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O ovo da serpente da linguagem racialista

Por José Roberto Militão

      Nassif,
       uma reflexão chamando a atenção e denunciando a gravidade do uso da linguagem racial no blog por pessoas que se dizem contra o racismo.

abraço,
J. Roberto Militao.

“ PRETO é cor; a “raça” é negra”? Alimentando o ovo da serpente.

No combate ao racismo é imperiosa a desconstrução da linguagem de pertencimento racial. No espaço de uma semana, em dois tópicos, sucessivos e concorridos debates na internet sobre racismo no portal LUIS NASSIF ocorreu o uso abusivo em mais de duzentas vezes, da classificação racial dos pretos e pardos na condição racial de “negros” (`19/02, ´Preconceito sutil é mais forte e perpetua o racismo´; e 18/02, ´O DNA dos “Negros” e Pardos brasileiros´,)  http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/preconceito-sutil-e-mais-forte-e-perpetua-racismo.

Ficou obvio o uso da linguagem racialista é fonte do racismo que queriam combater. O perfil dos debatedores, sem dúvida, é de humanistas não racistas. A maioria reconhece a contundência do racismo sutil, tão bem exposto no texto de ANA MARIA GONÇALVES denunciando o cartunista ZIRALDO, com provas textuais, da prática do racismo na linguagem que uniu, com o intervalo de um século, dois expoentes da literatura infantil: ZIRALDO do sutil ´Menino Marron´ resolveu sair às ruas no carnaval de 2011 determinado a propagar a defesa pública da literatura com odiosa pregação racista e eugenista de MONTEIRO LOBATO, mentor intelectual de um plano de genocídio da raça negra proposto no livro ´O Presidente Negro´, a “solução final” para erradicar a “raça inferior”. http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=4967.

Na condição de escritores para crianças, ambos utilizaram com maestria da poderosa arma da linguagem para a sedução às suas crenças, da fértil mente e frágil alma. ARISTÓTELES, em a Política, afirma: somente o humano é um "animal político", isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Os outros animais possuem voz e com ela exprimem dor e prazer, mas o humano possui a palavra (logos) e, com ela, exprime o bom e o mau, o justo e o injusto. Exprimir e possuir em comum esses valores é o que torna possível a vida social e política e, dela, somente os humanos são capazes. É isso: a linguagem capacita o homem, para o bem ou para o mal. A identidade política da ´raça negra´, em vez da cor preta, expresso no slogan, é uso perverso e irresponsável da linguagem que consolida a crença racial, semente de mais e mais racismo. Qualquer identidade racial é odiosa.

No combate ao racismo é essencial o pressuposto da igualdade humana a partir da única espécie humana. Consiste, ainda, na negativa, reiterada, de qualquer ´raça´ humana. A espécie é única, formada por 6 bilhões de indivíduos diferentes. Por isso é assustador a naturalidade de quase todos, sem receio e sem respeito à linguagem, política e conceitualmente, corretas (LPCC), utilizarem-se da imposição arbitrária da alcunha racial “negros” para designação dos afro-brasileiros. Isso é alimentar o ovo da serpente. Essa designação racial não nasceu no meio e costumes dos afro-brasileiros. Ela foi construída na academia no século 20, sob a forte influência da eugenia, do racismo e da guerra-fria, influentes no meio intelectual.

Os afro-brasileiros jamais praticaram a definição de uma identidade política como pertencentes à raça negra. A nossa narrativa histórica é de repudio a esse pertencimento racial. Basta ver, desde o século XVII, que a resistência e busca da liberdade não se fez por ´negros´. Não há registros de Quilombos ou Irmandades de “negros”. As terras ocupadas foram e ainda são “terras de pretos”. Na organização social foram milhares de Irmandades, Igrejas e Cemitérios de “HOMENS pretos”, “HOMENS pardos” e “Pretos Novos”. Na umbanda, a reverência é ao “preto-velho”. Nossos avós eram homens e mulheres de cor. Jamais foram “negros”. Essa é a verdadeira narrativa dos afro-brasileiros que merece respeito. Queremos e exigimos ações afirmativas para o combate às discriminações e a neutralização de exclusões injustas e almejamos a promoção estatal de oportunidades iguais, porém, sem o sacrifício do conceito da igualdade espécie humana e sem a violação da nossa própria dignidade. É isso o que pensam 2/3 dos afro-brasileiros conforme a única pesquisa específica realizada no Rio de janeiro em 2008 (CIDAN/IBPS), que por expressiva maioria de 63%, superior à que, sem questionamentos, elege líderes mundiais LULA, DILMA e OBAMA, rejeitam leis raciais.   http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83

       A CRIAÇÃO DA ´RAÇA NEGRA´
       Em nossa língua histórica da palavra ´negro´ significa o acatamento da classificação racial: o escravo era de ´raça inferior´ e não significava a cor da pele. O “negro” poderia ter qualquer cor, por acaso conjuntural, foram os pretos. Até 1755 os índios eram “negros da terra”. A palavra define a atribuição aos pretos do pertencimento a uma raça inferior, assim designada pelo racismo no século 18. Todavia, os afro-brasileiros jamais acolheram a identidade “negra”. Contra essa linguagem há o império de princípio essencial da pesquisa antropologia: é que a narrativa do “nativo” nunca está errada. O observador não detém verdade superior para ser imposta: tem o dever de ouvir e, com humildade, respeitar e entender como verdade absoluta a narrativa e a consciência do grupo nativo. É a doutrina da neutralidade absoluta exigido na coleta de narrativas, palavras e expressões características da mentalidade do grupo para a compreensão da sua visão do mundo. O que a academia tem feito ao nos classificar como raça negra é violar tal princípio para impor aos afro-brasileiros auto-declarados pretos e pardos uma falaciosa classificação racial de “negros” que historicamente não narramos. Se, portanto, a condição de “negro” não tem a origem na narrativa do grupo é uma imposição exterior, artificial, falsa, uma fraude intelectual.

Não se trata aqui, de simples questão semântica. Nem se trata de super dimensionar a chatice da LPCC. Trata-se de reconhecer a linguagem como edificadora ou demolidora da pretensão política de ideais mais nobres e, os escritores, em especial os que semeiam para jovens, de LOBATO a ZIRALDO, cientes disso. JOAQUIM NABUCO, no prefácio de ´O Abolicionismo´ (1863) anuncia a sua aspiração maior: “Quanto a mim, julgar-me-ei mais do que recompensado, se as sementes de liberdade, direito e justiça, que estas páginas contêm, derem uma boa colheita no solo ainda virgem da nova geração” (p.2; abril de 1.863). A oposição ao racialismo estatal exige que na articulação de políticas públicas de combate ao racismo é preciso considerar essa poderosa força da linguagem. Nas referidas centenas de comentários no portal, os afro-brasileiros foram designados por ´negros´ para milhares de leitores que reproduzirão a falsidade. Se legitimada essa linguagem, o racialismo estará institucionalizado.

Na internet, esses debatedores representam bem a síntese do Brasil mais lúcido e esclarecido, o que é agravante: são formadores de opinião e, pelo perfil, estão quase todos empenhados na edificação de uma sociedade mais justa e igualitária. Entretanto se utilizam de uma linguagem racista viciada pela designação imposta pelos ideais do racismo. Hoje, em qualquer trabalho acadêmico e nos reiterados discursos de defensores da raça estatal, manipulam-se as estatísticas e no grupo racial de “negros” está contida a arbitrária soma de brasileiros que se definem perante o IBGE como pretos e pardos. A tal “raça negra” é decisão burocrática distintas da narrativa. O grave disso é que está consagrado na Lei 12.288/10, ´Estatuto da Igualdade Racial´. Sobre o tema, DEMETRIO MAGNOLI denuncia: “Com que direito o Estado rouba-lhes a voz (de pretos e de pardos) e as declara “negros”? Há uma armadilha na linguagem. Ela consiste em batizar os indivíduos com o nome de uma raça. A prática, repetida à exaustão, cria a ilusão de que existem raças “branca” e “negra”, tanto quanto as montanhas, rios, lagos e espécies biológicas .(http://noracebr.blogspot.com/2009/11/o-que-ha-num-nome.html). Entrementes, no livro, ´Uma Gota de Sangue´ (2009), MAGNOLI a despeito da convicta motivação de combate ao perigoso racismo estatal, nos designa como população “negra” com o atenuante de manter a palavra sob aspas. Como visto ao utilizar a linguagem racialista mesmo que seja com a saudável intenção de repúdio ao racismo, mesmo quem deseja destruí-lo, apóia-se, por descuido, na lógica semântica do racismo conceitual que alimenta a própria crença racial e sua hierarquia implícita.

Outro exemplo disso ocorre na literatura acadêmica ou não. Nos livros, traduz-se as palavras designativas da identidade dos afro-americanos, black people ou afro-americans, como se fosse a população ´negra´, palavras que não são sinônimas nem no inglês ou em português. Em nenhuma resenha se faz uma crítica para o erro crasso. Afinal, a palavra ´negro´ foi escolhida pelo racismo para definição da raça inferior pelo seu relevante e sinistro significado. Tem a mesma raiz etimológica de nekrós (sem vida, morte, cadáver = necro, necrotério, necrose, necrofilia etc) definidoras do que não tem vida, não tem luz ou é relativo à morte. “Negro” designava o escravo em geral, reservando aos índios serem “negros da terra” até o édito “Directório do Índio” (1.755) de Marquez do Pombal. Então, proibia a escravidão indígena e vedava sua designação por “negro”. O ato visava sua inclusão na sociedade civil e atendia a interesses do Rei, porém, já se fundava nas teorias do iluminismo sobre a origem e fundamento da igualdade humana (APEB, m.603, fl.20v) http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_073.html. Ao mesmo tempo a designação dos pretos pela alcunha de “negros”, servia ao racismo para restringir a força dos ideais iluministas não contemplando com direitos humanos essa “raça” inferior.

Aliás, em nome do combate ao racismo exige-se da academia um esforço na correição disso: essa linguagem tem sido fonte do neo-racialismo que exige tanto esforço para ser contido. Não são os pretos e os pardos que se auto designam ´negros´. Primeiro foi o racismo em seu nascedouro. Depois o Estado acolheu, no auge da divisão racial dos humanos, através do ´Directório´ explicitando em seu artigo 10: ´negro´ é designação indigna, infamante e degradante, proibida de ser empregadas aos índios, a quem S. Majestade reconhecia a inteira humanidade, pois reservada aos ´pretos´ da Costa de África, diz a letra da lei pombalina. Até então os africanos traficados, eram humanos da cor preta, de quem o racismo vem retirar a humanidade e lhes atribuir a condição de raça negra, a raça inferior. Um dos primitivos sentidos da palavra “negro” era “escravo". Por isso a palavra é ofensiva em países africanos e Estados Unidos, onde é empregada a palavra black que literalmente corresponde à palavra preto, ao invés de niger (negro).

               O ´OVO DA SERPENTE´
               A parábola do ´Ovo da Serpente´, consagrada em filme, refere-se ao período entre a 1ª e 2ª guerra mundial, em que as potências ocidentais flertaram e conviveram com a ameaça do nascimento do nazismo. Os ovos das serpentes são transparentes e basta colocá-los de frente à luz do sol, para ver os filhotes em formação: o nazismo e seu racismo estavam sob a luz do sol. Com a onda de pertencimento racial imposta aos afro-brasileiros estamos diante de ovos da serpente.
               A academia, após a 2ª guerra e os desafios do combate ao racismo nazi-fascista, foi quem introduziu nos livros, nas teses e nas pesquisas o ´negro´ como um objeto racial. A academia não o fez por mal, quase sempre. O fez, numa época em que se acreditava em raças e até mesmo que o pertencimento racial poderia ser uma manifestação política positiva. Florescia a guerra fria e a disputa entre os aliados vencedores da 2ª guerra. O império capitalista e o império comunista disputavam corações e mentes. FLORESTAN FERNANDES, marxista, considerava a identidade ´racial´ para compreensão da questão da exploração de ´Raça & Classe´: “preconceito e a discriminação raciais estão presos a uma rede da exploração do homem pelo homem e que o bombardeiro da identidade racial é  o requisito da formação de uma população excedente destinada, em massa, ao trabalho sujo e mal pago...” (Florestan, 1989, p.28). CLOVIS MOURA, comunista, importante sociólogo afro-brasileiro, ideólogo do MNU nos anos 1970, acreditava na identidade racial para a consciência política de luta dos “negros”. No século 21, o antropólogo KABENGUELE MUNANGA e outros intelectuais abandonam a lição primaz da antropologia consagrada na absoluta neutralidade, contrariam a narrativa histórica dos afro-brasileiros, induzindo o equivocado entendimento da imposição da identidade racial, municiando ativistas do neo-racialismo estatal, alterando identidades censitárias e tripudiando sobre a mestiçagem, para se contrapor à verdade sociológica de Gilberto Freyre: a nossa mestiçagem é cordial. A doutora FATIMA DE OLIVEIRA, médica, afro-brasileira e militante contra o racismo, é categórica: “O BRASIL É UM PAÍS mestiço, biológica e culturalmente... No contexto da mestiçagem, ser negro possui vários significados, que resulta da escolha da identidade racial que tem a ancestralidade africana como origem (afro-descendente). Ou seja, ser negro, é, essencialmente, um posicionamento político, onde se assume a identidade racial negra.” (Ser negro no Brasil; http://historiaemprojetos.blogspot.com/2008/11/neste-texto-mdica-feminista-ftima-de.html.
               As universidades, através do uso irresponsável da linguagem racial, produziram uma monstruosidade: uma geração de afro-brasileiros militantes da raça estatal, alguns bem intencionados, brincando com a metáfora, alimentar o ovo da serpente através do uso político de uma identidade racial fraudada, sementes de ódios raciais. Para isso os defensores da identidade racial desconsideram a sabedoria do saudoso MILTON SANTOS, para quem, nos diferenciando da sociedade norte-americana, afirmava, assustado com os rumos tomados pelo movimento negro: “a nossa miscigenação e tolerância relativa é algo virtuoso e deveria ser um ponto de partida para os afro-brasileiros, o que não pode ser desprezado; não gosto do tratamento separado; quero ser apenas brasileiro como outro qualquer...”.  http://www.youtube.com/watch?v=xp9_fPuYHXc

               PRETO É COR; a ´raça´ é NEGRA?
               Ao contrário do que pensam os racialistas, o combate ao racismo não tem vínculos ideológicos com a luta de classes sendo, portanto, desnecessária a tal ´identidade racial´ oriunda de guerra fria. Não há mal algum na designação da cor dos humanos: preto, branco ou pardo, é simplesmente a cor da pele. Isso não é raça. Se a pessoa de pele branca é designada ´branca´, por que não ´preta´ a pessoa da cor preta? O que não pode continuar é o uso dessa linguagem racial reprodutora da classificação racial, sendo praticado por quem, de fato, queira destruir a crença racial. Essa verdade está contida, de forma inversa, na campanha racialista conduzida por ONG´s de afirmação racial: ´preto´ é cor; a ´raça´ é negra. Essa campanha e outras, apoiadas nos vícios da academia e financiadas por Foudacion´s norte americanas, negam a humanidade da cor de pele e visam impor aos afro-brasileiros o pertencimento a uma identidade racial ´negra´ dissidente da narrativa do próprio grupo social.
               O fato é que HUMANOS DE COR é afirmação da humanidade. A atribuição da condição de “negro” é classificação racial sonegadora da nossa condição humana, o que configura na violação da própria dignidade humana. Estudos respeitáveis confirmam a nossa desconsideração racial. Em 1953, ORACY NOGUEIRA (Tanto preto Quanto branco, USP) já constatava a nossa identidade pela apenas pela cor (marca) e, em 2009 na UnB, para desencanto dos defensores da identidade racial e da própria autora, a doutora FRANCISCA CORDÉLIA (Brasileiros não reconhecem sua identidade racial) chegava à mesma conclusão em suas pesquisas de doutorado. Nós, brasileiros, pretos e pardos, não temos e não queremos nenhuma identidade racial. http://www.unb.br/noticias/bcopauta/index2.php?i=567

               A LINGUAGEM RACISTA e a DIGNIDADE HUMANA
               O objetivo da linguagem do racismo é dizer que a cor da pele indica um falacioso pertencimento de origem à inferioridade congênita da ´raça negra´. Quem aceita essa definição comunga com o ideal do racismo e sonega aos pretos e pardos a dignidade humana. Nessa questão da linguagem, não se pode levar em grande consideração o discurso de militantes racialistas afro-brasileiros, vítimas que são da Síndrome de Estocolmo ao assimilarem a lógica do opressor. Porém, parte significativa, constituída por uma rede de intelectuais seduzidos pelos financiamentos de Foudacion´s e de agências norte-americanas, organizados em ONG´s e em cargos públicos para a defesa do pertencimento à “raça negra” estatal, sabem o que estão fazendo na adoração aos ovos: eles precisam dos filhotes da serpente. Para as Foudacion´s, fertilizadoras dos ovos, o que interessa é nos dividir em “raças” e nos igualar ao que há de pior nos Estados Unidos, nos retirando aquilo que MILTON SANTOS diz ser condição virtuosa.
       Nesta questão da linguagem definidora da identidade dos afro-brasileiros a qualificação da narrativa étnico-antropológica, se racial, vai alterar a própria identidade nacional, cabendo, pois, à academia e intelectuais em geral, fontes propagadoras do conhecimento, zelar pela precisão da linguagem e do conceito nela contida. A academia há de reconhecer seu equívoco na construção desta “raça negra” num marco contextual de trauma e guerra fria, traduzido em pertencimento racial: a maioria de afro-brasileiros não queremos esse pertencimento racial.
       O resultado desse ovo da serpente com a crença ´racial´ e atitudes racistas, de lado a lado, será a violação da dignidade humana dos afro-descendentes, especialmente das crianças e adolescentes que aprendem e não acatam o pertencimento a uma ´raça inferior´. É o que se revela na tragédia social que está afetando aos afro-americanos, conhecida como o niilismo social, denunciada por intelectuais como THOMAS SOWELL, CORNELL WEST, KELVIN GRAY e BARACK OBAMA: neste 2.011, nos EUA, com um presidente afro-descendente, de 40 milhões de afro-americanos, 2,5 milhões de afro-americanos estão nas prisões ou sob custódia da justiça, ou seja 6% da população afro. Embora sejam apenas 12% da população, representam 65% dos presos. Entre os jovens de 16-28 anos a tragédia tem dimensão absurda: 50% dos jovens, do sexo masculino, estão presos ou cumprindo sentenças criminais. Entre a meninas, a gravidez adolescente, as afro-americanas representam 70%. Tais números revelam um futuro desastroso para os afro-americanos. Nós não podemos desejar isso a nossos filhos e netos. Em vez de ensinar o ódio, devemos lhes ensinar o amor, conforme NELSON MANDELA: "Ninguém nasce odiando outra pessoa  pela cor da pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela)
       Destarte, tal identidade e pertencimento racial, como mecanismo de políticas públicas raciais, são geradoras de ódios e inibidores de harmonia social. MALCOLM X, o mais radical ativista afro-americano, compreendeu isso e abandonou a luta racial para fazer a pregação politizada contra o racismo. Num de seus últimos discursos, ponderava: a estratégia do racismo foi nos retirar a inteira humanidade. Agora, lutemos pela reconstrução da nossa dignidade de humanos. Lutamos por nosso direito de humanos. Escreveu sua ´Carta de Meca´ renunciando à política da luta racial afirmando que, doravante, a luta seria contra a miséria e não a luta racial: "Eu estarei com qualquer um, não me importa a sua cor, desde que você queira mudar a condição miserável que existe nessa terra". Foi executado por PRETOS racialistas. O doutor MARTIN LUTHER KING, reconhecido com o prêmio Nobel da Paz pregando a derrubada das leis de segregação de direitos raciais e lutando para que seus filhos fossem respeitados pelo caráter e não pela cor da pele tinha por fundamento um princípio ético fundamental contra o estado racialista: "Uma lei injusta é uma lei humana sem raízes na lei natural e eterna. Toda lei que eleva a personalidade humana é justa. Toda lei que impõe a segregação é injusta porque a segregação deforma a alma e prejudica a personalidade." (1963, Carta da Prisão de Birminghan). Foi executado por BRANCOS que acreditavam em raças e em direitos separados.

São Paulo, 22 de fevereiro de 2011.
José Roberto F. Militão, advogado.
Ativista contra o racismo de qualquer matiz.

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Capitu

Claro, estamos bem melhor que

Claro, estamos bem melhor que os EUA (SQN), onde os negros ao se autoafirmarem pertencentes a uma raça, uniram-se contra uma sociedade branca e opressora, fundando assim as primeiras universidades voltadas só para afroamericanos. Por isso, apesar da maioria carcerária ser de pele preta (realidade similar a nossa), não é difícil encontrar negros médicos, juízes e pessoas de áreas artísticas consagradas. Tanto aqui como lá, jovens negros são socialmente discriminados, são maioria na cadeia, e nas estatísticas de gravidez na adolescência e vítimas de homicídio. A diferença é que aqui resolveu-se simplesmente aceitar o papel que a sociedade tem a  oferecer a cada pessoa  preta, baseado nessa falsa e conformista democracia racial. Concordo que o termo "negro" pode conter em sua origem etimológica um sentido de inferiorização, mas palavras estão sujeitas a flexões históricas-culturais. E por fim, a racialização não é biológica, já que a ciência provou há muito tempo que a raça é uma só, porém existe uma racialização social, e se fazer indiferente a isso, simplesmente se apoiando numa verdade biológica é ignorar os processos símbólicos dos quais estamos sujeitos, façando-nos de indiferentes ou não. Isso não é comprar o discurso do opressor, mas aceitar a força do discurso do opressor para que se possa combatê-lo.

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Henrique Santos

Racialismo hipócrita...

Bastante esclarecedora vossa explanação...especialmente para nós pardos da "Roma Negra", agora, "preta"...que nos sentimos tão discriminados em relação aos ditos "negros", como se fossemos de uma raça inferior...chega a ser irônico!!!

No fundo, no fundo, quem tem dinheiro não entra pelos fundos, seja preto, branco, pardo ou sarará...vale o quanto pesa!!!

E tenho dito.

Já compartilhei.

Abraços!!!!

 

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Darci

Grande lição. Meus

Grande lição. Meus agradecimentos. Vou compartilhar.

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Gilberto Freyre era racialista. Apagou a presença dos negros na cultura erudita do Império para dar a impressão de que as pessoas daquela cor tinham uma "tendência natural" para a subalternidade, inclusive nas manifestações culturais, relegando os negros a aparecerem apenas na cultura popular. Na hora de discriminar ninguém tem dúvida de quem é negro ou não. Já na hora de incluir, promover uma democratização nos espaços de poder, a dúvida surge. Sugiro que o tal "Tribunal Racial" denuciado por essa turma seja composto por empresários, policiais, porteiros de prédios de luxo. Esses nunca tiveram dúvida alguma sobre quem é negro ou não. Poderemos dormir tranquilos sabendo que aqueles que serão incluídos são os mesmos assassinados pela polícia por conta da cor. Ou então aqueles que perdem empregos por conta da cor, muito embora sejam os mais qualificados. Ou então aqueles que são orientados a subir pelos elevadores de serviço. O dia da consciência negra seria, então, sob esse brilhante raciocínio um dia racista? Ou um dia em que os discrimados celebram a consciência e a solidariedade decorrente de um movimento que já tem séculos de historia (o movimento negro)? Esse texto é malandragem disfarçada de intelectualidade.

 

Excelente texto que nos leva à reflexão. Obrigada.

 

Acho importante a discussão teórica, mas acredito que ela não pode e não deve suplantar a prática.

O que se vê, na prática de hoje, é a abertura de várias oportunidades para o crescimento econômico-social das pessoas negras, assim como a constituição de casais multirraciais, que mostra o enfraquecimento, pelo menos, de tal discriminação.

Sobre esta questão preocupa-me outro tipo, que passa despercebido e que é mais cruel por não se fixar em critérios de raça, gênero ou idade: a discriminação econômica. Se você tem uma condição financeira boa você é aceito, independentemente da raça; se não tem, é discriminado.

 

Vigora por aí um certo raciocínio monofásico muito repetido, segundo o qual você negar o racismo é prova de racismo. Não há saída então:


1 - Se você admite ser racista - você é racista.


2 - Se você nega ser racista, é porque pratica o 'racismo sutil', mas, no fundo - você é racista.


Ou seja, mesmo que você não seja racista e não se comporte como tal, você é racista sem saber!!! É um dogma, algo inquestionável!!! Somos todos racistas - está no DNA! Você age com justiça e equanimidade, respeito a todos, tentando não discriminar quem quer que seja, mas é racista assim mesmo!!! É inescapável, alguém determinou assim e não há saída para isso!  Talvez no tempo em que de fato havia essa prática disseminada no país, os negros se sentissem assim também: sou culto, saudável, honesto, inteligente, bem vestido, asseado, belo, mas sou tratado como 'negro' em vez de ser tratado apenas como um cidadão ...


 


 

 

Eu não caio mais nessa armadilha. Quando conheço uma pessoa logo pergunto como ela quer ser chamada se for necessário: negro/preto/afro-descentente/. Na dúvida, chamo sempre pelo nome da pessoa. É mais fácil e não corro o risco de ser interpretado como racista.

 

Não entendo a razão de tantas citações, como se fosse defesa de tese, para falar de assunto tão simples.  Racismo, ou racialismo, com quer o autor, é fato conhecido por qualquer ser pensante.


Mas existem os que gostam de um gongorismo.

 

Olha, concordo que há armadilhas na linguagem. mas peraí.. raça também tem conotaçoes diversas. Pode simbolizar garra, força de vontade, vigor, orgulho.. Enfim, há grupos musicais que exaltam a raça negra.. eu entendo isso não como um alinhamento puro e simples com o discurso tecnico (contaminado do racismo), mas como uma das diversas maneiras de reforçar os laços e dar relevo as características comuns aos ex-escravos..

 

Esse tema é muito relevante pois repentinamente no Brasil passaram a existir somente duas raças.

Branca e negra.Eu considero a extinção do mulato a forma mais hipócrita de racismo.

Eu pergunto:

O presidente Obama é negro porque? O pai é negro e a mãe branca,consequentemente ele é 50%negro e 50% branco.Porque motivo não pode ser branco? Acho essa classificaçaõ a forma mais hipocrita de racismo.Quer dizer que para ser branco tem que ser 100% puro ?por favor se alguem conseguir me convença da lógica dessa classificação.Me lembra o nazismo ou o apartheid essa necessidade de pureza para ser classificado branco,

 

 

 

 

 

Oh Acácio, deixa de ser ignorante .. O presidente Obama é negro sim! Ninguém está "extinguindo mulato" porque o conceito de mulatos já foi descartado.


Mulato é, por definição, a mistura de raças diferentes (mistura do latim mixtu: misturado), porém, pesquisadores já informaram que não existe mais do que uma raça humana, então é óbvio que o sexo entre criaturas da mesma raça não poderá resultar em seres misturados... Existe sim grupos de linhagem ancestral, e no mundo inteiro os filhos de negros com brancos são classificados como negros. Naturalmente o IBGE baseou-se nessas mesmas orientações da genética de populações para classificar os brasileiros pretos e pardos no mesmo grupo étnico-racial. Portanto, isso não é racismo pois existe até um fundamento genético.


Mulato é apenas uma palavra inventada para depreciar as crianças geradas pela constante exploração sexual que as escravas sofriam de seus "donos". O termo originou-se da palavra mula, porque as mulas são híbridos (mestiços) do cruzamento de um animal da raça eqüina com outro da raça asina, e este hibridismo estendeu-se aos filhos de "raça" branca com "raça" negra. Portanto, QUEM INSISTE EM "RAÇAS INTERMEDIÁRIAS" É QUE ESTÁ SENDO RACIALISTA.


"Mulato" nunca foi um dos termos oficiais usados no Brasil; mas 'pardo' sim. Esta palavra foi usada pela primeira vez no Censo de 1872 para apurar quantos negros eram livres e quantos eram ainda cativos... Os negros ainda cativos eram classificados como pretos (miscigenados ou não), e os negros nascidos livres ou forros eram classificados como pardos (miscigenados ou não). Somente em 1950 (quando teve início a auto-declaração) o termo 'pardo' passou a constar definitivamente das opções censitárias, mas sempre destinado a afrodescendentes. Desta forma, pretos são os negros com os caracteres africanos típicos (miscigenados ou não), e pardos são os negros de aparência miscigenada. Logo, pardos sempre foram e continuam sendo membros da população negra.


No Apartheid sul-africano, os negros miscigenados (Coloureds) sofriam com a tirania dos brancos igual aos negros não-miscigenados, mas eram incentivados a sentir-se superiores aos outros negros e a afastar-se socialmente deles. O objetivo era gerar separatismo para minar a força da maioria negra. O regime do Apartheid, assim como suas covardes estratégias de alienação, foram condenados pela comunidade mundial... Esta é a verdade que ficou distorcida em seu comentário.


 

 

Se só existe a raça humana, como é que tentam afirmar tanto a existência de 'raça negra' e 'identidade racial negra'? Me explica! Se o conceito de raça é social e todos somos mestiços, pois somos fruto de interação étnica há milênios, tentar criar uma ou duas 'raças ancestrais' é fantasioso. Obama é branquíssimo por várias razões: estudou em Colúmbia e Harvard, duas das melhores e mais caras universidades dos Estados Unidos e desde pequeno faz parte de um estrato da sociedade que, segundo dizem, é privilégio dos 'brancos'. Então é 'branco' - pelo conceito social - e mestiço pelo conceito de mistura étnica. Etnias existem, mas estão também diluídas. Tentar resumir a complexa teia de relações sociais e humanas em duas identidades raciais é, de fato, extremamente redutor.  

 

Brilhante esse texto,mas já que se fala precisão dos termos,o autor comenteu um leve engano ao se referir aos habitantes dos EUA como afro-americanos;não seria afro-estadunindenses?Poia americanos somos todos nós.

 

Na bandeira da cidade de Ouro Preto consta um dito "praetiosum tamen nigrum"- precioso entretanto negro. É verdade: o tamen é um adversativo. Significa uma contradição implícita na palavra negro e precioso: Libertas quae sera tamen. Cada um interpreta como sente ou como quer. Alguma coisa de alquimia, uma potencialidade de ouro é o que sinto.

Percebo na palavra negro uma dignidade e uma força que estão presentes em nossa cultura brasileira. Admiro mas estou consciente de que não é um sentimento de todos os brasileiros ou daqueles que buscam o significado da palavra com toda a carga de suas vivencias pessoais. A gente ainda chega lá.  

 

O Militão esta equivocado quanto ao conceito preto, e negro,basta que ele faça uma pesquisa e chegara a diferenciação dos termos quem nos mostra esta diferenciação é a antropologa Lilia Moritz Schwarcz  que em seu livro de 1987 Retrato em branco e negro nos,nos deixa claro que preto no seculo XIX era aquele que aceitava pacivamente sua condição de escravo,ou aquele que ao ser apadrinhado por brancos detentores do poder,ao passo que negro era aquele cidadão que rebelava-se contra o sistema escravista estes eram mau vistos pelo sistema escravista e sendo assim hoje em dia ao denominar-se como negro é aquele que ainda rebela-se contra um sistema excludente  que geralmente tem uma cor dileta para impor-se e esta cor é a negra.E deixo aqui para o senhor Militão um livro da Doutora Gislaine Aparecida dos Santos chamado A invenção do ser preto,livro este que tambem nos aponta como os termos raciais foram aplicados aqui no Brasil,se ele acha que a terminologia raça negra é uma invenção da academia brasileira ele esta equivocado pois,estes termos chegaram ao Brasil a partir do contato de nossos intelectuais do Império brasileiro com os ideais iluministas entào o preto é o oposto do branco,e naquele periodo tudo que era bom era branco que representava as luzes e este pensamento foi aqui implntado por pessoas ilustres como Joaquim Nabuco e outros que acreditavam que o fato de ter escravos no Brasil demontravaum atraso,uma incivilidade e não que ter escravos era um ato de desumandidade para com seu semelhante.O que eu digo aqui é que o Militão tenta desvirtua os conceitos para que ainda os preconceitos contra os negros sejam suavez  e assim nào causar um desconforto para aqueles que gozam de privilégios que garanto não são os negros,o discurso do Militão esta alinhado ao discuros daqueles que creem tenazmente que no Brasil nào há racismo e sim preconceito social se partimos desta premissa,o negro sera discrinado duas vezes porque pobreza extrema no Brasil tem cor,ou estou enganado?Fico com a frase que um Professor nos disse em uma palestra que  é verdadeira e cruel;"O negro não é negro porque ele é pobre,mas ele é pobre só porque ele é negro", isto nos mostra como o racismo ainda tem o poder de alijar socialmente  seres humanos negros nào por sua capacidade mas sim por causa da sua cor espero que um dia neste Pais possamos de fato consagrarmos só a questào humana,e não mais racica.

 

 

 

Atribuir a si ou outrem qualificação que o distingue dos demais em função de raça, por si só é um ato discriminatório. Se intitular como da “raça” negra, ariano, judeu, branca, etc. é sim uma forma bastante clara de racismo. O absurdo é que em se tratando de ser humano não existe nada que determine diferença substancial a ponto de se determinar existência de raça que subdivida a espécie humana. Cor da pele, olhos puxados ou não, circunscrição, grupo religioso, não modificam o valor primordial e diferencial da espécie que na verdade esta fundamentada na capacidade de raciocínio existente ou maior que demais animais. 

Sobretudo um ser humano que pertence a uma cadeia genética onde seus integrantes tenham obtido maior informação, que no meu entender é a base do raciocínio, pode ter maior capacidade de desenvolvimento de outra que não, mas isso pode ser eliminado com facilidade com a miscigenação, com educação principalmente, e não com a separação motivada pela formação de grupo.

Eu acredito por exemplo, que o neto de um ministro de cor da pele escura, gerado pelo casamento de sua filha com um individuo de pele branca sem qualquer cultura ancestral, vai conter mais memória genética e por conseguinte maior capacidade de raciocínio de seu vo materno do que seu vo paterno, isso se a filha do ministro não carregar frustrações da atividade de seu pai e promover mudança do individuo que gerara. Evidentemente que isso é o que eu acredito e também, não é tão simples assim.

Acredito também que todos nós temos sim um ancestral africano, conforme a ciência sempre proclamou, e talvez essa seja a primordial diferenciação da origem dos grupos. Quem se acomodou e ficou e quem resolveu buscar algo melhor e por conseqüência se submeteu a um maior numero de experiências e até interferência externa do valor genético, em função de clima, tipo de alimento, etc. tendo como resultado nesse ultimo caso, algumas modificações como cor da pele, formato das pálpebras, etc. O fato mesmo é que não se pode afirmar que o africano de origem é mais inteligente que o africano nômade, já que os padrões de inteligência nem sempre tem em mente a capacidade básica de raciocínio e sim a capacidade acumulativa de informação com base em valores definidos pelos nômades. Exemplificando de forma bem radical pergunto, quem sobreviveria em uma savana africana, um nativo ou um nômade. É lógico que o nativo terá muito mais probabilidade de sobrevivência em igualdade de condições, logo o mais inteligente nessa situação é quem supera os obstáculos e sobrevive. De forma resumida, os grupos se formarão na medida que os nômades foram se estabelecendo e formaram grupos e outros continuaram nômades.

Outra coisa que acredito é que somos uma mistura de animal e algo mais. O animal é instintivo, ou seja, não raciocina, tem um impulso e age. Já o algo mais, tem o impulso, pensa, mas antes de agir raciocina.  Um leão instintivamente não vai acasalar com um tigre já que tem em si um sistema de proteção da espécie. Pelo contrário, ira atacar o tigre já que esse concorre alimento. Já o ser humano precisa se definir se quer ser mais animal ou mais “algo mais”. Qualquer um ira olhar para um individuo de características diferentes e instintivamente em função de sua parte animal, memória genética, ira repudia-lo tendo em mente preservar a sua herança genética, seu grupo, mas só aqueles que a parte “algo mais” se faz presente, ira antes de repudiar perceber o valor que a outra parte pode acrescentar em sua evolução genética, e sem dúvida esse valor não é a cor da pele, é a inteligência da outra parte e de seus ancestrais, é seu conhecimento e sua capacidade de acrescentar. 

O remédio da questão portanto é juntar e não dividir. Não quero dizer com isso que temos que sair por ai casando crianças de pele escura com pele clara e tão pouco impedindo, quero dizer que aqueles que notoriamente estiverem com atraso de informação genética em função de sua história em pouco tempo corrigem isso roubando da outra parte informação, cultura e as experiências registradas de sua odisséia nômade.  Ta tudo nos livros, é só saber como fazer as crianças aceitarem essa informações de forma espontânea e preservarem isso em sua memória genética e isso sem dúvida não vai ocorrer dançando fanck, rock ou assistindo novela da rede bobo. Em vez do ministério da cultura gastar com filmes imbecis um monte de porcaria que ninguém assiste, só porque tem artista da rede bobo. Patrocina filme educativo bem dirigido, viagem das crianças com melhores notas pelo mundo. Caça talentos não pra futebol, teatrinho, musica, mas pra produção. Descobre os garotos que gostam e tem aptidão pra engenharia e mostra o engenheiro construindo grandes obras. Põe os meninos que tem talento pra vivenciar a vida de quem é bom na matéria.  Patrocina de fato o que tem melhor em nossa sociedade independente de cor ou credo e mostra o mundo real, produtivo. Se o menino não ta indo bem, investe nele, descobre pra que ele serve.

A humanidade não evolui porque um povo é mais inteligente que outro, isso não existe, a humanidade evolui por que no meio de um milhão tem lá um sujeito que tem talento pra conduzir o resto e seu grupo lhe da condições de servir os demais com seu talento.

  

 

  Olá Caríssimos,

     Já foi o tempo em que eu achei que o pensamento do Magnoli servia de alguma coisa nesse país...na época em que as escolas usavam o livro didático dele. Quanto ostracismo... A desigualdade começa por aí, por achar que se classificam as pessoas am A.B.C.D, segundo conceitos sociais e políticos. Todos merecemos ter iguais condições para exercemos nossa cidadania não por conta da cor da pele, mas porque somos seres humanos, da uma única raça: a Raça HUMANA.

     Biologicamente, o que define RAÇA é basicamente: Isolamento reprodutivo e nº de genes iguais. Ou seja, se negros, índios, orientais e ocidentais não fossem da MESMA RAÇA, elas não se reproduziriam. A mesma medicina que cuida de Judeus, cuida de europeus católicos, de indianos, índios, negros e por aí vai. Quando falamos de SER HUMANO, o discurso de "raça" é rídiculo. Somos todos HOMO SAPIENS SAPIENS, somos todos da mesma raça, contudo, com padrões de expressões dos genes, diferentes. Por exemplo: Gene para cabelo, pode ser dominante (AA), recessivo(aa) ou ter a expressão dominante tendo também o gene recessivo (Aa). Então, o cabelo pode ser enrolado, liso, ondulado, grosso, fino, claro, escuro.

      Conforme a herança que recebemos de nossos pais (sim porque como são sempre pares de genes, por exemplo no caso "Aa", um veio da mãe e outro do pai), os genes têm expressão fenotípica (aparência, cor da pele, tidpo de cabelo e por aí vai) mais ou menos intensa.  Pessoas de pele mais escura, são pessoas cujos ancentrais viviam em regiões muito quentes, com muito sol, como por exemplo nos desertos. Evolutivamente sobreviveram nesse ambiente, pessoas de pele mais escura. Como cada região geográfica do mundo têm características climático-ambientais específicas, sobreviveram nelas os nossos ancentrais que já tinham caracteríticas que os permitiam viver ali. Como a locomoção a diferentes países era difícil, se formou grupos humanos com características físicas (fenotípicas) específicas, o que são conhecidos como GRUPOS ÉTNICOS.

        Com o desenvolvimento das civilizações e a mistura dos grupos étnicos, com organizações políticas e religiosas, crescemos achando que Negro é Raça, Italiano é Raça, Japonês é Raça, Índio é Raça... Quem ainda discute e acredita nisso, ou é desinformado ( e não faço juizo de valor nisso, pq muitas pessoas não tiveram acesso ao conhecimento) ou é Mau - Caráter mesmo (aqui faço juizo de valor... não consigo aceitar que um sujeito como o Magnoli, tão estudado, ainda faça esse tipo de textículo)...

        Raça é biológica. RAÇA HUMANA - HOMO SAPIENS SAPIENS - SOMOS TODOS NÒS. Nossa etnias e nossos genes foram amplamente misturados, mas somos a mesma raça. Não cabe Discussão política num conceito biológico tão simples e tão direto. Quem transforma negros, latinos, nordestinos, pobres, asiáticos, indianos e etc em outra RAÇA são "os mesmos "humanos" seduzidos  pela vaidade e pelo poder de acharem que existe gente do tipo A, B, C... Discursinho chulo de classe, em ODE a Casa Grande e Ódio pela Senzala não aceitar mais o Chicote do SR. DOUTÔ nas costas...

       A discussão tem que avançar... todos devemos ter condições iguais de exercer nossa cidadania, Equanimidade e não igualdade de direitos, não por sermos negros, brancos, pobres ou ricos, mas porque somos todos SERES HUMANOS.

       Abraços!

 

 

Grande confusão no circo, soltaram os leões!!

Preconceito? Sim existe e não é só com negros/pretos (negro safado) , é com amarelos (o japa, o china) , o branco (judeu sovina, alemão nojento, italiano carcamano) , o verde (turcão safado) , o bronze (indio preguiçoso) e se tiverem homens com outras cores também receberão um "codinome". O que precisamos saber é como o homem pode exterminar as diferenças entre si através do respeito entre desiguais, em suma como chamar papagaio de "meu loro".Sou uma pessoa que como diz o personagem do filme " A Vida é Bela" - não gosto dos visigodos e das aranhas e a estes não permito que compartilhem minha existência, aos demais permito e tenho apreço de sua companhia.

Mas, como soltaram os leões vamos tentar saber o que significa ser de uma cor diferente daquela que a sociedade abrangente possui. Ser branco europeu na China ou no Japão não é fácil não, ser negro/preto na Alemanha/Japão quem me dera ser brancão.. ser verde nos EUA é perigoso pra xuxu...

Me parece que a situação aqui nas paragens do Brasil, está mais amenizada com relação às outras cores mas com relação à cor negra ainda vivemos o rescaldo da escravidão, então acho que a educação pode melhorar essa situação, quando tivermos em todos os PS médicos negros, no forum muitos juízes e promotores negros,na diplomacia muitos diplomatas negros , na construção civil muitos engenheiros e arquitetos negros e assim vai em todas as profissões chamadas "nobres" teremos que rever o pré-conceito de incapacidade vinculada à cor do indivíduo, portanto não vejo outra saída que não a educação formal para ao menos diminuir essa correlação.

 

proponho uma solução para o assunto das cores de pele em geral: o número do pantone.

lembro bem da resposta que o meu filho de tres anos deu a um amigo que lhe perguntou qual a cor do jogador X. ele resondeu: bege.

minha cor (no pantone) é um bege numero 468u

 

Os biólogos já mostraram que o conceito "raça" não existe para humanos - não há diferença no ADN de um chinês do Tibet e de um caipira do Texas.. A insistência nessa diferença é ódio. Raça existe para cães e pássaros. Não para humanos. Isso, infelizmente, não impede que o racismo exista.

 

Adão e Eva viviam no Paraíso em unidade, em comunhão. Apesar de homem e mulher não havia a linguagem pois não havia necessidade de mediação entre eles uma vez que viviam, repito, em COMUNHÃO. Só após a instigação do "capeta" para notar as diferenças é o caos começou. Daí Adão se cobriu e Eva também, porque passaram a se considerar diferentes. Foi o início do caos.

A linguagem aparece, então, como recurso humano necessário para mediar as relações humanas, como necessidade de buscar a UNIDADE perdida. Quem enxerga a diferença e a fomenta, instiga a desintegração do tecido social. Nós somos as NOSSAS ESCOLHAS e não o que o Estado nos impõe com Leis mal-feitas afirmando as diferenças e aprofundando, assim, a secessão social. Devemos buscar a igualdade nas recompensas de nossas condutas meritosas e não a partir de uma afirmação artificial construída pelos intelectualóides que insistem em diferenças A PRIORI.

O homem é um ser do Mundo. O mundo se constrói com as palavras. Com a  palavra buscamos a adesão do próximo às nossas idéias, ou seja, a busca inconsciente e humana da UNIDADE . Se a palavra afirma a diferença, estamos alimentando o resultado nefasto que é o separatismo, o ódio social, o caos.

Não precisamos de Leis que afirmem as diferenças. Precisamos olhar para frente e deixar de lado a culpa que alguns insistem em afirmar ser nossa, mas que não passam de fatos nos livros de história, pertencentes a outros seres humanos que já há muito deixaram esse Mundo.

Nossa conduta nos define...busquemos a UNIDADE através de nossas iniciativa de inclusão do próximo em nosso Mundo,  pois a melhor "arma" que temos ainda é a palavra e nossa conduta.

Somos iguais quando afirmamos e defendemos por ações as mesmas recompensas pelos mesmos méritos independentemente de cor, "raça", religião ou inclinação sexual...

Não alimentemos as diferenças. A palavra já apareceu no Mundo justamente como remédio mitigador das diferenças originais, as que não controlamos. Não aprofundemos isso entre nós. Vamos usar nossa palavra para aproximar e buscar a unidade perdida e não o contrário.

Walter Rodrigues Filho

Advogado

www.walterrodrigues.com.br

 

Essa foto publicada no conversa afiada é surpreendente: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/03/07/racismo-no-brasil-a-historia-de-uma-foto/

 

Acho um erro colossal caracteriza o tema desse modo. Quer dizer: durante quatro séculos o termo raça foi utilizado a rodo para legitimar a dominação branca e agora, quando os movimentos negros estão conseguindo políticas públicas efetivas (terras para descendentes dos quilombolas, cotas nas universidades, etc.) para reverter a brutal desigualdade racial brasileira, não se pode mais falar de raça? Raça é uma categoria social e política, não biológica e é, sim, necessária para a emancipação dos negros no país.

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

Revolução Quilombolivariana! REQBRA

e o verdadeiro povo brasileiro apóia e é solidaria ao grande líder libertador Muammar Kadafi  na luta e soberania do povo líbio ao contrario da mídia e a elite dominante fascista e judaica sionista brasileira,que apóia e torce por Hordas imperialistas piratas predadores assassinos dos EUA e OTAN, querendo colonizar a África e saquear o petróleo da Líbia,o Pré-sal e Amazonas do Brasil. muammarkadafibrasileiros.blogspot.com           [email protected]

Viva Zumbi! Viva Brasil Venceremos!
Ao Nosso Povo! Viva Libia Viva Brasil l! Venceremos!

Revolução Quilombolivariana e bradaram Vivas! a Simon Bolívar Viva! Zumbi! Tupac Amaru! Benkos BiojoS! Negra Hipólita! Sepé Tiaraju Alicutan! Sabino! Elesbão! Luis Gama, Lima Barreto,Cosme Bento! José Leonardo Chirinos ! Antônio Ruiz,El Falucho! João Grande e Pajeú ,João Candido! Almirante Negro! Patrice Lumumba! Viva Che! Viva Martin Luther King! Malcolm X! Viva Oswaldão Viva! Mandela Viva! Luiz I.Lula da Silva, Viva! Chávez, Vivas! a Evo Ayma! Rafael Correa! Fernando Lugo!José Mujica(El Pepe)!fViva! a União dos Povos Latinos afro-ameríndios,! Viva Dilma! Muammar Kadafi!

1º de maio 2011 - 3º Ano Viva! REQBRA!

Os Trabalhadores do Brasil e de todos os povos irmanados.
Movimento Revolucionário Socialista (Seja um,uma) QUILOMBOLIVARIANO 
[email protected]
Organização Negra Nacional Quilombo
O.N.N.Q. Brasil .Fundação 20/11/1970
Por Secretário Geral Antonio Jesus Silva

 

 

 

 

 

 

Revolução Quilombolivariana! REQBRA

e o verdadeiro povo brasileiro apóia e é solidaria ao grande líder libertador Muammar Kadafi  na luta e soberania do povo líbio ao contrario da mídia e a elite dominante fascista e judaica sionista brasileira,que apóia e torce por Hordas imperialistas piratas predadores assassinos dos EUA e OTAN, querendo colonizar a África e saquear o petróleo da Líbia,o Pré-sal e Amazonas do Brasil. muammarkadafibrasileiros.blogspot.com           [email protected]

Viva Zumbi! Viva Brasil Venceremos!
Ao Nosso Povo! Viva Libia Viva Brasil l! Venceremos!

Revolução Quilombolivariana e bradaram Vivas! a Simon Bolívar Viva! Zumbi! Tupac Amaru! Benkos BiojoS! Negra Hipólita! Sepé Tiaraju Alicutan! Sabino! Elesbão! Luis Gama, Lima Barreto,Cosme Bento! José Leonardo Chirinos ! Antônio Ruiz,El Falucho! João Grande e Pajeú ,João Candido! Almirante Negro! Patrice Lumumba! Viva Che! Viva Martin Luther King! Malcolm X! Viva Oswaldão Viva! Mandela Viva! Luiz I.Lula da Silva, Viva! Chávez, Vivas! a Evo Ayma! Rafael Correa! Fernando Lugo!José Mujica(El Pepe)!fViva! a União dos Povos Latinos afro-ameríndios,! Viva Dilma! Muammar Kadafi!

1º de maio 2011 - 3º Ano Viva! REQBRA!

Os Trabalhadores do Brasil e de todos os povos irmanados.
Movimento Revolucionário Socialista (Seja um,uma) QUILOMBOLIVARIANO 
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Organização Negra Nacional Quilombo
O.N.N.Q. Brasil .Fundação 20/11/1970
Por Secretário Geral Antonio Jesus Silva

 

Acredito que os males sociais não são algo exclusivo de uma classe de pessoas que serão eternamente vitimas de suas peles e traços negróides..
Nao acredito em movimentos de iguais,onde na ausência da diferenças de identidades individuais não se atinjam um real propósito de igualdade...Criando somente frustração,separação e profunda ignorância!
Quero sim, ter liberdade de expressão de afirmar que o negro Brasileiro não e "coitado" e nem vitima da sociedade!

O meu ideal e sobre a identidade do negro Brasileiro...

 Sou constantemente criticada por grupos e pessoas que não toleram a existência dos meus ideais, nada comuns, sobre a real identidade do negro Brasileiro.
De não me ver como estrangeira no Brasil  de promover a igualdade e não me aproveitar da pigmentação da minha pele para benefícios financeiros,políticos e sociais...Me rotulam da "negra da casa grande" que sou sujeitada ao "brancos" isso em um pais mestiço,colonizado como o Brasil!

Estou sozinha nesse difícil projeto...difícil, por que vou contra a maré do óbvio do politicamente correto!
Investigo a minhas origens e realidades com sede de respostas concretas sobre a minha realidade.
Quero mostrar ao Brasil, que vivemos um momento de profundas transformações sociais e económicas;mas, que não podemos permitir que esse trajeto de elevação da nossa realidade, seja somente alimentada por ideais opressores e sensacionalistas de movimentos e grupos opressores, que proíbem a classe humana pensante desse pais  de gritar contra a manipulação social da capacidade individual de possuir a sua própria característica intelectual,moral e pessoal!

"Sou do povo,não faço parte da elite intelectual do Brasil,sou Negra com Alma de Brasileira!"www.etniabrasileira.com.br

 

Jura que esse texto todo tem, no fundo, a intenção de trocar o termo "negro" por "preto" e supor que assim se resolve o problema?

 

Ainda custo a acreditar que o advogado Roberto Militão entre nessa de tentar abolir a palavra negro do vocabulário. Ele foi antinatural um certo tempo e agora volta com força e gera seus inimigos. O cara tem uma visão de direita. E como tal não aceita que o negro  e a palavra negro sejam reconstruídos socialmente, ganhem novos significados e sejam valorizados social e culturalmente, a fim de romper as barreiras raciais. Barreiras que foram instituídas inclusive na liguagem e nos discursos, como no de Militão, que parece esquecer intecionalmente que todos nós negros perdemos o adjetivo "alforriado" ou "liberto". Nossa negação como negro (que remete à origem africana) esteve associada a esse tipo de qualificação de que a área jurídica vaz vasto uso., ou seja, para não se dizer o que realmente é, cria-se uma identidade social.. Por isso Militão, que vem da área do direito, tem tanto pudor em ser qualificado de negro. O rei ficaria nu, seria tão negro como qualquer negão retinto.  Embora isso não  nos impeça de ter  descendentes com olhos verdes. Essa comparação com o nazismo não só é uma estupidez, mas pobreza intelectual. Ele força a barra do discurso anticotas com uma linguagem radical conservadora. Militão desfila com a cesta cheia de ovos de serpente e sai distribuindo como se fosse algo inocente, floreada com semântica positivista. A direita detesta qualquer discurso que os identifique com causas de classes sociais e com uma história de lutas, no caso, a dos negros no Brasil. Sugestão: use lentes de contato verdes. Quem sabe assim o senhor Militão deixa de ver pêlos nos ovos...

 

Humberto Miranda

Link Interno:

 

Cidade Mais Negra do Brasil. "Ó Quão Dessemelhante..."!

 

          WEDEN,

          ´Negro´ é designação racial, criado na universidade. É manipulação estatística e você sabe disso. O movimento negro é que tem induzido o IBGE a classificar, de forma artificial, a soma de pretos e pardos na condição ´racial´ de negros. Insisto que a regra da antropologia deva prevalecer: a narrativa do grupo social é que tem que prevalecer e em nossa narrativa, não temos pertencimento racial e preferimos nos identificar pela cor e também pela afrodescendência em razão da influência cultural que preservamos.

            Os afro-americanos que não tiveram preservado nenhum vínculo cultural-tradicional-religioso, é que abraçaram o pertencimento racial e estão pagando caro, caríssimo por isso.

            Os números são piores do que você citou. Não são 1 em cada 10 jovem preso. Em 2010, são cerca de 50% dos jovens masculinos de 16-28 anos. São 2,5 milhoes de afro-americanos nas cadeias, são cerca de 6% da população. Entre as meninas, a gravides adolescente são 70%. Uma tragédia. Embora sejam 12% da população representam 65% nas prisões. Isso em 2011, com OBAMA presidente. Não é REAGAN, é um afrodescendente o presidente.

             O pertencimento racial significa a perda da auto-estima dos afro-americanos. Reveja o vídeo das crianças pretas x bonecas. É triste ver a total falta de auto-estima e aculpa disso é da crença racial dos afro-americanos. Uma criança que seus pais, professores, tios e avós ensinam o pertencimento a uma ´raça negra´ e que na rua, na escola, vai aprender que essa é a ´raça inferior´ será uma criança violada em sua própria dignidade humana.

http://www.youtube.com/watch?v=DDO3RrxmCeQ

           Em 1991 ou 92, participei de um debate no IBGE/RJ sobre isso. O movimento negro ligado a Foudacion´s queria substitui pretos e pardos por ´negros´. Eu resisti a isso. Queriam também retirar o quesito ´cor´ e ficar somente ´raça´. Consegui que mantivessem a ´cor´ e ficou portanto o quesito cor/raça. Tudo isso, WEDEN, é um esforço racialista que me oponho.

           Outra coisa: é uma sacanagem que sempre diante de meus argumentos, meus opositores sacam da cartola KAMEL e MAGNOLI, que entraram neste debate a 3 ou 4 anos, enquanto estou nisso fazem 30 anos. Isso é sentimento de inferioridade - já é efeito do racialismo - acharem que um afro-brasileiro não tenha a capacidade mínima de ter sua própria elaboração. É uma sacanagem racialista. Isso irrita...

           Por fim, ´negro´ foi sim uma opção política levada para o movimento negro pela universidade. Através de jovens afro-brasileiros que chegavam na universidade nos anos 1970. Eu participei disso e apenas evolui ao perceber a armadilha, que ainda considero involuntária. É o que hoje, reputo como uma decisão política ruim. A universidade naquele momento, de guerra fria, pós nazismo, estava equivocada.

           Ainda, concluindo, afirmo que não é coincidência o aumento da violência contra nossos jovens. Exatamente a partir de 2002, quando as políticas sociais do governo Lula, reduz a miséria entre os afro-brasileiros, o início de políticas públicas raciais já está produzindo o veneno: mais racismo, e mais violência ´racial´.

           Ou você acha que os governos do PT (Bahia, Sergipe e Piaui) ou do meu PSB (Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte) sejam governos racistas determinados ao extermínio racial?

            Ora, WEDEN, abra teus olhos e fértil cérebro para ver: políticas raciais, que tem no pertencimento à raça ´negra´ sua simbologia, será desastrosa para os afro-brasileiros mais pobres, exatamente aqueles que não participam desses debates. São exatamente aquela maioria que nao tem identidade racial que serão as vítimas dessa política desastrosa.

abraço,

Militão.

 

 

Nossa, Militão, agora tenho que fazer uma intervenção menos concessiva.

Dizer que o conceito sociológico de raça e a denominação "negro"  são os culpados  diretos pelo aumento da mortalidade dos negros é forçar um pouco.

Lógico que não. Foram as políticas neoliberais de punitividade exacerbada, em substituição às medidas sociais que levaram a isso.

Nos EUA, foi Reagan quem inaugurou o que já se chamou de Era do Grande Encarceramento, onde um negro, entre 20 e 34 anos,  em cada nove está preso.

Ora, este é o mesmo Reagan ao qual se filiaram, infelizmente, intelectuais negros ultra conservadores, como Sowell.

Ou seja: Sowell apoia um tipo de política que, em ultima instãncia, é a responsável pela violência extrema contra os negros norte-americanos.

Isso não tem nada a ver com a denominação, a terminologia, ou coisa que o valha. Estão presos por uma ideologia de violência contra o negro, não propriamente por uma questão de designação.

Aliás, é um besteira sem tamanho ignorar o adjetivo "negro" por sua vinculação à noção de raça (biolõgica) negra, inaugurada no XIX.

Mulato vem de mula, e nem por isso deixamos de usar de forma positiva.

As palavras são dinâmicas semanticamente, e historicamente "negro" se estabeleceu como não se referindo a raça mas ao conjunto do que o IBGE chama de pretos e pardos (este sim equivocado, pois a expressão "mulatos", apesar da origem,  ou "negros mestiços" ,seria o melhor).

Afro-descendente e afro-brasileiro são termos, embora utilizáveis, imprecisos. Porque comete alguns pecados históricos:

1. Reduz a africanidade a um conjunto imprecisso e redutor de origens.

2. Ignora completamente os percursos históricos da diáspora.

Entenda que este argumento utilizado por Ali Kamel e Demétrio Magnoli não tem qualquer objetivo de contribuir para o debate. Pelo contrário.

A ideia é desfazer a noção de que temos 44% de negros, para que não precisemos fazer nada mais e aceitar sem qualquer crítica os 6 % de negros nas redações dos jornais, ou nos elencos das novelas.

Vai por mim: Demétrio Magnoli, Ali Kamel e Sowell não são boas companhias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

          NILVA, saudações.

          Você tem razão que ´raça´ foi uma decisão ´política´ dos anos 1970. Fiz alusão a isso, tanto com a citação de FLORESTAN quanto do saudoso CLOVIS MOURA, além da acertiva da doutra FÁTIMA DE OLIVEIRA.

          Porém, a questão que coloco não é adjetiva. É substantiva. Compreendi nestes trinta anos que a adesão à ´raça negra´ naquele momento, auge da guerra fria, tinha um sentido político que já não tem significado. Naquele momento era o da denúncia do racismo, até então subalternizado à ideologia da democracia racial. Isso foi feito, com sucesso.

        Todavia, superada a questão da denúncia e desmitificação da ´democracia racial,´, o próximo passo seria a destruição do conceito de ´raça´. Porém o que vemos é que setores do movimento negro, incentivado pelas Foudacion´s, resolveram aprofundar a crença no pior sentido: nos impor um pertencimento racial que não temos e não queremos, pela maioria.

        Agora, aprofundar esse pertencimento racial, ao ponto da defesa da segregação de direitos raciais, é um equívoco, que representa o ovo da serpente: vamos produzir mais e mais racismo. Esse é o equívoco.  Decorridos tantos anos, duas gerações, não obtivemos avanços na destuição do racismo. Considero o racialismo estatal um grande e ameaçador retrocesso pois em vez da destruição da crença em ´raça´, é o estado acolhendo e legitimando a divisão humana com o falacioso conceito da ideologia racista. Nesse conceito da divisão humana, há uma hierarquia racial, e nessa hierarquia presente uma raça superior e também a ´raça inferior´ que o racista, la no século 18, disse ser a ´raça negra´.

         A notícia do ´mapa da violência´ nos traz um dado revelador disso. A partir da adoção de políticas públicas raciais, em 2002, os números já revelam a crescente a violência institucional contra os jovens daquela que seria a ´raça inferior´. Não é coincidência. É reflexo. Isso não é adjetivo, é uma realidade concreta.

           Veja os dados abaixo. A partir de 2002, quando o Brasil retirou 40 milhões da miséria, dos quais 80% são afro-brasileiros, os índices da violência contra o jovem preto/pardo mais que dobrou. É um cenário de ´extermínio´ diz o documento oficial no site do Planalto.

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,morte-de-jovens-negros-tem-ce...

 

"Negros e jovens. A partir de 2002 fica evidente um forte crescimento na vitimização da população negra. Se em 2002 morriam proporcionalmente 46% mais negros que brancos, esse percentual eleva-se para 67% em 2005 e mais ainda, para 103% em 2008. Assim, morrem proporcionalmente mais do dobro de negros do que brancos.

Segundo o Mapa da Violência/2011, isso acontece porque, por um lado, as taxas de homicídios brancos caíram de 20,6 homicídios em 100 mil brancos em 2002 para 15,9 em 2008. Já entre os negros, as taxas subiram: de 30 em 100 mil negros em 2002 para 33,6 em 2008.

Entre os jovens, esse processo de vitimização por raça/cor foi mais grave ainda. O diferencial (índice de vitimização) que em 2002 era também de 46% eleva-se para 78% em 2005 e pula para 127% em 2008. Mas essas são médias nacionais.

"Esmiuçando os dados, vemos que há estados como Paraíba ou Alagoas em que por cada jovem branco assassinado morrem proporcionalmente mais de 13 jovens negros (13 em Alagoas, mas são 20 na Paraíba", descreve o Mapa."

        Portanto, minha reiterada denúncia, é que o racialismo no século 21 tem sido prejudicial aos afro-brasileiros, pois quanto mais se legitima a idéia de ´raça´, mais forte ficará a idéia da raça ´inferior´ com menor direito às garantias fundamentais. Em toda sociedade com a cultura de ´raças´ isso tem acontecido e não podemos desconhecer a história. Aliás, os números que atingem os afro-americanos são ainda mais cruéis do que os nossos números.

abraço, Militão

 

 

 

 

Gunter, no final dos anos 70, nós  hoje chamados afro-descendentes,  escolhemos o termo NEGRO como identidade para cunhar os movimentos nos quais militávamos porque a palavra PRETO não nos parecia ter a força de que precisávamos para  um movimento de afirmação da RAÇA.

Raça sim, porque a grande maioria dos militantes a favor de ações afirmativas sabe que raça como conceito biológico não existe, mas está presente como construção histórico-cultural e sociológica e é desta forma que o racismo/preconceito é reproduzido e perpetuado nas relações sociais. Todos sabemos que o que é visto (cor da pele, cabelo, biotipo) são motivos de exclusão desde o mais simples emprego a principalmente os grandes centros de poder, independentemente de qualificação.

Eu prefiro ser tratada por NEGRA ou preta a ser chamada de afro-descendente que, pode ser uma rima, mas não é uma solução..kkk

Mas, para o Militão, as reais preocupações são as adjetivas.

 

Mas, Militão, nós estamos com grandes problemas.

SOBRE TERMINOLOGIA

É importante saber qual o melhor termo a usar, ninguém questiona isso. Também é sempre preferível que as pessoas digam como preferem ser chamadas.

Por exemplo, sempre que me perguntam qual o melhor modo de se referir a homossexuais em debates sérios digo que é “gay” mesmo, pois, na minha opinião (que pode não ser consenso entre gays, mas desconfio que quase), “homo-“ é um pouco pernóstico, os termos usados até os anos 80 são muito vinculados a depreciação, os termos mais recentes (biba, p.ex.) não são muito para situações sérias... Qualquer dia vou perguntar pra Vange como as mulheres homossexuais preferem ser chamadas em blogs, fico sempre em dúvida também.

Enfim, é justo que os grupos se auto-identifiquem se essa opção for possível. Certamente ninguém se oporá a um termo ou outro.

Mas não há esse consenso ainda!

Se percorrermos os comentários e tentarmos identificar pelo comentário ou foto quem é afro-brasileiro, poderemos ter a impressão que muitos usam o termo negro com naturalidade.

Você cita a pesquisa do IBPS para justificar a posição contrária a cotas raciais (63% são contra), mas todas as perguntas nessa pesquisa usam a palavra negro! Preto apenas aparece na referência à autoclassificação no IBGE, já que é assim no Censo.

O feriado de 20/novembro em muitas cidades é o Dia da Consciência Negra. Por que não é Dia da Consciência dos Pretos? Não foi questionado isso nas câmaras municipais no momento da implementação? Que seja questionado agora então!

Entrei no site da Cultura para ver como são os títulos dos livros. Não prova nada, talvez seja até consequência do racialismo da academia do século XX. Mas há 27 livros com negro no título nas estantes de sociologia e antropologia e apenas 2 com a palavra preto. E parte substantiva dos autores são presumivelmente pesquisadores afro-brasileiros.

Temos um Ministério da Integração Racial que poderia discutir isso com organizações ou associações representativas. Houve discussão a respeito?

A revista Raça Brasil usa os termos “movimento negro” e “militância negra”.

Então, estamos com um problema. Duvido que algum humanista branco/caucasiano faça questão de usar um termo ou outro, eu usaria de bom grado o que for considerado mais correto, mas seria útil que os próprios afro-brasileiros se posicionem primeiro.

Talvez a restrição ao uso do termo negro não elimine as construções culturais de raça, pode muito bem levar ao surgimento da equivocada concepção de “raça preta”. Os norte-americanos não inventaram a “raça hispânica”? A terminologia é apenas um passo, portanto.

SOBRE COTAS

Isto exposto, aproveito para dizer porque sou favorável a cotas raciais em algumas situações e cotas sociais em outras.

Para conquistarmos a indiferença pretendida (que significaria uma situação hipotética e futura de ausência de preconceitos e igualdade generalizada de oportunidades) é necessário antes reconhecer que vivemos em uma sociedade muito desigual e buscar a igualdade. Para isso serão necessários diagnósticos e caminhos.

Um primeiro diagnóstico seria que a desigualdade (e os preconceitos) são apenas sociais. Mas isso aparentemente é improvável. Quando se fazem associações entre as categorias nas quais as pessoas se intitulam com os dados de renda, patrimônio e escolaridade, bom, fica claro que há uma grande disparidade. Em relação a dados de violência essa clivagem aumenta, em relação a dados de saúde, é menor.

Sabemos que há racismo além da desigualdade social, tanto isso é reconhecido que há leis específicas para puni-lo. E os inúmeros exemplos de casos em bufês, shoppings, supermercados nos deixam consternados, pois nos episódios relatados ficou evidente que não se tratava de preconceito de classe.

Então, saber que existem construções sociais de raça que levam a preconceitos é parte do problema. E tratar a questão apenas como social subdimensionaria parte da história, especialmente a supressão de oportunidades, para afro-brasileiros, de aprendizado e acumulação de patrimônio entre a abolição e o início da industrialização. Não houve tentativa de reduzir diferenças sociais naquela oportunidade, ao contrário, houve a importação maciça de imigrantes, já com um mínimo de escolaridade, resultando em uma cunha social interposta entre a elite e a maior parte dos afro-brasileiros.

O fato do Brasil ser um país pobre e subdesenvolvido, com a presença evidente de muitos brancos pobres, permitiu (o que eu julgo ser) uma tergiversação em torno do problema.

Se insistirmos em tratar a questão das diferenças entre brasileiros apenas como sociais, o que poderemos ter? Cotas sociais, transferências unilaterais de renda e medidas assim já não são mais tabu, antes tornaram-se consenso na nossa sociedade. Muito bom, mas resolve apenas em parte.

Eu desconfio seriamente do seguinte : se ficarmos com políticas negando a construção social de raça (ou racialismo) veremos que todos os segmentos inferiores de renda melhorarão de vida. Excelente isso, claro, haverá uma grande incorporação de mão-de-obra capacitada e famílias consumidoras para uma sociedade pujante (capitalista ou socialista, nem importa aqui.) Veremos muitos indicadores melhorando : mais alunos de escolas públicas frequentando universidades, menor concentração de renda, menor percentual de miseráveis, etc, etc.

Mas já li comentaristas imaginando que será nesse momento, em que uma significativa classe média afro-brasileira existirá e disputará espaços na economia, na política e na academia, que os conflitos surgirão. E tendo a concordar que isso é um receio justificável. A ascensão social talvez não mitigue o racismo, pode até reforçá-lo. Sendo otimista esperaremos que não, mas, conhecendo a história brasileira, é mais provável imaginar que sim. Um exemplo : haverá momentos de desemprego no futuro, e, na presença de candidatos de cores diferentes, quem terá mais chance de ser contratado?

Uma outra coisa que poderá ser medida no futuro se adotarmos apenas esse caminho, do “social” : nesse processo de inserção e ascensão social é muito possível que as atuais famílias em classes D/E de brancos ascendam mais rapidamente a C/B que as famílias de afro-brasileiros. Torço para estar enganado, mas meu receio é esse, que haja uma evolução geral que mascare o problema, mas que mesmo essa evolução seja desigual e insatisfatória.

Enfim, é algo a ser pensado. E, nesse sentido, por que não pensar em cotas raciais para efeitos de afirmação? Ou, pelo menos, para preparar o terreno para a sociedade que pretendemos? Não são apenas as oportunidades de educação e emprego que devem ser pensadas, mas o que a sociedade como um todo faz, pensa e reage. As pesquisas não devem ser apenas como os afro-brasileiros se vêem, mas como os demais os vêem. É claro que existem estereótipos depreciativos ainda, quem disse que serão eliminados facilmente só por que haverá milhões de pretos ou pardos de classe média em aeroportos? Todo o processo de eliminação do racismo tem que ser acompanhado e, se percebermos, que prevalecem pensamentos racistas, bom, uma estratégia de comunicação deverá ser usada.

Aí entra a importância de cotas raciais para algumas coisas. Para candidaturas políticas e propaganda, por exemplo. Eventualmente outras situações podem ser pensadas, mas, sinceramente, creio que a abordagem de cotas raciais não deve ser de todo desconsiderada, principalmente se a adoção de cotas sociais se revelar  muito lenta ou mesmo contraproducente.

Há muitas situações onde as desigualdades e injustiças só podem ser combatidas quando explicitadas, e creio que o racismo brasileiro é uma delas.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

 

Nota pitoresca...

Aqui vai minha homenagem a Demétrio Magnoli, um dos autores de base do texto acima, que entende tudo de afro-descendentes, como ela:

 

A sul africana Charlize Theron, atriz.
 

Muito bom o texto, bem construido, de fácil assimilação apesar de, ao que parece, uma pesquisa acadêmica, científica

Dr. Militão, retorne com mais contribuições como esta, precisamos saber, eu mesmo não sabia desta diferença entre se classificar alguém de negro ou preto, para mim era a mesma coisa, agora sei que há diferença, o mundo vai erradicando seus preconceitos e incompreensões à medida em que fica mais perto do outro, e vc chegou bem próximo e nos disse o que não sabiamos, embora. Sempre tive a certeza de que a cor da pele não é que define uma pessoa, uma cor é apenas uma cor mas, infelizmente, não é assim no mundo real, há discriminação sim, e chamar alguém de negro, jamais daqui prá frente, sim, até do ponto de vista genético o que existe mesmo é apenas a diferernça na cor da pele, mais melanina. Os gens são 100% iguais.

Bobagem se achar superior por conta de uma carga genética, afinal de contas, em termos genéticos

Gostei em especial desta citação, que faz referência à política, à polis, à admistração da cidade:

ARISTÓTELES, em a Política, afirma: somente o humano é um "animal político", isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Os outros animais possuem voz e com ela exprimem dor e prazer, mas o humano possui a palavra (logos) e, com ela, exprime o bom e o mau, o justo e o injusto. Exprimir e possuir em comum esses valores é o que torna possível a vida social e política e, dela, somente os humanos são capazes. É isso: a linguagem capacita o homem, para o bem ou para o mal.

 

Segundo o professor Cid Teixeira, se tiver uma revolução mulata... lascou tudo. Do lado de cá do Atlântico quem achar que é preto ou branco tá variando. Aqui em SP é mais engraçado que em Salvador... Tem nêgo com sobrenome italiano achando que é branco. Tem skinhead mulato. E tem até viado batendo em homossexual.

 

mas como a a maioria não é preta. deveremos dizer, suponho, que são marrons ou ocres.

 

 

Ok, Militão.

Fico com sua expressão: "Lamento que estejamos falhando no combate ao racismo."

Falhamos, gravemente: somos mais revistados, conseguimos menos crédito, somos mais agredidos, temos que conviver com piadas desagradáveis, despertamos mais desconfianças, temos menos visibilidade, somos menos respeitados.

É hora de discutir medidas concretas. Aceito o debate. E você é mente brilhante que pode contribuir para medidas concretas, mesmo que alternativas às que você considera inapropriadas.

E vamos agir. Porque o racialismo está instituído e não é de agora. Ele foi instituído historicamente na falta de investimentos sociais, nos elevadores de serviço, nos impedimentos de toda a natureza, na decisão do emprego, no silêncio dos inocentes.

Quando a Globo (Ali Kamel?) obriga, vou repetir, OBRIGA (através da produção de uma novela) atores negros (uso esse termo), a fazer numa novela o merchandising do livro "Não somos racistas", sob o risco de serem demitidos (pode-se alegar que ninguém obrigou nada, mas quem seria louco de negar o merchindising?), eu direi sempre para você: não houve nenhum respeito em relação à opinião deles, por serem negros. Isso é racialismo sim.

É como exigir que atores judeus neguem o Holocausto, para manterem seus empregos.

O dia que fizerem isso, a sociedade se indignará.

No entanto, não houve indignação quando isso ocorreu na novela Duas Caras.

Houve um silêncio cúmplice e ensurdecedor.

_______

Escreva mais sobre medidas concretas, e bons exemplos sociais de combate ao racismo.

Quero lê-lo sobre outras bandeiras.

 

 

 

Tenho a impressão, talvez errada, de que o termo racialismo foi introduzido em nosso vocabulário como uma maneira de desqualificar aqueles que denunciam o racismo que ainda perdura entre nós.

 

Mudar o nome da coisa não muda a coisa.

A coisa coisa continuará aí.

Eu até acredito que num futuro distante todos os humanos serão tratados como iguais.

Antes várias barreiras deverão ser quebradas.

O preconceito racial, digo, o preconceito cromático, como prefere o Militão, é um deles.

Temos ainda o religioso, o social, o sexual, etc, etc, etc...

O Militão acredita que tudo isto pode ser incluído num pacotão humanista e ter uma solução geral para tudo.

Quem derá fosse possivel.

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Bom, o texto gera uma discussão enorme, que não pretendo fazer. Muitas das afirmações colocadas pelo autor ou são exageradas (Monteiro Lobato "mentor intelectual de um plano de genocídio da raça negra") ou carecem de esclarecimento maior, para dizer o mínimo ("Afinal, a palavra 'negro' foi escolhida pelo racismo para definição da raça inferior pelo seu relevante e sinistro significado. Tem a mesma raiz etimológica de nekrós"). Pode até ser que o latim "niger, nigra, nigrum" seja derivado do grego "nekrós", o que considero difícil, mas a raíz do português "negro" não é o grego nekrós, e sim o latim niger (e o inglês é "esclarecedor" nesse ponto...) Parece algo menor, mas como o autor usa essa "explicação" no seu argumento, fiz questão de apontar.

Ps 1: na linguagem corrente, creio que o termo "preto", aplicado à cor de uma pessoa, é tão ou mais marcado que "negro".

Ps 2: porque continuamos a chamar os índios genericamente de "índios", se "etimologicamente" o termo tem origem numa confusão quando da chegada de Colombo por essas terras, acreditanto ter chegado às Índias?

 

   JEFCÂNDIDO:

   A questão da eugenia de LOBATO, é pública. Eis uma resenha do livro ´Choque das Raças´, que anos depois alterou o título para ´O Presidente Negro´, em que propõe a solução final: um compulsório alisamento de cabelos que mataria a todos os afro-americanos.

   Sabemos que o romance é uma ficcção, mas o próprio autor, lamentou a falta de reconhecimento dos norte-americanos diante da sua proposta de uma ´solução´ genocida.

http://www.scarium.info/2009/resenhas/o-presidente-negro-sintese-do-pens...

    "No romance, entretanto, ele postula uma solução eugênica para o Brasil: no futuro as regiões sul e sudeste se uniram à Argentina e ao Uruguai para formar a grande República Branca do Paraná, enquanto as regiões norte e nordeste foram entregues aos negros, índios e mestiços. Já os americanos, agora com um presidente negro, não se sujeitariam em dividir sua nação ou ferir sua constituição expulsando ao negros para a África, assim neste país a solução foi de outra magnitude.

Inicialmente Lobato invoca um processo artificial de branqueamento, que teria deixado os negros “horrivelmente esbranquiçados”, mas mesmo após a “despigmentação” os negros não poderiam ser aceitos pelos brancos orgulhosos de sua raça e cor diante daquele “esbranquiçado – um pouco desse tom duvidoso das mulatas de hoje que borram a cara de creme e pó de arroz”(como a de Michael Jackson?).

É então que um inventor americano John Dudley propõe uma solução. Alisar os cabelos dos negros através do uso de raios ômegas. Milhões de negros, na verdade a totalidade destes, passam pelo processo de alisamento, sendo que em todos os bairros de todas as cidades americanas filiais da empresa de Dudley são abertas. Monteiro Lobato então revela a grande saída americana, o genocídio, os ditos raios omegas, além de alisarem os cabelos dos negros, provocam a esterilização de toda à raça negra. Lobato saúda a grande solução americana."

 

    PS> errata:

     Onde afirmo ´mataria´ os afro-americanos, leia-se, esteriliza, o que convenhamos era uma ´solução final´ embora indolor, não menos genocida.

 

Militão

 

Que tal se chamarmos todo mundo de AZUL, sei lá, azul-piscina e azul-marinho, faria diferença?

 

  Discussão mais cacete. Quer chamar alguém? Chama pelo nome. Não conhece? Chama de "amigo/a", "companheiro/a", "grande", "senhor/a", "você". Chega de gastar litros de tinta ou megabytes decidindo se é racismo chamar de "preto", ou "negro" ou "afrodescendente". Ninguém chama japonês ou descendente de "japa" na lata, nem branco de "branco". Dois negros podem, entre si, definir um branco como "branco" que dificilmente alguém ficará ofendido, da mesma forma que dois brancos podem entre si definir um negro/preto/etc dessa forma que dificilmente alguém ficará ofendido. A questão é a hierarquização social que houve e há, refletida na depreciação do outro. É futilidade demais definir se este ou aquele substantivo é o de mais ou menos prestígio... 

  O ser humano de modo geral é boçal demais para não se pautar por conceitos. No atual estágio de desenvolvimento, já seria muito bom se os que têm preconceito contra isso ou aquilo descarregassem esses sentimentos socando o travesseiro. Moral da história: guarde seus preconceitos pra você - seja você branco, amarelo, preto/negro/etc - e, se quiser, elogie o que quiser quando quiser elogiar, sabendo que o próximo tem o inalienável direito de discordar de você e o dever de respeitá-lo.

 

King está certo! respeito acima de tudo! o resto rola normalmente, inclusive as igualdades de qualquer tipo. não chamar um negro de preto, negro ou seja lá o que for não é sinal de respeito. o respeito sente-se no ar.

 

De novo essa baboseira que leva nada a lugar nenhum?
Para mim, o ovo da serpente é essa masturbação sociológica que serve não apenas para desmerecer autores consagrados, mas também para incitar a própria idéia de confronto que aparentemente o texto tenta combater. Quando constatei que o texto está impregnado de idéias de “especialistas” do naipe de Demetrio Magnoli, então me sinto no direito de desconfiar (sim, pode acusar o “pré-conceito” de minha parte) que ali há também uma tentativa de embasar o combate às chamadas “cotas raciais”.

A idéia da “linguagem racialista” (chique isto, não?) nem sequer é original. Quando estudei letras, li um ensaio dando conta do racismo em várias obras dos autores do passado. Mas não me consta que tal estudo tenha o intuito de desmerecer as obras dos autores e muito menos o caráter dos mesmos. Já li também que um deputado tentou banir, por lei, o termo “mulato” para se referir à mistura de preto, digo, negro, digo, afro-descendente, digo, afro-brasileiro (ufa!) com branco. Diz que “mulato” vem de “mula”...

Tenho ascendência árabe e não tenho vergonha nenhuma disso; pouco importa que me chamem de “turco”, “narigudo”; “comedor-de-quibe”... Se eu fosse preto, você poderia me chamar do que bem entendesse. Enfim, basta não me chamar de ladrão, corrupto ou mau-caráter...
Tenho uma amiga branca que se refere ao namorado negro (ou seria “afro-brasileiro”?) dela dizendo “meu negão”. Não precisa ir longe: tive uma namorada mulata (oops... afro-brasileira)  e a chamava de “crioula”. Quais são os limites que a lingüística impõe ao amor?

Segundo raciocínio do texto, a nossa Carta Magna carrega um claro preconceito de gênero (por ex. nos artigos 40, 143 e 201), quando dá à mulher vantagens em relação ao homem – por exemplo, no tempo de contribuição para aposentadoria ou na isenção do serviço militar obrigatório. Mas pessoalmente aplaudo os juristas que argumentam que a Constituição não faz favor algum ao sexo feminino – mas apenas tenta compensar (e com déficit) a enorme desvantagem, ou, injustiça que as mulheres sofreram ao longo da história por conta de leis outrora injustas a elas.

Para terminar, deixo aqui o cartum que é a melhor resposta que o grande Ziraldo poderia dar a essa polêmica idiota.

 

 

Re: O ovo da serpente da linguagem racialista
 

Michel, talvez os que acham que "mulato" vem de "mula" sejam os mesmos que devem achar que "Itália" vem do tupi-guarani porque tem "ita". São os mesmos ignorantes que não notam a forte influência do árabe nos idiomas falados na Península Ibérica e que não notam que em Portugal e Espanha o filho de um(a) local com um(a) árabe era chamado de muwallad, que significa simplesmente "pessoa de ancestralidade mista". Portanto, é muwallad alguém com ancestralidade negra e branca, assim como é muwallad alguém filho de um(a) japonês(esa) com um(a) gaijin, o mesmo ocorrendo com alguém filho de espanhol(a) e italiano(a) e por aí vai.

Portanto, usa-se o termo "mulato" para definir o filho de um(a) negro(a) e de um(a) branco(a) por analogia ao hábito idiomático português, sendo essa palavra derivada de  muwallad. Essa mesma analogia valeu quando se chamou de "mameluco" o descendente da união euro-indígena, uma vez que o termo originalmente designava soldados estrangeiros convertidos ao Islã que integravam as fileiras do Império Otomano. Sendo o filho da união euro-indígena urbanizado em sua essência, estava ele mais próximo da cultura lusitana do que da indígena, ainda que europeu não fosse. Pegue-se como exemplo os bandeirantes, tão majoritariamente mamelucos, e que trabalhavam para o Império Português.

Portanto, o deputado em questão comete uma bobagem semântica daquelas, bobagem essa que inclusive ignora o hábito brasileiro, que também usa o termo "moreno" não só para designar qualquer pessoa de moreno claro nórdico a africano como também para designar aquelas pessoas cuja aparência é equidistante das ancestralidades africana, caucásica e indígena. Muitos aqui se lembram da banda Os Morenos e viam naquela banda gente com tonalidades tanto africana quanto mais europeizadas, nenhum deles sendo loiro. O que os integrantes falavam sobre o nome da banda? Que "moreno" é justamente uma forma de integrar e irmanar o brasileiro, independente da cor de pele, e aqui pegando pela maioria de nós (cabelos escuros, essa coisa que caracteriza todos aqueles denominados de "moreno").

Sobre "crioulo" com conotação remontando a África, é só mesmo aqui no Brasil que isso ocorre, pois em outros países, tal palavra apenas designa algo nascido na terra e filho de quem é de fora. Quando os espanhóis enfrentaram os criollos nas muitas guerras por independência, enfrentavam majoritariamente brancos nascidos na terra e que perdiam ligação com a metrópole. Quando cabo-verdianos e são-tomeenses comunicam-se em seu crioulo, apenas estão a falar uma derivação do português, assim como o creole haitiano deriva do francês. O que é de se imaginar sobre o particular uso de "crioulo" que aqui surgiu deve ter sido alguma maneira para diferenciar os negros aqui nascidos daqueles vindos da África, designação essa que de alguma forma se popularizou e, em um Brasil pré-imigrações europeias maciças, tenha acabado por se firmar de algum jeito. O "crioula" que você usava para sua ex-namorada não se diferencia muito daquele usado pelo Trio Mocotó em um de seus sucessos, inclusive recomendando para o manolo desconhecido a quem se dirigem para desgrudar da cintura dela, com o alerta de que "essa crioula não é pra você". E com certeza não dá para acusar Fritz (depois Skowa), Nereu e Parahyba de racismo, no máximo de "cosmonauta de crioula". Aqueles que em tudo querem ver racismo poderão querer voltar suas metralhadoras antiaéreas para o italodescendente Marco Mattoli quando este declara que pra todo lado que olha só vê a crioula. Porém, demonstrarão ser leitores de orelha de livro quando não avançam na canção e notam que a canção composta por Bebeto faz a seguinte pergunta: "Quem foi que te fez tão bonita assim, crioula?". Nos tempos em que Ivo Meirelles estava mais em voga e o pessoal do Funk n' Lata fazia a cabeça do brasileiro, chamava a atenção de todos o fato de serem rapazes de pele escura e cabelos descoloridos. A maneira como eles se chamavam era um portmanteau engraçado: "crilouros". Uso de "crioulo" aqui no Brasil e mais próximo de seu significado original vemos na designação de duas raças de animais domésticos originárias da região Sul, uma equina e outra ovina. Que não esqueçamos do grau de influência do idioma espanhol naquelas bandas do Brasil.

Aliás, já que alguns falam de racismo sutil, deveriam também notar que aqui no Brasil a sutileza se dá no tom de voz com que se designam os termos. Quantos aqui não vemos o uso de "negão" de uma maneira tão carinhosa a ponto de o termo ser usado de maneira indistinta, podendo ser chamado de "negão" alguém loiro de olhos azuis?  Era branco um jogador conhecido por Negão e que jogou no América de São José do Rio Preto, por exemplo. "Negão" rendeu até canção conhecida do grupo Cravo & Canela. Porém, se você usa um tom de voz agressivo e de desprezo, esse mesmo "negão" torna-se xingamento daqueles e é demonstração de racismo. Pode não parecer, mas o português aqui falado tem uns quês de idiomas orientais, em que a entonação de algo muda o significado, ainda que por aqui a palavra siga sendo a mesma. E o mesmo vale para outros termos que alguns querem incluir em um index prohibitorium. Por isso que querer patrulhar uso de palavras ou mesmo proibi-las é algo inútil, justamente por conta dessa característica do Brasil. Neguinho da Beija-Flor segue dando seu belo sorriso para quem chega e fala "Neguinho, pode me dar um autógrafo?". Negão dos Oito Baixos é dançado em forró por gente de todas as cores e origens. Jorge Ben continuará a perguntar se "essa menina mulher da pele preta dos olhos azuis, do sorriso branco" não sabe que ele fica acordado a sonhar com malícia. Beto Barbosa continuará a pedir para a preta falar o que ela sente por ele.

Por isso que me estranha a postura de quererem proibir o uso de palavras ou mesmo lembrar a alguns que existem pessoas que muito bem sentem-se quando são chamadas de "mulatos" e que muito lidam com suas ancestralidades africana e europeia, sem querer negar ou diminuir qualquer uma das duas. Não podem essas pessoas viverem da maneira tão particular que aqui foi criada, formando aquele grupo que Darcy Ribeiro chamava de "ninguenzada" e que teve de se reinventar enquanto gênero?

 

Rastreado 24 horas/dia via patrulha ideológica

Que bela aula, André! Com sua licença, vou "colar" este texto (com o devido crédito, claro) e enviar a cada incauto que me vier com essa aberração de usar a lupa na linguística para captar preconceito.

 

Fico com a definição do campeão mundial dos pesos pesados e um dos maiores boxeadores da História. Ele foi preso por recusar-se a servir de bucha de canhão nas selvas do Vietnã e teve sua medalha olímpica cassada: Muhammad Ali, nascido Cassius Marcellus Clay. Disse ele após sair da prisão e ter-se convertido ao Islamismo: "Não sou negro. Negro é "preto" em espanhol. Aqui nos Estados Unidos, ninguém fala vermelho, verde ou amarelo em espanhol, apenas preto, isso é discriminação. Então, não me chamem de negro". Essa frase é definitiva e serve para os gaiatos que criaram a expressão "afro-brasileiro", por analogia a "afro-american". É uma grande bobagem, a raça humana veio da África, portanto, somos todos afro qualquer coisa.

 

Havia, também, (poucos) escravos brancos.

 

Hoje, os escravos somos todos nós: escravos do mercado.

 

Militão está é precisando de um pouco de James Brown:

"Say it loud,
I'm black and I'm proud
Say it loud,
I'm black and I'm proud, one more time
Say it loud,
I'm black and I'm proud, huh"

(Diga alto,

Sou negro e tenho orgulho,

Diga alto,

Sou negro e tenho orgulho, mais uma vez

Diga alto,

Sou negro e tenho orgulho, huh)

Rapaz, ser negro é legal, sabia? Não é nada demais, não é nada de especial, é só ter uma ligação em qualquer nível de ancestralidade com a África, o que, pela própria tradição das diversas culturas do continente, pede respeito com a história dos africanos trazidos à força para cá e seus descendentes. Também é ter uma cor bonita em variadíssimos tons, nem um pouco mais bonita ou feia que a de outros povos. A variedade é justamente um dos mais belos atributos de ser-se humano.

É disso que James Brown tinha orgulho e você não.

Incrível!

Sinceramente, acho que você foi chamado de "negrinho" na infância e introjetou a carga negativa que outros puseram na palavra, por isso foge dela até hoje. Talvez, se tivesse sido "moreninho" você seria menos paranóico.

A mim, podem chamar do que for, desde que, na hora H, a do contracheque, me chamem de Professor Doutor.