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O primeiro embaixador negro

Da Folha

MINHA HISTÓRIA BENEDICTO FONSECA FILHO, 47

Meu pai foi agente de portaria, um contínuo (...) O preconceito nunca se apresenta claramente. No campo das relações humanas, você nota reação positiva ou negativa (...) É preciso que haja ações afirmativas (...) Eu não me beneficiei de nenhuma política. Na minha época, isso não havia.

Filho de um contínuo, Benedicto Fonseca Filho, 47, foi promovido em dezembro a embaixador, o primeiro negro de carreira. E o mais jovem. Passou por Buenos Aires, Tel Aviv e Nova York. Vai chefiar o departamento de Ciência e Tecnologia. Ele declara orgulho de ser negro e filho de pais humildes que o educaram para chegar ao topo na casa mais aristocrática do país.

Depo(...) Depoimento a
JULIANA ROCHA
DE BRASÍLIA

Nasci no Rio, em 1963. Mudei para Brasília em 1970 porque meu pai veio ser funcionário do Itamaraty. Ele foi agente de portaria, que é um contínuo.

Quando eu tinha nove anos, toda a família foi para a [antiga] Tchecoslováquia [no leste europeu], quando meu pai foi removido para Praga por três anos.

Naquele tempo, todos os funcionários das embaixadas eram de carreira. Hoje, esses são terceirizados.

Foi essa experiência internacional que me despertou o interesse pelo Itamaraty. Talvez por ter estudado em escolas internacionais, na escola francesa e na americana.

Meu pai e minha mãe, na sua humildade, nunca pouparam esforços para nos proporcionar as melhores condições de estudo.

Hoje, meu pai tem 84 anos, já é aposentado há 14. Minha maior satisfação foi eu ser promovido com ele ainda vivo. Ele ficou tão ou mais contente do que eu.

Fiz o concurso [do Itamaraty] em 1985 e entrei de primeira, aos 22 anos. Quando saiu a lista dos aprovados, um jornal de Brasília fez uma matéria que dizia: "Mulher e negro passam em primeiro lugar no Rio Branco". A mulher foi o primeiro lugar e eu, o segundo.

Vinte e cinco anos depois, uma mulher passar em primeiro lugar já não causa tanto espanto. Naquela época, tinha só uma mulher embaixadora.

Hoje, são várias mulheres embaixadoras, acho que 20, ocupando postos importantes. Talvez chame muito mais atenção quando um negro ascende na carreira do que uma mulher.

Em relação à diversidade racial já avançamos muito, mas ainda temos muito que avançar. Houve um olhar para essa questão na gestão do ministro Celso Amorim.

PRECONCEITO
O preconceito nunca se apresenta claramente. No campo das relações humanas, você nota reação positiva ou negativa das pessoas.

Mas seria leviano dizer que eu experimentei uma situação que pudesse identificar como preconceito [no Itamaraty]. Nunca houve.

Me lembro de um caso [de reação positiva]. A primeira vez que fui à ONU em 2004, um colega do Caribe me chamou no canto para dizer que pela primeira vez via um diplomata negro na delegação brasileira.

Ele enfatizou: "It's the first time ever, ever. We are proud" [É a primeira vez. Estamos orgulhosos].

Eu faço um paralelo com os EUA, que tiveram um sistema de cotas importante para criar uma classe média negra que se autossustenta, que agora pode seguir em frente sem a necessidade de políticas diferenciadas.

No Brasil, as cotas das universidades vão produzir uma diversidade salutar.

COTAS NO ITAMARATY
É preciso haver políticas de ação afirmativa. No ministério, damos bolsas para proporcionar condições financeiras adequadas para que os afrodescendentes se preparem, o que tem tido um resultado muito positivo.

O objetivo é dar condições para pessoas que têm talento. Algumas vezes é visto como se estivessem recebendo um privilégio. Temos o cuidado de preservar as condições de preparação.

Eu não me beneficiei de nenhuma política. Na época, não havia. Mas olhando retrospectivamente, creio que me beneficiei de certas circunstâncias.

Tive oportunidades que raramente os negros têm. Morei no exterior, estudei idiomas com a ajuda do Itamaraty, porque ajudavam nos estudos dos filhos dos funcionários.

Os críticos das cotas têm uma contribuição que não é irrelevante. Eles dizem que, cientificamente, não há raças, não há diferenças entre brancos e negros.

É uma desmistificação para quem acha que há diferenças intrínsecas. Mas há uma falha no argumento. Do ponto de vista humano e das relações sociais, existem diferenças.

Basta ver os índices sociais, condições de saúde e de moradia para ver que existe um problema. Isso não é tratado de maneira séria e aprofundada [pelos críticos].

Nosso país tem muitos passivos. A preocupação social e racial tem que andar lado a lado. Ou deixamos as coisas acontecerem, ou tentamos uma intervenção. O assunto não pode ser jogado para debaixo do tapete.

ÁFRICA
Nos últimos anos, houve uma preocupação de diversificar as relações externas, ter um olhar novo não só em relação à África. Resgatar elementos de nossa identidade, cultura e sociedade.

Mas também avançamos na área comercial, levando em conta nosso interesse econômico. Tenho orgulho de ser negro. Faz parte da minha identidade. E de ser brasileiro. Mais do que isso, tenho orgulho de ser filho dos meus pais. 

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"Prezado, você realmente acredita que uma tragédia humana, ética, religiosa, política, econômica e social como a escravidão acabou em 13.05.1888 sem deixar sequelas de toda ordem na cultura econômica, política, social, artística etc. de nosso país? "

 

Meu caro, eu apenas lhe digo que hoje o negro brasileiro vive muito melhor que o negro africano.

Então foi certo escravizá-los? Claro que não! Mas a história é a contingência dos fatos e, hoje, neste caso, podemos dizer que há males que vêm para bem.

Uma coisa que precisa ficar muito clara é que o Sul e o Sudeste do nosso país são constituídos em sua maioria de imigrantes italianos, alemães, lituanos, yugoslávos , entre muitos outros e,  os imigrantes desses países NUNCA escravizaram negros aqui no Brasil e nem em qualquer outro lugar.

A presidente Dilma é filha de búlgaros... A Bulgária nunca escravizou negros, assim como todos os outros que citei.

Hoje o Sul e Sudeste têm uma legião de brancos pobres, vítimas da miséria do capitalismo e ainda estão querendo lhes tirar vagas na faculdade.

A minha preocupação não é com as vagas que serão tiradas, pois como não há muitos negros por aqui, esse número acaba não significando muito. O problema é o ranço que isso vai causar... Penso que alimenta  preconceitos e fomenta conflitos.

Quando digo que não há muitos negros aqui, posso provar o que digo! Façam uma busca de imagens no Google com o termo “sem terra” e vejam  as imagens dos sem terra... Ali vocês terão a idéia da quantidade proporcional de negros pobres que temos no Brasil, com exceção evidentemente de alguns Estados do Nordeste.

 

http://content-portal.istoe.com.br/istoeimagens/imagens/mi_2609371192954495.jpg

http://abobado.files.wordpress.com/2009/03/bl-via-campesina-mst.jpg

http://www.psolsp.org.br/campinas/wp-content/uploads/2009/08/DSC_0080.JPG

http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/Image/noticias_portal/Seed/normal_Grupos_de_Sem_Terrinhas.jpg

http://www.itevaldo.com/wp-content/uploads//2009/03/mst-em-marcha.jpg

http://www.sendika.org/yazi_resimleri/mst.jpg

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/02/23/23_MHG_pais_rainha-mst.jpg

http://www.amicidijoaquimgomes.it/portugues/progetti/img/semterra.jpg

http://www.diarioliberdade.org/archivos/imagenes/articulos/0610b/190610_sem_terra_em_luta.jpg

 

 

Caro André,

Obrigado pela correção histórica( não chequei a informação mas, aprincípio, penso que seja correta, especialmente porque lhe atribuo seriedade ao passar uma informação dessa natureza, para um público tão amplo.) Lamentavelmente você descambou para a vala comum daqueles que não conseguem uma leitura com um mínimo de seriedade para analisar a gestão da política externa brasileira nos últimos oito anos. Use sua capacidade de leitura histórica e procure olhar com atenção os dados gestão Celso Amorim e verá, se conseguir superar o ranço ideológico, que foi a melhor gestão  dos últimos anos, ao menos na defesa dos interesses do país. Aproveitando ainda sua informação histórica, poderia informar como era a gestão da nossa diplomacia à época, pois não creio que uma figura tão significativa tenha deixado de herança apenas o fato de ter  casado com uma "rica viúva americana."

 

 

Nilva, desculpe, mas não deu pra entender nada. E o fato de você colocar as características das pessoas no diminutivo, me sou muito preconceituoso. 

 

 

 

Informacao errada. O Brasil ja teve embaixador negro e nao foi qualquer um, foi o nosso ilustre diplomata e Embaixador em Washington entre 1911 e 1918, DOMICIO DA GAMA, que durante sua estada na capital dos EUA casou-se com um rica viuva  americana. Lembremos que quando Domicio foi nomeado Embaixador, a escravidao tinha sido abolida ha somente 23 anos. As estorias sobre Domicio, cujo nome original era Domicio Forneiro, estao gostosamente contadas nas fascinantes memorias do Embaixador Heitor Lyra, em 2 volumes, editadas pela Universidade de Brasilia. Essas memorias soa leitura indispensavel para quem quer ter um minima ideia da cultura do Itamaraty, uma das mais solidas instituicoes brasileiras, que espero resista as tentavitas de demolicao  impostas pela corrosiva gestao Amorim-PG.

 

Putz! Não deu tempo. Eu ia te pedir pra não publicar.

Escrevi com o fígado. Agora já foi.

 

Também sou contra as cotas raciais. Afinal, dar 99% delas para os brancos

de todos os matizes, desde os realmente brancos, até os "Moreninhos" de

cabelo liso e as "moreninhas" de cabelo tingido, estes nas últimas colocações,

como convém, e relegar 1% para aqueles outros "moreninhos", "pardinhos",

"neguitinhos"de cabelo duro, é  demais!

Sem essa de dividir as cotas. Basta que os "moreninhos, pardinhos, neguitinhos"

estudem que eles serão contemplados com as cotas para as boas universidades,

 bons empregos, aparecerão na TV, nas propagandas, serão secretárias

executivas, embaixadores, é só querer que eles conseguirão fazer parte dos 99% cotistas.

Reclamam de quê? Querem o bem-bom sem sacrifício? Cota não é pra qualquer um, não.

Querem moleza do governo, querem dividir a sociedade?  É só se esforçar que chega lá.

E o estudo será a redenção . Quando todos tiverem uma boa educação, forem diplomados,

poderão pleitear seus lugares entre os cotistas. Será a glória. Depois, é depois.

 

 

Vejam, amigos, eu sei que vocês não estão aqui fazendo campanha nem nada disso, então penso que devemos refletir bem as afirmações que são colocadas para que não façamos injustiças.

O Brasil é um país constituído de estrangeiros, negros, brancos portugueses e índios que aqui já estavam, depois destas miscigenações   sucederam outras tantas, como a miscigenação dos que já eram miscigenados por exemplo...  Os séculos foram se passando e mais imigrantes foram chegando, italianos, alemães, árabes, poloneses, japoneses, etc. E foram miscigenando com outras etnias e também com outros que já eram miscigenados.

Ocorre que, todos estes países dos quais os imigrantes vieram que eu citei, JAMAIS escravizaram negros no Brasil E, NEM em qualquer outro lugar!!

Não têm absolutamente nada a ver com qualquer escravidão de negros, nem aqui e nem em lugar algum. Por isso peço que reflitam bem as coisas.

Eu coloquei uns links para umas fotos mais acima da página e, gostaria que vocês comentassem.

Sei que há Estados em que o panorama é bem diferente, mas na verdade são uma minoria de negros em comparação aos brancos e pardos. E como todos sabemos, a grande base da população é pobre.

O que eu quero dizer quando afirmo que os negros são minoria? Que a falta de profissionais negros  ocupando cargos de importância se deve também ao fato de estes se encontrarem em proporção muito inferior em quantidade, do que os brancos e pardos.

É claro que o fato de os negros em sua maioria estudarem em escola pública, que todos nós sabemos que é uma instituição deficitária, pelo menos nos ensinos fundamental e médio, também contribui com o quadro de poucos negros ocupando cargos importantes, porém, NUNCA devemos nos esquecer  que nas escolas deficitárias que a maioria dos negros, que são minoria estudam, TAMBÉM estudam a grande maioria de brancos e pardos, que são pobres.  (pelo menos no SUL e Sudeste)

Abaixo eu vou colar um texto bem esclarecedor quantos às imigrações, bem como quanto à cultura do Brasil.

 

 

A cultura brasileira é um grande conjunto de culturas, que sintetizam as diversas etnias que formam o povo brasileiro. Por essa razão, não existe uma cultura brasileira homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. É notório que, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana. É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: são diferentes etnias, porém, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualdade linguística e religiosa é um fato raro para um país imenso como o Brasil.

Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas de empréstimos à língua portuguesa. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor participação africana.

Quanto mais a sul do Brasil nos dirigimos, mais europeizada a cultura se torna. No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na culinária, na música, nos hábitos e na aparência física das pessoas. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém, de forma mais limitada.

 

Abraços a todos!

 

 

 

Desculpem, eu esqueci de colocar o link que leva para o texto na íntegra.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_do_Brasil

 

História belíssima.

Mas SORTE MESMO foi o embaixador ter o pai trabalhando no ITAMARATI ( e com isso ter direito aos benefícios educacionais de filhos de funcionários), quando NÃO ERAM TERCEIRIZADOS.

Viram como a TERCERIZAÇÃO SERIA NEFASTA, COMO SEMPRE FOI? Ou alguém acha que o filho de um porteiro, de uma agência de empregos, teria tamanho cuidado educacional?

Segurança de trabalho do pai,  e dedicação à educação do filho dá nisso: UM EMBAIXADOR.

História tão linda, que "parece" o filme: "As Fraldas do Embaixador" :) E que alegria, o velho pai vivo podendo partilhar de sua vitória. Dá até vontade de mandar um recadinho para o Embaixador:

Exmo. Sr. Embaixador Benedicto Fonseca Filho

Parabéns pela sua trajetória vitoriosa, na Representação  Diplomática do Brasil.  Encha-nos de orgulho, assim como o Embaixador Amorim o fez. Certamente o fará.  

ass: Uma BRASILEIRA como V.Excia.

Brincadeira, de bom gosto, nunca é demais ;)

"End. de resposta": BLOG DO NASSIF. :)

 

"História belíssima.

Mas SORTE MESMO foi o embaixador ter o pai trabalhando no ITAMARATI ( e com isso ter direito aos benefícios educacionais de filhos de funcionários), quando NÃO ERAM TERCEIRIZADOS.

Viram como a TERCERIZAÇÃO SERIA NEFASTA, COMO SEMPRE FOI? Ou alguém acha que o filho de um porteiro, de uma agência de empregos, teria tamanho cuidado educacional?

Segurança de trabalho do pai,  e dedicação à educação do filho dá nisso: UM EMBAIXADOR."

 

Pena que é só pra funcionários públicos do alto escalão...  Alias, parece que os funcionários públicos pensam que só existe eles no mundo.

Por que será que as vagas no serviço público são tão concorridas?

 

Bonita a história do Embaixador. Como negro,e de uma classe mais popular, é muito significativo ver o sucesso do embaixador Benedito,pois ele acaba sendo um símbolo de "sim,é possível chegar lar". Tenho o sonho de chegar ao Itamaraty,mas sei como é dificil e elitista o caminho até lá. Tento não desanimar,pois já tenho vitórias. Acabei de me formar em História pela UFMG,Universidade a qual entrei sem cotas naquela época[não existiam],e com as dificuldades de alguém que sempre estudou em escola pública.

Não posso reclamar da minha tragetória até aqui,ao contrário,tenho é que me orgulhar e agradecer a Deus. Agora é tentar alcançar meu sonho,seguir minha trajetória mesmo com o abismo que existe de alguém com os recursos que tenho alcançar o Itamaraty.

 

Cara, meus parabéns!!  Estudando em escola pública o fundamental e o médio, não é fácil! Boa sorte na tua carreira meu irmão! Você merece!

 

Ao mesmo tempo que ficamos felizes com essa notícia histórica, percebemos que há um longo caminho para percorrermos no sentido da plena igualdade racial no Brasil. Nem nos EUA, ou na África do Sul que tiveram Apartheid formal temos tamanha falta de representatividade no poder político e econômico. A propósito, vejam artigo que fiz para o o portal Correio Nagô sobre o assunto: A fotografia do poder no Brasilhttp://correionago.ning.com/profiles/blogs/a-fotografia-do-poder-no#comments

 

Que história bonita ! Que venham outros embaixadores negros, mulheres negras, índios...

O Brasil é uma nação negra e quando olho para uma mulher na presidência, sonho em ver um(a) negro(a) lá também. O caminho para isso está sendo construído, eu acho. Um dia seremos um país que aceita sua heterogeneidade, em vez de mascará-la.

 

Patrícia, concordo inteiramente contigo.

 

Querido Rafael,

O que você faria para a terminar com as cotas para não negros para secretárias executivas?

Se você quiser um exemplo mais popularesco, e para ficar no âmbito das novelas, o que você faria para acabar com as cotas de 95% para atores brancos?

Não vale dizer "que os negros/negras estudem mais" que isso seria um insulto à inteligênica dos negros.

Ou que eles não são talentosos o suficiente para serem convidados pelo Manuel Carlos...

Hoje, a melhor discussão, mais produtiva e mais perspicaz, não é mais a necessidade ou não de cotas (institucionais) para negros. E sim como acabar com as cotas (culturais) para brancos ou não-negros.

Vamos virar esta discussão que é chata e repetitiva.

Isso é problema que nós temos os das cotas culturais para brancos. Uma coisa que nos ajudaria bastante é fazer um levantamento em profissões que brancos têm cotas.

Eu citei dois campos, mas há outros muitos. Um exemplo ótimo é na publicidade. Embora o panorama tenha melhora levemente nas últimas duas décadas, ainda parecemos viver na Holanda.

Portanto, a pergunta é a mesma: como acabar com as cotas (reafirmadas na nossa cultura) para brancos na publicidade?

Querem mais exemplos? Eu dou.

 

"Se você quiser um exemplo mais popularesco, e para ficar no âmbito das novelas, o que você faria para acabar com as cotas de 95% para atores brancos?"

Taí! Um um sistema de cotas que eu aprovaria era esse de atores na TV...

Já, quanto às vagas nas universidades, penso que precisa dar ensino de boa qualidade PARA TODOS!

Há alguns Estados cuja maioria são pardos e negros, mas não são todos... Tem muitos Estados que os negros e pardos são minoria. E frequentam as mesmas escolas que a maioria dos brancos.  As escolas estão péssimas! Brancos pobres também não chegam a lugar algum com este nível de “ensino”!!!

 

nossa, que história bonita e exemplar!

parabéns ao embaixador, sobretudo porque sabe interpretar magnificamente os acontecimentos e valorizar a sua história. que ela se torne a história de muitos. de todos os homens com talento e dignidade. este é o Brasil, esta é a sociedade que queremos. um Brasil de homens e mulheres. sem adjetivos.

 

 

 

luz

 

Não acredito que a FOlha publicou esta matéria sem editar a parte final da opinião do nosso embaixador.

rs

 

 

diferente do colega rafael , acho q nessa altura do campeonato, o primeiro embaixador negro, só reforça a tese da reparação histórica e das políticas de cotas. é kafkiano que em pleno 2010, em um país como o brasil, seja capa de jornal uma notícia como essa. no plano internacional tds  nós somos representados ,exclusivamente, por brancos? é o 'ó'! se vacilar, a noruega deve ter mais embaixador negro do que o brasil.

 

Que grande história a do embaixador, parabéns a ele e ao Itamaraty. Temos porém, visões diferentes no que diz respeito às cotas: vejo na trajetória do embaixador a prova de que o fator de maior democratização racial e social no Brasil é o ensino de qualidade, que ele, como reconhece, teve o privilégio de ter. Negros não têm capacidade intelectual inferior e, com preparo adequado, conseguem alcançar cargos cumprir funções de alta performance sem nenhum handicap. Cotas são um insulto à inteligência dos negros.

 

Discordo. O novo embaixador só pode entrar no Itamaraty porque seu pai era funcionário do Itamaraty e, como ele diz, foi beneficiado pelas circunstâncias. Quero ver que outro jovem negro ou pobre sem estas circunstâncias chegaria ao Itamaraty há 25 anos atrás. As cotas são grandes instrumentos para acelerar um processo e dar vez a uma faixa etária das populações negras e pobres que ficam foram de certos programas sociais. Talento também precisa de sorte e apoio. 

 

Acredito não ser essa a sua intenção, e concordo contigo, educação de qualidade para todos é a melhor saída. Mas enquanto essa educação não é atingida, fazer o que com as gerações que atravessarão a educação sem o acesso à qualidade necessária para concorrer em pé de igualdade com os que tiveram? Também questiono as cotas serem raciais e não sociais. Há toda uma geração de negros, mestiços e brancos que não possuem a educação necessária. Mas é um momento de adquirir conquistas e não de nega-las. Se hoje negros, mestiços como eu, e índios estão sendo contemplados, ótimo. Lutemos para que essa conquista seja cada vez maior e abarque os que ainda não foram. Para o mais, lutar para que efetivamente exista a melhora educacional que proporcione a igualdade de condições entre todas as classes sociais e, aí, acabemos com as ações afirmativas. Não vejo uma luta distinta da outra. Ninguém precisa de esmola, e ela não está sendo dada, precisa de isonomia de condições. Isso nossa sociedade ainda não tem.

 

E a cristalização de privilégios? Quando as cotas acabarão? Quem decidirá quando a "ausência de isonomia" terá terminado? É melhor nem começar com esta brincadeira. Educação boa pra todos, independentemente de cor da pele.

 

Samuel, entendo sua preocupação. Mas realmente acredita em cristalização e em privilégio no que diz respeito a cotas raciais? Primeiro não se trata de privilégio, mas esforço para equalização, porque igualização é impossível. Segundo, você continua querendo condenar gerações para que no futuro as distorções sejam corrigidas apenas com a educação. Sim, ela é importante, é até crucial, mas não resolverá sozinha a diferença de oportunidades que há entre brancos e negros no país. Devemos festejar a importância do primeiro negro embaixador, mas numa população onde menos de 1/3 é branca, isso é muito pouco não acha? Acredita, sem sombra de dúvidas, que essa discrepância é apenas por critérios meritocráticos? Precisamos de uma revolução cultural, no que diz respeito a preconceito. Uma das formas é o governo promover essa mudança. Acho que está fazendo ao criar a Secretaria Especial da Igualdade Racial, mas até que as ações tragam resultados, não é justo condenar as gerações de hoje para compensar as de amanhã, quando algo pode ser feito agora. Sugiro a leitura de Casa Grande e Senzala. Muito bom! Tive uma outra visão da população brasileira. Se ações equalizadoras criarem conflitos, é porque nossa sociedade é muito mais preconceituosa e ignorante de seu passado do que parece. Significa que ainda temos os valores da sociedade escravocrata. Não enfrentar isso é jogar o lixo para debaixo do tapete. O problema é que nos fará tropeçar no futuro.

 

 

 

"Devemos festejar a importância do primeiro negro embaixador, mas numa população onde menos de 1/3 é branca, isso é muito pouco não acha?"

 Caro amigo, eu lhe peço desculpas, mas eu gostaria de alguma referência sobre este dado que você colocou. De onde você o tirou? Realmente ele não contabiliza o Sul e o Sudeste do nosso país. Ou então está totalmente equivocado!

 

 

Essa coisa de cotas ainda vai provocar conflitos étnicos... Coisa que nunca tivemos por aqui...

É só alguns brancos começarem a sentir-se preteridos e a coisa vai começar rolar...

Eu sempre digo: Governo que quer botar o povo no cabresto, precisa dividi-lo.

Criar atritos , diferenças, usar a mídia para potencializar manifestações isoladas de racismo, etc.

Algo que serve bem para dividir o povo são os times de futebol... Times de futebol são algo que o governo preza muito! Veja que o governo criou uma loteria só pros times poderem pagar suas dívidas e assim poderem  continuar  existindo e dividir bem o povo.

Dividir e ocupar as mentes das pessoas  com besteiras e rivalidades idiotas  em lugar de assuntos políticos.

 

 

 

 

Desculpe se vou usar sua declaração como base para minha argumentação, mas nela está contida uma série de afirmações das quais discordo.

"Essa coisa de cotas ainda vai provocar conflitos étnicos... Coisa que nunca tivemos por aqui..."

Então você desconhece a história do Brasil, e se desconhece é porque ela sempre foi jogada para debaixo do tapete ou minimizada para dar a falsa ideia de um povo ordeiro e cordeiro.

"É só alguns brancos começarem a sentir-se preteridos e a coisa vai começar rolar..."

Desculpe discordar, mas os brancos já se sentem preteridos. Um reflexo disso é a movimentação de estudantes do ensino particular, majoritariamente brancos mas não exclusivamente, manifestando-se contra as cotas, o ProUni e ENEM, porque estariam criando desigualdade de condições no vestibular. Desde quando foram iguais as condições? Desde quando aluno de escola pública tem dinheiro para fazer cursinho, para passar o dia estudando e não ter que trabalhar, mesmo que em casa? Acesso a professores particulares para suprir deficiências? Diversidade de fontes de informação? Dinheiro todos os dias para lanchar ou almoçar fora de casa? Existem aqueles que com todas as adversidades conseguem? Sim, honrosos casos que devem ser valorizados, mas não é regra. Portanto, se ainda não percebeu, já está rolando! 

"Eu sempre digo: Governo que quer botar o povo no cabresto, precisa dividi-lo. Criar atritos , diferenças, usar a mídia para potencializar manifestações isoladas de racismo, etc.""

No momento vejo justamente o contrário. Posso estar errado, mas já eramos divididos, a diferença é que agora é visível. E vejo nas ações do governo uma tentativa de unir. Porem os privilegiados nunca querem a equalização, quiçá igualização?


Quanto ao futebol, nunca gostei! Concordo com algumas de suas ideias, mas não vejo um ópio de massa, mais construtivo, que o substitua no Brasil. Nem tudo neste esporte é apenas para controle. 

 

“Então você desconhece a história do Brasil, e se desconhece é porque ela sempre foi jogada para debaixo do tapete ou minimizada para dar a falsa ideia de um povo ordeiro e cordeiro.”

Desculpe, amigo, mas do que você está falando exatamente?

 

“Desculpe discordar, mas os brancos já se sentem preteridos. Um reflexo disso é a movimentação de estudantes do ensino particular, majoritariamente brancos mas não exclusivamente, manifestando-se contra as cotas, o ProUni e ENEM, porque estariam criando desigualdade de condições no vestibular. Desde quando foram iguais as condições? Desde quando aluno de escola pública tem dinheiro para fazer cursinho, para passar o dia estudando e não ter que trabalhar, mesmo que em casa?”

Bem, eu não tive conhecimento desse fato que você está colocando. Tens alguma referência, notícia publicada, alguma coisa? Sem dúvida, se houver mesmo alguma manifestação pertinente aos alunos beneficiados com o pró uni, eu discordo totalmente! O pró uni, apesar de não ser algo ideal, é muito útil e, na medida do possível, justo. Pois beneficia o estudante do ensino público, ou seja, independente de cor de pele, avalia as condições financeiras do aluno. Isso sim se aproxima mais da justiça do que privilegiar  ou prejudicar alguém por causa de sua cor.

 

 

 

 “Posso estar errado, mas já eramos divididos, a diferença é que agora é visível. E vejo nas ações do governo uma tentativa de unir. Porem os privilegiados nunca querem a equalização, quiçá igualização?”

 

Os privilegiados não querem mesmo... Mas parece que você se esquece que quando você diz “privilegiados” você esta se referindo a uma ínfima minoria!! Por que cargas dagua achas que todos os brancos são privilegiados? Basta olhar a população do Sul e Sudeste e você vai ver  uma gigantesca legião de brancos pobres!!! Paupérrimos!!!

Eu coloquei uns links pra umas fotos mais pra baixo da página e gostaria de seus comentários sobre elas.

 

“Quanto ao futebol, nunca gostei! Concordo com algumas de suas ideias, mas não vejo um ópio de massa, mais construtivo, que o substitua no Brasil. Nem tudo neste esporte é apenas para controle.”

Sem dívida! Não tenho nada contra o esporte. Veja que eu me referi aos times, e à rivalidade exacerbada, ignorante até.

 

Prezado, se a escravidão não foi conflito étnico, foi o quê?

Ou você acha que precisa existir uma guerra civil como a americana para uma sociedade reconhecer que a escravidão, o preconceito e o racismo são problemas sérios e que merecem ações dos governos e das próprias sociedades?

É favor ler pelo menos O trato dos viventes, de Luiz Felipe de Alencastro, antes de tecer comentários sobre o que desconhece.

 

"Prezado, se a escravidão não foi conflito étnico, foi o quê?"

 Desculpe, eu não disse que a escravidão não foi conflito étnico, alias, foi bem mais do que isso.

 

"Ou você acha que precisa existir uma guerra civil como a americana para uma sociedade reconhecer que a escravidão, o preconceito e o racismo são problemas sérios e que merecem ações dos governos e das próprias sociedades?"

Bem, a guerra civil americana se deu em condições muito adversas do que as condições que vivemos hoje.  Havia escravidão.  Hoje há preconceito, apesar de não ser uma unanimidade, mas há. 

Porém o preconceito é um sentimento e, se for caracterizado o preconceito através de ato, aí é crime e dá condenação.  São situações muito diferentes, sem  falar que as idéias abolicionistas foram usadas  na Guerra da Secessão,  que tinha outros interesses por trás, que não só a abolição.  

E lhe peço desculpas novamente, mas a escravidão não é mais um problema. Ela acabou faz muito tempo. Pelo menos para os negros.

O preconceito e o racismo sim, são um grande problema, mas como eu disse, são apenados com cadeia.

 

 

 

Prezado, você realmente acredita que uma tragédia humana, ética, religiosa, política, econômica e social como a escravidão acabou em 13.05.1888 sem deixar sequelas de toda ordem na cultura econômica, política, social, artística etc. de nosso país? Juro que eu adoraria saber como você responderia a uma aluna de uma conhecida minha, menina de sete anos, estudante de colégio particular de classe média alta, que perguntou por que todos os negros são pobres...

 

"Prezado, você realmente acredita que uma tragédia humana, ética, religiosa, política, econômica e social como a escravidão acabou em 13.05.1888 sem deixar sequelas de toda ordem na cultura econômica, política, social, artística etc. de nosso país? Juro que eu adoraria saber como você responderia a uma aluna de uma conhecida minha, menina de sete anos, estudante de colégio particular de classe média alta, que perguntou por que todos os negros são pobres..."

Certamente seria uma explicação muito difícil de se dar, difícil até por sua idade não lhe permitir conhecer mais profundamente os defeitos e hipocrisias da Humanidade.

 Sim defeitos da Humanidade!! Você sabia que muitos negros alforriados tiveram vários escravos e ficaram ricos vendendo escravos? Pois é... O ser humano está ainda muito longe do que idealizamos num ser humano.

Como é possível querer preterir pessoas de pele branca aqui no Brasil, por causa da escravidão, se milhões de brancos aqui nestas terras nada tiveram a ver com a escravidão?

Como é possível quere preterir pessoas de pele branca  aqui no Brasil, por causa da escravidão, se até negros foram donos de escravos e negociadores de escravos?

Você já deu uma olhada nas fotos dos pobres sem terra que eu coloquei mais abaixo nesta página?  Só tem branco!!!!!! Eu coloquei as fotos que é pra não ficar só na conversa e nas afirmações tendenciosoas.

O Sul e o Sudeste é muito diferente do Nordeste! Aqui há legiões de pobres brancos! E não é só entre os sem terra não! Nas favelas e periferias das nossas capitais aqui no Sudeste os brancos e pardos também são maioria!

Veja as fotos que eu coloquei e comente, por favor!!!