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Os 20 anos do impeachment de Collor - 3

Capítulo 1: clique aqui

Capítulo 2: clique aqui

Collor e os notáveis

Certa vez perguntei a Fernando Collor quem foi a pessoa mais importante de seu governo. Respondeu sem pestanejar que foi Zélia Cardoso de Mello. Disse que quando Zélia saiu com seu grupo, ele perdeu todas as energias.

Indaguei se ela tivera alguma participação na formulação das suas ideias. Jamais. Zélia era defensora de transformar o BNDES em uma espécie de IRI italiano, a grande holding pública para investir no setor privado. E Collor era a favor de reduzir o papel do Estado e da burocracia pública.

Então qual a razão? É que Zélia, com seu grupo, transmitia sensação de juventude, de renovação. Debitei esse sentimento ao isolamento brasiliense, que também derrubou emocionalmente Jânio Quadros. Não havia nada de racional nela.

A grande virtude do governo Collor foi abrir a possibilidade de ousar nas mais diversas áreas. Às vezes desastrosamente, como no caso da reforma administrativa e do desmonte das indústrias de defesa e de informática; às vezes transformando o país, com os programas de gestão e a Câmara Setorial da Indústria Automobilística.

Collor entendeu a importância da gestão ainda no Bolo de Noiva, informado de seu potencial por Jorge Gerdau. No governo, trouxe quadros preciosos para implantar a gestão nas estatais. Foi o caso de Julio Bueno, nos Correios.

A integração competitiva

Também entendeu rapidamente a importância do programa de Integração Competitiva, desenvolvido no BNDES pelo economista Julio Mourão, o mais brilhante discípulo de Ignácio Rangel.

Mourão insurgia-se contra os diagnósticos das duas principais escolas de pensamento econômico da época: a FGV-Rio (berço da ortodoxia, antes de ser substituída pela PUC-Rio) e a Unicamp. A primeira postulava uma enorme recessão, para combater os desajustes externos. A segunda propunha uma espécie de calote negociado da dívida externa, pela impossibilidade de pagá-la.

Mourão dizia que o país já completara seu ciclo industrial. E o caminho a ser percorrido seria a abertura gradativa, a integração competitiva com a economia internacional. Por tal, entendia-se uma abertura que permitisse o fortalecimento da empresa brasileira, submetendo-a gradativamente à competição externa, dando tempo para buscar tecnologia e parceria internacionais. Com isso, haveria crescimento, em vez da recessão proposta pela FGV-Rio, e as contas externas seriam equacionadas pelo aumento das exportações e da competitividade interna.

Foi nesse grupo que Collor acabou montando a parte mais relevante de seu governo. Numa ponta, fortaleceu o conceito de cadeia produtiva, com a histórica Câmara Setorial da Indústria Automobilística, um feito notável de Dorothea Werneck, juntando montadoras, fornecedores e centrais sindicais para desenvolver uma especialização brasileira no mercado internacional: os carros de baixa cilindrada.

Diria que foi o principal lance de política industrial pós-redemocratização, pela abrangência e pelos resultados. As discussões atuais sobre o novo regime automotivo passam longe dessa visão da especialização competitiva, contida na  Câmara. Foi um movimento fantástico que, além dos resultados alcançados, revelou novas lideranças, modernas, no primeiro pacto social na área econômica.

Faziam parte desse grupo moderniazador, além do próprio Bueno e Dorothea, José Paulo Silveira e Antonio Maciel, da Petrobras, Luiz Paulo Velloso Lucas, do BNDES, Júlio Bueno entre outros.

O gabinete dos notáveis

Mas eram todos de segundo escalão.

Quando a crise política ampliou, Collor tentou montar o tal gabinete dos notáveis - aliás, um notável gabinete, com a presença de Eliezer Baptista, Marcilio Marques Moreira, Célio Borja, entre outros.

Antes dele, tentou o PSDB. E seu convite foi aceito com volúpia por Fernando Henrique Cardoso, a quem fora prometido o Ministério das Relações Exteriores, e José Serra, que levaria a Fazenda. Quem impediu a adesão foi o governador paulista Mário Covas.

Nesse período, tive meu primeiro encontro com o então governador cearense Ciro Gomes. Na época, Ciro andava iludido com FHC e Serra. Em relação a Serra, sua ilusão acabou bem antes da minha.

No café da manhã no Maksoud, com seu estilo impetuoso passou meia hora desancando Covas, por ter impedido que dois ilustres tucanos aderissem ao governo Collor.

No curto período dos notáveis, Eliezer produziria um estudo que serviu de base para todos os projetos seguintes de planejamento estratégico - do Avança Brasil ao PAC.

De qualquer modo, o tempo político de Collor já havia terminado. As grandes ideias do período - gestão pela qualidade, integração de infraestrutura - seriam absorvidas pelos próximos governos, mas sem a convicção necessária.

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Antes dele, tentou o PSDB. E seu convite foi aceito com volúpia por Fernando Henrique Cardoso, a quem fora prometido o Ministério das Relações Exteriores, e José Serra, que levaria a Fazenda. Quem impediu a adesão foi o governador paulista Mário Covas.


 


Lembro-me muito bem desse fato. Assim como lembro-me que já naquela época achava que o FHC era o pior do PSDB, seguido de perto pelo Serra, que na época não passava de um papagaio-de-pirata.


O Covas era adversário, eu divergia fortemente dele em muitos pontos e acho que ele deixou um legado execrável para São Paulo chamado Geraldo Alckmin. MAs era um adversário que se dava ao respeito e tinha hombridade.


Muito diferente dos demais tucanos citados neste comentário.


 

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

Antes dele, tentou o PSDB. E seu convite foi aceito com volúpia por Fernando Henrique Cardoso, a quem fora prometido o Ministério das Relações Exteriores, e José Serra, que levaria a Fazenda. Quem impediu a adesão foi o governador paulista Mário Covas.


 


Lembro-me muito bem desse fato. Assim como lembro-me que já naquela época achava que o FHC era o pior do PSDB, seguido de perto pelo Serra, que na época não passava de um papagaio-de-pirata.


O Covas era adversário, eu divergia fortemente dele em muitos pontos e acho que ele deixou um legado execrável para São Paulo chamado Geraldo Alckmin. MAs era um adversário que se dava ao respeito e tinha hombridade.


Muito diferente dos demais tucanos citados neste comentário.


 

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

Antes dele, tentou o PSDB. E seu convite foi aceito com volúpia por Fernando Henrique Cardoso, a quem fora prometido o Ministério das Relações Exteriores, e José Serra, que levaria a Fazenda. Quem impediu a adesão foi o governador paulista Mário Covas.


 


Lembro-me muito bem desse fato. Assim como lembro-me que já naquela época achava que o FHC era o pior do PSDB, seguido de perto pelo Serra, que na época não passava de um papagaio-de-pirata.


O Covas era adversário, eu divergia fortemente dele em muitos pontos e acho que ele deixou um legado execrável para São Paulo chamado Geraldo Alckmin. MAs era um adversário que se dava ao respeito e tinha hombridade.


Muito diferente dos demais tucanos citados neste comentário.


 

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

Mil perdões, mas que mané Collor numa hora dessas?!

 

Sequestrar a poupança dos trabalhadores foi sem dúvida um momento "juventude e renovação" do grupo de Zelia Cardoso de Mello, que depois viria a se casar com Chico Anysio, para em seguida separar-se. Por outro lado jamais pensei que iria admirar o Fernando Collo Senador, único com coragem de peitar o Gurgel ( o prevaricador) e não do dos automóveis.

 

 Não me lembro de nenhum governo ter protagonizado tantos momentos aviltantes e patéticos, como o governo Collor. Muito me marcou a cena de um dos ministros de Collor, o "imexivel", sentado à beira do lago Paranoa, cabisbaixo, chorando, o filho ao lado e a imprensa com as camêras ligadas e clicando um ministro desmoralizado. Aquilo me deixou com uma sensação tão ruim, de que caminho tinhamos tomado e aonde aquilo tudo iria acabar. A imprensa tem, claro, sua enorme parcela de culpa por todo aquele circo, mas Collor, definitivamente, escolheu muito mal seus ministros. Alias, os brasileiros escolheram muito mal o seu primeiro presidente via eleições diretas apos a ditadura.    

 

Q;ue miopia tomou conta dessa moça! Odiar, negar-se a vê o óbvio, não reconhecer avanços no governo Collor ... certamente teve seu quinhão confiscado, é isso. Poucos brasileiros, inclusive eu, professor universitário, não havia ´poupado nenhum. Mas, o Brasil de hj, quer queram seus adversário ou não, deve muito a Elle e aos que se seguiram por não mudar virgula no que estabelecau na macro-economia ... agora, quanto aos costumes, esse se deteriorou deveras.

 

Collor, com seu ippon na poupança e nos investimentos de renda fixa, reduziu os juros da dívida interna a um nível que a tornava praticamente irrelevante. Era como se ela não existisse mais. Poderia ter alavancado o país de vez ali mesmo, se tivesse uma visão estruturada de desenvolvimento. Mas aí começaram as pressões para liberar a grana aqui e ali, com "os torneirinhas" do Ibrahim Eris se abrindo cada vez mais. Sem contar com as maracutaias. Um colega de serviço meu conseguiu reaver sua poupança congelada por meio de uma transação que envolvia a venda de sacas de arroz. E ele não era arrozeiro nem negociante. Deixou 20% nas mãos dos artífices da manobra e embolsou os outros 80%.

Graças à irresistível criatividade do brasileiro, a vaca disparou rumo ao brejo. Ou seja, os  "patriotas" que gostam de criticar tudo e todos sabotaram o plano em benefício próprio. Só perderam os de sempre. E parece que o STF, tão rápido em seus julgamentos recentes no interesse da população,  ainda não sabe quando vai definir de vez se e quanto deve ser pago pelos bancos a cerca de 700 mil poupadores, da correção manipulada da poupança. 

 

 

 

 

 

 

Fabiana C (quarta-feira, 03/10/2012 às 14:20),

 

Muitas vezes Luis Nassif me parece um pouco ciclotímico. As avaliações dele vão variando ao longo do tempo. A avaliação dele a respeito de José Serra preenche este figurino. Lá atrás ele considerava José Serra o brasileiro mais preparado para ser presidente do país. Na época José Serra não conseguira ser sequer prefeito de São Paulo. E isso em uma época em que Leonel Brizola depois de ser governador de um estado agrícola em início de industrialização tornou-se governador de outro estado da federação com características distintas do anterior, pois era um estado de prestação de serviço em que a indústria perdia importância.

 

Neste texto que você traz ele faz a avaliação de Fernando Collor de Mello.

 

Ali, no início do Plano Real, ele foi buscar em Fernando Collor de Mello algum refúgio para a dificuldade de entender o que acontecia ou até quem sabe que ele entendia, mas não queria atribuir os louros a quem fazia acontecer. Há um pouco de esperteza no discurso. Para não ficar ruim com os leitores dele do PT naquela época, ele atribuía a Fernando Collor de Mello o Brasil que surgia com o Plano Real. Eu olho de esguelha tanto para o discurso elogioso a Fernando Collor de Mello como ao discurso elogioso ao Plano Real.

 

Este artigo de 06/07/1994 pode ser lido de duas formas, uma restringindo-se ao entorno de Fernando Collor de Mello ou ao passado dele. Este é o lado ruim. E o lendo por um segundo lado voltado exclusivamente para o Fernando Collor de Mello presente isto é o que foi presidente do Brasil por quase três anos.

 

Sobre o segundo Fernando Collor de Mello, Luis Nassif diz o seguinte:

 

Fernando Collor de Mello teve a “clarividência de definir um novo país – que gradativamente começa a se materializar”.

 

Fernando Collor de Mello, (no melhor da avaliação de Luis Nassif, seria um fenômeno eleitoral, mas muito menor do que um fenômeno político), fizera atos que (apesar da impulsividade irracional, por vias tortas,) “conduziram o país às mudanças que agora começam a aflorar em toda sua intensidade”. [Coloquei entre parênteses o que é acessório]

 

Fernando Collor de Mello foi "um intuitivo que se antecipou um pouco ao que era inevitável": "a grande reforma".

 

Os passos iniciais do governo de Fernando Collor de Mello obedeciam a uma fria determinação. [O parágrafo seguinte parece perdido a menos que se o encaixe no parágrafo anterior significando que a fria determinação era tão clara e lógica que bastaram alguns meses para toda a realidade política e econômica ficasse velha].

 

Fernando Collor de Mello como um furacão colorido explodiu “as estruturas mentais e econômicas do país”, “abrindo espaço para as câmaras setoriais e permitindo o surgimento de Vicentinho”.

 

Fernando Collor de Mello é um fenômeno de difícil avaliação.

 

Fernando Collor de Mello “mais que um mero fenômeno eleitoral”, “foi um homem de Estado de fôlego”.

 

Fernando Collor de Mello conseguiu “produzir uma obra dessa envergadura”.

 

Fernando Collor de Mello “vai ser reconhecido mais à frente”.

 

Quase vinte anos depois e Luis Nassif não mudou muito a forma de analisar Fernando Collor de Mello. De novo ele fala do passado de Fernando Collor de Mello e do contorno que se encrostava ao lado dele.

 

Assim há mais do mesmo neste texto. Pinço então as frases elogiosas a Fernando Collor de Mello sem os penduricalhos críticos.

 

Fernando Collor de Mello abriu “a possibilidade de ousar nas mais diversas áreas”.

 

Fernando Collor de Mello transformou “o país, com os programas de gestão e a Câmara Setorial da Indústria Automobilística”.

 

Fernando Collor de Mello entendeu a importância da gestão”.

 

Fernando Collor de Mello “trouxe quadros preciosos para implantar a gestão nas estatais”.

 

Fernando Collor de Mello “fortaleceu o conceito de cadeia produtiva, com a histórica Câmara Setorial da Indústria Automobilística”, . . . “juntando montadoras, fornecedores e centrais sindicais para desenvolver uma especialização brasileira no mercado internacional: os carros de baixa cilindrada”.

 

Fernando Collor de Mello, com a visão da especialização competitiva, contida na Câmara” fez “um movimento fantástico que, além dos resultados alcançados, revelou novas lideranças, modernas, no primeiro pacto social na área econômica”.

 

Fernando Collor de Mello “tentou montar o tal gabinete dos notáveis - aliás, um notável gabinete, com a presença de Eliezer Baptista, Marcilio Marques Moreira, Célio Borja, entre outros”.

 

Fernando Collor de Mello, através do notável Eliezer, produziu “um estudo que serviu de base para todos os projetos seguintes de planejamento estratégico - do Avança Brasil ao PAC”.

 

Fernando Collor de Mello teve “as grandes ideias do período - gestão pela qualidade, integração de infraestrutura”.

 

E o que fica desta parte boa? Aliás esta é a parte que para mim interessa. Não interesso pela parte ruim porque ela ou decorre de uma avaliação subjetiva e muitas vezes sem amparo nos fatos, ou quando amparados por fatos não tem a relevância que se pretende dar ou quando se trata de pratica de ilicitude eu não tomo como sério porque só tomo como sério em matéria de ilicitude aquilo que é combatido pelo ministério público.

 

O problema da parte boa de Fernando Collor de Mello na descrição de Luis Nassif é que ela é uma construção abstrata. A ela cabe a mesma crítica que se faz à parte ruim. Todos os elogios que Luis Nassif fez a Fernando Collor de Mello podem ser apresentados como crítica. Escolho aleatoriamente uma passagem qualquer como a que transcrevo a seguir:

 

“Fernando Collor de Mello “trouxe quadros preciosos para implantar a gestão nas estatais””

 

A mesma frase pode ser dita na negativa.

 

““Fernando Collor de Mello não “trouxe quadros preciosos para implantar a gestão nas estatais””

 

Não há como provar a primeira frase ou a sua negativa. Enfim o discurso elogioso a Fernando Collor de Mello é pura retórica. E não sou tão crítico de Fernando Collor de Mello como o é o próprio Luis Nassif. Aliás, não esqueço de lembrar que Antonio Delfim Netto fez a carga tributária brasileira cair de 27% no final do governo de Ernesto Geisel para 24% no final do governo de João Figueiredo, José Sarney este grande liberal fez a carga tributária cair para 22% do PIB e Fernando Collor de Mello elevou a carga tributária para 25% do PIB. Sim, Fernando Collor de Mello se se mede o Estado pela carga tributária, fez mais pelo Estado que José Sarney ou João Figueiredo. Só assim, em minha avaliação, há justificativa para dizer que Fernando Collor de Mello foi um homem de Estado de fôlego", como ele fora elogiado por Luis Nassif.

Dou o destaque para o aumento da carga tributária efetuado por Fernando Collor de Mello porque a distribuição de renda geralmente melhora quando se aumenta a carga tributária ainda que a carga tributária seja regressiva.

 

Além dessa questão do Estado visto como fortalecido pelo aumento da carga tributária, há algo de concreto no elogio a Fernando Collor de Mello. Foram as câmaras setoriais. Há que se ver que a Câmara Setorial que realmente funcionou foi a Câmara Setorial da Indústria Automotiva. E a primeira reunião da Câmara Setorial da Indústria Automotiva foi no final do ano de 1991 já quase nos estertores do governo de Fernando Collor de Mello. E fortaleceu porque a indústria automobilística era concentrada em São Paulo. São Paulo era uma base política importante de Fernando Collor de Mello e houve muito a pressão dos sindicatos dos metalúrgicos na construção da Câmara Setorial Automobilística. E ela se deslanchou mesmo foi no governo de Itamar Franco reforçada com a volta do Fusca com motor trazeiro na esteira dos benefícios para os carros de 1000 cilindradas.

 

Agora, quando se fala dos efeitos da Câmara Setorial do Setor Automotivo vale lembrar que o Fiat Uno foi lançado em 1985 no início do governo de José Sarney. E até hoje é um carro bem vendido.

 

Observa-se outro exemplo de informação abstrata de Luis Nassif quando ele fala de gestão. Gestão pode significar tudo como pode não significar coisa alguma. Luis Nassif tinha uma expressão que eu passei o tempo todo criticando. Ele frequentemente escrevia nas colunas dele na Folha de S. Paulo: “modernas práticas de gestão”. O que esta expressão quer dizer? É difícil precisar. O que eu sei é que uma vez ele usou a expressão “market share” para exemplificar o que ele entendia por “modernas práticas de gestão”. Só que “market share” era uma prática combatida pela legislação anti truste americana no final do século XIX e início do século XX.

Nunca avaliei Fernando Collor como a mídia o avaliou seja para o louvar, seja para o criticar. Se se considerar a má qualidade da crítica favorável ou não a Fernando Collor de Mello, a crítica de Luis Nassif fica em um patamar um pouco superior, mas ela pouco acrescenta para que se possa mais bem compreender o período de Fernando Collor de Mello, incluindo ai os praticamente 12 meses de campanha.

 

Clever Mendes de Oliveira

 

BH, 03/10/2012

 

 

 


Fabiana C (quarta-feira, 03/10/2012 às 14:20),


No capítulo 1 desta série sobre Collor e que pode ser visto no post "Os 20 anos do impeachment de Collor - 1" de domingo, 30/10/2012 às 12:27, e cujo link Luis Nassif trouxe para este post "Os 20 anos do impeachment de Collor - 3" de quarta-feira, 03/10/2012 às 11:58, Luis Nassif faz uma referência ao discurso de posse de Fernando Collor de Mello e que teria sido elaborado por José Guilherme Merquior.


Bem, junto ao post "Os 20 anos do impeachment de Collor - 1" eu enviei segunda-feira, 01/10/2012 às 00:56, um comentário para Luis Nassif. Nele eu falo de algumas observações sobre o post sobre as quais eu gostaria de falar. Uma das observações, ainda não abordada, é sobre José Guilherme Merquior. O meu interesse seria mostrar que José Guilherme Merquior, embora da direita era defensor do Estado forte. Espero ainda ir lá no post "Os 20 anos do impeachment de Collor - 1" e discorrer sobre duas ideologias distintas da direita. Uma defensora do Estado forte e outra contrária ou Estado forte. Aqui deixo apenas o link para uma entrevista de José Guilherme Merquior dada à revista Veja e que pode ser vista via o seguinte endereço:


http://veja.abril.com.br/especiais/35_anos/p_014.html


Fiz esta referência a José Guilherme Merquior aqui neste post “Os 20 anos do impeachment de Collor – 3” para dizer que dentro deste prisma de Estado forte, que eu não consigo dissociar de carga tributária elevada, pode ser compreendida a afirmação que Luis Nassif faz neste artigo "O fenômeno Collor" de 06/07/1994 e que você transcreveu em que ele diz que Fernando Collor de Mello “foi um homem de Estado de fôlego”.


Outro ponto que eu gostaria de acrescentar aqui diz respeito ao artigo "A Integração Competitiva e o Planejamento Estratégico no Sistema BNDES" de autoria de Julio Olimpio Fusaro Mourão e que foi publicado na Revista do BNDES, volume 1, nº 2, páginas 3-26 de dezembro de 1994 e para o qual Luis Nassif deixou o link em pdf. Vale a pena fazer uma análise mais pormenorizada do artigo de Julio Olimpio Fusaro Mourão.


Pois bem, no último parágrafo da página 4, segunda do artigo, o Julio Olimpio Fusaro Mourão afirma o seguinte:


"O ano de 1983 foi o terceiro ano consecutivo de recessão, tendo o PIB regredido em 7,3% desde 1980, ou 2,5" ao ano em média".


Eu sempre faço crítica a Luis Nassif porque tanto ele como os amigos ou conhecidos dele que ele elogia faziam e fazem uma análise errada da realidade brasileira quando do Plano Cruzado. O Plano Cruzado fora feito segundo Luis Nassif e outros para permitir que o Brasil saísse do buraco.


Há dois erros nessa afirmação. Primeiro se esquece que o Brasil cresceu mais de 4% em 1984 e mais de 7% em 1985. E segundo dá-se a impressão que o buraco de onde o Brasil saiu era muito grande ou muito fundo.


Pelo que diz Julio Olimpio Fusaro Mourão, nesta frase que eu selecionei o buraco foi realmente fundo. Incrível como em um trabalho que deveria ser técnico, o autor traz dados tão fora da realidade e em um tempo onde já existia a informação correta.


No artigo "As finanças públicas brasileiras do início da década de 1980 até a implantação do plano real" de autoria de Juliano Morais Galle e de Sandro Bertolli há os seguintes dados para o crescimento do PIB em 1980, 1981, 1982, 1983 e 1984.


1980 --  9,2%;


1981 -- -4,2%;


1982 --  0,8%;


1983 -- -2,9% e


1984 --  5,4%.


Houve queda do PIB realmente no período, mas a queda deu-se em cada ano por motivos diferentes. O país esgotou a fase de crescimento com base em empréstimos externos com a elevação do juro americano por Paul Volcker a partir de 1979. Assim, em 1981, o país parou de crescer e houve a recessão. O país tentou reiniciar o crescimento em 1982, mas o impulso foi pequeno. Só que em 1982 há a moratória do México e a Brasil ficou sem alternativa. No ano seguinte há a desvalorização de 30% e como qualquer desvalorização mais elevada o impacto no PIB de imediato é danoso e o dano é maior com os cortes de gastos necessários quando se faz uma desvalorização de 30%. E, pelos dados apresentados no artigo "As finanças públicas brasileiras do início da década de 1980 até a implantação do plano real", o total da queda do PIB de 1981 a 1983 não chega a 6,3%. O endereço do artigo "As finanças públicas brasileiras do início da década de 1980 até a implantação do plano real" é:


http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/Juridica/article/viewFile/204/204


E se formos pesquisar mais vamos encontrar dados ainda menos favorável. Em "A retomada da inflação no Brasil: 1974-1986" artigo de Werner Baer, publicado na Revista de Economia Política, vol. 7, nº 1, janeiro-março/1987, os dados para o PIB brasileiro no período foram:


1980 --  7,2%;


1981 -- -1,6%;


1982 --  0,9%;


1983 -- -3,2% e


1984 --  4,5%.


O endereço do artigo "A retomada da inflação no Brasil: 1974-1986" é:


http://www.rep.org.br/pdf/25-3.pdf


E não só há um superdimensionamento da recessão que ocorria no Brasil como falta a caracterização do que ocorria em cada ano, como, além disso, Julio Olimpio Fusaro Mourão  não mencionava que o crescimento tanto nos momentos anteriores como nos momentos posteriores mostrava que o período de 1981, 1982 e 1983 foi mais uma espécie de desvão do que propriamente um buraco. E segundo os dados do artigo "A retomada da inflação no Brasil: 1974-1986", a queda do PIB foi de cerca de 3,9% no período de 1981 a 1983, um tanto longe do dado apresentado por Julio Olimpio Fusaro Mourão no artigo "A Integração Competitiva e o Planejamento Estratégico no Sistema BNDES".


A critica que se faz a esses dados iniciais pode ser feita a todo o artigo. Ele fala do ano de 1983 em que ele assume o Departamento de Planejamento do BNDES, com certa imprecisão, pois diz meados de 1983, sem mencionar que o nome do banco então era só BNDE e nem diz que se tratava do governo de João Figueiredo. Não há referência aos novos governadores que assumiram o governo nos estados no início de 1983 e nem menciona se houve mais mudanças internas no BNDES no período e quando efetivamente ele assumiu ao Departamento de Planejamento. No endereço a seguir há uma lista de presidentes do BNDES:


http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/O_BNDES/Quem_e_quem/presidentes.html


De março de 1979, início do governo de João Figueiredo, até setembro de 1983, esteve à frente da presidência do BNDES, Luiz Antonio Sande de Oliveira. E de setembro de 1983 a outubro de 1984 o presidente foi Jorge Linbs Freire. E de outubro de 1984 até março de 1985 quando termina o governo de João Figueiredo, quem ocupou a presidência do BNDES foi José Carlos Perdigão Medeiros da Fonseca.


Ele fala em ciclos trienais completos no planejamento estratégico no BNDES, um que se inicia em 1983 e outro que se inicia em 1986. Aqui cabe lembrar que aqueles eram anos em que o Planejamento Estratégico tornava-se a nova coqueluche da Administração.


E pela descrição que Julio Olimpio Fusaro Mourão faz do cenário externo ao BEDES para desenvolver o Planejamento Estratégico verifica-se como ele era incapaz de perceber a mudança que estava em curso na economia brasileira. A inflação que era de 100% ao ano passou para 220%, criava-se um saldo mensal de 1 bilhão de dólares. E já em 1984 o país voltava a crescer. Provavelmente se se pegar o crescimento do PIB comparando com o trimestre imediatamente anterior dessazonalizado vai-se perceber crescimento do PIB já em 1983.


Para Julio Olimpio Fusaro Mourão o cenário era completamente ruim. Além da descrição que ele fizera sob a queda do PIB, ele diz que a política econômica elaborada de comum acordo com o FMI era francamente recessiva. Tinha sido, mas ali quando ele assumiu o Departamento de Planejamento do BNDES já se iniciava um ciclo que tinha tudo para lançar o país em um ciclo de elevado crescimento. Fala sobre o problema da dívida externa esquecendo que o saldo de 1 bilhão de dólares dava condições do país negociar a dívida externa.


Enfim o ambiente que ele traçava era o ambiente que nem era tão próximo do que ele descrevia como era o ambiente que estava sendo deixado para trás.


Há que se ressaltar que ele acerta na elaboração do cenário, embora atribua a recuperação das exportações "à maturação de um conjunto de investimentos substitutivos de importações realizados na segunda metade da década anterior” e não a manutenção de um câmbio favorável que era arrastado junto com a inflação.


Interessante que  na página 11, Julio Olimpio Fusaro Mourão faz referência ao estudo do cenário que era produzido no BNDES e que uma vez que encerrava uma crítica implícita à política recessiva vigente, ditada pelo FMI, estaria sendo mantido em sigilo, mas que teria sido publicado na revista Senhor (julho de 1984) a versão preliminar na íntegra com a chamada de capa: “Um documento sigiloso do BNDES –sem mudança o Brasil acaba”. Ora, na verdade a mudança ocorrera com a maxidesvalorização de fevereiro de 1983 e fora ela que relançava o país no crescimento. Quando o documento fora publicado o país já se encontrava em franca recuperação.


O primeiro ciclo de planejamento estratégico no BNDES iria de 1983 a 1985. A partir de 1986 iniciava-se um novo ciclo. Segundo Julio Olimpio Fusaro Mourão, o avanço maior ocorrera no segundo ciclo quando se construiu o “Cenário da Integração Competitiva”.


Embora o diagnóstico que se faz da realidade econômica passada fosse correta, o “Cenário da Integração Competitiva” ocorrera com o Plano Cruzado que destruiu o saldo na Balança Comercial e os dois planos Bresser e o Plano de Maílson da Nóbrega. Enfim, a economia iria viver o pior dos mundos, ainda que fosse um período de crescimento econômico.


Vale a pena transcrever o primeiro parágrafo do novo plano que foi publicado em fevereiro de 1988. Lá se dizia:


“O Plano Estratégico do Sistema BNDES – 1988-1990 tem como diretriz fundamental a integração competitiva do Brasil na economia mundial e a integração de mercados a nível nacional, com superação das desigualdades sociais e regionais do país, configurando um novo estilo de crescimento da economia brasileira”.


A idéia está correta. A expressão integração competitiva do Brasil na economia mundial é que me parece ser um tanto pomposa sem muito significado. Se o Brasil tivesse empresas no exterior haveria sentido em falar em integração competitiva. No caso das empresas estrangeiras aqui no Brasil pode-se falar também nessa integração competitiva. Vejo, entretanto, é pouco espaço para o BNDES ter uma função maior nesse processo de integração. Atualmente esta integração é feita via Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério da Fazenda.


Haveria espaço para o BNDES se a idéia é que houvesse internamente mais integração competitiva  entre as empresas que trabalhariam em nichos de atividades e nesse processo de integração competitiva as empresas pudessem partir para competir no mercado internacional apresentando um nível melhor de competitividade. Penso que era esse o sentido que se queria dar. O problema é que sem câmbio pouco adiantaria a melhora da competitividade das empresas e sem crescimento interno ficava difícil montar os nichos de atividade onde pudesse haver maior integração entre as empresas.


Na verdade o cerne da competitividade é o câmbio e em razão de um câmbio errático que tivemos desde 1986, o Brasil perdeu o ritmo que a maxidesvalorização havia concedido ao país. E a avaliação de Julio Olimpio Fusaro Mourão não atribui a falência do cenário de integração competitiva ao problema do câmbio, mas sim porque segundo ele:


“A realidade brasileira dos últimos anos se aproximou mais do cenário da Inércia Corporativista do da Integração Competitiva. Isto porque não só não se fizeram as mudanças estruturais e políticas necessárias, como os planos de combate à inflação se basearam numa hipertrofia da intervenção estatal, com congelamentos de preços e rompimento de contratos, que desorganizou completamente o mercado, gerando instabilidade e impedindo o funcionamento normal da economia”.


No texto transcrito, a expressão inércia corporativista não diz muito. Como o câmbio era o problema, a inércia corporativista pode ser entendida como a inércia da corporação industrial que não pressionou o governo para desvalorizar a moeda nacional. Se é isto a expressão faz sentido. E quanto à hipertrofia da intervenção estatal eu creio que ela é verdadeira quando há aumento de tributação. Ela só ocorreu com Fernando Collor de Mello. E eu penso que ela é necessária para que o sistema capitalista possa ter mais capacidade de recuperação.


Enfim Julio Olimpio Fusaro Mourão acerta aqui e ali embora haja exagero no acerto, mas nada fala do problema criado com as valorizações da moeda nacional que ocorreram tanto em 1986 como em 1990 no primeiro Plano Collor e não se apresenta como defensor da hipertrofia estatal via aumento de tributo que é o que eu defendo.


O Julio Olimpio Fusaro Mourão havia falado antes da proposta de privatização que nasce no segundo ciclo de planejamento estratégico e no final do artigo ele lembra que a idéia de privatização foi incorporada no governo de Fernando Collor de Mello com um enfoque um tanto distinto, pois já sem o planejamento estratégico e que acabou transformando o BNDES no que ele chamou de Banco da Privatização.


A proposta de privatização tinha o defeito em meu entendimento de dar muita importância a uma suposta capacidade superior do mercado em conduzir uma empresa. Como disse uma vez um súdito inglês em uma apresentação no final da década de 80 em Belo Horizonte. A justificativa da privatização é a necessidade de recursos (receita) por parte do setor público. Se não for essa a razão da privatização é quase certo que ela está sendo feita por péssimos motivos.


E bem no final do artigo "A Integração Competitiva e o Planejamento Estratégico no Sistema BNDES", Julio Olimpio Fusaro Mourão dedica-se a expor sobre a perspectiva que se abre com o Plano Real. Para ele o plano ao promover a estabilidade reforçando as lei de mercado e com as reformas estruturais abria a possibilidade de retomada sustentada do desenvolvimento econômico. Não deu a devida importância à valorização da moeda nacional que fatalmente ocorreria. Valorização que traria como conseqüência a redução da competitividade da indústria brasileira.


A minha crítica mais pormenorizada ao artigo de Julio Olimpio Fusaro Mourão é para destacar que Luis Nassif como quase todo mundo de esquerda não se cerca de reais defensores da moeda desvalorizada como um mecanismo que assegure um crescimento econômico mais prolongado e mais acentuado. Como os que defendem a desvalorização da moeda, grande parte da esquerda tem consciência que exatamente em razão de o país estar em fase de desenvolvimento é que é mais necessário o crescimento a taxas elevadas e por um período mais longo. A não aceitação da desvalorização decorre do fato de a esquerda preconizar primeiro o crescimento do mercado interno para combater a injusta distribuição de renda que existe nesses países em desenvolvimento. Ai quando eles criticam o câmbio é uma crítica particularizada. No nosso caso, a crítica ao câmbio é mais para reclamar do juro alto.


A crítica ao juro alto tem seus bons fundamentos sendo o principal dele a atração que o juro faz de moeda estrangeira valorizando a moeda nacional se o câmbio é flutuante e se há livre fluxo de moedas. Só que se esquece que a desvalorização requer que se tenha internamente um excedente para exportação. O excedente para a exportação precisa que se tenha internamente a redução do consumo. É bem verdade que no Brasil com uma dívida pública de curto prazo elevada, o aumento do juro eleva a rolagem da dívida e, portanto, o déficit público cresce e o déficit público de certo modo reduz o excedente para a exportação, mas o efeito direto do juro alto na redução do consumo é um fator preponderante.


Fiz também a crítica ao artigo "A Integração Competitiva e o Planejamento Estratégico no Sistema BNDES" de Julio Olimpio Fusaro Mourão para mostrar como é frágil a argumentação de desenvolvimento econômico que não dá destaque para a questão cambial. Não estou aqui desconhecendo a competência de Julio Olimpio Fusaro Mourão. Estou enfatizando o fato de por não ter dado o destaque a questão câmbio ele discutiu um período de até mais de uma década sem mencionar os efeitos que o câmbio causa na economia. Falou sobre um período importante da economia brasileia sem observar que o câmbio afetou a economia de 81 a 83, por não ter sido desvalorizado. Afetou a economia em 83 pela maxidesvalorização de fevereiro de 1983. Afetou a economia pela valorização do cruzado em 1986 e pela maxidesvalorização após as eleições de 1986. E afetou a economia pela valorização do Plano Collor de 1990 e pela desvalorização do plano Collor II. E viria a afetar a economia brasileira com o Plano Real que estava a vir.


A fragilidade do artigo "A Integração Competitiva e o Planejamento Estratégico no Sistema BNDES" fica também visível quando se observa o que disse David Kupfer em artigo publicado hoje, segunda-feira, 08/10/2012, no Valor Econômico e intitulado “De volta ao futuro”. O artigo "De volta ao futuro" na parte que interessa pode ser visto no site Relações do Trabalho no seguinte endereço:


http://www.relacoesdotrabalho.com.br/profiles/blogs/no-valor-economico-de-volta-ao-futuro-artigo-de-david-kupfer


Transcrevo a seguir o primeiro parágrafo e o segundo do artigo. Diz lá David Kupfer:


“O mundo dá voltas e, com ele, as ideias, os fatos e, evidentemente, a política econômica. Vinte anos após ter surgido como a menina dos olhos da reflexão sobre os rumos da economia brasileira, o tema da competitividade está novamente ganhando força como um dos principais focos do debate sobre os desafios com que se defronta o país.


Mas a história não se repete, razão pela qual a competitividade retorna em um quadro ideológico, fatual e político completamente distinto. Lá na virada dos anos 1990, o lema muito bem poderia ser descrito como competitividade ou morte, essência do darwinismo social que se implantou no país, por meio de mudanças institucionais que abriram a economia brasileira sem prepará-la adequadamente para isso. A competitividade era vista como o caminho para retirar as empresas brasileiras de uma trajetória de uma década de estagnação. Agora, a competitividade está ressurgindo como condição para sustentar um ciclo duradouro de desenvolvimento. O novo lema poderia ser sintetizado como competitividade ou baixo crescimento”.


Na época competitividade era moda. “Estratégia Competitiva” é um best seller de Michael E. Porter publicado em 1980. Em 1985, ele lançou outro best seller “Vantagem Competitiva”. Julio Olimpio Fusaro Mourão sentiu o vento vindo lá do norte, mas não soube precisar como ele soprava no Brasil nem se preocupou em fazer o vento soprar em determinada direção.


Enfim, eu não vejo justificativa para se avaliar positivamente o governo Fernando Collor de Mello salvo na alteração da tendência de queda da carga tributária, tendência que veio do final do governo de Ernesto Geisel e chegou até o final do governo de José Sarney. Felizmente o governo de Fernando Collor de Mello reverteu esta tendência, muito liberal para o meu gosto.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 08/10/2012

 

Foi nesse grupo que Collor acabou montando a parte mais relevante de seu governo. Numa ponta, fortaleceu o conceito de cadeia produtiva, com a histórica Câmara Setorial da Indústria Automobilística, um feito notável de Dorothea Werneck, juntando montadoras, fornecedores e centrais sindicais para desenvolver uma especialização brasileira no mercado internacional: os carros de baixa cilindrada.

Nassif ,se não estou enganado o causo do carro de baixa cilindrada foi consequência de uma reserva de mercado,através de alicota de imposto menor(7%) conseguida pelo Gurgel para seu veiculo BR800,a ANFAVEA ficou furiosa com essa medida e assim nasceu o carro 1.0,além do que a simpatica Dorothéa era criticada por recepcionar membros da CUT ,com beijinhos no rosto ,enquanto o ex-fantomas, Mario Amato referia-se a ela com a introdução:

-"Apesar de ser mulher..."

seria engano meu?

 

Um estadista que vai buscar energia e inspiração em Zélia Cardoso de Mello mercece mesmo ter um fim até pior do que teve !


Só pode ser explicado mesmo pela vulnerabilidade emocional , tal qual os Romanov se apoiaram em Rasputin !


Em relação à FHC lembro de ter lido em algum lugar que ele chegou a dizer à época , na arrogância habitual , que as razões para os tucanos não terem apoiado COLLOR foi : " ELE SÓ QUER SE APROVEITAR DE NOSSA GRIFFE " . 


De qualquer forma , no ano seguinte  , LULA também proibiria Erundina de participar do governo Itamar .


É o mesmo Brasil de sempre , fruto da luta política mesquinha  , onde só vale o cálculo do dividendo político pessoal : o quê eu ganho , ou o quê o adversário perde, com isso ? , e os interesses maiores da nação que se danem.


Já havia sido assim no Plano Cruzado , continuou ativamente durante o período de fabricação da crise para estraçalhar com Collor , nas subsequentes atitudes do PT com as tentativas para sabotar o Plano Real , e mais do que nunca se estende até hoje na tenebrosa oposição que não sabe mais o quê fazer para retornar ao poder .

 

 Collor tentou e tentou e tentou por influencia do Mario Henrique Simosen colocar o Daniel Dantas como ministro da fazenda. 

 A expressão : Daniel Dantas é um genio era do professor Mario Henrique ao seu aprendiz enquanto aluno da FGV. FHC como copião de idéias pensou: Se o Mario diz eu vou repetir

  P.S Mario Henrique era doidim  por quem sabia demais fazer calculo diferencial e integral. Só que economia não é matemática pura.

  O menino DD declinou do amável convite de Collor e o resto é historia...

  O tempo passou a Zélia  Cardoso destrambelou a viver seus hormonios e o DD foi o brilhante de FHC.

  Hither era um homem brilhante segundo os de sua epoca  também, Newton foi chefe da  casa da moeda do reino inglês, mas não evitou a escravidão e por aí vai.

  Um matemático sem coração é pior que um ignorante, pois ele pode convencer muitos mais que um simplorio  a pular no abismo.

   Admiro muitos homens e muitas mulheres, Csar Pedro é desses celebres. Ninguém me tira da cabeça que foi dele essa historia de comunismo. Ele tinha muito poder e vivia  com a patuléia, mas era lá que ele decidiu estar, morreu salvando não um nobre mas um marujo de baixa herança.Um lider se conhece pelo sacrifio...

   A industria automobilista brasileira  era realmente um horror, só que a importação não foi a salvação da lavoura, haja visto que a industria continuava nas mãos dos mesmos e o que é pior tira emprego por aqui.

     O Collor não tinha visão estratégica regional e sucumbiria como sucumbiu aos dogmas dos EUA.

    Com relação a educação, tinha sim o Brizola como ancora. Os cieps foram espalhados pelo Brasil. Isso é ponto para ele, mas mesmo assim de maneira não muito bem planejada, afinal tinha que dar poder de compra para o povo marginalizado pela ditadura essa visão Collor não tinha e até mesmo tecnologia de inovação não lhe cabia. No caso dos automoveis ele só falava que eram carroças ele só pensava no conforto do povo que já podia comprar, mas os que não podiam? Não lhe passava pela cabeça.

   A juventude é uma benção, mas por vezes pode ser uma maldição. No poder então...

    Desculpe Nassif de ficar botando cacos nas suas análises do cara, mas aquela do Paraguai foi demais pra mim.  

    De resto você está contando coisas que eu não sabia, você estava lá e viu a coisa como ninguém mais viu.

     

   

  

   

 

   Para uma injustiça durar basta apenas que os bons fiquem calados

Simnonsen era um porre, literal.

DD era "filho" de ACM.

E Clóvis de Faro corrigia os erros do brilhante pinguço.