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O papel da educação no desenvolvimento brasileiro

Do Correio Braziliense

Visão do Correio :: Educação impõe virada de página

Correio Braziliense - 19/01/2012

Em uma década, o Brasil dobrou o número de alunos matriculados em cursos superiores. Mas o contingente atual, de 6,4 milhões, ainda representa apenas 15% da população com idade entre 18 e 24 anos. As evidências são de que urge acelerar o aumento da escolaridade. E não há tempo a perder: em três anos, o país deverá alcançar o posto de quinta potência econômica mundial — chegar lá com nível educacional tão atrasado será, mais do que vergonhoso, comprometedor para a sustentabilidade do desenvolvimento nacional.

O avanço dos últimos anos se deveu à mudança de enfoque na política de governo, com a educação passando a ser vista como eficaz meio de crescimento, e também à melhoria de vida das pessoas. Superadas décadas de crise, com estagnação, hiperinflação e altas taxas de desemprego, o cidadão não só foi às compras: para melhorar a renda, investiu no próprio aprendizado, suprindo parte da deficiência do Estado. O resultado do dever de casa cumprido é promissor. Estudo da Fundação Getulio Vargas mostra que, a cada ano de estudo adquirido, o brasileiro engorda o salário em cerca de 15%.

A equação igualmente vale para o Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país. O PIB cresce até 7% a cada ano de escolaridade somado pela população, graças à ascensão social e à melhoria das condições de investimento, inclusive em novas tecnologias. A questão é que tantas vantagens ainda são insuficientes para motivar as autoridades a promover a revolução educacional necessária. Lançado no ano passado, o Plano Nacional de Educação (PNE) é desanimadoramente tímido: prevê chegar a 2020 com pouco mais de um terço (33%) dos jovens de 18 a 24 anos na faculdade.

Pior que a realidade quantitativa é a qualitativa. Levantamento da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, equipara a produtividade do nosso trabalhador à que os japoneses tinham em 1964, perto de meio século atrás. A tragédia é simples de entender: 90% dos estudantes brasileiros não têm conhecimentos mínimos de matemática e a 62% falta habilidade para ler textos longos. Com a crise lá fora e a proximidade do pleno emprego aqui dentro, a atração de mão de obra, ou seja, a concorrência estrangeira no mercado de trabalho, passa a ser risco extra para o brasileiro. A conjuntura já leva o setor privado a investir em qualificação, mas mesmo esse esforço é incipiente.

Desde domingo, o panorama crítico da educação nacional vem sendo rigorosamente traçado nas páginas do Correio. A série de reportagens chega hoje ao fim, compondo o complexo retrato do desafio imposto ao país. Até cumprir a exigência do Ministério da Educação (MEC) de que universidades e centros universitários tenham pelo menos um terço do quadro de professores formado por mestres ou doutores está difícil de atender. Afinal, só temos 1,4 doutor para cada mil habitantes, ao passo que mais de 60% da população estão enquadrados na categoria de analfabetos funcionais. Para completar, a sexta maior economia do planeta é a 47ª em inovação. Ou viramos essa página, ou seremos nós a ficar para trás.

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Comentários

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O PT é enfoque quantitativo.

Não sabe nada de qualidade em educação. É trabalhismo para produzir consumo. Liberalismo e capital ao final. 

Muitos aqui defendem o atual processo que inclui PNE decenal e progressão.

Não vai funcionar porque a realidade é emergencial e o PT não entende ou não quer entender ou quer engambelar simplesmente.

Espero que um dia o povo tenha tamanho suficiente para, historicamente, cobrar isso. 

 

_O Sr. tomou parte nesses tumultos? _Não são tumultos, Sire, é uma revolução!

Caro Erick M.:


Mais uma vez, você e estes seus posts sobre educação, que têm dado certa “dor de barriga” em alguns professores do blog rsrs


Professores dos ensinos médio e fundamental que, por não terem sido bem preparados, são incapazes de ensinar corretamente é situação corriqueira e que explica (tem que existir uma explicação para tal fenômeno) o fato de 90% dos estudantes brasileiros não terem conhecimento mínimo de matemática e 62% deles não conseguirem ler textos longos.


Esta combinação diabólica, quando traduzida ao pé da letra, significa que mais de 80% dos estudantes não possuem raciocínio lógico, percentagem suave.


Quanto aos 60% da população reconhecida como sendo analfabeto funcional, isto significa que o desconhecido autor do artigo considera que 40%, ou 80 milhões de brasileiros não o são – já sei, a matéria concorrerá no concurso para a melhor piada do século 21.


O drama da educação nacional não terá fim, enquanto a sua agenda permanecer reservada a meia dúzia de pretensos luminares; enquanto a atualização da grade escolar for combatida por boa parte do magistério; enquanto a classe não compreender a necessidade, prá anteontem, dos cursos de capacitação e aperfeiçoamento dos professores; enquanto a classe permanecer sustentando o mantra de que, se dobrar ou triplicar o salário, qualquer professor (no caso específico, um sabotador – sabe ensinar, mas não o faz porque ganha pouco) melhorará sensivelmente a qualidade de suas aulas, e por aí vai.


O discurso generalizado e repetitivo é por mais e mais fundos $$$ do governo federal, grande parte deste numerário sendo destinada ao pagamento do enorme contingente de professores aposentados, mas falar em cobrar pelo ensino superior em universidade federais (daqueles alunos que podem pagar, aqueles que pilotam seus lindos Audi e Mitsubishis até aqueles estacionamentos) é algo mais ofensivo que xingar a mãe do interlocutor professor.


A matéria é correta, quando mostra que seremos capazes de corrigir a realidade quantitativa em algum tempo, mas a qualitativa..., quem sabe, lá pelo ano 3200.


E nem falei do papel das famílias neste processo, bastante relevante.


Um abraço

 

Falta diagnóstico sério, ou sinceridade mesmo, nessas "opinões":

"Até cumprir a exigência do MEC de que universidades e centros universitários tenham pelo menos um terço do quadro de professores formado por mestres ou doutores está difícil de atender. Afinal, só temos 1,4 doutor para cada mil habitantes [....]".

O problema é a falta de mestres e doutores? NÃO. O problema é que mestres e doutores "custam" mais, e as UniQuintais, cada vez negociadas na bolsa, precisam dar lucro.

Dias atrás discutimos aqui mesmo no blog a demissão em massa de mestres e doutores pela Anhanguera, que acabara de "comprar", se não me engano, a Uniban, com o único propósito (as demissões) de nivelar os salários por baixo.

 

Abandono do ensino médio passa de 60% no Norte


http://ne10.uol.com.br/canal/educacao/noticia/2012/01/10/abandono-do-ens...


 


 


 

 

É preciso racionalizar gastos, antes de mais nada. 

Essa história de "mestrado e doutorado", por exemplo, tem que ser mais bem pensada. O sistema, tal como existe hoje, é completamente irracional. O aluno termina a graduação com 22, o mestrado com 25, e o doutorado só lá na frente, batendo nos 30 anos. E o Estado estará investindo nele esse tempo todo, com resultados geralmente pífios. Melhor transformar o mestrado num ano adicional de curso, durante o qual o aluno irá escrever um trabalho um pouco mais longo e habilitar-se, caso obtiver nota máxima, a fazer o doutorado. 

Professor de ensino básico não precisa de doutorado. Doutorado é para quem vai fazer pesquisa e formar pesquisadores, não para quem vai ensinar crianças e adolescente. Ninguém ensina melhor equações de segundo grau porque defendeu uma tese em matemática superior. Quando tivermos o sistema funcionando como o da Suécia, poderemos nos dar ao luxo de pôr chantili em nosso bolo. Por enquanto, temos que focar no essencial. E o dinheiro é curto. Não pode haver desperdício.

O ensino básico tem que ter foco. Há pouco tempo, tornaram Filosofia uma disciplina obrigatória. Só que não existem professores de filosofia em número suficiente para ocupar as vagas. Só 20% das vagas poderão ser ocupadas por gente formada na área. Solução do governo? Cursos rápidos de reciclagem para gente formada em História, Geografia, Letras, e por aí vai. Entregam nas mãos dos pedagogos de plantão. Resultado: a maior parte do tempo desses cursos (já condenados à precariedade por seu formato) são dedicados a generalidades pedagógicas, como "história da educação", "filosofia da educação", "filosofia do ensino da filosofia" (sic!!!), e por aí vai. Isso num contexto em que as crianças não estão aprendendo a fazer continhas e a escrever uma carta com começo, meio e fim. 

Teria que haver uma divisão nítida, como existe na Alemanha: 70% dos alunos seriam encaminhados para bons cursos técnicos, ali pelos 12 anos, e o restante, que tem GOSTO e TALENTO para o estudo seriam encaminhados para um ensino público de qualidade AAA. Ou temos um plano para dar um estudo da qualidade do Santa Cruz para 30% da população pobre do Brasil, ou continuamos condenando as crianças pobres a disputar a raspa do tacho. Criança com gosto e talento para o estudo tem que ser apoiada pesadamente. Tem que chegar aos 15 anos fluente em inglês e sabendo ler o francês ou o alemão, como acontece com qualquer adolescente matriculado nas escolas de elite. Tem que arrebentar no vestibular. Isso seria realmente revolucionário.

 

Caríssim@s, saudações.

Sou professor, com mais de vinte anos de experiência, e trabalho atualmente com formação de professores.

O nível inicial daqueles que se apresentam para carreiras de magistério, em geral, é muito baixo. Dessa forma, há pouco que se poss fazer durate os anos de graduação. A explicação mais simples para esse fato reside na qualidade da remuneração, em face do tipo de trabalho envolvido.

Afinal, porque há uma gigantesca procura por cursos de Medicina, que exigem, no mínimo, seis anos de estudos, com a perspectiva de se inicar a carreira em pronto-socorros lotadas e com poucas condições de trabalho? Isso, só para citar um exemplo. Poderíamos falar da procura por cursos de Direito, quando o mercado dessa profissão já apresenta espaço muito restrito para novos profissionais.

A necessidade que se coloca é a de uma revolução na forma de se considerar a profissão de professor. Não advogo em minha causa, apenas. Essa é uma questão de necessidade nacional frente a questões de mercado de trabalho. Quando é que os jovens mais capazes irão se interessar pelas carreiras de magistério? Simples, não? Quando vislumbrarem remunerações dígnas.

É claro que, pelo menos em um primeiro momento, teremos pessoas não tão capazes às quais serão destinados salários aos quais elas não farão jus. Mas, essa será uma situação momentânea, que pode ser superada, inclusive por ações de recapacitação ou de avaliação do trabalho daqueles que já se encontram em profissões docentes por que para elas foram empurrados de alguma forma.

A questão fundamental é: "Ou o Brasil reconhece a necessidade de formar e manter bons profissionais de educação, ou a falta de conhecimento acaba com o Brasil".

Grande abraço.

 

O que me deixa retado é verificar que o trem está tão feio para nós que, mais uma vez!!!!, sobre os nossos problemas se mete um instituto de não sei de onde, dessa vez da Pensilvânia. Ô saco!!

 

Bem, então tá na hora de importar mão de obra qualificada. Imigração. Não mais aquela de pobres camponeses esfomeados da segunda metade do século XIX e que tanto a ajudaram a refazer o país; mas uma mais qualificada, de resposta mais rápida e que, ao contrário do que possam pensar os "nacionalistas" interesseiros, vai ajudar a requalificar. Nenhum país chegou ao topo sem movimentos populacionais: seja pela exportação do excedente de mão obra sem qualificação ; seja pela importação maciça de mão de obra qualificada, ou até ambas.

 

Então:

1) 10% do PIB deve obrigatoriamente ser destinado para a Educação todo ano;

2) Salário de professores (do ensino fundamental ao superior) deveriam ser de no mínimo 12 salários mínimos para uma atividade de 20hs/por semana em sala de aula. 

Só passo a acreditar que alguma coisa vai realmente mudar (revolucionar?) a educação brasileira quando estes dois pontos forem atendidos. O tal respeito pelo professor é consequencia de condições de trabalho e salários dignos. Enquanto o jovem tiver certeza que ser professor é uma escolha para derrotados com salários indignos, nada muda.

 

SIM, mas, há professores e "prufeçores".

Nem Lula conseguiu repetir o seu refrão ("Nunca antes neste país ....") em um segmento: o da formação de professores do Ensino Fundamental. As "Normalistas" do Rio, formadas pelo Instituto de Educação, da Rua Mariz e Barros (Maracanã/Tijuca), foram as professoras que deram formação básica, aos profissionais com melhor nível de formação escolar jque já existiu no Brasil. Os cariocas, hoje, na faixa de 50 / 70 anos.

A comprovação é fácil: de 80 a 90% dos melhores quadros do Itamaraty, do Banco Central, do Banco do Brasil e do Ministério da Fazenda (os Concursos Públicos mais difíceis) passaram pelo crivo daquelas "professorinhas". E, um percentual maior do que 70% dos grandes advogados brasileiros e profissionais do jornalismo e da comunicação (por exemplo), também, passaram por elas.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

"Para completar, a sexta maior economia do planeta é a 47ª em inovação."

Outra grande bullshit!

Estamos em 75º lugar em PIB. Se estamos em 47º em inovação, estamos MUITO BEM!

 

Meu amigo, vc está de brincadeira, né? arrecadar mais?

Que tal gastar melhor a M - O - N - T - A - N - H - A de dinheiro que o Estado arrecada?

Deve ser funcionário público. Aposto.

 

"[...] chegar lá com nível educacional tão atrasado será, mais do que vergonhoso, comprometedor para a sustentabilidade do desenvolvimento nacional."

Bullshit! O Brasil tem exatamente o nível educacional que deveria ter pelo que investe em educação. Para melhorar, tem que investir mais. Para investir mais, tem que arrecadar mais. Arrecadará mais se aumentar o PIB ou se aumentar os impostos. Ponto.

 

O DIRECIONAMENTO ERRADO DOS RECURSOS

O grande erro dos últimos 8 anos dos Governos Lula, foi investir e focar demagogicamente nos Cursos Superiores (e justificar o "instituto da Cotas", quando os estudantes carentes e com péssima formação escolar, foram despejados nos vestibulares, sem condições de enfrentar Universidades. Para isto basta ver o gigantesco contigente de advogados, economistas e administradores de empresas que se formam e continuam a trabalhar como "estafetas". Por outro lado, as Faculdades particulares de Engenharia (e muitas delas a nível de 1º Mundo), tem contabilizado o abandono de, até, 75% dos alunos, que não conseguem "aguentar o tranco". São empresários espertíssimos: afrouxam o vestibular e fazem fortunas com a repetição, até a desistência dos estudantes que jamais irão se formar e perdem uma montanha de dinheiro para espertalhões do segmento de ensino superior.

Então, onde está o erro? Está na demagogia de conceder, por exemplo, quase duas centenas de milhares de Bolsas de Estudo para o Ensino Superior, esquecendo-se dos níveis secundários, que dariam a estrutura necessária aos futuros bons universitários e profissionais de primeira linha.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Mesmo pessoas sensatas e bem informadas como o Fuhge caem na conversa mole do PIG.

O papel do governo federal no ensino fundamental e médio é de propor políticas e direcionar recursos federais.  Em alguns casos dando suporte direto. Assim o fez durante o governo Lula. Criou o Fundeb, o piso nacional, o Enem e demais avaliações e ainda participou com auxílio ao transporte, uniformes, computadores, materiais e merendas em regiões menos assistidas.

O que reina é a incompetência generalizada nos estados e municípios, incluindo SP que não conseguem pagar o piso nem acabar com a demanda de crianças fora de creches.

O ensino superior e técnico de responsabilidade federal vai muito bem, obrigado.

 

Viver é afinar um instrumento...

Sei não, os nossos problemas são tantos que, pelo menos é o que parece, quando se escolhe um caminho, sempre tem um porém. Outra coisa, e o reforço das escolas técnicas já existentes, bem como a construção de outras, se não me engano 170, Brasil afora, não é caminho andado na busca de solução do problema?

 

170 é piada, para um país das dimensões continentais e com a população que tem.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Se o PSDB tivesse continuado seriam ZERO instituições de ensino.

A reorganização das escolas técnicas em São Paulo, somente aconteceram, para não ficar muito para trás das federais.

 

E ainda reclamam que os professores da Fundação Paula Souza estão deixando as Escolas Técnicas Estaduais e migrando para as Federais. Motivo: salário e condições de trabalho.

O Alckmin anunciou que as escolas fundamentais passariam a ter dois professores em sala: como? Fazem concursos e não convocam os aprovados continuando com um relacionamento precário com temporários que recebem menos e não tem qualquer benefício trabalhista. Isso no melhor, mais rico e bem gerido estado da federação: a Província de São Paulo.

 

Sim, é pouco. Mas o que ressaltei é que houve um caminhar. Ou reverter a orientação de esvaziamento das então escolas técnicas, e também criar algo em torno 170 novas, é pouco na sua avaliação?

 

Prezados,

Vamos começar uma pequena obra de reforma aqui em casa. Digo vamos, porque o pedreiro, que foi recomendado (e não está lá no Canadá), está tão ocupado que só vai poder trabalhar daqui há 15 dias (isso que ele não trabalha nos fins de semana.

Descobri que bons pedreiros ganham cerca de 5 mil reais por mês. O concurso para professor do estado do Rio Grande do Sul não paga nem mil reais.

 

É uma observação muito pertinente. Diz tudo!

 

Carlos Magno