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O trem bala e a desconcentração urbana

Por Louren

Comentário ao post "Nossas cidades são "bombas socioecológicas", diz urbanista"

Em entrevista à Carta Capital (agosto de 2011), respondendo a propósito do projeto do trem-bala, a Presidenta Dilma fala em “reconfiguração e desconcentração urbanas”, numa interessante visão de futuro:

“Não se trata apenas de oferecer mais uma alternativa de transporte, mas de produzir uma reconfiguração urbana. É um ponto que ninguém discute. No trajeto entre o Rio e São Paulo vai ocorrer uma desconcentração urbana [com o trem bala]...

...Uma vez em Tóquio percebi que as ruas eram estreitas, mas não havia congestionamentos. Quis saber o motivo e me explicaram que o sistema de trens criado depois da Segunda Guerra Mundial tinha mudado a direção urbana das cidades. Nas paradas entre Tóquio e Kyoto criaram-se bairros, áreas de moradia. Pense no percurso entre São Paulo e Rio, entre a serra e o mar. É um dos lugares mais bonitos do País. Não existirá motivo para que as pessoas não queiram morar nesse caminho. Com o trem-bala, alguém que viva a 60, 70, até 100 quilômetros do Rio ou de São Paulo chegará rapidamente aos centros dessas cidades.”

Seria utópico pensar em termos do exemplo citado por Dilma?

Bairros ou pequenas cidades, planejadas, com infraestrutura que proporcione qualidade de vida aos seus moradores?

Conheci uma brasileira casada com um francês, que morava num bairro assim (chamado lá de “banlieu”) de classe média, próximo de Paris. O marido era profissional liberal, bem empregado, mas morar em Paris era muito caro, mesmo para eles.

Um exemplo recente, aqui no Rio, me faz ter alguma esperança:

Trabalha para mim uma diarista cuja filha comprou uma casa do “Minha casa, minha vida”, pela qual paga R$ 400,00 por mês. Pronta, com todos os acabamentos, inclusive revestimentos cerâmicos internos. E ainda vai mobiliá-la através do “Minha casa melhor”.

Fica num bairro da zona Oeste, bem distante do centro do Rio, (Santa Cruz, para quem conhece o Rio). É uma casa mesmo, com terreno próprio na frente e atrás (um jardim e um pequeno espaço de convivência para a família). É um condomínio com toda a infraestrutura: saneamento básico, coleta de lixo, água, iluminação pública, etc. Todos os serviços públicos de um bairro comum. Tem escola para os filhos e posto de saúde próximo, para atender ao condomínio e, ainda, um clube de uso dos moradores com equipamentos de lazer.

Quando falei a respeito da distância, ela me respondeu: “Tem condução na porta, inclusive o BRT, que vai até à Barra da Tijuca. E, depois, vai ter o metrô. Não tem nem comparação. É outra vida. Vale a pena! Ela está aconselhando a todas as irmãs a fazerem o mesmo.”

Em relação à mobilidade, o BRT é um ônibus novo, duplo (comporta um número bem maior de passageiros), é confortável e trafega em corredor exclusivo o que diminui bastante o tempo de viagem. Em 2015 fará conexão com o metrô da Barra, que deverá ficar pronto a essa época. A conexão dará acesso à Zona Sul (bairros da orla) e ao metrô da estação central de trem, o que significa acesso a grande parte dos bairros da Zona Norte. Considerando-se ainda os ônibus de integração, os moradores do condomínio terão facilidade de acesso a praticamente todas as zonas do Rio e Baixada Fluminense.

Transpondo-se esse exemplo para a região apontada no texto da entrevista, não seria um caminho a ser tentado?

Sonhar não custa nada!

Íntegra da entrevista de Dilma na Carta Capital, agosto de  2011.

http://esquerdopata.blogspot.com.br/2011/08/entrevista-completa-de-dilma.html

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