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Para onde irá a energia de Belo Monte

Por Calvin

O biólogo americano Philip Fearnside acompanha os planos do governo para explorar o potencial hidrelétrico da Amazônia desde os anos 70, quando morou em Altamira, no Pará. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), órgão federal, Fearnside afirma que a Usina de Belo Monte, vendida como solução para evitar o apagão no País, terá boa parte de sua energia usada pela indústria de eletrointensivos, em especial a de alumínio. Para ele, o Brasil vai exportar produtos primários, criando empregos no exterior. “E os impactos vão ficar aqui, com os ribeirinhos e os índios.”

O projeto de Belo Monte mudou muito nesses 30 anos?

Mudou e não mudou. Lembro de, em 1976, ter entrado no escritório do Incra e ter conseguido o mapa com as hidrelétricas que iam inundar uma parte da área da colonização idealizada pelo Estado e terras indígenas. Na época ninguém podia fazer nada porque era uma ditadura. Hoje, temos o sistema do EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental), mas a tomada de decisões não mudou, continua no mesmo círculo, e todo o resto parece que vira formalidade. Para tomar uma decisão dessas, você tem de olhar todos os impactos, não só os do EIA-Rima.

E o que há de importante que não está no EIA-Rima?

O que chama atenção é que 30% da energia (de Belo Monte) vai para a indústria de eletrointensivos, basicamente alumínio. Será a fonte de energia para novas unidades de grandes produtoras de alumínio no Pará e no Maranhão. Vai haver expansão das usinas de alumina e de alumínio primário. Belo Monte é apresentada como uma iniciativa contra o “apagão”. O brasileiro médio é levado a pensar que vai ficar sem ver TV se não forem feitas as hidrelétricas do Madeira, de Altamira, mas o País tem grande margem de flexibilidade. Tem toda essa energia sendo exportada, boa parte em forma de lingote de alumínio. Algo muito diferente de exportar um avião de alumínio feito pela Embraer, que gera empregos. O importante no valor do lingote não é o minério ou a mão de obra: é a energia. Exportamos energia elétrica e, com ela, empregos.

Os impactos se justificariam, então, se os objetivos da geração fossem “mais nobres”?

O Brasil não enfrentou ainda a questão mais crítica: o que fazer com essa energia. Mas está importando os impactos ambientais para gerá-la. Ninguém quer fazer hidrelétrica nos Estados Unidos, na Europa, para fazer alumínio. A solução é fazer isso na Amazônia e deixar os impactos aqui e os benefícios no Hemisfério Norte. Lá vão gerar empregos para transformar esse lingotes em produtos acabados e os impactos vão ficar com ribeirinhos e índios. No caso de Belo Monte, está se deixando quase seco um trecho de mais de 100 quilômetros do Rio Xingu com duas áreas indígenas e comunidades de ribeirinhos.

O que é “quase seco”?

No EIA-Rima, a “vazão ecológica” é o mínimo necessário para passar para essas comunidades. Uma dos condicionantes foi aumentar esse volume, o que foi feito. Belo Monte tem duas casas de força e duas barragens. Em Volta Grande do Xingu gera-se pouca energia, correspondente à vazão ecológica. O grosso da água vai ser desviado para o Reservatório dos Canais, onde está a casa de força principal, com 11 mil megawatts. Isso deixa na Volta Grande uma quantidade de água mínima. O impacto de uma hidrelétrica em geral é inundação, aqui é a falta de água.

E quanto seria inundado para a construção da usina?

A soma dos reservatórios dos Canais e da Calha (o da Volta Grande) estava calculada em 400 quilômetros quadrados de inundação. Subiu para 516 km² e depois saiu o edital com o número em torno de 615 km². O reservatório de Belo Monte é pequeno se comparado à energia gerada. Agora, cerca de 11 km acima da Volta Grande ficaria, pelos planos do governo, a barragem de Altamira. Ela é um lago de 6.140 km². Mais que duas vezes Balbina (usina inaugurada nos anos 80 que é considerada o maior desastre ambiental do País). Em 2008, o Conselho Nacional de Política Energética disse que só iria fazer Belo Monte, e não as outras hidrelétricas. Mas o conselho muda de um governo para outro.

Existe esse risco?

O projeto de só uma hidrelétrica é inviável. Durante quatro meses, na seca do Rio Xingu, não se conseguirá movimentar uma turbina sequer da grande casa de força. O governo e as empresas planejam com outros cenários. O plano inicial previa seis hidrelétricas no Xingu. Depois, diminuiu para quatro. Quando Marina Silva era ministra, tentou criar uma Reserva Extrativista na área que seria inundada pelas hidrelétricas, e isso foi vetado pela Dilma, na época na Casa Civil. A cúpula não tem intenção de ter só uma hidrelétrica.

Quanto de metano Belo Monte emitiria?

Belo Monte e o reservatório da barragem de Altamira juntos, para os primeiros dez anos, uma média de 11,2 milhões de toneladas de carbono equivalente ao ano. É mais do que a cidade de São Paulo emite em um ano.

Você contesta a geração de energia por hidrelétricas?

Não. Para cada uma você tem de avaliar os impactos e as alternativas a elas. E tem de saber para que vai servir essa energia.

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Comentários

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Concordo em grande parte com os comentários do Hermes, Clayton, Leonidas, Chico Pedro e MA-Jorge.

O componente de energia elétrica é tão elevado na produção do lingote de aluminio (quase 50% do OPEX) que na prática estamos exportando energia elétrica para o exterior. Ainda, favorecento ao exterior com energia barata demais, se aquelas novas fábricas de aluminio conseguem as vantagens que Albrás conseguiu com Tucuruí na década de 80.

Vejo aqui dois caminhos práticos: verticalizar a industria do aluminio e exigir como contrapartida aos produtores que, numa elevada porcentagem, este aluminio primário seja comercializado e verticalizado no Brasil (manufaturado). A outra ação urgente é de reduzir o consumo de energia em outras atividades eletrointensivas, criando programas efetivos. Ainda, punindo com preços elevados a quem não seguir estes programas.

 

 

Caros,

Assisti uma palestre desse pesquisador no simpósio científico na ESALQ em Set. 2010,  Piracicaba, na palestra, Philip Fearnside, argumentou sobre sua tese de emissão de carbono em excesso em grandes áreas inundada, além de não acreditar na palavra do governo (o que faz sentido, governos mentem, aqui ou na conchinchina,) mas ele omitiu aqui na entrevista, como omitiu na palestra do ano passado, na qual perguntaei-lhe e ele teve que admitir, contrariado, mas admitiu que a área inundada de Belo Monte hoje é 15 a 20 vezes menor que o projeto original dos anos 80´s.

Um fato, em 1985, no início do gov. Sarney, foi quando a índia colocou um facão no pescoço e no rosto do engenheiro da eletrobras numa reunião na região e melou o projeto original na época. 

Mas ele continua argumentar que "Mas o conselho muda de um governo para outro", ..., "O projeto de só uma hidrelétrica é inviável"

E tenta confundir , foi perguntado sobre a emissão de metano (tese dele) em Belo Monte, mas respondeu o total de Belo monte e Altamira, mas Altamira não faz parte do projeto atual em execução, no caso aparenta ser um pouco desleal, pois não explica, ou seja, não sou contra a tese, mas ele ora omite informação, ou as vezes não é claro em suas resposta:

Quanto de metano Belo Monte emitiria? R: Belo Monte e o reservatório da barragem de Altamira juntos, para os primeiros dez anos, uma média de 11,2 milhões de toneladas de carbono equivalente ao ano. É mais do que a cidade de São Paulo emite em um ano.

Quem viver verá! veremos...

Sds,

 

 

Bem que este biólogo poderia ir biologar no Afganistão . . . . ver como os EUA geram empregos pelo mundo afora . . . . .

 

Biólogos e cientistas têm todo o direito de dar opiniões acerca desses assuntos que supostamente entendem tanto. Mas ainda bem que não são eles que tomam as decisões.

 

@DanielQuireza

Calvin,

Com todo respeito, tomei umas cervejas, só tenho uma coisa a lhe dizer: VTNC.

 

É brincadeira ter que ler esse tipo análise ou entrevista destes gringos que se infiltram em nosso país disfarçados de pesquisadores, de missionários, de ecologistas, etc., mas, no fundo, não contrariam em nada às políticas hegemônicas dos seus países. 

 

São os mesmo dois grupos que foram contra Iaipu e Três Gargantas, agora imaginem seus povos sem a energia que elas geram.

Quando surgiu um grande fracasso, que foi Balbina, foi a realização, era tudo quer queriam

Um grupo é formado por ambientalistas sinceros, mas muita vezes muito radicais

E outro grupo é formado por imperialistas e neocolonizados, que se aproveitam da honestidade do grupo anterior para sabotar o nosso desenvolvimento.

Quando grupo anterior, engrossado por Sem Terras e Índios, combatem as Papeleiras transnacionais, por estarem supostamente destruindo o meio ambiente com os chamados desertos verdes, que são as imensas plantações de eucaliptos, que por não pertencer a flora nativa, não há fauna no seu interior.

Ou quando combatem as sementes trangênicas da Monsanto, são taxados de ultrapassados.

Mas para combater toda e qualquer obra de infraestrutura, aí eles servem, e são amplamente divulgados pela mídia.

Quando combatem a especulação imobiliaria, eles não tem nenhum valor para o pig, pelo contrário.

Ah, este pig é mesmo uma graça, mas como sabe manipular todo mundo.

 

 

Os transgênicos da Monsanto que o PT liberou assim "no más" e a "esquerda" oportunista aceitou na boa? Parece que não são só os interesses multinacionais e imperialistas que agem de maneira hipócrita e casuística. Agora, essa "esquerda" defende, com unhas e dentes, os interesses da burguesia nacional, das multinacionais, do latifúndio contra sem-terras, povos originários, camponeses ribeirinhos e até mesmo projetos da ditadura militar são dignos de louvor. Até o Delfim Neto virou heroi para essa "esquerda"!

O Eduardo Paes já percebeu que pode contar com o apoio dessa "esquerda". Agora, é Kassab e Kátia Abreu que não veem a hora de serem "reabilitados". O "companheiro" Jorge Gerdau Johannpeter que o diga!

Se não fosse tão turrão, até o nosso Andy Araújo, eleitor confesso de Dilma (por ter percebido suas "qualidades" camaleônicas) dava o braço a torcer e se unia ao coro dos apologistas da "sagrada união nacional"

 

Sempre o mesmo blábláblá...

Já viram algum estrangeiro defendendo Belo Monte?

O que se vê são eles nos chamando de "idiotas".

Acham que devemos nos contentar em ter energia suficiente para ve-los na TV a dizer que somos "idiotas".

E o cara se ufana de ter "entrado no escritório do Incra e conseguido os mapas" bem na cara dos idiotas.

Até quando?  Até quando?

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Quem duvida que existe estrangeiro interessado em Belo Monte, não deve saber do tipo de empresa que investe(irá) e lucra(rá) com a obra.

 

A mídia europeia e estadunidense fez campanha contra a obra de Três Gargantas na China, agora imagina se eles tivessem dado bola.

 

Muito bom esse artigo do Eron Bezerra. Eu já li aqui no site que no custo de Belo Monte está embutida uma reparação ambiental e social que ultrapassa 1 bilhão de reais. Uma boa oportunidade para por em prática todos aqueles projetos de desenvolvimento sustentável que nunca vingaram por falta de verba. É preciso que esse pessoal pare de ficar reclamando e apresente projetos que desenvolvam a região de maneira sustentável e justa. Acho que a gente precisa discutir muito ainda o que é desenvolvimento e soberania.

 

"Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas". 

 Margareth Thatcher (Primeira-Ministra do Reino Unido, 1983) 

 

"Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós. Oferecemos o perdão da dívida externa em troca da floresta". 

 Al Gore (Vice-Presidente dos EUA, 1989)

 

"O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia". 

 François Mitterrand (Presidente  da França, 1989) 

 

"O Brasil deve delegar parte dos seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes". 

 Gorbachev (Último Presidente da URSS, 1992) 

 

"Caso o Brasil resolva fazer uso da Amazônia, pondo em risco o meio ambiente nos Estados Unidos, temos que estar prontos para interromper este processo imediatamente". 

 General Patrick Hugles (Diretor da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, 1998) 

 

"A floresta amazônica e as demais florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas “bens públicos mundiais” e submetidas a uma gestão coletiva pela comunidade internacional". 

 Pascal Lamy (Comissário de Comércio da União Européia, 2005). 

 

“Obviamente, existem problemas de soberania, mas o desmatamento é um assunto enorme... e qualquer plano, mesmo que seja radical, é digno de ser avaliado”. 

 David Miliband (Ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, 2006). 

 

http://www.defesabr.com/MD/md_amazonia.htm 

 

Mais uma indecência

 Delfim Netto

 23 de agosto de 2010

 http://www.cartacapital.com.br/sociedade/mais-uma-indecencia

 

Ambições amazônicas

Delfim Netto

3 de agosto de 2010

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ambicoes-amazonicas

 

Nessas "pérolas" aí de cima, não caberia também alguma dos agentes-provocadores de sempre, Calvin e Chico Pedro?

 

Esse antropólogo da UFMG escreveu algo bem parecido no Boletim da Universidade..

O tempo passa, o tempo voa...E não aprendemos.

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BARRAGENS na Amazônia: fonte de ENERGIA para quem e a custo de quem?

Ruben Caixeta de Queiroz*

Nesta era de crise econômico-financeira-produtiva-social-ambiental, a construção de grandes usinas hidrelétricas (UHE) tem sido uma saída adotada pelo governo e pelo “setor produtivo”, que alardeiam: é a fonte de energia mais barata, limpa e renovável. Fora ela, restaria investir em usinas térmicas, mais poluentes e caras. As outras fontes, mais limpas, teriam custos demasiadamente elevados: solar, biomassa, eólica. Será isso verdade, ou há grandes interesses por trás da defesa das grandes hidrelétricas?

Por ocasião da construção da usina de Balbina, no rio Uatumã, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, a Eletronorte, empresa responsável pelo empreendimento, argumentou que a hidrelétrica seria a salvação para a escassez de energia na região de Manaus e desencadeou uma campanha publicitária contra os críticos da obra: “Quem é contra Balbina, é contra você”, dizia o anúncio da estatal, veiculado nas tevês de Manaus. Contudo, quando a barragem foi fechada, em 1989, todos os alertas dos estudos críticos se confirmaram: em área de relevo pouco acidentado, composta por densa floresta, formou-se um lago de 2.380 quilômetros quadrados para instalar uma potência de energia de apenas 250 MW, com a geração real de apenas 120 MW. Para se ter uma ideia, enquanto a segunda maior usina do mundo, Itaipu, precisou inundar uma área de 0,096 quilômetros quadrados para produzir 1 MW, Balbina, para produzir a mesma coisa, submergiu 9,44 quilômetros quadrados.

Do ponto de vista ambiental o empreendimento produziu um efeito deletério. A quase totalidade da madeira não foi retirada antes de se formar o lago de Balbina, o que provocou a decomposição da matéria orgânica e a liberação de um composto tóxico, o metilmercúrio, que contaminou os peixes. Tudo isso fez com que o grau de mercúrio em Balbina fosse superior ao encontrado nas áreas de garimpo do rio Tapajós. Além disso, o lago de Balbina é responsável pela liberação de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), gases do efeito estufa.

Vejamos o exemplo de Tucuruí, no rio Tocantins: a licitação para construção da barragem foi vencida pela construtora Camargo Corrêa. No início, o orçamento previsto girava em torno US$ 2,1 bilhões. Dez anos depois, chegou a US$ 7,5 bilhões, depois passou para US$ 15 bilhões. A cada ano, o contrato original era aditado, até que ninguém mais soubesse o valor final da obra.

Além das empresas de construção civil, as organizações do segmento minero-metalúrgico também têm interesse nos empreendimentos de barragens, porque pautam seu sistema produtivo no consumo eletrointensivo. No mesmo ano em que foi inaugurada a Hidrelétrica de Tucuruí, em 1984, instalou-se em São Luis (MA) a multinacional Alumar, um dos maiores complexos mundiais de produção de alumínio primário e alumina. Um ano depois, foi instalada, em Barcarena (PA), a Albrás, associação entre a Vale e a NAAC – Nipoon Amazonian Aluminium Co. Ltd., consórcio formado por 17 empresas japonesas.

Alumar e Albrás nasceram junto com Tucuruí, sob fabulosos incentivos fiscais do governo brasileiro. E ainda hoje, a maior parte da energia lá gerada é destinada a essas empresas privilegiadas com tarifas subsidiadas: a Albrás paga US$ 22 por MWh, e a Alumar, US$ 26. O custo de produção dessa energia, calcula-se, é de US$ 38 e US$ 40, respectivamente.

Por que a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) seria diferente da que pautou Balbina e Tucuruí, erguidas na época da ditadura e do “milagre econômico”? Poderíamos imaginar que a diferença está no fato de que as hidrelétricas do PAC são construídas a partir de nova legislação ambiental, que prevê, entre outros mecanismos, a elaboração do EIA-RIMA e a proposição de medidas mitigadoras dos impactos socioambientais.

Mas isso de fato está acontecendo? Vejamos o caso de Belo Monte, cujo empreendimento não passa pelo crivo socioambiental e também não resiste a uma análise econômica mais apurada. O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chegou a dizer que hidrelétricas menores poderiam ter sido construídas no lugar de Belo Monte: “O empreendimento podia ser outro? Podia. Fizeram Belo Monte porque já estavam envolvidos com Belo Monte. Virou a bola da vez”.

E por que virou a bola da vez? As decisões políticas e os interesses dos grandes grupos econômicos, que se fazem exercer em instâncias governamentais como o Ministério das Minas e Energia, passam por cima da legislação ambiental e do modo de vida tradicional da população local. O caso de Belo Monte é eloquente: os próprios técnicos do Ibama e da Funai emitiram pareceres contrários à licença prévia de instalação da obra por falta de condicionantes preliminares, mas, por pressões políticas, o presidente da primeira autarquia foi afastado. Depois, concedeu-se uma licença parcial de instalação do canteiro da usina, figura que não existe no sistema legal de licenciamento.

As grandes hidrelétricas começaram a ser construídas na década de 1970, com o objetivo principal de gerar eletricidade para as indústrias que consomem muita energia. Belo Monte segue apenas essa lógica que privilegia a instalação de indústrias eletrointensivas que empregam mão de obra barata, a construção de trilhos que desembocam nos portos para levar o minério, o financiamento público de grandes empreiteiras que também financiam os políticos; enfim, essa tanto é a lógica do “milagre econômico” quanto a da “aceleração do crescimento”.

Contudo, há uma diferença: na década de 1970, ainda não imaginávamos os impactos das mudanças climáticas e dos desastres socioambientais, ou ainda não havia razão para cuidar da maior reserva de água potável do mundo. Também não conhecíamos o destino de Chico Mendes e Dorothy Stang, assassinados a mando de fazendeiros que não suportavam a causa pela qual lutavam: preservar a floresta e os rios, com os homens lá dentro, vivendo de sua pequena agricultura e do extrativismo.

 

Legal, deixamos de processar a bauxita por que não queremos uma hidrelétrica. E o que fazemos com o minério? Não fazemos ou a vale fará: exportará o minério para a china processar! Essa desculpa ou análise do gringo para mim é meio esfarrapada.

 

O rejeito da Bauxita para obtenção de Alumina é algo entre 50% e 60% em peso, ou seja, da Bauxita, aproveita-se apenas algo entre 50% a 40% em Alumina. Esta é a razão do Primeiro Mundo desejar Alumina e não Bauxita, o rejeito ficaria aqui no país. Além do mais, para se obter a Alumina, não existe o fator da "eletrointensividade", trata-se apenas de um processo de refino, com processos típicos de moagem, precipitação, calcinação, etc.; nada de alto consumo de energia elétrica.

O que consome energia é o chamado processo de "conversão" onde Alumina + Energia Elétrica e alguns outros poucos insumos são transformados em Alumínio Primário em lingotes.

 

Obrigado pela aula de metalurgiqa! O ponto que eu quiz ressaltar é que o processamento da bauxita até o lingote de alumínio é muito melhor do que só exportarmos a bauxita ou como vc disse a alumina. Obviamente o valor agregado até o lingote é muito mais do uma vale faria só exportando a bauxita ou a alumina. Commodite por comodite eu fico com o lingote de Al e 67% da energia de Belo Monte.

 

Minha interpretação foi outra..:

.

"Deixem de ser burros!!! Se é pra arregaçar com o meio ambiente, então pelo menos fabriquem alguma coisa que preste"

 

Mas que papinho furado, só entra no blog para de alguma forma fazer politicagem, não participada de nada, até aparecer alguma polêmica com o Governo Federal.

Nenhum comentário nos mais diversos assuntos, é o samba de uma nota só: falar mal do PT

Tem todo direito de ser tucano, privatista, e aecista, e de defender suas teses, mostrando as suas vantagens, e também tem todo o direito de falar mal e criticar o PT, mas por que ficar só nisto.

Então fale bem do seu estado, mostre as suas politicas.

Seja mais positivo, parece que aprendeu com o PT, mas só o lado negativo, de criticar por criticar.

És inteligente e culto, portanto estas perdendo o seu tempo, e o dos outros que vão ler o que escreve.

 

Apesar de considerar uma espécie de ousadia vc dizer onde e como eu deveria comentar..

De achar desrespeitoso vc me declarar aecista, tucano ou coisa que o valha..

Pois não te conheço como o censor do blog..

.

Acho que está certo num ponto..:

Nem sempre as discussões são encaminhadas de uma maneira razoável..

Viemos aqui para reafirmas nossas convicçõe...E é raro acontecer um debate mais elevado..

.

Mas devo dizer..:

Os assuntos que ocupam a pauta do blog são - na maior parte - de ordem nacional.

Há poucas matérias relacionadas com os estados e - menos ainda - com os municípios.

Isso quando o assunto é a administração pública.

.

Segundo que as principais diretrizes do país são encaminhadas pelo governo federal.

Da concentração das finanças/riquezas até as leis mais importantes passando pela macro economia..

Quem comanda é a União.

Basta ver as grandes políticas de energia, saneamanto, segurança, meio-ambiente..

.

Por último, boa parte dos assuntos concentram-se em variedades, curiosidades..

Música., esporte., fatos do dia-dia...personalidades.

.

Assim...

Se há poucas notícias da minha cidade e do meu Estado.,

Outras que não me interessam tanto..

E - ainda - um foco natural de objetos da responsabilidade do governo federal..

Comentam-se mais as questões que digam respeito ao ele..

.

Não significa que não tenho críticas em relação ao Aécio/Anastasia ou ao Márcio Lacerda.

Só não é possível fazê-lo se não há muitas chance.

.

Acho - inclusive - que poderia ser criada essa oportunidade no blog..

Quem sabe através de tópicos específicos sobre a política regional..

Sobre os acontecimentos, as novidades, o andamento dos processos..

Mas que fossem feitos por regiões para não fragmentar demais..

E uma única vez no mês, ou então no bimestre..

 

 

 

 

A lógica de Akiaboro – Antonio Delfim Netto

 

É interessante continuar a discutir as questões sobre o entorno da construção de Belo Monte por muitas razões, a primeira delas porque permite conhecer as inconsistências (e muitas vezes as falcatruas) que embasavam os argumentos contrários à obra. Ninguém pode negar que são legítimas as preocupações em relação à preservação do meio ambiente e que muitas pessoas ou organizações que se dedicam à causa ambientalista ajudam a formar uma espécie de consciência sobre os cuidados que o uso da natureza merece receber de toda a sociedade.

 

Chegou a hora, no entanto, de distinguir com clareza os fatos, que podem ser razoavelmente verificados, do ruído ensurdecedor produzido pela picaretagem organizada muldiamente para impedir que o Brasil utilize o seu potencial de oferta da energia limpa para continuar a se desenvolver sem destruir o ambiente ou aumentar a poluição da humanidade. É contra esse modelo inédito que se unem as oportunistas ONGs nacionais com suas mídias e a maioria dos estrangeiros (agora com recursos de 3D!) provavelmente tentando limpar a sujeira de seus passados, convenientemente turbinadas pelo tilintar dos euros e dólares que recebem de cofres alienígenas…

 

É uma grande tristeza acompanhar quase diariamente o festival de besteiras que nossa mídia reproduz sem avaliar a sua procedência, nem tentar apurar um pouco melhor os motivos das iniciativas de algumas dessas ONGs que mais corretamente deveriam ser reconhecidas como ENGs (de enganação, mesmo). Devo reconhecer que não sou, nem de longe, um especialista nessas questões que tratam da preservação do meio ambiente e da necessidade de reduzir o chamado efeito estufa. Respeito, por isso, e procuro compreender as preocupações dos ambientalistas que propõem uma discussão sobre o que já se conhece dos caminhos do desenvolvimento sustentável e das formas de utilização da energia que cause menores estragos ao hábitat. O Brasil realizou obras magníficas em que o respeito à natureza serve de exemplo: Itaipu é uma demonstração desse cuidado, reconhecido por todas as organizações ambientalistas sérias do mundo.

 

Recomendaria aos brasileiros de boa-fé que aproveitem as boas oportunidades que o crescimento do turismo interno está oferecendo para agendar uma visita não somente a Itaipu. Existe mais de uma dezena de usinas no Sudeste e Centro-Oeste brasileiros, no Rio Grande, nos Rios Paraná e Tietê (apenas para lembrar as que foram erguidas nos últimos 30 anos0 que merecem a viagem e fornecem algumas lições de proteção ambiental que não existem em outras nações que se desenvolveram como nós. Os cuidados tomados nos estudos para o aproveitamento hidrelétrico no Xingu quanto à proteção ambiental são de melhor natureza ainda e deverão surpreender o mundo.

 

Precisamos nos proteger, realmente, é da crença que todo figurão que nos visita é portador de uma ciência superior sobre as questões ambientais. Alguns brasileiros desavisados costumam dar muita atenção às lições que esses personagens nos trazem. Aprenderíamos um pouco mais prestando atenção à nossa própria gente, talvez em sua grande simplicidade, mas de lógica inegável. Esta semana, o grande chefe Akiaboro, cacique dos índios caiapó, no Xingu, usou de sua inteligência e bom senso para acalmar as aldeias que estavam se deixando influenciar pelos cantos de guerra contra a nação brasileira: convocou os caciques de outras nove etnias da região para se reunir e deliberar antes de exigir um encontro com o grande chefe branco, Lula, de quem ele recebeu promessa de audiência.

 

Com a sua lógica transparente, Lula disse que “o que falta é convencer os índios de que eles são brasileiros…”. O objetivo – disse Akiaboro aos demais – é “evitar ir à guerra, que será muito ruim, pois haverá muitos mortos”. E, quando cobrado para uma ação mais enérgica e imediata contra a Funai (que os teria traído), o grande cacique convenceu os demais com sua lógica simples: “A Funai não pode falar pelos índios. Ela concordou com a construção de Belo Monte porque é um órgão do governo e não vai brigar contra ela mesma”.

 

Enviado para o Blog da Dilma pelo Correspondente Amorim – São Paulo/SP.

 

http://blogdadilma.blog.br/2010/05/a-logica-de-akiaboro-%E2%80%93-antonio-delfim-netto.html

 

 

Mais uma indecência

Delfim Netto

23 de agosto de 2010

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/mais-uma-indecencia

 

Ambições amazônicas

Delfim Netto

3 de agosto de 2010

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ambicoes-amazonicas

 

 

 

Obrigado Eugenio. 

Eu nem sabia que delfim tinha discorrido sobre o tema.

Os artigos são muito melhores que o próprio post.

 

 Belo Monte, Balbina & Três Gargantas

Por Eron Bezerra

 

“Estão com raiva de mim, querem que eu deixe de ser o cacique. Dizem que eu sou a favor da hidrelétrica. Eu cansei dessa história, não quero participar de reunião, de audiência. Só quero trabalhar na roça e garantir meu sustento”. Cacique Manuel Juruna.

“A área indígena precisa de um cacique que faça mais pelos índios. Vamos tirar o Manuel. O motivo principal é Belo Monte. Ele é a favor da construção da usina e a maioria aqui é contra. Os índios já escolheram Giliard, de 25 anos, como seu substituto.” Ozimar Juruna.

 

As expressões acima revelam dois sentimentos distintos e antagônicos.

O desabafo do cacique Manuel Juruna expressa o desânimo e traduz bem o sentimento de quem há mais de 20 anos é pressionado por um lado e pelo outro para se posicionar sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte ou Kararaô, assunto sobre o qual não tem, obviamente, nenhum conhecimento técnico. Certamente ficou sensível aos argumentos técnicos dos especialistas e a expectativa de compensações que serão oferecidas aos atingidos pela construção.

 

Juruna era uma das lideranças que em 1989 estava no Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira, Pará, no qual a índia Tuíra ameaçou degolar José Antonio Muniz Lopes, então presidente da Eletronorte e hoje presidente da Eletrobrás.

 

De outro lado, a declaração de guerra de Ozimar Juruna revela o antagonismo que tal assunto tem provocado entre eles e, mais grave, expressa o dilaceramento das relações – outrora fraternas – entre irmãos daquela região. Provavelmente o índio Ozimar ficou mais sensível aos argumentos dos que se levantam contra a construção de Belo Monte, dentre os quais Sting, James Cameron, Sigourney Weaver e o Fórum Indígena da ONU, os quais, até o presente sequer condenaram o vazamento de óleo do golfo do México, que já atinge 5,5 mil quilômetros quadrados e tende a ser um dos maiores desastres ambientais do planeta. Até agora só “condenação” protocolar.

 

O que motiva, o que anima opiniões tão distintas, sobre um mesmo assunto?

A resposta não é técnica. É política e ideológica. Reside na concepção que cada grupo de polemistas possui sobre a ocupação da Amazônia e o uso de seus recursos naturais. Podemos sintetizá-las em produtivistas, santuaristas e sustentabilistas.

 

Os produtivistas são aqueles que construíram a hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, Amazonas. Gastaram mais de 01 bilhão de dólares e inundaram uma área de 2.360 km2 para construir uma hidrelétrica com 250 megawatts (mW) de potência instalada e apenas 120 mW de geração real. A área inundada equivale a 9,5% da superfície do município. Para cada megawatt instalado foi necessário inundar 9,44 km2 ou 19,66 km2 se a conta for apenas para megawatt efetivamente gerado. Não é necessário ser especialista para compreender porque todas as pessoas com um mínimo de bom senso eram contra a construção da hidrelétrica de Balbina. Nessa empreitada santuaristas e sustentabilistas estavam juntos, por razões distintas.

 

Os santuaristas são os que se levantaram contra Balbina, Belo Monte ou a recuperação da BR 319 que liga Manaus a Porto Velho (RO) e conseqüentemente ao restante do Brasil. Embora argumentem que a motivação é ambiental, o que lhes anima efetivamente é a concepção de que a Amazônia é patrimônio da humanidade e, portanto, deve ser gerida por toda a humanidade. Por essa concepção qualquer uso da Amazônia deve ser evitado para assegurar que seus abundantes recursos naturais permaneçam intocáveis como reserva estratégica de seus “donos”. Parece delírio, temos que reconhecer, que alguém pense e aja assim, especialmente se for brasileiro, mas os exemplos e a prática cotidiana são por demais abundantes para que tenhamos qualquer dúvida quanto a este propósito.

 

Identificar tais concepções ideológicas nos ajuda a compreender porque esses ativistas continuam contra a construção de Belo Monte ou a recuperação da BR 319 mesmo quando todas as providências mitigadoras foram providenciadas, quando instituições de elevada competência técnica e respeitabilidade profissional elaboraram os estudos de impacto ambiental e as licenças ambientais foram expedidas por órgãos oficiais credenciados como o IBAMA, de cujo rigor ninguém tem dúvidas.

É que essa corrente ideológica não quer rigor no licenciamento ambiental, como querem os sustentabilistas. O que os santuaristas querem é impedir o uso da Amazônia através da tática do bloqueio.

 

Os sustentabilistas, em contraposição aos produtivistas e santuaristas, partem da premissa de que não há ação humana ou natural sobre a face da terra que não provoque impacto ambiental e, também, que não há recurso natural inesgotável. Assim, não apenas o uso desses recursos deve ser racionalizado como a sua utilização deve ser em consonância com o mais elevado conhecimento científico e tecnológico contemporâneo.

Para os sustentabilistas, portanto, o rigor dos estudos científicos, das normas mitigadoras e da exigência criteriosa do licenciamento ambiental são medidas necessárias para minimizar o impacto ambiental e otimizar o uso dos recursos naturais e não uma medida protelatória para impedir que a ação efetivamente aconteça.

 

Essas são diferenças essenciais entre sustentabilistas e santuaristas. E, sem dúvidas, explica porque os sustentabilistas são a favor da construção de Belo Monte e se levantaram contra a construção da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas.

 

Belo Monte, Balbina e Três Gargantas – um debate comparativo

Balbina, como exposto acima, foi uma irracionalidade sob todos os sentidos e certamente só foi construída porque na época não havia uma legislação ambiental estruturada. Felizmente algumas das tragédias ambientais que prevíamos não se materializaram, como a “podridão” de seu imenso lago de 2.360 km2 pela decomposição da floresta que com ele sucumbiu. O lago é piscoso e não há qualquer fedor aparente, embora alguns articulistas continuem dizendo o contrário, por ignorância ou má fé.

 

Belo Monte, como todos sabem, será a 3ª maior hidrelétrica do planeta e a 1ª do Brasil. Será superada apenas pela chinesa “Três Gargantas”, construída no rio Yang-Tsé, com potência instalada de 18.299 mW e pela binacional “Itaipu”, com 14 mil mW de potência instalada.

Seu projeto original também foi questionado por nós. Os estudos de impacto ambiental, a mobilização popular e mais de 20 anos de questionamento e debates públicos fizeram com que a obra se tornasse tecnicamente defensável.

A área inundada, originalmente prevista, era de 1.250 km2. Foi reduzida para 516 km2, o que lhe confere o melhor custo beneficio em termos de impacto ambiental.

 

Comparemos:

 

Balbina precisou inundar 9,44 km2 de área para gerar 01 mW instalado; Tucuruí só precisou de 0,290 km2 para gerar o mesmo mW; Itaipu gerou cada mW instalado com apenas 0,096 km2 e Belo Monte não precisou de mais do que 0,046 km2 por cada um de seus 11.233 mW de potência instalada.

 

Os 516 km2 de área inundada da hidrelétrica terão repercussão numa região que abrange 05 municípios (Altamira – o maior do mundo com quase 160 mil km2 – Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu) e cuja área total é de 195.219,815 km2, o que significa que apenas 0,26% da área será comprometida.

Não creio, honestamente, que isso inviabilize qualquer outra atividade econômica na região.

 

Três Gargantas, a gigante chinesa, é a que mais se aproxima de Belo Monte em termos de racionalidade da área inundada e megawatts gerados. Com 18.299 mW de potência instalada e uma área inundada de 1.084 km2, a relação é de 0,059 km2 inundado para cada megawatt gerado.

 

Mas as semelhanças param por aí. Enquanto a população removida em Belo Monte será de 20 mil, segundo dados oficiais, na área de Três Gargantas serão removidos mais de 1,2 milhões de pessoas. Nada menos do que 160 vilas e cidades inteiras serão tragadas pelo lago de mais de 600 km de extensão. Sítios arqueológicos milenares terão o mesmo destino. Mas os chineses sabem do caráter estratégico da energia para o desenvolvimento das forcas produtivas socialistas ou capitalistas e seguiram em frente com a maior hidrelétrica do planeta.

 

Como se pode ver nem todos os povos tem o privilégio, como o Brasil, de buscarem o suprimento de energia a um custo ambiental relativamente pequeno quando comparado com os demais exemplos aqui mesmo mencionados.

Artigo publicado no Portal Vermelho – www.vermelho.org.br

 

Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual, Membro do CC do PCdoB, Secretário Nacional da Questão Amazônica e Indígena.

 

http://www.eronbezerra.com.br/?p=212

 

 

Acho que vai ser uma tendência o Brasil exportar energia elétrica, travestida de produtos primários, algo parecido com o que já vem acontecendo com os produtos da agro-indústria.

Certamente a catástrofe no Japão vai acelerar essa tendência.

Nenhuma grande indústria vai querer arriscar a sua produção, deixando-a ao sabor de desastres naturais.

Assim como em determinado momento correram atrás da mão de obra barata do terceiro mundo, agora vão correr atrás da segurança, correndo atrás das democracias estáveis e de pouco risco climáticos.

 

O que ele não diz é que Balbina, com toda aquela área inundada, gera apenas 350 MW e não 4.000 para Belo Monte, mesmo em tempos de baixa vazão. E mais, Balbina não dá nem conta do consumo de Manaus, precisa-se de geração diesel e termoelétricas para completar.

Não diz também que, os interesses dos países do primeiro mundo em vender valor agregado com os preços de energia "deles", desejam importar Alumina e não Alumínio Primário. Sabem por que desejam Alumina? Os rejeitos do processo da Bauxita ficariam aqui e, neste caso, eles não dizem que estes rejeitos ficam aqui em nossa Amazônia; não interessa o assunto para os babacas dos ambientalistas terceiromundistas daqui.

Outro fator é que lá, com energia por geração nuclear,(eles não tem mais opção hídrica) os 70% do custo da energia no custo de obtenção de Alumínio Primário, viabiliza as usinas nucleares deles, seja para o transformação da Alumina em Alumínio como também para garantir excedente para consumo geral industrial e residencial. E nós, com energia obtida por hidroeletricidade, com custo bem inferior a de opção nuclear, poderíamos obter maiores margens de ganho no mercado mundial do Alumínio Primário Pior ainda, eles estariam amarrados ao Alumínio vindos já daquilo que eles chamam de Terceiro Mundo e que, lógico, desejam que assim continuemos sendo.

Quero ouvir outras histórias e outras conclusões de especialistas, nada de opinião de lobistas safados e "verdinhos" vendidos às multinacionais; são todos safados e que, via de regra, compram também muitos safados para agir por eles em nosso legislativo.

 

A exportação de energia elétrica não é em si algo tão pernicioso quanto outros recursos não renováveis. Ela está sendo perdida a cada instante, de qualquer modo. Ademais, o processamento da bauxita e subsequente da alumina agregam valor considerável ao produto, inclusive no frete - 47% da alumina é oxigênio.

Custo social? São cerca de 25 mil pessoas a serem afetadas e um faturamento médio de R$ 3 bilhões. Qual o custo de indezinação dessas pessoas? R$ 25 milhões?

 

A grande indústria precisa de energia. Não tem sentido deixar de lado Belo Monte por causa do destino para a energia gerada. Ou será que os ambientalistas também não querem a grande indústria a se desenvolver no país?

 

"Seja realista: exija o impossível"

O mundo não vai parar de crescer porque alguns ambientalistas(seriam mesmo ambientalistas???) acham que Belo Monte vai causar um estrago sem precedentes no nosso país....por favor...vamos tentar nos informar melhor...comprar este discurso de ambientalistas pra lá de suspeitos...me parece de uma primariedade....o Brasil precisa crescer...crescer para poder dar trabalho, poder abraçar as futuras gerações que adentrarão no mercado de trabalho...o Brasil precisa refazer a sua infraestrutura que, ou é inexistentes ou, simplesmente foi sucateada....pra competir com o mundo é preciso ter energia.  Alguem ainda acredita que  energia Eólica é o suficiente para abastecer uma siderúrgica?? Um poló tecnológico, sonho do nosso amigo blogueiro Clayton em comentário aí em cima?? Como vcs acreditam que iremos alimentar tudo isto??  Com energia solar??  Por favor, entendam...não há como armazenar energia em grandes quantidades...energia eólica, solar, além da limitação...atende apenas  pequenas comunidades jamais será para indústrias, hospitais  etc...Até hoje a humanidade não invetou um sistema que pudesse acumular grandes quantidades de energia para poder suprir quando da impossibilidade de gerar energia em períodos sazonais.  Imaginem um carro elétrico, a mais nova sensação...não polui o meio ambiente...tudo de bom...este carro precisará ser abastecido com energia....este carro precisará recarregar suas baterias através da energia elétrica, ou alguem acredita que energia eólica ou solar poderão abastecer uma frota inteira como a de São Paulo, de carros elétricos??

GENTE!!!  Acorda!!!  Usina Hidrelétrica é 100% brasileira, energia limpa...desde os peões até as turbinas...todo é fabricado no Brasil....é tecnologia própria...genuinamente brasileira...dominamos esta tecnologia. A construção de barragens gera muitos empregos aos brasileiros, não só na construção como na operação e manutenção das redes de distribuição. Nós ainda temos potencial para este tipo de Usina....a natureza nos dá isto de graça.....tá lá...é só explorar!

Somos um país urbano...deixamos de ser ribeirinhos, rural, para nos tornarmos urbanos....aqui, nas cidades, consumimos energia para geladeira, TV, som, microondas, liquidificador...até para este PC que vos fala....um hospital precisa de energia...uma escola precisa de energia...qualquer cantinho hoje, sem energia não existe. A energia está presente em toda atividade humana...até quando vamos ao banheiro e defecamos...o esgôto que trata nossas fezes precisa de energia elétrica para acionar as estaçãos de tratamento.

O Brasil precisa, pra se tornar competitivo lá fora, gerar riqueza, acabar com a miséria, crescer pelo menos, 3,5% na média, ao ano, que já é um crescimento pífio....como vcs querem promover este crescimento sem Usinas, sem energia??  A verdade é o seguinte...Belo Monte já vem tarde..por causa de tanta baboseira...sim, baboseira...que as pessoas ficam repitindo e não vêem que nada mais são que massa de manobra....querem ser ambientalistas de verdade??  Vão defender a Amazônia...onde, por hora, se desmata um campo de futebol....Cadê os ambientalistas??  Vcs não percebem que estas ONGs nada mais são que defensoras de interesses outros que não os índios!!!  Através da troca de bugigangas com os índios, exploram e pirateiam a fauna e flora para abastecimento de matéria prima das grandes empresas multi-nacionais, este o verdadeiro interesse das ONG's. Nossas riquezas estão sendo expoliadas por multi-nacionais do setor farmacêutico e do setor de minérios(muito ouro) e faz tempo.

Precisamos de mais Belo Montes..muitas mais....precisamos acabar com a miséria do nosso país.  Tá lá, no programa da Dilma, ainda faltam incluir 17 milhões de brasileiros..alguem faz idéia do que são 17 milhões de pessoas para serem  incluídas...dar condições  de sobrevivência... de saúde e higiene, de dignidade humana..dar condições mínimas  para estes brasileiros há muito renegados....Precisamos olhar para o todo.  E os ribeirinhos??  São pessoas  que  não possuem geladeira para guardar uma caça..não sabem o que é uma lâmpada, é justo deixá-los permanecer vivendo assim??  Com proliferação de doenças que vem da água sem trato, da falta de hospitais próximos pois não há energia??  Nós acordamos de manhã, ligamos nossa torneira e temos água tratada...mas alguém faz idéia de como esta água chegou até nós?? A energia que foi gasta?? Precisamos dar continuidade ao Minha Casa Minha Vida, BAnda Larga, Luz para todos. Precisamos acabar  com a desnutrição, acabar com tantas mazelas,acabar com os gargalos,  com  as diferenças regionais que ainda temos....isto só se acaba quando se cria empregos, quando se cresce....e não há crescimento sem energia...simples assim.  Se fosse eu Dilma, pegaria o exército....punha eles todas lá em Belo Monte e construia esta Usina na base da porrada....e os ambientalistas??  jogava todos na Amazônia...lá sim é o local deles....onde o bicho tá pegando pra valer e onde, por incrível que pareça, ninguem fala ou faz nada. 

Belo Monte para mim, é ponto pacífico. É fácil para aqueles que estão no conforto de suas casas romantizar e fundamentar pensamentos em cima de ideologias que nada tem a ver com o estado de sobrevivência destas populações......Imaginar os ribeirinhos, as árvores, a natureza...tudo é tão lindo...eu sei que é mas, isto não enche barriga,não traz saúde e pior,  não promove a inclusão..... O pior é que enquanto ficamos discutindo Belo Monte...(se discute Belo Monte desde a década de 70)...esquecem que na verdade, por baixo, precisamos de mais 63 Belo Montes....para dar condições mínimas de sobrevivência para estes 17 milhões de brasileiros...não falamos aqui nem em indústrais nem em multis  mas de BRASILEIROS!!  Romantizar Belo Monte...os índios etc...é coisa pra quem fica dentro de casa, usando da energia que acha que surgi do nada, sem noção alguma!!! E, agora, para quem dúvida da energia elétrica, faço uma pequena sugestão, um desafio...experimentem desligar a chave geral de suas casas por pelo menos um dia....depois voltem aqui para narrar a experiência...estarei aguardando ansiosamente!!!

 

 

 

É isso aí, Dê!

Enquanto ficamos no nhenhenhen o mundo roda e nós vamos ficando para trás...

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Eu, particularmente, preferiria indústrias como software, design e alta tecnologia do que "grandes" indústrias primárias altamente subsidiadas com pouco geração de empregos e valor agregado como é a produção de alumínio.

 

Deve ser legal ter uns 50 milhões de analistas de sistemas, programadores e quetais fazendo software.

Deve ser legal ter uns 50 milhões de designers projetando sei lá o que.

É! Deve ser bem legal!

Um imenso Vale do Silício com 8 milhões e meio de Km2!

Bacana!

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

Não há a necessidade de ter que optar por uma outra, podemos ter os dois, não estamos vivendo nehuma "Escolha de Sofia".

E que eu saiba software, design e alta tecnologia também não são grandes geradoras de empregos, como são a construção civil, turismo, educação, saúde, etc...

Mas também sou a favor, pois oferecem melhores empregos, mesmo não sendo tantos assim.

 

Espantoso  é  um gringo   conseguir o mapa  da inundação  no  INCRA, na época    em que   informações como essas  ,eram consideradas de "segurança nacional".Talvez,por isso mesmo...

 

rique

pois é...pensei a mesma coisa.

Lembrei até de ter ouvido que o pp incra participou/colaborou em certas regiões do Pará com os torturadores...

 

Essa é a competencia de Dilma: reciclando projetos megalomaniacos da Ditadura Militar.

Enquano isso o Brasil vai ficando para traz em toda tecnologia de informatica e energias renovaveis.

Eramos os maiores produtores de etanol no inicio do governo Lula, falava-se em esportar para o mundo todo, agora não podemos nem atender a demanda interna e temos que importar dos EUA.

Uma vergonha.

 

Como pode uma usina como Belo Monte :

será a terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas da chinesa Três Gargantas e da binacional Itaipu, com 11,2 mil MW de potência instalada não ser extremamente importante no país, mesmo com 30% direcionado a uma industria só ? Os restantes 70% serão muita energia ainda.  A Itaipu gera 14 mil MW.

Está me parecendo um tremendo chute de ambientalistas defensores de pererecas raras...

A capacidade energética brasileira no contexto mundial parece incomodar países que não dispõe desse imenso potencial de energia limpa.

 

no, o senhora está redondamente enganada, quem entende de amazonia somos nós, americanas, que temos uma special interesse no seu biodiversity. Do you remember the slogan? if it's good for us, it´s very good for you? forget it, o que foi bom para nós não será para vocês...agora que o quarta frota de nosso US NAVY está nas redondezas, nobody can stop us...nós recrutamos nossas especialistas para convencer os ecochatas que our real intentions não é fazer o que fizemos em nosso próprio país, e mesmo que não tenhamos assinado o protocolo de kioto e nos comprometido com metas viáveis de redução de emissão de CO2, we are ecologists since we were just kids e faremos tudo para o BRAZIL (capital buenos aires) não tenha fontes de energia limpa, er, i mean, destroy its ecosystem.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

Joia, parabens. Nada como o humor para tambem colocar as coisas no lugar certo.

 

A usina não vai gerar isso tudo o tempo todo. Essa é a potência máxima que só será atingida durante uns dois, três meses do ano. A média anual da usina é bem menor e, calculada dessa forma, mesmo o seu custo/benefício financeiro (sem contar os "chutes" dos ambientalistas e chatos como eu sobre custos sociais e ambientais) é bastante mais elevado do que parece.

 

Não dá para negar um argumento: Pra que será utilizado esse energia?

Mesmo que seja só 30% temos que planejar o futuro e para de ser colonia extrativista: Carne, Acuçar, Alcool, café, minério de ferro, lingote de alumínio e etc.

 

Se não conseguimos transformar ainda nossos recursos básicos em manufaturas ( tem que haver um plano para trazer a cadeia de alto valor dos nossos recursos), então devemos sobretaxar as exportações com um imposto ambiental.

 

"Energia limpa"? De onde você tirou que uma represa que cobrirá milhões de toneladas de arvores gera energia limpa?

Acha que jogar no esgoto o potencial genético de centenas de milhares de espécies animais vale o beneficio de alguns megawatts que serão comprados a preço de banana bom multinacionais, quando não boa parte sr perdida na transmição?

Pelo visto você nem se deu ao trabalho de ler o resto do artigo.