas ao desemprego estrutural sem a participação sindical. Pergunto, então: o sindicato está morto? Se está, podemos ressucitá-lo? 

*se bem que essa realidade aplica-se mais ao Brasil, porque, infelizmente, a lavagem cerebral nos jovens é muito grande. Curiosamente, na Europa justamente os jovens estão indo a campo. Seria influência dos movimentos coletivos digitais, mais presentes lá?

**afinal, "coletivo" é coisa de esquerdista, algo cafona. Como quem diz: xiii...já vem esse esquerdista com essas ideias ultrapassadas. A direita foi extremamente eficiente em fazer vingar esse tipo de máxima. Praticamente, nem se discute que a esquerda mais moderna é totalmente diferente daquela que a direita tanto ataca, achincalha, e adere todo e qualquer termo pejorativo.

 

Um republicano raivoso é certamente mais perigoso mas nunca mais engraçado que um militante comunista.

Enfim, é de uma pobreza de espírito franciscana militância comunista em pleno 2011. É vestir a camisa do anacronismo com direito a nariz de palhaço e peruca do bozo. Traduz-se no exercício de negar obviedades e fatos históricos que estão aí pra qualquer criança ler. O Jotavê, com todo respeito, não falou mais que o óbvio, e só posso lamentar que ainda seja necessário discutir o óbvio.

A discussão mundialmente relevante hoje é sobre o tamanho do estado, e todas as outras em todos os países vão em algum momento terminar nessa. Porque o estado do bem estar social europeu falhou? Porque o estado americano mínimo faliu? Qual o tamanho "mínimo" do estado brasileiro que permitiria dinamismo econômico e insersão e mobilidade sociais? São essas as discussões modernas que deveriam estar acontecendo.

 

Também considero a opção híbrida como a melhor. O Estado é uma evolução humana de mediação social, encolhe-lo em demasia é deixar o capital promover acumulação rentista (Marx disse isso, e de diagnóstico ele era bom), e oprimir as pessoas com a ditadura do dinheiro (ou da falta dele), deixar o Estado tomando conta de tudo executando todas as tarefas de regulação, é criar uma elite burocrática que sempre leva à ditadura.

PS: Aparentemente hoje em dia, poucos sabem que o comunismo seria o fim do Estado, com as pessoas se ocupando das tarefas (ou trabalhos) que lhes dessem prazer. Não deu certo no tempo dos ferreiros e sapateiros, e não vai dar certo no tempo da indústria de automóveis, das tripulações de avião, ou qualquer ocupação moderna de massas. Na sociedade humana, sempre haverão chefes e comandados, pessoas muito inteligentes, e outras menos, gente que se adapta facilmente a novas situações, e gente que não se adapta e até cai na indigência (e para êsses o Estado é importante), apenas a diferença de renda entre eles não tem que ser de 30.000 para 1, ou ter medicina rebaixada por causa de dinheiro, por exemplo.  

Um abraço.

 

"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Jotavê, não sei se cheguei atrasado na discussão, mas tenho uma idéia para a solução do problema do desemprego estrutural que você menciona: o nome do "treco" é "capitalismo socializante". A coisa funciona, grosso modo, assim: 1) o Estado Moderno já reconheceu o direito de igualdade entre os seres humanos; 2) já se tem por resolvido que o direito de igualdade não é a submissão de todos ao mesmo regramento social (o que é injustiça patente), mas no tratamento desigual dos cidadãos na medida de suas desigualdades (o rico não pode ser beneficiado pela mesma legislação protetiva do pobre); 3) o Estado deve reconhecer (um dia) que as pessoas nascem desiguais e de que é seu dever primeiro igualá-las, não quanto aos fins (o que serão no futuro), mas quanto aos meios (como, de que modo serão); 4) o Estado cuida para que todos tenham exatamente o mesmo nível de educação, do primário à faculdade, somente através de instituções públicas (isso igualará a educação); 5) o Estado concede a cada adulto formado em escola técnica ou faculdade, com determinada idade (24, 25?) e uma só vez na vida, e a título perdido, um valor suficiente para que ele inicie a sua vida profissional, montando um comércio, um consultório, uma loja, uma oficina ou o projeto que for (isso diminui a desigualdade no início da vida adulta); 6) o Estado passa a conceder vantagens tributárias progressivas para as empresas que aumentarem o número de empregados; 7) o Estado institui lei que obriga todas as empresas a distribuírem parte de seus resultados aos empregados (porque o lucro não é jamais do capital, resultando sempre do trabalho). Penso que fornecer meios às pessoas jovens de iniciar um projeto é uma espécie de fomento excelente para formação de emprego e riqueza. Por outro lado, conceder incentivos progressivos às empresas que admitem irá reduzir a margem de ganho empresarial com as demissões provocadas pelas conquistas tecnológicas. Por fim, a participação nos lucros e resultados formará uma população mais rica, com claros benefícios para a circulação da riqueza. Creio que o capitalismo não possui outro caminho senão o de iniciar um processo de redução da desigualdade. A opção é muito pior.

 

"A esquerda está paralisada diante desse cenário. Parte dela aposta silenciosamente (ou nem tanto) na ruptura. As tensões irão se tornando cada vez mais intoleráveis, até fazer o sistema capitalista implodir. No seu lugar, teremos Algo - a Coisa, o Treco, aquilo que ninguém sabe muito bem o que é, e se irrita bastante quando perguntado a respeito."

Falando nisso, Jotavê, você já se interessou em perguntar a um capitalista como ele equlibrará sua necessidade de diminuir gastos, isto é, cortando mão-de-obra, com a de ter para quem vender, isto é, a assalariados? Pois se o futuro nos acena com um batalhão de desempregados, quem comprará o que o capitalista produz?

 

  Caramba, o debate correndo bonito e eu preciso correr com o serviço... um abraço para quem fica.

 

Aqui no BR quem tem q pensar em alguma coisa é a direitona facista extremista q esta sem rumo. O novo modelo de desenvolvimento social e economico implantado no BR em 2003 esta nos levando ao 1 mundo. Ta todo mundo quebrando e a gente continua crescendo a passos largos, nunca houve tanto emprego no hemisferio sul. Creio q algumas licoes temos tirar do momento atual, ou seja, o meio termo parece ser a melhor solucao, nem neoliberalismo radical hj representado por PSDB/DEM/PPS, nem o comunismo. O certo é criar  regras p q a iniciativa privada possa atuar e onde os interesses da populacao forem atingidos o Estado entrara em acao! Um equilibrio entre o mercado e o Estado! Agora falar em desemprego no BR é perder a credibilidade!

 

Pelo que se depreende do debate, tudo o que o Jotavê quer é reviver o estado do Bem Estar Social, deixando de lado que os seus administradores tinham o respaldo do neocolonialismo capitalista para bancar as rebarbas do sistema, enquanto nós temos somente a nós mesmos e as nossas dividas. O Estado do Bem Estar Social, frise-se, só avultou por medo do comunismo no pós-2ª Guerra, e hoje briga para se manter de pé na maioria dos países que ainda o bancam, aliás com uma carga tributária rondando os 50% do PIB, o que é justíssimo, mas só é uma forma mais fácil de administrar um problema que ganha area de solução com a expropriação dos povos do Cone Sul. Penso que não se deve querer que a esquerda apresente soluções para os problemas do capitalismo, mas uma esquerda que acabe com ele.

 

Eu creio, Jotavê, que a sociedade um dia terá que aceitar o ócio. Isto significa uma mudança de valores: as pessoas não teriam que se sentir párias ou inferiores por não fazerem nada, e seriam remuneradas para isto. Teríamos que mudar da ideia de trabalho para a de livre atividade. Mas isto implica no rompimento com o capitalismo e não implica na volta do socialismo. Creio que o único regime que daria conta de uma tal situação seria alguma espécie de anarquisto. Nele, teríamos organizações coletivas e regimes de troca, mas nem de longem lembrariam o estado ou o mercado.

E também nele o trabalho, que nós tanto amamos e valorizamos, seria desvalorizado, como a nobreza fazia. Digamos que precisaríamos trabalhar, pelo menos alguns de nós, mas isto seria encarado como uma tarefa do servo interno de cada um e nós não deveríamos viver em função deste servo (como hoje vivemos) e sim em função do ímpeto do nobre e da preguiça do vagabundo. O nobre e o vagabundo também seriam internalizados em cada um de nós e teriam primazia sobre o servo trabalhador. O que estou descrevendo é uma nova economia da psique (coletiva e individual) necessária a esta nova ordem. Não nos sentiríamos culpados ou infelizes por não fazer nada (como os vagabundos) ou por fazer a maior parte da coisas por prazer e capricho (como os nobres). Talvez este momente esteja chegando, talvez não.

De certa forma, esta ideologia (ou contra-ideologia) contra o trabalho e o 'emprego' já circula em nossa sociedade desde o romantismo, com os dândis, os hippies, os punks e outros grupos undergrounds que não são levados a sério. Mas veja que muita arte nasce em sintonia com este underground e os artistas, desde sempre, costumam ser os primeiros a vislumbrar os desejos da sociedade por uma nova ordem. 

 

O problema seria se muita gente resolvesse aderir à pratica do não fazer nada..., ai ficaria complicado.

 

@DanielQuireza

Tem que ver que tipo de esquerda você está acostumado a conversar, a ler, ouvir, etc.

Se ficar ouvindo aquela esquerda de mesa de bar que fica enchendo a cara e reclamando do capitalismo achand  que vai mudar o mundo deste jeito, você está ouvindo as pessoas erradas.

Não tenho culpa se existem ainda estas pessoas.

O que eu tenho ouvido na esquerda e gostado bastante ultimamente é este cidadão aí:

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

droubi,

Só conheço o Zizek de entrevistas e artigos de jornal, ou seja - NÃO conheço. Estou com uma cópia do Living in the End Times aqui comigo. Está na fila. Se topar, podemos organizar uns seminários virtuais no segundo semestre. Usar o espaço do Nassif para isso. Estou terminando de escrever minha livre-docência. Até final de agosto, entrego. Depois, podemos combinar. É só ajeitar o formato. Acho que é importante.

Minha crítica básica, você entendeu: desconfio que daí não sai uma POLÍTICA. Sai apenas uma IDEIA REGULADORA. Nada mais. 

 

Jotavê,

O termo desemprego estrutural eu penso que foi incorretamente utilizado neste seu texto.

Desemprego estrutural é um termo que se usa para dizer que há um desemprego com origens na estrutura do sistema, de incompatibilidade entra as qualificações exigidas pelos empregadores e das qualificações possuídas pelos desempregados.

A questão dos desemprego em geral e dos sub-emprego são diferentes. Há hoje muito desemprego no mundo desenvolvido por falta de demanda.

E se tem alguém que tem as soluções para isto é a esquerda.

Redução da jornada de trabalho criaria mais empregos com o mesmo nível de demanda.

Programas sociais de distribuição de renda para os mais pobres são fortes geradores de demanda.

Intervenção estatal na economia em tempos de crise, para a construção de infraestrutura, hospitais, escolas, creches, etc. é fundamental para a criação de demanda.

Tudo isto está sendo proposto pela esquerda.

O problema não está na esquerda.

Está na direita capitalista neoliberal que se recusa a aceitar quaisquer destas soluções não importa o tamanho da bagunça que o sistema se encontre.

Diante destas situações de impasse, em algum momento, se a direita não ceder, só haverá espaço realmenta para uma coisa: guerra.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Jotavê,

Não concordo que a esquerda esteja neste vamo-que-vamo.

Não concordo que o desemprego estrutural seja o principal problema das sociedades hoje.

Nos países desenvolvidos, claramente o problema é a demanda agregada insuficiente. Até pouco tempo atrás o sub-emprego passava longe da população deste países.

Nos países em desenvolvimento, obviamente sempre existiu e ainda existe sub-emprego, assim como desempregados, mas o surto de crescimento dos últimos anos, se mantidos, tenderão a diminuir muito o problema, se as circunstâncias externas, em especial a crise dos países desenvolvidos, não vier a nos atrapalhar em demasiado.

O que a esquerda em geral vem pedindo é a volta do keynesianismo: em tempos de crise, como este, uma forte intervenção estatal para que haja a elevação da demanda agregada que venha a redinamizar a economia.

E o que a esquerda marxista, ou pós-marxista vem fazendo é de maneira nenhuma ir no vamo-que-vamo, mas progredir no nível teórico, antes de qualquer ação radical de socialização dos meios de produção e centralização da economia que, você disse muito bem, as experiências do último século foram verdadeiras catástrofes.

Agora o que está num vamo-que-vamo desenfreado é o capitalismo, que ainda não deu conta de resolver e nem dá sinais de que resolverá no futuro, do ambientalismo, dos direitos autorais, da miséria, da fome, entre outros.

É preconceituosa a sua análise quando exclui o capitalismo, principalmente a face mais bárbara dele, o capitalismo liberal das últimas décadas, que está ainda aí a fazer mais e mais vítimas a cada dia.

Não podemos culpar a esquerda agora das mazelas do capitalismo.

A esquerda ja tem culpa demais para carregar nas costas.

 

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Droubi,

A questão envolvida na ruptura é a seguinte. Num primeiro momento, seja qual for a receita, você tem uma desorganização brutal da economia. Como é que se administra a transição? Democracia não serve para isso, cara. Na democracia, você consegue fazer o próximo lance dentro do MESMO jogo. "Ah, mas então é o fim da história?" De jeito nenhum. Sempre houve rupturas e tudo indica que continuará havendo. Mas (com exceção das rupturas socialistas do século XX, que tiveram -  TODAS - que recuar) elas nascem de movimentos internos, que vão se acumulando (caso da transição para o Capitalismo), ou de uma convergência de entropia com guerras e invasões (caso da passagem ao Feudalismo). A questão da política é mais modesta. Só que, se ficarmos com os olhos postos na ruptura, não teremos nem isso.

 

Ok,

Eu entendo que você fala.

Mas as rupturas socialistas do século XX foram rupturas abruptas, porque se deram na periferia do sistema.

Se deram em países em que claramente não ahvia talvez sequer uma indústria, quanto mais capitalismo, como Rússia, China, Cuba.

Este talvez tenha sido o maior erro da história do socialismo.

Mas veja, eu entendo que a social-democracia que, acontenceu dentro do sistema capitalista, que, lógicamente, como você disse, veio trazendo avanaços dentro do mesmo jogo, não conseguiu fazer uma transição para uma sociedade socialista no século XX.

Mas pegue um destes outros dois exemplos que você citou: a transição para o Capitalismo.

Entre o surgimento da burguesia e a revolução francesa, séculos se passaram.

Não há uma receita de bolo simples para a esquerda. Se fosse fácil, já teríamos feito a transição.

Mas esta transição pode vir a durar séculos, como a transição capitalista.

O real problema agora é o vamo-que-vamo do capitalismo, pois pode ser que não tenhamos séculos para mudar este sistema que está se auto-destruindo e destruindo o mundo também, como disse o Metzáros na sua visita ao Brasil no mês passado - que era a esquerda que você deveria estar ouvindo, p. ex..

Pelo nível de rapidez que se dá degradação ambiental, as mudanças climáticas, as mudanças biogenéticas, etc, é provável que não tenha tempo hábil para se reverter este quadro.

É aí que talvez precisemos de ruptura. Ou rompemos radicalmente com este sistema, ou morremos todos.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

É realmente um grande problema. Mas acredito que no Brasil ainda vai demorar para essa situação ficar insustentável.

Provavelmente a solução esteja no que voce colocou no último parágrafo. Teria que ser um capitalismo com uma intervenção estatal capaz de garantir que a desigualdade não cresça insustentávelmente, através de tributação, programas assistencias de renda mínima, educação, etc..

Mas penso que ninguem tem a solução prática para este problema. A solução será construída no dia-a-dia.

 

@DanielQuireza

Sabe o que eu acho, Daniel? Temos que ter uma esquerda que enfrente corajosamente a questão dos CUSTOS. Que pense com coragem, até as últimas consequências, questões de GESTÃO - sem recuar diante dos velhos dogmas envolvendo funcionalismo público e previdência social. E que compense o alto nível (NECESSÁRIO) de impostos com um programa RADICAL de desburocratização. 

Nada de reduzir impostos. Você monta uma estrutura de GASTOS que possibilite INVESTIR (sem isso, o carro pára) e manter a rede de proteção social. Aí, encosta TODA a grana excedente na educação. O pacto social passa a ser o seguinte: "Damos um mínimo para você. Mas o Brasil continua crescendo, e seu filho terá exatamente aquilo que qualquer filho da classe alta também tem."

Qualquer pai fecha negócio na hora.

 

Pode ser sim. Até concordo.

Mas e o discurso para ganhar as eleições ?

 

@DanielQuireza

Tem que esquecer isso, Daniel. Fazer o que a turma da Casa das Garças está fazendo. Dão uma banana pro eleitorado. Estão pensando o Brasil, e uma proposta liberal de governo. Quando o cavalo passar selado, eles montam. 

 

Pode ser.

Acredito que essa seja a bandeira do Governo.

O PT creio que não fará isso porque é muito dividido e tem muita gente que pensa diferente também.

Talvez seja uma boa bandeira para o PSB.

 

@DanielQuireza

Cara, depois de todas as discussões dos últimos dias, você ainda acredita que a Casa das Garças é isto?

Uma instituição que quer o melhor para o Brasil. Um estado liberal que seja melhor para o país?

Não vou te chingar, mas você é estúpido. Não no sentido chulo, mas no sentido de quem acredita nas coisas de uma forma literal.

E quem lê os textos da Casa das Garças de maneira literal e não interpreta nas entrelinhas, só pode ser estúpido.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Conheço pessoalmente alguns dos participantes, droubi. É um absurdo isso que você está dizendo. São pessoas da melhor qualidade que você possa imaginar, e intelectuais de PRIMEIRÍSSIMA linha. Leram muito, muito, muito mesmo. Passaram por peneiras pelas quais pouca gente passa. 

Não podemos mais endossar esse tipo de discurso. A coisa descamba para o estilo Reinaldo Azevedo de argumentação - o adversário é um canalha, mal intencionado, e só um imbecil pode pensar aquilo que ele pensa. Vamos recuar desse discurso, cara. Não faz o menos sentido. É tosco demais, poxa. A pessoa só fala desse modo caso se sentir impotente diante do outro. Chuta o balde, e pronto. Não é o caso. Temos que construir ARGUMENTOS bons.

 

Intervenção estatal? O estado precisa é sair de cena. Ele é um grande problema, não a solução. A crise que está ocorrendo por aí é só a conta depois da farra.

 

O Estado é uma evolução humana. Ademais que farra foi essa que não me chamaram?

 

"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Agora, quando os bancos vão para a casa do chapéu, a gente sai pedindo pelo amor de Deus para o Estado voltar e pôr as coisas no lugar, né?

Conheço o raciocínio, mas não concordo. A história recente é uma redução ao absurdo dessa postura.

 

Se os bancos vão para a casa do chapéu, boa sorte pra eles. O estado não deve socorrer quem é incompetente. Pior é quando socorre alguns e deixa outros quebrarem. Fez besteira que arque com as consequências.

 

E os empregos, Jen, e os empregos?

Uma economia não se faz só de dinheiro, as pessoas comuns, inclusive empregados de bancos, precisam de empregos pra viver.

Dinheiro sem emprego e sem produção é mero capital especulativo, e olha ai o que esse capital é capaz de fazer...

 

E os empregos, Jen, e os empregos?

Uma economia não se faz só de dinheiro, as pessoas comuns, inclusive empregados de bancos, precisam de empregos pra viver.

Dinheiro sem emprego e sem produção é mero capital especulativo, e olha ai o que esse capital é capaz de fazer...

 

Quem teria que ir são os donos dos bancos e os executivos responsáveis pelos maus feitos.

Os bancos não, senão a economia vai junto. Todo banco é como que sócio do Estado. Banco não é empresa comum.

 

@DanielQuireza

O problema é que, nesses casos, os PAÍSES vão para a casa do chapéu junto com os bancos.

 

E esse foi o argumento usado pelo Obama e eles continuam indo para a casa do chapéu...

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

Nassif:

Que o JOTAVE gosta de um tucano a gente já sabe. Mas este papo de "desemprego estrutural por causa da tecnologia", faça-me o favor!

Me sinto na obrigação de lembrar que emprego decorre do desenvolvimento. Sim! Na Europa há subemprego porque o continente não cresce há muitas décadas, está imerso na crise e dela não sairá tão já.

Mas, veja se na China alguém está preocupado com falta de vagas? E olha que estamos falando de um país que cresce, em média, um Brasil por ano.

Ainda, lembro também que o Japão, país exemplo no uso da automação, foi o único país do mundo a atingir o pleno emprego - ou seja, zero de desemprego - sem prescindir da tecnologia.

Logo, este papo de Garças é uma racionalização sem fim para justificar a miséria, que ganha ares intelectualizados quando sucedida pelo adjetivo "estrutural", mas que não passa da boa e velha "fila da sopa" do FHC.

Afinal, se houver desenvolvimento, quem vai servir a comida das Garças?

 

Moacir

Todo o ponto deles é exatamente esse: ênfase TOTAL no desenvolvimento. Corte de despesas com custeio e previdência, liberando dinheiro para infraestrutura, corte de impostos para aumentar a poupança privada, e livre fluxo de capitais para trazer investimento externo. São ELES que apostam todas as fichas no desenvolvimento. A distribuição, na opinião deles, vem de brinde. 

 

Kkk.

E na cabeça da Casa das Garças, Jotavê, pro desenvolvimento só é preciso isto: cortar impostos, cortar gastos sociais e abrir livre-fluxo de capitais.

É o desenvolvimento que vem de brinde no modelo deles.

O que vem com certeza e é o que eles querem é a concentração de renda.

Quando uma pessoa não quer entender uma coisa fica difícil.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Não podemos provocar clinche, droubi. O pressuposto geral tem que ser sempre o seguinte: o adversário é absolutamente honesto. O objetivo não é provar que ele é um canalha. O objetivo é provar que ele está ERRADO.

 

"Corte de despesas com custeio e previdência, (...)"

Kkkkkkkkkkk... Olha o manual aí gente! O velho e surrado manual neoliberal... a turma do Estado mínimo; suficiente apenas pra financiar... privatarias, por exemplo! Êta Casa Grande. O diabo até que tenta; mas sempre aparece nem que seja uma pontinha do rabo.

 

Pois é, na cabecinha do JV e do pessoalzinho da casa das garças, não entra o RESPEITO em manter a aposentadoria de pessoas que trabalham ao lado de alto-fornos sofrendo deltas de temperaturas desgastantes, ambientes penosos e/ou periculosos, pessoas que respiram benzeno, particulados, gases ácidos, sílica, pessoas que trabalham em noites de Natal, Ano Novo, carnaval, e depois querem o sossego de uma aposentadoria decente. E quando falo disto, não falo só de petroleiros ou qualquer estatal, que pagam uma nota de fundo de pensão mas tem direito à suplementação, pois estes são uma minoria, falo de milhões de trabalhadores de empreiteiras, operários de pequenas e médias indústrias, pessoas que simplesmente NÃO VIVEM em média 65 anos, e não tem tempo nem dinheiro para desfrutar o ócio dessas "cabeças pensantes". É muito fácil falar friamente sobre corte de previdencia ou aumento de idade para aposentadoria (mortos não se aposentam), quando se trabalha em salas de aula (ou casas com garças). E não me venha dizer que não é isso que voce está defendendo, pois nunca vi um liberal perder tempo em analisar caso a caso, o "choque de gestão" é sempre feito à machadadas e sem dó. 

E mais uma vez lhe faço o humilde pedido, pare de dizer que você é de esquerda! Tudo bem que a esquerda está longe da perfeição (eu sou favorável a um franco hibridismo), mas as idéias que voce exprime NÃO SÂO DE ESQUERDA.

Um abraço.

PS: Existem alguns comentadores que lhe são desrespeitosos enquanto indivíduo, ou lhe "recomendam" outras paragens. Quanto a esses, os repudio e me solidarizo contigo, pois voce escreve sobre o que acredita, faz contra ponto no espaço e dá a cara a tapa, e eu respeito isso. Só briguei feio contigo quando achei que voce foi desrespeitoso ou preconceituoso, pecado que eu e todos aqui podem cometer (e cometemos) no calor dos debates. Digo isso porque sei que lhe contraponho argumentos com aspereza e franqueza indignada, mas nunca desrespeitando o homem.   

Outro abraço.

 

"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Aí dps não quer que falem que ele é de direita sendo que o discurso dele é típico da direita.

É muita esquisofrenia para a minha cabeça.

A menos que a esquerda que o JV pensa é a "esquerda" do PSOE da Espanha ou PSD de Portugal.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

Acho que voces não entenderam. No texto ele bota "deles" em todo o momento.

 

@DanielQuireza

Desta forma não haverá distribuição e diminuição da desigualdade por alguns motivos básicos:

1) Os juros compostos. Ex: Se eu tenho 1 milhão e voce tem 10 mil é evidente que é mais fácil a diferença entre a gente aumentar do que diminuir.

2) Quem já tem mais dinheiro sabe ganhar mais dinheiro do que quem tem menos, pelo menos na maioria das vezes. Ex: Se eu tenho um posto de gasolina e voce não tem nenhum é mais fácil eu abrir o segundo do que voce abrir o primeiro porque eu ja tenho o Know how.

Claro que as situações não são a regra absoluta, existirão várias excessões. Mas de uma maneira geral creio que o aumento da desigualdade se dê por ai.

Cabe ao estado meios de intervir no sentido de que: 1) Todos tenham um mínimo necessário, ainda que seja bem mínimo.  2) Não ocorram desigualdades em nives insustentáveis (indice de gini em algum fator razoável). 3) Tentar asseguar que quem "tem menos" nos ex acima consiga ter a oportunidade de pelo menos tentar chegar a ser o que "tem mais". Desta forma a liberdade e a criatividade não seria ou seria menos tolhida.

 

@DanielQuireza

Eu prefiro acreditar na superação do capitalismo do que acreditar que o sistema atual com a sua irracionalidade racional seguirá na fantasia do crescimento infinito a partir de recursos finitos sem acabar com o planeta.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 O texto é muito maniqueísta. A queda do Muro de Berlim é uma resposta de que essa economia planificada fracassou. E a vitória do Capitalismo tb não é a solução.

 Temos que buscar a Utopia que perdemos nos anos 90.

Nada de ideias preconcebidas.

 

 

Os poucos a se lembrarem ainda irão usar botons de Guevara por muitos anos.

Os que ainda se sentem "esquerda".

Qual a nova referência para um novo botom? Lula? Mas Lula não é de esquerda!

A luta hoje já não é esquerda x direita.

Hoje temos meias-direita x pontas-direita.

O capitalismo não se importa com a periferia. Importava mais ou menos quando esta periferia servia para mão-de-obra.

Se em alguns anos eles, periferira, passarem a se movimentar tal qual zumbis pelo mundo, o máximo que a direita fará é aumentar os muros para bloquear os passos adiante.

Quem sabe aí se perca e fé racional em Santa Rita de Cássia, mande a  ternura às favas e uma grande ruptura possa reorganizar as coisas.

 

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Reoganizar as coisas COMO, Edmilson? Desenrole a língua, cara. Propriedade coletiva dos meios de produção, com planejamento centralizado. É isso que você tem em vista, não é? Apesar da URSS, da China, da Albânia, da Romênia, é isso que você tem em vista? Assuma os riscos do debate, poxa.

Minha geração pode ter feito muita besteira, mas tinha uma CLAREZA exemplar nessas horas. A primeira pergunta era - de onde virão as armas? Podíamos falar um monte de abobrinhas, mas ninguém tinha ilusões sobre o tamanho da encrenca. 

A minha impressão é que a geração mais nova acha que dá para comprar revolução no supermercado.

 

Jotavê, deixe de trolagem. Ninguém defendeu comunismo russo ou chinês, quem falou nisso foi você. E ninguém aqui dividiu nada em esquerda/direita, o seu texto é que já começou falando disso. Provocar os outros não faz de você o dono da verdade. Não somos nós que temos que conseguir respostas para as suas crises existenciais, quem acha que a "esquerda" está atolada em gargalos, dilemas e desafios é você. Pra mim quem tem muitos gargalos e desafios é a turminha do PSDB/DEM.

Uma boa alternativa ao capitalismo arraigado que você tanto adora (mas sempre jura que não adora...) é o que o Lula fez em 8 anos, com programas sociais sólidos e expansão do crédito, retirando as pessoas da pobreza. O PSDB no mesmo período de 8 anos no poder quebrou o país três vezes, não gerou emprego e não tirou pessoas da pobreza. Só quem quer discutir quem foi melhor é você.

Esse seu papo-furado de que Lula errou e que Dilma insiste no erro, que o PT não fez nada de mais além de dar continuidade a FHC, que a "esquerda" está atolada em gargalos e desafios, é só blá-blá-blá whiskas sachê. É um argumento de auto-reforço, de quem precisa se convencer daquilo que acredita pela repetição em voz alta das próprias crenças.

 

No Brasil a única proposta política da Oposição é o golpe.