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Os bancos reprovados em políticas de responsabilidade social

Por Marco Antonio L.

Da Rede Brasil Atual

Bancos têm alta reprovação em políticas de responsabilidade social

Guia feito pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) mostra índices de 72% de avaliações 'ruim' e 'muito ruim' para o sistema bancário

Por: Raimundo Oliveira

São Paulo – A segunda edição do Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), aponta que os maiores bancos brasileiros possuem uma grande dívida com a sociedade por conta de suas políticas de responsabilidade social. O guia, lançado hoje (31), avaliou os seis maiores bancos em números de clientes (Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e HSBC) nas relações com seus consumidores, seus trabalhadores e sobre os critérios socioambientais que usam na liberação de financiamentos.

A avaliação foi feita com base em respostas das instituições financeiras a questionários específicos a cada um dos três temas e também em medidas que serviram como contrapontos, como, por exemplo, a abertura, manutenção e fechamento de contas nos seis bancos, verificação de seus passivos trabalhistas e análises de carteiras de financiamentos. O resultado aponta que o índice de classificação “ruim” chega a 48% das avaliações, o de “muito ruim” atinge 24%, o de “regular” soma 15%, o de “bom” é de 11% e o de “muito bom” foi de apenas 1% e serviu de base para um ranking entre os seis grandes bancos. De acordo com o guia, o Banco do Brasil foi o único a atingir o índice “bom”, Caixa, Itaú Unibanco e Santander aparecem como “regulares” e Bradesco e HSBC, como “ruins”.

Na avaliação por temas, os critérios socioambientais para financiamentos ficaram com o índice de "ruim" (69%) e "muito ruim" (13%) do guia, o relacionamento dos bancos com os consumidores aparece com 40% de "ruim" e 27% de "muito ruim", e o de relacionamento com os trabalhadores apresentam os índices 36% de "ruim" e 33% de "muito ruim".

Para Fúlvio Giannella, presidente do Idec, os resultados do guia mostram que o sistema financeiro no Brasil ainda patina quando o assunto é responsabilidade social. Segundo ele, além de questões como política tarifária abusiva, serviços precários, relações de trabalho conflituosas e falta de transparência na liberação de financiamentos, a atuação dos bancos tem sido cada vez mais questionada pelos consumidores. “Neste ano, por exemplo, as reclamações sobre o sistema financeiro no Idec já superam as de planos de saúde”, afirma.

Giannella aponta que a intenção ao fazer o Guia dos Bancos Responsáveis é fornecer aos consumidores uma ferramenta para que eles possam analisar e comparar as práticas adotadas pelas instituições financeiras. “O consumo está deixando de ser um ato puramente individual, onde só interessam as características do produto, o preço e as condições de pagamento, por exemplo. Os cidadãos estão cada vez ligados em questões coletivas na hora de consumir algo, como os impactos socioambientais de produtos e serviços que adquirem”, afirma.

O diretor de relações institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mário Sérgio Fernandes de Vasconcelos, afirma que, como concessões públicas, os bancos estão sujeitos às leis e regulações que regem as relações de trabalho e de consumo no país e às determinações do Banco Central. De acordo com Vasconcelos, o desempenho ruim apontado no guia pode ser creditado à adoção de critérios mais ideológicos do que metodológicos adotados no levantamento.

O guia foi feito pelo Idec com apoio do Oxfam Novib e participação de Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), do Observatório Social e do Dieese.

Para o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, o relacionamento dos bancos com a sociedade nos últimos anos tem se caracterizado por uma precarização nos serviços prestados, na priorização dos clientes com maior poder aquisitivo e na comercialização de produtos. “Em vez de cumprir o papel de financiar o desenvolvimento do país, os bancos estão cada vez mais se concentrando em obter renda da cobrança de tarifas e da venda de produtos como seguros, por exemplo”, afirma.

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