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O perfil das crianças de rua

Do Estadão

Grandes cidades têm 23.973 crianças de rua; 63% vão parar lá por brigas em casa

24 de fevereiro de 2011 | 0h 00

Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo

Pela primeira vez, 20 anos depois da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Brasil conseguiu traçar o perfil de crianças e adolescentes que trabalham ou dormem nas ruas do País. São 23.973 espalhados pelas 75 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes. E 63% foram parar lá por causa de brigas domésticas.

OsreOs resultados, ainda inéditos e obtidos com exclusividade pelo Estado, vêm do censo nacional encomendado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável (Idesp). "O resultado ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Servirá para a criação de uma política nacional para essa população, a partir de cinco grandes encontros nas diferentes regiões do Brasil", diz Marco Antonio da Silva, conselheiro do Conanda e diretor nacional do Movimento de Meninos e Meninas de Rua. 

A pesquisa ajuda a aprofundar as causas que levam as crianças e os jovens para as ruas, além de permitir conhecer quem são. Conforme os resultados, 59% dos que estão na rua voltam para dormir na casa dos pais, parentes ou amigos, o que indica que a rua é vista por muitos como um local para ganhar dinheiro, por meio de esmolas e venda de produtos, entre outras ações. "Hoje há um consenso de que o dinheiro dado para a criança na rua a estimula a voltar no dia seguinte, assim como incentiva os pais a forçarem o jovem a continuar. A sociedade precisa abandonar essa visão de caridade", diz Marcelo Caran, coordenador da Fundação Projeto Travessia.

Crack. Para reverter esse quadro são necessários trabalhos técnicos voltados à reestruturação familiar, à resolução de conflitos dentro da casa e nas comunidades onde vivem os jovens, suporte escolar e medidas de saúde voltadas principalmente à dependência de drogas. Conforme os dados, as brigas verbais com pais e irmãos (32,2%), a violência doméstica (30,6%) e o uso de álcool e drogas (30,4%) são os motivos principais que levam os jovens às ruas.

"Hoje o maior desafio é descobrir como lidar com o crack. Se é por meio da saúde, de assistência social... São debates que precisamos aprofundar", diz Karina Figueiredo, secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra a Criança e o Adolescente.

Em relação ao perfil, aparece uma predominância de jovens que se revelam pardos, morenos e negros. Representam 72,8%, quase o dobro da proporção na população brasileira (44,6%). Outro aspecto importante é o educacional: apenas 6,7% dos que estão na rua concluíram o ensino fundamental. 

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Comentários

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nossa tem que fazer alguma coisa com as crianças do brasil por isso que eziste as crianças no mundo

 

Existe um histórico a ser mudado no contexto social, é uma cultura impreguinada em nossas mentes sobre o cuidado com as crianças, proteger não precisa de lei e sim de consciência. O desafio de transformar a sociedade começa dentro de casa, respeito e não medo!!!

Ajudar uma criança é consciêntiza-la do seu potencial. 

 

È a comida, é a fome que não se mata, e a esmola, é a ladainha de todos os dias e todos os tempos, é a cota de um ou de outro, que por ser menos acaba sendo mais e gerando outro conflito, é o menino na rua, é o senhor que compra de crianças, imbuido de dó e piedade, por seus filhos não passarem fome e estarem inseridos numa escola paga, é o cara que no desejo de ajuda, estende os pés para que seus sapatos sejam limpos por aquele menino pobre sem dentes e sem futuro, ao menos nequele momento se sentir útil e esperançoso,  enfim todos estão certos.

O fato é que vivemos o sintoma histórico e cumulativo de um poder injusto, de políticas não humanas que atenderam interesses para além do alvo a que veio, incrementando as desigualdades, replicando a pobreza e gerando o caos social que todo nós assistimos pelas nossas janelas, sejam de casa, do barraco, do carro ou do boteco.

A sugestão não é mesquinha a ponto de fazer apologia à fome ou a morte, não se sugere a fome como caminho de solução, é claro que todos tem o direito à alimentação, ao convívio familiar e comunitário.

Marcelo Caran.   

O fato é que, dentre muitos outros fatores, a postura caritativa da sociedade, não só colabora com a permanência como incentiva a vinda de mais crianças e adolescentes para as ruas, no momento em que voltam para suas casas - quando é o caso - com dinheiro e pertences, esta cena diz aos outros, inclusive aos  pais: ir para as ruas é uma boa saída, dá dinheiro, dá comida.                                             Quanto a ladainha da esmola confundida com compra, é simples, os adultos não devem estabelecer relações comerciais com crianças, e se isso acontecer, um dos lados esta equivocado e agindo na perversidade, o olhar é inverso, não são crianças que vendem balas nos faróis, são adultos que compram balas de crianças "pobres" que ficam nos faróis, a partir do dia que nossa sociedade mudar sua postura de compra de produtos de crianças nos faróis, ir para o faról vender balas não será mais uma possibilidade, desta forma digo que a sociedade precisa mudar um comportamento.

E como ajudar, dando um prato de comida na rua, separando as roupas velhas e os tenis furados, para na  hora que tiver um tempinho levar nequele "abrigo de crianças pobres", dando uma moedinha pela fresta do vidro na pressa de que o faról se abra, juntando um grupo de pessoas, que juntando legumes, fazem sopa e distribuem aos mendigos, enfim a liberdade esta posta e cada um ajuda como acha que deve e pode.        

Quem sabe até posturas mais políticas em seus espaços, não só cobrando, mais como indicando polítcas públicas mais adequadas, que atendam à criança e ao adolescente, sem esquecer da família, a habitação, a educação e outra listas que poderia traçar aqui, buscando conhecer se algo é feito, e como é feito, e de que forma cidadã poder ajudar, foi-se o tempo que a responsa e o papel era só do estado, tudo agora esta para além dele também, a evolução foi tanta que tudo inchou, não esperemos que o estado vai dar conta, quer colaborar, quer entender melhor a situação, instigue e cobre políticas , busque uma instituição de sua confiança e colabore, pode até ser com dinheiro, com comida, com roupas, todos nós necessitamos dos generos materias.

    

 

Sobre essa questão, das crianças de rua, estou quase a ponto de concluir que a única solução é um endurecimento da legislação. Tipo assim: se os pais não conseguem evitar que o filho vá para os sinais pedir esmolas, perdem o direito à guarda, e a criança passa a ser criada PELO ESTADO, em instituições de internação especiais. Acho que é o único jeito. É uma crueldade, reconheço, retirar uma pessoa do convívio materno/paterno (ainda que subsistindo o contato nos finais de semana), mas é um mal menor, em face da realidade deprimente de crianças vivendo na rua, sem as condições humanas mais básicas, sem educação e começando a se drogar e se prostituir ainda sem ter acabado de sair da infância.

 

Interessante...precisa ser estudado mais a fundo

grosso modo já partem de um perfil “pré-moldado” de livre e espontânea vontade:

 

"Hoje há um consenso de que o dinheiro dado para a criança na rua a estimula a voltar no dia seguinte, assim como incentiva os pais a forçarem o jovem a continuar. A sociedade precisa abandonar essa visão de caridade", diz Marcelo Caran, coordenador da Fundação Projeto Travessia.

 

Ladainha de sempre ao relacionar esmola com ganhos pela venda de pequenos produtos e concluir que a culpa é sempre dos pais

 

Toda vez que leio/escuto o bordão 'não dê esmolas, isso perpetua a miséria' (que agora surge revestido de verdade científica, e pelo visto deve ser mesmo...) não consigo deixar de pensar em como fica a situação de quem vive da caridade alheia na hora em que não tiver nem isso. É evidente que há mil argumentos - morais, psicológicos, socioeconômicos, etc. - antiesmolas. Mas nenhum, que eu saiba, contempla o imediatismo da questão: se ninguém der, hoje não tem janta!

Eu também não sei qual é a solução.

 

O dia em que uma Escola em tempo Integral tornar-se mais atraente e lucrativo para as crianças carentes do que a rua, a solução estará a caminho.

 

"Penso, logo existo"

 

Luis Fraga, você resumiu com perfeição uma das soluções do problema. Nota 10 pra você.

Será que vc  teria sugestões para que uma escola em periodo integral ficasse atraente e lucrativa para a criança de rua?

Obrigada

 

Nao dê dinheiro, mas dê comida. Pague um sanduíche, ou um prato de comida, se você estiver perto de um bar. Nas grandes cidades, pelo menos, em quase todo lugar há um botequim que seja que vende comida.

 

Realmente. O problema é que não temos como saber se a pessoa realmente precisa ou é profissional da mendicância, porque isso existe também, claro. Ai vai de cada um mesmo, da quem quer. Engraçado o pessoal pregar contra a esmola e não pregar contra o dízimo. Afinal de contas em ambos os casos dá quem quer não é este o argumento?

 

@DanielQuireza

Sim, tem razão. Só que até mesmo os profissionais da esmola precisam comer.

Então o negócio fica assim: se eu te dou esmola hoje, tu vai estar aqui amanhã; se eu não dou, talvez tu não volte amanhã e prefira buscar uma alternativa de renda, mas vai dormir com fome, e se não achar logo essa alternativa vai acabar morrendo, porque sem comer ninguém vive.  E não vamos nem começar a abordar uma das consequências disso, que é o aumento da criminalidade (a primeira alternativa que o mendigo sempre tem à sua frente), porque aí já se entra em outra variante ainda mais complicada da questão.

Quanto a dar comida, em vez de dinheiro, é uma solução intermediária, mas não deixa de ser esmola e, portanto, ainda sujeita a grande parte daquela contra-argumentação já referida. E que, vamos combinar, está pra lá de correta: a esmola avilta mesmo. No plano psicológico, o indivíduo que chega à conclusão que só consegue sobreviver à custa da caridade alheia já sofreu um dano quase irreparável no amor-próprio, já se tornou quase que incapacitado para o autossustento, para lutar pelo seu progresso pessoal. Ele já se convenceu da inutilidade de qualquer esforço nesse sentido.

 

[[[[...Em relação ao perfil, aparece uma predominância de jovens que se revelam pardos, morenos e negros. Representam 72,8%, quase o dobro da proporção na população brasileira (44,6%)...]]]

Negros e seus filhos são esquecidos por uma sociedade, brasileira, que não "vê" essas crianças negras. 72% de crianças negras [pardos e morenos são eufemimismo, no Brasil, para negros], dobro da proporção do povo brasileiro - com certezxa não é social, senão haveria uma proporcionalidade entre brancos e negros. 

Crianças negras moram [e morrem/Candelária] nas ruas enquanto se discute se há racismo no Brasil. Até quando?

Isso é resultado do esquecimento/racismo que o negro sofreu e sofre, logo após  o fim da escravidão. Isso é resultado da politica de branqueamento do governo brasileiro e da consequente vinda de imigrantes europeus que tomaram os postos de trabalho de negros no Brasil. Isso é resultado, enfim, de mais de 300 anos de escravidão.

 

É verdade. Mas mesmo assim não devemos criar cotas nas universidade jamais. Seria um absurdo !! Um racismo !! Ora essa, esses pardos ai que estudem na rua ou onde for e passem no vestibular como todos, sem privilégios. Ora esta !!

 

@DanielQuireza

Criança, para mim, é prioridade. Criança carente.