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O massacre do Canudos cearense

Por Rios

Um breve histórico do massacre "do Canudos cearense"...

Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caldeir%C3%A3o_de_Santa_Cruz_do_Deserto

rigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Sobreviventes do ataque ao Caldeirão.

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião.

Índice

[esconder]

[editar] História

[editar] Sítio Baixa Dantas

José Lourenço trabalhava com sua família em latifúndios no sertão da Paraíba. Decidiu migrar para Juazeiro do Norte, onde conheceu Padre Cícero e ganhou sua simpatia e confiança. Em Juazeiro conseguiu arrendar um lote de terra no sitio Baixa Dantas, no município do Crato. Com bastante esforço de José Lourenço e os demais romeiros, em pouco tempo a terra prosperou, e eles produziram bastante cereais e frutas. Diferente das fazendas vizinhas, na comunidade toda a produção era dividida igualmente.

José Lourenço tornou-se líder daquele povoado, e se dedicou à religião, à caridade e a servir ao próximo. Mesmo analfabeto, era ele quem dividia as tarefas e ensinava agricultura e medicina popular. Para o sítio Baixa Dantas eram enviados, por Padre Cícero, assassinos, ladrões e miseráveis, enfim, pessoas que precisavam de ajuda para trabalhar e obter sua . Após o surgimento da Sedição de Juazeiro, da qual José Lourenço não participou, suas terras foram invadidas por jagunços. Com o fim da revolta, José Lourenço e seus seguidores reconstruíram o povoado.

Em 1921, Delmiro Gouveia presenteou Padre Cícero com um boi, chamado Mansinho, e o entregou aos cuidados de José Lourenço. Os inimigos de Padre Cícero, se aproveitaram disso espalhando boatos de que as pessoas estariam adorando o boi como a um Deus. Por conta disso, o boi foi morto e José Lourenço foi preso a mando de Floro Bartolomeu, tendo sido solto por influência de Padre Cícero alguns dias depois.

[editar] Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Em 1926, o sítio Baixa Dantas foi vendido e o novo proprietário exigiu que os membros da comunidade saíssem das terras. Com isso, Padre Cícero resolveu alojar o beato e os romeiros em uma grande fazenda denominada Caldeirão dos Jesuítas, situada no Crato, onde recomeçaram o trabalho comunitário, criando uma sociedade igualitária que tinha como base a religião. Toda a produção do Caldeirão era dividida igualmente, o excedente era vendido e, com o lucro, investia-se em remédios e querosene.

No Caldeirão cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. Na fazenda também havia um cemitério e uma igreja, construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932, esse número aumentou, pois lá chegaram muitos flagelados. Após a morte de Padre Cícero, muitos nordestinos passaram a considerar o beato José Lourenço como seu sucessor.

Devido a muitos grupos de pessoas começarem a ir para o Caldeirão e deixarem seus trabalhos árduos, pois viam aquela sociedade como um paraíso, os poderosos, a classe dominante, começaram a temer aquilo que consideravam ser uma má influência.

[editar] Balas caindo do céu

Em 1937, sem a proteção de Padre Cícero, que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída, e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual em 11 de maio foi invadida novamente, mas dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com o número oficial de 400 mortos. Foi a primeira ação de extermínio do Exército Brasileiro, e Polícia Militar do Estado do Ceará. Acontecera o primeiro ataque aéreo da história do Brasil. Os familiares e descendentes dos mortos nunca souberam onde encontra-se os corpos, pois o Exército Brasileiro e a Polícia Militar do Ceará nunca informaram o local da vala comum na qual os seguidores do Beato foram enterrados. Presumi-se que a vala coletiva encontram-se no Caldeirão ou na Mata dos Cavalos, na Serra do Cruzeiro (região do Cariri).

[editar] O Beato

José Lourenço fugiu para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no cemitério do Socorro.

[editar] Caldeirão hoje

Cartaz do Filme "O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto".

Da época da Irmandade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, exitem ainda a capela branca, que tem como padroeiro Santo Inácio de Loyola, ao lado da ermida, duas casas, um muro de laje de um velho cemitério, um cruzeiro e no alto as ruínas da residência do beato José Lourenço.

Atualmente, 47 famílias revivem o sonho coletivo de produção idealizado por José Lourenço, num sítio denominado Assentamento 10 de Abril, [1] a 37 km do centro do Crato. No local encontram-se 47 casas, sendo que 44 de alvenaria e uma escola, porém sem ostentar a grandeza atingida pelo então Caldeirão do beato José Lourenço .

As famílias residentes mantém uma horticultura orgânica (couve, coentro, cenoura, macaxeira, alface, pimentão e espinafre estão entre as hortaliças cultivadas) e uma lavoura para auto-abastecimento. Parte dos homens também mantém um produtivo apiário, que contribui para os rendimentos do grupo.

A ONG SOS Direitos Humanos entrou com uma ação civil pública no ano de 2008 na Justiça Federal do Ceará, contra o Governo Federal do Brasil e Governo do Estado do Ceará, requerendo que o Exército Brasileiro:

  • a) torne público o local da vala comum,
  • b) realize a exumação dos corpos,
  • c) identifique as vítimas via exames de DNA,
  • d) enterre os restos mortais de forma digna,
  • e) idenize no valor de R$ 500 mil, todos os familiares das vítimas e os remanescentes,
  • f) inclua na história oficial, à título pedagógico, a história do massacre / chacina / genocídio do Sítio da Santa Cruz do Deserto, ou Sítio Caldeirão.

A pedido do Ministério Público Federal da cidade de Juazeiro do Norte, a ação foi extinta sem julgamento de mérito pelo juiz da 16ª Vara Federal de Juazeiro do Norte. A ONG SOS DIREITOS HUMANOS, inconformada com a decisão, recorreu ao egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região em Recife Pernambuco, requerendo que a ação seja julgada o mérito porque o crime cometido contra a comunidade do Sítio Caldeirão é de lesa humanidade, e portanto, imprescritível.

A ONG "SOS DIREITOS HUMANOS" no ano de 2009, denunciou o Brasil à OEA - Organização dos Estados Americanos, por crime de desaparecimento forçado de pessoas e para que seja obrigada a informar a localização da vala comum com as 1000 vítimas do Sítio Caldeirão. A entidade considera o sítio Caldeirão como o Araguaia do Ceará, uma vez que os militares mataram 1000 pessoas e após, enterraram em vala comum em lugar desconhecido da mata dos cavalos, em cima da Chapada do Araripe. A ONG está pedindo auxílio à entidades internacionais para que a vala comum seja encontrada, bem como, de geólogos, geofísicos e arqueólogos para identificar a localização da vala comum.

Em 1986 o cineasta Rosemberg Cariry, realizou um documentário rico em depoimentos de sobrevintes do massacre. Caldeirão é um movimento considerado como uma outra Guerra de Canudos.

A Cia. do Tijolo, grupo artístico, apresenta ainda (2010) espetáculo que conta a história do Caldeirão, e exalta também Patativa do Assaré, poeta nascido no nordeste brasileiro.

Notas

  1. (em português) UNESP - Assentamento 10 de Abril em Crato: o sonho de um novo Caldeirão. Página visitada em 30 de Novembro de 2010.

[editar] Fonte bibliográfica

  • FARIAS, Aírton de. História do Ceará: Dos Índios à Geração Cambeba. Fortaleza; Tropical,1997, ISBN 85-86332-03-8

[editar] Ligações externas

  • O Povo - Romaria lembra história do Caldeirão. O POVO 22.09.2007.
  • Aridesa - Massacre de fiéis do Cldeirão faz 70 anos. 30.11.10
  • Novae - O Caldeirão que o diabo abominou. 30.11.10
  • Overmundo - O Caldeirão da Santa Cruz do Esquecimento. 30.11.10
  • Moreira - A tragédia da comunidade camponesa igualitária do sítio caldeirão. 30.11.10
  • [1] - Fundação Perseu Abramo - O beato Zé Lourenço e o Caldeirão de Santa Cruz do Deserto
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“Em 1937, sem a proteção de Padre Cícero, que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída, e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual em 11 de maio foi invadida novamente, mas dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com o número oficial de 400 mortos.

Grande Getúlio Vargas!!   É por essas e outras que SP  NÃO rende homenagens a Getúlio...  

Aqui não se vê avenida Getúlio Vargas... Nem mesmo uma viela...   Já, ruas e avenidas com o nome Padre Cícero podemos encontrar em várias cidades deste Estado.  

 

Este é um blog notadamente antipaulista! Paulistas, não se submetam docilmente a humilhações e manifestações de preconceito!! A internet é enorme.

Gostaria de reunir um grupo de pessoas que desejassem fundar uma Nova Canudos bem aqui nas fuças da elite agrária de São Paulo e atrair os escravos dos canaviais (boias-frias) para uma nova redenção de suas liberdades essenciais: dignidade e respeito!

A Nova Canudos seria uma CIA LTDA dos sócios, sem fins lucrativos, com estatuto priorizando a coletivização dos meios de produção; a educação gratuita; a saúde gratuita; a prática de esportes; o cultivo das artes!

Gostaria de ver o baronato contemporâneo tremer!

QUEM TOPA?

 

“A Nova Canudos seria(...)

(...)sem fins lucrativos, com estatuto priorizando a coletivização dos meios de produção; a educação gratuita; a saúde gratuita; a prática de esportes; o cultivo das artes!”

 Brincadeiras à parte, já existe um movimento neste sentido:

http://www.thezeitgeistmovement.com/

http://movimentozeitgeist.com.br/

 

Este é um blog notadamente antipaulista! Paulistas, não se submetam docilmente a humilhações e manifestações de preconceito!! A internet é enorme.

Crato – CE: Romaria ao Caldeirão lembrou a luta dos sem terra

Por Crato Notícias

Antônio Vicelmo Foto: Normando Sóracles

(...)

Vaqueiro

A missa do Caldeirão foi aberto com um aboio do vaqueiro Raimundo Procópio, que liderou um grupo de cavaleiros que veio do sitio Correntinho para a cerimônia. O grito do vaqueiro ecoou nos grotões do Caldeirão, anunciando o inicio do ato religioso. Depois do aboio, Procópio emendou com o seguinte verso: Com meus amigos vaqueiros/ eu custei, mas eu cheguei/Moro num canto esquisito/ um lugar muito bonito que nem o nome eu não sei.

Assentamento. A maioria dos presentes eram pessoas humildes, gente sofrida, que ainda hoje luta por um pedaço de terra para trabalhar. Um deles, era Francisco Agostinho que veio do Assentamento 10 de abril. Agostinho lembra que no dia 10 de abril de 1991, 180 famílias tentaram ocupar o Caldeirão para repetir a mesma experiência do beato José Lourenço. No entanto, o Governo do Estado ofereceu outra área nas proximidades para onde os camponeses foram deslocados.

Exemplo

Hoje, o assentamento é um exemplo de organização comunitária. Atualmente, 47 famílias revivem o sonho coletivo de produção idealizado por José Lourenço As famílias mantém uma horticultura orgânica produz milho, feijão e arroz para o auto-abastecimento e cria gado de leite para o consumo da comunidade. Parte dos homens também mantém um produtivo apiário, que contribui para os rendimentos do grupo. A diferença , segundo Agostinho, é que no assentamento não há uma liderança isolada. Os líderes se revezam no comando da Cooperativa que administra o setor financeiro.

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço. No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião. No Caldeirão cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. Na fazenda também havia um cemitério e uma igreja, construídos pelos próprios membros. A comunidade chegou a ter mais de mil habitantes. Com a grande seca de 1932, esse número aumentou, pois lá chegaram muitos flagelados. Em 1936, sem a proteção de Padre Cícero, que falecera em 1934, a fazenda foi invadida, destruída, e os sertanejos divididos, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, a qual em 11 de maio foi invadida novamente, mas dessa vez por terra e pelo ar, quando aconteceu um grande massacre, com o número oficial de 400 mortos. Os familiares e descendentes dos mortos nunca souberam onde os corpos foram enterrados.

http://cratonoticias.wordpress.com/2010/09/20/crato-ce-romaria-ao-caldeirao-lembrou-a-luta-dos-sem-terra

 

Grato, Juriti

A tristeza das Aves de Jesus com o fim de suas tradições

Do Diário do Nordeste:

AVES DE JESUS (21/3/2010)

Grupo Rosário da Mãe de Deus está em extinção

Clique para Ampliar


As casaS dos participantes do grupo de Penitentes Ave de Jesus são simples, com imagens de santos. Todas as mulheres são chamadas de Maria e os homens, de José
FOTOS: ANTÔNIO VICELMO

Clique para Ampliar

Caldeirão do beato José Lourenço é um dos locais históricos que fazem parte do misticismo do Cariri

21/3/2010

Dos 40 integrantes do grupo Rosário da Mãe, sediado em Juazeiro do Norte, restam apenas seis participantes

Juazeiro do Norte Um dos mais tradicionais e conhecidos grupos de penitentes do Cariri está chegando ao fim. São os Penitentes do Rosário da Mãe de Deus que residem no Bairro Tiradentes, periferia de Juazeiro. Com a morte do seu principal líder, José Ave de Jesus, e de outros seguidores, o grupo está se dispersando. Dos quase 40 integrantes que circulavam nas ruas de Juazeiro, nos dias de romaria, restam somente seis. Os mais jovens não suportaram a dura disciplina imposta. Sentada na porta de sua casa, com um rosário na mão, dona Maria Ave de Jesus (este é o nome de todas as mulheres do grupo) lamenta a ausência do chefe. Para ela, a organização religiosa não tem mais sentido. "Estamos todos no pé de mourão, aguardando a hora de ser chamado", diz referindo-se a morte.

Enquanto a morte não vem, ela permanece fiel aos ensinamentos deixados pelo decurião José Ave de Jesus, que morreu em 1999. Na sala de visita, adornado de santos, entre eles as fotos do José, ela guarda as bandeiras que portavam quando caminhavam em procissão nas ruas de Juazeiro.

Dentro do quarto, uma cama de solteiro, bem forrada com lençóis brancos, onde foram cuidadosamente instalados um quadro com a imagem do Padre Cícero e dois livros: "A Vida de Jesus Cristo" e "A Missão Abreviada", um exemplar antigo de uma publicação de autoria do padre Manuel José Gonçalves Couto, editado em Portugal, em 1859. O livro é uma espécie de bíblia dos penitentes.

Eles não usam dinheiro, não trabalham, não compram nem vendem nada. Suas casas são de taipa e não têm nem luz elétrica nem água encanada. Não matam nenhum animal e dependem da caridade para ter carne para comer. Eles não possuem documentos. Todos são chamados de Maria ou José Ave de Jesus. Dona Maria diz que o seu documento é o rosário da mãe de Deus.

Vestido de azul, com cabelos e barbas compridos, o penitente José Ave de Jesus volta para casa com uma cesta na cabeça cheia de mantimentos. José tem uma conotação especial dentro do pequeno grupo que restou. Ele pretende dar continuidade ao trabalho missionário com a publicação de uma nova edição do livro "Missão Abreviada", o mesmo livro que, segundo Euclides da Cunha, era utilizado pelo líder messiânico Antônio Conselheiro, uma espécie de guia para pregações, indicado para "despertar os descuidados e converter os pecadores".

Para isso, ele transformou sua pequena casa no Bairro Tiradentes num centro de distribuição do livro. José garante que não vende a publicação "por dinheiro nenhum do mundo", mas se o interessado quiser pagar, ele recebe como forma de ajuda para atender ao compromisso que ele tem com a gráfica. Em uma de suas meditações, o livro Missão Abreviada diz que o "Juízo Final" se aproxima. "O mundo está perto de acabar. Os sinais estão aí: pestes, guerras, inundações e terremotos. Tudo isso é o princípio de grandes dores e grandes males. O mundo vai ser abrasado com espantosos redemoinhos de fogo e será reduzido a um montão de cinzas com todos os seus viventes", está escrito.

A Morte

O livro descreve a morte como um sentença tenebrosa. "A tua alma entrará na porta da eternidade, teu corpo será depositado em uma sepultura. A morte já está com a espada desembainhada, a tua hora se aproxima". É dentro dessa visão sinistra que os Ave de Jesus pregam de casa em casa.

Como tantos outros penitentes, eles acreditam que os eventos bíblicos aconteceram em Juazeiro: o começo dos tempos, a Paixão e Ressurreição do Cristo. Não é apenas uma questão de crença, dizem saber e provam com evidências materiais: as pegadas de José e Maria, os fósseis de peixes, facilmente encontrados na região do Cariri, são evidências de que ali, naquele mesmo lugar, houve o dilúvio, o nascimento do Cristo e sua ressurreição. Os penitentes acreditam que Padre Cícero seja o "Filho de Deus reencarnado", e o "Próprio Pai".

Com este discurso, que mescla partes do Apocalipse com citações do Antigo Testamento e A Missão Abreviada, eles garantem que, no mundo atual, a exemplo dos tempos de Noé, apenas uns poucos escolhidos serão salvos.

O "mestre" do Aves de Jesus acredita que o Cariri é a Terra Prometida, por ser o local onde viveu e pregou o Padre Cícero. "O mundo começou aqui e aqui será terminado e renovado". Ao fazer este sermão, o penitente mostra na manga da camisa um emblema com as iniciais: PMCF que, segundo afirma, são as letras que governam o mundo. "Pai, mãe, céu e fé", traduz.

Antônio Vicelmo
Repórter

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=754780

 

Grato, Juriti

A segunda Canudos.....

Enviado por luisnassif, sab, 22/01/2011 - 15:55

Por Paulo Cezar

17/09/2006 - 14:34

Igualdade e auto-suficiência

Desapropriação da comunidade do Caldeirão, onde sertanejos buscavam a liberdade em comunidade autônoma no semi-árido cearense, completa 70 anos. Expulsão das famílias foi seguida por massacre em que morreram cerca de 700 pessoas

Texto e fotos de João Mauro Araujo, especial para a Repórter Brasil

(Veja a programação do evento Caminhos do Beato Zé Lourenço, que lembrará os 70 anos da expulsão da Comunidade do Caldeirão)

Em 11 de maio de 1937, um ruído no céu da chapada do Araripe assustou os camponeses. Com medo, eles tentavam se esconder entre as árvores enquanto máquinas voadoras deslizavam pelos ares daquela região do Cariri, no sul do Ceará. Homens, mulheres e crianças fugiam de algo que, com certeza, viam pela primeira vez. O desespero foi ainda maior quando os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) começaram a metralhar. Muitos ali devem ter sussurrado o derradeiro pai-nosso. Outros nem tiveram tempo para tanto.

Chapada do Araripe, no Ceará, palco do massacre de 700 seguidores do beato José Lourenço

(...)

Formação

Assim como em Canudos, população do Caldeirão era formada por sertanejos que viam o misticismo como única alternativa para a sobrevivência no semi-árido (foto:reprodução)

Longe do litoral nordestino, um emaranhado de crenças - cristãs e pagãs - caracterizava a religiosidade popular das terras secas nas primeiras décadas do século 20. Sem contar com assistência do Estado e da Igreja para enfrentar as dificuldades de sobrevivência, os sertanejos tinham poucas opções, como o cangaço, o trabalho semi-escravo nos latifúndios dos coronéis ou o misticismo. Assim, Virgulino Ferreira da Silva se tornou o "Lampião". E Antônio Vicente Mendes Maciel, o "Conselheiro".

A alternativa da fé era encabeçada por profetas populares, que viam a miséria como um "castigo de Deus" e encorajavam a prática de penitências como forma de obter a salvação. Para eles, as mazelas do nordeste eram sinais de que o fim do mundo estava próximo e, portanto, não tardaria a grande viagem ao paraíso divino.

Quando deixou seu lar para trabalhar em fazendas de gado próximas à sua cidade, no estado da Paraíba, José Lourenço Gomes da Silva era ainda jovem. Ao retornar para casa, após anos de ausência, soube que seus pais haviam mudado para Juazeiro do Norte, no Ceará - lugar que se tornara um pólo de atração devido à fama do padre Cícero.

De 1894 até 1946, José Lourenço liderou arraiais onde se uniam os menos favorecidos (foto:reprodução)

 

(....)

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-segunda-canudos

 

Grato, Juriti

A par da repressão eles continuam vivos,

http://2.bp.blogspot.com/_9fHcPQ0aWIw/TJdyUn82xJI/AAAAAAAAEL0/hd4ZUyILJ8c/s1600/imagem.jpg

Romeiros lembram Sítio Caldeirão

Fonte: Diário do Nordeste
Antônio Vicelmo - Repórter

Ao lado, católicos prestaram homenagens ao beato José Lourenço - FOTO: ANTÔNIO VICELMO


Crato. Representações das Comunidades Eclesiais de Base de 70 municípios do Ceará, seis padres e dois mil romeiros participaram, ontem, da 11ª Romaria ao Caldeirão do beato José Lourenço, que lembrou os 74 anos da primeira tentativa de destruição da comunidade religiosa que reunia cerca de dois mil seguidores do beato. O padre Vileci Basílio Vidal pediu aos romeiros que tirassem os chinelos e colocassem os pés ou as mãos naquele "chão sagrado" para receberem as energias deixadas pelo beato. Debaixo de uma árvore, o padre José Venturelli, administrador do Horto de Juazeiro, improvisou um confessionário para atender aos romeiros.A missa do Caldeirão foi aberto com um aboio do vaqueiro Raimundo Procópio, que liderou um grupo de cavaleiros vindo do Sítio Correntinho para a cerimônia religiosa.A maioria dos presentes era formada por pessoas humildes, gente sofrida, que ainda hoje luta por um pedaço de terra para trabalhar. Um deles era Francisco Agostinho, que veio do Assentamento 10 de Abril. Agostinho lembra que, no dia 10 de abril de 1991, 180 famílias tentaram ocupar o Caldeirão para repetir a experiência do beato José Lourenço. No entanto, o Governo do Estado ofereceu outra área nas proximidades para onde os camponeses foram deslocados. O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um movimento messiânico que surgiu no Crato. Liderada pelo beato, a comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na religião.http://blogdocrato.blogspot.com/2010_09_20_archive.html

 

Grato, Juriti

Que bom se pudéssemos nos debruçar mais sobre este movimentos libertários, José Lourenço, Antônio Conselheiro, Santa Dica, há tantos enterrados por aí,

Vamos trazer à tona estas histórias que o Brasil não conhece, nós não conhecemos, saiba mais sobre Santa Dica

http://www.google.com.br/#hl=pt-BR&source=hp&biw=986&bih=563&q=santa+dica&aq=f&aqi=g7&aql=&oq=&fp=9b3781e859d80efa

http://www.revistasusp.sibi.usp.br/img/revistas/revusp/n82/07f02.jpghttp://4.bp.blogspot.com/_FbNtFPClUQA/S9clgy9feiI/AAAAAAAAAYw/Vp0VGRmvuRQ/s1600/CALDEI~3.JPGCom bastante esforço de José Lourenço e os demais romeiros, em pouco tempo a terra prosperou, e eles produziram bastante cereais e frutas. Diferente das fazendas vizinhas, na comunidade toda a produção era dividida igualmente.


Beato José Lourenço e o jornalista Hidelbrando Espínola

José Lourenço tornou-se líder daquele povoado, e se dedicou à religião, à caridade e a servir ao próximo. Mesmo analfabeto, era ele quem dividia as tarefas e ensinava agricultura e medicina popular. Para o sítio Baixa Dantas eram enviados, por Padre Cícero, assassinos, ladrões e miseráveis, enfim, pessoas que precisavam de ajuda para trabalhar e obter sua fé.

http://construindohistoriahoje.blogspot.com/2010/04/caldeirao-de-santa-c...

 

Grato, Juriti

Incrível como a história oficial faz oculta estes fatos que, por sinal, envolveram forças do Estado, elites e lideranças religiosas.

Interessante se notar como poderosas forças do Estado se sentem ameaçadas por miseráveis que, com muita luta, conseguem se organizar.

Vencida a guerra contra os "anarquistas" que ameaçam a ordem, fazem de tudo para que estas experiências libertárias sejam para sempre apagadas

 

Grato, Juriti

Fotos de Santa Dica:

http://estudoreligioso.files.wordpress.com/2008/11/santa-dica.jpghttp://2.bp.blogspot.com/_R1-yM4avuzo/TUdP9WRni2I/AAAAAAAAALQ/AjS6xhZJ_dQ/s1600/santa+dica.jpghttp://paulofontelesfilho.blogspot.com/2011/01/guerra-da-santa-dica.html

O premiado documentário pelo DOC TV de 2004, Santa Dica de Guerra e Fé retrata a historia da messiânica Benedicta Cipriano Gomes, mais conhecida como Santa Dica.

Santa Dica, santo mito Divulgação 1 Edson Wander · Goiânia, GO
7/4/2006 · 103 · 8  

Espécie de "Antônio Conselheiro de saias", Benedicta Gomes criou uma comunidade que é cultuada até hoje em Goiás. Documentário goiano aprovado no DocTV resgata a história da santa messiânica. Leia ao final a crítica do filme escrita por Beto Leão, presidente da Associação Brasileira de Documentaristas - Seção Goiás

Conta-se em Goiás que a história de Benedicta Cipriano Gomes (1905-1970) aproxima-se muito da de Antônio Conselheiro, o beato-mor de Canudos. Figura lendária, mulher de força política e de fé sincrética, Benedicta ou simplesmente Santa Dica como passou à história, tem em seu currículo proezas díspares como a de ter servido como modelo de uma tela de Tarsila do Amaral e ter liderado uma tropa de 150 homens para as frentes da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Mas a maior façanha de Santa Dica, motivo de sua devoção até hoje na região da cidade histórica de Pirenópolis, está no messianismo ímpar, que conquistou seguidores de diferentes religiões.

A liderança de Santa Dica nasceu de seus supostos milagres e na criação da chamada Cidade dos Anjos, uma terra livre, “socialista”, onde todos dividiam tudo e viviam pela fé liderada por uma “roceira bonita e analfabeta, a nossa Joana D´arc”, no dizer do documentarista uruguaio radicado em Brasília Carlos Del Pino, o primeiro a rodar um filme sobre ela (o longa, República dos Anjos, não teve mais exibições por desentendimentos do diretor e o produtor sobre direitos autorais). O vilarejo de Lagolândia, localizado no diminuto distrito de Pirenópolis (conta-se hoje pouco mais de 300 moradores), chegou a somar 15 mil seguidores e incomodou fazendeiros e o poder político-militar e eclesiástico da época. No ano em que se comemorou o centenário do nascimento de Santa Dica (2005), esta história fantástica e pouco disseminada até no Centro-Oeste voltou à baila com um novo filme, debates e até audiência púbica em homenagem a Dica, que foi expulsa de Goiás pela Guarda do Estado da época (década de 20). A homenagem partiu da Câmara Municipal de Goiânia. (...)"

http://www.overmundo.com.br/overblog/santa-dica-santo-mito

 

Grato, Juriti

Cronograma

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Resultados da pesquisa

  1.  19201920 - Tida como santa pelos moradores de Lagolândia, Dica reuniu em torno de si, nos primeiros anos da década de 1920, uma legião de seguidores e logo passou a ser vista como uma ameaça pelo governo e pela Igreja. Ela já inspirou filmes e livros e sua memória é ...Líder de um movimento messiânico que muitos pesquisadores comparam a Canudos de Antônio Conselheiro, Benedicta Cipriano, a Santa Dica, tem seu centenário de nascimento comemorado nesta semana. Tida como santa pelos moradores de Lagolândia, Dica reuniu em torno de si, nos primeiros anos da década de 1920, uma legião de seguidores e logo passou a ser vista como uma ameaça pelo governo e pela Igreja. Ela já inspirou filmes e livros e sua memória é lembrada no decorrer desta ...
  2.  19231923 - A partir de 1923, Benedita liderou um grupo de fiéis que formava uma comunidade agrária chamada Corte dos Anjos. A comunidade crescia. Benedita liderava a organização da vida comunitária, a utilização coletiva das terras, os rituais e as celebrações. Determinou ...A partir de 1923, Benedita liderou um grupo de fiéis que formava uma comunidade agrária chamada Corte dos Anjos. A comunidade crescia. Benedita liderava a organização da vida comunitária, a utilização coletiva das terras, os rituais e as celebrações. Determinou o não-pagamento de impostos ao governo. Temendo um novo Canudos, fazendeiros, líderes religiosos e imprensa fizeram uma campanha pedindo a intervenção do governo e ironizando a figura da líder com o título de "Santa ...
    www2.ucg.br/flash/artigos/070307mulher.html
  3.  19251925 - O coronel então, começou a incentivar os latifundiários da região para que o governo interviesse e tomasse medidas imediatas contra o reduto de Santa Dica - antes que ali se registrasse "um novo Canudos". Numa madrugada de 1925, um batalhão da PM cercou Lagoas ...O coronel então, começou a incentivar os latifundiários da região para que o governo interviesse e tomasse medidas imediatas contra o reduto de Santa Dica - antes que ali se registrasse "um novo Canudos". Numa madrugada de 1925, um batalhão da PM cercou Lagoas, disparando as metralhadoras. O tiroteio durou 2 horas e quarenta minutos e ao amanhecer Santa Dica conduziu a comunidade na travessia do Rio Jordão, naquela época muito cheio devido às chuvas. Mostrar mais Mostrar menos
    De Santa Dica, a messiânica revolucionária de Goiás | tabloide digital - Páginas da web relacionadas
    www.millarch.org/artigo/santa-dica-messianica ...
  4.  19321932 - Figura lendária, mulher de força política e de fé sincrética, Benedicta ou simplesmente Santa Dica como passou à história, tem em seu currículo proezas díspares como a de ter servido como modelo de uma tela de Tarsila do Amaral e ter liderado uma tropa de 150 ...Figura lendária, mulher de força política e de fé sincrética, Benedicta ou simplesmente Santa Dica como passou à história, tem em seu currículo proezas díspares como a de ter servido como modelo de uma tela de Tarsila do Amaral e ter liderado uma tropa de 150 homens para as frentes da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Mas a maior façanha de Santa Dica, motivo de sua devoção até hoje na região da cidade histórica de Pirenópolis, está no messianismo ímpar ... Mostrar mais Mostrar menos
    De :: Santa Dica, santo mito :: - Páginas da web relacionadas
    www.overmundo.com.br/overblog/santa-dica-santo ...
  5.  19709 nov. 1970 - Santa Dica continua atendendo os fiéis em sua casa, em Lagolândia. Líder política, Dica teve carisma para eleger prefeito de Pirenópolis e depois deputado o jornalista Mário Mendes, de quem depois se separou. Morreu no dia 09 de novembro de 1970, em Pirenópolis.
    De CATÓLICA - Reitoria - Mulheres em Goiás: Presença e História - Páginas da web relacionadas
    www.ucg.br/ucg/reitoria/home/secao.asp ...
  6.  19911991 - Deixou uma obra, publicada em 1991, após sua morte prematura por assassinato: Santa Dica: encantamento do mundo ou coisa do povo. Ícone de esboço Este artigo sobre uma biografia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
    De Lauro de Vasconcellos - Wikipédia, a enciclopédia livre - Páginas da web relacionadas
    pt.wikipedia.org/wiki/Lauro_de_Vasconcellos
  7.  200513 abr. 2005 - Legado de uma messiânica No dia 13 de abril de 2005 comemorou-se o centenário da Santa Dica. O documentário propõe a busca pela história, pouco conhecida, dessa líder religiosa e política, uma mulher à frente do seu tempo. Ela foi a única expressão, em Goiás ...Legado de uma messiânica No dia 13 de abril de 2005 comemorou-se o centenário da Santa Dica. O documentário propõe a busca pela história, pouco conhecida, dessa líder religiosa e política, uma mulher à frente do seu tempo. Ela foi a única expressão, em Goiás, de movimento messiânico, ocorrido em várias regiões do Brasil. Foi, também, a única mulher a enfrentar publicamente e com força política o coronelismo goiano. Mostrar mais Mostrar menos
    De Ponto de Encontro Cineclubista : SANTA DICA DE GUERRA E FÉ - Páginas da web relacionadas
    pec.utopia.com.br/tiki-view_blog_post.php ...
  8.  200918 nov. 2009 - O qual foi apresentado na mostra pedagógica, dia 18 de novembro de 2009, aqui no colégio.Ao ler o Livro “Santa Dica: “Encantamentos do mundo ou coisa do povo” de Maria Cristina Teixeira Machado, os Alunos do 3° ano foram em busca das raízes de benzedeiras de nossa cidade de Nerópolis, E realizaram um ótimo trabalho. O qual foi apresentado na mostra pedagógica, dia 18 de novembro de 2009, aqui no colégio. Mostrar mais Mostrar menos
    De RESUMO DO JV NOTÍCIAS (NERÓPOLIS) - UOL Blog - Páginas da web relacionadas
    jvnoticias.zip.net/
  9.  201019 dez. 2010 - Amoradora Floripa Araújo da Silva,82 anos, construiu em homenagem a Dica uma capela noaltode umdos morrosemvolta de Lagolân- O ESTADO DE S. PAULO SÃO PAULO, 19 DE DEZEMBRO DE 2010 Especial Guerras desconhecidas do Brasil %HermesFileInfo ...Amoradora Floripa Araújo da Silva,82 anos, construiu em homenagem a Dica uma capela noaltode umdos morrosemvolta de Lagolân- O ESTADO DE S. PAULO SÃO PAULO, 19 DE DEZEMBRO DE 2010 Especial Guerras desconhecidas do Brasil %HermesFileInfo: H-5:20101219: Guerra da Santa Dica QUATORZE BALAS BATERAM NA BARRA DO VESTIDO DE MINHA IRMÃ, MAS VOLTARAM SEM CAUSAR FERIMENTOS" Bernarda Cypriano Gomes, irmã de ... Mostrar mais Mostrar menos
    De Guerras do Brasil - Páginas da web relacionadas
    issuu.com/mcassiano/docs/guerras_do_brasil

    http://www.google.com.br/#q=santa+dica&hl=pt-BR&biw=986&bih=563&prmd=ivns&tbs=tl:1&tbo=u&ei=iO57Tf-fAtPTgAfpyeTRBw&sa=X&oi=timeline_result&ct=title&resnum=17&ved=0CHkQ5wIwEA&fp=9b3781e859d80efa

 

Grato, Juriti

Goiás também teve uma história idêntica a de Canudos, muita gente não sabe e, o interessante é que o movimento foi liderado por uma mulher, até hoje venerada.  É a Santa Dica,  o fato se deu no  lugarejo hoje conhecido como Lagolândia, perto de Pirenpólis,  há uns 80 km de Goiânia.

Como ocorreu com Antônio Conselheiro e José Lourenço, Santa Dica também foi atacada por foraças do Estado para responder à insatifação dos poderosos que, como se vê, não permitem a subversão de uma ordem feita pare ele(cornéis, políticos, líderes religiosos).

Do Estadão:

Guerra da Santa Dica Dica foi perseguida pela Igreja e temida por coronéis

19 de dezembro de 2010 | 0h 00

Cerca de 500 famílias, segundo uma série de depoimentos, viviam ao redor da Casa da Cura, onde Dica vivia, na Lagoa, povoado às margens do Rio do Peixe, rebatizado por ela de Rio Jordão. Era o centro das festas do Divino e de São João, tradições do período colonial nos sertões goianos, promovidas por Dica, que inovava com ritos e símbolos de uma nova religião. Autoridades começaram a questionar os riscos sanitários de um lugar sem condições para atender a população que chegava para as festas.

Diante das reações contrárias de padres e coronéis da região, Dica colocou seu exército à disposição da oligarquia estadual de Totó Caiado, aliado do Palácio do Catete desde 1912, para engrossar, em 1924, a resistência à Coluna Prestes na cidade de Goiás, a 167 quilômetros de Pirenópolis. O Exército dos Anjos não chegou a enfrentar os tenentistas, mas voltou para o vilarejo da Lagoa mais influente.

Em reação, a Igreja Católica publicou em seus jornais que Dica era "prostituta", "histérica" e "tresloucada". As romarias de sertanejos para vê-la tinham reduzido o número de devotos da Festa do Divino Pai Eterno, promovida pelos padres em Trindade.

O jornal Santuário de Trindade defendeu a destruição do reduto de Dica. "Já se viu tamanha asneira! É o caso para a polícia intervir se não quiser uma repetição de Canudos." Outro periódico, O Democrata, bancado pelos coronéis, chamou Dica de "Lenine do sexo diferente" e "Antônio Conselheiro de saias", acusando-a de charlatanismo e prática ilegal da medicina. "Canudos é de ontem, e nós sabemos o que foi Canudos!", advertiu.

Os textos dos jornais foram recuperados pela historiadora da Universidade de Brasília Eleonora Zicari Costa de Brito, autora da tese "A construção de uma marginalidade através do discurso e da imagem: Santa Dica e a corte dos anjos". Eleonora recuperou um depoimento da líder sertaneja durante o processo do Dia do Fogo. A historiadora observa que, à época, era "reservado à mulher o silêncio em todos os campos discursivos". "(Ela) arrisca-se na tentativa de se fazer ouvir nesse campo onde os ouvidos e vozes são masculinos. Sobre seu discurso todos silenciam, até seu advogado." Na declaração, Dica nega, por exemplo, que tenha rebatizado o Rio do Peixe de Rio Jordão.

Um dos raros documentos sobre a chegada dos militares para atacar o povoado de Dica está no cartório de Pirenópolis. Carta do primeiro-tenente Benedicto Monteiro ao chefe de polícia do Estado, Celso Calmon, de 21 de outubro de 1925, anexada ao processo-crime de Dica, cita as mortes por "fogo", isto é, à bala, dos "fanáticos" José Gomes Cypriano (tio de Dica), Manuel dos Anjos, José Bellos, Manuel Rosa de Oliveira, Cordeiro de Faria e Jacintho Pires Novato. O documento cita também cinco mortos na "água" - seguidores de Dica que tentaram atravessar o Rio do Peixe: Ambrosina Rocha, uma mulher chamada Perolucia, um homem conhecido por Jacob, Manuel Sant"Ana e Adelino Borges.

Trabalho servil.

À época, Goiás era um Estado pouco povoado e com uma das receitas mais baixas do País. A capital não chegava a ter 10 mil habitantes. O tempo do ouro era um capítulo do passado. Famílias que construíram casarões ainda nos anos da mineração mantinham sua influência com o apoio aos parlamentares aliados do governo federal e à custa de trabalho servil em suas propriedades decadentes. Doenças de chagas e beri-béri atingiam as cabanas de palhas e casas de pau-a-pique das beiras de rios e córregos. Os soldados do exército de Dica vieram da pobreza, da fome e do trabalho quase escravo das fazendas.

Não é possível afirmar que existe algum participante do Dia do Fogo ainda vivo. Na história oral do antigo povoado da Lagoa, porém, um morador recluso e de pouca conversa é apontado como ex-integrante do grupo armado de Dica. Trata-se de Manoel Sebastião de Souza, o Manoel Malaquias. Um documento de identidade recente indica que ele tem 80 anos. Os vizinhos afirmam que ele tem mais de 95 anos. "Do fogo eu não sei contar nada. Eu não me implico com essas coisas, não", diz. O medo da polícia ainda é vivo na comunidade. "Não vou dizer que o Manoel Malaquias participou ou não porque não quero incriminar ninguém", diz o vizinho Francisco Araújo, 84 anos.

A moradora Durvina de Oliveira, a dona Vita, 85 anos, diz que, com certeza, um irmão de Malaquias, Benedito, estava no Dia do Fogo. Benedito, morto nos anos 1990, era casado com uma irmã dela. Vita diz se lembrar do dia em que "Madrinha Dica", depois de sobreviver ao ataque policial, ser condenada e liberta, resolveu atender a outro pedido do governo estadual para reforçar uma tropa enviada a São Paulo para combater os revoltosos de 1932. "Eu era menina. Lembro que não ficou homem aqui."

A professora Waldetes Aparecida Rezende, moradora de Lagolândia, dá mais detalhes da história dos Malaquias. No livro Santa Dica: História e Encantamentos, publicado no ano passado, ela conta que, em 1950, Dica recebeu ameaças do comerciante José Mendonça Sobrinho, o Zezinho. Ao ser informada da chegada de um grupo de jagunços para matá-la, ela convocou Benedito e outros homens para esperar os inimigos na beira de uma estrada. Benedito atirou e matou Zezinho. Dica foi presa. A família de Zezinho mandou 20 jagunços matar Pedro, filho de Dica.

Ataque.

"Não sei se era de Deus ou do demônio, eu sei que ela tinha o dom do profeta", afirma Bernarda Cypriano Gomes, 82 anos. A única irmã viva de Dica frequenta uma das muitas igrejas evangélicas que proliferaram em Pirenópolis nas últimas décadas, novas adversárias do culto à Santa do Rio do Peixe. Bernarda diz que o movimento religioso em Lagolândia começou com o nascimento da irmã, em 1906, na fazenda Mozondó. "Ela nasceu às 3 da tarde. Foi chorar só as 8 da noite. Nasceu de novo", conta. "Mais tarde, vi minha irmã morta muitas vezes. Ela podia ser jogada no fogo, mas não queimava", ressalta. "Pode ser divino, pode ser diabólico, pode ser da luz, pode ser das trevas, mas ela tinha mesmo poderes."

O processo-crime do Dia do Fogo inclui um depoimento atribuído a Dica em que ela diz ter sido "desonestada" - violentada sexualmente enquanto dormia - por um seguidor conhecido por Cocheado. Nos depoimentos obtidos pelo Estado em Pirenópolis, Cocheado aparece como "apaixonado pela madrinha". Foi ele quem teria salvo Dica, ajudando-a a atravessar o Rio do Peixe quando ela era atacada e caçada pelos policiais. "Quatorze balas bateram na barra do vestido de minha irmã, mas voltaram sem causar ferimentos", diz Benedita.

A moradora Floripa Araújo da Silva, 82 anos, construiu em homenagem a Dica uma capela no alto de um dos morros em volta de Lagolândia, onde em 1925 os policiais montaram trincheira. Ali existia décadas antes uma outra capela frequentada por seguidores de Dica. Floripa conta que um dia apareceu um círculo no cerrado feito pela "serpente enganadora do mundo". "Dica juntou 12 homens e foi lá", diz.

A repressão ao povoado naquele outubro de 1925 não acabaria com a crença no mito de Santa Dica. Por mais de 50 anos, ela recebeu em sua casa no centro de Lagolândia devotos vindos dos mais distantes sítios e povoados dos sertões de Goiás. Ali, fazia cirurgias espirituais, pedia aos anjos a cura de doentes e distribuía um óleo considerado milagroso pelos fiéis, feito com essências do Cerrado.

A fama chegou aos grandes centros. A mulher acusada de se opor à civilização, nas palavras dos adversários, teve os traços do rosto desenhados pela pintora modernista Tarsila do Amaral e os feitos descritos em poema por Jorge de Lima.

Dica desfez seu exército de homens armados, mas não abandonou a política. Ela elegeu o marido, o jornalista Mário Mendes, prefeito de Pirenópolis, nomeou aliados para cargos fictícios de subdelegado de Lagolândia e apoiou e se opôs a candidatos nas eleições municipais e estaduais.

Ela morreu em 1970, em consequência da doença de Chagas, num hospital de Goiânia. O corpo de Dica foi enterrado na sombra de uma gameleira plantada em frente à casa de Lagolândia, com a cabeça voltada para a igreja do povoado. A casa de taipa e chão batido ainda recebe devotos de Santa Dica, que tem à disposição dois grandes quartos com oito camas cada. Os pacientes não pagam pelas cirurgias espirituais. "Hoje, operam aqui os mesmos anjos da época da madrinha", afirma Divina Soares da Silva, 60 anos, responsável há 24 anos pela casa.

Divina é tratada por devotos que ainda buscam milagres em Lagolândia como sucessora de Santa Dica. Divina diz que o trabalho desenvolvido na casa não pode ser confundido com espiritismo kardecista ou candomblé. "As pessoas daqui são as mesmas da Igreja Católica. As duas coisas combinam muito bem", afirma. "Tudo o que aconteceu aqui eu sei, mas não gosto de falar", diz, num clima de mistério. Ela critica os evangélicos: "Estão se assenhoreando de um povoado que foi criado pela madrinha Dica com orientação dos anjos."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101219/not_imp655598,0.php



 

Grato, Juriti

Mais coragem para errar do que para consertar o erro.

Esssa é a coragem de gente que marca a história como heróis em tempo de paz e covardes em tempo de guerra.

algumas instituições não se importam de assim serem reconhecidas.

talvez a ideia seja a de assegurar que os erros do passado possam ser repetidos, com impunidade.

 

 

O que revolta é que a historiografia oficial pouco ou quase nenhuma importãncia dá a esse massacre que, diga-se de passagem, foi pior do que o de Canudos. Neste último pelo menos houve luta e resistência armada. Já o do Caldeirão, não: meteram bala pelo ar por terra em inocentes, inclusive mulheres e crianças.

Poderia também ser chamado de "Katyn cearense" ou "Guernica cearense". 

 

Há um dispositivo legal (casuísmo) no Brasil que proíbe manifestações de caráter desrespeitoso às Forças Aramadas.

É a couraça da artimanha legal contra a apuração e divulgação dos crimes cometidos pelas Forças Armadas contra o povo brasileiro, e sempre a favor das minorias aristocráticas (o baronato).

O Exército brasileiro, ao contrário do que disse aquele general Elito, tem muito motivo de vergonha, por isto, esses episódios nunca estão nos livros escolares nem na historigrafia oficial.

Haja vergonha!

 
Re: O massacre do Canudos cearense
 

Assim como o exército continua devendo o paradeiro dos desparecidos da luta armada dos anos 70 o massacre da comunidade do beato Zé Lourenço continua impune e não se sabe onde foi aberta uma vala comum para enterrar o povo daquela comunidade. Abs.

http://br.olhares.com/caldeirao_do_beato_jose_lourenco_foto4217288.html