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O silêncio eloquente em torno da Satiagraha

A grande novidade nesse final melancólico do caso Satiagraha é o silêncio da grande imprensa. Mesmo nos blogs mais fortemente comprometidos com a impunidade, não se ouviu mais do que um murmúrio que tentava, de algum modo, redesenhar o passado, no estilo "eu bem que avisei". Mas ninguém se dispôs a rediscutir o assunto. Ou muito me engano, ou existe um mal-estar difuso na grande imprensa com esse desfecho, para o qual ela colaborou de modo decisivo. É preciso lembrar, neste momento, a coragem de todos aqueles que, no olho do furacão, não se calaram, enfrentando bravamente as próprias empresas em que trabalhavam - Mônica Bergamo, por exemplo, que pôs sua coluna a serviço da Justiça num momento em que seus empregadores secundavam os advogados de Daniel Dantas em editoriais. Houve outros. No fundo, esses bravos profissionais devem hoje sentir-se revoltados, como todos nós, mas também vitoriosos. O que pode significar esse silêncio agora senão vergonha daquilo que foi dito e feito no passado?

O que aconteceu nesse episódio foi muito algo muito simples. Criou-se o mito de um "ativismo político" na Polícia Federal, com ramificações na Justiça. Se Daniel Dantas não estava a salvo, quem mais dentro das elites brasileiras poderia sentir-se a salvo? A sensação (totalmente paranoica, e por isso mesmo completamente desconectada dos fatos) era de que o governo Lula finalmente teria encontrado um meio de dar vazão à sua ânsia de ruptura. A vingança contra a burguesia (???), não vindo pelas mãos de um Henrique Meirelles, viria pelo martelo de um Fausto de Sanctis e pelas algemas de um Protógenes Queiroz. Loucura completa, em estado bruto, disseminada entre jornalistas por quem estava mais próximo de Daniel Dantas, e tinha medo (este sim bastante real) de ser atingido pelos estilhaços. A tese pegou. Era preciso pôr um freio ao "ativismo" do Judiciário, ou a "revolução petista" iria pôr-se em marcha, capitaneada pro de Sanctis. 

Hoje, com a poeira já assentada, vemos a que tudo se resumia, em última instãncia - um delegado, na ânsia de levar a cabo uma operação policial sabotada por seus superiores, usa uma brecha efetivamente existente na lei, e chama agentes da Abin para ajudá-lo nas operações - todas, absolutamente todas devidamente AUTORIZADAS PELO JUDICIÁRIO. Foi em torno disso que o circo se armou. Foi com esse argumento pífio que a impunidade, mais uma vez, triunfou no Brasil. Sem o pano de fundo da paranóia, vemos agora essa gigantesca operação de salvamento reduzir-se àquilo que ela realmente é - uma chicana bem conduzida por advogados matreiros. Nada além disso. Nada que possa entusiasmar ninguém - antes muito pelo contrário. Nada de que alguém possa se orgulhar, enfim, com exceção daqueles que ficaram ao lado da verdade e do bom senso até o final. Até hoje, leio com uma certa reverência a coluna dos jornalistas que resistiram àquela alucinação coletiva. Posso concordar ou discordar de qualquer coisa que qualquer um deles diga, mas sei que se trata de uma pessoa honesta, disposta a honrar sua profissão. Com relação a outros, o sentimento é exatamente o inverso. Ou eu muito me engano, ou fiapos desse sentimento de aversão e nojo podem ser detectados, hoje, até mesmo naqueles que mais colaboraram para que os fatos tivessem o curso que tiveram.

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Prezados,

o inquérito policial é uma peça meramente informativa, qualquer vício que por ventura contenha  não contamina o processo, pois nessa fase da investigativa não há contraditório. Penso que a participação da Abin não tem força para anular o processo, até porque agência é órgão de investigação do Estado. Quantas vezes vemos nos Estados da Federação Polícia Civil que é responsável por investigação e Polícia Militara que a polícia prenventiva trabalharem juntas na fase do inquérito e não há alegação de nulidade do processo. Qualque bacharel em direito sabe disso.

 

Não vamos misturar as coisas: o grande parceiro de Dantas foi o governo FHC, com suas privatarias, que benificiaram também Jeressatis e Deus sabe lá mais quem. Fora isso, quero saber quem vai dar conta do dinheiro movimentado no Oppotunity pelos demotucanos. CANSAMOS DE SER ENGANADOS.

 

Como já havia dito, trata-se de uma máfia. Atacam seus adversários com toda força e, ao mesmo tempo, são omissos, cúmplices e coniventes com as falcatruas de seus afetos (demotucanos na maioria). Da mesma forma, fecham os olhos para a farra dos desgoverno aqui de Minas, do dinheiro no exterior e no Oportunitty dos tucanos, do enriquecimento dos membros desses partidos, dos torturadores da direita, da farra de Malufs, Aecinho, governo Serra, Alvaro Dias, Agripino, Yeda, Arruda, ACMs, Sarneys (quando governo FHC), coronéis políticos pelo interior a fora, e por ai vai. Para a informação de todos: Aqui em Minas está tendo greve dos professores, da polícia e dos bombeiros. Na nossa assembléia não existe oposição ou questionamentos, e a festa continua. Deputados ganham mais de quarenta mil reais e não param de aprovar verbas. Os salários do funcionalismo público é vergonhoso. Como FHC, querem exterminas a classe média. O grupo Abril, em parceria com sua corja de política, tem projeto para privatizar toda educação e doutrinar a nossa sociedade com ideias preconceituosas, de intolerância e reacionárias. É a isso que devemos estar atentos. Cansamos de ser enganados. Temos que passar o país a limpo. 

 

O problema é que o braço do povo não alcança estes senhores do judiciário e do poder em geral, não adianta votar, os eleitos não mudam a estrutura, estão sempre de rabo preso, e quando não estão com o tempo acabam ficando. Ah e se vc perguntar por aí a maioria nem liga para isso. dífícl este país, as pessoas acreditam nos jornais sim, infelizmente. Pelo menos aquiem São Paulo.

 

Eu ainda acredito...muito difícil, mas possível

se mais à frente o governo juntar o reconhecimento de que houve prejuízo para o país, participação da Abin torna-se legal e automaticamente oficializada

Se governo não reconhecer, é porque algum sócio vai esquecer de lembrar...............bem...

de repente vem daí a garantia(?) de que a operação seria segura e o operador uma pessoa da confiança de todos...lista, justiça, políticos, até da polícia

 

o silêncio nunca deixará de ser a união de infelizes, nunca

pois sempre que a mídia não tem pressa, o dinheiro entrou adiante...............guardem

 

 

"operador uma pessoa de confiança de todos", conheço uma pessoa totalmente confiavel e com "notório saber jurídico". É o Sr. Gilmar Dantas, mas apita para o outro time.

 

A campanha contra a Satiagraha era notória, e conduzida sem nenhum critério. Dou apenas um exemplo a você. Do começo ao fim, sem que houvesse o menor indiício de que isso ocorrera, os principais jornais e revistas do país insinuaram (quando não afirmaram, com todas as letras) que tinha havido gravações não autorizadas pela Justiça. Jamais mencionavam um único caso concreto, mas passavam a impressão de que centenas, talvez milhares de grampos ilegais tinham sido realizados por agentes da Abin sob o comando de Paulo Lacerda e Protógenes Queiroz. Usavam com insistência a palavra "araponga" para destacar a conotação de ilegalidade. Pois bem. Não houve nenhum (NENHUM) grampo ilegal feito durante a investigação. Restou, então, arguir a ilegalidade do uso de agentes da Abin. É assunto controverso. Tão controverso, que dois dos melhores juízes do STJ consideraram que não havia ilegalidade alguma aí. A votação, você mesmo viu, foi apertada: 3 a 2. Protógenes Queiroz foi crucificado, antes dessa sentença, porque grande parte da imprensa já havia decidido que a intepretação correta da lei era aquela que servia a Daniel Dantas. Dois dos três juízes que deram a interpretação pro réu nesse caso são antigos advogados, naturalmente inclinados a valorizar os aspectos da lei que favorecem a defesa e dificultam a obtenção de provas.

Não sei por que os jornais se comportaram dessa forma - acompanhando de perto a linha de defesa de Dantas. Em meu post, exploro a seguinte possibilidade (leia direito - você não tem paciência de ler): disseminou-se a ideia de que parte da esquerda do PT,  encastelada na PF, estava usando a instituição para fazer política. No caso, botar na cadeia um dos principais financiadores de campanha dos tucanos. Uma loucura completa. Mas pegou. Foi algo semelhante ao clima de histeria que se criou em torno do Arraial de Canudos, nos primeiros tempos da República. Agiam com base nessa crença amalucada. O que havia por trás disso? Só um delegado Caxias, honestíssimo, tentando fazer o seu trabalho, e um juiz que estava tentando aplicar o princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Nada além disso. 

É essa a minha opinião.

E você? Vai sair da toca? Ou seu negócio é dar um chutezinho na canela e sair correndo como se fosse um rato? 

 

Faço só uma observaçãozinha. Existe hoje no país centenas, talvez milhares de ações de espionagem-arapongagem contratadas a "assessorias de segurança & etc." por grupos políticos, empresariais, etc., às vezes pelos motivos mais descabidos ou corriqueiros. Está uma festa no Brasil, totalmente descontrolada e desregulada. É um fato. Isso é uma coisa, mas o caso é que foram justamente atrás de quem fazia tudo em nome da lei, pela lei, para preservar a lei no Brasil. Quer dizer, investigação não pode, mas essa arapongagem, de 2a., 3a., 4a. e até 5a. categoria está chovendo no Brasil. Os caras mais despreparados são aproveitados, as operações mais loucas são tentadas, tudo à revelia da lei, diante da falta de severidade e de vigilância do Estado. Aliás, muitos agentes públicos, em atividades de assédio político, corrupção e afins, usam esses "serviços".

Não devemos esquecer que nesse mundo digital interceptar informações é coisa de videogame de adolescente.

 

Quer dizer, é bem possível que entre os caras que não querem deixar o Estado usar os instrumentos de investigação, que tentam barrar ações legais e legítimas de investigação, estejam os usuários e beneficiários desses serviços clandestinos que eles mesmos astutamente denunciaram, e quiseram confundir e comparar com a Satiagraha. Mas aí também é ingenuidade dos cidadãos - ou falta de se informar mais -  se deixarem enrolar e não verem que uma ação está correta, e a outra é pilantragem, e que essa arapongagem ilícita está justamente do lado oposto ao da Satiagraha.

 

ops, astuciosamente. Astutamente já é sintoma da gripe.

 

O texto acima é resposta à intervenção de José Adailton.

 

"seus empregadores secundavam os advogados de Daniel Dantas em editoriais"

Em considerando-se  que aqui inexiste a figura do "assassinato de reputação", acreditamos que há razões factuais conhecidas do autor do post que justifiique a suposta acusação embutida na afirmativa acima.

 

O Google é seu amigo. Basta colocar "editorial folha defende daniel dantas".

A primeira ocorrência ja te dá a resposta!

http://olicruz.wordpress.com/2010/03/27/folha-defende-gilmar-mendes/

 

  Hein???

  Nao precisa desse salamaleque todo. Basta simplesmente ler ou ter lido diversos editorais contra o tal de Estado Policial, vergonhoso conto da carochinha. Canalhice pura.

 

Os crimes de Daniel Dantas existiram e foram fartamente documentados e comprovados.

A Lei é ruim e dúbia, propositadamente feita assim para livrar a cara dos bacanas, que podem pagar os advogados milionários, que a conhecem muito bem.

Perdoados, os crimes não foram. A forma de como foram investigados, sim.

Sendo assim, esperamos por um delegado bem macho para reiniciar a investigação toda, de novo, na forma da lei. Esse criminoso não pode ficar impune!

 

 

Jotavê,  o Setti falou alguma coisa?

 

Falou o quê? Não estou entendendo.

 

Após a leitura do relatório por Gilmar Mendes, o Ministro Ricardo diz que pela 1ª  vez vai julgar uma decisão transitada em julgado, i.é, o Gilmar queria julgar a mesma coisa pela 2ª vez.

Dizem que para o cargo de Ministro, há que ter "notório saber jurídico".

Cada dia que passa fica mais clara a incompetência e a ignorância jurídica, de alguns membros da Suprema Corte brasileira.

O cara da esquina sabe muito mais que determinados Ministros que envergonham à República, só não envergonham quem os indicou.

 

Discordo. Pra mim o silêncio da velha mídia está mais para esconder os fatos  do que para vergonha

 

STJ: Suntuosíssima Tribuna dos Judas.

 

 

Os poderosos são inimputáveis.

 

 

Tudo se resume a "impunidade, mais uma vez, triunfou no Brasil" ...

Eu, por inocente ou ignorante, achava que não aconteceria mas, aconteceu. Esvai-se com isso enorme quantidade de esperanças nesse país. E é realmente muito estranho o silêncio de baluartes da imprensa.

 

Concordo plenamente.  EH TODO MUNDO ESPIAO, GENTE.  E O JUDICIARIO EH O ULTIMO RECURSO DELES.  SEMPRE FOI.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Sr. Jotavê. Foi citada a Sra Mônica Bergamo como exemplo. Não daria pra nominar os outros?

Seria uma homenagem aos bons.

 

 

Vou cometer injustiças se tentar. Fernando de Barros e Silva certamente foi um dos que resistiram bravamente. Houve outros. Do outro lado, o pior nome, de longe, foi Fausto Macedo, do Estadão. Eu nunca tinha visto (a até hoje não vi) uma cobertura tão descaradamente parcial em toda a minha vida. Os advogados de Dantas não teriam ido tão longe quanto ele foi. Nunca mais consegui ler um texto dele sem ficar com o pé atrás. 

 

Eu colocaria o Rubens Valente (Folha) e o Jailton de Carvalho (O Globo). O primeiro escreveu vários bons artigos e o Jailton fez aquela tabelinha sensacional com o Leandro Fortes que incomodou o então Supremo Presidente do Supremo.

 

Carlos Chagas, da Jovem Pan. Ontem disse com todas as letras que o que aconteceu na Satiagraha foi uma vergonha.

 

" NOMEAR" os outros.

 

"...nós temos hoje 430 bombeiros militares presos e o bandido solto! Olha que contradição nessa democracia!"

Dep. Protógenes Queiroz, 08/06/2011.

 

Só para dar o contraste, esses dias nos EUA policiais comuns de Nova York adentraram o aeroporto internacional, entraram no avião já preparando-se para decolar e de dentro do avião tiraram ninguém menos que o diretor do FMI, preso, por acusação de um crime comum, um abuso sexual denunciado por uma camareira, ele que ia para um encontro com a Premiê da Alemanha, Angela Merkel. E o levaram, algemado! Foi preso na frente de todos os outros passageiros, sem cerimônia. Que coisa, não! O homem mais poderoso do FMI. Levado para uma delegacia de Polícia de Manhatan. E deveria ser diferente? Enquanto isso, no Brasil...

 

Perguntaria se o nosso Eliot Ness externou sua indignação na tribuna da câmara federal.Será que ele teria a obrigação moral de se manifestar como protagonista da operação policial que foi , expondo suas convicções sobre a legalidade dos seus atos como agente do Estado? Ou será que ele já se "acomodou"  ao statu quo para onde foi alçado, pós repercussão midiática do seu trabalho? 

 

Tá aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=fWtYorIsK0g

e aqui também:

http://www.youtube.com/watch?v=t4EridojjZY&NR=1

 

Não deve ter passado na Globo, por isso o adimirador de Ness não viu ...

 

No fim o "mais errado" da historia foi o delegado que não aceitou a propina, na próxima delegado pegue o dinheiro pelo menos dará algum prejuizo ao meliante, fará mais justiça que toda a nossa justiça.

Esta é moral da história e servirá de exemplo para outros.

Brasil um país com anomia social e país sem justiça.

Anomia22
 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Anomia social o caramba.

O Brasil tem várias normas sociais, uma delas, por exemplo, é que egoísmo e ganância são errados, uma norma social que pseudo-libertários USA-style como você estão tentando minar faz mais de 10 anos.

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

E vc faz sacrificios em nome da coletividade, e deseja fazer o bem com o dinheiro dos outros é claro.

Nunca viu falar na virtude do egoismo, sou egoista pq que desejo o bem dos outros para me sentir bem.

 

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

A indignação disfarçando a trollagem ....

 

A satiagraha para mim foi o que desnudou de uma vez por todas a posião política que todos temos, mas que uns insistem em se dizerem distantes e isentos. Ficaria tão claro quem era digno e quem era canalha que hoje não dá mais para voltar atrás e fingir que nada aconteceu.

 

Bom, qual seria a pauta séria, profissional, nos jornais? O nome dado, e se quer saber, acho que até de modo ingênuo, nesse sentido, pelo delegado Protógenes: Satiagraha, como disse o delegado, o caminho da verdade. Mas de forma negativa, ou seja, a pauta seria que o Brasil mais uma vez foi pelo desvio, o Brasil não tomou o caminho da verdade, não conquistou a sua independência dos poderes que de alguma forma ainda o oprimem. Satiagraha foi o nome do "caminho" dado por Gandhi à sua campanha pela libertação da Índia: firmeza na verdade!

E a série de reações nos mais variados setores da sociedade brasileira indicam que de forma massiva uma legião de autoridades, representantes políticos e empresários estavam abertamente praticamente atos financeiros lesivos ao país, que de forma geral mantêm aquele status quo atrasado e secular de nosso país: a desigualdade social em sua forma mais discriminatória, o preconceito racial, a herança escravagista, o apartheid social, o coronelismo, a impunidade, etc. No fundo é isso. Se todos seguissem a lei e a Operação Satiagraha seguisse o seu curso normal, dentro da lei, então estaríamos de verdade vivendo em uma democracia, dentro dos limites do Estado de Direito.

Então não era preciso apenas invalidar a mobilização dos dispositivos de informação do Estado brasileiro para detectar grandes operações ilegais envolvendo o capital, venha de onde vier. Era preciso neutralizar isso, lançar isso na ilegalidade e na inocuidade: não terá valor jurídico. Então não podemos de fato cobrar a lei de todos, mas apenas do "povo", do cidadão comum, do "público", do "consumidor", de nós, e seguem-se os adjetivos a seu gosto. A Abin não pode participar, as algemas não podem ser usadas, as informações não podem ser divulgadas por jornalistas, de preferência o assunto não deve ser noticiado, e jamais, jamais, os implicados devem ser identificados, ou o dispositivo de evasão e exploração ilícita através de negociatas envolvendo o exterior pode ser desativado. É essa a pauta. O juiz não pode julgar, o Procurador Geral não adianta nem encaminhar, o delegado e os policiais não devem investigar, ou vejam o que acontece com eles...

De quebra, a Satiagraha pelo menos teve o triste mérito de ir revelando da forma mais cabal, um a um, todos os níveis e todas as ações de evasão e retaliação, por parte dos que praticam os atos de evasão financeira e outros quetais, lesando o Estado e o Brasil, sacrificando toda a sociedade, e também a deformando, reforçando a própria corrupção e impunidade, além da desigualdade e exclusão, além de tornar claros e expostos os muitos descaminhos da Justiça em nosso país. Mostrou que o ranço escravagista, de uma sociedade de castas, de um autoritarismo sem limites, continua vivo e atuante, ou seja, a cabeça dos brasileiros, o pensamento dominante, mudou muito pouco. Apenas o necessário para aproveitar os grandes e altos benefícios "de ocasião". Mas, na hora de cumprirem o tratado, de darem o retorno, de cumprirem a lei, pagarem os impostos, efetivamente respeitarem a democracia, ah, nessa hora, aí passa a valer a confraria.

 

Luiz Horácio, seus comentários aqui no blog não são numerosos, não o vejo comentar a toda a hora. Mas quando aparecem são na veia. Muito boa a sua análise mais uma vez. 

 

O Brasil nunca deixou de ser uma republiqueta.  Este país tem donos.

Os proprietários do país mandam em Dilma, no Congresso, no Sistema Judiciário, nos Jornais, nas

Revistas, nas Televisões, na Polícia Federal, no Exército, na Internet, no ar nos mares, na

atmosfera.

 Eles são os donos dos bancos, das empreiteiras, das industrias, das mineradoras,

dos jornais, do grande comércio, do agronegócio, das editoras, dos transportes e alguns

acreditam que vivemos numa democracia

O povinho é o servo voluntário. Senão porrete no lombo do mesmo se tentar colocar a cabeça

de fora - vide 1964, morte de Getúlio, Rede da Legalidade.

Daniel Dantas deve ter brindado a vitória, com champagne francesa em torno, de 50 mil euros a

garrafa. Por que dólar virou dinheiro de pobre.

Quem ri por último ri melhor deve ter dito, a exemplo da empreiteira anteriormente beneficiada.

 

O silêncio eloquente é somente a expressão da conivência para abafar o escândalo.

 

 

O voto que por ora é ganhador- des. Macabu é fácil de ser rebatído, desmontado e distorcido de forma a retornar para a realidade dos fatos.

 

Quanto a Monica Bergamo, é jornalista que hora tá aqui ora ali. Inclusive nada soltou a respeito.

A foto dela no lançamento dos anais da j. do conjur em dez de 2010 é deveras interessante. Esperei que soltasse alguma matéria, afinal ela esta com Chaer, Mazloum, Marrey conversando e brindando o lançamento e na sua coluna posterior à data nada disse sobre o lançamento.

Hoje lendo uma coluna do conjur parecia combinada com matéria da Monica anos atrás. Até MSI estava, somente faltava a castelo de areia que faltava.

 

ainda resta uma ultima esperança que é o recurso ao stf, embora saibamos que nao se deve esperar nada de honrado daquela corte tambem; triste brasil

 

O Lula no final do seu governo garantiu que a Satiagraha teria uma solução, não essa que houve, é claro.

Será que existe alguma coisa que nós, pobre mortais, não sabemos ?

 

Consagre os seus sonhos e projetos ao Senhor, e eles serão bem sucedidos, creia.

gAS

Gilson,

Não é possível tapar o sol com a peneira. O governo Lula foi PARCEIRO de Daniel Dantas nessa história toda. Demitiu o delegado Paulo Lacerda e nomeou para o seu lugar um inimigo de Protógenes Queiroz. As razões de Lula, eu desconheço. O comportamento foi esse.

 

Jotavê, não posso concordar com esse tipo de generalização. Se Lula não tivesse dado carta branca, lá atrás, para Márcio Thomaz Bastos e Paulo Lacerda, a PF não teria aumentado (tanto quantitativa como qualitativamente) suas operações, e pela primeira vez se preocupado em correr atrás dos crimes de colarinho branco. Acredito quando Bob Fernandes disse que Lula considera Daniel Dantas "um escroque" (ao passo que, para FHC, todos sabemos, é "brilhante"). Ocorre que há ingenuidade nessa visão que atribui a Lula os poderes de um deus, como se o governo fosse ele, e não uma conjunção de forças. A simples leitura desapaixonada do episódio Daniel Dantas e as reações no Congresso quando da sua prisão evidenciam uma relação bastante íntima, próxima e comprometedora entre o banqueiro e os principais partidos que deram apoio ao governo FHC (PSDB, PFL e PMDB). Não duvido que haja gente de Dantas no PT tb, não duvido de nada já que até no STF ficou claro que ele conta com "amigos". Mas tenho convicção de que Lula, como pessoa física, não é um desses "amigos", e se alguma resistência houve a Daniel Dantas, na história dos governos recentes, essa resistência ocorreu no governo Lula. Com FHC, Daniel Dantas nadou de braçada...

 

"Ou o Brasil acaba com a mídia canalha, ou a mídia canalha acaba com o Brasil"

Bom, se o Lula ajudou o Dantas nesses casos. a filha do Serra foi sócia da irma do Dantas....rsrss, não tem como comparar né, então nem que seja por exclusão, neste caso, temos que ficar com o Lula.

 

@DanielQuireza

 

Não esqueçamos do Lula. Ele disse que isso seria resolvido, então vamos esperar. Não sabemos de tudo mesmo, nunca. Mas no Lula confiamos. Não vamos perder a esperança.

 

Sinceramente? Sou mais Santa Rita de Cássia.