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Os institutos de pesquisa isolados

Olá Nassif. Acho que só esse artigo do presidente da SBPC,   JC e-mail 4060, de 26 de Julho de 2010, SBPC defende institutos de pesquisas como entidades principais para o desenvolvimento tecnológico do país, http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72381, já tem coisa para um grande debate. Esse defende abondonar de vez ensino e o governo centrar investimento em institutos isolados de pesquisa. Um dos fatores  em jogo é o seguinte: ensino demanda tempo, posto que, precisa qualificar todo o sistema educacional. Uma má qualidade nas séries iniciais tem repercussão terrível na graduação. Enquanto que pesquisa, de princípio, é feita em pequenos grupos, mais ainda individualmente, e por quem já teria superado todas as possíveis  mazelas de formação, já que tem título de doutor. De fato, já é quase uma instituição nacional que só pode criar alguma coisa quem tem doutorado, portanto,  para ter isso vale tudo. E digo que é tudo mesmo.

A ideia de criar institutos isolados é antiga, mas ganhou força no período da didatura, a qual queria, e precisava, colocar o Brasil numa posição tecnológica, dado que isso era o que a guerra fria exigia. Por outro lado,  uma grande fonte, talvez a maior, de tensão social no Brasil era exercida pelo que se chamou de excedente: aluno em condições de fazer curso superior além da quantidade de vagas ofertadas. E quando o regime atendia um expandido universidade pública, e mesmo enchendo essa de docentes nomeado sem concurso sob o crivo dos generais, criava mais força de resistência na outra ponta. Tanto que, quando da redemocratização universidade pública virou capítulo da Constituição, acho ser coisa única no mundo, acima dos poderes dos ministros e fundindo pesquisa, ensino e extensão. Porém, o processo como um  todo, não deixou de atender o que queria a ditadura, no seguinte sentido: ensino e extensão não rende nada além do salário base, enquanto a primeira coisa que pesquisa faz é livrar o docente, no mínimo, da metade das suas obrigações com ensino. Quando a outra metade pode ser abandonada por um cargo administrativo, podendo inclusive ser para gerenciar o seu projeto. Além disso, para fazer ensino é preciso uma grande quantidade de aluno, enquanto para pesquisa, se houver condições de aproveitar um de cada turma ingressante, já é um bom legado. 

Por Benedito Domingues do Amaral

As instituições de ensino, pesquisa e extensão - Uma grande utopia, bala de prata? Ou ouro de tolo?

Pela convivência passada, e hoje, pelo uso dos serviços da universidade sugiro que o problema é mais ligado à falta de ferramentas de gestão e aos recursos humanos dedicados e adaptativos necessários, realocados ou rua mesmo. Aqui decorre o problema da estabilidade funcional premiada em detrimento do mérito. Claro que existem outros macro-gargalos, mas essa é a contribuição de um tratado como morto vivo. Isso gera uma afirmação: a universidade pública é muito hierárquica e desconexa entre os seus colaboradores, fomentadores e usuários, infelizmente. Cada um na tua, bicho! Ainda não saiu do rancor da ditadura ou para alguns "ditabranda", sindicalistas amantes espirituais do chê (NR), lunáticos da ciência, uns que tratam o recinto como propriedade particular até a ultra direita das filas da UDR. Entre esses quadros destaco a categoria "eu me amo". Sei que as generalizações são sempre simplista, correto, mas a categoria "Eu me Amo" entre os quadros de apoio ao ensino (gente rica e fina), pesquisa (gente inteligente e celibatário da ciência) e extensão (ex: HU, gente morta viva e cadáveres ambulantes) existe ANOS LUZ na busca de uma eqüidade mínima. Como me deparo nos últimos anos com essa realidade fico me perguntando se é possível tal utopia ou na verdade é mesma coisa entre o morro e o asfalto ou entre Morumbi e Paraisópolis. Ou seja, entre as FEAS, POLI e os HUs é o puro ouro de tolo? 

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"Esse defende abondonar de vez ensino e o governo centrar investimento em institutos isolados de pesquisa."

interessante, gostaria de saber onde o autor do texto defende isso.

 

 

Clique no link e vc verá onde ele defende a criação de centros de pesquisa.

 

 

quero saber onde ele defende abondonar de vez ensino.

 

http://www.ufmg.br/online/arquivos/016273.shtml

SBPC e ABC elaboram documento com propostas das entidades para candidatos à presidência da República

quinta-feira, 29 de julho de 2010, às 10h13

Os presidentes da SBPC, Marco Antonio Raupp, e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, apresentaram ontem, 28, na 62ª Reunião da Anual da SBPC, carta com a agenda das duas entidades para as áreas de educação, ciência, tecnologia e inovação. Lido por Raupp, o documento, com quatro propostas, diz, em seu primeiro item, que o Brasil precisa de uma revolução na educação, “em todos os níveis, incluindo o ensino técnico e as diversas formas de educação superior”. Leia a íntegra do  documento:

Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Brasileiro

A ciência brasileira conquistou uma posição internacional de destaque e alcançou um grau de maturidade que permite considerá-la como um recurso fundamental para o desenvolvimento econômico e social sustentável do país. Essa competência decorre de uma política de estado que promoveu investimento continuado por várias décadas na formação de recursos humanos e na geração de conhecimento. Esta política precisa ser consolidada e ampliada nos próximos mandatos presidenciais. A ABC (Academia Brasileira de Ciências) e a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) tendo em vista este momento vem propor:

O Brasil precisa de uma revolução na Educação. A valorização e a qualificação do professor de educação básica é condição fundamental para o desenvolvimento do país. É nesse nível que se formará a sociedade que ajudará a construir um país competitivo. A revolução educacional que se busca tem de ser de qualidade, precisa alcançar toda a população brasileira e se dar em todos os níveis, incluindo o ensino técnico e as diversas formas de educação superior.

O Brasil deve estar na fronteira da produção de conhecimento. A expansão quantitativa, com qualidade, é o caminho para o fortalecimento do patrimônio científico e cultural e para o desenvolvimento de temas estratégicos para a integridade territorial, para o desenvolvimento econômico, social, ambiental. A participação na fronteira do conhecimento é fundamental para o domínio de grandes questões do mundo contemporâneo que incluem, entre outras, mudanças ambientais, energias renováveis, satélites, biotecnologia, nanociências, mitigação da violência e redução da pobreza.

A conservação - uso sustentável - dos biomas nacionais é vital para o Brasil. Os biomas brasileiros, em especial a Amazônia e o mar, representam um grande desafio para a Ciência e a Tecnologia, tanto no que se refere ao seu conhecimento quanto ao manejo dos seus recursos naturais. Esse patrimônio natural, único, permite ao país alcançar um novo modelo de geração de riquezas e desenvolvimento sustentável, pelo uso intensivo de novas tecnologias.

O Brasil deve agregar valor à produção e à exportação. É necessário intensificar a inovação tecnológica na empresa e fortalecer a sua interação com instituições de ensino e de pesquisa. Deve ser estimulada a agregação de valor a matérias primas e geração de novos produtos e processos, com a criação de novas empresas de base tecnológica e a promoção de projetos mobilizadores.

O sucesso desta Agenda depende de profunda revisão dos marcos legais que atualmente tolhem as Instituições de Educação Superior e travam as atividades de pesquisa e inovação.

A ABC e a SBPC consideram que essa Agenda de Ciência e Tecnologia para o Brasil deve estar fortemente vinculada ao desenvolvimento social, integral e abrangente, pressuposto para uma nação forte e soberana.

Natal, 28 de julho de 2010.

MARCO ANTONIO RAUPP
Presidente da SBPC

JACOB PALIS
Presidente da ABC

 

A proposta da criação dos Institutos é um neoliberalismo acadêmico tardio. Elitizar a elite.

 

Apenas criariam mais uma nova corporação.

Como seria o processo de seleção dos pesquisadores, o processo de renovação dos quadros, e a transmissão/socialização dos conhecimentos produzidos nos novos Institutos?