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Os limites no avanço do Banco do Brasil e da Caixa

Do Valor

Governo vê limite para BB e Caixa

Por Alex Ribeiro

Depois de a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil anunciarem crescimentos espetaculares em suas carteiras de crédito em 2012, o governo começa a ver limites no avanço da posição de mercado dos bancos federais. O desejo é que as instituições privadas voltem a emprestar mais para dar mais equilíbrio ao mercado e evitar o domínio das públicas, que exerceram reconhecido papel anticíclico em 2012.

"Ninguém quer estatizar o sistema", disse um dirigente de um banco federal. As instituições privadas são consideradas pelo governo essenciais para diversificar riscos, estimular a concorrência e a inovação e puxar a retomada durante as mudanças de direção nos ciclos de crédito. Outra preocupação é trazer os privados para o financiamento de longo prazo da infraestrutura no país.

Ontem, o Banco do Brasil divulgou, no seu balanço, uma forte expansão de 25% da sua carteira de crédito em 2012, fruto de sua estratégia de agressiva redução nas taxas de juros. Dois dias antes, a Caixa Econômica Federal anunciou um crescimento de impressionantes 42% em sua carteira de empréstimos.

A estatização do sistema bancário é uma hipótese remota, mas os bancos públicos - BB, Caixa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - já estão mais próximos de assumir uma posição preponderante no mercado de crédito. Dados do Banco Central mostram que a participação dos bancos públicos no total de crédito subiu de 43,5% para 47,3% entre 2011 e 2012.

"O banco privado é fundamental porque tem uma postura proativa para reagir quando há retomada no crédito bancário", afirma o vice-presidente de finanças da Caixa, Márcio Percival.

Os bancos públicos responderam por 72% do aumento do crédito bancário na economia no ano passado. "Nunca ninguém defendeu que o crescimento de crédito fosse apenas em bancos públicos", afirmou um dirigente de instituição federal. "Quem se retraiu foram os bancos privados." As instituições privadas restringiram empréstimos devido a incertezas no cenário macroeconômico e ao aumento de suas taxas de inadimplência.

Neste ano, a expansão dos bancos públicos tende a desacelerar, mas seguirá mais intensa do que a média de mercado. A Caixa projeta um crescimento de 35%. O Banco do Brasil prevê expansão entre 16% e 20%.

"Há limites para a expansão da Caixa e o BB", afirma uma fonte de um banco federal. "Chega uma hora em que começa a surgir problemas de falta de capital, começa a atrair clientes que não interessam, existe um limite físico para geração de crédito e a inadimplência pode subir."

Para reequilibrar o mercado, o governo vem indicando que a receita adequada não é colocar freio nas instituições federais, além daquele determinado pela velocidade mais prudente da expansão das carteiras de empréstimo. A receita seria convencer os bancos privados a voltar a emprestar. Daí os apelos nessa direção em reuniões recentes do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com banqueiros.

De certa forma, isso já vem acontecendo, com instituições privadas anunciando planos de expansão mais forte no crédito, de 15% ou mais, algo como o dobro dos 8% ocorridos em 2011. A dúvida é se, de fato, os bancos privados vão cumprir as metas de crédito que estão propondo.

"Está claro que os bancos privados precisam estar no jogo. A grande questão é como atraí-los", afirma uma fonte de um banco federal. "Os privados só agem se há incentivos, ou seja, a chance de ganhar dinheiro. Ou quando estão ameaçados, mas mesmo assim pesando riscos."

Em alguns segmentos do mercado, os bancos federais têm pouca margem para expandir suas carteiras se não estiverem acompanhados dos privados. É o caso do financiamento de grandes empresas, em que públicos e privados fazem consórcios para diluir sua exposição de risco a apenas um credor. A análise de crédito pelos bancos privados é considerada fundamental também para complementar a de bancos públicos nessas operações com grandes empresas.

A formação de consórcios será fundamental para viabilizar os planos do governo para alavancar os financiamentos a projetos de infraestrutura. Já há negociações entre bancos federais e privados para o financiamento de concessões de estradas.

Numa reunião recente para discutir fontes de financiamento, a presidente Dilma Rousseff insistiu na presença de bancos públicos e privados para ampliar a competição na oferta de crédito a obras de infraestrutura. A presidente também pediu um esforço da equipe econômica para diversificar as fontes de financiamento. Isso inclui atrair fundos de investimentos de regiões além do mundo desenvolvido, como a China e o Oriente Médio.

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Não se iludam. Desde os tempos de FHC há planos para vender a Caixa à iniciativa privada. O comprador, preferido da equipe de FHC, era um grupo francês, que acabou comprando "a área de seguros" da Caixa (Sasse). Tal aquisição fez com que a Caixa trabalhe para o grupo - mediante comissões, sim, mas trabalha para ele com exclusividade. E depois de FHC, já houve movimentos, ainda que discretos, para privatizar a Caixa. Do lado de dentro (vocês acreditam que o peemedebista Moreira Franco fez parte da direção da Caixa?) de quando em vez há uma ou outra modificação ou adaptação voltada para deixar a Caixa sempre apetecível a possíveis compradores - modificações que nem sempre se voltam para o interesse maior de atender bem à clientela.

Também com relação ao Banco do Brasil, há desses movimentos, notadamente os pró redução da quantidade de ações com direito a voto em poder do Governo.

E o BNDEs, oras, pelo que se comenta nos dias de hoje ele é pró grandões, ainda que estrangeiros - e talvez seja mais cômodo para os tomadores de empréstimos a juros baixos de lá que esse banco permaneça como está. 

 

E pensar que havia um governo na decada passada que só não privatizou os bancos públicos porque não deu tempo. Está certo quem diz,  "vamos comparar as formas de governar o Brasil" e pedir p/ qiue a população de o seu veridito e será em seguida em 2014.

 

Stúabal lá, Dilma aqui.  Bastou uma estocada de Setúbal para gente se mexer por aqui

O REVELADOR LAMENTO DO DONO DO ITAÚ

 

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O bilionário americano Warren Buffett pediu a Obama que parasse de mimar os ricos; no Brasil, nossos Buffetts parecem querer ser ainda mais mimados; leia o artigo de Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, sobre as reclamações feitas por Roberto Setubal, do Itaú, ao Financial Times

 

25 DE FEVEREIRO DE 2013 ÀS 12:08

 

Por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo

Isto é o Brasil, pensei depois de ler a matéria que o Financial Times fez com o banqueiro Roberto Setúbal, 57 anos, do Itaú. (Ela passou o dia na seção Essencial.)Setúbal se queixou.

As coisas, segundo ele, não estão funcionando. Não consegui entender o queixume. O FT registra que o Itaú lucrou mais de 13 bilhões de reais no ano passado.

O FT também nota a situação financeira das três famílias que controlam o Itaú: Setúbal, Villela e Moreira Salles. Dos 40 bilionários brasileiros listados pela Forbes, nove são de uma das três famílias do Itaú. Mais de 20% dos bilionários brasileiros têm, portanto, um vínculo com o Itaú.

O Diário tem alma escandinava, como tem sido dito aqui. O Diário aprecia, assim, o capitalismo com responsabilidade social, tal como praticado na Escandinávia. Isso se traduz em sociedades libertárias, em que “não existem extremos de riqueza e nem de miséria”, para usar a grande divisa de Rousseau. E em gente feliz: todas as listas de felicidade no mundo são lideradas pelos países escandinavos: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia.

Na Escandinávia, lamentos como o de Roberto Setúbal causariam estranheza. Como alguém com tamanho acúmulo de privilégios pode reclamar assim? Sequer erguer o Itaú é obra dele: Setúbal, como a maioria dos grandes empresários nacionais, herdou o negócio do pai, Olavo. Meritocracia, se a havia, estava ali, com o velho Olavo.

Seu imenso patrimônio pessoal mostra que a herança foi taxada em termos nada escandinavos.

E mesmo assim ele está queixoso.

No mundo inteiro, há um clamor em relação aos impostos (baixíssimos) pagos por grandes corporações mediante malabarismos fiscais classificados na Inglaterra como “imorais”, ainda que legais.

Recentemente, consumidores ingleses iniciaram boicotes contra a Starbucks depois que foi divulgada a informação de que, desde que se instalou no Reino Unido, a empresa praticamente não pagou nada de impostos.

Foram publicados, entre os britânicos, os impostos pagos por outras multinacionais, como Google e Amazon. Baixíssimos, graças a expedientes como declarar o faturamento em paraísos fiscais.

Em Davos, o premiê inglês David Cameron – um conservador absolutamente pró-negócios — disse que a prioridade dos governos, em 2013, deve ser o cerco a manobras de evasão de impostos. (Algum dos enviados da mídia tradicional escreveu isso? Medalhões como Merval e Rossi foram a Davos. Contaram isso? Não os li, mas apostaria que não.)

Escritórios de advocacia especializados em trambiques legais foram nomeados, na Inglaterra, para constrangê-los, e impedidos de realizar qualquer negócio com o governo.

Esta é a floresta.

Na árvore brasileira, o que está se fazendo? O Itaú, de Setúbal: quanto pagou de impostos sobre o lucro? Na Escandinávia seria algo na faixa dos 50%, uns 3 bilhões de reais. E no Brasil, alguém sabe?

É estranho o Brasil. Poucas coisas envolvem tanto o interesse público quanto os impostos, sobretudo os dos superricos e os das grandes corporações. E em poucas coisas há uma ausência tão completa de transparência quanto nisso.

Você constrói hospitais, escolas, estradas, portos como esse dinheiro.

Alguns meses atrás, a seção Radar, da Veja, publicou uma disputa judicial entre a Receita e a Globo na casa de mais de 2 bilhões de reais.

Se isso não é notícia, o que é? Mas nada. Nem a mídia foi verificar o que era, exatamente, e nem a Receita trouxe informações aos brasileiros.

Não há muito tempo, Warren Buffett, o bilionário americano, disse (em vão) a Obama que o governo deveria parar de “mimar” ricos como ele. Buffett notou que, proporcionalmente, sua secretária pagava mais imposto do que ele.

Sucessivas administrações brasileiras mimaram demais nossos equivalentes a Buffett, com enorme prejuízo do resto da população. Dessa aberração derivou uma das sociedades mais vexatoriamente desiguais do mundo.

Os lamentos de Setúbal sugerem que os nossos Buffetts clamam não pelo fim dos mimos – mas por sua eternização.

 

se o itau esta reclamando,certamente esta dando certo,e agora que os bcos privados e publicos podem financiar a infra-estrutura, ai sim caixa e bb vão dar de goleada,antes eles dividiam o file entre amigos acabou a farra 

 

Os lucros e ofertas de crédito podem até ter melhorado, mas de fato, o atendimento e as relações com o público vêm piorando.

A primeira grande discrepância ou anomalia se verifica logo na entrada do Banco do Brasil. O que fizeram?

Com a implementação da tal “senha” de atendimento (limite de 30 minutos) o Banco do Brasil colocou a fila para fora do Banco. Ou seja, todos aqueles velhinhos ou gente que recebe algum benefício pelo Banco espera fora dele.

O rapaz que deveria agilmente apenas entregar a senha e fazer a fila andar, na verdade faz uma análise demorada e criteriosa sobre o interesse de cada “cliente”. Ele (sozinho) analisa e faz uma triagem caso a caso de cada cliente ou interessado. Repetindo, sozinho o estagiário faz a triagem e distribui senhas.  Com isso a fila (fora do Banco) não anda.  

E o objetivo parece ser o de fazer a fila não andar mesmo. Os caixas (quantidade ínfima para uma demanda estupenda) que mais batem papo do que atendem, colaboram para aumentar a fila – dos que enfrentaram outra antes de entrar no Banco – agora no interior do Banco.

É como se o cidadão não tivesse outra coisa para fazer a não ser ir ao Banco do Brasil.

Moral da estória. Todos sabem como funcionam as coisas (ou como não funcionam) e não há interesse em corrigir, só lucrar.

 

 

 

 

 

Caixas do Banco do Brasil, batendo papo?!!! Acho que você está sonhando. Caixas de nenhum banco tem tempo para bater papo durante o horário de expediente, muito menos os do Banco do Brasil. Se você está reclamando que são poucos os caixas, tudo bem, aí é outra história.

 

"A história da humanidade é a história das lutas de classes". Karl Marx

BB e Caixa já combinaram com os russos? Em teoria estão cobertos de razão em desejarem maior participação dos  congeneres privados. Só que o hábito do caximbo deixou a boca torta. Desde que os bancos privados capturaram o BC se acostumaram a ditar o tamanho da Selic, e garantir sem nenhum risco o tamanho de seus faturamentos. A dupla Tombini/Dilma estragou o clima da festa. Selic tão baixa quanto possível, concorrencia com bancos públicos praticando juros mais civilizados, isto vai exigir que bancos privados funcionem como bancos, com risco, com disputa de mercado, não mais agiotas estuprando o mercado. 

 

O jornal Valor Econômico é o porta-voz privilegiado dos banqueiros e do setor financeiro nativo e estrangeiro.

 

A receita para os bancos privados concorrerem com os bancos públicos é muito simples: basta-lhes cobrar a mesma taxa de juros.

Vou dar um exemplo para demostrar a ganância de bancos privados. Rrecentemente pedi um orçamento  ao Banco Santander para financiamento de um carro. Em seguida, pedi ao Banco do Brasil o mesmo orçamento. RESULTADO: a prestação mensal do Santander foi de 380 reais maior do que a do Banco do Brasil.

 

 

E a Mirian Leitão recomendou a venda das ações do BB heim.

 

Há muito tempo, de fato desde o estouro de janeiro 1999, tenho uma estratégia básica para compra e venda de ações: se as folhas, exames e globos falam mal eu compro, se os mesmos falam bem eu vendo.

Tem dado bastante certo...

 

Puxa vc compra na baixa e vende na alta como ninguém pensou nisso.

E só ironia  as vezes, melhor frequentemente , as coisas simples funcionam melhor mesmo. 

 

Eu faria o mesmo.

O único problema é a Petrobras...

Aparentemente a gestão do Gabrielli foi pior do que muita gente imaginava. 

Isso somado a algumas pontuais intervenções obrigando a compra de conteúdo nacional.

Hoje mesmo a Petrobrás anunciou que CHUTOU O BALDE e está comprando tudo lá fora na China e Coréia.

Acabou a festa!

Tiveram(estaleiros) 10 anos para mostrar que poderiam fazer. Quem fez fez, quem não fez vai chorar com o Papa.

 

A palavra "estatização" está empregada errada no texto. Não está havendo "estatização" dos serviços bancários. Os bancos públicos estão tão somente sendo mais eficientes e por isso sendo contemplados com fatias maiores do mercado.

Os bancos privados podem reverter quando quiserem, bastam ser menos gananciosos e investirem em melhor atendimento, serem mais eficientes nas identificações das demandas de seus consumidores, condecederem mais crédito e com isso e poderão voltar a crescer.

Isso é competiçãonada mais, nada menos.

 

Atuo no segmento de transporte de carga e nunca consegui realizar negocios nem com a caixa nem com o BB,funcionarios desinteressados ,demora na resposta da analise de credito,falta de padronização na solicitação de documentos ao cliente ,enfim quem conseguiiu levante a mão!

 

Tenho absoluta certeza que BB e Caixa nunca deixariam de fazer negócios com sua empresa se esta passasse pela análise de crédito. Sobre essa alegação de "funcionários desinteressados" me resguardo o direito de avaliá-la como um equívoco.

Trabalhei no BB até 2007, já na nova fase competitiva e dinâmica do BB. Nosso maior drama era exatamente fazer com os proponentes entendessem a necessidade do banco   elaborar uma análise crédito antes de disponibilizar os recursos. Tanto por exigências legais como pela boa técnica bancária. Para isso, necessitaríamos da documentação para extrairmos os dados econômicos-financeiros. E essa providência era, é,  muitas vezes encarada como burocracia desnecessária e entrave para a realização de negócios. 

 

Se os bancos publicos cresceram a taxas divulgadas neste post eh por que muita gente conseguiu efetivar transacoes solicitadas, sera que vc cumpriu todas as exigencias para efetivacao da tansacao?