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Para entender a estratégia Lula-Dilma

Apesar de surpreender a gregos e troianos, a estratégia política de Lula-Dilma Rousseff é relativamente fácil de desvendar.

A primeira peça do jogo é não imaginar Dilma dissociada de Lula. Não existe hipótese para ciumeiras, rompimentos. A diferença de estilo entre ambos não é semente para futuras disputas, mas peça essencial na sua estratégia.

Primeiro, vamos às afinidades políticas e à continuidade de ambos os governos.

  1. Ambos são sociais-democratas. Não se exija perfil revolucionário, nem mesmo estatizante, embora estejam longe de se constituir em neoliberais.
  2. São políticos focados em resultados sociais, como peça central de legitimação política, Dilma dando mais atenção à gestão, Lula à política (mesmo porque tinha Dilma para cuidar da gerência).
  3. Na política econômica, a prioridade absoluta é o controle da inflação. Câmbio, desindustrialização, juros, é resto. E resto é resto. Embora Dilma tenha formação desenvolvimentista, a realpolitik se sobrepôs às demais prioridades. Se a crise internacional piorar, pode criar vulnerabilidades nessa parte da estratégia.
  4. No plano político, a lógica não é do confronto, mas da soma. Dilma aprendeu com Lula a dividir os contrários em dois grupos: os adversários e os inimigos. O primeiro grupo é para ser cativado ou cooptado.

Diferenças periféricas

As diferenças de estilo entre Lula e o Dilma são periféricas, embora importantes na montagem da estratégia política. No plano econômico e ideológico, são governos de continuidade.

Muitos analistas – à direita e à esquerda – tomam a nuvem por Juno, as diferenças periféricas pelas essenciais. E acabam se confundindo na análise do governo Dilma e de sua estratégia política.

Os fatores utilizados pela velha mídia para desgastar Lula (fazendo muito barulho, embora influenciando apenas 5% do eleitorado) são desimportantes e nada tem a ver com as peças centrais de sua política.

No plano político, nos últimos anos  desenterrou fantasmas da guerra fria que se supunham extintos desde os anos 60. Na diplomacia, a questão iraniana. Na política interna, o pesado véu de preconceito contra Lula e o enfrentamento nos últimos anos. As críticas contra as políticas sociais foram devidamente enterradas pelos fatos.

Ao assumir, sem comprometer os pontos centrais de sua política, Dilma definiu um estilo diferente de Lula na forma, embora muito similar no conteúdo – inclusive surpreendendo os que supunham que partiria para um confronto direto com adversários.

Colocou a questão dos direitos humanos como foco da diplomacia, deu atenção a FHC, compareceu ao aniversário da Folha, nos últimos dias convidou jornalistas brasilienses para conversas no Palácio, respondeu rapidamente às denúncias consistentes.

Completa-se assim a estratégia.

Dilma se incumbe do establishment, que rejeita Lula. No plano midiático, blogosfera para ela é como a Telebrás – serve apenas para ajudar a regular a mídia. O mesmo ocorre com movimentos sociais e sindicatos.

Já Lula garante os movimentos populares, o sindicalismo, a blogosfera e a ala esquerda. E estende sua sombra sobre os adversários. Se endurecerem muito com Dilma, entra na briga. Se Dilma não se sair bem no governo, ele volta.

Perto dessa estratégia, a oposição só tem perna de pau: um guru que ensarilhou as armas – FHC -, um político esperto mas sem ideias – Aécio Neves – e um desatinado – José Serra.

Cumprir-se-á o vaticínio do sábio José Sarney, de que a nova oposição sairá das entranhas do governo.

Linhas programáticas

Em relação à continuidade, é importante não confundir algumas linhas de ação que permanecem as mesmas desde o governo Lula – mas que têm dado margem a confusões..

A primeira, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Criou-se a ideia de que, com Lula, a Telebrás assumiria todo o trabalho de levar a banda larga até a última milha (a casa do ccidadão). Nunca foi essa a ideia. A Telebrás foi ressuscitada com o objetivo de levar linhas de transmissão ligando cidades, atendendo provedores independentes, fortalecendo as linhas de transmissão, mas sem a pretensão de atuar no varejo. A possibilidade de atuar no varejo foi acenada apenas para demover as resistências das operadoras em aderir ao plano.

Não significa que seja um bom plano. 300 mb de tráfego por mês a 35 reais é brincadeira. Tem que se aprimorar a negociação. Mas a estratégia de amarrar as teles a compromissos de universalização é correta.

O segundo ponto é a chamada "lei dos meios". Criou-se a ideia de que o projeto de Franklin Martins imporia limites aos abusos da mídia. A radicalização de Franklin foi muito mais no discurso do que propriamente nas propostas. A não ser a questão limitada da propriedade cruzada, o projeto era muito mais uma defesa dos grupos nacionais contra as grandes corporações internacionais e as teles.

A cegueira da velha mídia a impediu de entender a lógica do plano. 

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Comentários

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      O tempo passa de forma constante, a impressão que temos de tempo é que varia comforme as facilidades e dificuldades. Dilma e Lula vem de sequência lógica de pensamento e de continuidade de posição firmada em estrutura sólida na linha de atuação governamental. Desta forma podemos afirmar que o navio segue firme enfrentando calmarias e tempestades na administração das diretrizes de comando do Paìs. Lula estruturou uma equipe competente e colocou o Brasil em condições de governabilidade para Dilma que segue como o Nassif falou priorizando o controle da inflação e atuando no social e ações do PAC. A impressão é que estamos preparados para enfrentar as dificuldades que poderão vir , mas prefiro aguardar a variante tempo para avaliar melhor o governo atual, até o momento vai bem com uma pequena ressalva. Excesso de impostos.

 

O tempo constante nos dira se a percepção variável nos dara uma boa ou má impressão do governo Dilma.

 

 

      O tempo passa de forma constante, a impressão que temos de tempo é que varia comforme as facilidades e dificuldades. Dilma e Lula vem de sequência lógica de pensamento e de continuidade de posição firmada em estrutura sólida na linha de atuação governamental. Desta forma podemos afirmar que o navio segue firme enfrentando calmarias e tempestades na administração das diretrizes de comando do Paìs. Lula estruturou uma equipe competente e colocou o Brasil em condições de governabilidade para Dilma que segue como o Nassif falou priorizando o controle da inflação e atuando no social e ações do PAC. A impressão é que estamos preparados para enfrentar as dificuldades que poderão vir , mas prefiro aguardar a variante tempo para avaliar melhor o governo atual, até o momento vai bem com uma pequena ressalva. Excesso de impostos.

O tempo constante nos dira se a percepção variável nos dara uma boa ou má impressão do governo Dilma.

 

É tão simples a estratégia.Havendo o risco-Dilma em 2014,Lula sai como seu Vice,e estabiliza êste risco.Em 2018:Lula-Dilma mantêm a hegemonia até Serra-Aécio CANSAREM.Bye,bye Aécio 2014,bye,bye PIGDEMOTUCANÓIDES.

 

Será que estão dando corda, Nassif????

 

O que a oposição e o PIG temem? 8 anos de Dilma e mais 8 anos de Lula!

 

"As críticas contra as políticas sociais foram devidamente enterradas pelos fatos."

Acho que Lula foi o primeiro a aprender com isto. Basta procurar no you tube ele dizendo que bolsa é esmola, e depois reconhecendo que o Bolsa Família foi idéia do Perillo. Quanto ao resto, acho surpreendente que se pense que há alguma estratégia. Acho que é tudo no gógó.

 

Infelizmente não estou otimista, o governo perdeu a chance de fazer mudanças importantes (juros cambio, comunicação, banda larga...)

Dilma não definiu a pauta, nenhum grande projeto (acabar com a pobreza é legal, mas não gerou discussão nem mobilização da sociedade) de agora em diante será a politica miúda, o escandalo nosso de cada semana gerando um desgaste acumulativo, as chantagens da base aliada aumentarão e em breve Valdemar Costa Neto será o novo herói do PIG tal qual Roberto Jeferson.

Enquanto isso, la fora: protecionismo e crise com americanos, europeus e chineses querendo invadir (ainda mais) nosso mercado interno.

A copa do mundo e as olimpiadas serão fonte constante de desgastes e denuncias, mas mais importante serão uma distração fatal num momento complicado.

Dilma acabou com a pouca ousadia de Lula na politica externa.

A decepção venceu a esperança.

 

Gostei bastante da análise: duas considerações em forma de pergunta!

Foi propositada a escolha por não fazer juízo de valor?

Dá pra dizer, a partir desse cardápio de ações, que temos aí um "lulismo"? Isso é, sem provocação, um modo próprio de ação política empreendido por Lula e seguido por Dilma?

Uma sugestão: seria interessante desenvolver melhor a ideia de que a oposição sairá da própria base aliada (Kassab? PMDB se assanhando?)

 

Como perguntava o Garrincha ao Feola: "Já combinaram com os russos?"

 

Perfeito! Onde assina em baixo? Lembrando ainda que existe a questão de gênero! Dilma no jantar com o Moreno falar de novela e mais prá frente dizer que a faxina no governo vai até onde for preciso, foi o máximo! É mulher sim, mas a governante.

 

Oi Nassif

Oi pessoal

Está interesante o texto ... ainda que como disseram alguns comentaristas quem sabe necesitamos um pouquinho mais de tempo para fazer afirmacoes...

Todavía voce disse:

  1. Na política econômica, a prioridade absoluta é o controle da inflação. Câmbio, desindustrialização, juros, é resto. E resto é resto. Embora Dilma tenha formação desenvolvimentista, a realpolitik se sobrepôs às demais prioridades. Se a crise internacional piorar, pode criar vulnerabilidades nessa parte da estratégia.

Bem todos nos sabemos de onde  a Dilma vem - de uma corrente teorica desenvolvimentista... e sejamos sinceros ... a Dilma é um mulher de pulso firme... alguns momentos até intrasigente... y nao necesita bastidores para sentir esto. Entao está afirmaçao me pareceu um poco superficial.

Ainda que sabemos que Dilma "bebeu no cálice do Lula" y nao pede para afastarlo tao facilmente. Na trajetoria do Lula dos coisas me chamaram a atençao do pensamento dele ... as referencias a decada de 80 e as consequencias da inflaçao sobre ela, inflaçao que ele realmente entende que nao se deve brincar com fogo y sacrifica qualquer coisa por esto - esta provado com o mandato dele... a outra sao as reservas cambiais ... até hoje eu me recordo da admiraçao dele com as reservas da China y a perspicaz observaçao que esto era importante ... o que de fato ele fez acontecer no Brasil...

Entao falo todo esto para chamar a atençao do texto do competente Kennedy Alencar depois da conversa com Dilma:

"Ao falar do real valorizado, soou sensato Dilma dizer: "Você acha que a gente pode fazer alguma coisa se a gente não sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se já criou uma rede de proteção?".

"No cenário pessimista, parece melhor contar com um real mais forte, que possa perder valor de um jeito menos prejudicial à nossa economia. Resumindo: vai empurrando com a barriga o problema cambial por falta de meios e condições políticas para resolvê-lo sem guinada na economia. "

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/kennedyalencar/948908-dilma-desenha-seu-mandato.shtml

Para voce que fala sempre de cambio... seria un debate interesante de se profundizar;

Abraços

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nassif,

Acho que sua análise está incompleta. E a reforma política, anunciada como uma bandeira a ser levada aos quatro cantos do Brasil pelo Lula? Acho que aí também há complementariedade na atuação de ambos. Vejo que esta pauleira toda no caso Paloci e do PR é uma pressão forte sobre o sistema político que em algum momento terá que ter uma solução... para frente.

 

Não consigo entender o pensamento de vocês !!!, pois falam em sintonia entre Lula e Dilma!!?? O Lula manda recado para Dilma cuidar e não demitir o pessoal aliado em um dia!!, no dia seguinte quando Dilma demiti a Turma, o Lula volta atrás e fala que tem demitir mesmo!!!

Sintonia!?!?!?!?

Creio que Dilma veio para acabar com a sujeira que o LULA iniciou desde o tempo do mensalão!!

Viva a Faxineira Dilma

 

Boa analise, Nassif, apesar de não estar de acordo com a sua ultima frase. Antes eu achava que era cegueira e/ou ideologia da imprensa, ja faz muito que acho que é desonestidade, ma vontade e/ou manipulação o que ela pratica em relação ao Lula e ao PT. Mais um adendo: gosto quando vejo texto de sua autoria analisando situações e momentos aqui no Blog. Sempre perspicazes.

 

 

Quanto a Lula e Dilma é em relação aos gastos e vai dar reeleição para Dilma

 

Infelizmente, vejo-me na desagradável situação de concordar com a análise do Nassif - e ter de dizer que a estratégia aí descrita é desastrosa.

Qualificar o gov LulaDilma como social-democrata não o imuniza contra o neoliberalismo, pelo contrário: reforça essa associação. A social-democracia é, hoje, sócia majoritária do projeto neoliberal. Se os social-democratas individualmente não concordam com isto, lamento, atualizem-se. Ou assumam a contradição e aceitem a sua exposição.

Por outro lado, é doloroso constatar que o "grande projeto de País" que se cozinhou nas cabeças dessa gente que empolgou o poder se resume a dois grandes eixos: (1) administrar a integração subsidiária ao centro capitalista mundial como fornecedor de matérias-primas - regredindo um século em sua História econômica - e (2) estruturar um misto de entreposto/administração regional para a América do Sul/Costa Oeste africana (a isto, ao fim e ao cabo, se resume o tão propalado "imperialismo brasileiro": administrar os interesses do capitalismo numa região em que os países centrais não desejam ou não podem atuar diretamente). Tudo isso temperado pela visão lucianocoutinhesca de repetir como farsa a estratégia sul-coreana de desenvolvimento nacional através da promoção de "campeões" empresariais.

Falar em "prioridade absoluta ao combate à inflação", neste contexto, é tomar o acidental pelo essencial. O parasitismo financeiro impõe a emasculação do Estado como agente econômico, e o respeito incondicional a esta imposição se tornou uma precondição para a estabilidade política. Por outro lado, o "desenvolvimento social" limita-se às "soluções" propostas, tempos atrás, por gente como Milton Friedman(!), que considerava que a melhor forma de "inclusão social" era, justamente, dar dinheiro diretamente aos miseráveis - para que estes também tivessem acesso ao livre-mercado. Resta a constatação de que os melhores projetos que a "esquerda" social-democrata consegue pôr em prática, hoje em dia, foram pensados pela direita...

E só. O resto - parafraseando a chefia - é o resto. A política institucional, ela sim, chegou ao fim da história. O Brasil, sob o vintênio neoliberal Collor/FHC/Lula, chegou ao futuro, enfim. Infelizmente, l'avenir dure longtemps. Resta à esquerda - aquela que ainda tem no seu horizonte a emancipação social, bem entendido - (re) descobrir os caminhos para desfazer o feitiço do tempo.

 

 

Tenho muito orgulho de ter votado no LULA,  sou muito orgulhoso de ter votado na DILMA, eu morador da periferia de SP, vivencio no dia a dia o guanto o pais mudou, e para melhor,  andar de avião carro novo, para alguns, cotidiano, para muitos outros um sonho, que a gora é realidade, va em frente, querida DILMA estamos com você,  é LULA È DILMA È BRASIL.

 

Governo Dilma. O nicho paulista , metalúrgicos e bancários  , CUT , PT paulista perde espaço , Lula estava um pouco acima de grupos , Palloci e Luis Sergio deixam os cargos , a carga , ranço e as vezes ódio da velha mídia por este grupo e os erros internos levaram e esta nova imagem do poder.  

Dilma , Gleise , Ideli e Marta , primeira vice do Senado , marcante presença feminina , a República com seus primcipais cargos com as mulheres , avançadinha a sociedade brasileira. Mais importante é esta não ser a principal caracteristice sim um link , um elo não só entre elas mas tambem com um setor social recente mas que vem  crescendo em participação e consistência de cidadania. A nova enorme e com vários perfis sociais , classe média brasileira , a maior do país.

Prioridade com o caixa e a inflação , coloca as finanças no formato desejado e com isto ganha base para administrar , mantem o rumo , continuidade como proposto durante a campanha.

Administrou a economia , os investimentos públicos inpediram a recessão e a transição não só não causou danos como foram feitos os ajustes.

Plano Nacinal contra a Miséria , de Industrialização , Código Florestal , Regulamentação das Comunicações , a Telebras não ficou com o espaço desejado os investimentos retirados pela iniciativa privada não poderiam ser supridos , dexa assim, reformas política e tributária em andamento. Sete meses na Presidência depois de oito no Gabinete civil , Dilma Roussef , PT/ RS , vaí ser meio por ai....

 

FeLiPe Vargas Zillig

Concordo em parte contigo Nassif, mas, de PNBL e TELEBRÁS você pouco entende, se recicle!! Você está, assim, concordadndo com os piratas da OTANe compactuando com Carlos Slim!!!

Telebrás é questão de segurança nacional (Entrevista com Rogério Santanna)

Novo presidente da Telebrás defende a recriação da estatal como forma de estimular a concorrência na internet de banda larga e proteger informações sigilosas do governo

O objetivo do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) vai muito além de levar concorrência ao setor e baixar o preço dos pacotes de internet rápida. É também garantir a segurança de informações sigilosas do governo, como no monitoramento das reservas do pré-sal. O argumento é de Rogério Santanna, em entrevista exclusiva ao Correio na noite de terça-feira, poucos minutos depois de ter recebido a notícia de que assumiria a Presidência da Telebrás. No reforço da Marinha brasileira em função das riquezas nos campos de pré-sal, os submarinos vão precisar conversar com a Aeronáutica. Como é que eles vão se falar? Por satélites comerciais ou eles vão usar redes que nós controlamos? Não dá para ser ingênuo, ressaltou.

...No fundo, a questão é de segurança nacional

Por que o Plano Nacional de Banda Larga é tão criticado, sobretudo pelo setor privado?

Os fabricantes de equipamentos no Brasil...

Ninguém sonhou que a internet ia ter essa dimensão que tem, que a telefonia celular ia ocupar esse espaço...

...70 economias emergentes, temos a mais cara, disparado: US$ 28 de conta média. Na Índia, custa US$ 5. Na China, não chega a esse preço...

...Estudos mostram que, a cada 10% de aumento de penetração do acesso à internet, há 1,4% de aumento do PIB. Se nós queremos ser um país com inserção na sociedade do conhecimento, temos de mudar radicalmente a forma com que lidamos com a banda larga. Se ela for uma commoditty barata, as empresas brasileiras estarão na ponta da inovação...

Senão, o submarino nuclear que vai patrulhar as costas brasileiras não vai conseguir falar com um avião do último modelo que estamos comprando. Não sabemos qual vai ser a empresa vencedora, mas, com certeza, terá tecnologia de ponta. E como que esses caras falam? Falam por um satélite comercial, por exemplo?

No reforço da Marinha brasileira, em função das riquezas nos campos de pré-sal, os submarinos vão precisar conversar com a Aeronáutica. Como é que eles vão se falar? Por satélites comerciais ou eles vão usar redes que nós controlamos? Não dá para ser ingênuo ao ponto de o país não ter autonomia...

Na época da Brasil Telecom, vários e-mails de ministros foram interceptados pela empresa operadora interessada na questão. No governo Fernando Henrique, na contratação do Sivam-Sipam (programas de monitoramento da Amazônia), comunicações dos militares foram interceptadas por fornecedores interessados e acabaram interferindo em um acordo que ia ser feito com a França. Não é possível que a gente não tenha uma estrutura. É uma questão de segurança de Estado. Como é que vamos trabalhar com informação reservada, combatendo tráfego de drogas, com uma rede frágil, que pode ser escutada a qualquer momento?

A crítica mais recente à reativação da Telebrás é um possível conflito de interesse pelo uso de informações privilegiadas por funcionários da estatal que estão cedidos para a Anatel.

...o próprio Antonio Carlos Valente, atual presidente da empresa, saiu do conselho da Anatel, fez um estágio no Peru, ficou quatro meses de férias e foi trabalhar para a Telefonica, uma empresa regulada por ele como conselheiro... Nos Estados Unidos, a quarentena de um conselheiro é de cinco anos para falar do assunto. Do 5º ano ao 10º, ele pode dar aula, mas não trabalhar numa empresa. Aqui, são quatro meses...

...quem não gostou foram os que estavam em uma situação de monopólio na maior parte das cidades onde atuam. É estranho que se chame de mercado aquilo que é monopólio...

http://insight-laboratoriodeideias.blogspot.com/2010/05/telebras-e-questao-de-seguranca.html

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JOBIM E AS FRONTEIRAS

Por Laerte Braga

A presidente Dilma Rousseff mostra claro repúdio à corrupção no Ministério dos Transportes. A reação dos dirigentes do PR (na verdade PP – PARTIDO DOS PASTORES) ameaçando retaliações na base aliada dá o tamanho das dificuldades de qualquer governo que se pretenda do centro para a esquerda (mas só do que se pretenda) em se tratando de Poder Legislativo. A “necessidade” de coalizações com bandidos do PR... ...e do PMDB.

Se Dilma mostra força contra a corrupção o mesmo tipo de atitude não existe em relação ao ministro e um dos “donos” do governo, NELSON JOBIM. O ministro da Defesa (LIGADO ao Departamento de Estado dos EUA, FUNCIONÁRIO de potência estrangeira) quer um ESTUDO sobre as FRONTEIRAS do Brasil com a Colômbia, a Bolívia e o Paraguai para DAR INÍCIO a um processo de INSTALAÇÃO de BASE NORTE-AMERICANA em TERRITÓRIO BRASILEIRO, dentro do ESQUEMA do Plano Colômbia. Ou seja, o Brasil OCUPADO pelos NORTE-AMERICANOS, o mingau COMIDO pelas BEIRADAS.


JOBIM manda ESTUDAR as FRONTEIRAS com três países, opta por “combater o tráfico de drogas” numa área de 30 quilômetros COMUM a AÇÃO militares BRASILEIROS e COLOMBIANOS – o alvo PRINCIPAL é a guerrilha – a dança de dois prá lá, dois prá cá, em BREVE militares dos EUA “combatendo” o tráfico em todos os cantos do País.

Há um CONSENTIMENTO e uma CUMPLICIDADE complicada das FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS, ainda COLONIZADAS e DOMINADAS pelos NORTE-AMERICANOS a partir de sua CÚPULA.

O governo Dilma Rousseff opta pelo pragmatismo, mesmo porque a corrupção no Ministério dos Transportes é, como a corrupção em si, conseqüência do modelo econômico, do capitalismo.

Ouço e leio sobre corruptos, mas NÃO OUÇO e LEIO sobre os CORRUPTORES, no caso, EMPRESAS, EMPREITEIRAS, todas elas com contratos polpudos com o governo. O que será feito?

O esquema TUCANO de REVER os contratos e TRAZER os custos para o mundo sem propinas e as empresas PERMANECEM, ou seja, o câncer FICA por lá, no cerne do organismo? Muda de lugar?

O PMDB tomou CONTA de DILMA, pior, o PMDB tucano.

JOBIM e o vice-presidente MICHEL TEMER foram ministros de FHC. Têm claro COMPROMETIMENTO, principalmente JOBIM, com potência estrangeira, DEFENDEM interesses alheios aos interesses NACIONAIS, mas...

Brigar com o PR é uma coisa, RENDE dividendo num GOVERNO FRACO e SEM COMANDO (a presidente é tutelada por TANTA gente que vai acabar ZONZA), o que NÃO significa que corruptos NÃO precisem e NÃO devam ser afastados – se for por isso, JOBIM também é corrupto –, outra coisa é brigar com a QUADRILHA TUCANA que se ABRIGA DENTRO do PMDB. Aí, FALTA a CORAGEM de enfrentar os GRANDES bandidos. Fica nos PEQUENOS.

O tal pragmatismo da presidente (tecnocracia de viseira absoluta) NÃO passa de ENTREGUISMO e vai CONTINUAR a ser assim ENQUANTO figuras como JOBIM, MOREIRA FRANCO e OUTROS corruptos continuarem a DITAR ordens. Tipo: sentido, ordinário, marche.

O PT??? Existe ainda como partido de esquerda??? Que esquerda??? Desde quando peleguismo virou esquerda??? EXCETO os que TEIMAM em sobreviver e perseguir a história do partido. São muitos na base e militantes antigos, o RESTO se ABRIGA e aninha ATRÁS de mesas com telefone, secretária, clips, carimbo e placa de autoridade em qualquer coisa, tudo no LARGO espectro do Estado. CHAPA BRANCA da cúpula de “consultores”. Marcha em direção a CAIR de joelhos diante de INTERESSES MILITARES e POLÍTICOS de NORTE-AMERICANOS. Já PLANEJAM a entrega da PETROBRAS para mais a frente.

A manobra de um político com experiência em TRAIR seu país, em ACEITAR trabalhar para potência estrangeira, vender mesmo é TÍPICO dele desde quando se declarou “líder do governo no STF – era pré Gilmar Mendes – no processo de PRIVATIZAÇÃO, entre eles o da VALE com largo destaque.

JOBIM é um TUMOR cuja ÚNICA alternativa ao GOVERNO DILMA é CORTAR. CASO CONTRÁRIO se ESPALHA por TODO o organismo governamental e ISSO ESTÁ ACONTECENDO.

O governo colombiano, sistematicamente, desde antanhos, é condenado por organizações internacionais de direitos humanos por crimes hediondos, contra a humanidade e por ligações com o tráfico de drogas. Os VERDADEIROS chefes dos cartéis de drogas NÃO estão instalados nas favelas (onde a maioria esmagadora das pessoas é decente e NÃO tem PERCERIA com o governador SÉRGIO CABRAL, outro PILANTRA do PMDB, nem com o escritório DE SUA EX para LEGALIZAR casas padrão Luciano Huck - ILEGAIS), nem passando com vídeos amadores nas barbas da Polícia Federal, do Exército, dos fiscais da Receita na fronteira com o Paraguai, na ponte da Amizade. ESTÃO no GOVERNO COLOMBIANO, ATÉ o Agencia de Combate ao Tráfico dos EUA (DEA) já DENUNCIOU esse fato, MAS preferiram ignorá-lo, TRANSFORMAR a VERDADE em BIOMBO, o trafico de drogas, para a OCUPAÇÃO MILITAR de países da América do Sul pelos NORTE-AMERICANOS. CONTROLE do petróleo, da água e do nióbio entre outros minerais.

E não foi por outra razão que JOBIM disse no aniversário de FHC que estavam cercados de “idiotas”. À época se cobrou do ministro uma explicação sobre o SENTIDO que queria emprestar à palavra. É bem POSSÍVEL que na lista de tais esteja a PRESIDENTE. Ou então CEGUEIRA ABSOLUTA. NÃO ENXERGA UM PALMO ADIANTE DO NARIZ.

O tal ESTUDO que JOBIM encomendou se PRESTA à ENTREGA de TERRITÓRIO BRASILEIRO a MILITARES NORTE-AMERICANOS com esse PRETEXTO, o COMBATE ao TRÁFICO de drogas. E o fez ao ITAMARATY de onde Dilma AFASTOU – do comando – tanto o chancelerCELSO AMORIM, como o ministro e embaixador SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES.

Documentos revelados pelo Wikileaks mostram JOBIM de joelhos diante do EMBAIXADOR dos EUA dizendo que tanto AMORIM, como SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES eram anti-norte-americanos e, logo, “obstáculos” à recolonização do Brasil. Agora a sede é em Washington, não mais em Lisboa.

BRIGAR com bandidos de BAIXO coturno do PR é uma coisa. BRIGAR com bandidos de ALTO coturno do PMDB/tucano é OUTRA coisa. E aí está FALTANDO presidente, SOBRANDO fracasso e FALTA de rumo. Vem aí MUDANÇA na grade curricular. Sai o português, ou vira facultativo, ENTRA a nova língua mater, o INGLÊS. JOBIM dá a aula inaugural com ampla cobertura da GLOBO.

Anthony Patriot e Moreira Franco ficam na primeira fila batendo palmas.

É sopa de pedra ao qual acrescentam o latifúndio, indispensável a esse processo de entrega.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/07/jobim-e-as-fronteiras.html

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Eu estou exagerando??? Leia, então, mais...

22/07/2011: Enquanto Exército Lança Foguetes Jobim Lança Temer para o MD?

A seqüência de exercícios de adestramento do 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes (6º GLMF) no mês de julho no Campo de Formosa (GO), próximo à Brasília tem atraído uma incomum atenção da imprensa.

Primeiro foi no dia 7 de Julho quando o Comando Militar do Planalto convidou a imprensa para verificar parte do adestramento e ver as novas centrais de comando digitais que estão sendo fornecidas pelo fabricante a AVIBRAS Aeroespacial. Na oportunidade esteve o presidente da empresa Sr.Sami Hassuani.

A publicidade também foi um exercício de Diplomacia Militar para contrapor o grande desfile político-militar do Governo Bolivariano da Venezuela, que ocorreu dois  dias antes em Caracas.

Na oportunidade as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) apresentaram pela primeira vez equipamentos militares recém recebidos da Rússia. A maior estrela foi o carro de combate T-72B1-M. As remessas de equipamentos militares ocorrerão até 2014, e está prevista a chegada do sistema de foguetes SMERSH 300 (raio), similar ao ASTROS II, em alcance e capacidade.

O adestramento do dia 21 de julho, que teve uma atração em particular. Para surpresa dos militares presentes e imprensa o Ministro da Defesa Nelson Jobim trouxe como convidado o Vice-Presidente Michel Temer.

O 6º GLMF envolvido na faina do disparo das munições do ASTROS II, oficialmente próximas de vencer  a validade do propelente sólido que cerca de 10 anos, o Ministro da Defesa lançava o VP Temer ao Ministério da Defesa.

Publicamente o discurso foi de apresentar o VP Temer ao sistema ASTROS II e obter o seu apoio ao Projeto ASTROS 2020. Programa anunciado no ano passado que inclui novos veículos e em especial novas munições com guia terminal. O Brasil tem recebido cada vez mais pressões para abandonar o emprego das munições cluster (cacho), categoria em que são incluídas as atuais munições de saturação de área tipo das empregadas pelo ASTROS II.

Não é desconhecido que Jobim e a “Troika” dos comandantes militares (Brig. Saito, Alm. Moura Neto e Gen. Enzo), agora acrescido do Gen. De Nardi (Chefe do Estado Maior), têm um compromisso recíproco com a Presidente(a) de permanecerem ao menos por um período indefinido no início da Administração Dilma Rousseff.

A solução de compromisso atendia a várias necessidades entre elas a continuidades de muitos programas em curso em cada Força Militar.

A duração desse compromisso é desconhecido. Em especial também a escolha do nome de quem assumirá o comando do Ministério da Defesa. Vários nomes têm sido cogitados: José Genoíno, Aloísio Mercadante e Embaixador Bustani. Porém o que vem aos poucos crescendo é o do VP Michel Temer.

O VP Temer esteve em Moscou representando o Brasil na V Reunião da Comissão Russo-Brasileira de Alto Nível de Cooperação (17 maio 2011) onde teve encontros com o Putin. Mais recentemente foi encarregado pela Presidente(a) Dilma Rousseff para assumir o Plano Estratégico de Fronteiras coordenando as ações dos Comandos Militares e Polícia Federal e forças dos estados.

Assim aos poucos surge um candidato com currículo na área que está sendo construído rapidamente. Agora impulsionado pelo Ministro Nelson Jobim. Esperemos que o lançamento do Ministro Jobim seja tão preciso e de tanto alcance quanto os do ASTROS II.

http://www.defesanet.com.br/defesa/noticia/2028/Enquanto-Exercito-Lanca-Foguetes--Jobim-Lanca-Temer-para-o-MD-

 

 

Acho que poderiam ser acrescentadas as diferenças de contexto e de agenda, que decorre dele. O ponto mais marcante de Lula é a inclusão social com crescimento e Dilma marca na infraestrutura. Diferenças contextuais coerentes com o estilo e a origem de cada um.

 

Ginah

Eu mesmo, como muitos que apoiam Dilma, costumamos ser acometidos por uma onda de ciúmes, em especial quando a presidenta toma alguma decisão que parece ter como objetivo dar satisfações ao PIG o que, agora sei, não é verdade.

Ao ler o artigo "Com que roupa?", do cientista político Fabiano Santos, o blogueiro Miguel do Rosário deu-me uma resposta que me deixou tranquilo, que Dilma siga seu caminho.

Ah, meu comentário que gerou a resposta do Miguel: O meu temor é que a população passe a ver o PIG como o partido que manda neste Pais, se isso ocorrer Dilma será vista como uma presidenta fraca, que não enfrenta o PIG, pelo contrário, é pautada por ele que, é claro, não é nada mais nada menos que porta-voz oficial da "incorruptível" UDN.  Grato, Spin.

"Spin, isso não rola. Quem manda é a presidenta. O povo também sabe que a imprensa é poderosa, mas também que a decisão final é do presidente. A Dilma não pode agir pensando em agradar ou desagradar a imprensa, mas sim em relação ao que ela acha correto diante das circunstâncias, inclusive políticas." (Miguel do Rosário).

http://oleododiabo.blogspot.com/2011/07/com-que-roupa.html

 

A estratégia do Lula e Dilma de priorizar o emprego (ai entra o crescimento) e o combate a inflação (aí entra o juros) é pragmática, correta e de fácil comunicação com a opinião da maioria dos brasileiros. Isto no curto e médio prazo. Agora, como projeto de poder duradouro tem que equacionar o câmbio e reduzir o custo da produção (juros e tributos). No entanto, acho que a Dilma tá dando importância excessiva a perfumaria (os temas da mídia oligopólia). Espero que seja estratégia momentânea enquanto matura suas políticas públicas (resultados econômicos, relações exteroires, investimentos nas defesas estratégicas e infraestruturas).

 

LULA é um mito mundial, sendo visionário achou DILMA a grande reformadora e administradora que esse país jamais vislumbrou, e dá-lhe LULA e DILMA.

 

Alguns comentaristas tomaram a análise de Nassif como o manual estratégico da dupla Dilma/Lula. Não é, o que torna descabidas as previsões catastrofistas. Nassif costuma definir claramente o objeto de seus textos, o que foi feito no post ao sublinhar o combate à inflação e a divisão de trabalho entre Lula e Dilma. A deterioração da economia dos EUA e da Europa, frutos da aplicação das receitas recessivas neoliberais, terá poder corrosivo muito maior sobre os formuladores da doutrina do que tudo que foi dito até agora contra ela. Se a tentativa de destruir as classes médias do chamado mundo desenvolvido seguir em frente, Dilma terá os motivos concretos que precisa para tomar medidas drásticas que impeçam o aprofundamento da crise no Brasil, tal como feito por Lula em 2008. Caso os EUA e os países europeus consigam sair da armadilha que voltou-se contra êles, instrumentos de política de Estado sequestrados pelos financistas - aqui e lá fora - poderão ser recuperados. Aí, o problema será somente nosso, e todo mundo sabe quais as medidas a serem tomadas.

 

Conta a lenda(?) que nas tratativas entre os "Três Grandes" - EUA, Inglaterra e URSS, envolvendo a geopolítica do continente europeu  para o pós-guerra, Stálin, instado sobre a questão da Itália, e mais especificamente do vaticano, num rompante de realismo político beirando ao cinismo teria soltado a famosa frase: "Quantas divisões tem o Papa?"

Tomando de empréstimo a indagação cruel do soba soviético: quantas divisões tem a grande imprensa? Desdobrando ainda mais: REALMENTE a hoje chamada velha mídia todo esse Poder a ela imputado? Possui REALMENTE a capacidade de derrubar governos, ou fragilizá-los até que cheguem ao colapso? 

Verifica-se de uns certos tempos para cá que o embate político/partidário não inclui só a esfera institucional, ou seja, os partidos políticos enquanto agregadores de ideais comuns. Pouco a pouco achegou-se para o centro da arena uma parte  da grande mídia, deslocando assim os atores principais para a periferia. Destaque-se,a propósito, que esse novo  papel foi aberta e descaradamente assumido por ela até com orgulho.

Se motivos há de preocupação por esse novo viés assumido pela mídia não será por causa do seu poder místico de golpear governos legitimamente eleitos. Muito mais perigosa e letal é a face ideológica do processo enquanto legitimador de uma sistema de crenças e forma de Poder. Isso, sim, merece reflexão mais madura e menos  paranóica. 

Fica bem claro que os objetivos últimos dessa intervenção não se resume apenas a fazer oposição política ao governo, função já por si usurpadora, mas produzir uma convulsão nos valores ideológicos. Nesse sentido, tucanos, demos, Serra, FHC, são meros adjutórios,e, paradoxalmente, a própria esquerda pode, aliás é, cooptada e instrumentalizada nesse mister. O new love com a presidenta Dilma se inclui nesse último caso. 

 

 

Essa sua analise tem furos importantes, Nassif!

 

COMO então explicar a gestão desastrosa (E TOTALMENTE CONTRÁRIA a gestão anterior, do Juca) do atual Minc da Ana de Hollanda ? Em que conquistas da gestão anterior foram depostas ? A revisão da Lei de direito autoral anterior e a Ana totalmente voltada e controlada pelo ECAD ? TOTALMENTE disconforme com a política anterior desta gestão! TOTALMENTE díspare á tal "continuidade e conquistas" do governo Lula!

 

Assim, não descreio em sua análise, mas ela tem furos, o Minc é um deles. A não ser que as 2 gestões anteriores do Lula foi um EMBUSTE e na "hora H" Lula retroagiu para não desgastar suas relações com os EUA....

 

Sobre a nova oposição vir de dentro do PT (conforme vc diz que profetizou Sarney) isso concordo! BASTA ver que há pessoas insatisfeitos como Dilma coordena o novo Minc (que tem a importantíssima reforma da LDA na pauta - que interessa á sociedade, que inclusive fez-se uma "consulta pública" que, com a gestão da Ana se perdeu).

 

A pergunta é se realmente um país sem oposição, no sentido de se contrapor com argumentações, ideias, visões desenvolvimentos economico-social, é realmente salutar para esse mesmo país.

Dá-se a impressão de a inteligência política de Lula erradicou a oposição. Fez com que o grupo de politicos criassem a velha fórmula do "eu finjo que faço alguma coisa e você finje que acredita que realmene estamos fazendo alguma coisa" uma vez que seus (deles) desejos, alguns até pornográficos, sejam "satisfazidos".Convenhamos que a qualidade da distinta classe não é lá essas coisas.

Afinal, 20-30 milhões pagando impostos para uma massa de uns 2milhões, mudar o quê e pra quê?

 

Não vejo isso, Nassif. Se esta estratégia é para Lula voltar em 2014, está correta. Se for para Dilma permanecer, não sei não, pois ela não terá a militância. Então, se ela conseguir se reeleger será um feito inédito, pois será alguém saído do PT eleito seu o apoio da militância. Desculpe-me, ela só faz m.... no que diz respeito à base que a elegeu à qual ela desfaz progressivamente. O que eu mais quero é que chegue 2014 e ela volte para Porto Alegre para assistir suas adoráveis novelas. Ah, não esquece convidar os jornalistas para dar continuidade as conversas boçais. Vai ser interessante ver: Ana Maria, Gimenez, o idiota de ontem, o outro idiota chamado Ancelmo.

 

Nassif

As diferenças de estilo permitem mudanças importante. Afinal , política é um sistema dinâmico  e nestes sistemas, para determinadas condições uma pequena mudança nas condições iniciais, altera e muito o resultado.

Estas diferenças podem ser boas ou ruins. Lula certamente não teria demitido o pessoal dos transportes, pois era mais político. A Dilma corta sem dó nem piedade o que vai permitir uma limpeza no ministério.

Ela igualmente ouve menos. O lançamento do programa de 70 000 bolsas para o exterior (que inicialmente eram 100 000) foi feito sem consultar nenhuma agenda ou pedido de cientistas brasileiros. Saiu da cabeça dela. como forma de resolver a necessidade de crescimento científico e tecnológico brasileiro e para fazer média com o Obama. Afinal, as universidades são um grande negócio nos USA. Ter um monte de brasileiros estudando lá é dolar no bolso dos grigos e possibilidade de selecionar os melhores para ficarem lá. Lula não teria lançado um programa destes, pois teria ouvido a comunidade acadêmica.

Diferenças a parte, não dá para ficar bancando viúva de Lula. 

Afinal, país rico é país com ciência e tecnologia.

 

Nassif,

Esse "se a crise internacional piorar", da semelhança n. 3, não precisava nem do se.

Vai piorar. É o óbvio ululante que vai.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Atenção especial às afinidades 1 e 3:

  1. Ambos são sociais-democratas. Não se exija perfil revolucionário, nem mesmo estatizante, embora estejam longe de se constituir em neoliberais.
  2. ...
  3. Na política econômica, a prioridade absoluta é o controle da inflação. Câmbio, desindustrialização, juros, é resto. E resto é resto. Embora Dilma tenha formação desenvolvimentista, a realpolitik se sobrepôs às demais prioridades. Se a crise internacional piorar, pode criar vulnerabilidades nessa parte da estratégia

O primeiro problema a ser encarado é que a social-democracia está se desintegrando mundo afora e tem se mostrado notoriamente incapaz de alguma ação em momentos difíceis.

O Brasil teve uma grande vantagem de ter se encontrado numa situação fiscal favorável quando do surgimento da crise, o que permitiu uma boa dose de política fiscal. É bom não contar tanto com a sorte a longo prazo. Ela não costuma se repetir indefinidamente.

A terceira similitude entre Lula e Dilma se contradizem plenamente. Se na política econômica continuarmos a ser extremamente ortodoxos, com esta políticia notoriamente ainda da era noeliberal, não vai ter espaço para social-democracia.

Os gastos com juros e a inevitável inversão de direção dos ventos externos (de cauda para proa) vão impedir que se aumente os gastos sociais em breve.

Se o modelo neoliberal se esgotou não tem mais porque ficar perseguindo este modelo de livre fluxo de capitais, com juros altos e compra indiscriminada de reservas em dólares.

Pra variar estamos sempre atrasados em relação ao mundo. Continuamos aplicando ideologias mortas.

Nem os EUA, nem a Europa e nem a China (esta nunca) estão aplicando as antigas regras de livre-comércio.

Só nós continuamos ainda presos ao antigo modelo, permitindo a continuação da farra dos capitais especulativos em nosso território com grave redução da nossa competitividade.

Não é o que eu e acho que ninguém esperava deste novo governo, pois o antigo governo em peso não fazia mais que criticar e criticar o Meirelles e o BC e, pelo menos, demonstrava que estava se aproximando o momento da mudança do modelo.

O novo governo começou, a cabeça do Meirelles rolou, a Fazenda se alinhou com o BC, mas paradoxalmente nada mudou.

O odor do estelianato eleitoral está ficando cada vez mais forte.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

O odor do "estelionato eleitoral" começou com o corte de R$ 50 bi no Orçamento. As vítimas do estelionato foram deputados e prefeitos, que acreditaram na liberação dos recursos, votaram e trabalharam pela eleição da Dilma, e agora ficaram com o cheque sem fundos na mão.

O estelionato prosseguiu com a demissão do Palocci. Legitimo representante dos financiadores da campanha, sua queda significou um mico na mão desse eleitorado "diferenciado".

O terceiro estelionato foi o abandono do projeto de lei que regulamentaria o sistema de comunicação no Brasil, especialmente a questão da propriedade cruzada. A banda larga é pinto perto desse.

O próximo estelionato deve vir de alterações no Código Florestal, em gestação no Senado. Aí volta para a Câmara e sabe lá Deus quando sai novamente. Enquanto isso, os produtores brazucas continuam na insegurança jurídica atual, salvos, por enquanto, por um Decreto presidencial.

Não deveriam ficar de fora outros estelionatos, como as concessões dos aeroportos, o freio de arrumação nos investimentos da Petrobrás, e o aumento dos juros, que já eram os maiores do mundo sob Meirelles e continuam sob Tombini (foi difícil lembrar do nome do sujeito, o do Meirelles tava sempre na ponta da língua).

Fica aqui a sugestão ao Nassif, fazer um post sobre o que os nossos comentaristas entendem por estelionatos eleitorais praticados pela presidenta. Seria uma bela lista, hein?

 

  Assino embaixo, mais uma vez.

 
 

Nassif,

A Dilma considerou que os 512 kbps à R$ 35,00 pensados inicialmente era pouco e pediu 1 mb pelo mesmo preço, o plano então foi mudado.

Recentemente, o ministro Paulo Bernardo falou em R$ 7 bi até 2014, em que a Dilma falou que a Telebrás necessitaria investir cerca de R$ 1 bi por ano.

No entanto, nem mesmo R$ 1 bi foi liberado esse ano e até agora nenhuma cidade foi efetivamente conectada. Muitos acordos com elétricas e Teles já foi feito, mas ainda falta conectar às pessoas pela Telebrás de fato.

Acredito que o governo não está dando a devida atenção à Telebrás. A oportunidade é ótima, afinal, as fibras das subsidiárias da Eletrobrás estão ociosas. Acrescenta-se ainda o fato de a Telebrás ser uma empresa de capital aberto e os acionistas minoritários não tiverem também a devida atenção.

A Telebrás merece mais, principalmente em investimentos. Afinal, não existe estatal 'pequena', vide Eletrobrás e Petrobras.

 

O que me preocupa é a prioridade (a importância) que se dá ao combate da inflação como se ela fosse um bicho de 7 cabeças e só ela importasse e não significasse também mais distribuição de renda e amadurecimento de uma nação (produção, geração de riqueza, trabalho, mercado, educação, saúde, segurança) em ascensão. A infração ao contrário do que se pensa é muitas vezes fonte e reflexo de desenvolvimento: num primeiro momento pode assustar (aumento de procura/pouca oferta, óbvia num pais em desenvolvimento e que adquiri forças) mais, ao depois, reajustada (maior oferta/equilíbrio/procura), assentar-se e tranqüilizar. 

 

Isto ao meu ver e q incomoda a grande  midia, e também alguns blgs radicais q ñ o caso desse

Dilma se incumbe do establishment, que rejeita Lula. No plano midiático, blogosfera para ela é como a Telebrás – serve apenas para ajudar a regular a mídia. O mesmo ocorre com movimentos sociais e sindicatos.

Já Lula garante os movimentos populares, o sindicalismo, a blogosfera e a ala esquerda. E estende sua sombra sobre os adversários. Se endurecerem muito com Dilma, entra na briga. Se Dilma não se sair bem no governo, ele volta.

 

 

Mutatis mutandis, já que o País é muito diferente, trata-se de reedição da consagrada estratégia Varguista dos dois partidos governistas. 

Lula, sindicalista e popular, domina o PTB: joga para o povão, mantém sob sua asa a esquerda bem comportada e administra a pelegada com competência. Desenvolvimentista, sofisticada e mineira, Dilma tenta emplacar no papel de PSD, tanto que resolveu até mandar pra casa a raposa felpuda de Ribeirão, encarregada desse papel durante os dois mandatos do barbudo.

Michel Temer e Sarney capitaneiam sua federação de PSPs estaduais: como de praxe, leais ao governo até que chegue a hora conveniente da traição. Têm como inspiração, o mote Ademarista: rouba mas faz!

Quanto aos tucanos, não há dúvida de que lhes caiu à perfeição o papel de UDN.

Procura-se um maluco que tente reencarnar Jânio Quadros em 2014. O coiso oferece-se insistentemente para o papel, mas a cúpula da UDN hesita em aceitar.

Esperamos ardentemente não se repita nem como farsa.

Até porque o Nelson Jobim ainda não decidiu se está brincando de Assis Brasil ou de Castello Branco.

 

Re: Para entender a estratégia Lula-Dilma
 

André Borges Lopes www.bytestypes.com.br

Vocês conheceram a dupla Pelé e Coutinho? Não? Perderam. Não foi sem proposito o ataque do Lula ao PIG - que deixou melindrado o Ricardo Kotscho. Enquanto eles partiam para cima do Lula, a Dilma providenciava a faxina no Ministério dos Transportes.

 

Ótima análise.

Dois pontos, para confirmar que deve dar certo o prognóstico (salvo graves acidentes de percurso, claro!):

1. Lula escolheu Dilma, logo, não vai deixá-la na mão;

2. Dilma é extremamente leal a acordos firmados.

 

Eu só não subestimaria tanto o Aécio, q tem duas 'vantagens' sobre Serra. Minas e o PSB no saco. 

De resto é isso mesmo.

Alias Nassif, vc viu isso?

EX-PRESIDENTE DE FURNAS REGISTRA EM CARTÓRIO QUE GILBERTO KASSAB REPASSOU QUANTIA MILIONÁRIA PARA CAMPANHAS TUCANAS A PRESIDENTE E GOVERNADOR; TERIA FICADO COM R$ 100 MIL PARA A SUA

HTTP://WWW.BRASIL247.COM.BR/PT/247/PODER/9100/CAIXA-2-DE-FURNAS-R$-192-MI-A-ALCKMIN-E-SERRA-EM-2002.HTM

 

[respondeu rapidamente às denúncias consistentes. ] Factóide mudou de nome ou a Veja agora tem credibilidade?

 

Em política, o simples é fácil nunca deu certo. Veremos se aparece um caso inédito.

 

‘Grande problema da expansão da banda larga é o abandono definitivo do regime público’

Enviado por implacavel, sex, 15/07/2011 - 09:20

Autor: 

�s alguns meses de discussões nos altos escalões das telecomunicações, o governo federal anunciou no último dia 30 de junho como se dará seu Plano Nacional de Banda Larga. Com vistas a promover uma inédita inclusão digital dos brasileiros, aumentando a qualidade de conexão oferecida ao consumidor e atingindo 70% da população até 2015, o governo trouxe a público o acordo selado com as grandes teles do setor, que exercerão, dentro de suas leis de mercado, a expansão. Para analisar um dos mais estratégicos assuntos nacionais, o Correio da Cidadania entrevistou Marcos Dantas, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ. Sempre envolvido nos debates do setor, inclusive com acesso a membros do governo, Dantas acredita que o grande ponto falho no PNBL foi “o abandono definitivo do princípio de regime público”. Isso porque ele ressalta que, tal como foi concebido, o plano prevê apenas expansão, e não a universalização do acesso à internet rápida, exigência de movimentos e militantes da democratização das comunicações. Para explicar as razões de tal opção, ele lembra que na hora da negociação “o capital fala mais alto”, de modo que somente o governo e seus representantes podem explicar por que se abdicou do regime público para banda larga. Dessa forma, Dantas faz um paralelo com outras políticas sociais, concluindo que o plano nada mais é do que a repetição da filosofia de outros programas do governo, “na linha de políticas compensatórias”. Ao saber que o povo desconhece completamente as atuais possibilidades de progresso e seus direitos, afirma que o governo se aproveita para fazer concessões limitadas, suficientes, no entanto, para contentar o público – e no final das contas, o mercado.   A entrevista completa com Marcos Dantas pode ser lida a seguir.   Correio da Cidadania: O que pensa do acordo do governo federal com as teles para expansão da banda larga, anunciado na última semana, que visa levar o acesso a uma internet mais rápida a pelo menos 70% da população nos próximos 4 anos? Marcos Dantas: Acho que o governo perdeu uma boa oportunidade de remontar, reestruturar, uma política de comunicações a longo prazo, porque estava no meio de uma negociação contratual e, dessa forma, tinha um leque de possibilidades, sobretudo de colocar ou redefinir a natureza do regime público das telecomunicações. E não fez isso. Correio da Cidadania: E o que comentar a respeito do termo de compromisso assinado com as teles, que na verdade serve mais é para desobrigá-las de atender aos compromissos do plano, e o acordo fechado para o cumprimento do Plano Geral de Metas e Universalização (PGMU) III? Marcos Dantas: É aquilo... Qualquer coisa é melhor que nada. A política do governo é expandir o acesso à comunicação de alta velocidade no país, o que não se confunde com universalizar. Nesse sentido, o governo parte de um princípio de que hoje a grande maioria da população tem um acesso muito precário à alta velocidade, ou simplesmente tem acesso à internet em baixa velocidade. Portanto, passar de um patamar de baixa velocidade para um de alta, mesmo que limitada a 1 Mbps (megabit por segundo), já é um avanço. Esse é o argumento do governo. E penso que é um argumento que se confunde com a expansão do celular, ao qual toda a população tem acesso, mas é o famoso ‘pai de santo’, pois só atende chamada. O pessoal do movimento negro não gosta dessa expressão, porém, ela é absolutamente popular. Tem-se o celular, mas só se usa pela metade. E isso é melhor que nada. Entretanto, não deixa de ser uma forma de restrição, de apartação, uma maneira de aceitar as disparidades do país. E a rigor nada é feito contra isso, até porque seria preciso mudar o próprio conceito, passando as telecomunicações do regime privado para um conceito de regime público, com as obrigações de regime público nos termos da lei. Correio da Cidadania: Esse foi o único grande problema do acordo em sua opinião? Marcos Dantas: Sim, foi o grande problema. Correio da Cidadania: E por que o governo perdeu essa chance de estabelecer o regime público no acesso à banda larga? Marcos Dantas: Aí só perguntando para o governo... Correio da Cidadania: Como analisa o espaço oferecido à sociedade para participar dessas discussões, levando-se em conta os recentes movimentos de reivindicação por democratização das comunicações, entre outras coisas? Marcos Dantas: Vamos começar anotando que no atual governo Dilma está havendo mais diálogo com a sociedade. Temos que reconhecer isso, e sou testemunha. Coisa que não havia no governo Lula no Ministério das Comunicações (MiniCom). Nesse período, não houve nenhum diálogo com a sociedade não empresarial, somente com os empresários e ninguém mais. Já nos sete meses de governo Dilma já houve vários encontros em Brasília com representantes da classe não empresarial. O governo escutou mais de uma vez quais são as reivindicações e inclusive acena com a possibilidade de construção de uma mesa de diálogo na Secretaria Geral da Presidência da República. Esses são fatos positivos. No entanto, o concreto é que na hora da negociação objetiva fala mais alto o peso do capital. Isso, evidentemente, tem a ver com a realidade político-econômica brasileira, mesmo que não gostemos dela. Voltando ao exemplo do celular, ainda que o cara tenha o aparelho pela metade, ele fica satisfeito. O conjunto da população tem um nível político tão baixo que não percebe esses problemas todos. Fala “ótimo, consegui isso, melhor que nada”. O nível de carência é tal que o mínimo já é capaz de gerar uma grande satisfação. O cara tem uma internet de 56k e passa a ter 1 mega e acha fantástico! E quem está na política pragmática, direta, tendo que gerenciar todos esses aspectos, acaba achando que está promovendo uma grande realização. É mais uma política compensatória. Na mesma linha das políticas compensatórias postas em práticas nos últimos oito, nove anos. Eu diria que é uma solução absolutamente coerente com tudo que foi a política do governo nesses anos. Com um detalhe, nesse caso interessante: ao contrário de outras políticas compensatórias, nas quais os atores envolvidos, beneficiados, costumam bater palmas, nas comunicações está ocorrendo uma interessante unidade de todos os envolvidos – do ponto de vista da sociedade civil não empresarial – em torno do regime público. Como todos compraram o discurso da defesa, da manutenção, do fortalecimento do regime público, há uma unidade crítica ao governo, que não consegue o apoio a esse projeto em tal campo da sociedade, como tinha conseguido em outros projetos, como o Bolsa-família, o Prouni etc. Correio da Cidadania: A advogada Flávia Lefèvre, da Associação de Defesa do Consumidor, Proteste, considera o PGMU (Plano Geral de Metas e Universalização) III o símbolo do sepultamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Ao invés de diminuir as tarifas da telefonia e expandir os orelhões e infraestrutura na área rural, a resolução aprovada pelo Palácio abre brechas para utilizar recursos públicos no serviço privado da banda larga. Você concorda com essa afirmação? Marcos Dantas: Não. Não concordo com essa afirmação porque eu diria que esse plano, na verdade, é um aperfeiçoamento do Plano Nacional de Banda Larga conforme ele já estava sendo anteriormente formulado. Na minha avaliação inicial já tinha críticas à formulação original. Creio que a filosofia básica do plano, que como falei é de política compensatória, já estava na formulação original do governo Lula, e agora fica mantida. Na verdade, com aquela história de Telebrás o governo Lula colocou o bode na sala. E a Dilma tirou, fazendo as teles assumirem um conjunto de compromissos que num primeiro momento elas não estavam predispostas. Fizeram as teles se mexer, é preciso ressaltar isso. Num primeiro momento, elas estavam numa posição muito cômoda, e depois tiveram de fazer uma proposta de massificação – que não se confunde com universalização. Elas fizeram a proposta e o governo aceitou, argumentando que ele, governo, tem os instrumentos e a disposição para fiscalizar o cumprimento do compromisso. É isso que ficou posto. As teles assumiram o compromisso e o governo vai tomar as medidas necessárias para que se cumpra. E a verdade é que o plano era isso: botar o bode na sala e fazer as teles se mexerem. Desde o início, início mesmo, não podemos esquecer que havia um conflito dentro do governo entre duas posições: uma achava que a Telebrás deveria ser uma empresa reguladora de mercado; já a outra queria a Telebrás dentro do mercado, disputando-o. A segunda posição foi derrotada. A Telebrás ficou como espada de Dâmocles na cabeça das teles, mas quem executará os planos serão as teles. Portanto, não há nenhuma mudança de filosofia. Por isso discordo do discurso da Flavia e outros, um tanto quanto terrorista. Não vejo assim. Não houve mudança de filosofia, apenas um arredondamento da proposta, dentro da mesma filosofia. Eu já tinha tido a oportunidade de falar com Rogério Santana, o Cezar Alvarez, dizendo que via problemas na proposta, que continuo vendo agora. E o grande problema é: o abandono definitivo do princípio de regime público. Correio da Cidadania: Dessa forma, você discorda bastante do papel que ficou reservado a Telebrás? Marcos Dantas: A rigor, o mais importante seria manter o princípio do regime público. Eu não me sinto viúva da Telebrás. Correio da Cidadania: Mas ela não tinha condições de protagonizar essa expansão, até pelos seus milhares de quilômetros de cabos de fibra ótica? Marcos Dantas: Acho que não. Particularmente, penso que não. Tem setores que discordam de mim, mas pelo jeito que estão hoje as telecomunicações no Brasil e no mundo uma empresa estatal não tem condições competitivas, tal como está o mercado. Deixariam pra Telebrás o mesmo papel das escolas públicas do Brasil: o de atender a pobreza. E quando você tem um serviço só para atender a pobreza, atende pobremente, como a escola pública, a saúde pública, o transporte coletivo... Quem tem renda continuaria usando as redes privadas, e quem não tem usaria a rede meia-bomba. Como em todos os setores essenciais. É um fator muito perverso. Desde o início manifestei esse tipo de posição. A Telebrás inclusive não teria muita condição de obter receitas. Ninguém jamais mostrou qual era o plano de viabilidade da Telebrás. Apenas o Santana falava que tinha um plano e que em cinco anos ela estaria viável. Mas ninguém nunca viu esse plano, pois ele efetivamente dependia de receitas do governo sobre fatores em que nem sempre o governo tem total controle. O governo jamais teria controle se, por exemplo, a justiça, o STF, fosse usar a rede da Telebrás para suas comunicações. Ou a Petrobras. Não tem controle disso. Assim, só poderíamos ter uma solução realmente pobre para pobres. E continuará assim, é verdade... As duas únicas finalidades que poderiam existir na Telebrás – o que passaria por um projeto estratégico, sempre em falta – seriam: se tornar uma grande intranet do Estado, com a rede da Eletronet, com todas as comunicações relativas ao Estado numa rede fechada. Do ponto de vista da segurança do Estado brasileiro, isso seria excepcional. Ela poderia cumprir tal função. Não sei se tem alguém pensando nisso. Correio da Cidadania: Até porque falta compreensão do quão estratégico é o setor das telecomunicações para qualquer país e aparato de governo. Marcos Dantas: Exatamente. Assim, teríamos toda a comunicação do poder público, e-mails entre ministros etc., dentro de uma rede fechada do Estado brasileiro. Correio da Cidadania: Dificultaria a vida dos hackers, que tem conseguido invadir essas comunicações governamentais... Marcos Dantas: Isso mesmo. Dos hackers que a imprensa publica e dos outros também, que não ficamos sabendo, mas existem... Aqueles do império... Sabem tudo que se passa nas redes do governo. Esse seria um ponto. O outro ponto que a Telebrás poderia cumprir seria o de se pensar num projeto de expansão da banda larga parecido com o da Austrália. Tem-se uma infra-estrutura pública estatal para todo mundo. A infra-estrutura, a estrada de rodagem, a estrutura física seria uma só, do Estado, da melhor qualidade, em cima da qual rodariam todas as empresas privadas. Seria uma hipótese e seria preciso colocar todas as empresas privadas sobre essa estrutura, com iguais condições de qualidade para todo mundo. Mas aí se esbarra exatamente no projeto estratégico, pois se criaria outro projeto e mudaria a estrutura do setor. Por outro lado, colocar a Telebrás pra concorrer com empresa privada e concorrer nos grotões é algo em que não vejo lógica nenhuma. Correio da Cidadania: O modelo de inclusão digital que o Brasil adota é comum mundo afora, especialmente nos países que já atingiram um alto grau de universalização de internet rápida? Marcos Dantas: Não. Tem um problema que diferencia o Brasil: é um país de grande território e população. Tirando, mais ou menos, a região da Amazônia, que vem sendo povoada hoje em dia, todas as demais regiões são povoadas no mínimo de forma razoável. Isso não é o caso dos EUA, que é um país de grande território, população e renda. Não é o caso de Austrália e Canadá, com grandes territórios, mas população concentrada. E muito menos é como Finlândia, Coréia do Sul, casos sempre citados, que são países mínimos, onde puxando um cabo de um metro já se cobre o país inteiro. Tem opções interessantes na Finlândia, mas o país é pequeno, com população menor que a cidade de São Paulo. Assim é fácil. Dessa forma, deve-se encontrar para o Brasil soluções que contemplem nossas peculiaridades: a grande população, território, a disparidade de renda, tudo isso. Quando se fala em mercado no Brasil estamos falando de 400 municípios, que concentram 70% do PIB. Tais fatores têm de ser considerados. Uma solução estratégica para o Brasil, portanto, realmente passaria por uma reciclagem, uma nova etapa, do projeto de regime público. E teríamos o fim do STFC (Serviço de Telefonia Fixa Comutada), que vai acabar de morte morrida. Ano a ano diminui o número de telefones fixos no país. Isso acontece no mundo inteiro, não só no Brasil. Quando terminarem os contratos de concessão, lá pra 2025, é muito provável ou ao menos não será surpresa se já não existir telefone fixo e os contratos durarem mais que o próprio serviço. Isso não será surpresa. Portanto, era o momento de relançar, reconstruir e redefinir o regime público em cima da banda larga, mesmo que com as atuais concessionárias, ou ainda fazendo uma remodelagem geral e uma nova rodada de licitações. Poderíamos discutir, mas a filosofia tem de ser a reconstrução do regime público para a nova etapa das comunicações. Correio da Cidadania: Isso incluiria mais investimentos também no parque tecnológico do país? Marcos Dantas: Poderia incluir também, considerando que nessa nova etapa de expansão as empresas tivessem de investir em tecnologia própria, obrigatoriedade de comprar da indústria nacional... Realmente é outro detalhe a ser lembrado. E o governo perdeu a oportunidade de pensar estrategicamente. Já tive a oportunidade de dizer isso a autoridades do governo. É início de governo, a presidente tem um tremendo cacife político e também era um momento de renegociação de contratos, quando tudo fica muito aberto e se renegociava o PGMU. Era um bom momento para o governo chegar e dizer “vamos repactuar essa coisa”. Mas não quis fazer, por razões que só perguntando ao governo pra saber. Correio da Cidadania: Como analisa o atual papel da Anatel? Está faltando uma melhor separação de funções entre ela e o Ministério das Comunicações? Não caberia à Anatel somente fiscalizar o setor e reservar ao Ministério o papel de elaborar políticas públicas para a área? Marcos Dantas: Acho que não está faltando separar melhor as funções, mas é outro ponto importante. Pelo que tenho percebido, o Ministério das Comunicações está cumprindo seu papel de formulação política. Vamos dar esse crédito, pois é o caminho certo. Ele está cumprindo seu papel nesse sentido. Ao que me parece, a Anatel está um pouco à margem da discussão, ou no máximo subsidiando elementos da discussão. Mas quem tem feito a formulação é o MiniCom, tal como era de se esperar com a nomeação do Paulo Bernardo, que não é um quadro secundário, bem pelo contrário. Tal como se podia esperar com sua nomeação para o Ministério, ele está no comando do processo político. E a Anatel colocada no seu devido lugar. Correio da Cidadania: Falando em Paulo Bernardo, você considera um avanço sua entrada no Ministério em relação ao ocupante anterior da pasta, Helio Costa? Marcos Dantas: Sob o aspecto da importância que o Ministério das Comunicações passa a ter no governo Dilma, sem dúvida é positivo. Saber que no MiniCom está um dos principais quadros do governo Dilma é algo claramente positivo para o setor.de comunicações. Mas depende também de qual é o projeto do governo para o setor. E agora estamos começando a ver quais são os planos. De toda forma, sem dúvida alguma esse governo lhe deu uma dimensão que jamais foi dada no governo Lula. Correio da Cidadania: Isso aumentaria a margem de manobra do governo para promover alguns avanços em favor do consumidor futuramente? Marcos Dantas: Eu gostaria, porém, o problema é que depois de assinar contrato fica mais complicado. Por isso que o momento era agora. Mas agora essa margem diminuiu. Gabriel Brito é jornalista.

 

"Não existe testemunha tão terrível, nem acusador tão implacável quanto a consciência que mora no coração de cada homem." Políbio

O Rodrigo Vianna fez uma análise bem parecida com uns 2 ou 3 meses de governo Dilma...pelo visto a estratégia é esta! Inclusive porque o Lula já avisou que vai colocar novamente o time em campo...é só esperar.

 

Do ponto de vista da estratégia eleitoral adotados pela Dilma e pelo Lula o texto é coerente, mesmo sem acreditar na existência do planejamento dos atos que praticam um e a outra. Talvez meio que na intuição, na sensibilidade, mas sem uma estratégia definida com mais rigor.

Possui a forma consagrada dessas didáticas linhas de raciocínio que explicam conteúdos muito etéreis e por isso difíceis de manejar (não há quem arrisque fazer igual).

Mas sob um ponto de vista que vai além dos interesses de ambos, onde se leve em consideração - por exemplo - aspectos mais abrangentes da atuação do governo, ou então conteúdos relacionados a grandes interesses do Estado, é meio decepcionante. 

Enquanto as "linhas periféricas" abordam acontecimentos do presente e limitam diferenças entre governos com uma facilidade rara, as linhas programáticas se resumem a duas - banda larga e lei dos meios - e são muito pouco.

Parece um imenso funil que faz infra-estrutura, meio ambiente, saúde, educação e  segurança - prá ficar em apenas alguns - sumirem do contexto como num passe de mágica. Talvez não seja esse o objetivo do texto. Mesmo assim não deixam de ser temas que obviamente podem causar algum constrangimento político e abalar a "estratégia".

Fica a sensação do clima das eleições que jamais terminam e às quais tudo está subordinado. O importante é como se conquista e depois mantem. Não há muito espaço para grandes temas, grandes assuntos. E quando surgem são encaixotados em compartimentos ideológicos. Quando se escapa do Lula, cai na oposição versus governo, PSDB versus PT.

 

Falou pouco e disse tudo. Bela análise.

 

É engano dizer que Dilma não tem um grandioso instrumento para diferenciar o seu goerno de todos. Veja nesse exemplo abaixo. Quando eu comprei o meu apartamento nos tempos de FHC finaciado pela caixa, nem pintura tinha quando menos ar condicionado.

Esse é um residencial contruído pelo PAC da Dilma para favelados aos custo para o esse que não é nem um  décimo do meu, a prestação não é mais de R$ 100,00 e com tudo de bom, inclusive ar condicionado.

 

 

Famílias recebem unidades do “Minha Casa, Minha Vida” em Ananindeua

http://www.elcione.com/blog/?p=2331

 

É uma incógnita como andam as relações entre ambos. Não existe rompimento hoje, mas não se sabe até que ponto Lula apoia a iniciativa de enfrentar seus antigos aliados e futuros financiadores. É esperar. 

Também acho difícil que venham a romper. Outra coisa - e bem outra - é saber se Dilma está fazendo o jogo que interessa a Lula. A cada demissão no Ministério, a imagem de Lula fica um pouco arranhada. A pergunta - "por que ele não tirou essa gente de lá?" - fica pairando no ar, incômoda. Duvido que ele não preferisse ver Dilma deixando as coisas mais ou menos como estavam, tocando seu governo, fazendo uma belíssima Copa do Mundo e desistindo da reeleição na última hora. Se será assim, ou não, o futuro dirá. Por enquanto, as peças estão apenas sendo postas no tabuleiro.  

 

Passei batido pelos 47 posts sobre a tal Amy Adega e vim direto para algo que me interessa, a análise do Nassif sobre a conjuntura (ainda se usa esse termo?) política. Inteligente, lúcida, clara e cristalina como a luz do dia, impossível não concordar com ela. Mas eis que me deparo com ele, o sempre impávido na defesa das teses midiático-tucanas, o meu , o seu, o nosso, o previsível e acaciano Jotavê. Brilhante como um daniel dantas, decreta: as coisas estão assim hoje, mas poderão não estar assim amanhã. Quanta luz, quanta sabedoria, quanta filosofia numa singela frase.

Se eu tivesse 40 anos a menos e um saco de filó, sairia daqui correndo para ler sobre a moça de nome e cabelo esquisitos. Como não é o caso, vou tomar meus remedinhos para o motor e um cialis. Com sorte, a patroa estará de bem com a vida e eu dou umazinha.