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Os 90 anos da Semana de Arte Moderna

                                                                                                                                                     . .

Os principais eventos, personagens e obras do movimento que transformou a cultura brasileira

Momento definidor da concepção contemporânea de “cultura brasileira”, quando foram propostas pela primeira vez muitas das ideias ainda correntes sobre a relação do país com a tradição nacional e as influências estrangeiras, o movimento modernista completa este mês nove décadas de seu marco inicial.

Realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro no elegante Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de 1922 reuniu um grupo de jovens artistas contestadores que, com o tempo, se tornaram, eles próprios, clássicos, como os escritores Oswald e Mário de Andrade, os pintores Anita Malfatti e Di Cavalcanti, o músico Heitor Villa-Lobos e o escultor Victor Brecheret, entre outros.

No Prosa & Verso deste sábado, historiadores e críticos discutem o ambiente em que eclodiu a Semana, suas influências e seu legado ainda atual. No site do GLOBO, uma página especial apresenta os principais eventos, personagens e obras do movimento que transformou a cultura brasileira.

De O Globo - 04/02/2012

 

 A Semana de 1922

13 DE FEVEREIRO 
Primeira parte: Conferência de Graça Aranha (“A emoção estética na arte moderna”); música de Villa-Lobos, executada por Alfredo Gomes e Lucília Villa-Lobos e pelo Trio Segundo. Abertura da exposição com obras de Antonio Moya, Georg Prsirembel, Haerberg, Brecheret, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, J. Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita, Almeida Prado, Ferrignac e Vicente Rego Monteiro. 
Segunda parte: Conferência de Ronald de Carvalho (“A pintura e a escultura moderna no Brasil”); Solos de piano com Ernani Braga; apresentação de três danças africanas. 

15 DE FEVEREIRO 
Primeira parte: Palestra de Menotti del Picchia ilustrada com poesias e trechos de prosa por Oswald de Andrade, Mário de Andrade, entre outros, e dança com Yvonne Daumerie; solos de piano com Guiomar Novaes. Durante o intervalo, palestra no saguão com Mário de Andrade. Ronald de Carvalho lê o poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira. A leitura não foi anunciada na programação oficial, mas causou alvoroço na plateia, entrando para a história da Semana. 
Segunda parte: Poesia com Renato Almeida Perennis; canto e piano com Frederico Nascimento Filho e Lucília Villa-Lobos; Quarteto Terceiro (Paulina d’Ambrósio, violino; George Marinuzzi; Orlando Frederico, alto; e Alfredo Gomes, violoncelos). 

17 DE FEVEREIRO 
Primeira parte: Obras de Villa-Lobos, com Paulina d’Ambrósio, Alfredo Gomes e Lucília Villa-Lobos; Canto e piano com Mário Emma e Lucília Villa-Lobos; “Historietas”, de Ronald de Carvalho; “Sonata Segunda”, com Paulina d’Ambrósio e Frutuoso Vianna.

 

 A Semana de 2012

Entre os dias 15 e 26 de fevereiro, o Teatro Municipal de São Paulo apresentará uma programação especial em comemoração aos 90 Anos da Semana de 1922. São duas óperas — uma delas, “Magdalena”, de Villa-Lobos, nunca montada em São Paulo —, um espetáculo de dança inédito e dois concertos. Compositores e autores dessas obras participaram da Semana ou foram influenciados por ela. 

“MAGDALENA”: A ópera em dois atos de Heitor Villa-Lobos foi produzida originalmente pelo Théâtre du Châtelet (Paris, 2010). Em São Paulo, terá a Orquestra Sinfônica Municipal, Coral Lírico e Coral Infantil Heliópolis, com direção musical e regência de Luís Gustavo Petri. Elenco: Rosana Lamosa; Luciana Bueno; Rubens Medina; Sávio Sperandio; Saulo Javan; Miguel Geraldi; Paulo Queiroz; Pedro Ometto. Dia 15, às 20h; dia 17, às 20h, dia 19, às 18h; dia 23, às 20h e dia 25, às 20h. 

BALÉ E ÓPERA : “Suíte Vila Rica”, de Camargo Guarnieri, com o Balé da Cidade de São Paulo (imagem ao lado) e a Orquestra Sinfônica Municipal. Regência de Carlos Moreno e coreografia de Lara Pinheiro; ópera “Pedro Malazarte”, de Camargo Guarnieri e libreto de Mário de Andrade, com a Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico. Regência de Carlos Moreno. Com Sebastião Teixeira; Ednéia Oliveira; Eric Herrero. Dia 16, às 20h; dia 18, às 20h; dia 24, às 20h e dia 26, às 18h. 

RECITAL DE PIANO: Dia 25, às 16h, com Caio Pagano. Participação especial do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, apresentando obras para piano solo executadas na Semana de 22. Dia 26, às 11h, Orquestra Experimental de Repertório, com o pianista Pablo Rossi, apresentando obras de Lorenzo Fernandez, Villa-Lobos, Radamés Gnatalli. Regência de Jamil Maluf.

 

 Anita Malfatti 

Em 1917, depois de estudar pintura em Berlim — onde teve contato com o expressionismo alemão — e Nova York, Anita Malfatti (1889-1964) fez a primeira exposição no país a se autodenominar “moderna”. A mostra entrou para a História pela crítica feroz de Monteiro Lobato, que condenou sua “arte caricatural” tipicamente europeia, vinculando-a à perturbação mental. Já para Oswald de Andrade, sua pintura causava “impressão de originalidade e de diferente visão”. Cinco anos depois, Anita foi uma das principais atrações da exposição que abriu a Semana de Arte Moderna, com telas como “O homem amarelo”, “A estudante russa” e “A ventania”. A maior parte dessas obras, no entanto, era de anos anteriores, porque em 1922 Anita já tinha voltado à pintar de forma mais convencional.

 Oswald de Andrade 

Oswald de Andrade (1890-1954) foi o mais transgressor e experimental dos modernistas, autor de irônicos discursos e artigos de ataque aos “passadistas”, nos meses próximos à Semana de 1922, da qual foi um dos idealizadores. “A alegria é a prova dos nove”, declarou no “Manifesto Antropófago” de 1928, que defendia de forma poética uma língua brasileira e a metáfora do canibalismo do índio que deglute o estrangeiro. Era a ideia de antropofagia como caminho para a cultura brasileira, reaproriada pela Tropicália nos anos 1960. Esse projeto construtivo de um modernismo ligado à brasilidade já tinha se anunciado no “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, de 1924, que deu origem ao livro “Pau-Brasil”, publicado no ano seguinte.

 Mário de Andrade 

Um dos principais articuladores da Semana, Mário de Andrade (1893-1945) foi um teórico central do modernismo brasileiro. O prefácio de “Pauliceia desvairada”, publicado pouco depois da Semana, inspirou a fase inicial do movimento. A pesquisa folclórica e a linguagem inventiva de “Macunaíma” (1928) definiram o lugar que o modernismo ocupa até hoje no imaginário nacional. Nas décadas seguintes, foi interlocutor de autores das novas gerações, como Drummond e Sabino, e publicou trabalhos importantes sobre música tradicional brasileira.

 Menotti Del Picchia

Publicado em 1917, o poema “Juca Mulato”, de Menotti del Picchia (1892-1988) chamou atenção por mesclar formas clássicas, disposição gráfica ousada e temas nacionais. Em 1922, teve atuação incendiária na Semana, com uma palestra sobre estética modernista que recebeu aplausos entusiasmados e vaias indignadas. Mais tarde, alinhou-se a um ramo nacionalista do movimento, o “verde-amarelismo”, com Cassiano Ricardo e Plinio Salgado (que também participou da Semana e, em 1932, fundou a Ação Integralista Brasileira, de extrema-direita).

 Heitor Villa-Lobos

Se a Semana de 1922 foi um evento de São Paulo, sua grande estrela foi um carioca. Convocado pelos modernistas paulistas em viagem ao Rio, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) teve 20 composições interpretadas nos três dias de programação, e um dia todo dedicado a ele, único compositor brasileiro na Semana. Foi aplaudido e também vaiado, pela estranheza causada pelos tambores e instrumentos populares de congado incorporados à orquestra. Mais do que a participação intensiva na semana, a importância do maestro para o modernismo brasileiro está na criação de uma linguagem própria na música nacional, unindo elementos de músicas folclóricas e indígenas já no fim dos anos 1910.

 Manuel Bandeira

O pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968) já era um poeta estabelecido na época da Semana. Na década anterior, difundira o verso livre em textos críticos e em obras como “Carnaval”, de 1919. Doente, não pôde ir a São Paulo para o evento, mas os modernistas escolheram seu poema “Os sapos” como uma espécie de declaração de princípios. Publicou algumas das principais obras da poesia brasileira da primeira metade do século XX, como “Libertinagem” (1930) e “Estrela da Manhã” (1936).

 Paulo Prado

Homem de negócios apaixonado pelas artes, milionário que se julgava de esquerda, historiador amador que se sentiu à vontade entre os jovens modernistas, Paulo Prado (1869-1943) é um personagem essencial e pouco lembrado do modernismo. Rico cafeicultor, foi o principal mecenas da Semana de 22 e um interlocutor fundamental para seus integrantes: assinou o prefácio de “Pau-Brasil”, de Oswald de Andrade, e colaborou tanto com a concepção de “Macunaíma” que Mário de Andrade dedicou o romance a ele. 
Leia mais: “O modernista inesperado”

 Ronald de Carvalho

Poeta hoje pouco lido, Ronald de Carvalho (1893-1935) costuma ser mais lembrado por seu papel algo insólito na Semana de 22. Com a ausência de Manuel Bandeira, doente, coube a ele receber as vaias pela leitura do poema “Os sapos”. Foi um dos poucos brasileiros a manter contato com o modernismo português, participando do 1 número da revista “Orpheu” (1915), que publicou poemas vanguardistas de Fernando Pessoa.

 Di Cavalcanti 

Foi de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976) a ideia da realização de uma Semana de Arte Moderna em São Paulo — é o que conta a maior parte das versões de uma história repleta delas. Naquele momento, ele era um artista diferente daquele que se tornaria célebre com a pintura de paisagens brasileiras, retratos de mulatas e preocupação social. Di Cavalcanti apresentou sobretudo desenhos e pastéis na exposição da Semana de 1922, além de ter sido o autor de seu cartaz e da capa do catálogo com a programação. Em seus anos mais experimentais, Di criou ilustrações para revistas modernistas como a “Klaxon” e para livros como “Carnaval”, obra de Manuel Bandeira cujo poema “Os sapos” foi lido durante a Semana e chocou parte da plateia.

 Victor Brecheret 

Nascido Vittorio em Farnese, na Itália, Victor Brecheret (1894-1955) foi adotado pelo grupo modernista como o “Rodin brasileiro”, o representante da escultura na exposição da Semana de Arte Moderna de 1922. Na década de 1910, Brecheret estudou artes no Liceu de Artes e Ofícios, orgulho da São Paulo que se modernizava, e depois em Roma. De volta à capital paulista, o artista se destacou num ambiente de poucas experimentações na escultura. Em 1954, o desbravamento do país pelos bandeirantes, tão valorizado pelos modernistas paulistas, foi retratado por Brecheret na obra “Monumento às bandeiras”, no Parque do Ibirapuera, nas comemorações dos 400 anos de São Paulo.

 Artes plásticas

Anita Malfatti foi um dos nomes centrais da exposição que abriu a Semana de 1922. Grande parte de suas obras já tinha sido exibida na polêmica mostra de 1917, como a pintura “O homem amarelo” (à esquerda), que provocou gargalhadas em Mário de Andrade, comprador da pintura. Outros nomes importantes da exposição foram Victor Brecheret — chamado pelos modernistas de “Rodin brasileiro” — e Di Cavalcanti, que começava a transitar dos desenhos para a pintura, e ainda não retratava as mulheres e paisagens brasileiras que se tornariam uma de suas marcas. A presença de Oswaldo Goeldi na Semana foi anunciada em jornais, mas, ao que tudo indica, ele não participou. Goeldi representa uma outra vertente do modernismo brasileiro, de forte influência expressionista — assim como Lasar Segall. Hoje, a historiografia revê o papel de artistas como Timóteo da CostaBelmiro de Almeida e Eliseu Visconti, radicados no Rio e considerados “passadistas” pelos modernistas. Na exposição “Modernidade antecipada”, em cartaz até 26 de fevereiro na Pinacoteca de São Paulo, o curador Rafael Cardoso evidencia a importância de Visconti para a arte do início do século XX. Entre todos os modernistas, Tarsila do Amaral talvez seja a mais recorrente no imaginário popular. Ela ganha uma exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio, que será aberta dia 13, com telas como “Antropofagia” (1929) — mas não o “Abaporu” (1928) (à direita).

 Livros

Na Semana de 1922, o espanto foi causado por “Os sapos”, poema do livro “Carnaval” (1919), de Manuel Bandeira. “Pauliceia desvairada” (imagem à esquerda), no entanto, entrou para a História como o livro central da poesia modernista, em que Mário de Andrade defende a liberdade e a polifonia. Seis anos depois, já a partir de suas pesquisas sobre o folclore, Mário escreve “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, em que a polifonia se evidencia na linguagem e na narrativa, na busca do que o escritor denominava “entidade nacional”. Nas leituras da obra ao longo dos anos, o anti-herói — interpretado por Grande Otelo e Paulo José no filme homônimo de Joaquim Pedro de Andrade (1969) — se tornou, de forma caricata, retrato do brasileiro malandro. 
Três anos depois de “Pauliceia desvairada”, Oswald de Andrade publicava “Pau-Brasil” (à direita). O livro foi um desdobramento de seu “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, que chamava os modernistas à criação de uma “poesia de exportação”, em 1924 (ano em que Oswald também escreveu “Memórias sentimentais de João Miramar”). Ali já se proclamava um afastamento da importação de tendências culturais, na elaboração de um projeto de brasilidade que se reforçaria no “Manifesto Antropófago”, de 1928. A perspectiva “antropofágica” também está presente em “Cobra Norato”, escrito por Raul Bopp em 1921, mas publicado dez anos depois.

Créditos: Guilherme Freitas, Lívia Brandão, Márcia Abos e Suzana Velasco | Arte: Mariana Castro e Vanissa Wanick

 

(clique nos títulos para ler as matérias)

Um movimento entre a ruptura estética e o valor do passado

Projeto de brasilidade do modernismo ainda era incipiente na Semana de 1922

 

  As atrações

 
 Ruptura e brasilidade

 

Modernismo dialogou com inovações estéticas européias

 

Movimento ignorou, no entanto, portugueses e latino-americanos

 Outras vanguardas

 Uma revolução no palco burguês do Teatro Municipal de São Paulo

Símbolo da elite paulista, local abrigou jovens contestadores financiados por cafeicultores e virou História

Uma semana de contradições 


.
Obras modernistas estão no exterior ou em coleções privadas 
‘Falta uma política de formação de acervos’, diz curadora


Fluxo modernista teve facetas e locações distintas

Pesquisadores lembram papel das revistas que circularam no Rio no começo do século XX


Quem foi Oswald de Andrade, por José Castello.
Em ‘O santeiro do mangue’, Oswald de Andrade transforma em versos a mastigação obstinada do mundo e de seus conflitos .
Paulo Prado foi elo entre negócios e artistas de São Paulo em 1922 
'Ele atuou nos bastidores, por timidez, conveniência ou discrição’, diz secretário de Cultura
 RIO - Homem de negócios apaixonado pelas artes, milionário que se julgava de esquerda, historiador amador que se sentiu à vontade entre os jovens modernistas, Paulo Prado foi descrito por Gilberto Freyre, que o conheceu, como "um dos casos mais curiosos de Dr. Jekyll e Mr. Hyde que já houve no Brasil". Principal fruto da diversificada — e por vezes contraditória — atividade intelectual de Prado, o livro "Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira" (Companhia das Letras), publicado em 1928, é reeditado agora por conta dos 90 anos do evento que ele ajudou a realizar.Cafeicultor de vasta fortuna, Prado foi o principal mecenas da Semana de 22. Mais que isso, foi um interlocutor fundamental para os integrantes do movimento: assinou o prefácio do livro de poemas "Pau-Brasil", de Oswald de Andrade, e teve participação tão importante na concepção de "Macunaíma" que Mário de Andrade dedicou o romance a ele. Após a morte de Prado, em 1943, Freyre previu que as gerações futuras se espantariam ao ver um nome associado ao mesmo tempo ao modernismo e ao Departamento Nacional do Café.



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otimo para saber mais sobre a

otimo para saber mais sobre a arte brasileira.

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Ola Cláudia Marinuzzi 

Gostaria de mais informações sobre sobre seu pai e a música na semana de arte moderna.

Se puder me enviar, agradeço.

 

 

Cumprimentando pela lembrança e registro de um acontecimento tão significativo para a cultura brasileira, tomamos a liberdade de fazer uma contribuição para a maior veracidade do texto acima. Com relação à apresentação das "Três danças africanas", o autor cometeu um engano, dando a entender que elas foram interpretadas por Ernani Braga, quando diz: “Segunda parte: Conferência de Ronald de Carvalho (“A pintura e a escultura moderna no Brasil”); Solos de piano com Ernani Braga; apresentação de três danças africanas. "
As Danças africanas foram interpretadas por um octeto:Violinos: Paulina d’Ambrozio e George Marinuzzi, meu pai.Alto: Orlando FredericoVioloncelos: Alfredo GomesContrabaixo: Alfredo CorazzaFlauta: Pedro VieiraClarinete: Antão SoaresPiano: Fructuoso de Lima Vianna
Para qualquer duvida ou consulta ao material original do evento, nos colocamos à inteira disposição.Atenciosamente,Cláudia Marinuzzi.

 

Há algo mais moderno do que o Manto Tupinanbá?

http://www.terralrj.com/2011/04/mantos-tupinambas.html

Mantos Tupinambás O manto tupinambá - Lygia Pape: na cachoeira, no humor, parindo o que comeu, vermelho como pitanga 
Manto tupinambá  - Lygia Pape http://www.galeriagracabrandao.com/index.php?menu=obr&artista_id=42&obra_id=359
 Pássaro guaíra (ave mítica tupinambá)  http://www.rdvetc.com/?p=567Guará: todo o vermelho do mundo em uma só ave! 
Foto: © Daniel De Granville, 2010

 

Manto Tupinambá - Capa de penas de guará e de papagaio, Pertencia à extinta tribo de índios tupinambá, do Brasil. Após a chegada do europeu em 1500, grande parte destas preciosidades foram saqueadas. O deslumbrante Manto Tupinambá, que já foi confundido com o manto de um imperador azteca e foi levado daqui pelo governador de Pernambuco Maurício de Nassau, no século 17. Hoje pertence ao Museu Nacional de Arte da Dinamarca.http://rochaita.blogspot.com/2010/12/projeto-thaj-mahal-uma-linda-historia.html

Lygia Pape Propõe, em 1999, releituras sobre o Manto Tupinambá: transforma-o em uma bola antropófaga de plumas, da qual saem restos humanos e, em montagem fotográfica, coloca pairando sobre a cidade do Rio de Janeiro uma gigantesca nuvem de fumaça vermelha, como se os tupinambás reivindicassem seus direitos à terra. Em 2002, realiza a instalação Carandiru, em uma referência ao evento ocorrido em 1991. Cria uma cachoeira vermelha, cuja base, para onde o líquido escorre, tem a forma do Manto Tupinambá. Associa, desta forma, a imagem dos presos à do povo indígena dizimado.
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=915&cd_item=2&cd_idio

Nada é puro


 

 

...spin

 

 

as duas últimas obras:

Metaesquema - Hélio Oiticica

True Rouge - Tunga

 

Como ser modernista sem ser antropófago? Como não ´comer` o estrangeiro?

A antropofagia era apenas um dos elementos presente na Semana de Arte Moderna de 22, sendo possível sim, nos engajarmos num movimento sem que tenhamos que abraçar todos os pontos do seu manifesto, de forma que neste sentido, conforme apontou a comentarista Anarquista Lúcida, Lobato foi sim um modernista, embora defensor dos valores nacionais e contra a invasão estrangeira.

Hans Staden Filme Completo

Enviado por  em 01/09/2011

As aventuras de Hans Staden


Hans Staden, um alemão que fora aprisionado pelos tupinambás no litoral fluminense, em 1554, depois de ter voltado para casa, escreveu, provavelmente, um dos primeiros best-seller sobre o Novo Mundo. Sua narrativa, tantas vezes editada entre nós, não só teve agora uma bem ilustrada nova impressão, como serviu de roteiro para um filme que ora ganha cartaz no Brasil inteiro.

http://www.youtube.com/verify_age?next_url=/watch%3Fv%3DJav2LnbJ_Wk

 

 

...spin

 

 

Na postagem anterior sobre este assunto Anarquista Lúcida apontou um dado interessante ao dar a entender que Lobato foi um modernista, sendo que sua crítica a Anita Malfatti se deu porque o escritor defendia valores nacionais. 

Este comentário de AL é muito importante e tem a ver sim, uma vez que Lobato tinha mesmo  este lado mesmo, sendo que a antropofogia, o ´comer` o estrangeiro, digeri-lo e vomitá-lo ao nosso modo, foi a principal marca do movimento modernista. 

Penso ser possível sim, se ser modernista mas não adepto da antropofagia. Neste sentido, concordo com Anaquista Lúcida.

 

....

Sobre a polêmica envolvendo o racismo de Lobato:


Por Anarquista Lúcida:

Cito aqui uma longa passagem de um livro sobre ele que tenho em casa; pus em negrito o trecho que considero mais relevante:

Vem do choque com os colonos e com os caboclos que praticavam a queimada e a revolta de Lobato contra o regionalismo romântico, que exaltava o caboclo. Essa revolta foi materializada nos artigos “Velha Praga” e “Urupês”, que, quando finalmente publicados em livro, quatro anos depois, iriam provocar imensa celeuma nacional. Lobato acusava o regionalismo romântico de ser uma literatura fabricada na cidade por sujeitos que jamais tinham penetrado no campo: o caboclo mostrado em suas obras não passaria de um herdeiro do “índio” de Alencar, presenteado com as mesmas virtudes e grandezas, em completo desacordo com a realidade. Um tal regionalismo seria fruto do divórcio entre os brasileiros cultos e as coisas da terra, divórcio esse aumentado, segundo ele, pela massiva colonização mental, pela dependência em relação a tudo que viesse do exterior, e principalmente pela tendência ufanista nacional, que preferia ignorar os problemas e escondê-los sob capas de retórica.

O retrato que faz do caboclo em “Urupês”, em oposição a essa literatura toda, é terrível. Incapaz de evolução, preguiçoso (sacerdote da lei do menor esforço), supersticioso, sem espírito cívico, sem arte... eis o caboclo visto pela ótica do proprietário lesado. Era um retrato condenador da vítima, e o próprio Lobato o reconheceu mais tarde; faltava-lhe simpatia humana, e sua verdade, apenas exterior, descritiva, não ia às causas. O interesse assim criado, no entanto, evoluiu para uma problematização cada vez mais consciente das questões brasileiras.

No espaço de tempo decorrido entre a primeira aparição de “Velha Praga” e “Urupês”, no jornal O Estado de São Paulo e sua publicação definitiva, Lobato colaborou na Revista do Brasil (de que mais tarde foi diretor), cujo programa era formar uma consciência nacionalista: o artigo de abertura proclamava que pensávamos com a cabeça do estrangeiro. A atenção dada ao Brasil e sua realidade vai levá-lo a participar de uma pesquisa sobre o saci pererê e o nosso folclore. Levou-o inclusive a uma autocrítica dos seus primeiros ataques ao caboclo, de que, numa revalorização algo “literário”, no sentido pejorativo que às vezes dava a essa palavra, chegou a dizer que seria a melhor coisa que produzimos, homem autenticamente brasileiro, em contraposição aos nossos pseudo-intelectuais culturalmente colonizados, macaqueadores da Europa.

A simpatia mostrada pelas coisas nacionais, no entanto, manteve-se sempre dentro da mesma mentalidade crítica que o fizera abominar os mitos românticos. Não caiu nunca no nacionalismo ufanista e patrioteiro oficial, antes pelo contrário, notabilizou-se por tocar com o dedo em nossas chagas, à busca de solução para elas.

A publicação de Urupês provocou enorme controvérsia nacional, tendo dado motivo inclusive a discursos no Congresso. Lobato foi acusado até de receber dinheiro da Argentina para depreciar e ridicularizar homens e coisas do Brasil. Os discursos e artigos que o culpavam disso mostravam quase invariavelmente grande preocupação para com “nossa imagem no exterior”, porém nenhum anseio pela verdade das coisas... Também quando, em sua busca das causas dos males do jeca, Lobato encontrou uma primeira tentativa de explicação em termos sanitários e passou a liderar campanhas jornalísticas em prol do saneamento do país, não faltou quem lhe opusesse que nossa organização sanitária era modelar, muito superior à da própria França...

Todas essas coisas levaram Lobato a considerar a falta de conhecimento das coisas nacionais como o maior obstáculo para a resolução de nossos problemas. Os governantes se veriam condenados a soluções políticas _ e retóricas _ para problemas econômicos e sociais que não podiam resolver porque não queriam diagnosticar: “Procuram soluções políticas, mudam a forma de governo, derrubam um imperador vitalício para experimentar imperantes quadrienais; fazem revoluções, entrematam-se, insultam-se, acusam-se de mil crimes, inventam que o pântano permanece pântano ‘porque há uma crise moral crônica’. O mal das rãs é julgar que sons resolvem problemas econômicos. Trocam o som ‘monarquia’ pelo som ‘república’. Depois inventam sons inéditos _ ‘reajustamento’, ‘congelados’, ‘integralismo’ (...) ‘somos o maior país do mundo’, ‘nossas riquezas são inesgotáveis’, etc.”.

Rapidamente ele vem a pôr o dedo na “causa da causa”, a dominação social: “Sobre a miséria infinita desses desgraçados está acocorada a nossa ‘civilização’, isto é, o sistema de parasitismo que come, veste-se, mora e traz a cabeça sob a asa para evitar o conhecimento da realidade” (PE 71). A verdade não interessaria à “gente de cima, a única que conta nessa terra” (PE 71), donde o apelo à morfina da mentira oficial sistematizada, imposta em horas nacionais obrigatórias, etc. Fato que seria possibilitado, além do mais, pela mentalidade geral defeituosa criada pela influência de religião católica, que Lobato acusava de ser o instrumento ideal para a permanência do status quo, ao enfiar idéias de conformismo social na cabeça dos pobres em troca da felicidade da “outra vida”.

Apesar de toda essa consciência crítica, o posicionamento de Lobato face ao povo não conseguiu escapar ao elitismo aristocrático de sua classe de origem. Era a posição de um homem de elite que assume a responsabilidade social própria dessa situação, atitude paternalista e cheia de contradições. Assim, se nos seus prefácios constam algumas declarações segundo as quais o povo, no mundo inteiro, estaria ficando mais consciente e preparando-se para se subtrair ao seu jogo secular (por ex, na “Carta Prefácio aos Poemas Atômicos de Cesidio Ambrogi”), é freqüente aparecerem, noutros trechos, comparações do povo com carneiros ou com uma boiada. Como bois ou carneiros, o povo seria dócil, ignorante, capaz de explosões perigosas... (Precisando, pois, de bons pastores...) Infelizmente a edição dos Prefácios e Entrevistas que tenho não dá a data dos escritos que compõem o livro. Quer-me parecer que a evolução das posições de Lobato face ao povo foi contínua, e que deve ter sofrido um salto especialmente depois de 1941, data de sua prisão. (Cavalheiro nos mostra um Lobato surpreso e indignado com as torturas sofridas pelos presos comuns, admirador de um colega de célula operário preso por ter em casa livros “subversivos”, lançando mão de suas relações de amizade para ajudar os companheiros, arranjar-lhes empregos, etc).

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-elogio-de-monteiro-lobato-a-kkk

Meu comentário

AL, é possível que Monteiro Lobato tenha se retificado, as nossas visões sobre estética, política e relações sociais não são estáticas, corremos o risco de  cometer injustiças quando isolamos  frases ditas num determinado momento, não podemos ser rígidos, pois agindo assim podemos cometer injustiças, sem dúvida o saldo de ML para com o Brasil é positivo, o Mágico de Oz nem chega perto do Sítio 

É visível o afeto de Monteiro Lobato para com personagens negros como Dona Benta e Tio Barnabé. Do ponto de vista político, ML era sim progressista, jamais regressista e chegou a ser preso por causa do seu engajamento na campanha "O Petróleo é Nosso". O escritor fez parte do pré-modernismo, que defendia valores nacionais. O natural seria ele ter-se engajado totalmente no modernismo, o que não ocorreu tendo em vista as críticas bastante ácidas a Anita Malfatti. Ao que tudo indica ele(Lobato) por apegar-se por demais aos ditos valores nacionais, não concordou com a importação de ingredientes internacionais, por sinal a marca da Semana de 22 era a antropofagia, que consistia em digerir o estrangeiro. Este processo de  sair da canoa ocorreu também com o poeta Ferreira Gullar, o qual foi um dos criadores do concretismo mas que, após ter aderido ao neoconcretismo, abandonou o barco, ou seja, deu uma guinada no sentido do conservadorismo. Vai saber que medos habitam esta gente.

Quanto a Lobato ser racista por causa de alguma frase isolada, não creio, até mesmo porque é inegável o carinho do escritor ao falar através de personagens negros como Tia Benta e Barnabé. Muito complicado julgar o escritor por causa de possíveis derrapadas, o que vale é o conjunto da sua obra. De qualquer forma, para discusssão, segue o texto sobre o  ´racismo` de Lobato:

O elogio de Monteiro Lobato à KKK

Folha de S.Paulo - Mônica Bergamo - 26/04/2011

CONFISSÕES DE LOBATO
A revista "Bravo!" publica em maio cartas inéditas do escritor Monteiro Lobato. "Um dia se fará justiça ao Ku Klux Klan; tivéssemos uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos livres da peste da imprensa carioca -mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva", escreveu em 1938 o escritor, censurado pelo governo por racismo.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-elogio-de-monteiro-lobato-a-kkk

Meu comentário

A depender de Monteiro Lobato ainda estaríamos no parnasianismo, como se sabe ele fez dura campanha contra a Semana de Arte Moderna de 22.
Lobato, expoente do pré-modernismo  de conteúdo nacionalista e em defesa dos valores nacionais, detonou Anita Mafaltti por conta de uma exposição modernista em 1917.
Talvez sem querer, o escritor  "cortou a mão" de Anita.

É quando penso sobre a necessidade de uma instituição onde as pessoas pudessem se expressar de forma livre, uma espécie de Poder Curador, que existiria no lugar do Poder Judiciário, pois se isso existisse é bem provável que Anita, envergonhada com sua arte, teria produzido longe de Lobato, no espaço da liberdade, quem sabe do consultório médico, assim a artista teria recuperado sua mão, aliás, Lobato aponta a patologia na arte moderna como sinal de degeneração, como como uma excrescência,   quando na verdade é o contrário.

Segue trecho dando-nos conta de Lobato detonando os modernistas:

"(....) Paranóia ou mistificação
     Usando como título: «Paranóia ou mistificação – A propósito da exposição Malfatti,», Lobato ataca as «escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos de cultura excessiva... produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência» e, depois, explica o título de sua catilinária:
     «Embora se dêm como novos, como precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu como paranóia e mistificação.

     «De há muito que a estudam os psiquiatras, em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que, nos manicômios, essa arte é sincera, produto lógico dos cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses;

     «e fora deles, nas exposições públicas zabumbadas pela imprensa partidária mas não absorvidas pelo público que compra, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura.» 
Abalo e desorientação
     Nem as palavras mas afáveis, ou menos agressivas, despejadas ao final do artigo, nem os elogios ao seu talento, colocados no início, poderiam desfazer tamanho estrago sobre a personalidade tímida e irresoluta de Anita, que caiu em forte depressão, vivendo um período de desorientação total e de descrença, um sentimento que carregou pelo resto da vida.
     Sua primeira reação foi o abandono total à arte. Depois, passado um ano, dando uma guinada de 180 graus, foi tomar aulas de natureza-morta com o mestre Pedro Alexandrino Borges(1856-1942), ocasião em que conheceu Tarsila do Amaral, início de uma longa e proveitosa amizade.
     Tarsila foi para a Europa e Anita passou a estudar com outro mestre conservador, Jorge Fischer Elpons (1865-1939), também especialista em naturezas-mortas.
     Instada por amigos, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e, no ano seguinte, com uma bolsa de estudos, viajou a Paris, onde se encontrou com Tarsila, Oswald, Brecheret e Di Cavalcanti. De lá voltou, com a confiança recuperada, mas disposta a não se atirar em novas aventuras.
     Sua arte, a partir daí, virou uma salada russa, logo notada pelos críticos: «A Sra. Malfatti faz o viajante percorrer os séculos e os gêneros. É primitiva, clássica, e moderna avançada, faz retratos e naturezas-mortas.»
Um mundo alienado
    A exposição de 1917 se deu em momento errado, no local errado e com a pessoa errada. As críticas de Lobato não se dirigiam a ela mas aos modernistas, com quem o escritor tinha um ajuste de contas. Anita Malfatti se viu no meio do tiroteio e foi atingida mortalmente pelas balas perdidas. 
     Considerada por Pietro Maria Bardi como a maior pintora brasileira, ela jamais se recuperou do golpe sofrido. Como diria mais tarde Mário de Andrade: «Ela fraquejou, sua mão, indecisa, se perdeu.»
     Já com idade madura, Anita mudou-se, com sua irmã Georgina, para uma chácara em Diadema (SP), onde morreu em 6 de novembro de 1964, alienada do mundo, cuidando do jardim e vivendo seus próprios devaneios. (Paulo Victorino).
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MÁRIO DE A
http://www.pitoresco.com.br/brasil/anita/anita.htm

"(...)
A exposição de Anita Malfatti provocou uma grande polêmica com os adeptos da arte acadêmica. Dessa polêmica, o artigo de Monteiro Lobato para o jornal O Estado de S. Paulo, intitulado: “A propósito da Exposição Malfatti”, publicado na seção “Artes e Artistas” da edição de 20 de dezembro de 1917, foi a reação mais contundente dos espíritos conservadores.
No artigo publicado nesse jornal, Monteiro Lobato, preso a princípios estéticos conservadores, afirma que “todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude”. Mas Monteiro Lobato vai mais longe ao criticar os novos movimentos artísticos. Assim, escreve que “quando as sensações do mundo externo transformaram-se em impressões cerebrais, nós ‘sentimos’; para que sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso ou que a harmonia do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em ‘pane’ por virtude de alguma grave lesão. Enquanto a percepção sensorial se fizer normalmente no homem, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá ‘sentir’ senão um gato, e é falsa a ‘interpretação que do bichano fizer um totó, um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes”.
Em posição totalmente contrária à de Monteiro Lobato estaria, anos mais tarde, Mário de Andrade. Suas idéias estéticas estão expostas basicamente no “Prefácio Interessantíssimo” de sua obra Paulicéia Desvairada, publicada em 1922. Aí, Mário de Andrade afirma que:
“Belo da arte: arbitrário convencional, transitório - questão de moda. Belo da natureza: imutável, objetivo, natural - tem a eternidade que a natureza tiver. Arte não consegue reproduzir natureza, nem este é seu fim. Todos os grandes artistas, ora conscientes (Rafael das Madonas, Rodin de Balzac.Beethoven da Pastoral, Machado de Assis do Braz Cubas) ora inconscientes ( a grande maioria) foram deformadores da natureza. Donde infiro que o belo artístico será tanto mais artístico, tanto mais subjetivo quanto mais se afastar do belo natural. Outros infiram 
o que quiserem. Pouco me importa”. (Mário de Andrade, Poesias Completas)
Embora existia uma diferença de alguns anos entre a publicação desses dois textos, eles colocam de uma forma clara as idéias em que se dividiram artistas e críticos diante da arte. De um lado, os que tendiam que a arte fosse uma cópia fiel do real; do outro, os que almejavam uma tal liberdade criadora para o artista, que ele não se sentisse cerceado pelo limites da realidade.
Essa divisão entre os defensores de uma estética conservadora e os de uma renovadora, prevaleceu por muito tempo e atingiu seu clímax na Semana de Arte Moderna realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. No interior do teatro, foram apresentados concertos e conferências, enquanto no saguão foram montadas exposições de artistas plásticos, como os arquitetos Antonio Moya e George Prsyrembel, os escultores Vítor Brecheret e W. Haerberg e os desenhistas e pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita, João Fernando de Almeida Prado, Ignácio da Costa Ferreira, Vicente do Rego Monteiro e Di Cavalcanti (o idealizador da Semana e autor do desenho que ilustra a capa do catálogo).
Manifesto Antropofágico
Publicado na Revista Antropofagia (1928), propunha basicamente a devoração da cultura e das técnicas importadas e sua reelaboração com autonomia, transformando o produto importado em exportável. O nome do manifesto recuperava a crença indígena: os índios antropófagos comiam o inimigo, supondo que assim estavam assimilando suas qualidades.
A idéia do manifesto surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear o então marido Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de aniversário a tela Abaporu (aba = homem; poru = que come).
Estes eventos da Semana de Arte Moderna foram o marco mais caracterizador da presença, entre nós, de uma nova concepção do fazer e compreender a obra de arte. 
http://www.historiadaarte.com.br/semanade22.html

Obras de Anita Malfatti, reprovadas por Monteiro Lobato

Imagem do livro "Anita Malfatti: Tomei a Liberdade de Pintar a Meu Modo" 
Imagem do livro

Imagem do livro "Anita Malfatti: Tomei a Liberdade de Pintar a Meu Modo" 
Imagem do livro  
Divulgação
Imagem do livro "Anita Malfatti: Tomei a Liberdade de Pintar a Meu Modo", de Luzia Portinari Greggio. Na foto, a obra "O Homem Amarelo" 

Imagem do livro "Anita Malfatti: Tomei a Liberdade de Pintar a Meu Modo" 

http://img.estadao.com.br/fotos/3E/F4/0D/3EF40D1F8EA34CDF9CBED2318C3730F7.jpg ATUALIZAÇÃO - 
Machistas x Anarquista Lúcida
 Para entender o caso. Há na web uma comunidade de leitores, um projeto ímpar levado adiante pelo jornalista Luis Nassif. Trata-se de um projeto antigo, eu por exemplo comecei a participar, quando a comunidade existia no IG, tendo sido transferida para o Brasilianas.Org em 2010. 


Há comentaristas veteranos, como por exemplo Anarquista Lúcida. Recentemente a comunidade foi invadida por uma turba de machistas e mais que isso, uma turma que, não de onde veio, ao que tudo indica, está fazendo de tudo para afastar pessoas da comunidade e, assim, inviabilizar o belo trabalho de Luis Nassif.


Por ocasião do 90 aniversário da Semana de Arte Moderna, terminamos falando de Monteiro Lobato, o comportamento do escritor frente ao movimento. Como se trata de uma comunidade de leitores, tem que reinar por ali, antes de tudo, a liberdade de expressão. Achei muito interessante as colocações de Anarquista Lúcida sobre  o suposto conservadorismo e racismo de Lobato, uma pena que a comentarista não possa, devido aos achaques de machistas, resolvido manter-se ausente, segue mensagem dela (A.L.):


Oi, José Carlos Vi suas respostas aos meus comentários aos seus comentários sobre Lobato... Nao quis responder mais lá, porque havia comentado sob força de impulso, mas nao estou mais comentando lá, por causa do machismo vigente. Pois é, dentro do assunto, o que acho importante é que as pessoas nao fiquem presas aos mitos. Lobato foi cruel com Anita (ele era um pintor acadêmico frustrado... ), mas, no tocante ao modernismo como um todo, nao foi só "pré-moderno", foi modernista, embora sem adotar todo o ideário do grupo. 


Uma ressalva ao que você me respondeu: nao nego o racismo de Lobato... Há bastantes LAIVOS de racismo nos livros infantis, e eu apoei a decisao do Conselho de nao incluí-lo nas obras distribuídas às escolas. Agora, daí a dizer que foi adepto da klu-klux-kan vai uma senhora distância... Ele pode até ter dito isso numa carta particular, adorava "boutades", aliás bem modernista nisso, mas na verdade, dentro da tradiçao de responsabilizar o povo pelo atraso no Brasil, que vem desde os neorealistas, ele foi ao contrário o que deixou de aventar motivos raciais e passou a denunciar a exploraçao popular. Lobato tem seus erros, mas merece respeito, era um ser humano complexo. Abs, me desculpe nao querer responder lá, estou de "greve solitária", greve de uma só...


Atualização - 8/2/12



Amiga Anarquista Lúcida, minha solidariedade, sei o que é sofrer ataques desta ordem. Esperamos seu retorno. Por causa Amiga Anarquista Lúcida, minha solidariedade, sei o que é sofrer ataques desta ordem. Esperamos seu retorno. Por causa do ocorrido tomei duas atitudes:

1- Criei o Coletivo SPIN Recusado, onde pretendo tratar do assunto. Falando nisso nesta noite sonhei com uma pessoa moradora de rua sem rosto curvada sobre o próprio estomago, talvez eu deva escrever sobre isso por lá.


2- Enviei esta mensagem ao Nassif:

Se há uma coisa que tem quer proibida é a agressão a leitores e leitoras que contribuem com seus comentários. Atacar ideias tudo bem mas ataques pessoais jamais. Quando algum(a) comentarista é atacado(a) se configura a falta de liberdade na comunidade e, em consequencia, a perda de uma pessoa que vinha contribuindo. Eu já presenciei ofensas pessoais do Blaya contra Raquel e contra mim tmbm e até se referindo a minha pessoa no feminino em sinal de deboche homof´bico, mas isto ocorreu há quase 1 ano, ja esqueci, De uns dias pra ca a turba da Soninha Francine invadiu o blog, não vi ataque a mim mas pessoas foram atacadas,a Anarquista Lucida foi vítima de ataque machista. Como a comunidade de leitores LNO tem que enfrentar  isso sob pena de minguar ou chegar a um ponto de só restar a turba. Os ataques ainda não chegaram ao chat Papo de Buteco que, penso eu, deveria permitir o uso de web cam para quem queira apresentar alguma música, arte, etc. Claro desde que o clima seja de respeito e certo quanto a não permissão de ataques a quem que seja que se apresente.do ocorrido tomei duas atitudes:
 1- Criei o Coletivo SPIN Recusado, onde pretendo tratar do assunto. Falando nisso nesta noite sonhei com uma pessoa moradora de rua sem rosto curvada sobre o próprio estomago, talvez eu deva escrever sobre isso por lá. 2- Enviei esta mensagem ao Nassif: Se há uma coisa que tem quer proibida é a agressão a leitores e leitoras que contribuem com seus comentários. Atacar ideias tudo bem mas ataques pessoais jamais. Quando algum(a) comentarista é atacado(a) se configura a falta de liberdade na comunidade e, em consequencia, a perda de uma pessoa que vinha contribuindo. Eu já presenciei ofensas pessoais do Blaya contra Raquel e contra mim tmbm e até se referindo a minha pessoa no feminino em sinal de deboche homof´bico, mas isto ocorreu há quase 1 ano, ja esqueci, De uns dias pra ca a turba da Soninha Francine invadiu o blog, não vi ataque a mim mas pessoas foram atacadas,a Anarquista Lucida foi vítima de ataque machista. Como a comunidade de leitores LNO tem que enfrentar  isso sob pena de minguar ou chegar a um ponto de só restar a turba. Os ataques ainda não chegaram ao chat Papo de Buteco que, penso eu, deveria permitir o uso de web cam para quem queira apresentar alguma música, arte, etc. Claro desde que o clima seja de respeito e certo quanto a não permissão de ataques a quem que seja que se apresente.  

 

 

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Na postagem anterior Anarquista Lúcida contestou esta visão segundo a qual Monteiro Lobato era conservador. Segue link

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-90-anos-do-movimento-modernista

 

 

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Videos

1- Trailler do documentário Mudernage, sobre o  modernismo goiano nas artes plásticas, observando a relevância desse movimento no contexto da produção cultural do país, além de revelar a produção e os autores do cenário goiano.


2- Carlos Sena Passos, professor de História da Arte Contemporânea, FAV/UFG, no documentário "Mudernage", exibido na TV Brasil, programa Doc TV, em 18/02/2010

 

 

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Só para finalizar: O que é arte moderna?


Grifei o trecho sobre a arte moderna no Brasil. Eu já havia postado o artigo abaixo, no entanto achei importante repeti-lo aqui para que, como disse, entendamos a saladinha de termos parecidos:

Do blog "Arte Moderna", do professor Carlos Sena, professor de História da Arte Contemporânea/FAV/UFG:

 

Arte Moderna 


Henri Matisse.Alegria de viver,1905-1906.Óleo s/ tela. Barnes Foundation, Lincoln University, Merion, PA, USA.


Arte Moderna. Sob essa denominação podem ser considerados, de forma genérica, os variados movimentos artísticos que surgiram do início a metade do século XX, principalmente na Europa. Muitos não chegaram a se organizar enquanto escolas com manifestos e programas, mas outros apresentavam objetivos e teorias definidas previamente. Apesar da variedade de propostas plásticas e teóricas, o diálogo entre estes movimentos era inevitável seja na forma de confronto, ou enquanto influência estética. A grande proximidade com a literatura, cinema e outras manifestações artísticas aumentou a preocupação com os conceitos, as teorias e as idéias que condicionavam e predefiniam a natureza do próprio objeto de arte.

O envolvimento político e social de muitos movimentos da arte moderna também refletia a necessidade de compreender as mudanças pelas quais o mundo estava vivendo, como as experiências da 1ª e da 2ª Guerra Mundial, a industrialização e urbanização das cidades, os avanços da técnica e da ciência, o progresso social e as revoluções populares. Esses temas fizeram-se presentes de forma mais direta em algumas vanguardas, enquanto em outras optou-se pela pesquisa da plasticidade e de novas formas de expressão.


A arte moderna acompanhou as mudanças inicialmente propostas pelo Impressionismo e a partir deste ponto assumiu uma posição crítica em relação às convenções artísticas acadêmicas, aos temas oficiais e à própria maneira de se representar a realidade. Entre as variadas linguagens que surgem sob a denominação de arte moderna existia um eixo comum que questionava a representação ilusionística da realidade ao tentar impor a tridimensionalidade ao plano da tela. Esta nova percepção inaugurou o espaço moderno na pintura e a pesquisa aprofundada das cores em seus tons puros, a fragmentação dos objetos e planos, a deformação das figuras e a abstração das formas. A experimentação passou a ser um método de trabalho tanto para as tendências mais "racionalistas" da arte moderna, quantos as "irracionalistas". Devido as especifidades da arte moderna e a multiplicidade de representantes, optamos por uma síntese de cada movimento com seus principais atuantes.

Fauvismo - grupo de artistas sob a liderança de Henri Matisse (1869-1954) que exploravam as possibilidades das cores em seus tons puros e fortes, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas diretas. A temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social ou política. Teve presença marcante na França entre 1905 e 1907 e impacto nas tendências expressionistas.
Artistas: Henri Matisse (1869-1954); André Derain (1880-1954); Maurice de Vlaminck (1876-1958).

Expressionismo - tendência de arte que se desenvolveu na Alemanha, entre 1905 e 1914. Fazia oposição ao impressionismo francês e defendia a expressão que se manifestava do artista para realidade. Vários grupos apresentaram influências expressionistas, mas o mais conhecido foi o Die Brücke ('A Ponte'), criado em 1905 em Dresden. Este grupo definiu os procedimentos e fundamentos do expressionismo alemão. Após os anos 50 é nos Estados Unidos que se encontrará influência deste movimento com o expressionismo abstrato.
Artistas: Vincent van Gogh (1853-1890); Paul Gauguin (1848-1903); Edvard Munch (1863-1944); Georges Rouault (1871 – 1958); Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901).

Cubismo - movimento artístico que tem como marco inicial 1907 quando Pablo Picasso apresentou seu quadro Les Demoiselles d'Avignon, em Paris. O cubismo promove a recusa da arte como imitação da natureza e propõe novas formas geométricas para se visualizar a realidade tendo como objetivo fundamental capturar a estrutura dos objetos, a simplificação das formas, dissociando-as do real.
Este movimento dividiu-se em duas fases: cubismo analítico (1909-1912) com o foco na decomposição dos objetos e planos e no monocromatismo; e cubismo sintético (1912-1913) no qual elementos estranhos à pintura são incorporados às telas criando as colagens. 
Artistas: Pablo Picasso (1881 - 1973); Georges Braque (1882 - 1963); Juan Gris (1887 - 1927).

Construtivismo - movimento de vanguarda com base na Rússia que trata a pintura e a escultura como construções, estabelecendo grandes conexões com a arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. Diretamente influenciado pela revolução de 1917 na Rússia, o movimento discutiu profundamente o papel social da arte e sua produção concreta para sociedade.
Artistas: Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885 - 1953); Alexander Rodchenko (1891 - 1956).

Surrealismo - o termo surrealismo, cunhado pelo poeta André Breton, apareceu no primeiro manifesto do grupo, em 1924, no qual defendiam a valoração do mundo dos sonhos, do irracional e do inconsciente para a produção das obras. Movimento amplo que envolveu literatos, cineastas e fotógrafos e que reforçava o imaginário, os impulsos ocultos e o caráter anti racionalista com base em leitura livre das teorias de Sigmund Freud.
Artistas: René Magritte; Joán Miró; Salvador Dalí; Alexander Calder; Hans Arp (1886-1966). 

Dadaísmo - movimento artístico que não procurou estabelecer programas de ação nem estilos específicos. Tratava-se de uma crítica cultural mais ampla aos modelos e valores culturais e sociais anteriores. Suas manifestações eram pautadas pela desordem, escolhas aleatórias, choque e escândalo. Sua criação data de 1916 quando da criação do Cabaré Voltaire, em Zurique, espaço para as manifestações artísticas variadas. Ficou mundialmente conhecido pelos ready-made de Marcel Duchamp com os quais proferiu uma forte crítica ao sistema da arte.
Artistas: Francis Picabia (1879); Marcel Duchamp (1887-1968); Man Ray (1890-1976).

Suprematismo - movimento russo de arte abstrata, surgiu por volta de 1913 tendo como principal representante o pintor Malevich e o poeta Maiakóvski. Defendiam a pesquisa profunda da estrutura da imagem com o intuito de se alcançar a “forma absoluta” através de formas geométricas básicas associadas a uma pequena variação de cores. Em 1918, Malevich declara o fim do movimento por esgotamento do projeto inicial.
Artista: Kazimir Malevich (1878-1935).

Neoplasticismo - movimento associado às novas propostas plásticas de Mondrian e Doesburg apresentadas pela revista De Stijl (O Estilo) criada pelos dois artistas holandeses em 1917. Buscavam uma nova forma de expressão baseada em elementos mínimos como a reta, o retângulo e as cores primárias, além do preto, branco e cinza. A redução da plasticidade rejeitava os princípios da tridimensionalidade no espaço pictórico, as linhas curvas e as texturas. A revista e o movimento deixa de existir oficialmente em 1928.
Artistas: Piet Mondrian (1872-1944) e Theo van Doesburg (1883-1931).

Futurismo - surgiu como movimento literário a partir do manifesto escrito em 1909 pelo poeta Marinetti, mas logo recebeu adesão de artistas e outros intelectuais. De raiz fortemente italiana o futurismo colocava-se contra o passado burguês e tradicional, glorificando o mundo moderno, a ciência, a técnica, a velocidade, a máquina e os meios de comunicação como o cinema. De forte aspecto político esteve associado também ao fascismo e ao nacionalismo. A pesquisa do movimento e o dinamismo são elementos marcantes das obras deste grupo.
Artistas: Umberto Boccioni (1882 - 1916); Luigi Russolo (1885 - 1947).

Abstracionismo - movimento liderado por Wassily Kandinsky, surgiu em 1910 e defendia o uso de uma linguagem puramente abstrata, alcançando ritmo e dinamismo através da cor e das formas. Uma expressão artística tipicamente não-figurativa, sem a busca por uma representação da realidade como é vista.
Artista: Wassily Kandinsky (1866-1944).

Arte moderna no Brasil

A arte moderna no Brasil tem como marco simbólico a Semana de 1922, realizada em São Paulo. O evento foi organizado por intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência e declarava o rompimento com o tradicionalismo cultural na literatura, na música e nas artes plásticas. As discussões sobre uma renovação artística vinha de antes deste evento com exposições isoladas de artistas brasileiros, mas convencionou-se considerar o ano de 1922 como marco principal dessa emancipação artística. Entre os participantes da Semana de Arte Moderna estavam os artistas Anita Malfatti (1889 - 1964), Di Cavalcanti (1897 - 1976), John Graz (1891 - 1980), Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970), Victor Brecheret (1894 - 1955) entre outros.


Entretanto, apesar do contato direto de muitos artistas brasileiros com as vanguardas européias, nesse momento, não se tratava de inovações significativas para arte brasileira. Novas expressões artísticas surgiram, principalmente a partir de 1930, associadas a um interesse pelas temáticas nacionais e por nosso passado cultural e social. Os artistas influenciados pelas vanguardas e por esse momento cultural nas principais cidades do país estabelecem estilos próprios não se enquadrando especificamente em nenhum dos movimentos da arte moderna.




Referências bibliográficas


GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC. p. 535-536.
STANGOS, Nikos (org.). Conceitos da arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosac e Naify, 2001. p. 34-38.


Grupo:
Bárbara Lopes 
Laiz Galvão
Renata Siquieroli
Tatianny Leão Coimbra

http://artemodernafavufg.blogspot.com/2009/04/arte-moderna.html

 

 

 

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Da diferença entre moderno, modernidade e modernismo:

Do blog "Arte Moderna"

http://artemodernafavufg.blogspot.com/2009/04/o-moderno.html

O Moderno

 
Mário Chiattone. Construção para a Metrópolis Moderna.1914.

Muitas pessoas, quando iniciam seus estudos nas artes, tendem a confundir os significados das palavras moderno, modernidade e modernismo, visto que comumente não são passíveis de definições fixas, estando sempre sujeitas a modificações e alterações. Mas os significados destas nomenclaturas são realmente diferentes.

Moderno é o termo usado para indicar algo que é contemporâneo à época da produção. Empregado inicialmente na modernidade (Idade Moderna), esse termo foi muito utilizado para indicar o modernismo (a maneira modernista) e ultrapassou os limites de seu tempo, sendo ainda hoje bastante comum (na nossa contemporaneidade). Isso porque considera-se como moderno tudo que se oponha ao antigo.

A perspectiva moderna começou a se desenvolver quando o conhecimento e a arte se entrelaçaram com o conhecimento científico. Ou seja, algumas obras do período moderno e outras do período contemporâneo podem ser julgadas como modernas, pelo simples fato de simbolizarem o que é presente e atual (em relação ao tempo e ao espaço de sua produção). Da mesma forma é possível determinar algumas outras obras feitas nestes mesmos períodos como não-modernas, por serem retrógradas.

Como entendimento de moderno, tem-se a assimilação de trabalhos que contenham uma nova abordagem, com rompimento de padrões e regras artísticas. Isto é, o abandono de uma arte literal e acadêmica, rumo a novas visões, mais abstratas e menos figurativas. Assim sendo, pode-se resumir o moderno como a representação de “uma atitude específica para com o presente”. 

BIBLIOGRAFIA: 

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. 10ª Edição. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. 
STANGOS, Nikos. Conceitos da Arte Moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. 

GRUPO:
Ana Carolina A. de Castro
Cristiane Fernanda de Jesus
Eliane Apolinária Alves

 

 

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Arte moderna, modernismo, modernidade,,,....esta salada que às vezes nos confunde:

MODERNO, MODERNIDADE, E ARTE MODERNA.

Por Érica Ramos, no blog "Arte Moderna", do Professor Carlos Sena.

 


James Ensor (1860-1949). A entrada de Cristo em Bruxelas, 1889. Óleo sobre tela, 250 X 434cm. Museu Real de Belas Artes, Antuérpia.


MODERNO 

Francis Frascina no seu livro Modernidade e Modernismo, diz que poderemos empregar a palavra Moderna de forma bastante vaga para significar do presente, ou do que é atual. Neste sentido informal, ela se refere ao que é contemporâneo e é definida por sua diferenciação em relação ao passado.
Moderno não significa apenas o presente, mas representa uma atitude especifica para com o presente.
Aplicado a Arte, o termo Moderno pode designar um período da História, e pode ser usado para discriminar entre diversos tipos de arte produzidos neste período. Destacando em alguns pintores o direito de serem chamados modernos.
Segundo Baudelaire, o Moderno na Arte está relacionado a uma experiência que encontra sempre em transformação, que não permanece estático.
Termo reivindicado a partir do Renascimento, movimento intelectual e artístico originário na Itália no século XIV e difundido pela Europa nos séculos seguintes. Para os Iluministas, o Renascimento lançou as bases de uma nova civilização ocidental, buscando na herança greco-romana o modelo de homem, arte e sociedade, descartando-se os valores da sociedade medieval, cristã e agrária. Sociedade que não atendia as novas concepções presentes no espírito de criatividade, engenhosidade e aventura do homem moderno, desbravador de novos mundos pelos oceanos distantes, objetivando a Europa como centro irradiador dessas transformações em nome da razão e do progresso.

MODERNIDADE

Modernismo ou Modernidade, estado ou qualidade do que é Moderno.
O termo Moderno e Modernidade não são possíveis de definição fixa, são relativos e sujeitos a mudanças históricas. Isso se levarmos em conta as circunstâncias que, numa referida época significou ser Moderno.
Modernidade é definida como sendo um termo utilizado para articular um senso de diferenciação com relação ao passado, e descrever uma identidade peculiarmente moderna.
Baudelaire define-a como sendo o transitório, o fugidio, o contingente, a metade da arte, cuja outra metade é o eterno e o imutável. 
No contexto da historia da Arte, o Modernismo, também assim designado, foi um conjunto de movimentos culturais que permearam as artes na primeira metade do século XX. 
Tenta resgatar a pintura da condição de inferioridade e não atualidade em que se encontrava. Baseando na idéia de que as formas ditas tradicionais das artes plásticas tornaram-se ultrapassadas e que se fazia fundamental abandoná-las e criar nesse lugar uma nova concepção do que seria Arte.
A essência do pensamento modernista argumentava que novas realidades do século XX eram permanentes e iminentes, e que as pessoas deveriam se adaptar a suas visões do mundo a fim de aceitar que o que era novo era também, bom e belo.


ARTE MODERNA

A Arte Moderna nasce de uma ruptura de poéticas opostas e complementares da arte clássica e romântica, sugerindo ao artista de seguir a realidade, libertando as suas percepções de quaisquer preconceitos ou convencionalismo, para manifestá-la em sua plenitude de ação cognitiva. 
A arte dita moderna aparece no circuito da historia da arte como uma contestação a arte acadêmica, dos salões oficiais, e de orientações realistas recusando os hábitos de ateliê, de dispor e iluminar os modelos, dando um total desinteresse pelo objeto e preferência pela paisagem e natureza morta. 
A Arte Moderna, antes de tudo, elimina todas as influências de uma arte sobre outra. 
O artista moderno defende a arte como sendo autônomo e despojado de elementos estranhos a eles, buscando uma lógica de representação e de uma funcionalidade puramente social da arte. Por conseguinte, desenvolvimento dos gêneros mais apropriados para a análise da realidade natural e social, recusando a retórica figurativa Barroca e da função comemorativa tradicional da figuração alegórica e histórico- religiosa.
Requer nesse sentido, uma autonomia e especialização profissional dos artistas. 
A Arte Moderna é o marco de uma revolução artística - REALIDADE E CONSCIÊNCIA...

Érika Ramos
Licenciatura em Artes Visuais

http://artemodernafavufg.blogspot.com/2009/04/moderno-modernidade-e-arte-moderna.html

 

 

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Sobre o conceito de antropofagia, que permeou a Semana de 22

http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/5603/5603_3.PDF

"A verdadeira arte moderna tem de ser maximamente desnacionalizada – acumular 

dentro de si todas as partes do mundo. Só assim será tipicamente moderna. Que a 

nossa arte seja uma onde a dolência e o misticismo asiático, o primitivismo 

africano, o cosmopolitismo das Américas, o exotismo ultra da Oceania e o 

maquinismo decadente da Europa se fundam, se cruzem, se interseccionem. E, feita 

esta fusão espontaneamente, resultará uma arte-todas-as-artes, uma inspiração 

espontaneamente complexa..."

 PESSOA, Fernando . Obras em prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1993. P. 408. 

 

 

 

...spin

 

 

Belo post Cruvinel. Obrigada.

 

 Com atraso por conta de PMs grevistas e duas viradas, Bahia bate o Itabuna; Vitória goleia líder

 

Apesar do fim de sua invencibilidade, o Bahia de Feira se mantém na primeira colocação, com 15 pontos, dois à frente do vice-líder Bahia. O Vitória aparece na terceira colocação, com 12.

A situação do jogo em Itabuna foi preocupante. Aproximadamente 50 manifestantes quiseram adiar o jogo e não deixaram, por exemplo, os ônibus das duas delegações no estádio Luiz Viana Filho, que teve um de seus portões derrubados pelos torcedores.

Após muita espera, integrantes da Força Nacional chegaram à arena para assegurar a segurança. Dentro de campo, o Bahia não teve pela primeira vez o técnico Joel Santana, que acertou sua ida para o Flamengo. Por isso, a equipe acabou sendo treinada pelo interino Eduardo Souza.

Apesar disso, o Bahia foi para o intervalo vencendo. Aos 34min do primeiro tempo, Fabinho subiu mais alto que a marcação e fez 1 a 0. Os visitantes voltaram melhores. Logo aos 6min, Souza ampliou. Após isso, teve uma pane e viu o Itabuna iniciar uma incrível reação.

Aos 17min, Hélder cobrou pênalti e diminuiu. Isso deu moral ao Itabuna, que não demorou a empatar. Aos 22min, o próprio Hélder igualou. Logo depois, aos 27min, Vagner virou. 3 a 2. Na base da vontade, Souza fez outro. Por incrível que pareça, aos 52min, o atacante Souza anotou mais um gol e definiu uma emocionante virada do Bahia.

http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/baiano/ultimas-noticias/20...

 

Olha, tá certo que o dadaísmo é uma vanguarda moderna, mas não vamos exagerar.