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O novo desenho da oposição

Coluna Econômica

A maior virtude dos regimes democráticos é a possibilidade de ajustes periódicos nos movimentos econômicos, provocados pela política. Na democracia, o agente revitalizador da economia são as eleições. São elas que corrigem os excessos do período anterior.

Desde os anos 90, trabalho com o conceito do pêndulo para explicar esses movimentos.

Um determinado período é dominado por um conjunto de conceitos econômicos - em geral, corrigindo vícios do período anterior. A nova fase torna-se dominante. Novos grupos assumem o poder. Em uma primeira fase, esvazia-se o discurso oposicionista - herança da fase anterior, quando ainda era situação.

Sem oposição, há um processo entrópico que acaba por gerar distorções que vão se avolumando - justamente por haver redução das pressões externas. Até que novos vícios substituem os anteriores, permitindo fortalecer novamente o discurso dos opositores.

É por aí que as democracias maduras vão se ajustando, coibindo abusos e impedindo que os movimentos do pêndulo sejam muito agudos.

***

aAteAté agora, no Brasil esse movimento pendular muitas vezes jogou fora a criança com a água de banho.

Nos anos 70, o sucesso econômico convalida uma política econômica pró-ativa que deflagra um movimento absurdo de ampliação do poder do Estado. Esse pêndulo se radicaliza ao longo dos anos 80 e é rompido de forma traumática no primeiro ano do governo Fernando Collor.

Corrigem-se muitos vícios, como o excesso de regulamentação, o fechamento da economia. Mas joga-se fora grandes avanços, como estruturas relevantes de Estado, em uma reforma administrativa desastrosa.

***

A partir do governo FHC há uma radicalização do modelo, o desmonte do Estado.

O lema inicial de FHC, de um estado enxuto, porém forte, não foi implementado. Cabeça mais lúcida do PSDB, apenas o ex-Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira tinha um conjunto sistemático de idéias capazes de levar ao objetivo proposto. De nada adiantou devido à inoperância de FHC e à ideologia burra do ajuste fiscal.

Ministérios ficaram desaparelhados, centros de pensamento desarticulados, áreas de projetos desmontadas, terceirização ampla e irrestrita matando o sonho de Bresser de fortalecer uma elite pensante do funcionalismo público.

***

Nos últimos anos, especialmente após a crise global, o pêndulo inverteu seu movimento. O setor público passou a ser melhor aparelhado, ministérios estão recobrando sua capacidade de formulação, as grandes estatais mostraram sua importância estratégica. Muitas lacunas importantes de mercado estão sendo preenchidas por novos órgãos que estão sendo criados. Com o sucesso da economia, todos esses movimentos são aceitos e, no início do processo, seguem uma racionalidade plenamente defensável.

***

Depois de recomposto o Estado, poderá se entrar na era dos excessos. Aliás, esses excessos – em uma direção ou em outra – sempre se deveram à falta de oposições com idéias claras.

Consolidam-se os interesses dos vitoriosos e, à falta de oposição, cria-se uma entropia, uma incapacidade de impedir os abusos de dentro para fora.

***

A nova oposição necessariamente terá uma visão mais voltada para o mercado.

O fator Rockefeller

Mais lúcido dos grandes empresários norte-americanos, ainda nos anos 40 Nelson Rockefeller acreditava que a América Latina só iria se desenvolver depois de constituir uma classe média moderna, que permitisse arejar o mundo político e acabar com o predomínio dos velhos coronéis políticos. Nos anos 40 e 50 estimulou o mercado de capitais no continente, as pesquisas agropecuárias, as pesquisas científicas.

As novas classes sociais

Hoje o Brasil passa por uma segunda rodada modernizadora, com a ascensão social das novas classes populares. No momento, a bandeira fundamental é a da inclusão social. Daqui a algum tempo, o empreendedorismo terá papel fundamental. Ao contrário do besteirol divulgado nos últimos anos, as novas classes sociais serão conservadoras – no sentido, de pretender manter o status quo para garantir sua melhora permanente.

O discurso para o próximo tempo

Por isso mesmo, o discurso a ser exercitado desde agora pela nova oposição será o do empreendedorismo, da desburocratização, do apoio às pequenas e micro empresas, ao empreendedor individual, a crítica aos excesso do Estado, à carga tributária desequilibrada, à importância da gestão pública. No início dos anos 90, Guilherme Afif Domingos já havia exercitado esse discurso. Mas o país ainda não estava pronto. E o goveron FHC esmagou o pequeno empreendedor.

Sem rupturas

A parte mais rica e interessante da história é que o próprio Lula e a candidata Dilma Rousseff já perceberam que o próximo público a ser atendido será dos pequenos empreendedores. Se houver juízo da parte do próximo governo, levará a disputa política para esse novo campo e coibirá excessos. O pêndulo não se inclinará tanto, permitindo uma disputa equilibrada em torno das bandeiras políticas.

O fator Aécio

Ontem, o ex-governador Aécio Neves concedeu entrevista ao IG, onde se habilita claramente a ser dono do novo discurso da oposição. Nada de radicalismos, rupturas, denuncismos primários, como os praticados pelo candidato José Serra. Sem pressa, expõe a nova plataforma, propõe definição de pontos em comum entre governo e oposição, em torno dos quais o país possa se desenvolver. E apresenta as diferenças.

O novo quadro político

O novo quadro partidário será definido no decorrer dos próximos anos. De um lado, há quadros petistas sendo gestados. Do outro, uma boa safra de políticos e governantes não-petistas, como Aécio, Sérgio Cabral, Paulo Hartung, além dos conhecidos Ciro Gomes e Geraldo Alckmin e os bons quadros do PSDB sob nova direção. Será o fim da era FHC-Serra mas o início de um novo período, mais promissor e construtivo para a oposição. 

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uma coisa é oposição decente, honesta, crítica e corerente

outra coisa é uma oposição silvériadosreis, entreguista, subalterna, colonizada, corrupta e fascista

ou se cria uma oposição de verdade ou essa coisa demotucana será extinta, junto com o PV gabeirista, o PPS capacho e outros partidos de oposição de aluguel

o psdb poderia ter sido a oposição que o Brasil precisa, mas quando engatou-se com o pfl e as viuvas da ditadura jogou a bússola e o sextante no mar, perdeu o rumo,  prostituiu-se, vendeu-se aos saqueadores, transformou o Brasil em colônia, destruiu o próprio governo, a indústria estratégica, portos, rodovias, comunicações, tecnologia, educação, segurança, derreteu as finanças, sumiu com a grana da privataria, botou o País na rabeira do mundo

agora precisamos de uma oposição de verdade, não de fantoches em frangalhos

 

Ou o Brasil acaba com os juízes e políticos corruptos ou os juízes e políticos corruptos acabam com o Brasil. Alguém aí sabe para que servem a Polícia Militar e o Senado?

Nassif,

Também não acredito que os potenciais oposicionistas (Aécio, Ciro Gomes, Cabral, etc)se apresentem com um projeto alternativo de país, mas apenas com um projeto alternativo de poder.

Na minha opinião, por paradoxal que pareça, um projeto alternativo para o Brasil terá seu habitat natural no estado de SP, por um governo de oposição que consiga desmontar o ciclo vicioso de aumento da carga tributária (em suas mais variadas formas, como os pedágios por exemplo)e desmonte do estado (refletido na falência da educação e segurança no estado).

Um governador de SP que consiga desonerar a iniciativa privada ao mesmo tempo em que consiga desarticular a estrutura clientelista montada pelo PSDB, será um candidato com um forte discurso e projeto para chegar a presidência do país.

Mas é uma tarefa hérculea, que eu acredito só possa ser realizada por um governador de SP alinhado com o governo federal, já que só um poder exógeno será capaz de desmontar a máquina perversa estruturada em SP ao longo de várias décadas, herdeira do malufismo, do Quércia e do PSDB, que não por acaso, hoje se encontram todos unidos em oposição ao governo Lula.

 

Nassif,

Na minha opinião, existe uma variável que passou despercebida em sua análise: a burocracia.

O fortalecimento do estado está sendo realizado com a expansão e o fortalecimento do aparelho burocrático, assim, medidas desburocratizantes que visem a redução ou limitação desse aparelho sofrerá forte oposição do corpo burocrático.

Seu exemplo concreto também ignorou esse detalhe. Aécio pode até se apropriar dessa retórica, mas em termos práticos,  raposa mineira agiu construindo um verdadeiro palácio burocrático em Minas Gerais, sem sombra de dúvidas a maior obra de seu governo.

É até possível que a nova oposiçõ recorra a essa retórica desburocratizante, mas a implementação - e mesmo a idealização - desses projetos sofrerá forte influência de uma burocracia fortalecida, ciente de seus interesses e em posição muito mais vantajosa que a da sociedade para defendê-los.

 

Nassif, outro dia sonhei que VOCÊ era candidato a presidente. Que tal?

 

Brincadeira à parte, sei que Dilma o lê. Continue mandando seus recados à provável vencedora!

 

Ô Nassif,

Escrevi o teu nome onde deveria ser o meu. Desculpe, foi mau.

 

Só falta combinar com o baronato da mídia em sua longa agonia. Eu espero que não, mas acho que vai demorar. Será que vão se contentar em ser coadjuvante? Pois vão bancar este udenismo que aí está por uma geração ainda. Ou não foi o respaldo deste baronato que desfigurou de vez o Serra?

Não que êle tenha sido grande coisa em algum período da vida. A guinada completa mostra que seu posicionamento em outros tempos nada mais era do que oportunismo puro. Mas não precisava este show de horror.

 

Será mais um a esquecer a curta vida dos empreendimentos privados, algo como eternizar a margem de lucro de um prestador de serviços (pedágios, por exemplo).

Qual a razão econômica para a eterna extorsão do cidadão que paga por estes serviços. Se legislar corretamente não atrai interessados no negócio, se afrouxa, dá no que dá nas rodovias, entre outros.

Apostamos na capacidade retórica futura de vender esse pensamento, revestido de uma roupagem sedutora?

Ou torcemos que o pensamento busque o movimento correto para o pêndulo citado?

Só sei que o Brasil ganhará, não só com um Aécio amadurecido da missão de pensador para o Brasil dos brasileiros, ou teremos outro dessabor de ver mais mentiroso afundar a nação com o discurso economista que nunca se adequa ao discurso político de estadista.

Que o tempo nos dê esses pensadores, até agora ninguém, de fato a vista. Salvo o atual presidente e a promessa de Dilma, pelo grande estadista apoiada.

 

"(...) as novas classes sociais serão conservadoras – no sentido, de pretender manter o status quo para garantir sua melhora permanente."

Acho que é isso aí, Nassif. Não acho isso bom, mas vai ser assim, pois é assim que as mudanças ocorrem. Após um período em que novos protagonistas, antes excluídos, passam a integrar o "sistema", estes tendem a derrubar a escada pela qual conseguiram subir.

 

Mas eu suspeito q a bandeira do empreendedorismo tivesse q ser levantada há mais tempo. a situação dos microempresários sempre foi complicada. eu nao me lembro direito, mas lá pelo final dos anos 90 circulava uma estatística q chamava a atenção, algo tipo "a cada 10 microempresas abertas, 9 duram apenas um ano", uma coisa nessa linha

 

Sem contraste o jogo político fica insosso. Mas com o auxilio da cibernética e dos avanços na Inteligência Artificial e na Inteligência Aumentada, que estão a disposição de todos hoje em dia, a qualidade das contribuições tende a melhorar muito, assim, a era do amadorismo chega ao fim. Para dar uma idéia, é como a bolsa de valores hoje em dia, onde as grandes corretoras operam com programas de compra e venda em tempo real e com lapso de decisões nos centésimos ou milésimos de segundo, tirando completamente a oportunidade do operador humano de realizar lucros.

O mundo mudou e muda cada vez mais rápido, porém os que mamam no governo e usam a política como profissão resistem as mudanças que os alijariam da boquinha. 

 

 

Follow the money, follow the power.

A atual situação se formou em mais de 200 anos de oposição. A atual oposição nem largou os vícios que  levou  a sua derrota. Qual a proposta? Aumentar  a quantidade de atendidos pela bolsa-famíla? Ora!! Nem precisa ganhar eleição para fazer isso, basta dizer qual vai seer a fonte de renda que será aprovada por unanimidade.

 

E se o Serra ganhar, como será a nova oposição?

Como analista político, apesar de crer na vitória da Dilma, acho que o seu blog deveria investigar todos os cenários possíveis.

 

Seria perda de tempo analisar esse cenário. Seria como ficar especulando o que aconteceria no caso de vitória do Eymael...

 

ABAIXO A DITADURA

 

Não é possível analisar porque NÃO é um cenário possivel.

 

Não sei se é inteligente pensar dessa forma, de que determinado cenário não é possível. Em política, tudo é possível. Podem surgir questionamentos interessantes:

Se Serra vencer, Lula disputaria em 2014?

A oposição em relação ao governo Serra seria da mesma forma que foi no governo FHC, sistemática, ou o PT teria amadurecido com a experiência no governo Lula?

Com o fim do PT no governo, as diferenças internas poderiam se acentuar e provocarem um racha no partido?

A Dilma já está consolidada como liderança, mesmo com uma derrota?

Como os atuais aliados seriam tratados pelo PT? Sarney e Collor, por exemplo, voltariam a ser inimigos ou o PT tentaria uma política de boa vizinhança com vistas a 2014?

 

 

 

Nassif, achei o texto excelente, sua análise é perfeita, porém permita-me discordar de um pequeno detalhe, no final do seu texto você citou Geraldo Alckimin, concordo totalmente com o nome do Aécio nesse grupo, mas o Geraldo? Espero estar enganado sobre a imagem que faço dele.

 

análise MUITO, muuuuito branda

Os Períodos de Collor e  FHC foram muito mais nocivos do que sua análise faz querer parecer..

Não só a figura do Estado e de suas Estatais, mas MERCADOS inteiros foram DEFORMADOS por um longo prazo (e no CP, sem perspectivas de os retomarmos)  ...hoje sua correção passaria pela armadilha da tal "quebra de contrato"  ..sem dúvida que a CANGA que nos impuseram não foi e nem será desmontada tão fácil  (foi coisa de máfia, não de ciência econômica, coisa estratégica - vide VIVO e Banespa)  ..LULA por exemplo, o dos 85%, sequer tentou peitar, na verdade piscou e se recolheu a um mínimo possível..

..com elles (os FernandoS) perpertuamos e ratificamos monopólios (antes do Estado e  hoje dado ao setor privado, muitos ainda em produtos e serviços essenciais, quando não, na mão de estrangeiros)  ..muitos em produtos raros (CVRD), noutros estratégicos (telecomunicações) e noutros ainda, sem opção de defesa (pedágios dados a empreiteiras por exemplo)

Ao país sobrou a depedência  ..um desenho ainda favorável para a concentração de renda  ..para abusos e desmandos de cunho econômico com diversos  impactos políticos (vide os tentáculos de DD)

..interessante ainda pensar que tal "transição" (com os Fernandos) só foi possível porque os militares e "suas Estatais" (muitas criadas bravamente do NADA  - petroquímica por ex) deram LASTRO e tempo para que o país resistisse a este verdadeiro desmanche e pilhagem...

 

Super Nassif,

aqui você consegue sistematizar sua percepção dos desdobramentos políticos, que a gente já podia perceber, até então, de forma um tanto fragmentada.

Mas fiquei com uma única dúvida, por favor, entenda minha sinceridade e franqueza. Não foi num post seu recente onde você antevia uma sobrevida política para o FHC? Aqui você é menos generoso e decreta o fim eminente de uma era FHC/Serra. Lembro de achar convincentes seus argumentos mais benevolentes àquela oportunidade, e lembro também de muita gente ter discordado de você nos comentários.

Eu estou confundindo as coisas, ou você ainda não tem uma convicção muito forte em relação a esse ponto específico? 

 

Faz quatro anos que preconizo o fim da era FHC. Foi uma praga especialmente para a oposição. Quando falei em sobrevida, foi pelo fato do Serra não ter apresentado um conjunto sistemático sequer de propostas. As idéias ficarão incubadas, esperando as novas lideranças. Mas FHC e Serra já eram.

 

Geraldo Alckmin não é um bom quadro, é  q comparado com o q foi o governo Serra, qualquer um vira estadista, gostaria de ver uma alternância em SP, até o momento meu voto é Paulo Skaf.

 

Nassif:

Acho que eu recebi o seu artigo por telepatia ... desde ontém estou a pensar exatamente nessa questão!

 

abraço

 

Isso será alcançado para haver equilíbrio entre Estado e Mercado eficazes. De minha parte creio que por hora está havendo uma hegemonia de Mercado podre quanto a questão das comunicações. Banda Larga e pré pagos os mais caros do planeta. E esses representantes privilegiados do Mercado ineficaz, impedem que a Telebrás ressuscite como preconizou o Bresser. O DEM recorreu até ao STF. Por isso que segundo a sua teoria pendular que acato, o pendulo por hora quer avançar para o lado do Estado, por seus méritos eficazes que existem tanto quanto os do Mercado.

Lembro Bresser dando uma definição clara de que o podre do capitalismo é a sua tendência NATURAL para a ganância e para tal a corrupção dos agentes do Estado. Então nessa área das comunicações estamos para romper os vícios do Mercado  que impedem o pendulo a pender!. Devido a insensatez mercadológica da privataria no campo das comunicações (o absurdo de remeter lucros ao exterior de meios cuja mercadoria produzido é a nossa - Fala, conversa, expressão. Não sei se foi o Bresser que disse que isso não se privatiza, ou pelo menos não se internacionaliza.

Outro dia fiquei perplexo quando o jornalista Etevaldo do Estadão disse que o preço da ganância não coibida era TAMBEM culpa do Lula. Ora ele representa na mídia aquele tipo de Mercado podre, que tem que cair, ou melhor que de tão podre que está, IMPULSIONAR naturalmente para a intervenção do Estado. Por exemplo essa minha prolixidade está saindo a mais cara do planeta, pelo preço que pago pela banda larga.

 

Excelente analise!

Concordo plenamente com a sua visão de futuro.

Uma pergunta: Como os grandes grupos de midia vão se posicionar neste novo patamar de desenvolvimento, os "velhos" (Roberto Marinho, Civita...) estariam nadando de braçada, mas as novas gerações são de uma incompetencia assustadora.

 

Reflexão, provocação

E se pudéssemos pensar na utopia da mutidimensionalidade abundante de opiniões, saberes e fazeres, de forma que não houve a alternativa binária de direita e esquerda, situação e oposição e começássemos a adotar o modelo da diversidade de opiniões formando os países, as sociedades. Como, na realidade, é o que ocorre na vida real.

Para além das constituições formais a que nos submetemos para efeitos práticos de emissão de documentos, estabelecimento de leis básicas de convívio em sociedade, organização geral da vida em sociedades complexas, não estaríamos também vislumbrando no horizonte meios alternativos a este modelo binário de gerenciamento da vida em sociedade... já que somos complexos e vivemos numa sociedade idem.

 

Na mosca Vera, e com instrumentos como a Inteligência Artificial e a Inteligência Aumentada, que a cibernética coloca a disposição de todos hoje em dia.

Só faço a ressalva que a modelagem necessita, por tratar com humanos, de ser inteligível , manipulável e com lógica interna consistente. 

Já adianto que não vamos reinventar a roda, pois o mundo é absolutamente controlado e os donos do dinheiro e do poder hoje possuem recursos inimagináveis.

O que proponho é  uma discussão sobre política de acomodamento, pois  é extrema ingenuidade pensar que os que estão por cima hoje vão largar o osso no mole.

No mais o planeta e a humanidade estão exaurindo recursos não renováveis a uma taxa além da capacidade de carregamento da Terra, o deslinde é inevitável.

 

Follow the money, follow the power.

Faço parte de um grupo de empresários da pequena e média empresa que se reúne para aprender junto a empreender com mais eficácia.

Temos uma rede social com 420 membros no endereço www.clinicaempreendedores.ning.com, e tomei a liberdade de copiar seu post (com autoria e links).

A visão clara, a neutralidade e seu brilhante poder de condensar as idéias no texto são admiráveis.

Já era seu fã (inclusive quando vc toca chorinho) e continuo sendo.

Abraço

Roberto Ambrosio

 

 

 

 

 

 

Você consegue ver o que está acontecendo no nosso Brasil. Parabéns pela análise.

 

Nassif, concordo em partes com você. Acho que não podemos nos esquecer do papel que os meios de comunicação vão ter neste processo. Será que os grandes grupos, que se auto-desmoralizam semana após semana, vão continuar a ter voz ativa, pautar o discurso político? Até onde as mídias alternativas, bolgs e tutti quanti podem ir?

Veja nas notícias abaixo o nível do desespero dos setores mais conservadores da mídia nacional:

Ladeira abaixoDora Kramer, O Estado de S.Paulo

O PT é assim: bate como gente grande, mas quer ser tratado com carinhos reservados aos pequenos.

 

Quando apanha, se diz vítima da injustiça, do preconceito, do udenismo, do conservadorismo, do moralismo, dos conspiradores, dos golpistas, das elites e de quem ou do que mais se prestar ao papel de algoz na representação do bem contra o mal, do fraco contra o forte que o partido encena há anos.

Sempre no papel de mocinho, evidentemente, embora desde que assumiu o poder tenha mostrado especial predileção pela parte do roteiro que cabe ao bandido.

Luiz Inácio da Silva é mestre nessa arte, exercitada ao longo de quatro candidaturas presidenciais e muito aprimorada nestes quase oito anos de Presidência da República.

Tanto que ao longo desse tempo se consolidou na política uma linha de pensamento segundo a qual o contra-ataque significa insidiosa radicalização que só pode render malefícios aos seus autores.

Em miúdos: o adversário tem de apanhar calado; se ousar se defender pagará o atrevimento com a condenação geral e consequentemente com a derrota político-eleitoral.

Por essa lei a oposição teria de assistir quieta ao presidente usar dois anos de seu mandato como cabo eleitoral, sem "judicializar" a política com ações por campanha eleitoral antecipada.

Deveriam todos ouvir calados os desaforos que sua excelência diz contra quem bem entende quando contrariado, o que, na concepção dele, significa afrontado.

A Justiça, acionada pelo adversário, deveria atribuir tudo "à guerra eleitoral" e ignorar a existência de leis só porque ao juízo do partido no poder essas leis são retrógradas e atrapalham a marcha do espetáculo do crescimento da hegemonia política, social, ideológica e até cultural do PT e adjacências.

Pela norma referida acima a oposição deveria se comportar com toda a fidalguia durante o processo eleitoral, aceitando como verdadeiras todas as aleivosias do adversário.

Como se já não bastasse o tempo que a oposição deixou que o presidente eleito para "mudar" se apropriasse de todas as suas obras para governar e ainda as tachasse de "herança maldita" para efeito de se manter sempre na investidura do "bem".

Pois chegou a campanha eleitoral e a oposição resolveu enfrentar Lula. Pagou para ver se é perigoso mesmo dar o troco na mesma moeda: dizer umas meias-verdades por aí, carimbar umas perfídias na testa do adversário, manipular emoções do eleitorado, manejar ideias preconcebidas, despertar instintos adormecidos, jogar duro e, quando necessário, baixo.

 

Como quem tivesse desistido de andar na linha num embate onde o outro lado não preserva escrúpulos.

 

Se será beneficiada ou se isso lhe renderá malefício, é o eleitor quem dirá.

 

Agora, o que não soa verossímil é a versão da candidata Dilma Rousseff de que está "assustada" com as reações do adversário José Serra e que por nada neste mundo alguém a fará "baixar o nível".

 

Quanta delicadeza e civilidade.

 

Ao que se sabe Dilma Rousseff não se assusta com nada. Enfrenta a tudo e a todos, ironiza os "homens meigos" que lhe criticam os modos bruscos no trato cotidiano, reivindica para si a responsabilidade de coordenar todas as ações de governo e leva um susto com palavras mais duras?

 

No quesito "nível" não parece que haja nada mais baixo que um presidente da República que desacata as leis e a Constituição e fala palavrões em público.

 

Evidente que a cena do candidato a vice de José Serra provocando o adversário para que "explique" suas ligações com o narcotráfico, o Comando Vermelho e as guerrilhas colombianas não é edificante.

 

Muito melhor que no lugar disso Serra e Dilma estivessem dizendo ao País como é mesmo que pretendem dar combate à bandidagem e levar segurança ao público.

 

Justiça seja feita ao tucano, começou a campanha todo lhano, atribuindo até ao presidente atributos de divindade acima do bem e do mal.

 

Mas Lula não aceitou a esgrima como forma de luta. Preferiu a força bruta do vale-tudo. Deu o tom, definiu as armas e, portanto, não estão, nem ele nem o PT nem a candidata, na posse de autoridade moral para reclamar.



 

Eder Luiz Professor Universitário

 Nossa, quanta raiva!!! Há anos que esta articulista deixou de fazer análises políticas. Hoje é mera porta-voz da oposição.

 

Excelente análise. Didática, eu diria. Professor (brincadeira), eu tenho uma pergunta: como se reduzir a dessincronia entre o que é vivenciado na esfera federal e algumas experiências estaduais e municipais. Falo somente no que tange o modus operandi da administração pública, alocação de recursos, atendimento de demandas por serviços, investimentos, etc. Um exemplo, que conheço bem, dessa dessincronia, é o caso do RS e até de Porto alegre. Nesses 2 casos, temos hoje administrações que caminham num sentido oposto aos rumos que segue o governo federal: no governo Yeda tivemos claramente um opção por redução dos gastos com serviços à população, cortes na educação (fechamento de escolas, inclusive), arrocho salarial do funcionalismo, sucateamento (por abandono, falta de investimentos e de manutenção) da infraestrutura, etc. Na prefeitura de Porto Alegre vemos também o descaso com a manutenção dos equipamentos públicos, falta de projetos para atendimentos de demandas populares, e até mesmo um "desaparecimento" dos principais personagens da administração. Nas últimas gestões, em Porto Alegre, o prefeito e secretários são figuras de gabinete e com muito pouco protagonismo.

 

nassif não creio  nesse promissor periodo oposicionista.  na verdade será a velha elite com cara nova ou uma nova elite de vies nacionalsita-burgues de concepçoes  arejadas como uma velha roupa colorida. por que o pt ,psb,psdb e pmdb  terão o mesmo discurso e praticas.na verdade creio que a tendencia será pela esquerda.  o cenario internacional é que dará como sempre  deu ares novos a dinamica dos  desafios  e crises que virão. por isso será fundamental que a esquerda hoje sai do orfanato politico  exerça  o processo de  consolidação e afirmação apontando um caminho alternativo as velhas praticas politicas ou a novas praticas politicas da elite burgues nacionalista que agora surge. vamos aguarda o futuro. ainda acredito nele.

 

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/assista-a-sabatina-de-ze-maria-no...

 

Ou seja, pode estar se aproximando a hora da concertação. Os belicistas do PT ficaram pelo caminho. Agora, só falta combinar com os replicantes do DEM e do PSDB paulista.

 

Nassif

vejo sempre vc falando do Aécio como um político promissor. Sou mineiro, e no início do primeiro mandato de Aécio, trabalhei por quase 2 anos como consultor do INDG na criação de um esctriório de projetos na secretaria de planejamento para realizar a gestão dos projetos estruturadores definidos para o estado. Neste tempo em que estive lá, quase nada saía do papel. Presencie um total distanciamento do governador na execução das políticas de estado. Durante o tempo em que estive lá presenciei uma única reunião de resultados com o governador. Como constumávamos dizer, passamos o baton no porco. Não tínhamos resultados para apresentar mas inflacionamos o que tínhamos. Ou seja, não percebo Aécio como um político capaz de executar as idéias que defende. Acredito que ele brilha mais no campo da retórica do que de levar a cabo as idéias.

 

E como cidadão Belo Horizontino, nesses quase 8 anos de governo, não vi Minas avançar. Não vi novas empresas de porte chegarem, não vi grandes investimentos, não vi o emprego aparecer. Hoje trabalho no Rio de Janeiro porque foi onte, como engenheiro, tive oportunidade. Realmente gostaria de estar vivendo nas Gerais do meu corção. Talvez se Aécio tivesse sido um político comprometido com Minas, poderia estar lá hoje!

 

"Ontem, o ex-governador Aécio Neves concedeu entrevista ao IG, onde se habilita claramente a ser dono do novo discurso da oposição"

Menios Nassif! Aécio ainda continua obscuro ,sinistro e tem a cara da nova direita, e já começa blindado .A nova cara da oposição ainda está por vir e se não houver um golpe Lula , digo nos trabalhadores  enterraremos de vez as pretensões do mauricinho que faz política  a velha moda. Não Adianta Aécio ainda tem muito que espurgar do seu passado político , e as novas lideranças realmentes vindas das camadas populares e com elas comprometidas nasceram daarvore Dilma fecunda que  floresceráe os frutos  sim serão a nova face  e diga-se face bem mais morena de uma oposição saudavel e produtiva.

 

Caro Nassif,  o seu desenho da oposição é idealista demais!!!

Na dinâmica política brasileira as oposições funcionam em simbiose com a mídia. E nos últimos anos, nem precisamos dizer, esse traço se acentuou. A configuração que vc anuncia é lógica, mas .... falta avisar os russos. Vc pode até imaginar uma troca generalizada de jornalistas nas redações, ou no tradicional formato Shmock, a mudança geral de "opinião" dos que lá estão, mas vc não muda os donos da mídia. Em suma, tudo indica que as oposições iram pagar mais caro ainda terem embarcado nessa nau dos insensatos que zarpou com os escândalos de 2004 em diante.

 

O texto do Nassif é brilhante, como de costume, além de muito elegante.

Discordo da parte da nova oposição. Também acho que o ciclo para que surga uma nova oposição com chances reais de assumir o poder (via voto democrático) ainda está distante. Creio fortemente que o governo Dilma será, se não o pico, o platô do governo Lula. Creio em prazos mais longos para a oposição, e não sei dizer qual o papel que Aécio poderá ter nela. 

 

Nassif,

Eu também considero a sua análise otimista demais. Na verdade, a considero não realista.

A oposição que estamos vendo é derivada da temor da classe B em relação à ascençao das outras classes sociais, principalmente a ascenção da classe C. Como outro comentarista já notou aqui neste blog, boa parte da oposição ao governo Lula é baseada no preconceito. O preconceito não existe per si, é desenvolvido, existe por alguma razão ou temor, mesmo infundado.

Tal reação da classe B continuará enquanto o processo de ascenção social não se completar. E enquanto não surgir uma nova classe B, resultado da classe C.

Essa nova classe B serão os empreendedores que você antevê. No entanto, serão originários da classe C, que tem consciência de que é dependente da atuação do Estado e das políticas públicas. Não serão tão antagônicos a um Estado mais forte como a antiga classe B. É possível que,  devdio às suas origens na classe C, defendam uma maior atuação do Estado na promoção das pequenas empresas, em especial com relação à política de compras do governo e das empresas estatais. Se for assim, dificilmente serão ardorosos defensores do Liberalismo e do "laissez-faire".

Deve também ser observado que também veremos que a classe C se tornará a maioria da população brasileira, devido à ascenção das classes D e E. Esses não sao empreendedores, mas assalariados. Por terem carteira assinada, tendem a se sindicalizar. E o movimento sindical é a origem do PT. Para a classe C a existência de um Estado forte é a garantia do atendimento dos seus direitos sociais: educação, saúde e diereitos trabalhistas. A tendência "conservadora" dessa nova classe C será manter os direitos sociais obtidos e conseguir novos direitos sociais (diminuição da jornada de trabalho, por exemplo).

Nassif, 4 anos atráz você fez uma previsão extermamente otimista com relação à oposição, em especial aos governadores eleitos pelo PSDB e, em específico, ao Governador Serra. Essa previsão não se cumpriu. A sua previsão atual dificilmente se cumprirá.

Em primeiro lugar, a oposição da imprensa continuará muito forte e provavlemente se acirre mais: os analistas da imprensa acreditam que o governo Dilma será fraco (da mesma forma que apostaram que o governo Lula seria um desastre) e a classe B continuará a reagir fortemente à ascenção da classe C. Infelizmente, os partidos de oposição continuará a ser pautada cegamente pela imprensa, principalmente porque a grande imprensa se tornou o porta-voz do temor que a ascenção social causa na classe B e porque os partidos de oposição representam justamente essa classe B.

Em segundo lugar, o Aécio será eleito senador, mas não vai conseguir a cadeira de Presidente do Senado, que é reservada ao governo. Será, portanto, mais um senador no meio de 80 outros senadores. Além disso, o PSDB e o DEM elegerão menos congressistas para próximo período legislativo, indicando uma atuação parlamentar mais fraca, mesmo sendo uma oposição mais aguerrida. E o posto do Aécio como possível líder da oposição será eclipsado pelo fato de que a oposição tentará a via da confrontação e não a da coabitação, o que inviabiliza a sua liderança.

Sinceramente, não acho possível a renovação da oposição nos próximos 4 anos. Talvez nem nos próximos 20.

 

 

É isso daí. Nassif está dando como fator defensável pela direita o que Lula já faz, assistir os pequenos e os médios. Isso eles aprenderam desde que Olivio foi governo no RS e estava dando muito bem até que a mídia e associados desconstruiram o governo do PT. Voltou a mesma m. de antes. O retrógrados só voltam quando os governos bons se dão como vitoriosos porque acertaram no início e acham que o mundo segue no automático, depois de um forte empurrão. Lula aprendeu e isso ele sustenta sempre que pode, tem que botar energia no que se faz, sempre, "todo santo dia". Como fazem as equipes campeãs. É horrível se pensar que o mundo vai pra frente (Lula-Dilma) e pra trás FHC-Serra).

 

Serra já descobriu que não é imortal...

http://oarautodorei.ning.com/profiles/blogs/dom-jose-nao-sou-imortal

E, dependendo do tamanho do naufrágio do PSDB em outubro próximo, Aécio é o mais sério candidato a liderar o partido. Boa sorte para ele.