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Os paralelos entre Vargas e Lula – 2

Coluna Econômica

Os tempos são diferentes, o nível de desenvolvimento brasileiro é outro.

Mas há pontos em comum entre a luta política do período Vargas-Jango e do período Lula-Dilma.

Em comum, o fato da oposição ter escassas possibilidades de tomar o poder pelo voto. Assim, o protagonismo é assumido por grupos que levam a luta política para outros campos, extra-eleitorais.

No caso de Vargas, essa aglutinação da oposição se deu no segundo governo, com a imprensa livre das amarras da censura do Estado Novo. No caso de Lula, na aliança mídia-PSDB que se forma no pós-mensalão.

***

Havia duas maneiras de enfrentar o clima pre-conspiratório. A primeira, compondo alianças, diluindo pressões, apostando na normalização econômica e política, até ser aceita pelo status quo; a segunda, partindo para o confronto.

***

Dilma Rousseff claramente está apostando todas suas fichas no primeiro caminho.

Do período pré-posse à queda, Jango balançou entre esses dois movimentos: o da conciliação, típico da sua personalidade, e da radicalização, conduzido pelo cunhado Leonel Brizola. Sua indefinição derrotou-o.

***

Quando Jânio renunciou, dos obstáculos apareceram para a posse de Jango.

O primeiro, uma enorme dívida junto ao Banco do Brasil; o segundo, a resistência de setores empresariais e militares, que articulavam desde a campanha presidencial que elegeu Vargas.

A dívida junto ao BB foi resolvida de forma habilidosa e até hoje não revelada, envolvendo troca de chumbos entre bancos privados e o BB.

***

Já a resistência dos conspiradores foi enfrentada com uma operação heroica, comandada a partir de Porto Alegre por Leonel Brizola.

No Rio, ocorriam as negociações. Fechou-se um acordo pelo qual Jango assumiria se dentro de um regime parlamentarista e tendo na Fazenda um Ministro responsável, que impedisse loucuras populistas.

A escolha recaiu sobre o banqueiro Walther Moreira Salles.

Os dois episódios mostram que Jango estava totalmente despreparado quando o cavalo da presidência passou encilhado por ele.

***

Moreira Salles renunciou, depois que Jango tentou empurrar goela abaixo um plano econômico preparado por seu assessor Cibilis da Rocha Viana. Mais tarde, Jango reconquistou o presidencialismo, atropelando o acordo político inicial. E indiciou Carvalho Pinto para Ministro da Fazenda tentando recuperar a confiança. E foi oscilando assim até o fim.

***

A Revolução Cubana foi o fator determinante para os problemas da época.

Reforçou, na oposição, o discurso da subversão, contra um presidente que, em toda sua vida, jamais foi adepto de soluções de força. E, no PTB, a ideia de resistir ao golpe através da mobilização popular.

Em nenhum momento Jango cuidou de preparar-se, junto às demais forças de Estado, como as Forças Armadas. Permitiu manifestações que ajudaram a reforçar o discurso dos conspiradores, de quebra da hierarquia.

***

No caso de Dilma, sua estratégia é baixar a fervura da água.

Faz isso com uma política econômica desenvolvimentista mas cautelosa, na qual o combate à inflação ainda é prioritário; com declarações, até à exaustão, de fé nas instituições, inclusive na mídia.

Se é a estratégia correta, o tempo dirá. Se a economia for bem, a estratégia será eficaz.

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Vargas morreu para evitar o golpe tramado entre a mídia, o capital e as forças armadas sob influência da FEB. Apenas o adiou, pois os personagens que executaram o golpe em 64 eram os mesmos que tentaram em 54: Castelo, Geisel, Golbery, Médici, Mourão Filho et caterva. Esperaram que a autoridade de Lott se deteriorasse e então atenderam aos apelos de Kennedy/CIA, implantadores de ditaduras onde fosse possível, para garantir que nenhuma eleição mudasse o mapa da guerra fria.

 

LS

Vargas e Lula tem um paralelo ideológico, e dois pontos de vista, para o tamanho comum da economia: Imperialismo, o começo e fim. Isso significa que Vargas tinha um olho do desenvolvimento externo, e Lula o outro olho, o qual não chegou a enxergar a dificuldade do Império em financiar a sí mesmo - porque os banqueiros internacionais herdaram o sistema em si.

Agora; do ponto de vista do tamanho que vê a economia externamente, será que Dilma enxerga a necessidade do fundamento de uma fonte monetária, em razão de se criar o paralelo científico da universalidade de cada nação, com o seu próprio espaço sistemático, no Mundo Exterior?...

E os bancos?... Ora, os bancos estarão feitos para todo economista sentar e estudar! 

 

Uma ideia ou intuição dita de modo próprio pode servir de via de acesso em direção a percepção metafísica do ser e o quanto no universo ele é capaz de constituir por si mesmo para tal transcendência existencial.

 


Luis Nassif,


Enviei este comentário entre o comentário de André Bacelar enviado domingo, 06/01/2013 às 23:57, e o de Avelino de Oliveira enviado segunda-feira, 07/01/2013 às 06:09, e que estão na segunda página. No entanto ele não apareceu. Não há nada para que ele seja cortado nem penso que ele não mereça ser reenviado, assim vai ele aqui de novo.


Não desmerecendo os inúmeros fatores que facilitaram o golpe contra Jango, é preciso destacar o problema da inflação.


A inflação tem dois inconvenientes: ela atinge a todos e transmite para a população a idéia de que o governo é corrupto. Ao atingir a todos, a inflação tem um efeito político mais devastador do que o crescimento do desemprego, embora o desemprego tenha um efeito social e econômico muito mais grave.


E o problema de repercussão política maior causado pela inflação é a sensação de que o governo de plantão é corrupto.


Fiz uma referência rápida a questão da corrupção em um processo inflacionário ao me referir à necessidade de o governo garantir uma inflação mais baixa durante o episódio que ficou conhecido como mensalão (Episódio que para o STF não foi considerado como mensalão, pois o STF não condenou ninguém seja pela compra seja pela venda de voto, acusou de corrupto por receber ou entregar vantagem de forma indevida). Este foi o teor do meu comentário que enviei segunda-feira, 31/12/2012 às 02:24, para o seu post “Para entender o jogo da Economia” de domingo, 30/12/2012 às 19:31. O link para o post “Para entender o jogo da Economia”, na página do meu comentário é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/para-entender-o-jogo-da-economia?page=1


Os comentários que foram feitos junto ao meu comentário mostram o quanto é relegado ao segundo plano em análises até mesmo competentes os efeitos de um processo inflacionário na avaliação que o povo faz da honestidade do governante. A inflação não revela a natureza de um governo. Ela dá ao povo uma imagem do governo que pode não ser a verdadeira. No Chile de Allende, por exemplo, eu não tenho muita dúvida em considerar Salvador Allende como um governante honesto, mas para a população apesar de toda a imoralidade de ter participado de um golpe, durante um bom tempo, Pinochet deve ter sido avaliado como um governante honesto.


Faço uma ressalva em relação aos comentários junto ao meu. O Marcos Doniseti enviou segunda-feira, 31/12/2012 às 20:16, um comentário concordando com o que eu dissera. Aliás, ele faz uma boa avaliação da gestão de Antonio Palocci um tanto porque Antonio Palocci não foi indulgente com a inflação. A bem da verdade, ele faz uma boa avaliação da dupla Antonio Palocci e Henrique Meirelles. Como eu já disse muitas vezes, o Henrique Meirelles era presidente do Banco Central para inglês ver. Alias até o Andre Araujo fez um comentário ainda em 2008 e que foi transformado em post no antigo blog de Luis Nassif “projetobr” em que ele mostra que o Henrique Meirelles não tinha o perfil próprio para quem fosse assumir a presidência de um Banco Central em um regime de metas de inflação.


E quanto argumento de Marcos Doniseti em defesa da dupla Antonio Palocci e Henrique Meirelles, quem estiver interessado pode consultar o link a seguir:


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2012/12/porque-antonio-palocci-e-henrique.html


Trata-se do post “Porque Antonio Palocci e Henrique Meirelles são dois injustiçados!” de autoria de Marcos Doniseti publicado em 31/12/2012 no blog dele Guerrilheiro do Anoitecer. Ainda que eu discorde dele no que diz respeito a Henrique Meirelles, vale à pena uma leitura.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 06/01/2013

 

Nassif,

alguns esclarecimentos quanto ao plebiscito que decidiu pela volta do presidencialismo.

Tecnicamente não foi plebiscito mas referendo, pois o povo foi convocado para se manifestar a respeito de decisão já adotada pelo Congresso e não antes da decisão.

O referendo, pois, já estava previsto na Emenda Constitucional  que aprovou a solução parlamentarista, para o começo de 1965, meses antes das eleições presidenciais previstas para aquele ano.

Não foi apenas Jango que se mobilizou para por fim ao parlamentarismo no curso de seu mandato de presidente.

É muito importante ressaltar que a maioria absolutíssima dos Governadores de Estado apoiaram o fim imediato do parlamentarismo, sendo Magalhães Pinto o líder dos Governadores pelo fim do plebiscito. Além de Magalhães Pinto,que obviamente pretendia ser candidato a Presidente em 1965 também se poscionaram os governadores udenistas do Ceará Virgílio Távora, do Piauí Petrônio Portela entre outros.

Dos governadores o único que ficou contra o fim do parlamentarismo foi Lacerda (apesar de em tese ser presidencialista).

JK também foi um importante articulador pelo fim do parlamentarismo.

Adhemar de Barros que seria eleito governador de São Paulo em 1962 també foi não ao parlamentarismo.

O PSD e a UDN  estavam divididos quanto à questão, mas Adhemar de Barros e o seu PSP foram pelo não.

Parte expressiva das Forças Armadas apoiou a antecipação do plebiscito (Generais Peri Bevilacqua do II Exército, Osvino Alves, do I e Jair Dantas Ribeiro do III (só Castelo Branco, do IV ficou contra).

De modo que a afirmação de Nassif de que Jango 'atropelou o acordo político inicial' é uma meia verdade, pois tal acordo foi atropelado foi por praticamente toda a liderança política que contava na época, o que só confirma que foi um acordo precário e 'ad hoc'. 

Até o IPES apoiou o fim do plebiscito.

A CNBB também deu apoio velado ao não ao parlamentarismo.

O PIG (Estadão e Globo na liderança) ficou na posição de Lacerda, mas o Globo de forma mais moderada, salvo engano.

Quase toda a esquerda, de outrou lado, apoiou e se mobilizou pelo não ao parlamentarismo.

De modo, meu caro Nassif, que não foi apenas Jango que

Quando chegou o dia do plebiscito, antecipado para 6 de janeiro de 1963 (50 anos atrás) o resultado foi o seguinte: 9 e meio de eleitores pelo não e 2 milhões e pouco pelo sim, numa clara e induvidosa manifestação popular (eleitorado total de 18 milhões).

A propósito e para concluir, para mim os resultados dos plebiscito de 1963 e o do plebiscito de 1993 ( 30 anos depois, 37 milhões de eleitores votaram não ao parlamentarismo, bem mais do que o dobro dos que votaram sim, 16 milhões), são demonstração cabal de que o parlamentarismo não tem apoio popular no Brasil, sendo muito clara a opção pelo presidencialismo, embora o nosso presidencialismo tenha sim alguns nuances do parlamentarismo ou do Governo de Gabinente do período imperial, como a possibilidade de parlamentares serem ministros sem perderem o mandato, a atual medida provisória, entre outras, o que também demonstra que o presidencialismo 'puro' adotado em 1891 também não funciona no Brasil.

PS: para escrever esse comentário consultei a tese de mestrado de Demian Bezerra de Melo'O Plebiscito de 1963:inflexão de forças na crise orgânica dos anos sessenta.' UFF, 2009, disponível na internet, embora a responsabilidade pelo comentário seja de quem o assina.

 

Nassif,

Ouça o áudio do Sergio Habib. Será que o governo não vendo o jogo que está sendo montado?

 

 

http://economia.ig.com.br/2013-01-07/mesmo-com-pibinho-empresarios-aprov...

 

Não existem mais noticias do cotidiano no JN, o telejornal de hoje usou todo o seu tempo para detonar a economia do pais  e festejou a queda das empresas ligada a Eletrobrás nas bolsas por causa das notícias sobre queda dos níveis dos reservatórios de água, o que o ministro das minas e energia negou. É o pig destruindo o Brasil

 

 

...spin

 

 

As respostas do governo não sairam no Fantástico deste domingo, como seria o correto, e sim hoje. Ontem a Globo acusou o governo de Dilma apontando prejuizos numa obra parada há 20 anos atrás e de difícil retomada por causa dos altos custos. Eta povinho sem vergonha estes golpistas do pig.

 

O povo quer pão e circo. Pouco se importa se o estado é democrático e de direito. A lei da transparência só pegou servidor público, e justamente quem não tem como sonegar, já que os tributos são descontados na fonte. Agora vê se o executivo divulga os gastos com os cartões corporativos, os gastos da presidentA. Vê se divulga! Não! Infelizmente nasci no país errado. Queria eu ser um norueguês. Trabalhar muito, mas ver resultado.

 

Acho que o papel do PCB foi esquecido. Na minha visão Jango buscava formar uma base governista tendo como eixo o PTB e uma aliança com o PSD. Cabia o PCB, mas este sabotou o quanto pode a formação dessa base governista, com radicalização atrás de radicalização, todas elas estéreis. Estéreis, não. Conseguiu o intento de causar as almejadas divisões. Sem essas divisões, dificilmente o golpe teria sido bem sucedido.

 

Discordo inteiramente das críticas do Nassif ao governo Jango, que promoveu uma série de políticas que contribuíram para a modernização econômica e social do Brasil, mas que foram interrompidas pelo Golpe de 64 e pela nefasta Ditadura Civil-Militar de 1964-1985.

Entre estas políticas estão:

1) Criação da Universidade de Brasília, construída pelo governo JK, mas cuja implantação se deu no governo de Jango e cujo modelo até serviu de inspiração para a reforma universitária feita pela Ditadura em 1969, mas que se deu em um ambiente de imenso autoritarismo, é claro, e não no contexto democrático e liberal do governo Jango;

2) Criação do Estatuto do Trabalhador Rural, que tinha como objetivo garantir aos trabalhadores rurais os mesmos direitos dos trabalhadores urbanos. Caio Prado Jr. considerou o Estatuto como sendo mais relevante do que a Lei Áurea. Aliás, Jango já defendia a criação deste Estatuto quando ocupou o cargo de Ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas, mas na época isso não foi possível. Já na presidência da República, ele conseguiu promover a criação do mesmo; 

3) Criação da Eletrobrás, em 1962, que modernizou e ampliou o sistema energético do país. Ficamos décadas sem ter qualquer racionamento de energia em função disso. Daí veio o governo neoliberal de FHC, que privatizou todo o setor e tivemos racionamento... Deve ter sido 'mera coincidência';

4) Criou a primeira LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) da história brasileira, que previa um grande aumento dos investimentos públicos para se criar uma educação pública de qualidade. Com a Ditadura Militar, ela foi jogada na lata de lixo, é claro. No lugar, foi criado o 'Mobral'...;

5) Elaboração dos planos que resultaram na construção da usina hidrelétrica de Itaipu;

6) Criação do 13o. Salário, uma importante reivindicação do movimento sindical da época;

7) Política externa soberana, mesmo num contexto de acirramento da Guerra Fria (inclusive, com a invasão da Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis, que por muito pouco não jogou o mundo em uma Guerra Nuclear). J

O governo Jango foi violentamente pressionado, pelo governo Kennedy, para romper com Cuba e jamais se submeteu à essas pressões.

O rompimento com o governo de Fidel Castro aconteceu apenas na Ditadura Militar, no governo patético e submisso governo de Castello Branco. Este ditadorzinho de plantão era tão submisso aos interesses dos EUA e puxava tanto o saco do governo ianque, que este mesmo pediu para que não puxasse com tanta força, pois já estava doendo muito... 

 

No meu blog, escrevi e publiquei um texto bem mais longo, analisando de forma mais detalhado os motivos da minha discordância. Como o texto ficou muito longo, quem quiser ler o mesmo, o link é esse aqui:

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2013/01/jango-um-presiden...

 

Marcos Doniseti

Valeu Marcos pelas informações, bastante esclarecedoras.

A imagem que a gente tinha do Jango era de um governo muito avançado para os trabalhadores e bagunçado na economia, não foi bem assim:

- A Eletrobrás foi seu maior legado econômico pois centralizou todo o planejamento energético antes dividido entre as companhias estaduais, ainda bem que a empresa foi salva da privataria.

- Não sabia que o 13º salário foi criado por Jango, pensava que tinha nascido na CLT em 1940 com Vargas.

- Até os militares que derrubaram Jango criaram benfícios para os trabalhadores (FGTS, PIS/PASEP, Cardeneta de Poupança) talvez para tentar barrar a influência do PTB ainda forte naquele momento e abafar o arrocho salarial.

 

Importantes ressalvas. O golpe, para mim, viria de qualquer modo - como a questão do lobo e do cordeiro e como este podia sujar a água do rio em que o lobo bebia se estava rio abaixo. Tudo eram pretextos, como em 64 e como agora. Se quitamos com o FMI, 'péssimo negócio'. Se temos um superávit grande ou dólar baixo, que desgraça! Reclama-se do que é feito assim como se reclamaria se fosse feito assado. Creio que o que muda hoje é o papel da militância, mais ativa e articulada. Assim mesmo, conseguem cassar mandatos de forma ilegítima. Deveríamos colocar faixas e cartazes e distribuir panfletos EXIGINDO QUE AS APs REFERENTES AO MENSALÃO TUCANO E DO DEM FOSSEM JULGADAS COM CELERIDADE E SOB OS MESMOS CRITÉRIOS. Teríamos que sair do virtual para isso. Vou preparar uma arte final desses panfletos e começar a mandar brasa, como se dizia antigamente!

 

 

Se a Dilma acha que fazendo acordo com a Globo ela vai ficar imune, vai se estrepar.

O Palocci acreditou nisso e deu no que deu.

A Dilma se afasta de sua base, e isso é perigosíssimo pra ela.

 

O PT que precisa sair do casulo e voltar a ser influente, sair da posição cômoda (tenho Lula e não preciso de mais nada). Não é o ideal, mas felizmente o Rui Falcão parece demonstrar mais preocupação com o partido que os presidentes anteriores.

Por quê os petistas engoliram a Dilma para agradar o Lula? Se o partido tinha candidatos (e políticos) mais preparados (Patrus Ananias e Tarso Genro por exemplo).

A Dilma poderia começar sua carreira política como prefeita de Porto Alegre ou governadora do Rio Grande do Sul, ela já demonstrou competência como administradora não apenas na área de energia: quando secretária estadual de finanças (1991/94) o RS teve o maior crescimento do PIB entre todos os estados.

Até o momento, o governo Dilma avançou apenas nos juros e câmbio, ela perdeu uma chance de ouro de demitir a equipe econômica no início do governo para garantir uma economia melhor, mas foi dar ouvidos ao Lula quando não devia: Mantega e Luciano Coutinho estão acomodados, enquanto a entrada do Nelson Barbosa daria um gás a política econômica do governo, por ser um keynesiano clássico, livre da influência da Av. Paulista (FIESP e FEBRABAN) e ex-aluno de Carlos Lessa e Maria Conceição Tavares (UFRJ).

 

Nassif e colegas,

 

concordo discordando. Ou melhor, creio que a análise está incompleta. Os paralelos entre Lula e Vargas - e os desdobramentos de suas "eras" - são maiores, viscerais e impressionantes, para além da questão de ambos almejarem um país de fato independente, que saiba distribuir as benesses do capitalismo para toda a sua gente. Vejamos:

 

Vargas, forjado na política positivista do Rio Grande do Sul, sempre foi um "conservador". Ordem e progresso, antes de constar na bandeira nacional, deveria ser o lema riograndense por excelência, assim como o famoso "Non duco. Ducor" (Não sou conduzido. Conduzo) paulista. Contudo, o conservadorismo que vicejava no sul do país se difetenciava sobremaneira do conservadorismo vulgar e oligárquico que corria - e corre ainda - aqui na paulicéia, a ponto de os republicanos do Rio Grande do Sul serem abolicionistas, ao contrário da representação paulista do partido. Era um conservadorismo que, se por um lado condenava toda e qualquer alternativa revolucionária - fora da ordem - para a superação dos dilemas sociais, por outro aceitava de bom grado "benefícios" aos trabalhadores e às classes menos favorecidas, conforme Getúlio aprendera com seu antecessor no governo rigrandense, Borges de Medeiros. Para maiores detalhes, consultar o primeiro volume da excelente biografia que Lira Neto está fazendo do Getúlio.

 

Não é segredo para ninguém que Lula nunca se declarou comunista, revolucionário. É famosa a entrevista que o mesmo concedeu ao Mino Carta em meados da década de noventa em que Lula diz não saber se era ou não de esquerda. No que pese toda a tradição esquerdista do PT - o grande partido de esquerda, com alas radicais comunistas - Lula e seu grande parceiro na construção da versão paz e amor do partido, Zé Dirceu, paulatinamente, para o bem e para o mau, conduziram o partido para uma posição mais de centro esquerda, o que permitiu que Lula recebesse o apoio, que até então lhe era negado, das classes menos favorecidas. O subproletariado de que fala o André Singer no Lulismo, ou a ralé do Jessé, é "conservador" no sentido exato do termo: como ele é o mais desassistido, o mais frágil e exposto às vicissitudes das aventuras políticas, ele é o que mais tem a perder com mudanças radicais, por mais paradoxal que isso possa parecer. Algo fácil de constatar quando se anda pelas periferias do Brasil, mas que caiu como a descoberta do ovo de Colombo para a classe média esquerdita, consumidora de marxismos nas bancas da Avenida Paulista.

 

E eis que Vargas ficou para a história como o artífice da "modernização conservadora" do país e Lula como o promotor de uma "reforma gradual, dentro de um pacto conservador". Trocam-se os termos e os conceitos, mas a ideia é a mesma: progresso, dentro da ordem. Lema que nos foi herdado dos positivistas franceses, mas que era praticado em Portugal muito antes dos pais do positivismo pensarem em nascer. Ato contínuo, é exemplar a história de independência de Angola, processo que culminou numa reunião para tratar da questão em terras portuguesas entre o governo local e representantes dos grupos armados que lutavam pela independência do país africano. Ou seja: nada de revolução; vocês querem a independência? Sentem aqui, vamos tomar um café, nos deliciar com um pastel de Belém e, ao som de um belo fado, a gente entra num acordo, negocia e constrói um consenso. Nabuco, um dos maiores pensadores brasileiros, tinha a seguinte ideia, que reproduzo infielmente posto que não possuo a citação: mais importante que os grandes acontecimentos, as grandes revoluções, que se assemelham à erupção de um vulcão para depois tudo voltar à normalidade, são aquelas pequenas mudanças que acontecem todos os dias sem que as percebamos, mas que nos são essenciais, igual aos movimentos da Terra: não percebemos, não sentimos, mas sem eles não viveriíamos.

 

Não por acaso, essa era uma das principais características da Vargas, e uma das principais virtudes - ou defeito - de Lula: ambos são exímios negociadores. Soma-se à isso o carisma inegável dos dois, e a luta em modernizar o capitalismo e a sociedade brasileira e temos quase que uma cópia fiel, um xerox de um no outro. Sem dúvida, as duas pessoas que mais dominaram a arte da política no período pós-queda do Império. Habilidade esta que faltou a Jango - sucessor de Vargas - e que parece faltar a Dilma - sucessora de Lula - encantada que está com o papel de gerentona, técnica implacavel, que paira incólume sobre o lamaçal da política.

 

Contudo, esta relação harmoniosa entre "cópia" e "original" nem sempre foi assim. Como era de se esperar de um líder sindical das décadas de setenta e oitenta, Lula - e o PT e a CUT por extensão - sempre foi muito critico a legislação sindical que o pais herdou do período Vargas, principalmente por conta da intromissão do Estado na tentativa de intermediar e apaziguar o conflito capital X trabalho.  Mediação essa que se explicitava na mediação e no estimulo que o Estado Varguista dava para que se formassem associações e representações das mais diversas categorias, patronais e de empregados, tudo sob a asa grande e generosa do Estado, a exemplo da Itália fascista de Mussolini e sua "Carta del Lavoro". Lula, e todo o movimentos sindical do ABC por ele liderado, nunca concordou com essa intromissão e essa ingerência estatal, posto que isto poderia resultar em perdas para as categorias mais poderosas, organizadas e produtivas do país - caso dos metalúrgicos do ABC - no processo de negociação com os empregadores. A conciliação, e o reconhecimento de divida e herança política, são recentes, coisas da última década, quando não por acaso Lula fez dois gestos de um simbolismo inegável: imitou Vargas posando para fotos com a mão suja de petróleo numa cerimônia da PETROBRAS; e, num discurso na sede de um sindicato, em meados do seu segundo mandato, Lula classificou a "revolução" paulista de 1932 como uma tentativa de golpe. Desde então, não há duvidas sobre qual tradição política Lula é tributário.

 

Por fim, outro dado que une os dois períodos é a criminalização da política por parte dos perdedores do jogo eleitoral. Algo mais ou menos assim: se não ganho nas regras do jogo, então eu critico, desconstruo e criminalizo o jogo em si, para legitimar uma ação foras das regras do jogo - viciado e podre - para então eu poder sair vitorioso. Trocando em miúdos: a criminalização da política é o primeiro passo para o golpe político, seja ele levado a cabo por japonas ou togas.

 

Abraços,

 

Leonardo Freyre, cientista social, populista e nacionalista

Há uma incorreção no dizer que o positivismo praticado por Vargas seria algo oriundo do RS, não era. O positivismo era uma bandeira dos militares, e sua influência no RS se deve ao fato de ser aquela uma região de fronteira altamente militarizada, e pelo fato do RS ser um estado pobre, onde, por falta de alternativas, os grupos locais procuram a carreira militar. Basta ver como a maioria dos líderes militares da história brasileira são gaúchos ou nordestinos, duas regiões pobres.

Ao longo da década de 30, foi se reduzindo a influência dos militares no governo, sendo que o projeto modernizante implementado por Vargas teve muito mais participação na burguesia paulista(ex, FIESP)do que os militares, que foram praticamente excluídos da condução da política econômica, cujo debate estava polarizado entre os burocratas tradicionais, de formação ortodoxa(normalmente do RJ)e os grupos ligados aos interesses dos industriais de SP, que desejavam uma política econômica e fiscal menos restritiva. Exemplo da influência dos paulistas foi o papel de José Maria Whitaker, que poderia ter se tornado presidente da República, a partir de um certo momento, a opção pelo regime autoritário esteve muito mais relacionada aos instintos maquiavélicos de Vargas do que aos interesses do país.

No aspecto político da revolução de 30, há uma insurgência dos estados marginais, empobrecidos(RS e o nordeste), que coincidiu com a pacificação do RS(o Pacto de Pedras Altas)e com o fim da unidade paulista, derivada da maior complexidade na estrutura sócio-econômica paulista, materializada com o surgimento do Partido Democrático, que apoiou os revolucionários de 30.

O projeto de integração do mercado interno também respondias às necessidades da época, dado o enfraquecimento do setor exportador diante da Grande Depressão, das necessidades para o desenvolvimento industrial, e para a coesão nacional(interesse estratégico). Isso coincidia com o interesse dos gaúchos, fornecedores históricos para o mercado nacional(arroz, por exemplo), mas também a de muitos setores da agricultura de subsistência de São Paulo(com uma economia agrícola muito maior e mais competitiva que a do RS). É risível dizer que Vargas fez isso porque era do interesse do RS.

Fora do tema do tópico(mas citado no comentário acima)a questão da abolição também respondeu a interesses econômicos, e não a uma suposta visão progressista de elites estaduais. Mais uma vez, os estados empobrecidos(e, assim, com baixa necessidade de escravos)apoiaram a abolição, até porque foi uam causa patrocinada pelo Imperador, a quem as regiões pobres do sul e nordeste deviam seus empregos públicos. O Ceará, estado marcado pelo coronelismo, foi o primeiro estado a abolir a escravatura, simplesmente porque era extremamente pobre, e não possuia emprego para os escravos.

 

Muito bem lembrado sobre o positivismo.

Tanto que em ambas as épocas levaram o aumento da burocracia e intervencionismo.

 

Exatamente. Contudo, no caso brasileiro, esse "inchaço" da burocracia estatal, que beira a autonomia, é devido tanto ao positivismo quanto a herança ibérica do Estado Português, modelo transplantado pra cá com a vinda da Coroa. Gostemos ou não, somos ibéricos e lusitanos até a alma.

 

abs,

 

Leonardo Freyre, cientista social, populista e nacionalista

Que positivismo e herança ibérica contribuiram para o aumento do Estado nos EUA do mesmo período?(New Deal).

Esse novo enfoque se deve à crise do paradigma liberal iniciado em 1929, e aos conhecimentos oriundos do planejamento da economia durante a Primeira Guerra Mundial.

 

Esse paradigma da crise de 1929 não foi liberal foi um paradigma estatal e intervecionista.O sistema monetário mundial — o padrão-ouro internacional — foi fatalmente enfraquecido pelas políticas inflacionárias adotadas pelos governos durante e após a 1ª guerra, adotando um padrão-ouro em que havia reservas fracionárias.  Na década de 1920, os sistemas monetários das principais nações da Europa já eram formados por moedas fiduciárias mais diretamente controladas e manipuladas pelos seus respectivos governos, ainda que tais moedas continuassem nominalmente "atreladas" ao ouro.

Nos Estados Unidos, a criação do Federal Reserve System, o banco central americano, em 1913, criou uma nova e centralizada máquina de expansão monetária. Não é de estranhar então que crise tenha surgido logo após o Estado aumentar o seu poder sobre a economia.

 

O paradigma predominante no período anterior a 1929 era liberal sim, e seu comentário sobre a suposta expansão monetária na década de 20 não possui qualquer embasamento(pelo menos na pesquisa econômica séria), e é motivo de deboche entre economistas de orientações distintas.

Essa é a tese inconsistente que você defende, sem nenhum embasamento teórico ou empírico, pertence à desacreditada escola austríaca, de autoria do risível Murray Rothbard(que, ao assistir aulas do grande estatístico Harold Hotelling, concluiu que a estatística não possui qualquer embasamento científico).

A ridícula teoria de Rothbard acerca de uma expansão monetária na década de 20 foi completamente ridicularizada por Milton Friedman(cuja tese argumenta que a crise foi causada, ao contrário, por uma ausência de liquidez), que a ele se referiu como sendo "pure chicanery", dada a manipulação primária dos dados empreendidas por Rothbard. rothbard também nunca conseguiu explicar porque o processo inflacionário(previsto em sua teoria)nunca se materializou nos anos da crise, caracterizada por, ao contrário do que previa Rothbard, um processo deflacionário.

Não existe qualquer evidência desse processo de expansão monetária na década de 20, apenas nas sandices de Rothbard e da escola austríaca, que ninguém com um mínimo de estudo em economia consegue levar a sério.

 

Até Milton Friedman aprendeu a lição, como se vê no video:

http://www.youtube.com/watch?v=CMY0tAHHF_M

 

 

João, em que trecho desse vídeo o Friedman diz que houve uma expansão monetária nos EUA da década de 20, renunciando sua tese escrita em parceria com Anna Schwarz?

Você não sabe inglês, por isso não entendeu que ele não disse nada que sustente a infundada tese de Rothbard, que você defendeu em seu comentário?

Aliás, muito pelo contrário, Friedman elogia Ben Bernanke nessa curta entrevista, você por acaso conhece a famosa tese de Bernanke sobre a Grande Depressão?E suas posições e ações no comando do FED?

Provavelmente não, por seus comentários dá pra perceber que você não é nem um pouco familiarizado com a literatura econômica, limitando-se a leitura desses artiguinhos de "economia auto-ajuda", principalmente as bobagens da escola austríaca. Colar um textinho bem simples pra você(in English, I am sorry, try google translator!)

The Bernanke doctrine refers to measures that the Federal Reserve can use in conducting monetary policy to combat deflation. Ben Bernanke is the Chairman of the Board of Governors of the United States Federal Reserve.

Background

Bernanke succeeded Alan Greenspan on February 1, 2006. In 2002, when the word "deflation" began appearing in the business news, Bernanke gave a speech about deflation entitled "Deflation: Making Sure "It" Doesn't Happen Here."[1] In that speech, he assessed the causes and effects of deflation in the modern economy. Bernanke states:

"The sources of deflation are not a mystery. Deflation is in almost all cases a side effect of a collapse of aggregate demand – a drop in spending so severe that producers must cut prices on an ongoing basis in order to find buyers. Likewise, the economic effects of a deflationary episode, for the most part, are similar to those of any other sharp decline in aggregate spending—namely, recession, rising unemployment, and financial stress."

http://en.wikipedia.org/wiki/Bernanke_Doctrine

Taí, isso é o que pensa o cara que Friedman elogiou na entrevista postada por você, exatamente o OPOSTO das "ideias"(digamos que sejam) de Murray Rothbard, enunciadas em seu comentário anterior.

Que coisa, normalmente as pessoas usam links para tentar sustentar o que defendem, não o contrário.

 

A principal semelhança é que Lula deu continuidade ao projeto de modernização nacional iniciado por Vargas e que FHC tentou enterrar.

O que FHC defendia era a inserção internacional subordinada, um projeto brasileiro meramente dependente aos Estados Unidos, semelhante ao que fazia a República Velha.

Um projeto de desenvolvimento nacional, nos moldes implementado por Lula e Vargas, não interessa aos EUA, o que os Estados Unidos querem, como se pode ver nos depoimentos do "economic hitman", é um projeto subordinado, no qual grupos estrangeiros e uma pequena elite local se beneficiam às custas de toda a população. Foi o projeto implementado na América Latina, por isso os níveis escandalosos de desigualdade na região.

Os EUA defendem que esses países continuem subordinados, e, portanto, débeis e atrasados, vide o modelo que os americanos defendem no Oriente Médio, de regimes fundamentalistas e não-democráticos, como as monarquias do golfo, e vide seus antagonistas, sempre desenvolvimentistas, como Nasser e os regimes baseados no projeto modernizante do partido Baat(o Iraque de Saddam Hussein possuia o mair índice de desenvolvimento humano do Oriente Médio).

O projeto da direita brasileira, associada aos EUA, é o mesmo:a militarização de questões sociais(no melhor estilo República Velha, vide o holocausto do Pinheirinho), a imbecilização da população via Veja, Globo, etc., o apego ao reacionarismo mais atrasado(racismo, exclusão de minorias e seus direitos, bandeiras da direita brasileira, que tem como porta-voz Silas Malafaia), etc.

Creio que no momento, Dilma esteja colocando toda a prioridade em seu projeto de modernização da economia(redução de custos), para o desespero dos EUA, que querem que o Brasil permaneça um país atrasado, e seus paus mandados da direita nacional.

 

Daytona,

 

acolho suas considerações com relação à presença militar no Rio Grande do Sul e a consequente influência do positivismo sobre os militares. A intenção central do meu comentário foi destacar a "essência conservadora" de ambos os atores - Vargas e Lula - no que tange o modo de superar os impasses e paradigmas políticos, sociais e econômicos. Aí que entra o positivismo na formação de Vargas. No fundo, quis trazer à luz um outro paralelo entre ambos, para além do já conhecido e notório esforço dos dois em promover uma inserção do país não subordinada aos intereses dos EUA ou de qualquer outra nação, o que consta um pouco nos posts originais do Nassif e que você expôs com propriedade agora. Revolução, no que pese o movimento de 1930, nunca esteve no horizonte de ambos.

 

Com relação a influência ibérica e posivista no período rooseveltiano é evidente que tal não ocorreu. Contudo, me parece inegável e um erro desconsiderar a estrutura do Estado português, seu tamanho e sua influência na formação do Estado brasileiro, apenas isso. Quis mostrar que, para além da questão da influência positivista, Portugal tem um histórico intervencionista e de Estado forte - replicado aqui no Brasil nos períodos Vargas e, em menor grau, Lula - que vem desde Pombal. Raymundo Faoro, nos Donos do Poder, trata sistematicamente da replicação desse estamento burocrático aqui em terras brasileiras.

 

Ademais, me parece incompleta e insuficiente toda e qualquer análise "unidimensional", seja ela economicista/materialista ou político/idealista. Infraestrutura X superestrutura. Por mais méritos que reconheçamos em Marx, Feurbach e etc, em alguns contextos e fenômenos o materialismo se mostra insuficiente. Desse modo, ainda que a condição econômica influenciou na postura abolicionista dos republicanos riograndenses, é inegável que o referido estado foi pioneiro no reconhecimento de direitos trabalhistas, ainda no governo Borges de Medeiros, por motivações estritamente políticas.

 

Abraços,

 

Leonardo Freyre, cientista social, populista e nacionalista

O papel dos grupos midiáticos sob as rédeas da CIA não é teoria conspiratória. Funcionou naquela época, mas hoje o fator internet, mais o enfraquecimento do poder da igreja e fortalecimento dos movimentos sociais organizados diluíram tal poder conspiratório - ainda que os golpistas tenham tentado, de forma patetica, reviver suas glórias de 1964 com a tal "Marcha para Jesus", com todo o chamado PIG inflando a influência de um "pastor" fascista. Clique AQUI e depois AQUI e entenda. 

 

Sinceramente, Nassif, compreendo o esforço em traçar analogias "preventivas", mas não há como contextualizar, e sequer aparar possíveis arestas de "diferenças e semelhanças".

No campo econômico:

O mundo de Vargas era pós crise de 29, onde o nível de complexidade de nossa economia se resumia a agroexportação de café, outros itens de pouco peso relativo.

O deslocamento final do eixo econômico(hegemônico) da agroindústria exportadora para uma incipiente atividade industrial que se formava com a urbanização que se iniciava, fechando um ciclo que começou na primeira República, deu o contorno conjuntural para o surgimento de fissuras de poder que se sustentava entre  SP e Minas, mas que também tinha estacas fincadas na monocultura sucroalcooleira, naquele tempo, muito mais vinculada ao açúcar, com representantes oligárquicos no RJ e no Nordeste.

Este processo foi agravado pelo tsunami de 29. Os níveis de desiguladade social não tinham como mote a concentração rentista e (neo)liberal experimentada agora, mas se sustentava na extrema exclusão dos negros recém libertos(pouco mais de 40 anos), e na estrutura fundiária arcaica e segregadora(que não por coincidência teimou em existir até hoje, mas se diversificou em relação a sua matiz produtiva).

Vargas é fruto da fratura entre as elites econômicas que se revezavam organicamente no poder. Na era Lula, estas elites econômicas usaram intermediários: desde 64 até 85, os gorilas, depois um outsider, Collor, e a ocatéride fernadista, quando alugaram e compraram diplomas e bons modos da Sorbonne e Chicago.

Ressalva para Sarney, um integrante orgânico(um "coroné") da elite, mas de segundo escalão, porque o Maranhão é um estado sem significância econômica frente a SP, RJ e MG e para Itamar, que não é elite econômica, e nem pode ser classificado dada a especificidade que ele representa.

Lula é então um antagonista claro às elites, e não um dissidente delas ou a representação de uma nova elite que disputa espaço.

Nem é preciso citar as diferentes repercussões tecnológicas no processo de acumulação de capital da era Vargas e Lula.

Hoje, o mercado das finanças se descolou totalmente do mundo real, e não é mais uma força endógena, ou seja, um instrumento mal utilizado que gera crises como a de 29, mas uma força esógena que atua de forma autônoma(um fim em si) sobre a economia real que não gera crises como efeito, mas por sua natureza intrínseca de funcionamento. Daí a enorme dificuldade em debelar tais ciclos de crise.

É bom não esquecer que o tempo de Vargas se situa na II Guerra Mundial, e todos os desdobramentos que este conflito global trouxe de possibilidades econômicas, e também ameaças.

No campo social.

Incomparável por onde quer que se olhe as bases sociais de apoio, tanto pela natureza desta base: o voto feminino só chega em 34, analfabetos não votavam, proporção rural maior que a urbana, fragilidade do estamento normativo do processo político(ao contrário do nosso excesso nazijudicialista de agora), e o enorme contingentes de negros recém libertos, mas que ainda traziam na memória e no lombo as marcas da escravidão.

A conectividade e disseminação de conetúdos pela mídia é de uma brutal diferença, como serão dramáticos os efeitos destas diferenças sobre a vida social e política dos cidadãos.

Não sei o nível de sindicalização em 1950 e agora, proporcional a massa de trabalhadores com carteira assinada ou servidores públicos, mas não é leviano supor que hoje esta proporção seja muito maior.

Os efeitos da ação governista varguista sobre os sindicatos também devem ser considerados para analisarmos o comportamento destes setores dentro dos tempos comparados.

Quanto à mídia e o uso da violência como forma ação política (período Estado Novo), este é o ponto crucial para entendermos a impossibilidade de comparação, ainda respeitemos as especificidades de cada tempo histórico.

Vargas manobrou em toda sua história a violência como instrumento legítimo de persuasão, Lula nunca sequer resvalou em tal possibilidade, embora às vezes fosse até legítimo fazê-lo pela virulência com a qual o atacam.

Lula sequer cogitou a existência de um Samuel Wainer ou algo parecido.

No campo político.

Retomando o desdobramento do conflito militar de 39-45, temos o contexto da guerra fria recém inaugurada, sem precedentes comparativos para este arquétipo de "conflito global" lançado sob a égide de guerra ao terror pela era Bush. Ambos tem repercussões trágicas e dramáticas para o mundo, mas se processam de forma totalmente diferente, e levam a efeitos culturais e políticos totalmente distintos, destacando-se o grau de volatilidade e instabilidade nesta "guerra cultural" atual, onde a assimetria do conflitos é a tônica, ao contrário de antes, onde os inimigos estavam satisfatoriamente nominados e situados sob classificações e categorias(ideológicas) mais tangíveis.

Não há referências sólidas nos dias de hoje para dimensionar e enquadrar a geopólítica senão o desastre permanente da atuação dos EEUU e alinhados.

Talvez a única similaridade seja a ação da direita, que parece, ela sim, reproduzir seu ódio secular, usando, na maioria das veze, inexplicavelmente, os mesmos expedientes.

Sob Lula não houve (E NÃO HAVERÁ) nenhum opositor ou jornalista presos em ilhas do litoral brasileiro, e talvez o único caso parecido seja a deportação de Olga, e o paralelo caso dos cubanos deportados, e depois, o caso do assassino Cesare Basttisti, tratado como preso político.

Nestes casos, Lula respondeu a seus compromissos ideológicos e esqueceu o bom senso, ou as políticas de Estado brasileiras: de dar abrigo político a quem pede(após devido processo, que foi negado, de plano)e no caso do assassino italiano, desconsiderando que ele foi julgado por um tribunal de um país soberano e onde vigia um estado de direito.

No campo da ação de inclusão, não há comparativos. O processo inclusivo varguista se deu por imposição(Carta del Lavoro), onde estavam claras as amarras e o enquadramento do trabalhador em um regime de reconhecimento de consições de trabalho, que aniquilou boa parte da autonomia política dos sindicatos que pudesse ameaçar o status quo.

Como exigência da expansão industrial, foram incorporadas largas porções de consumidores internos no período Vargas, algo que pode ser confundido com o período Lula e seus programas de inclusão.

São diferentes em tudo. Tratava-se a época de Vargas incorporar fatias da sociedade para dar causa a um movimento de expansão econômica que se iniciava, enquanto com Lula tratou-se de incorporar massas de excluídos a um processo que teimava em funcionar sem estes marginalizados.

Lula teve que convencer uma parte da elite nacional de que era necessário um capitalismo que incluísse gente. Vargas não precisou de tanto, porque seu período foi a transição de um capitalismo precário(agrário)para um capitalismo urbano-industrial que não poderia prescindir daqueles braços e do consumo.

Todo o capital político de Vargas que resultou em sua eleição triunfal de 50 é resultado de sua máquina ditatorial de 30 até 45. 50 foia única eleição disputada por Vargas, onde já acumulava enorme entranhamento na vida e nos costumes políticos e culturais do país à bordo do DIP, das intervenções que "elegiam" prefeitos e presidentes dos estados.

Não há como comparar com a maturação de Lula para a chegada ao poder!

Enfim, resta a questão de origem de classe, que julgo desnecessário citar. 

De todo modo, como já disse, este é um ótimo exercício.

 

Embora concorde com boa parte de sua análise, discordo pontualmente de alguns aspectos: vejo muitas similaridades, feitos os devidos ajustes, com os períodos citados por Nassif. A mídia é usada hoje, como era usada antes, para tentar depor presidentes. Marchas são convocadas e realizadas pela direita  com a mesma finalidade, ainda que agora com repercussão bem menor - talvez pela repetição dos fatos. A gritaria da corrupção é a mesma utilizada contra Vargas, JK e Jango. Grupos políticos que se dizem de esquerda terminam por somar-se a esse coral que grita, como ocorreu nos períodos citados, ou se omitem quando o partido do governo e o próprio governo são atacados de modo desleal pela dobradinha mídia-tucanato, agora com o reforço do STF/PGR. A questão da dívida ainda é usada como plataforma para ataques ao governo, embora seu perfil tenha melhorado consideravelmente e a relação dívida/PIB na última década tenha despencado. Novas estratégias de manutenção da hegemonia mundial aparecem, como as 'proxy wars' (guerras por procuração) que se desenvolvem em países árabes, mas a Guerra Fria não acabou: praticamente todos os países em que seus governos negociam com Rússia e China têm seus líderes derrubados por 'rebeldes' armados e financiados pelo ocidente. Há outras similaridades como os discursos éticos exacerbados e falsos, a tentativa de reabilitação dos militares (até mesmo em uma novela global), a presença de líderes carismáticos tachados de 'populistas' pela direita e sua mídia ... enfim, tudo mudou mas nada mudou! 

 

Márcia, o chavão ainda serve: A história apenas se repete como farsa.

Veja:

"Embora concorde com boa parte de sua análise, discordo pontualmente de alguns aspectos: vejo muitas similaridades, feitos os devidos ajustes, com os períodos citados por Nassif. A mídia é usada hoje, como era usada antes, para tentar depor presidentes.(...)"

Réplica: Eu disse isto no meu comentário, que a direita utiliza o mesmo ódio de classe, macartismo, temperado com partidarismo midiático. No entanto, você há de considerar que a ação getulista neste sentido é pró-ativa, e a lulista é, no máximo, reativa. Vargas tinha o DIP, a censura, e não hesitava em usar o Estado para (tentar)influenciar a mídia, tendo em Wainer sua ação mais ousada(e talvez mais equivocada?). Por outro lado, não há como comparar o peso que a mídia e sua configuração exercem na sociedade. Mas esta mesma sociedade, ainda que profundamente vinculada a mídia em determinados aspectos, não parece, como antes, tão suscetível a estas manobras. o PT ganhou três eleições e vem de crescimento eleitoral constante.

Vargas ganhou "apenas" uma eleição.

(...)Marchas são convocadas e realizadas pela direita  com a mesma finalidade, ainda que agora com repercussão bem menor - talvez pela repetição dos fatos. A gritaria da corrupção é a mesma utilizada contra Vargas, JK e Jango.(...)

Réplica: Mas o efeito não é o mesmo, pelo menos, não por enquanto. As mannifestações públicas pelo macartismo millenista não enchem dois fuscas(junto com a imprensa). E não se trata apenas de considerarmos os líderes carismáticos (Lula), mas o partido do governo(PT)avançou, junto com seus aliados, sedimentando e ampliando bases sociais de apoio por todo Brasil, e ao contrário do que se diz: como fênomeno transclassista, com raras exceções, como em SP, onde a direita tem viés de classe bem definido.

Grupos políticos que se dizem de esquerda terminam por somar-se a esse coral que grita, como ocorreu nos períodos citados, ou se omitem quando o partido do governo e o próprio governo são atacados de modo desleal pela dobradinha mídia-tucanato, agora com o reforço do STF/PGR. A questão da dívida ainda é usada como plataforma para ataques ao governo, embora seu perfil tenha melhorado consideravelmente e a relação dívida/PIB na última década tenha despencado.

Réplica: O uso do tema dívida pública não convence nem o núcleo duro do pensamento neoliberal...bem, se é que há algum pensamento ali...rs.

Já os ultra-esquerda, isto é verdade, eles sempre estiveram na contra-mão, seja em Vargas, seja em Lula, acabam tocando a ultra-direita. Mas como sempre, não devem ser considerados, nem como elemento estatístico, pois seu peso relativo e simbólico é desprezível. Talvez no contexto da guerra fria, em Vargas, eles tivesssem mais repercussão no mundo real. Hoje, são pobres zumbis.

Novas estratégias de manutenção da hegemonia mundial aparecem, como as 'proxy wars' (guerras por procuração) que se desenvolvem em países árabes, mas a Guerra Fria não acabou: praticamente todos os países em que seus governos negociam com Rússia e China têm seus líderes derrubados por 'rebeldes' armados e financiados pelo ocidente. Há outras similaridades como os discursos éticos exacerbados e falsos, a tentativa de reabilitação dos militares (até mesmo em uma novela global), a presença de líderes carismáticos tachados de 'populistas' pela direita e sua mídia ... enfim, tudo mudou mas nada mudou! 

Réplica: É verdade que o mundo geopolítico ainda dá seus cortes pelas questões ideológicas e simbólicas, como inimigos, eixos do mal, ameaças, etc. Mas não com o nível orgânico dado pela polaridade capitalsimo X socialismo.

Os EEUU negociam com a China, fato inconsiderável naquela época, e nem por isto alguém nos EEUU foi deposto. A Europa negocia com a Rússia, e ninguém depôs ninguém.

É verdade que certos pontos de instabilidade ainda estejam submetidos às receitas clássicas dos golpes e mercenários.

Não há dúvida disto, mas o conteúdo ideológico, hoje, é mais um biombo. O negócio foi tornar a guerra um tema privado, um campo de possibilidades de lucros exorbitantes, para empresas como a Blackwater, dentre outras.

No entanto, não há uma coesão como havia antes que identifique o inimigo. Os interesses corporativois estadunidenses não são ameaçados na China ou na Rússia, ao contrário.

Claro que nestes países eles não dão as cartas, como fazem em outro lugares, mas não há uma barreira ideológica e geopolítica para estes capitais.

Em suma Márcia, Lula não seria possível em 50. Já Vargas, em 2003, talvez...

 

Nassif.

 

Você poderia fazer um comentário esclarecedor sobre o artigo de ontem, domingo, 7.01.13, da Miriam Leitão; que trata do estelionato que o governo Dilma estaria praticando com as contas públicas da União?

 

Li hoje, no "clipping do dia", artigo da jornalista Marilza de Melo Foucher, tratando de assunto tão caro a esse post do Nassif: a mídia e a democracia. 

Impressionante, como a cada ano, na última década, a grande mídia brasileira foi perdendo a vergonha, o caráter, os fins (a queda do PT e o desmanche da imagem de Lula) justificam quaisquer meios, mesmo os mais descarados, os mais grosseiros, os mais fétidos!

No auge do julgamento do mensalão, contei por curiosidade um dia, quantas páginas o Globo dedicou ao assunto: eram dezoito! Mais da metade do caderno principal. A vergonha maior, além da manipulação óbvia pelo massacre da quantidade de linhas escritas, era que quase nada ali, tinha a ver com JORNALISMO, mas a exposição continuada, repetida, de fatos distorcidos, de aplausos "à coragem de Joaquim Barbosa", e a independência de seus pares, já conhecidos. Críticas animalescas a Lewandowski e Toffoli, e "dicas" de quais deveriam ser os próximos passos. Uma aberração absoluta e absurda, um manual completo de anti-jornalismo, um manifesto menor e vulgar de todos os ressentimentos e ódios contra Lula, contra o PT, contra os líderes julgados e condenados.

É aí que cabe a pergunta: se um governo é eleito PELO POVO, esse governo é re-eleito, e faz seu sucessor na figura da presidente Dilma. Ora, quem detém tal LEGITIMIDADE, não tem o DEVER, de desmascarar essa situação, de falar ao povo dessa tentativa de golpe, de dentro dos mecanismos sociais e políticos civilizados, SE DEFENDER DAS PATIFARIAS DA MÍDIA? Será que o ÚNICO caminho é "botar panos quentes" o tempo todo, por causa do forte apoio popular, e deixar a grande mídia gritar o que quiser?

 

Os paralelos entre Vargas e Lula - 1, 2, 3, 4... entre JK e Lula, entre Tancredo e Lula (não no estilo, é claro!, mas no concerto/acerto da velha raposice política), tais paralelos força de habitus tem lá razoabilidade e pertinência, alguma verdade histórico-política, alguma iluminação reflexiva nova do jogo político por trás das verdadeiras segundas intenções do diabo... É válido, é do jogo de poder, é do embate discursivo político-midiático.

Agora, se no calor das notícias "relações perigosas" surgirem posts-cabeçalhos de afogadilho para outras brilhantes transcendências de vidas paralelas tipo:

Os paralelos entre Papa e Lula, entre Padim Ciço e Lula, entre Jesus e Lula, entonces, é catástrofe!

então eu irei botar as barbas de molho porque sei que a vaca foi pro brejo e tão cedo não volta...

 2013 - ano n'ovo da serpente

 

"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

Excelente texto e vale reflexão principalmente por parte do governo. Só discordo de um  ponto: A aliança PSDB-grande mídia vem de longa data só ficou mais evidente no julgamento da AP 470.

 

Não adianta ficar torcendo para as coisas acontecerem. Nós temos que levar o o PIG à falência, isto é, nós, o povo, temos de convencer parentes, amigos, vizinhos, etc... a parar de assistir aos programas da TV Globo, cancelar assinaturas de Globo, Veja, Folha, etc..., cancelar assinaturas de TV a cabo do PIG, gerando um prejuízo cada vez maior para essa turma de bandidos. Em épocas anteriores, não tínhamos chance para isso, mas agora temos a Internet para auxiliar nessa empreitada. Um segundo passo será aniquilar a oposição nas próximas eleições de 2014 (se houver). Não basta votar em Dilma. Devemos convencer pessoas próximas a votar nos parlamentares que estarão do lado do povo , excluindo logo de saída o PSDB, DEM, PSD, PPS e PSOL. Além disso, devemos elaborar uma lista negra incluindo até mesmo alguns parlamentares da base do Governo. Já temos um nome dessa lista: Miro Teixeira, que foi contrário à convocação de jornalistas na CPMI do Cachoeira. Devemos também acabar com a banda podre do PMDB, a começar pelo mais poderoso deles, Michel Temer, defensor das Organizações Globo. Isso é possível, pois agora temos uma nova arma: a Internet, que não existia na época de Getúlio e Jango. Através dela podemos alcançar distâncias inimagináveis nos anos 50, 60 e 70.

 

belê!

tô dentro!

vamo parti pra cima dos cabeças de planilha...

 

"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

A estratégia de Dilma tira da mídia o discurso da democracia cínica, não há como alegar a tal da defesa da liberdade de imprensa contra um governo totalmente permissivo. O problema é que está faltando mais contrapontos. Internet, Carta Capital, Brasileiros, Caros Amigos não estão dando conta, basta ouvir as pessoas.

 

Uma diferença:

os trabalhistas históricos eram membros da elite e, como consequência, eram vistos como "somente" como agitadores;

Hoje, o PT tem grande presença de sindicalistas e seu líder mor não tem curso superior. São vistos como "usurpadores" do poder que, por "direito" deveria ser da elite.

 

por "direito" deveria ser da elite.

Para mandar e mamar...

 

 

...spin

 

 

Caro Nassif

Meusdeuses, o PT é minoria no Congresso, teria que ser triplicado a número de deputados, ai sim poderiamos falar de um governo vacilante.Lula e Dilma comem pelas bordas e as bordas aumentam.Neste sistema ultra predador assassino, que alguns chamam de capitalismo, ainda temos os TRex, que ainda querem mais.E estes são os mesmos, do Brasil Colônia, Getúlio e de agora.Com essa turma não existe e nunca existirá negociação.

  Saudações Mesozóicas

 

Antes de ler a coluna do Nassif, estava justamente pensando em que ano tomou o poder o ditador do primeiro país que contou com a colaboração estadunidense, qual país? Lembrei da Guerra-Fria e de Cuba. E das versões das forças ocultas de Jânio. E de quantos países mergulharam em ditaduras em que suspeita-se de colaboração ianque.  Alguém poderia detalhar mais isso?

Na analogia com o momento Dilma, gosto de observar o movimento do vice. O Brasil tem uma bela tradição de vices. E o PMDB de tão diverso, talvez seja o nosso partido conservador, secular, é bom observar o seu tamanho e suas representações nos estados. PMDB: no que cada um puxa para um lado, a tendência é ficar parado ou mexer pouco.

Se ao Pibinho viesse atrelada a carestia, daí haveria campo para a oposição, como nas eleições para governador em 1982, lembro aos 10 anos de perguntar sobre uma palavra escrita num outdoor: corrupção,  que vinha numa frase como 'chega disso' , hoje teria o mesmo efeito se trocada por prostituição ou o especial do Roberto, ou seja, não acaba. Naquele ano vi uma oposição sacudir uma cidade como estivesse preparando o terreno. Hoje porém falta carestia e alguns dos pretensos opositores estavam do outro lado em 1982.  É sem chance.

 

André B.

Viés, cada um tem o seu


PorJosé Roberto de Toledo, no Estadão (em 17/12/2012)


O dinheiro está trocando de mãos como raramente ocorreu. No Brasil e no exterior, o rentismo deixou de ser uma opção para multiplicar o patrimônio. Ao contrário, nos países desenvolvidos a remuneração do capital financeiro é negativa. Quem vive de renda fica mais pobre. O jeito de fazer o dinheiro dar cria é investir em novos e velhos negócios, ou seja, arriscar.


O risco é a justificativa moral do capitalismo quando acelera a redistribuição do patrimônio. Alguns novos negócios vão dar certo, mas muitos vão dar errado. E o dinheiro vai trocar de mãos ainda mais rapidamente. Tudo isso provoca desconforto. Rompe estruturas seculares, desconstrói estilos de vida, revoluciona a sedimentação social.


Com juro baixo ou negativo, é mais fácil ter dívida do que patrimônio. No Brasil, esse rearranjo provoca dores de parto e reações proporcionais às perdas. O impacto varia de setor a setor. Empresas voltadas para o mercado de consumo interno estão geralmente melhor do que as dependentes da economia chinesa, que por sua vez estão melhor do que concessionárias de serviços públicos ou aquelas reguladas diretamente pelo governo.


O intervencionismo pontual do estado faz aumentar desigualdades. Beneficiários e prejudicados não são produzidos apenas pela aleatoriedade do mercado, mas pela caneta da burocracia. A grita aumenta não só por reação às injustiças, mas por ficar claro aos atores econômicos que quem não chora não mama.


No meio desse vendaval, alguns setores têm dose extra de drama. Estão sendo batidos pela revolução digital e experimentam a rápida agonia de suas fontes tradicionais de faturamento. Para esses setores, à perda das receitas financeiras soma-se o risco de perda do próprio negócio.


Por isso as percepções são muito díspares e dois observadores podem ter compreensões muito distintas do mesmo fenômeno. Depende de onde estão situados, do seu ângulo de visão do problema. Todo observador tem seu viés. O desafio é estar ciente dele e tentar compensá-lo reconhecendo outros pontos de vista.


Em novembro, o índice de confiança do consumidor alcançou seu patamar mais alto nos dois anos de governo Dilma Rousseff. Os confiantes acham que sua renda aumentou e vai continuar aumentando, não temem perder o emprego e planejam consumir mais. Estreitamente correlacionada ao INEC da CNI/Ibope, a popularidade da presidente também bateu recorde em dezembro.


Os 78% de aprovação presidencial são difíceis de compreender pelos 17% que desaprovam seu governo. Eles estão concentrados no Sul/Sudeste, nas periferias das metrópoles e entre quem tem diploma de faculdade mas renda proporcionalmente mais baixa. As diferenças são pequenas porém, tornando difícil isolar um fator que explique a desaprovação.


Os consumidores confiantes não estão sozinhos no seu otimismo. Os empresários do setor de serviços também estão mais confiantes do que nos meses anteriores, segundo a FGV. Entre eles, não por coincidência, destacam-se os prestadores de serviços para as famílias. Servidores e servidos têm a mesma percepção.


Entre os empresários da indústria, a confiança cresceu pouco no mês passado, segundo a CNI. O índice continua abaixo da sua média histórica. Entre os industriais, as diferenças de percepção são grandes. A confiança é 13 pontos maior no setor farmacêutico do que no de manutenção e reparação. É 10 pontos mais alta na indústria de limpeza do que na de extração mineral.


Quando há reacomodação traumática do dinheiro, a política é um canal de desafogo. Perdedores vão tentar cavar compensações com o governo ou se entrincheirar junto à oposição. As tensões aumentam, a corda estica. Posições se radicalizam e adversários se distanciam. Nesse cenário, as visões se estreitam e é mais difícil encontrar um campo comum. Diminuem os consensos e aumentam os conflitos. É o cenário para 2014.

 

Ronaldo

Fui agora mesmo comer um sanduiche aqui na praça e, como o Nassif tinha antecipado, os alvos do pig daqui prá serão PAC, Petrobrás... O Fantástico dedicou quase meia hora para sua campanha contra a Petrobrás e, de quebra, aproveitou para dar a entender que os pobres moram na roça na total escuridão quando foi o Luz Para Todos que avançou nesta área, nos tempos de FHC pobre não dava conta de pagar um poste e demais taxas para ter energia elétrica. 2014 chegou, pelo que vi, de nada adiantará a política de boa vizinhança de Dilma com o pig, os torpedos serão lançados contra ela(Dilma) sem dó nem piedade.

 

 

...spin

 

 

Primeiro, para de comer esses sanduiches que são um terror a médio e longo prazos

Segundo, os Governos Dilma-Lula, ao alimentar essas mídias-víboras golpistas com publicidade federal, são os principais responsáveis pelos descancarados e crescentes golpes que delas recebem tentando sua jugular.

Não se deve confundir espírito de conciliação e prudência com ingenuidade demais da conta porque esta, na verdade, é mais demonstração de insegurança, tibieza, inconsequência

 

Não adianta bla-bla-bla quando o lobo quer comer o cordeiro: ele quer, e se o cordeiro vacilar, ele o vai comer. Estamos falando da pior direita do planeta: a direita puxa-saco da América "latrina". Se a direita em todo o mundo e em todo tempo sempre foi de caçadores, imagina a mais preguiçosa de todas!

 

Lá na praça vi também que o lobo tá bem equipado: A TV que transmitia o Fantástico usava a tecnologia digital que, como se sabe, com o seu advento deste recurso não mudou nada o monopólio,  pelo contrário, piorou quando imaginei que viesse a diversidade, que tivéssemos mais opções quando dentro de um ônibus ou táxis, o que não ocorreu. Fiquei só observando as várias famílias olhando a reportagem da Grobo sem o menor senso crítico, sem se antenar, sem se tocarem, sem desconfiômetro mesmo, assim como se fossem, e eram, bovinos sendo levados para o matadouro. Alguém sabe me informar pq o advento do mundo digital não mudou em nada esse monopólio tosco da comunicação? Os táxis usam GPS que captam os canais de TV digitais, com um detalhe: Só pega a Globo e mais os canais de duas ou 3 familias que ficaram com uma beirada do setor. Acabei de comprar uma TV LED que pega digital mas achei de uma porcaria sem tamanho pq é tudo muito restrito: Só pega a Grobo, o TV do Bispo, SBT e Bandeirantes, ah e a TV de Bento 16, a Rede Vida, enfim, pelo conteúdo, eu deveria ter ficado com meu antigo caixotão e ter jogado a LED no lixo, prá que mesmo essa novidade se não me acrescentou nada, a não ser uma imagem mais definida prá ver o pig, nem a TV Brasil pega. Prá que serve essa tecnologia digital? Lembro-me que a Globo conseguiu impor sua vontade quando do advento da tecnologia digital no país, mas não sei exatamente o que ocorreu para que chegássemos a isso, só sei que é uma lástima esse monopólio da comunicação, a única diferença com o México é que lá o Carlos Slim coneguiu abocanhar tudo, se tornando o homem mais rico do mundo, por aqui há um quartel, digo cartel, o bolo foi dividido entre quatro famílias mas, como funcionam em pool[com a Globo se apropriando de 70% desse mercado], não difere do império de Carlos Slim. 

P.S- Agora é torcer prá ver se muda alguma coisa com a entrada das teles na produção de conteúdo para nossos celulares, esta é a última esperança, se a Globo não brecar e, prá isso não titubeará e poderá até derrubar Dilma pela causa claro, mesmo se sabendo que o pig, por conta da Privataria, ficou com pedaços das teles.  Esse artigo é de 2006, alguém tem alguma novidade sobre o assunto?

17/05/2006, por Fernando Paiva

Operadoras de telefonia celular e empresas de radiodifusão parecem ter hasteado a bandeira branca na discussão sobre a adoção da TV digital móvel no Brasil. Depois de muita polêmica no passado a respeito do modelo de negócios a ser empregado, os dois setores parecem concordar em se utilizar um modelo híbrido, que comporte a oferta de conteúdo gratuito e também conteúdo pago.

Essa foi uma das conclusões do debate "Os modelos de negócio da TV digital móvel" realizado durante o 5º Tela Viva Móvel, na semana passada em São Paulo. Em palestra que precedeu o debate, o diretor de assuntos regulatórios da Claro, Marcelo Pereira, deu o sinal de que as teles não serão inflexíveis quanto ao modelo de negócios da TV móvel: "Não somos contra a TV digital móvel gratuita", afirmou. Depois, ao longo do debate, tanto ele quanto a gerente de serviços de valor agregado da Oi, Fiamma Zarife, afirmaram que entendem que um modelo híbrido é viável.

A expectativa é de que o conteúdo gratuito seja dirigido ao consumo de massa, enquanto o conteúdo pago, on demand, seja direcionado ao público de classes sociais mais altas. Roberto Franco, diretor de tecnologia do SBT e presidente da SET (Sociedade de Engenharia de Televião), concorda com a posição.

Outro ponto de convergência na opinião dos dois setores é de que o melhor canal de retorno para a interatividade com a TV será a rede das operadoras móveis. "O radiodifusor não precisa ser dono do canal de retorno. Existem redes mais capacitadas e capilarizadas para isso", disse Franco, referindo-se às operadoras celulares. E acrescentou mais um ponto em que as emissoras precisarão da ajuda das teles: "Os radiodifusores não têm a expertise para fazer billing, atendimento ao cliente etc".

Outro ponto em que os dois setores precisarão dar as mãos para lançar a TV digital móvel é a construção da rede. Pereira, da Claro, entende que não faz sentido investir em uma rede 100% nova. O executivo defende que haja um compartilhamento da atual infra-estrutura de celulares, aproveitando seus sites. Nesse ponto, contudo, Roberto Franco lembra que a rede de transmissão das emissoras de TV será a mesma dos sinais para TV fixa, e que a complementariedade virá no retorno.

O preço do terminal móvel capaz de receber sinal de TV é considerado atualmente o ponto mais crítico para o lançamento e popularização desse serviço no País. Hoje, fala-se em terminais a preços de aproximadamente US$ 1 mil. O diretor de assuntos regulatórios da Claro acredita que dentro de dois anos ainda não haverá escala suficiente para uma oferta desses aparelhos a preços acessíveis para a maioria da população.

No bloco "Os modelos de negócio da TV digital móvel" do 5º Tela Viva Móvel, Pereira deixou claro que não tem nada contra a oferta de conteúdo gratuito para a TV móvel. Porém, lembrou que o modelo japonês de TV digital (ISDB-T), que viabiliza essa oferta gratuita, pode dificultar a produção em larga escala. "No Japão não há GSM. Hoje, não há um celular que seja GSM e, ao mesmo tempo, ISDB-T", comentou.

Morris Arditti, diretor de desenvolvimento de negócios da Gradiente, pondera que o grande desafio (e oportunidade) do Brasil será desenvolver aparelhos híbridos GSM/ISDB-T. "Isso ainda não existe e podemos ser os primeiros a desenvolver a tecnologia". Já o diretor de tecnologia do SBT, Roberto Franco, lembrou que os celulares não serão os únicos receptores de TV móvel. "Vários tipos de dispositivos conviverão juntos: laptops, celulares, PDAs, receptores portáteis", previu o executivo.

Arditti é um dos mais otimistas. Ele acredita que, no futuro, a TV móvel será quase tão indispensável quanto o celular é hoje. Por conta disso, conforme ganha escala a produção desses aparelhos, Arditti prevê que não será essencial que as operadoras banquem subsídios para a popularização dos terminais.

Modelo de produção
Qual será o modelo de produção de conteúdo para a TV digital móvel? Essa foi outra das questões debatidas. Enquanto uns apostam na produção prévia do conteúdo, outros acreditam que os produtores (tanto os independentes quanto as próprias emissoras) só começarão a investir em conteúdo quando a distribuição do mesmo estiver garantida.

"Não vejo desenvolvimento de produtos novos aqui. Há poucas alternativas para a incubação de conteúdo no Brasil, e esse modelo terá de ser revisto para que se pense em TV digital móvel", diz Adalberto Vianna, consultor de empresas de telecomunicações e ex-executivo da Globo, da Americel e do SBT, após lembrar a experiência com a TV por assinatura, que teve seu início exatamente no sentido inverso, o de produzir primeiro e encontrar canais para a distribuição depois.

Por um lado, a produção de conteúdo demanda tempo e investimento, e as produtoras e empresas de radiodifusão podem não estar dispostas a assumir o risco de produzir e não ter canais para a distribuição dos produtos. "As operadoras não vão investir na viabilização enquanto não houver garantia de conteúdo. Por outro lado, os produtores não vão gastar cerca de seis meses desenvolvendo o projeto de um programa sem garantias de que terão os meios para distribui-lo", afirma Franco, do SBT.

Ele afirma que, além da necessidade de meios para a distribuição, também é necessária uma auto-regulação do mercado, na qual operadoras e radiodifusoras encontrem o seu papel na TV digital móvel. "Os participantes dessa cadeia precisam ter garantias de que quando esse mercado nascer e se desenvolver, todos eles terão acesso a ele de forma isonômica".

A definição do padrão de TV digital vai permitir que os radiodifusores ofereçam serviços móveis a inúmeros dispositivos, com ou sem serviços interativos. "A previsão é que os celulares representem apenas 50% desses aparelhos", afirma Franco, que não vê antagonismo entre as redes das operadoras e radiodifusores, mas um trabalho conjunto. "Hoje a legislação já permite a retransmissão de TV aberta em dispositivos móveis, o que a rede digital vai viabilizar assim que o padrão for definido".

SBT, TVA e Universidade Mackenzie testam, há um ano, a transmissão de TV aberta para dispositivos móveis com o padrão japonês ISDB, com bons resultados, segundo Franco. "O sistema usa apenas um retransmissor para cobrir toda a cidade com a necessidade de poucos repetidores, o que torna o custo da tecnologia mais acessível", diz o executivo. "Hoje o telespectador médio gasta em torno de 4 horas por dia vendo TV. A partir de um dispositivo móvel é possível maximizar esse tempo, já que uma pessoa pode gastar até 3 horas em deslocamentos pela cidade", diz Franco.

Resta saber quem vai bancar o custo do terminal, já que o telespectador que usa transporte público não vai querer pagar em torno de R$ 1 mil por um terminal que pode receber vídeo. "A discussão sobre os custos do terminal (mais simples ou integrado com celular) e qual público vai ser o alvo da nova tecnologia (classes A e B ou C e D) ainda está na ordem do dia", completa.

Coréia
Um dos exemplos citados é o da KTF, segunda maior operadora de telecomunicações da Coréia, com 12,5 milhões de assinantes, que experimenta a convivência entre dois modelos de TV móvel: a terrestre e por satélite. A primeira, uma iniciativa do governo e radiodifusores, oferece conteúdo da TV aberta e é gratuita; a segunda, operada pelas teles móveis, tem a melhor cobertura e oferece conteúdos pagos, mas debate-se com a dificuldade de retransmitir conteúdo da TV aberta, que tem a maior demanda dos consumidores.

O DMB-S (por satélite) foi o primeiro a ser lançado, impulsionado pelo setor privado e pelas operadoras móveis que enfrentavam o problema de desenvolvimento lento desse mercado. "Os serviços móveis chegaram a 80% de penetração, por isso as operadoras tiveram que buscar fontes extras de receita", disse Young Sin An, diretor de desenvolvimento e estratégias da KTF, presente ao 5o. Tela Viva Móvel.

O outro modelo, o DMB-T (terrestre), começou pouco depois, a partir de uma iniciativa do governo para o estabelecimento de padrões do serviço móvel e para desenvolver esse mercado com mais rapidez. O resultado, por ser um serviço gratuito, foi a adesão de 600 mil assinantes, enquanto o DMB-S, mais antigo, mas pago, parou nos 540 mil assinantes.

A TV móvel por satélite usa a freqüência de 2,5GHz, enquanto o terrestre as faixas abertas de UHF, com velocidades maiores. Em janeiro de 2005, a Coréia resolveu seus problemas regulatórios com a nova tecnologia, licenciando 39 canais, sendo 12 de vídeo, 26 de áudio e 1 canal de dados. Em 2004, o Ministério das Comunicações já havia promulgado novas leis limitando os territórios dos radiodifusores e das operadoras nesse novo mercado, diz Sin An.

Na Coréia, o DMB-S custa US$ 30 para instalação mais uma taxa mensal, enquanto o DMB-T é gratuito mas vive o paradoxo de arrecadar pouco em publicidade: US$ 100 mil mensais que não cobrem as necessidades do serviço. "A meta, para que o serviço pague os investimentos na rede para ter cobertura, seriam US$ 50 milhões por ano", diz Sin An.

No DMB-S, as teles recebem 25% de participação dos provedores de serviços, mais a receita complementar dos canais de dados e serviços interativos. A cobertura entre os dois sistemas também é bastante diferente: o DMB-T opera apenas na região metropolitana de Seul e deve estender-se até o final do ano para outras cidades. Já o DMB-S cobre todo o país.

A previsão da KTF é contar com 8 milhões de assinantes de TV móvel até 2010, com conteúdos diferenciados e fazendo uso de novas tecnologias de redes para transmissão de vídeo, como MediaFLO e DVB-H, prevê Sin An. Por conviver com dois serviços, existe uma disputa acirrada por assinantes e por conteúdo. As teles, segundo ele, não conseguem ter acesso às transmissões de TV aberta, regulada pelos radiodifusores, limitando o oferecimento de conteúdo. Um obstáculo adicional é a limitação na oferta de aparelhos. "A Samsung desenvolveu um handset dual mode (para DMB-S e DMB-T) que foi recusado pelas operadoras por medo de perderem assinantes", completa o executivo da KTF. Empresas de telecomunicações e radiodifusores também travaram uma disputa no que diz respeito à distribuição dos sinais das redes abertas. "As pessoas querem ver o mesmo sinal da TV convencional, mas as emissoras não cedem seus sinais para o sistema pago", diz o executivo da KTF.

(c) Tela Viva News

http://revistahometheater.uol.com.br/site/tec_artigos_02.php?id_lista_txt=2162

 

 

 

...spin

 

 

Se há preocupações em relação a golpe de estado, acho que deviamos avaliar como é o papel das forças armadas neste momento.

E algo me ocorreu, Dilma no 2º turno com o Lula de vice, não seria algo pra se pensar?

 

Ana Bednarski

Muito oportuna a matéria. Há paralelos entre os períodos sim. São duas correntes se confrontando sim, uma liberal, que aceita a condição de dependência e subordinação. A outra corrente é intervencionista, quer independência, autonomia, sair do subdesenvolvimento, e isso só se faz usando a mão pesada do Estado.

A grande dificuldade é como “dosar” a mão pesada do Estado. Diferente dos países desenvolvidos, por aqui o Estado tem papel decisivo na economia. É o intermediário entre o mercado mundial e o nacional. É por meio do Estado que a economia gira. O que não quer dizer que o Estado tudo pode e que esteja acima do mercado. O socialismo por decreto do tipo Chavista não parece dar certo. Não tem como antecipar-se à sociedade. Usar a mão pesada do Estado só dá certo com o respaldo – e forte – de segmentos da sociedade.

Essa foi a genialidade do Lula. Não superestimou o peso da caneta. Quando entrou, lançou como bandeira a Campanha Contra a Fome. Aí Foi agregador, já começou neutralizando adversários. Quem iria ser contra erradicar a fome?

E esse vem sendo o grande acerto de Dilma. Toma medidas respaldada por setores da sociedade.

O golpismo paira no ar, sim. Não uma ditadura, mas um “golpe branco” do tipo que está acontecendo com o julgamento do mensalão, mandando um grupo de petistas para a cadeia. É visível a mudança da opinião pública depois do mensalão, Carlinhos Cachoeira antes “bicheiro” hoje foi promovido pela média a empresário, e jornalistas de todo o país viajam para ver seu casamento.

Por sorte o Brasil mudou. O Brasil antigo, da ascensão por meio do favor, das maracutaias, como diria o Lula, está ficando para trás. E a turma jovem, dentro das instituições e também fora, que ralou muito para chegar onde está, não é boba.

O perigo é um aperto na economia. Aí bate o desespero e tudo fica imprevisível.

 

 

Lula lidera votação na web de político mais corrupto de 2012

04 de Janeiro de 2013  20h29  atualizado às 20h33

  1. Notícia


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera uma enquete organizada pelo Movimento 31 de Julho para eleger o político mais corrupto de 2012. Até o dia 15, internautas podem votar, pelo Facebook, em uma lista de dez candidatos ao Troféu Algemas de Ouro, que chega este ano a sua segunda edição. Na primeira, de 2011, o vencedor foi o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), seguido pelo ex-ministro José Dirceu (PT) e pela deputada federal Jaqueline Roriz (PMN).

Com mais de 1 mil votos até as 20h desta sexta-feira, Lula lidera com folga a enquete. Em segundo lugar, com cerca de 250 votos, aparece o senador cassado Demóstenes Torres, envolvido no esquema criminosos chefiado pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A seguir, aparece o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), apontado como um dos operadores do chamado mensalão tucano, em Minas Gerais.

Completam a lista o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) - incluído na lista "pelo conjunto da obra" e por ser fugitivo da Interpol, segundo o movimento -; o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra; o senador Jader Barbalho (PMDB-PA); o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta, empresa envolvida no escândalo de Cachoeira; o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda; e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT).

http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/lula-lidera-votacao-na-web-de-politico-mais-corrupto-de-2012,c48ebdf3ba70c310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

 

1000 votos? E isso lá é notícia? Notícia são os milhões de votos que elegeram e reelegeram o Lula e que elegeram e vão reeleger a Dilma. Isso que você postou é um traquezinho de oitava categoria. Notícia não é.

 

DILMA DE VOLTA E ELEIÇÕES GERAIS PARA ESSE CONGRESSO GOLPISTA!

DIRETAS JÁ É CHANCELAR O GOLPE!

Que "dívida com o BB" é essa?!?!

Pelo que entendi, tal débito seria de Jango com a instituição, pois não?

Já li centenas de livros sobre o assunto - golpe de 64 e queda de Jango. Dos mais diversos autores, das mais divergentes linhas ideológicas. Trabalhei por 30 anos no BB e NUNCA ouvi menção a alguma obrigação mal resolvida de Goulart com o BB.

Aguardamos - eu e maioria do blog - mais detalhes, certamente bombásticos pelo seu ineditismo.