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O que ainda vale nas teses catastrofistas para o clima?

Por Marco Antonio L.

Da Folha

Guru verde renega catastrofismo climático

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE "CIÊNCIA + SAÚDE"

Depois de prever que o aquecimento global mataria bilhões de pessoas e reduziria a humanidade a um punhado de refugiados no Ártico, o cientista britânico James Lovelock, 92, admitiu que exagerou no catastrofismo.

Criador da hipótese Gaia, segundo a qual a Terra se comportaria como um imenso organismo vivo, Lovelock é um dos gurus do movimento ambientalista.

Também escreveu uma série de best-sellers sobre o futuro apocalipse climático, como "A Vingança de Gaia", de 2006 (confira outras previsões dele no quadro à dir.)

Em entrevista ao site da rede americana MSNBC, Lovelock disse que o comportamento do clima da Terra desde o ano 2000 contrariou suas previsões mais pessimistas, e que serão necessários mais estudos para entender o futuro do planeta.

"O problema é que não sabemos o que o clima está fazendo, embora achássemos que sabíamos 20 anos atrás. Isso levou à publicação de alguns livros alarmistas, inclusive os meus", disse Lovelock, um dos pioneiros do estudo da química atmosférica.

"O clima continua fazendo os seus truques de sempre. Não tem nada de muito emocionante acontecendo agora. Deveríamos estar a meio caminho de fritarmos", mas não é isso o que está ocorrendo, reconheceu o pesquisador.

ESQUISITO

Para Lovelock, é estranho que a temperatura global da Terra não tenha passado por algum aumento nos últimos 12 anos, enquanto os níveis atmosféricos de CO2 (gás carbônico ou dióxido de carbono), principal gás que esquenta o planeta, continuam subindo e batendo recordes.

Lovelock declarou ainda que outros ativistas antiaquecimento global, como o ex-vice-presidente americano Al Gore, também forçaram a mão no catastrofismo.

Gore não se manifestou sobre a entrevista de Lovelock. As declarações também não repercutiram entre os principais climatologistas do mundo, em parte porque quase ninguém, entre os que estão na vanguarda das pesquisas sobre o clima, têm opiniões tão extremas quanto as que ele defendia.

"Fico feliz que ele tenha mudado de ideia, mas Lovelock simplesmente não lia mais a literatura científica sobre o clima", disse o físico americano Joseph Romm, do site "Climate Progress".

Para ficar só no exemplo mais simples, a maioria das simulações do clima do futuro indica que a temperatura global deve ficar mais de dois graus Celsius mais quente até o fim deste século.

Esse aumento pode causar secas, inundações e aumento (de 1 m) no nível do mar. Mas não deve chegar perto dos cinco graus Celsius propostos por Lovelock.

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Comentários

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Continua a valer o bom senso , tratar o planeta com respeito , cuidar de todos os seres vivos com respeito e carinho e mandar os Verdes procurarem outro discurso.

 

Em relação ao erro do Lovelock, o  mais lamentável foi a "reportagem" da Bandeirantes ontem sobre o assunto que entendeu que como o Lovelock não é tão catastrofista, então a temperatura da terra está caindo!!! Sim, isso mesmo, acredietem,  arrumaram um especialista desconhecido que afirmou que daqui a 20 anos veremos como "os invernos vão estar mais frios".  

Eu sempre tive restrições quanto aos catastrofistas pois eles alimentam aqueles que não acreditam no não-aquecimento. Basta provar que as previsões estavam erradas (como no caso do Lovelock), para procurar inverter o fato de que o planeta realmente está se aquecendo (em taxas menores, tudo bem). 

A Band conseguiu a façanha ainda de "fundir" duas reportagens, esta e uma sobre o código florestal sugerindo, basicamente, que como "não há aquecimento global" (o que nunca foi provado) e sim "resfriamento" (segundo o "especialista") então o código florestal pode ser aprovado. Simples assim. Outro exemplo infeliz de concessão pública cujo jornalismo está a serviço dos demais negócios do patrão. 

 

 


Paulo Paiva (domingo, 06/05/2012 às 09:15),


Gostei muito dessa sua chamda. Também vi o programa da rede Bandeirantes e achei de baixo nível a correlação entre o problema ou falta de problema do aquecimento global e o Código Florestal.


Deixo a seguir o link para a Exposição de Motivos da Lei nº 4.771/65 que é o ainda em vigor Código Florestal Brasileiro:


http://codigoflorestal.files.wordpress.com/2010/02/exposicao-de-motivos-do-codigo-florestal-de-1965.pdf


O que se pode observar desde o início da Esposição de Motivos é que o Código Florestal visava sobretudo combater problemas de erosão e de declínio da produtividade da terra. Veja, por exemplo, o trecho a seguir tirado do final do primerio pargrafo da Exposição de Motivos e do início do segundo parágrafo:


"A agricultura itinerante continua se desenvolvendo segundo os métodos primitivos dos primeiros anos do descobrimento.


Chega o agricultor, derruba e queima as matas, sem indagar se elas são necessárias à conservação da feracidade do solo ou do regime das águas. Depois de alguns anos de exploração, renovando anualmente a queimada, como meio de extinguir a vegetação invasora, o terreno esgotado é entregue ao abandono e o agricultor, seguindo as pegadas do madeireiro que adiante derrubou as árvores para extrair as toras, inicia novo ciclo devastador idêntico ao precedente".


É claro que há outros interesses também por trás do Código Florestal de 1965. A frase transcrita a seguir da Exposição de Motivos da Lei nº 4.771/65 e que vem na seqüência do trecho transcrito anteriormente, deixa claro esses outros interesses:


"Como efeito disto, a agricultura cada vez se interioriza mais e cada vez se distancia mais dos centros consumidores, requerendo transportes sempre mais caros".


A destacar que para a elaboração do Código Florestal foi criada ainda no governo de Jânio Quadros uma comissão e essa comissão era formada por pessoas do Estado da Guanabara e de São Paulo e, portanto, guardou certo viés contra as regiões mais pobres do país. Não há nada, entretanto, que justificaria relacionar a elaboração do Código Florestal e a grita contra o aquecimento global.


Esse programa da rede Bandeirantes serve apenas para indicar que a crítica à rede Globo ainda que deva ser feita de forma sistemática deve ser feita com a percepção que ainda assim a rede Globo está bem à frente de seus concorrentes. Ainda que tenha ficado um tanto canhestra a minha redação, foi isso que eu tentei dizer ontem junto ao post "A ansiedade da Globo com Brizola" de sexta-feira, 04/05/2012 às 18:46, aqui no blog de Luis Nassif em chamada que Alberto Porém Jr. faz para vídeo da Globo, mostrando certo descontrole da rede Globo com o papel assumido pelo neto de Leonel Brizola. O post "A ansiedade da Globo com Brizola" pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-ansiedade-da-globo-com-brizola?page=1


Deixei o link para a segunda página porque lá se encontra a redação canhestra do meu comentário enviado na madrugada de sábado, 05/05/2012 às 00:00, para o comentário de Ivan Moraes enviado sexta-feira, 04/05/2012 às 19:47.


Em poucos segundos de utilização de um canal de telecomunicações, a rede Bandeirantes faz um desserviço incomensurável ao Brasil.


O pior em toda a discussão e que serve para dar um pouco de razão a Chico Pedro sobre a falta de planejamento no Brasil (Embora eu não considere isso como falta de planejamento, mas como planejamento ruim) é que grande parte das discussões sobre o futuro do Brasil é feita por capitalistas que não entendem o sistema capitalista que eles defendem. Assim, ao reduzir o custo de produção agrícola no Brasil permitindo mais desmatamento, apenas se vai tornar o produto mais barato e assim serão os consumidores estrangeiros os que vão mais lucrar com medidas como essa.


No caso de facilidades para a produção rural a situação se assemelha às facilidades para o loteamento urbano no Brasil. Como a área aproveitável é maior há mais oferta de lotes e o preço do imóvel fica menor. É bom para as camadas mais pobres, mas que poderiam ser atendidas com uma forma mais adequada à realidade urbana do país e das formas de construção. Como se faz, os bairros ficam com ruas estreitas, não é possível estacionar veículos dos dois lados da pista e as ruas não podem servir de mão e contra mão com a possibilidade do trânsito de ônibus. Além disso, os passeios são estreitos de tal forma que não se dá nem para andar no passeio de braços dados com outra pessoa.


Então, uma medida para permitir auferir mais lucros (Permitir o aproveitamento maior das áreas de loteamento) não aumenta o lucro pois o preço do lote diminui e é inadequado para o futuro. Não é, portanto, falta de planejamento, mas planejamento ruim.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 06/05/2012

 

O problema do planeta não é com a temperatura atmosférica. Está sendo e será com a "temperatura" das mentes humanas. Acredito que a intolerância e a indignação humanas tendem a aumentar, tornando o ser humano cada vez mais sensível às arguras que virão. Estes sim serão os motivos de preocupações e de possíveis detonadores de conflitos.

 

Os invernos ESTÃO cada vez mais frios;

 

Em contrapartida, os verões ESTÃO cada vez mais quentes na região intertropical.

 

Creio que a maior mudança climática que aparecerá vai ser a extinção do clima ameno, e isso sim preocupa.

 

Paulo. Este programa não foi o sexta - feira? Foi realmente um programa que ninguém poderia perder. Deu um banho na Globo e na Veja de como desvirtuar um fato, de como se conduzir maquiavelicamente uma matéria, de como promover a lavagem cerebral do seu telespectador. Se é a mesma aconteceu assim: A matéria versava sobre o reconhecimento do erro de Lovelock. Daí ele colocou esse especialista que falou um monte de coisa e entrevistou nada mais, nada menos, que o ex presidente do INCRA, de FHC, Francisco Graziano. O objetivo claro, real, perceptível é que usaram a matéria, as declarações de Lovelock para afirmar que os cuidados com as matas ciliares, a preservação ambiental eram balelas. Vou ver se acho o vídeo para postar.

 

Consegui pegar a matéria. Aqui vai:

http://www.band.com.br/jornaldaband/videos.asp?v=2396316b00e6cf9190724f8...

 

Quando estava no último ano de formatura na UFV em 1999, um professor já nos alertava sobre o início da Era glacial do planeta.

Esta tese já é bastante antiga.

 

É mais um legado neolibeles do reagan-tchatcherismo: pra detonar o maior sindicato da Inglaterra - congêneres mundo afora - criaram o terror no mundo sem contudo ir a fundo nos reais problemas de poluição como a dos alimentos provocada por substâncias estranhas recém introduzidas na alimentação humana e na animal, por tabela, também humana. Faz tempo que os estados dominados por fracotes muito espertos só usam a fórmula assírio-católico medieval de dominar pelo medo. Existe uma enormidade de problemas ambientais ocorrendo sem que ninguém lhe dê a devida atenção, enquanto todo mundo se vira para uma catástrofe artificial como forma de dominar pelo medo. E trazer lucros. Cadê a história do CFC? Depois que o novo gás, sob direitos financeiros, substituiu o antigo que caiu em domínio público nunca mais ninguém falou em camada de ozônio.