Revista GGN

Assine

Os protestos contra remoções em Madureira

A prefeitura do Rio instalou a política da desapropriação. O motivo, seja por conta da Copa do Mundo, seja pelas Olimpíadas, seja pelas catástrofes do ano passado até hoje e mesmo a serviço de grupos privados, existe uma massa de pessoas que estão por aí, totalmente desamparadas. A promessa do aluguel social, se restringe a algumas pessoas (para efeitos de propaganda), que mesmo assim habitam "casas" precárias e de difícil acesso. São despejadas com ordem judicial, para dar legalidade, mas não moralidade a essas pessoas. Não houve e não há quaisquer discussão prévia sobre como deslocar essa massa de pessoas (não me refiro a discussão de gabinete, e sim com esses moradores). Muitas delas tem seus negócios nessas comunidades, que acabam de perder a própria fonte de renda. Conheço pessoas que moram na região do Largo do Tanque, por onde vai passar a Transcarioca, que não sofreram com esse rolo compressor, e que abrigam pessoas da região que não tem para aonde ir. Sem exagero, o impacto na vida dessas pessoas não difere muito dos sobreviventes do Morro do Bumba. É esse o ganho SOCIAL na vida do carioca?

Do Fazendo Media

Moradores de Madureira fazem protesto contra remoções por causa da Transcarioca

Por Eduardo Sá, 07.02.2011

Mais um dos grandes projetos urbanos previsto para a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Rio de Janeiro vai remover moradores de comunidades de baixa renda de suas moradias. Esse é o caso da favela Largo do Campinho, em Madureira, zona norte do Rio, que está no traçado da Transcarioca, via que vai ligar a Barra da Tijuca ao aeroporto internacional Tom Jobim. As obras, que estão avaliadas R$ 1,3 bilhão custeado pelo Governo Federal, começam neste mês e devem ser entregues pela prefeitura antes da Copa de 2014.

A secretaria municipal de Obras informou que os 39 quilômetros de extensão vão reduzir em mais de 60% o tempo gasto no trajeto, que terá ao todo 45 estações do BRT, ônibus que circulará em faixa exclusiva. No Largo do Campinho, que fica em movimentado entroncamento das avenidas Intendente Magalhães e Cândido Benício e as ruas Ernani Cardoso e Domingos Lopes, será construído um mergulhão para o corredor expresso.

Cerca de 50 moradores fizeram um protesto na última quarta-feira (02/02) nas ruas em frente à comunidade, com faixas e cartazes afirmando que estão sendo removidos arbitrariamente de seus imóveis. Além da comunidade do Campinho existem também no local as do Fubá e Divino, cujo complexo fica atrás de dez prédios que o prefeito Eduardo Paes resolveu destombar para realizar o projeto. Os imóveis fazem parte do entorno do Forte Nossa Senhora da Glória do Campinho, uma das primeiras fortificações construída no século XIX para proteger a antiga Estrada Real de Santa Cruz.

Agentes da prefeitura foram com um caminhão para fazer a mudança dos moradores. Essas pessoas estão indo para conjuntos habitacionais em Cosmos, na zona oeste, que fica a mais de 1 hora do Campinho, contemplados no Programa Minha Casa Minha Vida. Aproximadamente 20 das 60 famílias já toparam sair da comunidade. Muitos moradores relataram que a secretaria municipal de Habitação foi no meio do ano passado ao local para tirar fotos, pegar documentos e medir os imóveis, e prometeu a indenização das casas. Em novembro começaram as pressões para remoção: sem cadastrar nem consultar ninguém, disseram os moradores.

Nesse mesmo período o subprefeito da região fez uma reunião com os moradores, na qual havia prometido, também segundo os moradores, a quitação da casa que eles fossem reassentados. No contrato, que os reassentados se queixam de ser só assinado em Cosmos já com as mudanças, consta que os moradores têm que pagar R$ 50,00 por mês. Muitos ainda criticam que em caso de inadimplência de três meses eles podem ser retirados do apartamento, e no Campinho muitos moradores recebem bolsa família e sequer têm uma fonte de renda.

A secretaria municipal de Habitação, por sua vez, informou que “essas famílias estão sendo reassentadas para a execução de uma obra de grande interesse público e que terá impacto direto na melhoria da qualidade de vida dos cariocas”.

“Os imóveis de sala, dois quartos, banheiro, cozinha e área de serviço ficam em condomínio na Avenida Cesário de Melo, uma região já dotada de meios de transporte e que ficará ainda mais bem servida com a implantação dos novos corredores de transporte público via BRTs (Bus Rapid Transit). As famílias que serão reassentadas para a construção da Transcarioca não terão que pagar nada pelos imóveis”, destacou a secretaria, por meio de sua assessoria de comunicação.

Luciana França, de 24 anos, é uma das moradoras que está resistindo. Ela acabou o ensino médio e é manicure, mora com o pai, que está no Campinho há 32 anos e tem uma loja que faz placas e faixas ao lado de sua casa. Segundo ela, muitos moradores vão perder o comércio e essa desapropriação está sendo feita de maneira ilegal.

“Na lei orgânica do município, a 429, fala que toda família removida tem que ser reassentada próxima. Isso não está sendo cumprido, porque a nossa comunidade vai ser reassentada em Cosmos, que são 18 estações de onde a gente mora. É mais de uma hora de viagem. Pessoas já perderam o emprego, crianças perdendo o ano letivo, pessoas de idade que vão perder tratamento no posto médico, e outras que estão desempregadas não vão poder pagar as contas que tem nesse apartamento. A gente não tem acesso ao contrato, não pode levar o advogado nem a defensoria pública. Eu não vou sair, só saio daqui quando eu for prévia e justamente indenizada ou reassentada próxima”, disse.

A moradora também destaca que o seu direito de possuidora tem que ser respeitado, pois ela não pegou o imóvel por meio de força.

“Eu cheguei num imóvel que foi abandonado pelo dono e não foi requerido em nenhum momento pela prefeitura, só agora. Eu sou obrigada a votar, mas não tenho o direito de escolher aonde viver? Se esse apartamento da Caixa vai ser financiado, eu tenho o direito de escolher aonde é que eu vou viver, eu vou pagar. Está errado, tinha que me dar de graça, porque esse aqui eu não pago nada e a lei diz que é meu”, concluiu.

Muitos moradores se queixam da pressão e chantagem da prefeitura. Existem muitas crianças, entre elas algumas especiais, e idosos na comunidade. O abalo psicológico dos moradores é visível, inclusive pessoas idosas foram internadas. Uma casa foi demolida, deixando casas ao lado em risco. Em caso de pessoas que têm animais, os bichos terão de ser sacrificados ou abandonados, pois não podem ser levados para o conjunto habitacional. Várias famílias sobrevivem vendendo água e mercadorias nos sinais de trânsito das redondezas, e a informação obtida pelos moradores é de que aqueles que têm um estabelecimento comercial não terão o seu imóvel indenizado pela prefeitura.

A assessoria de comunicação do subprefeito respónsável pela região, André Santos, afirmou que é feito sempre um cadastramento das famílias pela Secretaria de Assistência Social, antes que haja qualquer remoção.

“Neste cadastramento é determinado um proprietário por imóvel. Uma vez determinado quem é o proprietário, este vai receber o aluguel social ou vai ser diretamente removido, dependendo da situação. As pessoas reassentadas nos conjuntos habitacionais pagam uma quantia simbólica de 50 reais mensalmente. E a prefeitura, junto com outros órgãos, faz de tudo para minimizar esta mudança. Por exemplo: tenta facilitar a questão do transporte, tenta colocar os filhos estudando em boas escolas mais próximas do conjunto habitacional. Enfim, estas são medidas para dar qualidade de vida para essas pessoas, que agora vão ter uma casa em um condomínio que tem toda a segurança necessária”, declarou a subprefeitura da zona norte.

A defesa dos moradores

Os prédios históricos na entrada da comunidade do Campinho, na zona norte do Rio. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

A defensoria pública do Estado do Rio de Janeiro foi acionada pelos moradores em novembro de 2010 para instruí-los. De acordo com Marília Farias, defensora do Núcleo Terras e Habitação, o município ajuizou essas ações de desapropriação contra os proprietários só que muitos deles desapareceram há décadas. Ela também observou que falta diálogo e transparência nesse processo de reassentamento, pois as pessoas não têm acesso aos contratos que só podem ser lidos após o morador aceitar a proposta de ir para Cosmos.

“Eles abandonaram os imóveis, que foram aos poucos sendo ocupados por essas famílias que têm a posse há mais de 30 anos. A gente entende que esses possuidores fazem jus à indenização tal qual o proprietário do registro faria. A postura do município é simplesmente varrer as pessoas das comunidades e mandar para o mais longe possível”, explica Marília.

A defensora também ressaltou que a oferta da prefeitura para Cosmos não atende às necessidades das pessoas, porque elas moram no local há muito tempo, as crianças estão matriculadas nas escolas da região, e os empregos das pessoas são em localidades próximas, então a desestruturação da vida dessas famílias vai ser muito grande com essa oferta.

“Estamos tentando, em termos jurídicos, incluir essas famílias no pólo passivo dessas ações de desapropriação, porque elas são dirigidas apenas aos proprietários. Estamos tentando fazer essa inclusão justamente para batalhar por essas indenizações ou o reassentamento em local próximo, que é o que nos parece mais justo”, disse.

Ela ainda explicou que a prioridade no assentamento próximo se deve ao fato de a tabela, da época da gestão Cesar Maia, estipular valores muito baixos para a indenização. E os moradores que preferem ir para Cosmos estão sendo orientados, de modo a ter ciência de que estão indo com um ônus a pagar pela moradia, que só ao final de 10 anos se tornará sua propriedade.

“Então na verdade ele está deixando um imóvel que ele conseguiu construir na vida inteira, levando até 10 anos para conseguir levantar esses tetos, e não vai ter condição de pagar. Aqui na comunidade do Largo do Campinho muitas famílias são miseráveis, estão realmente abaixo da linha da pobreza, e não vão ter condições de arcar com esse ônus de morar longe, sem emprego, e com esse custo mensal. O que a prefeitura tem praticado é um sem número de arbitrariedades, tudo em prol dos mega eventos”, concluiu.

Sem votos
18 comentários

Comentários

Espaço Colaborativo de Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
+18 comentários

Vida será muito afetada sim, e como...

mas pelo que foi colocado, parece que a Prefeitura está fazendo o possível para amparar as pessoas afetas.

Quanto aos valores para indenização por desapropriação, geralmente são determinados por peritos judiciais levando-se em consideração a situação legal do imóvel e o valor de mercado, o que faz de qualquer pretensão na justiça  uma perda de tempo e, além disso, no caso de propriedades não legalizadas, até mesmo a diminuição do valor da indenização. Tomem cuidado. É bom pensar bastante nisso, pois para justiça as lamentações e os reclamos colocados no post serão atendidos.

Sem querer desanimar ninguém, pelo contrário, dou maior força para que lutem mesmo pelo que consideram ser mais vantajoso e que traga menos dificuldades para todos, mas sem se deixar levar pela astúcia dos que prometem indenizações acima do valor de mercado ou de quem esteja querendo explorar politicamente.

 

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:"Tabela normal";
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-qformat:yes;
mso-style-parent:"";
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:"Calibri","sans-serif";
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-fareast-font-family:"Times New Roman";
mso-fareast-theme-font:minor-fareast;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;}

/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:"Tabela normal";
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-priority:99;
mso-style-qformat:yes;
mso-style-parent:"";
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin-top:0cm;
mso-para-margin-right:0cm;
mso-para-margin-bottom:10.0pt;
mso-para-margin-left:0cm;
line-height:115%;
mso-pagination:widow-orphan;
font-size:11.0pt;
font-family:"Calibri","sans-serif";
mso-ascii-font-family:Calibri;
mso-ascii-theme-font:minor-latin;
mso-fareast-font-family:"Times New Roman";
mso-fareast-theme-font:minor-fareast;
mso-hansi-font-family:Calibri;
mso-hansi-theme-font:minor-latin;}

Sei não, de repente começaram a pipocar inúmeras matérias na imprensa internacional sobre essas remoções. Começou com o precipitado alerta da agora suspeita Comissão de Direitos Humanos da OEA. Daí, em menos de um mês, seguiram reportagens completamente parciais do The Guardian, Espn e até mesmo um artigo de opinião na empresa que melhor pratica jornalismo na atualidade, a Al Jazeera English.

Nas reportagens falta espaço para a Prefeitura rebater as acusações e sobra preconceito quanto ao atual estágio da democracia brasileira. É evidente o exagero denuncista, havendo quem compare a atuação da Prefeitura do Rio ao exército israelense que tratora a população de Gaza ou ao inferno iraquiano, forçando a barra para enquadrar a classe política brasileira no clichê de corrupta e criminosa.

Desapropriações sempre geram resistências dos diretamente afetados por elas, mas se forem legítimas do ponto de vista do interesse coletivo, devem ser enfrentadas pelo Poder Público e apoiadas pela população.

Ao contrário do que querem fazer crer, esses processos de desapropriação não surgiram da noite para o dia. Há mais de dois anos a Prefeitura do Rio batalha pela imissão na posse dos imóveis que necessitam ser desapropriados para a implantação do BRT chamado Transcarioca e quando finalmente a coisa começa a andar, as vozes tímidas e humildes dos de fato prejudicados são abafadas pelo berros histéricos dos oportunistas de sempre.

Geralmente os imóveis objetos dessas desapropriações são por direito propriedade de particulares ou da Administração Pública, mas estão de fato na posse da população pobre, que é obrigada a suportar o ônus da remoção. Em regra são moradias precárias cuja única vantagem é estar localizadas em regiões centrais das cidades.

A praxe dos últimos anos tem sido a seguinte: após a Administração Pública depositar em juízo o correspondente ao valor de mercado do imóvel, o juiz autoriza a entrada na posse dos imóveis (podendo inclusive demoli-los). Segue-se então uma longa discussão judicial sobre o valor justo da indenização e/ou sobre quem deverá recebê-la, se o proprietário registrado na escritura ou quem de fato estava na posse do imóvel, nos casos em que o usucapião for reconhecido.  Enquanto corre a discussão judicial, normalmente é oferecido aluguel social enquanto a indenização não sai (às famílias que tem direito a esta) ou, quando a família não possui casa prórpria, até que fiquem prontos imóveis construídos com subsídios de programas habitacionais (Minha Casa, Minha Vida, CDHU, Programa de Arrendamento Residencial, etc).

É compreensível o receio das famílias removidas de que a promessa de um novo lar não seja cumprida pelos governos, mas isso se deve mais ao histórico de desrespeito do Estado brasileiro aos direitos dos mais pobres do que uma possibilidade concreta no atual estágio de desenvolvimento do país. Casos pontuais de injustiça não podem ser tomados como prática geral.

 

Vamos ver se agora vai direito...

Sei não, de repente começaram a pipocar inúmeras matérias na imprensa internacional sobre essas remoções. Começou com o precipitado alerta da agora suspeita Comissão de Direitos Humanos da OEA. Daí, em menos de um mês, seguiram reportagens completamente parciais do The Guardian, Espn e até mesmo um artigo de opinião na empresa que melhor pratica jornalismo na atualidade, a Al Jazeera English.

Nas reportagens falta espaço para a Prefeitura rebater as acusações e sobra preconceito quanto ao atual estágio da democracia brasileira. É evidente o exagero denuncista, havendo quem compare a atuação da Prefeitura do Rio ao exército israelense que tratora a população de Gaza ou ao inferno iraquiano, forçando a barra para enquadrar a classe política brasileira no clichê de corrupta e criminosa.

Desapropriações sempre geram resistências dos diretamente afetados por elas, mas se forem legítimas do ponto de vista do interesse coletivo, devem ser enfrentadas pelo Poder Público e apoiadas pela população.

Ao contrário do que querem fazer crer, esses processos de desapropriação não surgiram da noite para o dia. Há mais de dois anos a Prefeitura do Rio batalha pela imissão na posse dos imóveis que necessitam ser desapropriados para a implantação do BRT chamado Transcarioca e quando finalmente a coisa começa a andar, as vozes tímidas e humildes dos de fato prejudicados são abafadas pelo berros histéricos dos oportunistas de sempre.

Geralmente os imóveis objetos dessas desapropriações são por direito propriedade de particulares ou da Administração Pública, mas estão de fato na posse da população pobre, que é obrigada a suportar o ônus da remoção. Em regra são moradias precárias cuja única vantagem é estar localizadas em regiões centrais das cidades.

A praxe dos últimos anos tem sido a seguinte: após a Administração Pública depositar em juízo o correspondente ao valor de mercado do imóvel, o juiz autoriza a entrada na posse dos imóveis (podendo inclusive demoli-los). Segue-se então uma longa discussão judicial sobre o valor justo da indenização e/ou sobre quem deverá recebê-la, se o proprietário registrado na escritura ou quem de fato estava na posse do imóvel, nos casos em que o usucapião for reconhecido.  Enquanto corre a discussão judicial, normalmente é oferecido aluguel social enquanto a indenização não sai (às famílias que tem direito a esta) ou, quando a família não possui casa prórpria, até que fiquem prontos imóveis construídos com subsídios de programas habitacionais (Minha Casa, Minha Vida, CDHU, Programa de Arrendamento Residencial, etc).

É compreensível o receio das famílias removidas de que a promessa de um novo lar não seja cumprida pelos governos, mas isso se deve mais ao histórico de desrespeito do Estado brasileiro aos direitos dos mais pobres do que uma possibilidade concreta no atual estágio de desenvolvimento do país. Casos pontuais de injustiça não podem ser tomados como prática geral.

 

é isso ai...também é o que penso

principalmente quanto ao que é dito inicialmente

tá na cara que é manobra política e, pior, de fora

 

 

É uma covardia, conheço a zona oeste e posso garantir que o povo carioca não aceita este tipo de sacanagem .

Amanhã trago novidades .

 

 

                          Abs.

 

" A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos." - Barão de Montesquieu

 

The Guardian:

Rio World Cup demolitions leave favela families trapped in ghost town

http://www.guardian.co.uk/world/2011/apr/26/favela-ghost-town-rio-world-cup

 

Al Jazeera:

Rio's poor fear loss of homes

http://english.aljazeera.net/video/americas/2011/04/2011425144016235882.html

Brazil's disappearing favelas

http://english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/05/201159123141256818.html

 

Sugestão: que tal removê-los pra residência oficial do Sr. Prefeito em Botafogo. Sandra Cavalcanti deve estar orgulhosa do pimpolho.

 

Nassif,

Esta matéria é de dois meses atrás. Reconheço que a situação pouco se alterou em Madureira, mas já houve mais remoções, e até alteração no sentido do tráfego devido ao início efetivo da obra do mergulhão, que atravessará o Largo do Campinho.

 

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/03/28/obras-da-transcarioca-deixam-...

 

Sei não, de repente começaram a pipocar inúmeras matérias na imprensa internacional sobre essas remoções. Começou com o precipitado alerta da agora suspeita Comissão de Direitos Humanos da OEA. Daí, em menos de um mês, seguiram reportagens completamente parciais do The Guardian, Espn e até mesmo um artigo de opinião na empresa que melhor pratica jornalismo na atualidade, a Al Jazeera English.

Nas reportagens falta espaço para a Prefeitura rebater as acusações e sobra preconceito quanto ao atual estágio da democracia brasileira. É evidente o exagero denuncista, havendo quem compare a atuação da Prefeitura do Rio ao exército israelense que tratora a população de Gaza ou aos inferno iraquiano, forçando a barra para enquadrar a classe política brasileira no clichê de corrupta e criminosa.

Desapropriações sempre geram resistências dos diretamente afetados por elas, mas se forem legítimas do ponto de vista do interesse coletivo, devem ser enfrentadas pelo Poder Público e apoiadas pela população.

Ao contrário do que querem fazer crer, esses processos de desapropriação não surgiram da noite para o dia. Há mais de dois anos a Prefeitura do Rio batalha pela imissão na posse dos imóveis que necessitam ser desapropriados para a implantação do BRT chamado Transcarioca e quando finalmente a coisa começa a andar, as vozes tímidas e humildes dos de fato prejudicados são abafadas pelo berros histéricos dos oportunistas de sempre.

Geralmente os imóveis objetos dessas desapropriações são por direito propriedade de particulares ou da Administração Pública, mas estão de fato na posse da população pobre, que é obrigada a suportar o ônus da remoção. Em regra são moradias precárias cuja única vantagem é estar localizadas em regiões centrais das cidades.

A praxe dos últimos anos tem sido a seguinte: após a Administração Pública depositar em juízo o correspondente ao valor de mercado do imóvel, o juiz autoriza a entrada na posse dos imóveis (podendo inclusive demoli-los). Segue-se então uma longa discussão judicial sobre o valor justo da indenização e/ou sobre quem deverá recebê-la, se o proprietário registrado na escritura ou quem de fato estava na posse do imóvel, nos casos em que o usucapião for reconhecido.  Enquanto corre a discussão judicial, normalmente é oferecido aluguel social enquanto a indenização não sai (às famílias que tem direito a esta) ou, quando a família não possui casa prórpria, até que fiquem prontos imóveis construídos com subsídios de programas habitacionais (Minha Casa, Minha Vida, CDHU, Programa de Arrendamento Residencial, etc).

É compreensível o receio das famílias removidas de que a promessa de um novo lar não seja cumprida pelos governos, mas isso se deve mais ao histórico de desrespeito do Estado brasileiro aos direitos dos mais pobres do que uma possibilidade concreta no atual estágio de desenvolvimento do país. Casos pontuais de injustiça não podem ser tomados como prática geral.

 

 

"prefeitura do Rio instalou a política da desapropriação. O motivo, seja por conta da Copa do Mundo, seja pelas Olimpíadas, seja pelas catástrofes do ano passado até hoje e mesmo a serviço de grupos privados, existe uma massa de pessoas que estão por aí, totalmente desamparadas":

NOSSA!  Que surpresa enorme!

Desgraca de olimpiadas!

Eu vou acabar com as olimpiadas.

Podem escrever na pedra:  eu vou acabar com as olimpiadas.  O Brasil ja tem puta de luxo, nao precisa de importar nenhuma.

 

Cuidado aí Ivan, se o blog do Nassif estiver sendo monitorando pelo FBI é capaz que te enquadrem no crime de terrorismo desejado, ameaça terrorista anunciada ou alguma outra paranóia "made in USA" desse tipo...

 

As remoções e as obras não são só para trazer para os Rio mais "putas de luxo", elas também vão melhorar a vida dos cariocas.

 

 

Não tem como dá certo se o povo do Fubá não quiser ir para Cosmos .

O Eduardo Paes e qualquer grão de areia de Copacabana sabe que as coisas não funcionam assim .

 

 

                                   Abs.

 

" A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos." - Barão de Montesquieu

 

Eh mentira, Savio.  Mentira deles.  Nao acredite.  Eh propaganda.

 

As pessoas querem melhorias mas não querem obras.

Como os tijucanos que estão reclamando do barulho na obra da estação Uruguai do metro  http://oglobo.globo.com/participe/mat/2011/05/10/barulho-de-obras-na-fut...

E os moradores de ipanema e leblon que estão "preocupados" com o traçado original da linha 4. rs rs rs

 

A prefeitura do rio deve vir a belo horizonte e aprender a fazer deslocamento de pessoas com o menor grau de impacto possível. aqui tivemos varia remoções de favelas para ampliação de avenidas e tudo correu com muita tranquilidade. estive envolvido profissionalmente como advogado em algumas remoções e, pelo menos as pessoas com quem tive contato, estavam bem satisfeitas.

 

Nassif, 

Eu achei um artigo muito interessante falando sobre o papel dos municípios na política habitacional brasileira:

http://www.fflch.usp.br/dcp/assets/docs/SemDisc2011/Sessao_VII_Dias.pdf

 

Remoções são um processo complicado, mas como é que se espera que melhore a antiquada infra-estrutura brasileira?

Tá errado a prefeitura não dar assistência às famílias, mas sem as remoções só se as novas obras forem todas debaixo da terra. As obras da prefeitura não são apenas para os mega eventos e para os turistas,  mas, principalmente, para o povo carioca que por lá vive.