newsletter

O modelo sul-coreano

Do Estadão

O exemplo sul-coreano 

Os líderes de Brasil, México e Argentina deveriam ter observado por que a Coreia do Sul é hoje uma potênci 

O Estado de São Paulo / Andres Oppenheimer 
The Miami Herald

Quando os presidentes de Brasil, México e Argentina participaram da reunião das maiores economias mundiais no G-20 em Seul, na semana passada, eles deveriam ter reservado algum tempo para dar uma espiada no país sede do encontro. Poderiam ter aprendido por que a Coreia do Sul se saiu melhor que seus países.

Há apenas cinco décadas, a Coreia do Sul tinha uma renda per capita anual de US$ 900, uma pequena fração da renda per capita anual da Argentina, US$ 5 mil, do México, US$ 2 mil, e do Brasil, US$ 1,2 mil. Hoje, a Coreia do Sul tem uma renda per capita anual de US$ 28 mil, mais de duas vezes os US$ 13,4 mil da Argentina, os US$ 13,2 mil do México e os US$ 10,1 mil do Brasil.

OqueO que a Coreia do Sul faz tão melhor que os países latino-americanos? Há diversas explicações, incluindo o fato de que o país asiático não mudou constantemente suas políticas econômicas, aferrou-se a uma estratégia de desenvolvimento movido pelas exportações, e há muito pratica uma espécie de capitalismo gerido pelo Estado ao qual alguns economistas creditam o surgimento de suas multinacionais gigantes, como Hyundai, Daewoo e Samsung. Virtualmente, todos concordam que uma das principais razões por trás do sucesso foi sua obsessão com educação.

A Coreia do Sul decolou nos anos 60, quando EUA e Europa reduziram drasticamente sua ajuda econômica ao país, e a economia sul-coreana despencou. A Coreia do Sul decidiu que precisava de uma força de trabalho bem formada para aumentar a receita das exportações.

Assim, investimentos pesados foram feitos em educação, ciência, tecnologia e inovação. Não se tratou apenas de gastos do governo: o governo sul-coreano gasta menos que México, Brasil, Argentina em educação.

A Coreia do Sul desenvolveu uma meritocracia educacional com padrões de excelência ultra rigorosos. Apenas um exemplo: o ano escolar na Coreia do Sul tem 220 dias. Por comparação, os anos escolares oficiais do México e do Brasil têm 200 dias, e o da Argentina, 180 dias.

Os dias escolares na Coreia do Sul também são muito mais longos que nos países latino-americanos. Os jovens sul-coreanos com frequência estudam 12 ou 13 horas por dia.

Segundo vários estudos, as famílias de classe média sul-coreanas gastam cerca de 30% de sua renda com professores particulares para seus filhos. Chung-in Moon, um professor da Universidade Yonsei e ex-diplomata sul-coreano que conheci em uma conferência no ano passado, me contou que na Coreia "os pais não pensam duas vezes antes de gastar todo seu dinheiro na educação dos filhos. As pessoas vendem suas vacas, suas casas, o que tiverem para enviar os filhos à universidade".

Para se tornar professor secundário na Coreia do Sul, os alunos precisam estar nos 5% superiores em suas classes de graduação colegial. Por comparação, milhares de professores no México ainda obtêm seus empregos comprando seus postos pelo equivalente a US$ 10 mil, independentemente de suas credenciais acadêmicas. Não é de surpreender que a Coreia do Sul tenha se tornado um dos países com melhor desempenho em testes internacionais de matemática e ciências, e um dos mais prolíficos inventores de novos produtos. Enquanto a Coreia registrou cerca de 9.600 patentes em 2009, o Brasil registrou 150, o México 80, e a Argentina 40.

Minha opinião: há aspectos negativos na obsessão sul-coreana com educação, entre os quais as taxas relativamente altas de suicídio de adolescentes, mas a impressionante ascensão da Coreia do Sul da condição de país assolado pela pobreza sugere que os sul-coreanos estão fazendo algumas coisas certas.

Os presidentes de México, Brasil e Argentina teriam feito bem em fazer algumas perguntas e levar algumas lições para casa. (TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK)  

É colunista e ganhador do Prêmio Pulitzer

Sem votos
28 comentários

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
+28 comentários

Outro aspecto interessante da Coréia do Sul é o seguinte:

Todos os rapazes devem passar um ano nas forças armadas. Não sei se as mulheres também são obrigadas.

E não tem essa de voltar pra casa no fim de semana. Só nas férias.

Com relação à educação, sempre notei o tremendo esforço que jovens coreanos fazem na escola, tanto aqui no Brasil, quanto em Dublin, onde residi por dois anos e dividi apartamento com alguns coreanos.

Hoje os coreanos são quase todos pertencentes à classe média. 

Existem mais coreanos estudando fora do que chineses, o que é notável já que a população da China é dezenas de vezes maior que a da Coréia.

 

Concordo em parte com você. É verdade que os alunos têm  muita matéria e acabam não aprendendo bem o essencial, mas é preciso tomar cuidado na seleção desse "essencial". Tem gente por aí falando que certas disciplinas, como Filosofia e História, são dispensáveis, pois contêm "conhecimentos inúteis" para a vida cotidiana. Esses são os típicos utilitaristas, que pensam somente na "formação de mão-de-obra".

Tomando esse cuidado, concordo que os alunos não precisam estudar matrizes quando vêem Matemática, ou estudar detalhadamente todas as escolas literárias. Como você falou, o mais importante é fazê-los gostar de aprender, para que busquem aprofundar seus conhecimentos. Isso está intimamente relacionado com o X da questão: a educação não é um valor em si para o brasileiro. Nas camadas altas, a educação é vista somente como um meio para se ter sucesso profissional, e nas camadas mais baixas nem isso: educação é coisa de rico. Pobre tem que trabalhar, e não "perder tempo" estudando...

Por isso, o esforço deve estar concentrado na valorização da educação como valor, ou seja, de que o conhecimento vale a pena por ele mesmo, não somente como ferramenta.

Quanto à meritocracia, transformar a aquisição de conhecimento em uma competição é completamente ridículo. Pode funcionar bem na cultura ditatorial asiática.

 

 

O currículo disciplinar brasileiro é uma lástima.

Gasta-se preciso tempo ensinando e estudando reprodução da samambaia, química orgânica, espanhol, eletromagnetismo, e uma infinidade de outros conhecimentos tão específicos que muitas vezes jamais ouvirão falar de novo ao longo da vida.

Não que esses conhecimentos sejam inúteis, mas para um estudande de 15 anos são.

Estudantes dessa idade deveriam ter uma forte formação em português e interpretação de texto, para entenderem o que lêem; matemática para desenvolverem o raciocínio; história e geografia para entenderem os acontecimentos a sua volta; e filosofia, para desenvolver linhas de pensamento e questionamento, a fim de não aceitarem qualquer bobagem que seja publicada nos jornais e revistas. Como língua estrangeira, só se justifica o inglês, pois há muita informação disponibilizada nessa língua, principalmente na internet.

Determinados conhecimentos só deveriam ser impostos a alunos que fossem se especializar neles, inclusive com seleção universitária específica, podendo, até, serem mais aprofundados.

O que não dá pra aceitar é se exigir de um estudante adolescente uma gama tão vasta de conhecimentos que deixaram de ser gerais há muito tempo, e acabam por fazê-lo um conhecedor de tudo que não possui aprofundamento em nada.

Se alguém quiser esse tipo de cultura geral que corra atrás por si, estudando a língua que desejar ou sentir necessidade. (acho inclusive mais importante aprender mandarim ou alemão do que espanhol, dependendo do ramo que vá se seguir)

Precisamos de estudantes com formação intensa em poucos assuntos que sejam capazes de aprender por si durante a vida. Isso não exigiria as 12 horas diárias de aula e seria muito mais proveitoso.

 

Prezado Rodrigo,
O problema não é estudar eletromagnetismo ou reprodução quando se deveria estudar matemática e interpretação de texto, ou línguas.
O problema é que, quando se chega às séries em que biologia e física estão no currículo, não se consegue aprendê-las também porque não se aprendeu matemática e intrepretação de texto razoavelmente nos 9 anos anteriores.
Do jeito que está, pode-se reduzir todas as matérias a apenas duas ou três e, mesmo assim, chegarão os alunos aos 17 anos sem saber resolver uma equação e interpretar um bom texto, nem mesmo em português.
Porque o professor é desmotivado, mal-pago, trabalha em 5 lugares e desrespeitado, e porque não é obrigatório aprender, só responder á chamada.

 

Concordo demais.

Mas um ponto que não vi discutirem foi a vantagem das empresas mencionadas. Se bem me recordo, essas empresas tem um alto indice de suicidios tambem, igual a uma famosa Telecom na França. Não é só de aluno, é de empregado mesmo, analista, gerente de projetos, que tem metas tão absurdas e uma pressão sem tamanho. Aqui mesmo no Brasil, já li altos relatos de gente que pediu demissão dessas empresas pq o chefão (geralmente originado desses paises) xinga, fala mal, escurraça na frente de todo mundo, só pelo prazer de ver o pau quebrar.

Acho super válido trabalhar com mensuração de resultados, cobrança, etc (o mundo público que o diga E merece...), mas acho que se gabar de empresas que trabalham nesses moldes... a China que o diga, com suas super fábricas de miseráveis, trabalhando dia e noite sem parar.

Sinceramente, não acho isso nada saudável. Falar que tem uma hiper produtividade porque vc paga 2 dolares/16 horas por dia , é o mesmo que voltarmos ao regime de escravidão, mas de roupagem nova. Bela porcaria.

 

A melhor escola do mundoBons professores e alto nível de exigência são indicadores de sucesso em educação na Finlândia

Marina Morena Costa, iG São Paulo | 13/05/2010 16:45

A Finlândia tem o sistema educacional considerado o melhor do mundo. Foi três vezes campeã do Programa Internacional de Avaliação por Aluno (PISA), a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo o professor Reijo Laukkanen, do Internacional Education Policy, da Universidade de Tempere, na Finlândia, o segredo do case de sucesso deve-se em grande parte à formação dos professores finlandeses e às altas expectativas que eles têm do desempenho de seus alunos.

Durante palestra realizada nesta quinta-feira, no Educador – Congresso Internacional de Educação, em São Paulo, Laukkanen explicou que os professores estão entre os profissionais mais populares da Finlândia. Os salários são bons, mas não o suficiente para atrair os jovens profissionais. A reputação da carreira é o principal fator na escolha. "Não é o salário que torna a carreira tão popular e atraente na Finlândia. Nossos salários estão em desvantagem em relação aos de outros países da Europa. A diferença é que todos os nossos professores têm mestrado em educação e a carreira acadêmica é extremamente respeitada." 

As tecnologias educacionais, forte tendência no Brasil, não influenciam o bom desempenho dos alunos finlandeses e não têm "nada a ver" com as melhores notas, de acordo com Laukkanen. "Temos tecnologia nas escolas, mas os professores não a usam. As crianças têm mais acesso à tecnologia em casa do que na escola. Algumas cidades têm lousas interativas, digitais, mas nossa educação não é baseada em tecnologia e sim em professores", conta o professor, que também é conselheiro na Finnish National Board of Education (FNBE).

Não há um segredo da educação finlandesa. Para Laukkanen, o sucesso vem de uma combinação de fatores, além do bom corpo docente. "A educação é nacional, com um currículo unificado e tem como objetivo o país obter um bom desempenho. Tanto faz onde você colocar o seu filho porque em qualquer lugar da Finlândia a educação é a mesma. Nossos profissionais de educação têm autonomia, liberdade, são reconhecidos e respeitados." 

Alem disso, o professor aponta a alta expectativa de desempenho dos alunos e o suporte às crianças que não conseguem acompanhar o ritmo. "Quando sobe a exigência, quando o objetivo é mais alto, o nível de qualidade sobe bastante", analisa. "Na Finlândia, as mentes mais brilhantes se tornam professores. São a chave principal do nosso sucesso. Temos também uma boa estrutura política educacional. Se não tivéssemos essa base de apoio, não adiantaria ter bons profissionais."

Carga horária

A carga horária na Finlândia se aproxima do período integral no Brasil. É mais tranquila nos primeiros anos e aumenta gradativamente. "Nos primeiros anos as crianças passam 19 horas por semana na escola. No quarto ano aumenta para 23 a 24 horas por semana, até chegar a 30 horas, na 7ª e 9ª série. Procuramos poupar os pequenos", brinca Laukkanen.

Link:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/a+melhor+escola+do+mundo/n1237618673745.html

 

 

Dia desses li aqui mesmo um artigo descendo o pau no modelo coreano, não entendi pq voltou à baila esse tema.

 

É so saber o que os tigres aziáticos investem na educação , ai esta o grande segredo , enquanto por aqui não passa dos 3% do PIB, la chega a 20%, parece que aqui os governantes tem medo do povo ficar culto e educado e assim sair da tutela , esperamos que agora com Dilma que conhece bem o valor da edlucação pois ela mesmo foi educada em bons   colégios de classe média mineira , e se graduou em ecônomia apesar de ser um pouco nubuloso a história de seu diploma , que ate hoje não foi explicado , mas tudo bem , é outra cabeça mais inrtelectualizada e menos política demagógica.

 

 

Concordo totalmente com o discurso da necessidade de educação, etc etc. Educação - especialmente capacitação de mão-de-obra - é o grande gargalo do Brasil, país "sortudo" que sempre teve uma renda média superior a de outros países com o mesmo nível educacional.

Mas não se deve ir ao extremo oposto de pensar apenas em elevado número de horas/aula. O sistema brasileiro é decalcado do francês, com relativamente poucas horas anuais de aula. Um dos mais "folgados", mesmo, e a França não tem problemas conhecidos para ser desenvolvedora de cultura e tecnologia.

Veja-se o reverso : países com níveis de instrução mais elevados que o Brasil mas com menor renda : ex-repúblicas soviéticas, América Andina.

Então, que se mantenha o foco no que é útil e sem desperdício. Melhorar a escolaridade no Brasil é imprescindível, talvez isso implique em aumento de horas/aula. Mas copiar integralmente modelos externos é excesso (até porque boa parte das horas/dias/aula de países asiáticos é creche disfarçada de escola...) e talvez culturalmente inviável. 

E temos gerações passadas mal-formadas. Deve haver investimento em adultos ou em escolas técnicas pelo menos para recuperar parcialmente esse atraso.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

A França é decadente e não serve de modelo para o Brasil. Nós estamos muito atrasados e podemos avançar mais do que é hj a França sem passar por seu modelo.

A reforma na educação passa por salários atraentes de fato, para haver uma competição pelos cargos. A qualidade virá daí. Também é importante mantermos os alunos por mais tempo na escola, com um leque de atividades extra-curriculares como esportes, artes, linguas, marcenaria, mecanica, serviço voluntario, etc.

A matéria fala muito en passant sobre o tal "Capitalismo de Estado". O que seria isso? Não teria a ver com as intenções do atual governo com Petrobrás, Telebrás, Banco do Brasil, além das críticas sobre a atuação da Vale? Tudo isso é sempre muito criticado pelos jornais, mas na Coréia é elogiado.

Também com relação à Cingapura, a mídia é sempre elogios destacando a renda per capita, crescimento economico e tal, mas nunca diz que lá existem presos políticos, que o mesmo partido governa a ilha desde a sua independencia da Malásia, nos anos 60, e que existe uma Lei de Segurança Nacional que pode prender qualquer um sem acusação formal.

 

A pouco tempo atrás diziam que o Brasil deveria seguir o modelo da Irlanda.

 

Continuando. Só sei que 13 horas de estudo diário não é uma coisa boa para a criançada. Nem sei se existe tanta coisa a estudar, que necessite de tanto tempo. A criançada tem mais é que depois de 4 ou 6 horas de estudo, brincar e aprontar bastante. Senão, imaginem os adultos em que se transformarão. Mais de 10% da população vive na pobreza apesar dos bilhões e bilhões de dólares despejados pelos americanos para afastarem os perigos do comunismo. 

 

Se o jornalista tivesse tido o tempo de ler um pouco mais sobre a história sul-coreana, particularmente nos terríveis anos 50, e se inteirasse a respeito das medidas draconianas tomadas pelos militares do país em relação a suas lideranças empresariais e a questões sociais como a reforma agrária, dentre outros temas igualmente sensíveis, quiçá entenderia porque o modelo educacional do país deu tão certo depois. Como não se trata de um néscio, mas de um ganhador do Pulitzer, só posso supor que tenha ignorado esses fatos por outros motivos inconfessáveis, preferindo atribuir toda a causa do sucesso sul-coreano a um único e pouco compreendido evento. O Brasil e os demais países da América Latina de fato tem muito que aprender com a Coréia do Sul; mas ao que parece, muito mais do que o próprio Oppenheimer e o Estadão estão dispostos a dizer.

 

Não sei não o que corresponde a realidade. Com tanto estudo, todos os sul-coreanos seriam mestres com pós graduação. E quem trabalha em suas fábricas, quem varre as ruas, quem atende nos bares? 

 

Concordo com Ricardo, nada contra o estudo, pouco valorizado no Brasil. Mas submeter uma criança e um adolescente a um ritmo de 12 ou 13 horas por dia é desumano. Não acho que seja modelo de educação, mas sim, de escravização e robotização dos futuros trabalhadores. Também seria melhor estudar o sistema finlandês.

 

Não foi só educação. Engenharia reversa, crédito público direcionado e aprendizado organizacional integraram o sucesso sul-coreano. O governo “criou” crises para fazer com que o setor privado respondesse com maior agilidade à construção de competências.

 

Deu certo, pois a estratégia de exportação demandava ganhos de produtividade e qualidade nos produtos sul-coreanos ao longo do tempo. Lembro-me de que no governo Collor chegou a se discutir, ainda que timidamente, a constituição de conglomerados. Não houve avanços.

 

Pode haver bons exemplos que diferenciem a Coréia do Sul na área educacional, mas de modo algum o artigo deixa claro quais sejam. Gastar 30% da renda familiar com professor particular é sinônimo de qualidade? onde? Mais dias de aula é sinônimo de mais qualidade no ensino? onde? qual estudo sério comprova isso? a maior atenção à formação parece um caminho óbvio, mas nem isso fica claro no artigo. Aí ele exibe o número de patentes, mas isso tem muito menos a ver com o sistema educacional, pra mim, que com o dinamismo do empresariado. O articulista tenta convencer que valeria a pena olhar mais detalhadamente para a Coréia do Sul e suas ações na educação. Pode ser. Mas ele mesmo ficou devendo nesse sentido...

 

"Ou o Brasil acaba com a mídia canalha, ou a mídia canalha acaba com o Brasil"

Existem paises com nível educacional mais elevado do que a Koreia. Todo o leste europeu, sem excessão, por exemplo. É uma condição necessária mas não suficiente.

O autor esquece que alguns países receberam investimentos estratégicos dos americanos para contrapor a China, depois da guerra da Koreia foi formado um cinturão, Koreia, Taiwan, Singapura e , onde foi feito um investimento em empresas de tecnologia aproveitando a mão de obra barata. Sem falar no Japão que se recuperou com investimentos americanos após a 2a. guerra. Uma espécie de vitrine  ou barreira do livre mercado para onde qualquer chinês gostaria de ir.

Deu certo, acho que deu certo até de mais, a china aprendeu como a coisa funcionava e ofereceu bem mais, e não tinha um nível educacional como o descrito acima. É difícil falar da China, lá um pequeno grupo de professores, pesquisadores ou técnicos é simplesmente maior que a soma do equivalente nos 'tigres' asiáticos, como são chamados os 'escolhidos'.

Por aqui temos algumas barreiras, não conheço ninguém que queira dar aulas em escolas públicas, principalmente as mais próximas às favelas ou nas favelas, na zona rural ou periferia. Onde é mais necessário pessoal mais bem preparado é para onde ele não quer ir. Não quer ir por não ter nenhum atrativo financeiro, a carreira ali sequer é valorizada.  Além disso  o professor não é preparado para lidar com a violência, o tráfico de drogas e com um ambiente onde falta tudo principalmente pespectivas. Se um concursado é designado para uma escola destas em geral faz de tudo para sair. Vez por outra aparece um 'escandalo' sobre a ausência recorrente de professores nas escolas com a 'conivência' das direções, são noticias que expressam total desinformação sobre o que ocorre realmente na educação, só reforçam esteriótipos.

Acho que este tipo de artigo tem o mérito de reforçar o conceito de que a modernização da economia passa pela educação eficaz da população, independente da renda. Mas a educação só vai ser realmente eficiente quando os filhos da classe média se interessarem por esta carreira. Minha esperança esta nesta 'nova' classe média.

 

Horacio V. Duarte

 

Você não sabe o que está falando. O sistema educacional sul-coreano pode ter lado sombrio, porém tem desempenho bem superior aos do Leste Europeu. Você já verificou o desempenho deles no PISA? Bem, aparentemente os japonese e chineses compartilham desta metodologia educacional rígida.

Eu estou cansado de ver chavão de que os países asiáticos receberam ajuda dos EUA, blá-blá-blá. Pelo que eu sei, os EUA pararam de auxiliar a Coréia do Sul e Taiwan no começo da década de 60 do século XX. Nesta época, os dois eram BEM pobres. Desmerecer o desenvolvimento econômico deles por uma ajuda essencial porém pequena dos EUA é forçar a barra.

Eu assisti aos documentários da Coréia do Sul e Cingapura e eles se desenvolveram com planejamento e visão do futuro. Inclusive, após os EUA deixarem de ajudar a Coréia do Sul, eles se endividaram e usaram os recursos externos como meio de se desenvolver.

Pare de sinmplificar a realidade, meu caro.

 

Até parece que esse pessoal aprende alguma coisa...

 

Os pobres vão a pé para a escola.

Nâo tomam café da manhã. Almoçam o que tem na reta.

Moram de qualquer jeito. Não possuem lazer no bairro.

Convivem com a insegurança.

Pertencem a famílias de mães agredidas e pais sem qualquer instrução.

.

Enquanto acharem que educação é só bom professor e boas escolas, não sairemos do lugar.

 

Muito boa a cobrança do Estadão. Pena que só agora o jornalão dedicou tempo e espaço fazendo essa cobrança. Quem sabe se tivesse essa postura desde que foi fundado o Brasil não continuaria ainda hoje com os índices vergonhosos em educação, ciência e tecnologia e inovação? Aliás, não me lembro de ver matéria desse jornal criticando o sucateamento das universidades federais - lugar privilegiado para o alavancamento da educação, ciência e tecnologia e inovação - na década de 1990. Isso sem falar no abandono do ensino médio e técnico.`Parece que estamos vivendo no Brasil uma fase em que o cinismo, a hipocrisia e a mentira são os pilares das grandes demandas dos setores privilegiados da nossa sociedade. Mais do que nunca precisamos recorrer à história do nosso país para saber quem é quem: quem são nossos aliados (da maioria da população) e quem são nossos adversários.

 

O exemplo eh radical , são povos completamente diferentes , paises diferentes em tamanho, população e cultura. O modelo sul coreano eh quase exemplar porem implanta-lo aqui estaria longe da nossa realidade. As lições de Darcy Ribeiro e os Cieps funcionando como foi planejado por ele ja seriam um avanço enorme. 

 

FeLiPe Vargas Zillig

O modelo sul-coreano de educação pode até funcionar mas impõe sobre os alunos uma pressão que não quero para nenhum dos meus filhos. Estudar 12-13 horas? Loucura. Prefiro mil vezes o modelo Finlandês, de até maior sucesso, onde os alunos, vejam vocês, estudam menos que na maioria dos outros países. talvez até que no Brasil.

A diferença é que, ao contrário do Brasil, eles alunos não ficam em casa vendo TV quando as aulas acabam. Eles são estimulados a participar de todo tipo de atividade: esportes, leituras, visitas a museus, viagens, etc. Há um aprendizado implícito aí muito grande, sem a sobrecarga e o estresse do modelo coreano.

 

Tanto o modelo Coreano quanto o Finlandês têm duas componentes importantes:

1) Valorização da educação como principal atividade dos jovens;

2) Valorização do educador como profissional.

Na Alemanha também é assim, como em qualquer lugar em que a capacitação profissional da população não é um tema para desespero e vergonha, como nosso caso.

No caso destes países há também uma forte presença do Estado no planejamento da integração dos sistemas produtivos e uma grande comunicação entre academia e empresários, sem esquecer a pesquisa básica.

Se adaptarmos estes princípios às nossas políticas como mantras de consenso, como princípios fortes, o resto é detalhe, importante, mas menor. Sem estes princípios, não adianta tentar copiar a forma. Vai ficar capenga de qualquer jeito.

 

Pois é Ricardo, também prefiro o modelo finlandês. Recentemente uma matéria na BBC mostrou como funcionam as escolas lá. Nada de pressão, crianças vão escola se divertir e assim aprender. Nos rankings atuais de educação a Finlândia está sempre entre os três primeiros e muito bem nas olimpíadas interncionais e etc.

Estou morando no Japão e vejo bem a pressão que essas crianças sofrem e como tem dificuldades de se relacionar. Além disso o autor relativiza o problema do suícidio, o que achei um absurdo. Aqui o problema é sério, na universidade que minha esposa estuda, recentemente teve um caso de uma garota da graduaçãoq ue se suicidou. Esse é um problema muito presente aqui no Japão.

Existem outros países que estão muito bem tanto na economia quanto na educação e são melhores exemplos para o Brasil.

 

Equilíbrio é o que significa verdadeiro progresso. Viver a vida balanceando trabalho - remunerado e voluntário - e lazer.

Todos os excessos são prejudiciais, no caso da educação a Coréia do Sul foi para um extremos, nós ainda estamos próximos do oposto.

Para aprender é preciso entender, para entender é preciso sentir. Daí porque haja tantos extremos.

 

É sempre a mesma coisa, invariavelmente a mesma coisa. É o "exemplo" da Coreia do Sul, o "exemplo" do Chile, o "exemplo" do Canadá, o "exemplo" da Austrália...

Será que a grande imprensa aceitaria que fosse adotado, aqui, o modelo dos chaebol? Trata-se, pura e simplesmente, de escolher as empresas que vão crescer - em troca, elas passam a ser "instrumentos" da política de desenvolvimento do país. Ou aceitaríamos o câmbio desvalorizado por décadas a fio? Aceitaríamos uns 30 aninhos de ditadura para fazer o país crescer - só uns dez a mais do que os vinte que tivemos?

Chega de "exemplos", cáspita!