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O fim da escrita cursiva nos EUA

Do Valor

Ensino americano abandona aos poucos a escrita em cursivo

Alex Ribeiro | De Washington
18/07/2011 

O Estado de Indiana, localizado no Meio-Oeste americano, acabou com a exigência de que as suas escolas ensinem a escrita cursiva, aquele estilo de escrever em que as palavras são formadas com letras emendadas pelas pontas. Com isso, juntou-se a uma onda crescente nos Estados Unidos de privilegiar no currículo outras habilidades hoje consideradas mais úteis, como digitar textos em teclados do computadores.

Com a mudança, Indiana alinha-se a um padrão comum de ensino adotado por 46 Estados americanos. Nele, não há nenhuma menção à escrita cursiva, mas recomenda-se o ensino de digitação. É um reconhecimento de que, com as novas tecnologias, como computadores e telefones inteligentes, as pessoas cada vez menos precisam escrever de forma cursiva, seja no trabalho ou nas suas atividades do dia-a-dia. Basta aprender a escrever com a mão - exigência que ainda faz parte do currículo de Indiana e dos padrões comuns adotados pelos estados - seja com letras de forma, cursiva ou um misto dos dois estilos.

Também é um reflexo do que muitos nos Estados Unidos veem como uma sobrecarga no currículo escolar, com tempo sempre insuficiente para ensinar disciplinas consideradas fundamentais para passar nos testes usados para admissão nas faculdades, como matemática e leitura de textos. Pesquisas nacionais sobre como o tempo é gasto nas salas de aula mostram que 90% dos professores da 1ª a 3ª séries do ensino primário dedicam apenas 60 minutos por semana ao desenvolvimento da escrita com a mão.

A tendência de abandonar o ensino da escrita cursiva é vista com preocupação por parte dos americanos. Para alguns, as novas gerações terão mais dificuldades para fazer atividades básicas, como preencher e assinar cheques. Outros ponderam que os jovens não serão capazes de ler a declaração de independência no original, toda escrita de forma cursiva, num argumento que apela para o patriotismo americano.

Richard S. Christen, professor da Escola de Educação da Universidade de Portland, no Estado do Oregon, é um dos que dizem que as escolas devem pensar duas vezes antes de suspender o ensino da escrita cursiva, embora ele considere cada vez mais difícil defender a tese de que essa é uma habilidade com valor prático. 

"Se você voltar ao século XVII ou XIX, seria impossível fechar negócios sem os escrivãos, que foram cuidadosamente treinados na técnica de escrever com as mãos para registrar os fatos", disse Christen ao Valor. "Mas hoje o valor prático disso é bem menor."

Ele pondera, porém, que a escrita cursiva também tem um valor estético em si mesma e diz respeito a valores importantes como civilidade. "A escrita cursiva é um jeito de as pessoas se comunicarem com as outras de forma elegante, valorizando a beleza", afirma. "Essa é uma chance para as crianças fazerem algo com suas mãos todos os dias, prestando atenção para os elementos de beleza, como formas, contornos e linhas", afirma. Além disso, estimula as crianças a prestarem atenção na forma como se dirigem e se comunicam com as outras pessoas.

Para o professor Steve Graham, da Universidade de Vanderbilt, uma das maiores autoridades americanas no assunto, a questão central não é necessariamente a escrita cursiva, mas sim preservar o espaço para a escrita à mão de forma geral no currículo.

Apesar de todo o barulho em torno das novas tecnologias, a realidade, afirma ele aoValor, é que hoje a maioria das crianças nas escolas americanas ainda faz os seus trabalhos em sala de aula com as mãos, pois de forma geral ainda não existe um computador para cada uma delas. Num ambiente como esse, a boa grafia é crucial para o bom aprendizado e para o sucesso na vida acadêmica, ainda que no mundo fora das salas de aula predominem computadores, iPads e telefones inteligentes.

Pequisa recente conduzida por Graham mostra que, se trabalhos escolares ou provas são apresentados numa grafia sofrível, as notas tendem a ser mais baixas, a despeito do conteúdo. "As pessoas formam opiniões sobre a qualidade de suas ideias com base na sua qualidade de sua escrita", afirma Graham.

Nesse estudo, alunos escreveram redações, que foram submetidas em seguida a avaliações com notas entre 0 e 100. O passo seguinte foi pegar redações medianas, que tiveram nota 50, e reproduzir seu conteúdo em duas versões, uma com grafia impecável e outra com grafia sofrível, embora legível. Submetidas a uma nova avaliação, a conclusão é que a mesma redação mediana ganhou notas muito boas quando escrita com letras caprichadas e notas inferiores quando escritas com garranchos.

A habilidade de escrever à mão também tem influência sobre a capacidade da criança de produzir bons conteúdos na escrita. Velocidade é crucial. Quando a escrita se torna um processo automático, afirma Graham, as ideias fluem mais rapidamente do cérebro para o papel e, portanto, não se perdem no meio do caminho. Pessoas bem treinadas para escrever com as mãos fazem tudo de forma automática e não precisam pensar sobre o que ocorre com o lápis - e sobram assim mais neurônios para serem dedicados a coisas mais importantes, como refletir sobre a mensagem, organizar as ideias e formar frases e parágrafos.

São bons argumentos para não se abandonar o ensino da escrita à mão pela digitação. Mas qual técnica é mais importante: a cursiva ou a simples escrita à mão? Graham diz que a escrita em letras de forma é em geral mais legível do que a cursiva, mas a escrita cursiva é mais rápida do que a escrita em letra de forma. "As diferenças não são grandes o suficiente para justificar muito debate", disse. "O importante é ter um estilo de escrita à mão que seja ao mesmo tempo legível e rápido."

Mas no futuro, reconhece ele, o ensino da escrita à mão pode se tornar menos importante, à medida que ter um computador para cada aluno se torne algo universal. O ensino de digitação, por outro lado, torna-se cada vez mais relevante. "Eles são muito bons com seus telefones, com o twitter, mas não com os computadores", afirma Graham. 

No Brasil, educadores se dividem sobre benefícios

Vitor Paolozzi | De São Paulo
18/07/2011 

Pais decepcionados com o aprendizado dos filhos poderiam dizer que tudo não passa de um debate bizantino sobre se é melhor tentar decifrar garranchos escritos com letra de médico ou torpedos criptografados numa novilíngua que aboliu as vogais. De qualquer forma, as opiniões se dividem também entre os educadores brasileiros quando se discute a validade de um abandono do ensino da escrita em cursivo.

Para Telma Weisz, doutora em psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP) e supervisora pedagógica do Programa Ler e Escrever, do governo do Estado de São Paulo, "a escrita manuscrita é um resto da Idade Média". "Do ponto de vista da aprendizagem, não há perda em não usar a manuscrita", afirma. Segundo ela, a escrita cursiva ajuda o aluno a memorizar a forma ortográfica das palavras, mas um programa de computador processador de texto tem a mesma eficiência, "com mais recursos, aliás".

Weisz diz que o problema não é desprezar a escrita cursiva e mergulhar de vez na digitação, e sim que "no Brasil não há condições de se fazer isso. Temos escolas onde não há luz, que dirá escola onde todos os alunos tenham um computador".

João Batista Araujo e Oliveira, doutor em pesquisa educacional pela Florida State University (EUA) e presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à alfabetização, discorda de Weisz. "Há pesquisas que comparam crianças que aprenderam com a letra cursiva e que aprenderam no teclado, e quem escreve mais à mão grava mais a forma ortográfica da palavra", diz.

No entanto, Oliveira não tem uma posição radical contra a política adotada pela maioria dos Estados americanos, de não obrigar o ensino do cursivo. "Essas coisas mudam mesmo, é inevitável. Sempre que você tem uma tecnologia nova você procura um meio mais eficiente de avançar. A letra cursiva, por exemplo, é um grande avanço em relação à letra de forma, porque o aluno não tira o lápis do papel."

Oliveira acredita que antes de se fazer uma mudança dessas é preciso pensar nos "efeitos colaterais", dando como exemplo a tabuada e a máquina de calcular. "Para pagar o táxi, o cafezinho, você tem que fazer conta de cabeça. Quem só ensina usando a calculadora priva o cidadão de uma competência que dá uma eficiência social muito grande."

Luis Marcio Barbosa, diretor-geral do colégio Equipe, de São Paulo, descarta adotar a política na sua escola. "Há um conjunto de aprendizado que vem junto com o aprendizado da escrita cursiva que é imprescindível para o desenvolvimento das crianças, que tem a ver com a motricidade, com a organização espacial." E, além de tudo, diz, "as crianças podem aprender as duas coisas, não precisa ser uma em detrimento da outra." 

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jacob bontempi

subject means so much more than assunto...

"a escrita manuscrita é um resto da Idade Média".

E a língua portuguesa é uma utopia

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Artigo em pdf: The Relationship Between Handwriting Style, Speed and Legibility

Conclusões: quem mistura escrita "de forma" e cursiva escreve mais rápido e é mais legível

 

Escrevo bastante rápido ao teclado mas voltei há algum tempo a escrever à mão também: anotando e fazendo resumos de assuntos de meu interesse. Recuperei uma caneta-tinteiro. Consegui ainda encontrar tinteiros no comércio. Acho que escrevendo resumos à mão fixo melhor o que estou lendo. Sempre estudei assim mas é lento, reconheço.

Agora tem o lado estético do manuscrito. Os chineses, os japoneses e os árabes também cultivam esta arte. É belíssimo. Transcende a utilidade mais imediata do escrever. No caso da escrita ideográfica dos sino-japoneses acho além do mais que o envolvimento das funções motoras  que a escrita cursiva exige é parte integrante da fixação dos ideogramas pelo aprendiz.

A questão se deveria ou não ser abandonada a escrita cursiva? Será que o ensino e a execução da música através dos instrumentos tradicionais deveria ser abandonada pela execução programada através de sintetizadores?  Inveja que tenho de vocês músicos profissionais ou não, L.Nassif. Privilégio ter tido acesso a uma educação musical. Por outro lado é impossível que se possa viabilizar todo o tipo de experiência de aprendizado às crianças. Não sei o que responder.

 

Se o post fosse sobre o "fim da escrita à mão" seria radicalmente contra, mas não vejo o porquê de se insistir num determinado tipo de escrita quando ele se torna pouco importante (a escrita gótica é um belo exemplo http://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita_g%C3%B3tica ). Abandonei a cursiva já há muito tempo e hoje dificilmente escrevo algo à mão. Aliás, o próprio raciocínio meu de escrever textos já pressupõe o uso de computador (e estou na casa dos 30, imaginem as gerações mais novas). Às vezes leio cartas datilografadas e fico me perguntando como deve ter sido duro o tempo de escrever sem recursos como um backspace, copiar e colar, rearranjar a ordem das orações, reeditar, enfim... Só esse comentário editei umas 3 vezes.

 

Maria, a escrita cursiva foi inventada porque ela é mais rápida e mais automatizável do que a escrita à mao em letras de imprensa. Tente tomar notas durante uma palestra escrevendo em letras de imprensa... Você perderá mais de metade das coisas ditas, pior, ficará tudo escrito pela metade, sem nem uma idéia completamente escrita. Entao, ou você é radical, e desiste da escrita à mao -- com o risco de nao saber escrever quando nao puder dispor de um teclado -- ou usa a cursiva.

 

As maos nos acompanham onde vamos. Computadores com teclados estao presentes às vezes, nao sempre. E fichar um livro para estudar com um computador? Acaba-se levando um tempo enorme com formataçao, etc., tira a atençao do essencial. E fichar é uma das formas mais eficientes de estudar. Sem falar na habilidade de tomar notas enquanto se ouve uma conferência. Nao dá para fazer isso com teclado... É como achar que, porque as calculadoras existem, nao é mais necessário aprender a fazer contas. Isso é andar para trás.

 

Ao aprender a escrever com letra cursiva, o cérebro realiza uma série de conexões que servem para outras coisas, como desenhar. No meu primeiro ano de escola, meu mestre, o Sr. Ortega (ainda dá aulas no Colégio Marianista em Buenos Aires) fazia questão de que cada aluno aprendesse caligrafía. Sua letra era lindíssima, todos os pais admiravam ela, tinhamos uns caderninhos com linhas fininhas para medir melhor o tamaho de cada letra. Passavamos a escrever com caneta de tinta de um em um, na medida da evolução de cada aluno.

Quando comecei minha vida profissional, como assistente de direção de arte, na JWThompson, ainda não existiam os computadores. Faziamos os layouts na mão, com gouache e hidrocor. Demais está dizer que aquelas aulas de caligrafia me ajudaram a ganhar meus primeiros salários na propaganda. Com aquela habilidade, virei diretor de arte, pois meus roughs eram bem feitos, com traços definidos. O computador é uma ferramenta extraordinária, mas não desperta habilidades para a pintura, para o desenho. Vejam os traços elegantes do Niemeyer. Faz isso no computador! Tirar o ensino de caligrafía, dizer que tudo é digital hoje, pra mim, é uma aberração. A pintura é uma arte que acompanha a humanidade desde que o homem pintou as cavernas em Altamira. Os arquitetos, os desenhistas gráficos, todos começam suas idéias no papel. Depois vão pro computador.

Sim a letra cursiva, sim a habilidade de escrever com a mão! Por mais que depois usemos um iPad.

 

"Ao aprender a escrever com letra cursiva, o cérebro realiza uma série de conexões que servem para outras coisas, como desenhar."

Discordo. Acredito que seja o oposto, o desenho precede a escrita no desenvolvimento infantil, é a partir da escrita que as crianças param de desenhar. Não é a toa que a maioria dos adultos desenham ainda como crianças. O mundo passa a ser "traduzível" por letras e não por formas. E digo isso com um "infelizmente' implícito, já que o pensamento plástico não pode ser reduzido à escrita.

 

Acho que como podemos ligar matematica a fisica e astronomia, pode-se livremente ligar letras a desenhos e artes, sem necessidade de  gritaria, claro.
Sou adepta a computadores, not, tablets, ipads e tudo mais, mas amo pintura e caligrafia,  musica e desenho como amo calculos , e posso ver e viver num mundo onde os dois existam .
Ao  receber  cartas de dois admiradores diferentes, um digitalizado e impresso e outro escrito a mão, tendo todo o trabalho e carinho de caprichar em cada letra e volta, a qual se dá mais atenção?
Não sou contra digitalização, hoje vemos todos os tipos de letras em programas para isso, mas abolir a escrita nas escolas seria um retrocesso cultural na minha opinião.
Não se parou de ensinar a pintura, algumas escolas valorizam mais canto e dança, e se como essas matérias a escrita cursiva fizer parte da arte, seria fundamental que as crianças escrevessem no minimo, concorda?
Estamos sendo praticos demais e esquecendo algumas coisas, logo História será desnecessária e assim tambem não será necessários museus, galerias de artes.
Que tipo de mundo seria esse?
As pessoas viajam a outros paises para visitar museus, centros históricos e admiram locais onde  a escrita antiga ainda é conhecida  ao mesmo tempo em que gritam "Abaixo as canetas".
Isso é deprimente, contraditório, falso e deprimente.


 

Algumas coisas que é bom lembrar:

Atualmente os alunos têm aprendido primeiro a letra bastão (de forma) para depois serem apresentados à escrita cursiva, por conta do modo como a criança desenvolve a leitura e a escrita (fases pré-silábica, silábica e alfabética - um colega alfabetizador saberia explicar melhor que eu).

A menor ênfase no treino caligráfico não impede alunos de ter letra legível e agradável, assim como treinar caligrafia até a 6ª série não impediu colegas meus de terem letra ilegível.

No início da adolescência, muita gente começa a fazer variações sobre a letra cursiva que aprendeu com as professoras, até chegar a sua letra definiva (no meu caso, acabei misturando cursiva com bastão minúscula).

A escrita a mão, pelo fato de ser um exercício de coordenação motora fina, não deveria deixar de ser ensinado, e nem acredito que ela vá cair em desuso. Diários de papel e pichações ainda estão por aí. ;)

O bilhetinho anexo foi escrito num editor de imagem com uma mesa digitalizadora
 

Sei não, há algum tempo sugeri de entregatmos aos alunos nosa aula já pronta. Fui rebatido na hora "se já está difícill a atenção e a disciplina eles tendo de copiar, imagine se não precisarem".

Particularmente acredito que  o ato de escrever auxilia na fixação. Não me vejo estudando Física, Cálculo e similares tendo de fazer as passagens matemáticas num teclado, mas sei lá, vai ter fente que achará simples.

 

O Senhor Walter Serralheiro estava indo tão bem na sua pauta até que pisou na bola ao arrolar os Long Plays no seu index de coisas em desuso...

 

Fazer apologia de se manter a escrita cursiva está na mesma ordem de manter o ensino de como extrair raiz quadrada, de saber a taboada, de ler a taboa de logarítmos, escutar música em "long-play", consultar lista telefônica e outras coisa que caíram no desuso com a tecnologia.

Eu "sou do tempo" que se estudava tudo isso e usava tudo acima... Hoje, raramente escrevo cursivo. Assinar meu nome, há muito tempo não o faço. Nem talão de cheque eu tenho. É tudo digital, inclusive a assinatura. E eu escrevo muito.

As crianças de hoje verão a escrita cursiva como vemos nos filmes de época os escribas de pena em punho diante de um pergaminho. Elas teclam nos chats de redes sociais num dialeto proprio que está mudando a forma de escrever, para desespero dos professores. Elas têm mais que aprender a usar as próteses que criamos: o computador, tablets, smartphones, etc.

Não podemos esquecer que muitas coisas que usamos cotidianamente, há 15 anos não existiam. Certamente usaremos dentro de 5 anos, algo que hoje ainda não foi inventado.

Alias, acabei de ler hoje a notícia de que foi fechada a última fábrica de máquinas de escrever. Hoje, existem mais e-books sendo lançados do que livros impressos. Mas existem aqueles que gostam do "cheiro de papel". Pararam no tempo. E perdem tempo defendendo o "parar no tempo"

Quando o papel-moeda deixar de existir (sim, porque será totalmente digital), como estes nostálgicos irão guardar sua fortuna debaixo do colchão?

Estamos vivendo uma Nova era a da Tecnologia. E não tem volta. É isso o que eu penso...

 

 

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"Liberdade!, Liberdade! / Abre as asas sobre nós / E que a voz da Igualdade / Seja sempre a nossa voz..."

Uma das coisas mais inuteis do mundo ainda sendo empurrada goela abaixo da populacao mundial vai comecar a acabar cedo cedo:  renovacao de registros, como de carro, por exemplo.

Em uma era computadorizada coisas assim sao de uma inutilidade espantosa.  O cursivo ja acabou pra mim ha mais de 20 anos.

O que ainda eh um problema serio e igualmente mundial eh o ensino de matematica.  Eu nao tenho ideia do que a minha filha aprende na escola mas ela faz contas tao esquizitas que eu nao consigo entender o raciocinio dela.  E, como ja relatei anteriormente, uma vez eu estava com mais duas pessoas, e nos tres tinhamos 3 metodos diferentes pra extracao de raiz quadrada (!).

Isso sim devia ser standard mundial e nao eh!  Ainda nao.  Eh so questao de tempo.

 

rs

Os desenhistas, técnicos na área de edificações, os arquitetos e engenheiros já fazem isso há tempos.

Só escrevem em letra de forma e aliás "caligrafia técnica" ainda é obrigatório para quem cursa estes cursos mesmo com praticamente todos os desenhos sendo feitos no computador. Antes de chegar ao desenho auxiliado pelo computador passamos pelas pranchetas por horas a fio fazendo algo chamado "sopa de letras".... confesso que o tempo de preparação da sopa vem diminuindo mas ainda se faz e acho que não deixará de se fazer nunca... a qualquer momento podemos ter que desenhar e escrever algo na munheca mesmo.

 

Em meados dos anos 50 todo ofice-boy tinha que fazer dois cursos: Caligrafia e "Dactilografia". Estudei caligrafia no De Franco; tenho até hoje os cadernos. Sempre que vou num museu ou onde tenha um livro de registro de visitantes, dedido um bom tempo para apreciar páginas e mais páginas de assinaturas. Faz parte do passeio. Tenho até hoje também as canetas Sheaffers e Parcker que usei. Hoje uso uma caneta tinteiro Pelikan. A melhor delas. Só não uso a Mont Blanc por ser brega e chinfrim [seria eu um republicano?]. A escrita cursiva revela a personalidade do escritor. Estatísticamente os do signo "Leões-Dragões" tem bela caligrafia. Os médicos, por outro lado, são um desastre na hora de prencher uma receita. Desastre deliberado? Sei lá...

 

Sou leigo na parte técnica do assunto, são somente opiniões que emito:

Acredito que o importante seja o processo de aprendizagem, se após aprender a escrever as varias formas a pessoa optar por escrever com letra de forma ou somente digitar será uma escolha, mas se não passar pelo "processo" de aprendizagem nunca terá aquela experiência.

A alguns meses atrás pedi um endereço de um amigo que mora em outra cidade pra lhe escrever uma carta com " letra de mão ", apesar de tê-lo adicionado e disponível para troca de mensagens instataneas o fato de escrever manualmente adiciona ingredientes emocionais diferentes á conversa. 

Já pensou na possibilidade de um dia receber uma carta com  "letra de mão" de um comentarista do blog sobre um assunto que considera relevante ? Teria ou não teria um valor diferente ?

 

Eu também já desisti do cursivo, pois nem eu mesmo entendo o que eu escrevi antes. Isso está se falando do alfabeto, e quanto aos países que usam o ideograma, como é que está a discussão?

 

 

 

Quanto mais para baixo mais "cursivo" é.
 

Meu filho adolescente vai gostar muito se isso acontecer por aqui. Tenho dificuldade em ler o que ele escreve, mas sua digitação é numa velocidade absurta! Mesmo quando ele só usa um polegar no teclado do celular. Agora, se realmente vingar a ideia de um computador por aluno, naturalmente acontecerá em todas as escolas do mundo. Vale ver a contradição: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/nos-eua-bater-e-legal

 

Vão me jogar pedra, mas eu já escrevi de forma cursiva e hoje escrevo da forma que eu chamo de "técnica" (similar, mas não igual à letra de forma). Eu escrevo atualmente com um tipo de letra que é similar à fonte "Century Gothic" como exemplo*

E, é BEM mais fácil entender o que está escrito quando a pessoa escreve de uma forma "técnica" ou usa "letra de forma" do que usando a cursiva. Eu sei, pode não ser exatamente bonito usar letra de forma mas ela é inegavelmente mais legível, e é de se entender que ela leve vantagem porquê qualquer pessoa que escreva espera que o que ela escreve seja entendido por outra. Ainda mais quando o sujeito que escreve de forma cursiva não têm paciência e assim escreve algo incompreensível, espremendo as letras, fazendo voltas obscuras ou até chegando ao limite de fazer algo que parece quase como uma linha reta (já vi dessas, sério).

* tentei colocar esse texto em Century Gothic para exemplo como dava de fazer antes, mas o editor de texto de comentários é terrivelmente defeituoso.

 

Gente,

Pelo que eu entendi, a escrita não foi abolida, apenas a forma. Tanto faz se a pessoa escreve com letra cursiva ou de forma... No futuro as folhas de papel serão abolidas. Será usado os meios de digitação. Preservem o meio ambiente!...

 

Sempre se pode escrever cursivamente com uma pont na tela touch-screen de um tablet. Talvez fosse até mias rápido do que teclar...

 

em tempos de internet e gadgets onde a caligrafia ou a escrita cursiva ou a letra de mão - com o peculiar estilo artístico único de cada pessoa letrada - torna-se letra morta; o quadro das assinaturas de ex-alunos de Dante... é uma incidental performática beleza, verdade, tradição e ruptura, emoldurada como arte contemporânea a refletir a passagem do tempo em transformação pelas novas tecnologias.

jc.pompeu, abril 2011

 

"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

Sinto que faltaram-me aulas de caligrafia,,,,o fato eh que abandonei a escrita cursiva a 30 anos(minha letra eh sofrivel),escrevo em "letras de forma" jah ha muito tempo.Reconhecendo as perdas obvias,concordo que o progresso eh inevitavel.

 

Ja escrevo so em maiusculas ha mais de 20 anos porque quem entendia minha letra era mamae e ninguem mais.  Tou com o Daniel Campos, pouco abaixo.

 

Acho um retrocesso as crianças deixarem de aprender a escrever manualmente as famosas "letrinhas de mão ", escrever redações ajuda muito no desenvovimento da capacidade de expressão e o contato com o papel , lápis , borracha , a pressão da mão aplicada no ato de escrever, a dedicação para alcançar uma boa letra... certamente é um processo que leva a reflexão... a motricidade deve influenciar o desenvolvimento como um todo...

Hoje a meninada está muito superficial , com pouco conteúdo e se deixar rolar assim vai cada vez ficar pior...

Ainda lembro dos cadernos de caligrafias e de alguns "castigos " de escrever repetidamente alguma frase por alguma estripulia cometida... bons tempos aqueles...

 

O negócio vai mudar. Antes aprimorávamos nossa escrita no estudo de outras matérias e isso não será mais possível.

Agora tem-que-se criar uma cadeira de escrita. Obrigatória e simples. Copiar, copiar, copiar.

Há de se estudar também a mudança que o fato de não escrever trará ao nosso aprendizado. Não sou  do ramo mas me parece que a escrita é o método de fixação mais utilizado por professores. Por isso as crianças escrevem textos que cosntam de seus livros.

 

Será popularizado o uso da impressão digital como assinatura.

 

Geraldor