Revista GGN

Assine

O Movimento salve a TV Cultura

Movimento Salve a Rádio e TV Cultura reúne-se na próxima quinta-feira (dia 12)

10 de agosto de 2010

Na próxima quinta-feira (dia 12), a partir das 19h30, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo realiza, no auditório Vladimir Herzog (rua Rego freitas, 530 - sobreloja) reunião com todas as pessoas e entidades da sociedade civil que pretendam se aliar ao MOVIMENTO SALVE A RÁDIO E TV CULTURA, que será criado durante o encontro. Várias entidades já iniciaram movimentos de preservação da RTV Cultura e o que se pretende é criar um espaço para que todas as iniciativas sejam unificadas.

O MOVIMENTO SALVE A RÁDIO E TV CULTURA será amplo, plural e apartidário, composto por todos aqueles que pretendem resistir às (más) intenções do governo de São Paulo e do presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, de liquidar com a única emissora pública de São Paulo e demitir cerca de 1.500 funcionários, entre jornalistas, radialistas e setor administrativo. As adesões aoMovimento podem ser realizadas pelo [email protected] .

Pela criação do Movimento Salve a Rádio e TV Cultura

Rádio e TV Cultura: Uma crise institucional

Há duas décadas sob crises financeiras periódicas, que variam de duração e intensidade conforme a "vontade" do governo estadual de liberar recursos, a TV Cultura vive agora sua primeira crise institucional e de identidade em 40 anos de funcionamento. Efeito dos dois primeiros meses da errática administração do economista João Sayad na presidência da Fundação Padre Anchieta.

Conduzido ao cargo por um processo político constrangedor, com apoio governamental que atropelou o acordo de reeleição do presidente anterior, João Sayad não só protagonizou método intervencionista novo na história da troca de comando na Fundação Padre Anchieta como também se apresentou como o encarregado de um projeto casuístico destinado a resolver os problemas financeiros da entidade através da amputação orgânica da Instituição.

Plantou com isso a raiz de uma crise que assume contorno institucional uma vez que a proposta confunde e busca mudar a natureza da Instituição, cria uma dúvida de identidade que nunca houve, e coloca em risco o patrimônio material e imaterial da Emissora, ao desconsiderar os fundamentos que deram origem e vida à TV Cultura.

É preciso lembrar, em voz alta, que a TV Cultura não é um órgão público da administração direta do governo do Estado de São Paulo. Não é autarquia. Não é secretaria estadual. Não pode nem deve responder a regras do poder. Não pertence ao Governo. Pertence ao público de São Paulo, posto que é Emissora Pública, de interesse público. Não pode ser desfeita, não pode ser adulterada por simples vontade ou "implicância" de sua diretoria executiva. Tem estrutura jurídica específica, é supervisionada por um Conselho Curador que, por única razão de existir, é o representante da sociedade civil na Fundação. E a vontade da sociedade civil precisa ser consultada.

A TV Cultura tem problemas e eles resultam de acúmulos de erros administrativos e de um modelo de gestão vazio e descontinuado, fruto do cíclico apoderamento político da Emissora nos últimos vinte anos. Não foi o "conteúdo" da programação da Emissora o causador desses problemas. Mas a má gestão contábil, que precisa ser corrigida dentro de seus limites, sem prejuízo do caráter educativo, social e cultural da TV Pública Paulista, de seu funcionamento, de seu passado de realizações, de seu significado na memória paulista. Não basta a atual administração fazer o uso repetitivo da reafirmação desse caráter. Qualquer projeto novo deve explicitar compromisso claro com a missão, vocação e aptidão da Emissora para a formação de cidadãos, para a oferta de conteúdos que se contraponham à programação homogeneizada das emissoras comerciais, atreladas às regras do mercado. Só uma TV pública é capaz de tratar o telespectador como cidadão, e não como consumidor. Preceito que ainda não foi compreendido e assimilado pela nova administração da Fundação Padre Anchieta.

Como é possível imaginar uma TV Cultura reduzida a uma "administradora de terceirizados", trocando sua produção própria, trocando sua capacidade específica de formular programação de TV pública por conteúdos de produtoras independentes que em geral buscam nas regras do mercado a qualificação para a venda de seus produtos?

O desafio de João Sayad vai muito além da contabilidade. E muito além de sua visão pessoal e particular do que é "chato", do que fica e do que deve sair da programação da Cultura. Não é agora, mas sempre, que uma emissora precisa se "renovar". Se ela - no dizer de Sayad - "perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente", qual é, explicitamente, a fórmula, o projeto que a atual administração tem para a TV Cultura "ganhar audiência, qualidade e se tornar barata e eficiente " ?

Quais programas -mais baratos e eficientes - se pretende oferecer a crianças, a jovens, a jovens adultos, e ao respeitável público em geral? É entretenimento? É educação? É complementação cultural? Quais seriam esses conteúdos e seus formatos? Quem virá a público detalhar e esclarecer isso?

O " Movimento Salve a TV Cultura" não se ergue para defender o emprego dos funcionários da Emissora, ameaçados de demissão em massa. Isso é tarefa sindical.

A defesa que se embute aqui é a da missão e do legado da TV pública paulista, de seu significado sócio- cultural, de manutenção de uma TV alternativa que reflita viés humanista de vida e de mundo em sua programação.

O Movimento surge como teia espontânea de uma rede social multiplicadora entre funcionários, ex-funcionários, telespectadores, artistas, intelectuais, setores ligados à produção de pensamento e de cultura. E que já articula com os Sindicatos dos Radialistas e Jornalistas de São Paulo, personalidades políticas e da vida cultural, institutos e entidades afins, a ABERTURA DE UM DEBATE PÚBLICO em defesa da idéia original da Instituição TV Cultura.

A troca inicial e pública de reflexões sobre a TV Pública Paulista tem, como alvo principal, a cúpula administrativa da Emissora e seu Conselho Curador, instância superior que deve proteger os destinos da Emissora e que tem sido omisso nesse papel . A eles devem ser dirigidas, inicialmente, - através do site da TV Cultura e seus contatos disponibilizados- reflexões, críticas e propostas de retomada de princípios e rumos que administradores perdem de vista diante do recurso fácil do corte de custos e do desmanche.

O Movimento busca criar junto a sociedade civil as premissas que serão reunidas e organizadas para dar base a esse necessário debate público.

Movimento Salve a Rádio e TV Cultura 

Média: 5 (2 votos)
6 comentários

Comentários

Espaço Colaborativo de Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
+6 comentários

Uma das coisas mais curiosas do projeto de João "Aiôôô, Silver" Sayad: para ele, a TV Cultura deixara de produzir programação própria, e passará a adquirir produção independente.

Pergunta: produção independente de onde?

Das produtoras independentes brasileiras?

Ou das "produtoras independentes" de fora, tipo BBC, PBS, Warner etc.?

Isso o sr. João "Aiôôô, Silver" Sayad não explicou.

 

 

Uma das coisas mais curiosas do projeto de João "Aiôôô, Silver" Sayad: para ele, a TV Cultura deixara de produzir programação própria, e passará a adquirir produção independente.

Pergunta: produção independente de onde?

Das produtoras independentes brasileiras?

Ou das "produtoras independentes" de fora, tipo BBC, PBS, Warner etc.?

Isso o sr. João "Aiôôô, Silver" Sayad não explicou.

 

 

Tem um lado meu que aprecia a busca pelas produtoras independentes. Elas precisam de espaço, podem e devem contribuir para o arejamento cultural, com novas ideias, não necessariamente sob o tacão ideológico das emissoras. Simpsons satirizou o reacionarismo da Fox News (a irmã espiritual da Veja) e quando a Fox chiou contra a série, os produtores vieram e disseram: "podemos levar a série para outro canal se quisermos". E eles podem. O resultado é que a Fox recuou. Então, quando a audiência dá poder de fogo aos produtores de conteúdo, pode não ser tão ruim assim.

Mas acho que esse espaço deveria ser aberto pelas televisões comerciais. Em vários países do mundo, são as produtoras independentes que abastecem os canais de televisão – e fazem muito bem com isso.

Mas a Cultura – assim como todo canal com seu perfil – deveria existir pra salvaguardar o que não se encaixa em nenhum perfil de televisão comercial. Não pode ser voltada necessariamente à audiência. Rede estatal não pode se limitar a terceirizar programação. 

 

..olha, sou solidário a TV CULTURA sim ..mas não gostei de alguns dos trechos do texto que, pra mim, pela INCONSISTÊNCIA, poderiam ser identificados como problemas, ou meio que um sintoma de que a turma não sabe muito o que, ou como fazer, por exemplo:

1."..Há duas décadas sob crises..que variam de duração e intensidade conforme a "vontade" do governo estadual de liberar recursos.."  ..UAI, e ninguém falou antes? porque?

2."..É preciso lembrar ..que a TV Cultura não é um órgão público da administração direta do governo do Estado de São Paulo. Não é autarquia. Não é secretaria estadual. Não pode nem deve responder a regras do poder. Não pertence ao Governo. Pertence ao público de São Paulo.."  ..humm  ..assim, um ente sem cuecas, livre leve e solto?  - conta outra - ..se é verdade o que esta em UM, então piorou, houve omissão de uma pá de gente, não?  .. ou será que foi culpa do público?

3."..é supervisionada por um Conselho Curador que, por única razão de existir, é o representante da sociedade civil na Fundação.."  ..ó ih, eis os culpados ..quem são eles? Quem os escolheu?  ..e eles? ganham $$$?

4."..Não foi o conteúdo.. Mas a má gestão contábil, que precisa ser corrigida dentro de seus limites.."  ..ah vá, que má gestão contábil? PEPS ou UEPS , FIFO ou LIFO? ..olha, NÃO conheço técnica contábil que transforme buraco de CAIXA em superavit  ..lucro? vá lá, mas caixa? esse não, esse tem extrato pra provar que tem algo fora do lugar..

5."..Só uma TV pública é capaz de tratar o telespectador como cidadão, e não como consumidor.."  ..taí, não concordo, acho mesmo que devemos cobrar mais e mais as abertas pra que nos respeitem ..inclusive a CULTURA em se mostrando profissional  e transparente (nas diversas áreas, inclusive financeira) ..aliás, o que tem de mais em se ser um consumidor consciente?

BOM, acho que a coisa tá feia mesmo  ..pra mim  instituições PUBLICAS tem que ter qualidade, controle, metas, transparência, avaliações e responsabilizações ..RACIONALIDADE ..NÃO podem ficar gerando BURACO ou sofrendo cortes ..repassando a outros incompetência de poucos ..a coisa tem que ser na medida, equacionada, estruturada, planejada, profissional e, acima de tudo, ética..moral

 

Nassif,

eu botei no meu blog para divulgar,

mas o e-mail de apoio voltou.

Será que tem algum problema?

 

Não tenho ideia.