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Os efeitos da crise no mercado de trabalho brasileiro

De O Estado de S. Paulo

Crise europeia vai afetar o mundo inteiro, diz ministro do Trabalho

Brizola Neto, no entanto, prevê que, mesmo assim, o Brasil poderá gerar entre 1,5 milhão e 2 milhões de novos postos de trabalho em 2012

 
Jamil Chade

GENEBRA - O desemprego nas metrópoles brasileiras deve terminar o ano abaixo de 6%. Mas o principal obstáculo hoje para a economia é a geração de produtividade, que ainda é baixa. O alerta é do ministro do Trabalho, Brizola Neto, que participa nesta semana de reuniões na Organização Internacional do Trabalho, em Genebra. Em entrevista ao Estado, o ministro admitiu que a crise europeia irá "afetar o mundo inteiro". Mas prevê que, mesmo assim, o Brasil poderá gerar entre 1,5 milhão e 2 milhões de novos postos de trabalho em 2012. Eis os principais trechos da entrevista:

Dados do IBGE mostram que, em abril, a taxa de desemprego foi de 6%. Qual a previsão do governo para o restante do ano?

Os indicadores econômicos apontam para um novo ciclo de crescimento econômico do Brasil. Algumas questões colocadas pela presidente Dilma Rousseff tem permitido que possamos vislumbrar esse cenário otimista. A redução de juros e o cambio que melhorou para as exportações. As desonerações são medidas fortes e que nos permite olhar para o futuro com otimismo. Há um grande plano de investimentos em educação, principalmente na qualificação profissional, voltada para os vetores do desenvolvmento nacional.

Mas há alguma chance de que a taxa fique abaixo de 6%?

Sim, estamos caminhando para isso. Estamos vivendo um momento único, que é a de ter regiões metropolitanas com pleno emprego. Mas nós temos um grande desafio, que é o da produtividade. Não vamos aumentar a produtividade pelo caminho mais fácil, mas mais injustos, que é retirando direitos de trabalhadores. Nosso caminho é combater as distorções das taxas de juros, estar atento ao cambio e acima de tudo tormarmos o caminho das desonerações. E, principalmente, investir em educação, introduzir a inovação e mudando o perfil da produção no Brasil.

Mas o crescimento de apenas 0,2% do PIB no primeiro trimestre não assusta?

O crescimento é fundamental. Mas, em 2009, que foi um ano que o País praticamente não cresceu, geramos quase 2 milhões de empregos.

Neste ano essa taxa pode ser repetida?

Eu não gosto de fazer previsões. Mas a tedência é a de manter esse movimento de gerar entre 1,5 milhão a 2 milhões de empregos. Não vou cravar porque não tenho bola de cristal, inclusive porque fatores externos podem afetar.

Até que ponto o governo está preocupado com a crise na Europa e seu impacto no Brasil?

Você começa a ver que a crise na Europa começa a afetar já o crescimento chinês, com isso as compras chinesas podem ter seu ritmo diminuído e nós passarmos a ter alguns problemas com nossas exportações. Estamos tentando superar a dependência de produtos primários. Mas você não muda 500 anos de história econômica em dez. É um processo que começou no governo passado. A crise europeia vai afetar o mundo inteiro. Agora, como será o impacto nas diferentes regiões é que é a questão. O que posso dizer é que o receituário latino-americano tem evitado o aprofundamento da crise.

A crise europeia tem gerado um fluxo de trabalhadores ao Brasil. O País tem como absorver ou o governo pensa em algum controle.

Nossa cultura é de receber estrangeiros. De nenhuma maneira temos uma postura xenofoba. Claro, temos de nos preocupar em defender os postos de trabalho no Brasil para trabalhadores brasileiros. Temos visto o avanço grande de imigração em alguns setores, como naval, petróleo e gás. Estamos buscando suprir gradativamente a necessidade de importação de mão de obra. Outro caso é a entrada de profissionais com conhecimento, mestrado, doutorado. Esses precisamos trazer com tapete vermelho e dar condições. Não podemos correr o risco de colocar gargalos na mão de obra e impedir o avanço da economia. O que precisamos é fazer gradativamente um investimento na qualificação profissional desses segmentos da economia. Existem muitos portugueses vindo para os estaleiros. Só neste ano, o aumento foi de 30%. Foi um aumento grande. Mas trazem também know-how. É uma questão complexa que não podemos tratar com nenhum viés ideológico e olhar para o desenvolvimento econômico nacional.

Mas nem todos vem nessa situação. Existe também a entrada de bolivianos e haitianos. Como lidar com isso?

Não podemos ter uma postura xenófoba. Sempre recebemos bem aos europeus, porque não receber os latino-americanos e entendendo suas situações economicas. E são quantidades bem suportáveis para a economia brasileira que não vão concorrer com os brasileiros.

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3 comentário(s)

Comentários

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Ainda não sentimos este efeito da crise.


Diferentemente das economias ditas mais evoluídas, a economia brasileira "nada" a largas braçadas, rumo a um índice de crescimento no emprego, sem vislumbrar nenhuma tempestade no horizonte.


O que efetivamente ainda carecemos, e de um trabalhador melhor qualificado, para as novas funções, que requerem  um aperfeiçoamento constante. Ainda primamos pela manutenção dos nossos empregos, e estamos esquecendo que a nova dinâmica exige capacitação total, ou vamos cada vez mais perder competitividade com aquelas nações que investem na capacitação profissional de seus tarbalhadores.


Estamos "despejando" milhares de novos profissionais recem-formados, no mercado de trabalho, porem a indústria e o setor de serviços, não tem o tempo hábil, para preparar estes novos contratados, para exercerem a todo vapor, as suas funções, e nem estamos investindo na qualificação dos nossos atuais e despreparados funcionários. E no que isto implica ? Na pêrda de produtividade e no aumento do custo da nossa produção, que cara e bastante atrazada, não consegue competir com a mesma produçao das nações altamente desenvolvidas e que separam parte dos ganhos, para investimento em educação profissional e em novas tecnologias. 


Culpam a alta carga tributária brasileira, porem esquecem-se que o governo isenta de tributos os investimentos na capacitação profissional e no desenvolvimento de novas tecnologias. 

 

Teremos quantas CPIs, quantas forem necessárias; Teremos muitos e muitos factóides, ainda em gestação. O que não teremos, é 2º turno.

Mais uma ves afirmo: Se o mundo é globalizado por que que a crise mundial não atingirá Brasil, China, india?

A diferença é que uns sentirão mais dores do que outros.

 

O Brasil é mais fechado para o mundo que outros países.