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O manifesto das professoras de português

Desinformação e desrespeito na mídia brasileira « Nossa Língua Brasileira (NLB)

 

Desinformação e desrespeito na mídia brasileira

Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos esse texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E para fazê-lo, tivemos que estudar.

Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda. Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muito dos nossos preconceitos.

Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente aprofundamo-nos sobre a realidade do país e sobre uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias, ou fatos trazidos pelos jornais.

Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material Por uma vida melhor, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de ideias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis. Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ.

Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material em posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Linguística do país – nossos mestres, aliás. O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma “evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras” e que os professores têm o baixo salário justificado por “preguiça de ensinar”. Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua, e afirmarem que o material “vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes“. Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz

contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as ideias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores “mais moderninhos”. Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN.

Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do “erro” em livros didáticos, e mais especificamente no livro Por uma vida melhor, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos linguistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa.

A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar “errado”, mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque, a Linguística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala “errado”, o que está-se dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam.

Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, com isso, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além do que a mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais.

A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparecem, sobretudo, o medo da escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo linguista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário“. Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural, e logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente – o material consegue promover o debate sobre a diversidade linguística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental.

Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver que, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação linguística, já foram bastante elucidativas para informar esses profissionais do jornalismo. Infelizmente alguns jornalistas não os leram. Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de linguistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, e de educadores tais como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero. Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação – e de atitude cidadã, diga-se de passagem – para “formadores de opinião” que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e as ideias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados, ideias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas.

Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos, e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação.

A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, essa não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e que é uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, e de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado, e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito.

Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer “me dá uma borracha”. Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material Por uma vida melhor sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor.

Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos linguísticos e expressivos do português brasileiro que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões linguísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país, e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura.

Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é “superior” a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o “correto” não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala “melhor” que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, é claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem que ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece.

Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa esse tipo de variedade lingüística, a norma culta, não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que esses jornalistas tanto incriminaram.

Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E os agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar.

Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer.

Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e o língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos.

Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a Professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se. Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de ideias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.

Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramos – formandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

 

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A tarefa do Professor de Português é ensinar a norma culta, já disse o doutor em Linguística Aplicada Cláudio Moreno. Um livro como esse não é o que o EJA e a sociedade esperam de uma escola.

 

Parabéns a essas professoras novas que antes de ir para a sala de aula já tem essa noção tão importante para o ensino da Língua Portuguesa. Fui aluno de Sírio Possenti, citado no manifesto, também de Deonísio da Silva e, sem falsa modéstia, digo que nos meus mais de 30 anos de magistério nessa área sempre trabalhei exatamente dessa forma. Concordo com o livro e com tudo o que é dito nomanifesto.

 

Destaquei esse dois trechos do manifesto das professoras. Os grifos em maiúscula são meus.

“ADMIRÁVEL foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação”...

“A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas APARECEM, sobretudo, o medo DA escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes”.

Quero crer que a presença das formas ‘admirável’ (em lugar de ‘admiráveis’),  ‘APARECE’ (em lugar de ‘APARECEM’) e ‘de a’ (em lugar de ‘DA’) já seja fruto do NDOLP (Novo Desacordo Ortográfico da Língua Portuguesa) oficializado pelo MEC com base no manual de Heloísa.

Se tiver sido, temos problemas de desconsideração do contexto também, pois a professora afirmou que essas formas poderiam ser aceitas apenas em ambientes onde houvesse a necessidade de atenção a preconceitos. Não é esse o caso, por duas razões, cada uma delas suficiente e independente da outra.

A primeira é o currículo dos subscritores do manifesto – totalmente imune ao tipo de preconceito que se deve combater. A segunda se refere ao fato de que todo o resto do artigo não só defende o português culto, mas o aplica de forma muito acurada...

Façam o que eu digo que façam, embora eu não faça...

 

Destaquei esse dois trechos do manifesto das professoras. Os grifos em maiúscula são meus.

“ADMIRÁVEL foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação”...

“A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas APARECEM, sobretudo, o medo DA escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes”.

Quero crer que a presença das formas ‘admirável’ (em lugar de ‘admiráveis’),  ‘APARECE’ (em lugar de ‘APARECEM’) e ‘de a’ (em lugar de ‘DA’) já seja fruto do NDOLP (Novo Desacordo Ortográfico da Língua Portuguesa) oficializado pelo MEC com base no manual de Heloísa.

Se tiver sido, temos problemas de desconsideração do contexto também, pois a professora afirmou que essas formas poderiam ser aceitas apenas em ambientes onde houvesse a necessidade de atenção a preconceitos. Não é esse o caso, por duas razões, cada uma delas suficiente e independente da outra.

A primeira é o currículo dos subscritores do manifesto – totalmente imune ao tipo de preconceito que se deve combater. A segunda se refere ao fato de que todo o resto do artigo não só defende o português culto, mas o aplica de forma muito acurada...

Façam o que eu digo que façam, embora eu não faça...

 

 

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Destaquei esse dois trechos do manifesto das professoras. Os grifos em maiúscula são meus.

“ADMIRÁVEL foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação”...

“A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas APARECEM, sobretudo, o medo DA escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes”.

Quero crer que a presença das formas ‘admirável’ (em lugar de ‘admiráveis’),  ‘APARECE’ (em lugar de ‘APARECEM’) e ‘de a’ (em lugar de ‘DA’) já seja fruto do NDOLP (Novo Desacordo Ortográfico da Língua Portuguesa) oficializado pelo MEC com base no manual de Heloísa.

Se tiver sido, temos problemas de desconsideração do contexto também, pois a professora afirmou que essas formas poderiam ser aceitas apenas em ambientes onde houvesse a necessidade de atenção a preconceitos. Não é esse o caso, por duas razões, cada uma delas suficiente e independente da outra.

A primeira é o currículo dos subscritores do manifesto – totalmente imune ao tipo de preconceito que se deve combater. A segunda se refere ao fato de que todo o resto do artigo não só defende o português culto, mas o aplica de forma muito acurada...

Façam o que eu digo que façam, embora eu não faça...

 

 

Excelente texto!

Qual seria o real motivo do ataque da mídia jornalística contra os professores, especialmente os de Português? Seria o fato de que estes, em suas aulas, têm chamado a atenção dos alunos para o tipo de manipulação presente no discurso jornalístico?

Precisamos ampliar a divulgação do manifesto!

 

Excelente texto!

Qual seria o real motivo do ataque da mídia jornalística contra os professores, especialmente os de Português? Seria o fato de que estes, em suas aulas, têm chamado a atenção dos alunos para o tipo de manipulação presente no discurso jornalístico?

Precisamos ampliar a divulgação do manifesto!

 

Cruiz credo doceis. Alquem dê uma luiz precess profesor de purtugeus senão vo te que mandar meus fios estudá lingua ni portugal.

 

Olá, parabéns aos alunos de Letras da PUC e todos os professores que na verdade são a principal autoridade no assunto ensino e pedagogia, e pouco foram ouvidos. Estou emocionada com esse texto, o recado está (bem) dado!

 

 

Parabens, excelente o manifesto dos professores.

 

Sou professor de português e discordo totalmente da opinião expressa no texto. Falem/escrevam por vocês, e não em nome de uma categoria. 

 

Vou responder  em tres linguas diferentes.

 

No alimente a los trolls(Espanhol)

 

Voer niet de trollen(holandes)

 

Не кормите троллей (Russo)em PortuguesNão alimente os Trolls.P.S: Com a ajuda do google tradutor.

 

 

Nassif,

Mas rapaz, não poderia existir uma resposta melhor que essa dada pelas nossas diletas, competentes e arretadas professoras da língua pátria, na defesa do texto do livro Por uma vida melhor.

Oxente bichinho, esse pessoal tá pensando o que da vida?

Veja bem, a língua é uma construção popular. Tentar contrapor a norma culta com a norma popular é destruir as bases, as fontes, a inspiração, o sentimento de uma das coisas mais caras de um povo, o seu falar.

Já pensou como ficaria a nossa cultura sem o regionalismo amazônico, nordestino, mineiro?

E o paulistês e o gauchês? E as nossas canções, poesias e histórias populares?

Com certeza seria uma porqueira.

Fico arretado com o descaramento desse pessoal, querer apagar da vida escolar as fantásticas experiências acumuladas nas conversas do povo, onde estão as fontes daquilo que vai levar os nossos lingüistas à construção do nosso idioma.

Não tão com nada. Só escreveram baboseira.

Parabéns as professoras de português. Com todo respeito aquele cheiro prá vocês, visse.

Vamos acabar com esse Muro da Vergonha do certo e do errado.

Esse pessoal é um bando de aruá.

Viva a Patativa do Assaré, Zé da Luz, Manezinho  Araújo, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Zé do Norte, Adoniran Barbosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Bezerra da Silva, João do Vale, Jacinto Silva, Ary Lobo, Cego Aderaldo e os  Mestres (sem diploma) Salustiano, Vitalino, vige tem mais gente.

Não a escola que eles querem. Não a escola que aliena, embota e coloniza.

Lá vai uma do fantástico Ascenso Ferreira

“Minha Escola

A escola que eu freqüentava era cheia de grades como as prisões.

E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;

Complicado como as Matemáticas;

Inacessível como Os Lusíadas de Camões!

 

À sua porta eu estacava sempre hesitante . . .

De um lado a vida . . . – A minha adorável vida de criança:

Pinhões . . . Papagaios. . . Carreira ao sol. . .

Vôos de trapézio à sombra da mangueira!

Saltos da ingazeira pra dentro do rio. . .

Jogos de castanhas. . .

- O meu engenho de barro de fazer mel. . .

 

Do outro lado, aquela tortura:

“As armas e os barões assinalados!”

- Quantas orações?

- Qual o maior rio da China?

- A 2 + 2 A B = quanto?

- Que é curvilíneo, convexo?

- Menino, venha dar a sua lição de retórica!

- “Eu começo, atenienses, invocando

a proteção dos deuses do Olimpo

para os destinos da Grécia!”

- Muito bem! Isto é do grande Demóstenes!

- Agora, a de francês:

- “Quand le chirstianisme avait apparu sur la terre . . .”

- Basta.

- Hoje temos sabatina . . .

- O argumenta é a bolo!

- Qual é a distância da Terra ao Sol?

? !!

- Não sabe? Passe a mão à palmatória!

- Bem, amanhã quero isso de cor . . .

 

Felizmente, à boca da noite,

eu tinha uma velha que me contava histórias . . .

Linda Histórias do reino da Mãe-d’Água . . .

E me ensinava a tomar a benção à lua nova.”

 

Vige, assim não. Chega de preconceito, de discriminação, vôte!

Aquele abraço.

James – Professor aposentado de Geografia

 

 

 

Obrigado, Luis, por dar espaço a este manifesto. O Brasil vive um momento grave e decisivo de embate entre uma imensidão conservadora e outra imensidão - talvez emergente - de protagonistas de uma ultra necessária transformação de nossa sociedade. 

E um sincero obrigado também aos autores desse texto.

 

FaVOR AVISAR URGT ONDE ESTES PROFESSORES TRABALHAM, PARA QUE EU NUNCA TENHA NENHUM AMIGO, FILHO, NETO, PARENTE ESTUDANDO NAS ESCOLAS QUE LECIONAM, P FVOR?

iMAGINAM A FORMAÇÃO QUE TIVERAM.

Conselho: Vão viajar, ver o mundo e estudar realmente. Depois agente conversamos, tá na boa?

 

 

 

A gente conversamos agora, P FAVOR?

 

 

  Esse episódio me lembrou muito a prática do Index na época das trevas (já saimos dela?) da Igreja.

 

 

  Ou talvez o episódio da Queima dos Livros (Bücherverbrennung) por parte dos nazistas...

 

  A história se repete como tragédia ou como comédia.

 

Começõu criticando-se a fala do Lula.

Continuou com a estúpida polêmica de "presidente" ou "presidenta"

agora, em desespero, com um manual de linguística distribuído pelo Mec 

Realmente, as elites "letradas" estão apavoradas. Pretendem, com o domínio da forma, manter o domínio dos falsos conteúdos, como fizeram durante séculos. Isso está acabando; a internet está ai para qualquer um falar do jeito que considerar melhor. 

Queridos formandos e futuros professores, vocês não necessitam de desculpas pois vocês têm como se fazer ouvir sem necessidade da "grande imprensa". 

 

João Ubaldo Ribeiro no Estadão - 29/05/2011

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110529/not_imp725321,0.php

 

A língua inglesa nunca teve academias para formular gramáticas oficiais e certamente seria afogado no Tâmisa ou no Hudson o primeiro que se atrevesse a tentar impor normas de linguagem estabelecidas pelo governo. Sua ortografia, que rejeita acentos e outros sinais diacríticos, é um caos tão medonho que Bernard Shaw deixou um legado para quem a simplificasse e lhe emprestasse alguma lógica apreensível racionalmente, legado esse que nunca foi reclamado por ninguém e certamente nunca será, apesar de algumas tentativas patéticas aqui e ali. Ingleses e americanos dispõem de excelentes manuais do uso da língua, baseados na escrita dos bons escritores e jornalistas - e, quando um americano quer esclarecer alguma dúvida gramatical ou de estilo, usa os manuais de redação de seus melhores jornais.

A segregação racial nos Estados Unidos produziu um abismo linguístico entre a língua falada pelos negros e a usada pelos brancos. Durante muito tempo, a língua dos negros foi vista como uma forma corrompida ou degenerada da norma culta do inglês americano. Mas já faz tempo que essa visão subjetiva e etnocêntrica foi substituída e o inglês falado pelos negros passou a ser visto pela ciência linguística como "black English", uma língua perfeitamente estruturada, com morfologia e sintaxes próprias, com sua gramática e sua funcionalidade autônoma, não mais como inglês de quinta categoria. E essa visão não foi acatada "de favor" ou para fazer demagogia com a coletividade negra, mas porque se tornou inescapável a existência de uma língua falada por ela, eficaz na comunicação de informação e emoção e que prescindia, sem que isso fizesse falta, de determinados recursos do inglês dominante.

Todos nós, com maior ou menor habilidade, falamos várias línguas, ou dialetos, dentro da, digamos, língua-mãe. Falamos língua de criança, língua chula, língua de solenidade. Podemos não chegar a falar todas as muitas línguas à disposição, mas geralmente as entendemos, como, por exemplo, quando ouvimos um caipira. Essas línguas, em padrões de variedade quase infinita, são todas legítimas, não são "erradas", pois, em rigor, nenhuma língua que funcione realmente como tal é "errada". E, muitas vezes, ao falarmos "certo", estamos na realidade falando inadequadamente, como um orador que, num comício no Mercado de Itaparica, se esbaldasse em proparoxítonas, polissílabos e mesóclises. Eu mesmo falo itapariquês de Mercado razoavelmente bem e alguns entre vocês, se me ouvissem lá, talvez tivessem dificuldade em entender algo que eu dissesse, por exemplo, a meu amigo Xepa.

Cientificamente, a neutralidade quanto a línguas, dialetos ou usos subsiste. Mas não socialmente, e é isso o que me parece ainda estar sendo discutido em torno da propalada aceitação, pelo MEC, de erros de português. "Erro de português" é uma expressão que desagrada ao linguista, porque ele não vê o fenômeno sob essa ótica. No entanto, é assim que o enxerga o público, mesmo o analfabeto, que aprende pelo ouvido a distinguir o certo do errado. Isto porque sempre se entendeu no Brasil que ensinar português é ensinar a norma culta, que, durante muito tempo, foi até mesmo ditada pelos usos de Portugal.

Quer se queira quer não - e há séculos de formação por trás disso -, a norma culta é tida como a correta e a única que representa verdadeiramente nossa língua. Sua violação é tolerada em manifestações literárias e artísticas de modo geral - e, assim mesmo, funciona mais quando o intuito é obter efeitos cômicos, ou "folclóricos", com essa violação. As pessoas costumam observar a adesão à norma culta no que ouvem e leem. Falar e escrever de acordo com ela é socialmente muito valorizado e resulta num poder de que a maioria não se sente boa detentora e ao qual todos aspiram. Não é questão linguística, é questão política. Não se trata de dizer aos que desconhecem a norma culta que a fala deles tem a mesma legitimidade, porque não adianta, não "cola" na sociedade. Trata-se de ensinar a esse praticante o pleno domínio da norma culta, a qual, mesmo tendo que absorver mudanças, nunca abdicará de sua hegemonia e é a de que ele vai precisar para subir na vida.

Advertir contra o preconceito sofrido por quem "fala errado" também não adianta nada, diante da força onipresente da norma culta. (Aliás, no Brasil estamos sempre à frente e agora legislamos sobre preconceitos e tornamos ilegal ter preconceitos, quando isto é praticamente impossível, pois o possível é apenas tornar ilegal a manifestação do preconceito.) A fala é dos mais importantes recursos para o que se poderia chamar de reconhecimento social da pessoa. Vendo alguém pela primeira vez, fazemos, conscientemente ou não, um julgamento automático. Aprontamos uma ficha mental, avaliamos a roupa, a idade, o estado dos dentes e, inevitavelmente, a fala, através da qual é frequentemente possível saber a origem e a extração social de um interlocutor eventual. A norma culta, a dominante, a que é ensinada como correta, mostra sua cara imediatamente e se reflete logo na maneira pela qual o sujeito é percebido e tratado. Ferreira Gullar tem razão, a crase não foi feita para humilhar ninguém. Mas humilha o tempo todo. E agora, pensando aqui nessa tirania da norma culta, fico imaginando se ela não é empregada com esse fim, por certos fiscais dogmáticos. Não devia ser, porque, afinal, ela é necessária para preservar e aprimorar a precisão da linguagem científica e filosófica, para refinar a linguagem emocional e descritiva, para conservar a índole da língua, sua identidade e, consequentemente, sua originalidade. Ao contrário do que entendi de certas opiniões que li sobre o assunto, a norma culta não tem nada de elitista, é ou devia ser patrimônio e orgulho comuns a todos. Elitismo é deixá-la ao alcance de poucos, como tem sido nossa política.

 

Mais um que não leu o livro, não leu os parâmetros do MEC, e malandramente emprega a falácia do espantalho. Mas como tem intelectual desonesto. Que vergonha, seu Ubaldo, colaborar com sua voz para uma Bücherverbrennung - o palavrão vai assim mesmo em alemão em honra à sua erudição. E assim essas personalidades vão mostrando as Bundes.

 

Boa noite. Antes de começar essa minha palestra pra vocês, eu queria, sabe?, fazer um agradecimento especial pra professora Heloisa Ramo, por causa do livro que ela publicou pelo Méqui, ou seja, um livro que me livrou das concordância dos esse, que livrou o povo das concordância dos esse e me deixou muito feliz e que vai deixar nosso povo mais feliz e vai deixar muita gente feliz. Gente, nós precisamos acabar com essa mania de esse em tudo. Olhe, se eu tivesse concordado com tudo na vida eu não tava hoje aqui falando pra vocês como eu tô falando; eu não teria governado esse país como eu governei, eu não teria tirado os pobre da miséria como eu tirei, eu não teria inventado todas as bolsa como eu inventei, eu não teria botado o nome desse país no mundo onde eu botei, ou seja, a professora Heloisa deixou todos os pobre analfabeto desse país mais satisfeito porque o povo agora não precisa mais usar os esse. Nunca antes na história desse país o povo ficou tão à vontade pra usar a sua voz.

Se minha mãe nasceu analfabeta, se eu nasci analfabeto e um monte de gente em Garanhuns e nesse país nasceu analfabeta, sabe?, eu hoje tô aqui contente por isso, porque nós não precisamos mais falar como as zelite. Aliás, eu queria dizer uma coisa pra vocês sobre meu irmão, o Vavá, quando ele disse “arruma dois pau pra eu?”. Lembra? Gente, não é uma coisa linda alguém agora poder falar com essa liberdade? Na época a imprensa golpista, tucana, de direita, caiu de pau em nós, não só por causa do dinheiro que ele pediu, mas porque faltava um esse! Por que agora eles não vem pro teteatéte? É porque agora acabou esse negócio de botar esse em tudo.

O uso dos esse é mais uma herança maldita deixada nesse país. A gente quando ocupa um lugar no mundo como eu ocupei, a gente não precisa usar os esses porque tem um cara escondidinho lá numa cabine, sabe?, que bota tudo que a gente diz na nossa língua na língua deles. Ou seja, aí se tem esse ou não tem esse, eles dão um jeito. E por que eles não falam português? Tem que falar inglês? Eu sempre meti a cara em português mesmo. O Fernando Henrique é que só quer aparecer falando inglês e francês que nem precisa mais. Se eu chamo de “vikiliki” aquela turma que vazou segredo pra Deus e todo mundo e se eu chamo vocês – que tão me pagando duzentos pau pra tá aqui falando com vocês, conversando com vocês, dialogando com vocês –, se eu chamo vocês de zelite, vocês vão entender que eu tô é falando de um tipo de zelite boa.

Aliás, eu queria dizer uma coisa pra vocês: existe a zelite boa e a zelite que não presta. A zelite boa é essa de vocês que me convidaram pra tá aqui falando com vocês teteatéte e que são meus amigo e vocês sabem porquê. A zelite ruim é aquela que queria que esse país continuasse cheio de miserável, de pobre. Agora não tem mais miserável nem pobre nesse país. E tão falando em inflação? No fundo a inflação é uma coisa boa porque eu e o Meirelle ajudamos esse povo a comprar coisa que antes não comprava. Aí os preço sobe, gente, por causa da zelite ruim que aumenta tudo. Pra finalizar, eu queria dizer mais uma coisa pra vocês: eu sei que a Dilma, que eu fiz a mãe do povo (eu sou o pai), vai dá um jeito nisso até eu voltar com meu título de “Honoris Causas” – aqui eu preciso usar os esse porque é um diploma criado lá em Portugal que é um país que eu admiro por ter copiado nossa língua desde que o companheiro Pedro Vais de Caminha escreveu a primeira carta sobre nosso plantio lá pro presidente deles.

Agora vocês podem fazer as pergunta que quiser. Só não pode perguntar do mensalão, dos passaporte diplomático, da empresa do meu filho, do Celso Daniel, do MST, das Farc, do Cezar Batista, do Hugo Chave, do Zé Laia, do Fidéu, do Dirceu, das cueca do Genoino, do top-top do Marco Garcia, do Amadinejádi, do comércio c’a China, das birita, dos aloprado, da Saúde, das quebra dos sigilo bancário e do canteiro da Marisa. Brigado.
RALF UND ROLF

 

Que palhaçada, você se acha engraçado? É apenas reacionário e preconceituoso.

 

Aos desavisados:

DON'T FEED THE TROLLS!!!!!

 

Pior cego: o que não sabe ver. Pior surdo: o que não quer ouvir. Pior imprensa: a anti-democrática brasileira. A liberdade de "impressão" não pode prevalecer sobre a de expressão. Que não sejamos teleguiados por essas mídias ditatoriais. Passou-se o tempo e eles ainda não perceberam (o não querem perceber).

 

MUITO BOM!!! GRANDE LIÇÃO!!! PARABÉNS!!!

 

Aliás, se o patrulhamento da mídia é tão grande , deveriam começar a observar atentamente os erros de português destes jornalistas e divulgá-los. Se são tão sabidos não podem assassinar a lingua. Falam para milhões de brasileiros e crianças.

Os erros da Televisão são altamente nocivos não é mesmo?

 

Acho que é uma boa oportunidade de dar uma virada na carreira. Exigir respeito.

Os professores deveriam paralizar atividades e exigir as mudanças da lei. Como disse a professora na assembleia do RN, professor só é problema quando está parado. Eles tem que mostrar sua força já. Foram desrespeitados demais.

A autora do livro merece um desagravo. Foi massacrada e usada. Caso muito parecido ao da escola Base em SP. Deveriam optar pela utilização do livro em sala de aula como forma de apoio.

Pelo menos, os alunos desses professores terão outra visão desta mídia.

 

 

Que a manifestação dos professores não fique apenas neste manifesto, e que, as associações e sindicatos da categoria entrem na luta pela elaboração e vigência de uma lei para democratizar as comunicações  .

 

 

 

 

 

 

" A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos." - Barão de Montesquieu

 

Ops, esqueci do vídeo

 

Calendário SPIN

Dr. Rosinha/Youtrube: Os escritores Marcelino Freire e Cristovão Tezza participaram nesta semana do programa "Entre aspas", apresentado por Mônica Waldvogel na GloboNews. Com bom humor, os dois escritores rechaçaram a tese da Globo (e da velha mídia), que, a partir de trechos retirados do contexto, ataca o livro "Por uma vida melhor", adotado pelo Ministério da Educação para turmas de jovens e adultos.

Quando a apresentadora fala em "regra errada do português", imediatamente Tezza, professor aposentado da UFPR, a interrompe e a corrige: "Variedades não padrão".

Mônica responde: "Estamos tucanando aqui". Ao que Tezza rebate: "É um conceito linguístico esse. Todas as línguas do mundo funcionam assim, são variedades. [...] A diferença entre dialeto e uma língua é que uma tem exército, e a outra não. É a história das línguas."

Marcelino Freire cita o poeta Sérgio Vaz: "Quando a gente diz nós vai, é porque nós vamos".

Tezza explica:

"Quando você constrói uma gramática escrita, você escolhe formas, passa a escrever essa formas, passa a defendê-las. E elas passam a ser o certo. E aí se começa a estigmatizar o que não está daquela forma. Isso é construção histórica das línguas padrões [...].

O conceito de variedade linguistica é fundamental, não há mal nenhum em mostrar aos alunos, mesmo dos primeiros anos, que a língua é um conjunto de variedades, inclusive para trabalhar com a diferença e a importância da norma culta. O que não precisa é humilhar ninguém para fazer isso.. é um processo esmagador, a escola tem muito poder, o aluno chega lá, só fala a variedade dele, o professor vai olha, você é burro, senta ali no milho... não. Vamos trabalhar de outra forma. É uma questão didática."

"Que conselho vocês dão aos que estão tão preocupados?", questiona a apresentadora, ao final do programa.

É a deixa para Freire arrematar:

"Vão de Adoniram Barbosa: "Arnesto nos convidou / prum samba ele mora no Brás / Nóis fumo, num encontremo ninguém..." [mais risos]

 

Calendário SPIN

  Fiquei feliz e agradecida com o manifesto em si,mas feliz mesmo fiquei ao ver que foram jovens futuros professores que o escreveu.Parabéns moçada corajosa,é disso que o país precisa e não dessas verdadeiras "múmias paralíticas" (citando Agildo Ribeiro),que infestam rádios,jornais,televisões e revistas.

 

Parabéns pelo texto!!!

 

Citando, no texto:

O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

Meu  total apoio  as professoras que estão sendo jogadas contra o povo pela ÓIA,  FÔIA e   et cetera.

 

Não se pode admitir que   fiquemos"ouvintes", "falantes" e " escreventes" , todos,  atrelados  à norma culta.

 

Falar é uma coisa. Escrever é outra, e tudo é muito  simples, desde sempre, agora é que  querem nos confundir!!!!!

Voltemos  ao latim!

 

 

Brava gente brasileira, longe vá, temor servil....

[]s. moçada.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

É isso aí...Parabéns

melhor proposta de educação sempre será a que inclui todas as formas de se expressar.

Incluindo todas você valoriza, liberta, agrupa, enfim, você iguala e melhora a comunicação entre todos, motivo da fúria dos adoradores do silêncio, como no passado, como na ditadura.

Quem se manifestou contra, sem ao menos procurar se inteirar do que se tratava, é que tem linguajar não lapidado nem polido, como ficou demonstrado nas grosserias que fizeram, novamente como no passado, novamente como para agradar opressores.

Todo o meu apoio para essa moçada linda.

 

Parabenizo a atitude dos formandos, não só pela defesa de um ensino de Língua Portuguesa tendo como orientações aquilo que a Linguística moderna trouxe para o entendimento, o pensamento e o ensino da língua; mas, principalmente, pela capacidade e ousadia que tiveram em desvelar o discurso propagado pela mídia comercial. Sou professora de Língua Portuguesa, desde 1977, e todos os dias tenho por obrigação de ofício e de cidadã de rever, repensar e reorganizar meus conceitos sobre língua, em seu sentido amplo, e sobre o seu ensinamento. Mas, o que podemos esperar de uma mídia, em que os seus profissionais jamais leram ou entenderam o sentido do poema "Pronominais", de Oswald de Andrade  (aliás, poeta que será reverenciado em palestra proferida pelo professor Antônio Cândido, no Festival Internacional de Literatura); ou ainda, de profissionais que jamais leram ou alcançaram as sábias reflexões sobre a importância da língua sintetizadas por Noam Chosmky, que vão muito além de questões pura e simplesmente gramaticais. Mas, o que esperar, ainda, nobres jovens colegas, de âncoras da televisão que se arrogam defensores da norma culta e que no entanto defloram nossos ouvidos com um tanto de gerundismos, "a nível de", de estrangeirismos e siglas insondáveis para o público em geral e, o que é pior, desnecessários, quase sempre, e pedantes, estes sim, sempre.

Maura Gerbi

 

Enquanto isso, no Saia Justa da semana que passou, chegamos ao cúmulo da ignorância sobre o assunto, revelada nas considerações dos participantes, com destaque para Teté Ribeiro, a ponto de Mônica Waldvogel tentar consertar informando ter lido o capítulo do livro e que a coisa não era bem assim como opinavam.  De nada adiantou a surpreendente intervenção, em se tratando da Waldvogel, pois a tal da Teté, do alto do modelito da gente indiferenciada, persistiu no vomitório, deslizando para o preconceito, para o anti-lulismo e finalmente parando na estação da elite do atraso.

Se não bastasse, nesse domingo, o intelectual Ferreira Gullar teve recaída militante, juntou forças em critica extemporânea ao livro, espertamente desviando as criticas para o MEC/Governo, e sem mêdo da bunda de fora no último parágrafo, registrou seu HC: "Não li o tal livro, não quero julgá-lo a priori. Creio, porém, que quem fala errado vai à escola para aprender a falar certo, mas, se para o professor o errado está certo, não há o que aprender." 

Issspeeerto né?  

 

É por causa de pessoas como ferreta gulá qui muitas línguas indígenas estão definitamente extintas. Causa espanto ouvir de alguém que se diz poeta essa tolice que não cabe em nenhuma lata. Lembrei da música do Gilberto Gil:

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

 

Na lata do poeta cabe tudo, menos ferreta gulá. Nem no verso "Na lata do poeta tudonada cabe"

 

Podemos estender a mesma incompreensão dos jornalistas para a área numérica/quantitativa/tratamento da informação (Estatística).

Alguns profissionais de imprensa publicam coisas como: a extensão territorial do Brasil é de 8,5 mil km.

Dois problemas: não distinguem mil de milhões. Não sabem o que significa ordem de grandeza. Para pessoas assim, deve R$ 1.000,00 ou R$ 1.000.000,00 deve ser a mesma coisa.

Outro problema: trocam medida de comprimento (km) com medidas de área (km^2).

Algum comentarista já alertou neste blog a questão do (mau) uso do Sistema Internacional de Unidades por parte de segmentos de nossa imprensa. Atrapalhando o papel da escola.

Encontramos problemas também na produção de gráficos. No uso (mistificador) dos números (Estatística) como legitimador da verdade, pois ´´os números não mente jamais´´.

Na produção de textos que misturam causa e efeito.

Textos que confundem correlação ou associação com causalidade.

Na produção de textos que usam silogismos.

Na produção de textos que tomam o todo pela parte. Exemplo típico é quando publicam coisas do tipo: ´´aumentou o número de mortos nas estradas brasileiras no último feriado em relação ao número do ano passado´´.

Mas, cara-pálida, este aumento é em números absolutos ou relativos? Relativos a que, exatamente?

Se a frota dobrou, se o número de viajantes nas estradas naquele feriado dobrou, se...se...se... e se o número de mortos cresceu 10% em relação ao ano passado, o número, na verdade, diminuiu!

 

Outro problema grave: vem algum ator dizendo para todos serem "amigos da Escola". Como se o voluntarismo resolvesse problemas que deveriam ser atacados por Políticas Públicas debatidas nas esferas municipal, estadual e federal.

Da próxima vez que anunciarem uma dragagem no Porto de Santos, mal posso esperar pela campanha dos "amigos do Porto de Santos" . Um monte de gente nadraga, de camisa colorida, ajudando,voluntarimente, a dragar o porto.

Ou ainda

 

 

A polêmica continua. Deve ter havido alguma ordem de cima para bombardear a candidatura do Fernando Haddad até para líder de comissão de pais e professores.

O Ferreira Gullar, que aprendeu a seguir líderes no Partidão no tempo de Stalin, confessou que não leu o livro, mas cumpriu as ordens. No passado usaria a jargão marxista, mas hoje são "pérolas de sabedoria". A seguir o link.

Verdade e preconceito

Alguns pontos para rir:

"Pensava que escritor não deveria escrever errado; li só gramáticas por dois anos ao suspeitar que seria poeta". (Mesmo assim não se tornou  poeta melhor do que Catulo da Paixão Cearense; cada vez prefiro mais o Juó Bananere, ou mesmo o Adoniran Barbosa, a este poeta modernista com pensamentos do século XV).

"O leitor já deve ter ouvido falar em "entropia", uma lei da física que constata a tendência dos sistemas físicos para a desordem. E essa tendência parece presente em todos os sistemas, inclusive nos idiomas, que são também sistemas." (Saudades da Idade do Ouro, do Paraíso Perdido, e das aulas de Latim).

"é também natural o esforço para manter a ordem linguística, que não foi inventada pelos gramáticos, mas apenas formulada e sistematizada por eles: nasceu naturalmente porque, sem ela, seria impossível as pessoas se entenderem." (Ah é? Se não fossem os gramáticos as pessoas não se entenderiam??? :-)))

"Mas alguma coisa em mim se nega a concordar com os linguistas: se em todo campo do conhecimento e da ação humana se cometem erros, por que só no uso da língua não? É difícil de engolir." (É mesmo. Meu grande erro hoje foi ler e comentar esta sandice).

"Não li o tal livro, não quero julgá-lo a priori. Creio, porém, que quem fala errado vai à escola para aprender a falar certo, mas, se para o professor o errado está certo, não há o que aprender." (Realmente não leu o livro, pois imaginou que este ensina a falar como o Chico Bento. É mania de estalinista e fanático religioso dividir tudo em certo e errado, e perseguir os dissidentes e heréticos seguindo as palavras de ordem ouvidas dos comissários políticos ou dos teólogos oficiais).


 

 

kkkk, foi para não perder a piada.

 

 

Nassif, são professoras e professores.

 

 

Parabéns, professores !

A "coisa" pegou de um jeito que eu, ao ler de passagem o post do Weden, comecei a criticar o livro. A Analu me deu um toque, aliás muito sutil, e eu continuei reverberando meu "estranhamento". De repente resolvi ler todos os argumentos e vi que, no mínimo, estava despreparada para a discussão.

Fui atrás de mais informações e finalmente me convenci de que estava errada. Ou seja, se não sabemos, se não conhecemos o assunto em profundidade, não podemos ser irresponsáveis e ir a favor ou contra qualquer corrente.

Entendo perfeitamente o mal que foi disseminado pela mídia com seu grande poder de mistificação e persuasão, atingindo principalmente àqueles a quem diz defender.

Obrigada, Analú pelos seus esclarecimentos que me ajudaram a abrir a mente para o que estava acontecendo.

 

Minha militância pessoal, Nilva... O preconceito linguístico e a obsessao com a chamada (mal chamada...) norma culta é um dos principais fatores de dificuldades para a alfabetizaçao e de evasao escolar. A proposta de mudar a fala dos outros, além de antidemocrática, é para começar impossível: a fala pode mudar, mas num processo longo, de exposiçao a outras falas, nao por preceitos normativos, a fala é muito rápida, nao dá para falar pensando na forma, ou nao pensamos no que queremos dizer, perdemos a fluência, podemos até gaguejar. E a escola exige das crianças o impossível, que falem numa variedade linguística que nao conhecem... E que nao se aprende pelo fato dos professores ficarem corrigindo, isso só leva ao silenciamento dos alunos, e ao ódio à escola.

O ensino da maldita norma é necessário sim, APENAS POR CAUSA DA DOMINAÇAO SOCIAL. Se fôssemos realmente  uma democracia, nao haveria motivo para a maioria da populaçao falar segundo uma variedade linguística que é de muito poucos (na verdade, se tomarmos o conteúdo das gramáticas normativas como reflexo da norma culta -- o que ele NAO É -- seria uma variedade DE NINGUÉM, ninguém fala como as gramáticas preceituam, nem a classe dominante).  

Esse ensino tem que ser feito com relação À ESCRITA, nao à fala (a nao ser como uma consequência indireta da aquisiçao na escrita), e nao por um processo de ensino de regras, mas sim por exposiçao a textos, por prática da leitura (inclusive leitura em voz alta, que habitua os alunos com o tipo de linguagem usada na escrita, o que acaba por influenciar aos poucos a própria fala, mas espontaneamente) e da escrita. Como o ensino de uma língua estrangeira, só que mais próxima da linguagem original dos alunos.

 

"O preconceito linguístico e a obsessao com a chamada (mal chamada...) norma culta é um dos principais fatores de dificuldades para a alfabetizaçao e de evasao escolar. (...) E a escola exige das crianças o impossível, que falem numa variedade linguística que nao conhecem... E que nao se aprende pelo fato dos professores ficarem corrigindo, isso só leva ao silenciamento dos alunos, e ao ódio à escola".

Ana, você teria ou poderia indicar alguma fonte para os dados dessa evasão escolar provocada pela obsessão normativista? Acho que você concorda que essa informação é munição para o debate. Te parabenizo pela militância, é isso aí. Abraços.

 

Flávio, que eu saiba nunca houve uma pesquisa específica sobre isso, e, pense, seria muito difícil de provar isso, há vários fatores que levam à evasao. O que eu digo é que, se a escola exige da criança que ela use uma linguagem que nao conhece, e os professores a corrigem a toda vez que fala, se calará... E ficará com ódio à escola. Porque nao tem a menor condiçao de saber o que esperam dela... É absurdo! E linguagem tem a ver com identidade. Dizer a uma criança que ela fala errado, que todos do meio dela falam errado, etc., é claro que desperta hostilidade.

Falando mais tecnicamente, a exigência da norma gramatical tb cria dificuldades para a alfabetizaçao. Num curso que fiz, vi uma redaçao de um garoto de classe de alfabetizaçao corrigida pela professora. O garoto fez um textinho muito bom, criativo, e a professora até que foi sensível, elogiou o texto. Mas acrescentou: "Mas preste atençao nos verbos" (porque o garoto, falante de uma variedade sem concordância, nao tinha posto nenhum dos M de terceira pessoa do plural dos verbos, todos assinalados a vermelho pela professora).

Agora pense: preste atençao NO QUÊ? Ele nao usa as formas plurais dos verbos, como querer que ele adivinhe onde têm que pôr os M? Isso na alfabetizaçao. Você acha que adiantaria alguma coisa o professor dizer: "Fulano, os verbos na terceira pessoa do plural levam a desinência M"? O menino ainda nem sabe o que é verbo... Quanto mais o que é  terceira pessoa do plural e desinência.

Claro, o professor pode usar uma linguagem menos técnica (sensibilizar para um X mais de um que faz/em a açao verbal, sem usar os termos técnicos, e mostrar que na escrita se usa o M quando é mais de um ). Mas é uma explicaçao difícil exatamente porque nao corresponde a um conhecimento interno do aluno, é um processo longo de habituaçao com a escrita. Se numa etapa em que a criança está começando a fazer seus próprios textos, a dizer algo por escrito, ela tem seus textos cheios de correçoes quanto à forma, desanima, até porque NAO FAZ A MENOR IDÉIA DE ONDE ESTÁ O ERRO!

 

 

Minha admiração pelos profissionais do ensino  só aumentou após a leitura deste  posicionamento. Lastimável é  a contribuição da mídia sedenta para a prática de linchamentos intelectuais motivados por preconceitos.

 

Mais uma vez a mídia faz besteira! Já estou cansado de ler O Globo, ver o JN... Hoje em dia prefiro a internet ao impresso ou telejornais, posso ler várias opiniões e visões de um mesmo assunto, isso ajuda a evitar a manipulação. Um pouco de JB, com Terra, iG, Carta Capital e umas visitas a página inicial de O Globo e Globo.com já dá para garantir uma boa informação.

Parabéns aos futuros professores, pela atitude de responder e coragem de seguir um caminho tão bonito e árduo, que eu sei bem como é!