Coluna Econômica
Disputa política x confronto, pombas x falcões. Este é o dilema da política brasileira para os próximos anos.
Há uma ebulição no cenário político, transformações profundas com a mudança de guarda nos dois principais partidos políticos pós-redemocratização – PT e PSDB -, a busca de protagonismo por agentes oportunistas – especialmente o STF (Supremo Tribunal Federal) e mídia, também ela submetida a grandes transformações.
Há dois cenários possíveis para o Brasil:
Cenário de normalização
Os partidos convergem para o centro, ampliando o leque das alianças partidárias, a exemplo das democracias europeias, e disputando quem entrega o melhor produto para o eleitor (qualidade de vida, desenvolvimento, gestão eficiente etc.). A disputa política se dá nas urnas.
Esse desenho comporta um partido social democrata um pouco à esquerda (PT), outro mais à direita, puxado por um presidenciável, partidos médios gravitando entre um e outro e pequenas agremiações ocupando a esquerda radical e a direita radical.
É o cenário provável para a democracia brasileira.
Cenário de crise
O cenário alternativo seria o de guerra, com grupos se digladiando em torno da guerra fria, do chavismo, do bolivarianismo, do imperialismo e de outros ismos que só servem como retórica política.
Não se trata de um jogo com poucos jogadores comportando-se de forma homogênea. Em cada ponta há uma disputa interna, na qual o cenário de normalidade ou de crise desempenha papel essencial na luta pela hegemonia partidária.
Se prevalece o clima de paz, determinados grupos assumem a liderança partidária. Em caso de confronto, outros grupos se fortalecem. Esses interesses internos acabam se refletindo no resultado final.
Para entender o jogo, é importante debruçar-se sobre a situação interna de cada agente do jogo.
Historicamente, o PT foi constituído por três agrupamentos dominantes: os sindicalistas de Lula, os movimentos sociais da Igreja e os aparelhistas de José Dirceu, basicamente localizados em São Paulo. E um conjunto de tendências menores, regionais ou agrupadas em torno de personalidades com luz própria, como Luiza Erundina, Marta Suplicy etc.
As duas estrelas máximas sempre foram Lula, representando classes sociais – os sindicalistas e as organizações sociais ligadas à Igreja -, e José Dirceu, com seus quadros “aparelhistas”.
Dirceu teve papel essencial na unificação a ferro-e-fogo das ações do PT, abrindo caminho para o poder, mas comprometendo os fatores legitimadores da ação partidária. Inclusive a vitalidade interna do partido.
Em Brasilia, havia embates surdos entre ele e Lula.
O “mensalão” foi o divisor de águas. Sem a competição de Dirceu, Lula passou a comandar mudança radical no PT, com a indicação de Dilma para presidente e de Fernando Haddad para prefeito de São Paulo, visando mudar a imagem do partido e esvaziar os “aparelhistas”.
Mas o comando do partido ficou nas mãos de Rui Falcão, da ala Dirceu, depois da tentativa infrutífera de tomada do partido por Tarso Genro.
Agora, tem-se a disputa interna com vários embricamentos.
Pombas – Lula e Dilma. Ganham com o Cenário de Normalização.
Sem se imiscuir diretamente no PT, Lula aposta no fortalecimento da linha de institucionalização do partido. Dilma Rousseff segue fielmente a estratégia lulista, ao se afastar dos “mensaleiros” e definir uma divisória: entra na guerra só se tentarem atacar Lula. Aposta no esvaziamento das tensões (o que depende de outros personagens que serão analisados mais adiante) para a normalização política.
Falcões – a direção do PT. Ganha com o Cenário de Crise.
Em caso de guerra, há a necessidade da centralização das ações. E aí todos precisam se enquadrar sob o comando da direção partidária. O cenário que a fortalece é o da tentativa de desestabilização do governo; e também a solidariedade aos líderes caídos no julgamento.
A atuação do STF teve um efeito dúbio sobre essa disputa.
Ao condenar os réus, o STF e o Procurador Geral da República indicaram a inviabilidade do modelo “aparelhista”.
Ao carregar na retórica e nas interpretações de exceção, ao exagerar nas penas, no entanto, o STF vitimou os réus, exacerbou a indignação do partido, fortalecendo os falcões.
A atuação da mídia, e sua estratégia de guerra permanente, também fortalece os falcões.
Até o momento, o partido líder da oposição, o PSDB, está amarrado à gerontocracia partidária, incapaz de renovação.
O Lula do PSDB deveria ser FHC; o Dirceu, José Serra.
Mas FHC não possui a visão política nem a liderança de Lula. É o chamado homem-água que se molda ao que vê pela frente. Quando percebe que há um acirramento político, radicaliza. Quando percebe que o tempo amaina, reflui. Tendo à disposição os laboratórios dos dois maiores estados do país, na hora de pensar o novo, convoca os velhos economistas do Real.
A diferença entre Dirceu e Serra é que Dirceu é capaz de se sacrificar pelo partido; e Serra capaz de sacrificar o partido por ele.
Para se adequar aos novos tempos, o PSDB deveria tomar uma série de atitudes, com baixíssima probabilidade de ocorrer:
Tivesse fôlego, FHC seria a liderança capaz de conduzir à transformação do partido. Sem fôlego e sem ideias, só lhe resta apoiar-se na muleta da radicalização, com espaço garantido na mídia.
Em um cenário de crise, Serra ressurgirá do túmulo; se vingar o Cenário de Normalização, quem leva é o governador de Pernambuco Eduardo Campos.
Hoje em dia é o principal falcão do jogo politico, o único personagem intocável, conforme demonstrou a CPMI de Cachoeira.
Seu grande poder atual reside no discurso da intolerância. Toda a rede de colunistas e colaboradores foi remontada visando o estado de guerra permanente. Haveria enorme dificuldade em uma reciclagem ou na volta do pluralismo dos anos 90. Além do mais, em um Cenário de Normalização, o PT continuará eleitoralmente imbatível. Tornou-se prisioneira do cenário de guerra.
Essa estratégia de guerra permanente é que fortalece os falcões tanto no PT quanto no PSDB, estimula o estrelismo de Ministros do Supremo, incentiva o ativismo política do Procurador Geral da República.
A mídia perde com o Cenário de Normalização; cresce com o Cenário de Crise. Daí sua aposta total no indiciamento de Lula, único fator capaz de romper o Cenário de Normalidade e jogar a política no Cenário de Crise.
|
Personagem |
Ganha com Normalização |
Ganha com Crise |
|
PT |
Lula e Dilma |
Direção do PT |
|
Oposição |
Governadores e Eduardo Campos |
FHC e Serra. |
|
Outros agentes |
|
Mídia |
Para mim a sua grande falha ao analisar a oposição é não considerar a força e influência dos personagens do Senado Federal. Acho que além de Serra e de Governadores do PSDB, é o Senado tem se mostrado como o exemplo maior de como a oposição vem se articulando. Vale, por ex., lembrar a relação de Anastasia frente as diretrizes de Aécio.
O mesmo ocorre na análise feita em relação ao PT. Desconsidera personagens do Senado que suma importância na compreensão deste jogo.
Considerando que a falha é a mesma na análise dos 2 "extremos", só posso interpretá-la como fruto do seus desconhecimento sobre a pauta e as articulações no congresso.
A farsa do mensalão petista.
P.S: MVFS (Marcos Valério Fernandes de Souza, o publicitário do mensalão tucano)
Link disponível em: http://anexo.novojornal.com/92368_18.pdf
Demais links: http://www.novojornal.com/politica/noticia/como-e-porque-gilmar-mendes-e...
E O BRASIL COMO FICA NISSO ?????.... NESSA GUERRA PELO PODER PERDE-SE TUDO ????....
O "aparelhismo" foi terrível. Parece saído das páginas da Veja. Assim como outras tiradas como que o PSDB nasceu de esquerda.
Acho que faltou tratar do poder da pequena mídia na disputa de poder.
Outro ponto importante, que quase ninguém ousa falar, é a interferência externa em nossos assuntos políticos com utilização de vastos recursos financeiros e apoio logístico, sempre favorávies as oposições. Esta intromissão sim, pode desequilibrar o jogo.
Mas foi um bom resumo da situação como costuma fazer o Nassif.
Sr. Nassif:
O artigo é interessante ao possibilitar antever os cenários mais prováveis de arranjo, rearranjo e acomodação das fôrças e dos protagonistas políticos ao longo da luta política que irá ocorrer no país frente à eleição de 2014.
Entretanto, cenários políticos não se montam sem avaliar prospectivamente algumas variáveis relevantes que vão caracterizá-los, sendo a principal delas a variável econômica.
Não seria de bom tom dar como favas contadas a eleição de Dilma e do PT e aliados em 2014 dentro de um cenário de normalização.
Só para provocar, vejam o que aconteceu com a sucessão de Bachelet no Chile: economia bombando, Bachelet muito bem avaliada e a oposição de direita ganhou a eleição. É claro que há diferenças.
No Brasil, não há como garantir a lealdade (e não seria justo exigir isto) dos milhões que sairam da pobreza e ascenderam à classe média c.
A verdade é que todos querem sempre mais e é na perspectiva de atender esse "mais" que vai ser possível ganhar a eleição.
Portanto, Sr. Nassif, complemente os teus cenários avaliando o que pode acontecer com a economia no biênio 2013/2014
Jorge Vieira
A condução e o desempenho da economia é quem formata o cenário do jogo.
Manchete da FOLHA de 15 de janeiro de 1963 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/88703-governo-tira-subsidio-a...):
Governo tira subsídio ao petróleo, e combustível pode subir até 70%
Hoje tal fato seria o estopim(o pretexto) do golpe de que tanto se fala E naquele ano também não o foi?
Prezado Nassif, compreendo seu esforço comparativo de quem se beneficia com os diversos cenários. Mas o 'é a economia, estúpido' só deixa de beneficiar a oposição se esta for tão ou mais estúpida, o que ainda não tivemos como comprovar numa eleição recente à Presidência. A reeleição do FHC, por exemplo, o pior foi deixado para janeiro de 1999. E a economia de forma geral segurou Lula e garantiu a Dilma.
É evidente o apoio midiático à direita o que dificultaria uma oposição à esquerda, mas aquele cenário de crise e desânimo de 2002 a oposição soube bem aproveitar, lembre-se que até o Duda Mendonça foi chamado para melhorar a estima dos petistas com o próprio PT.
No mais, segue uma análise também imprecisa, mas musical de um grande profeta brasileiro:
André B.
Este seria o pior dos mundos! A polarização sem o amadurecimento de nossa sociedade ENQUANTO NAÇÃO, nos dariam instrumentos para os quais não criamos os meios de alcança-los!
Seriamos uma espécie de usuários de formulas, sociais e políticas. Para sermos nação, temos que ser PROPRIETÁRIOS, INVENTORES, DESENVOLVEDORES, sofrermos a nossa história! É como o carro NACIONAL! É Ford, é Fiat etc. É Nacional?
Esssa bi-partidarização é a mesma que ocorre nos EUA! Poderíamos caminhar para este estágio, mas sem o PROCESSO DE AMADURECIMENTO DE NOSSAS INSTITUIÇÕES, é uma solução que evoluiu dentro das instituições dos EUA pelo menos nos útimos 150 anos e os deixarão frágeis e isso pode provocar uma guerra externa patrocinada por esta distenção para buscar sua unidade interna! Os ditadores sulamericanos fizeram muito isso!
Se isso nos acontecer seremos como uma história mal contada, incompleta, sem capa, faltando capítulos, versos!
Precisamos da dialética para reformar, reformular nossas instituições que vão desde o STF até a escola mais elementar. Da luta política para amadurecer instrumentos civilizatórios de nosso povo enquanto nação! Para sabermos EXATAMENTE o que somos e onde poderemos chegar, pela diferenciação de nossas valores!
"O que fazemos na vida, ecoa na ETERNIDADE!" (Máximus - Gladiador)
"Os dois mais importantes dias em sua vida são o dia em que você nasceu e o dia em que você descobrir o porquê... - M
A VERDADE REVELADA: JOSÉ SERRA É PETISTA
A diferença entre Dirceu e Serra é que Dirceu é capaz de se sacrificar pelo partido; e Serra capaz de sacrificar o partido por ele.
Nas últimas eleições, 2010 e 2012, ficou evidente que Serra desarticulou o partido com suas candidaturas, federal e municipal.
Para 2014, segundo o conceituadíssimo periódico "Folha de S. Paulo", Serra estuda mudar de partido para candidatar-se novamente à presidência. Ou seja, o projeto agora é bem maior, para desarticular toda a oposição, que poderia aderir a Aécio ou outro que venha a ter razoável cotação no eleitorado.
Assim, garantiria nova vitória, com mais facilidade, a Dilma e Lula.
Noves fora, conclui-se que Serra é mesmo um agente petista infiltrado.
A análise é bem superficial. Está mais para aquilo que gostaria o autor que fosse a nossa política do que a realidade que vivemos.
Aqueles que são considerados como os dois principais partidos, se unidos, não conseguiriam nem 1/3 do parlamento. Em nenhuma das casas.
A comparação com as democracias européias foi de doer. Quem é o PMDB da Alemanha, da França ou do Reino Unido ?
Esses dois "principais" partidos são reféns dos outros. Se descontentarem a gregos e troianos, bastaria uma frente parlamentar para colocar por terra qualquer governo.
Só como exemplo, um partido que não existia nas eleições para o congresso, hoje é o terceiro maior partido da câmara. Podem procurar a Europa inteira e não vão encontrar um caso como esse. E o pior, não foi nem um grande cacique político que inventou esse partido e nem o próprio partido sabe qual seu posicionamento ideológico.
Para comparar nosso quadro político-partidário com os europeus, precisa ter muita, mas muita boa vontade.
Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.
O "modus operandi" de fazer política dos tucanos é extremamente sujo: http://anexo.novojornal.com/92368_19.pdf
(Fonte: Via Facebook, contribuição de Diogo Costa)
Gostei da análise! Aquela da gerotolocracia tucana foi ótima.
Robber
faltou um aviso aos navegantes (que, por motivos pessoais o Nassif nao pode colocar)
PHA É DOS QUE GANHAM COM A RADICALIZAÇÃO!!!
Ta cheio de gente aqui que lê o CAf e vem dizer que o PT tem q por a boca no trombone, processar todo mundo, lei de medios já, etc e tal. Isso é tiro no pé. A presidenta já deu vários indicios de que sabe o que faz. E tambem de que lado está
Caro Nassif
Boa a análise. Só acho que faltou um pouco de "análise de classe". Não acho que estejamos atravessando nenhuma "revolução social", e nem o que PT seja "um partido revolucionário do proletariado". Mas acho que existe em curso, no Brasil e no mundo, uma reacomodação das forças econômicas, decorrente do próprio desenvolvimento capitalista, em busca de novos mercados, uma vez esgotados os países centrais. Enfim, mandaram as fábricas para o terceiro mundo e agora o peso dos novos mercados desbanca a prioridade dos antigos.
Aqui no Brasil a contradição entre a burguesia rentista e financeira e a burguesia industrial se aguça, e o governo parece pender para esta. É lógico, mesmo sem revolução, isto cria descontentes. A amplição do poder aquisitivo do proletariado, ou se preferir, da "nova classe média", a faz competir com a pequena burguesia, também conhecida por "classe média tradicional". Esta, mesquinha por natureza, temerosa da proletarização que a ameaça, se volta contra o governo e o PT, símbolos da nova situação. Ingrata, ela esquece o desemprego de seus filhos nas décadas passadas (milhares de diplomados desempregados), os juros da casa própria, etc. E destila o ódio. Merece citação a reação às cotas nas universidade, que ameça a reserva de mercado da pequen burguesia.
Neste sentido explica-se as patadas do PIG. Afinal, o mercado de jornais, revistas, noticiário político em televisão é constituído fundamentalmente pela pequena burguesia, que acha que, ao contrário do resto da população, tem nível intelectual para pensar em política, principalmente em época não eleitoral. Por posição ideológica e mesmo para satisfazer a audiência, a mídia tende a radicalizar cada vez mais e a arrastar o PSDB e afins. Não vejo perspectiva de diminuição do confronto a curto prazo.
Abraço.
Se me permite, prezado amigo Luís Nassif. Sua análises são de cunho importantíssimo para as nossas apreciações. Lamentavelmente, o discurso esta "centrado" em conjecturas médias. A Ciência Política deveria ter um aspecto mais seguro e incisivo para uma fabulação democrática dos rumos de uma nação, não de preâmbulos e meras suposições. Seria mais apropriado, como em suas preciosas considerações, uma resolução comum de bons conselheiros face a caminhos de fato, à um projeto civilizatório moderno, atual, dispondo-se a criação de mecanismos sensíveis que afetam nossas sociedades. E não apenas ao interesse de cada partido!
Matemática quântica na veia.
Modela tudo por ai, mais uma pitada de Astrologia, Tarot e Geometria.
Sai da frente, que atrás vem gente.
Follow the money, follow the power.
Muito boa análise, particularmente dos cenários de crise ou normalidade. Me parece artificial, entretanto, ver um PT que ganha e outro que perde em cada um destes cenários. O partido está unido e só tem interesse no cenário de normalidade porque, sendo governo, é dessa forma que poderá entregar "mais e melhores produtos" para o povo.
Lula, quando escolhe "administradores" como Dilma e Haddad para disputar o executivo, no lugar de políticos como Dirceu, está é driblando a radicalização e de quebra ampliando ao centro o espaço político do PT.
Mas este movimento não tem provocado maiores crises ou divisões internas no PT. Dirceu, por exemplo, apoiou inteiramente tanto Dilma quanto Haddad, desde a primeira hora. Ele tem sido o primeiro a perder com a radicalização: perdeu cargo de ministro, mandato de deputado, está com a liberdade ameaçada.
Quanto a Dilma se manter longe do julgamento do "mensalão", é providência óbvia para defender a normalidade democrática, reduzir a fervura do ambiente político e preservar a melhor governabilidade. Não que ela não saiba que perderá as condições de governar se o PT for derrotado, num contexto de radicalização.
Por fim, é importante observar que a radicalização hoje só interessa à nossa pior direita, em grande parte encastelada na mídia, que não tem como sobreviver com o avanço da democracia. São eles que acusam de aparelhista e criminalizam o PT.
Fazendo isso, criam um "fla-flu" político que sufoca nuances e uma saudável diversidade de opiniões, prejudicando também democratas não petistas e toda a sociedade. Não é o PT, entretanto, que tem alimentado esta radicalização, ao contrário.
Concordo com sua análise.
O Lula tá aparando as arestas e Dilma tem que ficar na dela mesmo.
Nesta quarta- feira Lula e Haddad se encontram na prefeitura de São Paulo. Quero ver a mídia com irá se comportar.
Por falar em Marina, parece que ela anda querendo jogar para a platéia mesmo, numa entrevista a um jornal eletrônico fala em "fazer justiça com o Lula" quando perguntada sobre as revelações do Marcos Valério, no fundo o desejo dessa gente é tirar mesmo o Lula da jogada, seria uma maravilha para eles, a piada é que a Marina quer convencer todo mundo de que não está criando um partido para disputar as eleições, disputar o poder.
Esse negócio de outside, de discurso diferente de todos os outros políticos, a gente sabe no que já deu na história política brasileira, sinceramente não acredito em partidos criados para disputar o poder nacional de um dia para o outro (PRN???!!!!), é uma furada em todos os sentidos, essa gente não vai ter jamais apoio nas sinstituições estabelecidas, especialmente no Congresso Nacional, beira o oportunismo esse movimento de juntar num balaio de gastos um monte de "bem intencionados", com discursos de diferentes, querendo estabelecer um projeto de poder à margem do processo político tradicional, querendo enganar o povo de que não são políticos, e essa gente agora está falando até em fazer capanha política só com a contribuição de pessoas físicas, a quem eles querem engambelar?
bom post. faz pensar. Achou que faltou incluir:
1) a globosfera e seus agentes e o tipo de jogo que é jogado neste espaço; e
2) o "Imponderável de Almeida" dos próximos anos, isto é, acho que se o campo da direita lançar alguém do naipe do Luciano Huck (http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/-nunca-disse-que-quer...) como candidato deve-se ponderar o papel da globosfera e seus asseclas.
Na globosfera pode-se criar um mundo próprio onde tudo está ruim, seria um cenário nada parecido com normalização (que me parece estranho para o tipo de cultura politica que vivemos aqui nos trópicos...).
Como diria o Tim Maia, mar-que-ting !!!!
Quem paga leva, e se dá para faturar uns tostões, que mal há? Afinal, notícia é o que menos dá no JN.
Follow the money, follow the power.
Caro Nassif, me permita discordar de muitas de suas colocações. A caracterização de PT e PSDB, como dois partidos, que ao se deslocarem para o centro, se constituiriam como Sociais- Democratas, "um mais à esquerda" e outro, "mais à direita", não reflete, conceitos, nem sociológicos, politicos e muito menos ideológicos. O equívoco, conceitual, me parece oriundo, da dificuldade em aceitar o PSDB, como um partido de direita, desde sua fundação. Parte do principio que o PSDB, nasceu social-democrata, portanto no espectro da esquerda e se deslocou, como as sociais democracias européias para a direita. Ora o PSDB, nunca foi um partido social democrata e nasceu para representar a nova direita "moderna", no vácuo e declinio das velhas oligarquias. O PT, nasceu como um partido de esquerda, de massa, com uma visão socialista libertária, abrigando, varias correntes de pensamento, inclusive a social democrata, legitima, pois com forte base sindical e inserção nos movimentos sociais, constituindo um partido democrático-popular de massa, socialista. AS alianças com a direita, constituem um "governo de centro esquerda", democrático popular, mas o partido não se descaracterizou, enquanto proposta, socialista, democrática, transformadora. O PSDB, como um partido de direita, não faz aliança com a esquerda, como não fez, para governar e continuou e executou um projeto de direita. Existe na realidade, dois projetos politico-ideológico no Brasil; Um projeto de direita, neoliberal, representado pelo PSDB e um projeto de esquerda antineoliberal, democrático-popular, mantendo a estratégia socialista, representado pelo PT. O PMDB, como o partido conservador de cunho regional, sem projeto nacional que pende para um ou outro lado. Quanto as caracterizações de "mensaleiros", "aparelhistas", reproduz o discurso da grande mídia e da direita e eu só posso, lamentar.
Acrescentaria que o Nassif continua fazendo análise política com base em personalidades. Lula pra cá, Dirceu prá lá, Serra aqui, FHC acolá. Tudo bem, é uma forma de pensar. Mas desconsidera por exemplo que o PT se forjou politicamente através de seus vários congressos, teses apresentadas, votadas, adotadas ou rejeitadas, experiência concretas em muitas prefeituras, etc. Reduzir a dinâmica política de um partido como o PT a 2 lideranças é meio simplista a meu ver, mesmo reconhecendo a importância de Lula e Dirceu.
Há uma tendência de muitos partidos decidirem encarar uma disputa presidencial em 2014, o motivos:
- Aécio não traz rumo ao PSDB, cada vez mais perdido, com a não aceitação da redução da conta de luz, Aécio pode ter sepultado suas chances.
- Marina Silva enxerga o declínio do PSDB e para isso tenta ocupar o espaço da oposição tucana, muitos partidos começam a enxergar essa estratégia também.
- Outro motivo para os vários partidos decidirem encarar a disputa do Planalto em 2014 seria a grande possibilidade de vitória da Dilma no 1º turno e com isso o risco de hegemonia petista.
- Se o PT tiver apenas o PMDB (provavelmente o PC do B também) na aliança, ainda sim teria um razoável tempo de TV em 2014 (mais ou menos 25% e que não seria superado por nenhuma outra candidatura).
Acho que o principal fator aí entre PT e PSDB é:
Quando Lula implantou o Bolsa-Família e outros programas, chamou a sociedade civil para dialogar, ainda que muitas vezes fosse tratorada, etc... Lula implementou uma agenda de esquerda que é irreversível. Colocou uma parcela da população para ter contato com o Estado que nunca tinha tido antes...
Isso é completamente incompatível com o projeto do PSDB. Dizer que o Aníbal devia ser chamado para pensar o novo soa estranho pra mim. Está fora do escopo do PSDB, qualquer projeto de universalização ou mesmo massificação de acesso. O país tucano só contempla 30% da população. Para eles fazerem mais do que isso, teriam que virar petistas.
O vitórioso(a) do povo será aquele(a) que se lançar sobre as crises políticas e ultrapassar a realidade das zonas marginais que se assiste hoje.
Tal mente poderá fazer o renovamento do lugar neutro da economia em 2014, para que nossa efervescência esteja longe de prever-se por curriculos partidários.
Se não o(a) pudermos indicar por uma determinada postura teórica, que ganhe força encabeçar os domínios do saber, tomando como manefestação a extensão do fenômeno que é o Brasil, não a sua fraqueza.
Uma ideia ou intuição dita de modo próprio pode servir de via de acesso em direção a percepção metafísica do ser e o quanto no universo ele é capaz de constituir por si mesmo para tal transcendência existencial.
Cenário embolado em 2014: 2° turno com Dilma e Marina, será?
Enviado por Oswaldo Conti-Bosso, ter, 15/01/2013 - 14:56
“A maneira mais rápida de mudar a sociedade é mobilizar as mulheres do mundo”
Caros,
Comentários ao post do Nassif: Para entender o jogo político
Minha aposta num cenário de ruptura da polarização entre PT e PSDB, depois de duas décadas.
A disputa pelo poder na democracia política brasileira, ideologias a parte, "está claro" diria Mário de Andrade, promete muitas jogadas no xadrez eleitoral até 2014. Entre um cenário e outro, entre um extremo com “sangue suor e lágrimas”, e outro com “samba suor e cerveja”.
O cenário embolado que se vislumbra, como o desafio musicado, na tradição das emboladas de “Castanha e Caju”, que tenho como pano de fundo algumas premissas e referências balizadoras:
1- A Revista CartaCapital, edição 730, da semana passado: "DILMA E O SEU TEMPO"- A edição especial analisa a primeira metade do governo da presidenta Dilma Rousseff. E a Revista CartaCapital dessa semana, sobre Marina e o PSDB, página 12 (página escaneada anexa),
2- A análise do Nassif de hoje, "Para entender o jogo político",
3- A nova política e as eleições, por Aldo Fornazieri (16-12-12),
4- Brasilianas de 2012 após eleições: A aposta de Marcos Nobre na candidatura de Eduardo Campos para presidente em 2014,
5- A possível volta de Marina Silva no tabuleiro do jogo político ("O canto do cisne negro" - Heitor Villa-Lobos),
6- Minha experiência na política desde os onze anos, sintetizado no texto: Penápolis: "a princesinha da noroeste" (07-10-12).
É aparentemente confortável a situação política da presidenta Dilma Rousseff nesse meio de mandato, conforme as análises da maioria esmagadora na revista, e superando em popularidade o próprio Lula, inclusive na intenção de voto espontâneo. Porém, se em 2013 o crescimento for outro pibinho, como em 2011 e 2012, o gato vai subir no telhado e a porca vai torcer o rabo.
Mas considerando que o Brasil vai crescer 3% em 2013, a Marina Silva vai formar seu novo partido, para disputar as eleições em 2014 e o Governador Eduardo Campos entrando ou não na disputa, o cenário de “o canto do cisne negro” como segunda opção, com segundo turno ou não, é possível para 2014, ou seja, uma ruptura da polarização PT-PSDB, das últimas duas décadas, e aqui eu discordo parcialmente, mas claramente, com a CartaCapital dessa semana - página 12, anexo - quando conclui: "E o PSDB continua a ser a única agremiação capaz de montar uma estrutura competitiva".
Em 2009, os intelectuais em debate no CEBRAP, as análises políticas (José Arthur Gianotti, Marcos Nobre e Francisco de Oliveira (post meu de 30-08-09: Canto do Cisne Negro) já apontavam um provável enfraquecimento da polarização entre PT e PSDB, com o fator Marina Silva para 2010, o fato não se confirmou, mas a votação expressiva, sem horário na TV, foi revelador.
Marina Silva continua sendo a dissidência da base do PT mais forte até o momento (bem maior que Heloisa Helena) e de potencial peso para 2014, porque dialoga com os evangélicos e com a nova ideologia crescente verde, além de ter a simpatia de boa parte da oposição, e de ser a opção entre briga de egos entre eles.
O cavalo arriado que Aécio Neves perdeu em 2010, na verdade não quis ir para o embate com Serra em respeito ao “Estamento” da Casa Grande, vai certamente lhe trazer mais problemas em 2014, como disse Kassab ano passado para o Lula, “o Serra não apoia o Aécio”.
Marina Silva não pode ser considera uma anti-petista, a não ser para a ala que esta no aparelho do partido, ela até pode operar como um “cenário de normalização”.
O artigo de Aldo Fornazieri é revelador (ele fez a observação no programa Brasilianas da TV Brasil), a análise toca em pontos importantes para 2014, no meu modesto modo de ver, diz Aldo no artigo:
“Em 2010 a grande surpresa foram os 20% dos votos nacionais alcançados por Marina Silva, cuja candidatura estava incursa num contexto de pouco tempo de TV, escassos recursos e débil estrutura partidária, mas articulava uma rede de apoiadores ligados a causas ambientais.”
Caso Eduardo Campos decida entrar para a disputa, rompendo a aliança, aumenta a possibilidade de segundo turno, se Marina conseguir fazer um arco de alianças com os partidos pequenos para aumentar seu tempo de TV, se for para um segundo turno, mesmo sem vencer o embate com Dilma, já será uma vitória espetacular, e ira estar posicionada com destaque, pavimentando sua trajetória para 2018, diria a frente de Aécio e Eduardo Campos.
A trajetória de Marina Silva, quardadas as devidas proproções, pode ser considerada como o Lula da Silva "de saia", sem o incoveniente de correr atrás de um rabo de saiu alocado na máquina do estado.
O cenário de normalização que o Nassif descreve, para mim é o começo da dessendência do Lulismo, mas um "mito" não morre da noite para o dia, ou morre?
O cenário é embolado, de rearranjos de forças políticas, claramente de crise e guerra política pela mídia, buscando, "caçando" a judicialização do Lula e o estamento da casa grande apostando tudo na sua condenação.
Eu apostei em 2009 num segundo turno com Dilma e Marina, mas mudei de ideia em 2010, estou renovando a aposta em 2013.
“A maneira mais rápida de mudar a sociedade é mobilizar as mulheres do mundo”, Charles Malik, ex-presidente da ONU. (“The fastest way to change society is to mobilize the women of the world”).
Será?
Quem viver verá!
Campanha em 2009 chamando Marina, o PV passou, ela não:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=F0qA5MLXj5k
Menino de Engenho - engenharia de idéias e laços sociais. “A leitura do mundo antecede a leitura da palavra”. Quem sou e de onde vim?: http://www.advivo.com.br/blog/oswaldo-conti-bosso/quem-sou-e-de-onde-vim
kkkk...Serra o Higlander!!! Só você mesmo e o Aloísio Nunes para considerar que o Serra vai sair candidato pelo PSDB!
O post do Nassif é didático, sóbrio e lúcido como sempre. Ainda bem que ao contrário do que reclamou o Chico Pedro, diretamente de Minas, o blogueiro não é "cientista político" do tipo da academia francesa. Senão ainda estaríamos a tentar desintrichá-lo até agora.
Mas quanto ao conteúdo, faço um adendo, se me permite. Acho que o grande entrave à normalização política é a resitência da direita, aí incluída o pig, em atuar dentro da esfera da política.
Sua estratégia é de puxar a disputa para fora da campo político propriamente dito, dos votos, acordos e alianças. Ao contrário, criminaliza tudo isso. Daí sua aliança com o PGR e o Supremo. No popular, quer ganhar no tapetão, pois não vê chance de ganhar com a bola rolando.
Dái também que a próxima grande aposta é o indiciamento do Lula. Os personagens ficam todos a reboque desse cenário, que alias se repete ad infinitum no Brasil.
Nem a Dilma com todo seu esforço consciliador escapa. Se ela entra no jogo só se o pig partir para tentar aniliquiar o Lula, pode ir já calçando as chuteiras
Juliano Santos
Não falo nada sobre a necessidade de um "academicista" para avaliar o cenário político
"Seu grande poder atual reside no discurso da intolerância. Toda a rede de colunistas e colaboradores foi remontada visando o estado de guerra permanente. Haveria enorme dificuldade em uma reciclagem ou na volta do pluralismo dos anos 90"
Isto é que se chama parágrafo garantidor de aplausos.A vida de um "troll" não é fácil.
Nassif,
Como boa esquematização, a sua dá margens a outras.
Primeiro reparo:
O que você chama de "aparelhismo dirceniano" e sus suposta oposição com outros setores do partido, não é focado apenas nesta personificação (que julgo simplista).
É nossa clássica dicotomia(também errada para mim, mas positiva no sentido que existe como realidade, e não como eu imagino) de partidos de quadros ou partidos de massas, esta última noção, construída por quem detinha o poder do capital político-eleitoral e, ou sindical. Já os primeiros, detinham o capital do controle dass estruturas de poder burocrático.
Embora seja em parte verdadeira sua divisão, até para fins pedagógicos de quem não conhece muito estes aspectos orgânicos de vida partidária, ainda mais do PT, ela nem sempre se manifesta de forma tão linear e límpida assim.
Ora, a expressão de Lula e seu poder pouco iria adiante sem o controle de esferas de poder partidário, que ele não gostava, ou melhor: não queria ter(até para se colocar como acima do conflitos que depois teria que mediar, e isto também é uma expressão de poder para dentro e para fora do partido), e ele delegou a outros para disputar ou compor com os donatários burocráticos, o que nem sempre coloca tais atores como colidentes, mas como concorrentes, convergentes e complementares até.
Não há falcões e pombas somente, mas falcões que se vestem de pombas, e vice-versa.
Olhando os EEUU, como matiz e "matrix" política, onde enviesados copiamos processos, como ratificação da dominação cultural que subsitui os processos desejáveis de troca(sim, trocas, para que não me digam xenófobo) ainda que assimétricas, mas trocas e não imposições, como foi até ffhhcc, eu diria que a foxistinização(já que tá na moda colocar este sufixo, ou seja, sufixistinização de tudo, rs) da mídia por lá, e por aqui, já começa a dar mostras que não confere um capital político coeso que se revele alternativa real de poder, pela natureza desagregadora que carrega de forma intrínseca, e pelos meios de contra-hegemonia hoje disponíveis, e incontroláveis.
Um admirável velho mundo novo.
Eu não colocaria o PT e seus (rui)falcões como beneficiários de crises, embora em ambientes onde o voto(capital eleitoral da visão partido de massas) seja qualitativamente mais vulnerável como arma(como são as cruzadas morais, e outras crises, etc), por dois motivos, um empírico, e outro apirorístico:
01- Foi o Zé e sua ala de falcões que comeram mais sal na crise e sua agudização.
02- Não há capital de massa(voto), recentemente no país(e isto é traço de "evolução" ou maturação institucional) sem partidos, e Lula e Dilma confirmam, como a ausência de um nome forte de oposição idem, sendo o PSDB e DEM espectros sombrios das estruturas partidárias que manetiveram.
No caso da mídia, há um limite: o bolso! Esta ali na esquina a hora de que os governos comecem a alterar os estruturas de concentração econômica que resultam em poder de coerção, se bem que hoje, muito menos poder, se considerarmos que em 89 uma edição influenciou uma eleição de um candidato gerado quase que na sua totalidade como um fenômeno de comunicação, organicamente falando, (ufa, ainda bem) e hoje, o máximo que fazem é destruir reputação(o que não é pouco).
Dilma não mexeu porque:
01- Está testando o ensaio argentino, esperando o comportamento de lá, e o daqui, ou seja, vingando lá, sem tropeços ou soluços golpistas, a possibilidade, como uma espada de Dâmocles fica suspensa.
02- Deste modo, de forma legítima, sem traumas, ela fica com uma carta para contrapor outra carta que a mídia sempre acena como arma: a instigação de golpes brancos(jurídicos) ou golpes propriamente ditos. Cristina e sua lei de medios é o fiel, e não é à toa que Dilma tem sido tão paciente com as diatribes cambiais e protecionistas dela, e tenha ido a Argentina recentemente, quando havia uma cúpula para ela estar.
O "perigo" para o Brasil, que hoje foi colocado por você como símbolo de pacificação, mas eu chamaria de pax, é esta convergência para o centro, com a dissipação de diferenças ideológicas e de identidade partidária, dissolvendo partidos ideologiamente clivados por noções de resultados gerenciais, serviços, etc.
Ora, aceitando que a origem das desigualdades não se dissipa, e que a superação delas arrisca o sistema capitalista, principal depositário destas diferenças(e que joga politicamente com níveis "aceitáveis" de tolerância destas pelas sociedades), seria muito ruim, porque nestes universos de pax institucional centrista, as forças conservadoras se rearticulam e destroçam todas as conquistas, impondo suas lógicas de exclusão.
História não se repete como farsa, eu sei, mas este é o risco, que hoje a Europa parece "saborear" como amrga sobtremesa a "centralização" partidária e política.
Ótimo comentário. Postei no Blog do Briguilino.
Quando quiser publicar algo lá, envia e-mail para [email protected] com Assunto Publicar
Ô, véio, obrigado, e visite nóis também, sô:
planicielamacenta.blogspot.com
com temas de campos dos goytacazes e outras aldeias.
A absorção dos grandes cardeais na politica domestica deixou abdandonada a politica externa, o Brasil está perdendo enormes oportunidades de ser o mais atraente entre os grandes emergentes, a Russia, a India e a China tem graves deficiencias institucionais que faz o Brasil ser o mais ocidentalizado entre os grandes paises não centrais, com a maior semelhança cultural, juridica e de organização economica, caracteristica que deveria ser aproveitada e não é.
Invés de ser um protagonista com crescente liderança internacional, o Brasil se apresenta ao mundo com uma politica externa apagada, mediocre, escapista, sem tirar proveito de seu tamanho e sua exposição, fazendo questão de se mostrar em péssimas companhias, das quais todavia não tira nenhum proveito. O Brasil foi completamente afastado da politica energetica da Bolivia, que foi uma criação do Brasil, o gás boliviano foi descoberto e desenvolvido por brasileiros, o Brasil tinha importantes concessões de petroleo na Venezuela, pais que tem a maior reserva petrolifera do mundo e no Equador, tendo sido essas concessões canceladas sem cerimonia por seus governos, a Petrobras está sendo cerceada na Argentina e o Brasil está correndo sério risco de perder o fornecimento da metade paraguaia da energia de Itaipu, o Paraguai está fazendo acordos com empresas internacionais de aluminio para usar sua metade (5.500 MW) da energia de Itaipu, essencial para o Brasil, só a Rio Tinto vai usar 1.100 MW que hoje são fornecidos ao Brasil.
Os grandes emergentes estão captando enormes recursos em bonus a juros baixissimos no mercado internacional, a Turquia e o México fizaram grandes emissões em 2012 aproveitando as taxas mais reduzidas dos ultimos vinte anos. Paises menores que o Brasil estão mais ativos nos mercados e nas chancelarias, aproveitando espaços criados pela crise europeia.
Uma politica exterior atuante e com grife que se espera do Brasil não precisa ser necessariamente de direita ou de esquerda mas que tenha uma marca em alinhamento com o tamanho da economia, das pretensões, da população e dos recursos de um grande pais. Na atual crise venezuelana o Brasil está inteiramente escondido enquanto que o EUA está tentando reabrir sua influencia em Caracas da mesma forma que está discretamente aumentando seus laços com Cuba. Em Novembro a Subscretaria de Estado, Rebecca Jacobson teve longo telefonema com o Vice Presidente Nicolas Maduro tratando do reposicionamento de embaixadores em Caracas e Washington. Com relação a Cuba a eliminação do Permiso de Saida permitiu o notavel aumento do trafego aereo entre os EUA e Cuba, já são 12 voos diarios e hoje os EUA são o terceiro parceiro comercial de Cuba, aguando um embargo cada vez mais retorico.
Os EUA esperavam que o Brasil se aproveitasse do vacuo da presença americana na America do Sul
para ocupar espaços. Não foi o que aconteceu. O Brasil não exerce liderança alguma na America do Sul, aparecendo em Washington a reboque ora da Venezuela ora da Argentina. É impressionante com o o Brasil reduziu sua influencia em La Paz e em Assunção, territorios tradionais, há mais de um século, da força geopolitica do Brasil. Nesses dois paises hoje vive grande população de agricultores brasileiros, em perigo constante de pressões, desapropriações e invasões, sem que se veja a minima reação do Governo brasiliero, que ao contrario da regra secular da diplomacia, não protege seus nacionais fora do Pais. La Paz e Assunção não tem qualquer temor, receio, respeito ou preocupações com o que pensa o Governo do Brasil e nem precisa ter, contam em Brasilia com um embaixador poderoso para defender seus interesses, o assessor presidencial Marco Aurelio Garcia, condutor do reboque que se tornou a não-politica externa brasileira para a America latina.
Washington agradece. Como o Brasil não aproveitou a chance, o Departamento de Estado se prepara para um relançamento de uma politica externa mais ativa para a região.
d
Penso que com o rebaixamento dos juros, que tanto desgosto provocou na banca internacional o Brasil passou a ser tratado como um traidor e assim, colocado de lado onde o poder financista manda.
Todas as atividades listadas no imenso e pesado artigo postado mostra claramente que os interesses negados aos brasileiros são os dos banqueiros internacionais e de seus investimentos.
Lutar com a banca é assim mesmo. Não dá manchete, nem elogio, em compensação trás riqueza para o povo e para a Nação, por mim radicalizava mais ainda, pois estamos longe ainda dos juros negativos e imprimia para valer, fazendo o dinheiro entesourado nos bancos derreter.
O País irá brilhar por seus próprios méritos, seus habitantes, suas belezas naturais e suas indústrias, como somos uma grande nação, que não pode ser olvidada, irão propor a treguá, que será aceita, nos nossos termos.(aqui leia-se a emissão de um dinheiro próprio, nos moldes ou melhor que o Yuan Chinês)
Follow the money, follow the power.
Nada a ver. Os bancos ganham na diferença entre taxas, são intermediarios, as taxas de captação baixaram em todo o mundo, a Turquia acaba de captar a 3,83% em emprestimo de 20 anos e teve cinco vezes mais oferta do que precisava, a banca internacional tem para 2013 muitas emissões de bonus brasileiros no pipeline, vão ganhar as mesmas comissões.
O Chile tem há 30 anos as mais baixas taxas de juros da America Latina e é queridissimo da banca internacional, portanto sua analise é completamente equivocada.
Captar comissões para quem emite fiat money é piada.
O negócio da banca é contratos impossíveis, onde ela executa os bens do devedor.
O Chile, o Chile acho que vale a zona Leste da Cidade de São Paulo em PIB e população, lá só têm o Cobre que já está nas mãos dos donos do poder, não tem muito o que brigar, tudo por lá vem da Ásia, empresas multinacionais.
Quanto a endividar a 3,83% em títulos é melhor do que a 7,25% mas pior do que a -1,5%, se os chineses pararem de comprar os bonus do tesouro americano, vai sobrar grana para investir aqui.
A picuinha com o Brasil é que nós estamos acabando com as mamatas da banca internacional por aqui antes dela se tornar proprietária de 100% das riquezas nacionais, ai a sabotage internacional com o Brasil.
A estratégia de dominação é clara, com os deficits impagáveis e crescentes, agora é impedir os movimentos dos que querem sair da armadilha do Dolar sem fundo e dos contratos leoninos impagáveis.
A dúvida que tenho é porque a banca não deixou o USA quebrar, eles piscaram ali, não tiveram confiança de que no rescaldo sairiam melhor do que entraram. A China e a Ásia em conjunto, mais a Russia colocaram uma barreira ao avanço do financismo internacional, dai o desespero para impedir o avanço da influência deles pela Otan no Oriente Médio e na África, perder o Brasil e a AL seria um golpe de misericórdia.
Tem muito espaço para o Lula negociar, fico pensando que ele vendeu barato a eleição presidencial de 2010, com uma estratégia mais forte, uma com Astrologia, Tarot e Geometria dava para fazer barba, cabelo e bigode em cima deles.
Follow the money, follow the power.
O mundo não vive de lendas e mitos e sim de realidades. Um grande banco internacional opera todos os dias com uma centena de paises, eles não ""tem raiva"" do Governo e nem "ficam aborrecidos" porque perderam mamatas. Se os juros caem no Brasil não é nenhuma tragedia para eles, as condições em cada Pais mudam continuamente, o banco opera dentro de quaisquer condições, operavam até coma União Sovietica eem grande escala.
O banco que emprestou dinheiro para o Brasil pagar indenização ao Rei de Portugal para que esse reconhecesse a Independencia proclamada pelo seu filho Dom Pedro, N.M.Rothschild & Sons opera com o Brasil desde 1823 e continua operando, é hoje um dos grandes emissores de bonus brasileiros e funciona na mesma praça, eles não costumam "ficar aborrecidos" com Paises.
Sua análise, André, me pareceu um "requentamento" de um texto do Antonio Costa(as outras letras do nome, abreviadas, eu esqueci) sobre nossa política externa.
Comete alguns erros, e nem vou ideologizar o debate, propondo um simplificação pelo fato de você ser o depositário de um discurso político sintonizado com as forças que fizeram uma política macro, micro, externa e interna muitíssimo mais limitada.
A lembrança de Lampreia tirando os sapatos é de doer.
Mas vamos ao que interessa:
Sua lógica beneficia, embora diga que quer dar protagonismo ao Brasil, uma referência que assume como única ou certa a forma de fazer protagonismo(ou lutar por ele) como fazem os EEUU, escondendo, é claro, que nesta forma não há simetrias possíveis, isto é: seríamos, ocupando o vácuo que você diz, o preposto que os EEUU desejavam em nós.
Nossa política externa tem um monte de erros, mas não este.
E nem há uma lógica que privilegie uma visão de "carreira" contra o tal "aparelhamento", na medida que cada vertente complementa a falha de outros, os os EEUU deveriam consagrar os burocratas e esquecer o papel de Hillary, Kissinger, etc, já que esta referência dos EEUU lhe parece tão cara.
É sempre bom lembrar, nestes tempo: É o poder político transitório(mandato0que regula e determina os rumos da burocracia estatal, que aliás, existe para dar organicidade e certa continuidade onde é necessário e desejável, mas ainda assim, estes limites são dados pela representatividade e não o contrário.
O que você não diz é que o Itamaraty e Dilma escolheram o estilo soft power, e esta escolha você pode discordar, mas traz benefícios, mas ônus, como toda escolha.
Mas não nos torna maiores, nem menores, mas ou menos simpáticos ou aceitáveis. Até porque, de uma hora para outra, em acordo com a dinâmica política, mas fieis a princípios que não foram tocados(respeito a soberania alheia e autodeterminação dos povos), mudam-se orientações quando se bem quiser.
Você bem cita nossas diferenças iinstitucionais em relação aos demais, mas despreza a influência destas diferenças(para nós, positivas, porque ser "mais" democracia é sempre bem melhor)nos aspectos de definição do jogo geopolítico e das repercussões deste jogo nos estamento internos.
Ou seja, não basta Dilma ter vontade de chutar o traseiro deste ou daquele país, ou acarinhar outro, mas refletir, para dentro e para fora, os sintomas de nossas qualidades democráticas.
Era mais fácil em fhc, eu sei. Mas a visão de mundo estava sob o consenso(de Washington). E nestes consensos é sempre melhor para esconder iniqüidades.
Um abraço democrático.
Tudo que você afirma é verdade, Araújo. Diabos é aquela desgraçada de propaganda da Folha de São Paulo: "É possivel contar um monte de mentiras; mesmo só dizendo a verdade".
Olivetto foi fantástico nisso.
Jogando luz sobre alguns pontos:
1º Lula foi o responsável em negociar no varejo - vulgo mensalão -, Dirceu corretamente tinha fechado acordo político com o PMDB e o presidente vetou.
2º Dirceu teve participação ativa na escolha da Dilma para disputar a presidência.
3º "aparelhista" é uma definição muito parcial. Por que a ocupação de um filiado seja de qualquer partido também não é aparelhismo? Essa sua definição é bem tucademo.
Quanto a insinuar comparação entre:
PT x PSDB
Lula x FHC
Serra x Dirceu
É comparar Jesus com Genésio rsss
Aparelhista ao que me parece no texto do Nassif e no sentido leninista do partido como condutor das mudanças. Dirceu compreendeu este papel para o PT e sempre foi um articulador por dentro e nao por fora, embora tenha sido ativo na estratégia para chegar ao poder. Nada a ver portanto com o tal aparelhamento que virou jargão midiatico.
Combatendo a hipocrisia nacional que alimenta o fascismo.
Acho sua crítica ao artigo bastante coerente, mas daria um desconto ao Nassif porque ele fez uma simplificação para ajudar em análsies mais profundas.
Também faço reparo na relação que você supôs entre Lula e o "mensalão no varejo".
De fato Zé Dirceu aprontou tudo com o PMDB no início do mandato de Lula e este vetou tudo. Mas acho apressado afirmar que Lula planejou ou intuiu a compra de partidos menores para substituir a maioria pmdbista. Acho que ele imaginou pulverizar os mesmos métodos que atrairiam o PMDB ao restante da base. O importante era nao fortalecer o PMDB em demasia, se tornando refém dele, ao mesmo tempo em que fortalecia o PT para superá-lo, fortalecendo a Frente de Esquerda que sempre acompanhou Lula.
No final deu errado, é óbvio. Lula ficou dependente do apoio do PMDB para terminar o governo sem impeachment (não contou na época com o fraco michel Temer mas fechou aliança com Sarney e outros caciques). Essa dívida o PT paga até hoje e não seria diferente se Lula apoiasse a iniciativa inicial de Dirceu. Apenas não teríamos Dilma governando e talvez nem o PT.
Seria interessante a eleboração de um artigo sobre as preferências eleitorais dos grandes agentes econômicos.
 
"Luiz Paulo Vellozo Lucas" ??????!!!!!!!!!!!!!!
Para dizer o mínimo.
Aécio: o carioca mineiro.
Vellozo: o carioca capixaba. Dos pobres como diria Ibrain Sued(?).
© 2013-2016 GGN - O Jornal de Todos os Brasis
Comentários
Comentar