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Os gastos com educação e saúde e o PIB

Da Agência Brasil

Gastos sociais com educação e saúde são os que mais contribuem para crescimento do PIB

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Nenhum gasto público social contribui tanto para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quanto os que são feitos em educação e saúde. Cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB. O mesmo valor gasto na saúde gera R$ 1,70.

Para a redução da desigualdade social, os gastos que apresentam maior retorno são aqueles feitos com o Bolsa Família, que geram R$ 2,25 de renda familiar para cada R$ 1 gasto com o benefício; e os benefícios de prestação continuada – destinados a idosos e portadores de deficiência cuja renda familiar per capita seja inferior a 25% do salário mínimo –, que geram R$ 2,20 para cada R$ 1 gasto.

AlemAlém disso, 56% desses gastos retornam ao caixa do Tesouro na forma de tributos. Os dados referem-se ao ano de 2006 e constam do estudo Gasto com a Política Social: Alavanca para o Crescimento com Distribuição de Renda, divulgado hoje (3) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com o órgão, é a primeira vez que um estudo como esse é feito no Brasil, em função da dificuldade de se juntar os elementos necessários para o desenvolvimento da pesquisa.

"O gasto na educação não gera apenas conhecimento. Gera economia, já que ao pagar salário a professores aumenta-se o consumo, as vendas, os valores adicionados, salários, lucros, juros", avalia o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. "Portanto, a política social brasileira não apenas protege, como promove o cidadão", completa.

"Em termos gerais, ampliar em 1% do PIB os gastos sociais, na estrutura atual, redunda em 1,37% de crescimento do PIB. Ou seja, é o tipo de gasto que tem mais benefícios do que custo", explica a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Joana Mostafa.

Segundo ela, a renda das famílias é responsável por cerca de 80% do PIB. "Dessa forma, aumentar em 1% do PIB o gasto social gera 1,85% de crescimento da renda das famílias", disse a pesquisadora. "No caso da saúde, além de esses gastos representarem empregos, envolvem também a aquisição de aparatos tecnológicos, o que também contribui para a demanda nas indústrias", acrescentou.

Mostafa explica que a pesquisa leva em consideração os reflexos desses gastos no PIB e na renda familiar. "Para cada 1% a mais investido em educação e saúde, há um efeito multiplicador que aumenta em 1,78% o PIB e em 1,56% a renda das famílias".

No caso do Bolsa Família, o aumento de 1% do que ele representa para o PIB resultaria no aumento de 1,44% do PIB. Mas, nesse caso, o mais significativo está relacionado ao fato de que, ao receber e usar esse benefício, o cidadão acabar gerando renda para outras famílias. "Cada R$ 1 gasto com esse programa gera R$ 2,25 em rendas familiares", afirma a responsável pelo estudo.

O mesmo não pode ser dito dos gastos com exportações de commodities agrícolas e extrativas. "Apesar de agregarmos ao PIB 40% de cada real investido nessa área, os efeitos para a renda familiar são pequenos e limitados a R$ 1,04 para cada R$ 1 gasto".

Como utiliza dados referentes a 2006, o estudo não mensura os reflexos das ações recentes do governo em favor do setor da construção civil. "O que podemos dizer é que, em 2006, os gastos com construção civil pouco contribuíram para a redução das desigualdades sociais. Isso certamente terá um quadro diferenciado quando agregarmos dados de 2009 a uma nova pesquisa, porque certamente houve aumento do número de empregos formais", justifica Abrahão.

O estudo considera como gastos públicos sociais os feitos em Previdência Social geral e pública, educação, saúde, assistência social, trabalho e renda, desenvolvimento agrário, saneamento básico, habitação e urbanismo – nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Edição: Graça Adjuto 

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Lições do velho Keynes:

 

Quanto mais baixa a renda de uma pessoa, maior a parcela de seus ganhos gasta em consumo. Maior é a chamada propensão marginal a consumir.

Quanto maior é a propensão marginal a consumir, mais o dinheiro roda na economia e beneficia outras famílias, gerando o chamado Efeito Multiplicador.

Por isso Keynes é "heterodoxo". Ele vê ganhos permanentes no PIB gerados por gastos públicos, não apenas de curto-prazo, como os monetaristas.

Com os aumentos do PIB gerados pelos gastos, maior será a base tributável em um segundo momento, chegando-se ao equilíbrio fiscal.

 

[Alguém tem alguma sugestão? ]  Se não pode correr, fazer o quê? A minha bisa já dizia que cavalo velho depois que se acostuma comer milho com terra não pode ver pedra que fica babando.

 

 

Números animadores!

Porém, como fazer para aumentar o piso salarial dos professores e com isso aumentarmos a qualidade da educação básica ?

As prefeituras alegam falta de recursos para essa empreitada. No Rio de Janeiro o salário é de 740 reais,  em BH é de R $ 935,00. Os melhores quadros  fogem, obviamente.     

Alguém tem alguma sugestão?  

Na minha opinião, precisamos levar a sério essa questão e batermos nessa tecla até que ela se resolva.   

 

O Brasil não gasta com educação nem 3% do PIB , ao passo que paises como os ditos tigres Aziáticos gastam até 14% do PIB ,  o pouco que gastamos não é bem gasto pois estamos abaixo de 88° no mundo conforme índices disponiveis na ONU . A quantidade de analfabetos funcionais é enorme , e muito podem ser encontrados em cargos da maior relevancia na república .

Muitos graduados são incapaz de resolver uma equação do primeiro grau , ou interpretar um texto simples , a quantidade de faculdades é enorme ,a qualidade é ínfima.

 

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Precisamos agora de um estudo que mostre o impacto negativo no PIB e GNI, correspondente a cada 1R$ pago por juros da divida interna. O dinheiro gasto com juros dessa divida, tem serventia zero para a sociedade, serve apenas para enriquecer ainda mais expeculadores parasitarios que debilitam a saude economica do Brasil.

 

A divida publica, apesar de ainda controlavel, esta se tornando um cancer que ameaca matar o pais de inanicao, caso os juros nao sejam domados e mantidos em patamar bem mais baixo que o superavit primario.

 

Fosse esse dinheiro usado para mehoria da educacao, saude, estradas, seguranca e infra-estrutura, faria com que o Brasil atingisse patamar de desenvolvimento comparavel aos melhores paises da Europa. No estagio atual, esse fluxo de capital, so tem servido para aumentar a pobresa, a concentracao de renda e tornar ainda mais poderosos aqueles expeculadores internacionais que prosperam desestabilizando o mundo.

 

DeBarros

desculpe a ignorância, Nassif, mas sou um engenheiro sem muitos conhecimento em economia publica.

Mas, se um dolar gasto em saneamento economiza 4 dolares gastos em saúde, e considerando que grande parte de nossas doenças SÃO de veiculação hídrica (ou falta de higine, incluindo lavar as mãos após ir ao banheiro),

Não seria mais efetivo - e impactante politicamente - calcular o crescimento do PIB relacionando com a ampliação da cobertura de saneamento de verdade (abastecimento de água potável sem vazamentos, esgotamento sanitário com tratamento, drenagem de água pluviais e tratamento/reciclagem/reuso dos resíduos sólidos)?

Fica a recomendação ao IPEA!

 

TVNBR
Políticas sociais estimulam a economia brasileira
Um estudo do Ipea mostra que os gastos com políticas sociais ajudaram a distribuir melhor a renda do país e estimular a economia.

 

O Comunicado do Ipea n° 75 -- Gastos com política social: alavanca para o crescimento e distribuição de renda

PIB

PalaciodoPlanalto

 

NO SEGUNDO VÍDEO:

Diretora de avaliação do MDS, Júnia Quiroga, comenta estudo do Ipea que diz que gasto social gera desenvolvimento econômico e contribui para aumento do PIB

 

Langoni, antes do Bacen, escreveu uma tese sobre EDUCAÇÃO  e RETORNO.

Linda.

Mas, com a Escola na mão de VEJAS............... pluft.

 

Podem aumentar em 1.000% as verbas para educação, porém, de nada adiantará, já que nossos governantes, aliados a empresários corruptos (é o que mais tem), levam, se bobiar, até 99% a verbas destinadas para tal fim. E o pior é que a nossa justiça incompente e corrupta, não consegue botar ninguém na cadeia e muito menos recuperar os recursos desviados. O Brasil não tem mais jeito e suas instituições estão podres e carcomidas. Ou o povo toma uma atitude (muito improvável) ou dentro de 5 ou 10 anos, só poderemos ser comparados países paupérrimos como: Sri Lanka, Bangladesh e e diversos outros paises a África, onde pessoas morrem de inaniução em plena rua.

 

Nassif, saudades de um Twitcam heim ! Tamo na espera.

 

Se "contribui tanto para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quanto os que são feitos em educação e saúde.",  Se "Cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB. O mesmo valor gasto na saúde gera R$ 1,70." , por que diabos chamam de "Gasto"?

Tem duas coisas que não entendo nem a pau: raciocínio de economista e filme Iraniano.

 

MAF

Está provado , então ,  matemàticamente  que , o que os  conservadores chamam de gastos , na verdade , são investimentos.

Cqd. 

 
Re: Os gastos com educação e saúde e o PIB