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Pixação terá mostra na Alemanha

Do Estadão.com.br

Nos muros de Berlim

Os polêmicos pichadores das últimas Bienais de São Paulo devem participar de mostra na Alemanha no próximo ano

Camila Molina

Foto: Leonardo Soares

Pichação é arte? Os amigos Djan Ivson (E) e Rafael 'Pixobomb' - Leonardo Soares

Pichação é arte? Os amigos Djan Ivson (E) e Rafael 'Pixobomb

"Se você for analisar, o que tem de novo, puro e verdadeiro na arte contemporânea? Só a pichação. O resto é palhaçada, só performance", diz Djan Ivson, de 27 anos. Orgulhoso por fazer parte do grupo de pichadores que "já engoliu duas Bienais de São Paulo" (as de 2008 e de 2010), ele e seu amigo Rafael "Pixobomb", encontram a reportagem do Estado no Largo do Paiçandu, no centro da cidade, para falar sobre uma novidade: estão cotados a participar da próxima Berlin Biennale, em 2012. A lista dos participantes do evento só será anunciada daqui a alguns meses, mas a curadora assistente da mostra, Joanna Warsza, esteve em São Paulo em março e fez uma grande entrevista com os pichadores brasileiros. A conversa da "reunião de quatro horas, com três tradutores" vai ser publicada no catálogo da 7.ª Bienal de Berlim. "É uma conquista do nosso movimento", diz Djan.

Em outubro de 2008, ele estava no grupo que pichou o segundo andar do pavilhão da Bienal de São Paulo, causando tumulto naquela "Bienal do Vazio" e a prisão da jovem Caroline Pivetta da Mota. No ano passado, ainda, o pichador, da gangue "Cripta", invadiu a instalação do artista Nuno Ramos na 29.ª Bienal e escreveu com spray a frase incompleta "Liberte os urubu", criando mais rebuliço. "As intervenções foram demostração de potência e eles (da Bienal) mostraram que não estão preparados para a discussão sobre arte e política. Somos subversivos, não temos apego à nossa obra", defende Djan. "Nossa pegada é mais frenética, o rock do Diabo", diz Rafael. "Pichação é uma busca existencial daquela parcela de jovens da periferia que escolheu não ficar no anonimato", continua Djan.

Além das pichações nas duas Bienais, os amigos também estiveram envolvidos em dois episódios anteriores de infração na Faculdade de Belas-Artes - na qual "Pixobomb" era aluno e foi expulso - e na galeria Choque Cultural. Se forem definitivamente confirmados para participar do evento alemão, que tem curadoria do conhecido artista e diretor polonês Artur Zmijewski, cinco "pixadores" (como são identificados por Joanna) do grupo levarão consigo apenas tinta para pichar os muros de Berlim. "O Artur disse que queria que a gente passasse a nossa mensagem para a cidade. Não vai ter nada autorizado pra gente pichar, essa bienal não tem nada de obra física, ela é conceitual. E nossa mensagem na cidade, sem babar, vai ser nas ruas", conta Djan.

Zmijewski participou da 29.ª Bienal de São Paulo, com curadoria Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, assim como Djan e seus colegas estavam na edição da mostra como artistas convidados para representar, de forma genérica, a "Pixação São Paulo" - e não grafite - por meio de vídeos e fotografias de suas ações na cidade. Mas Djan, com a intervenção na obra de Nuno Ramos (apagada logo em seguida), deu um passo a mais na participação do grupo na exposição. "Mesmo a gente estando incluído no evento, credenciado, isso não tirou a nossa autonomia de pichar lá."

A interlocução do grupo com os curadores da Bienal de Berlim tem sido feita pelo sociólogo Sérgio Franco. "Agora eles estão sendo levados a sério", afirma Franco, que ofereceu sua casa para a entrevista entre Joanna e os meninos. O sociólogo e consultor da Unesco, ainda, tem a carta de 16 de agosto assinada por Gabriele Horn, diretora da Berlin Biennale, na qual está o convite endereçado a Caroline Pivetta para integrar a mostra.

Atualmente, a maior preocupação de Djan, Rafael e de seus colegas é a audiência marcada para o próximo dia 15, em Brasília, na qual será decidido o destino de Caroline - ou Carol, como a chamam. Em 2009, ela foi condenada a quatro anos de prisão e a defesa espera usar a carta/convite da Berlin Biennale como argumento em seu favor. "Cuidado, cuidado com danos morais", diz Rafael "Pixobomb", referindo-se à futura ação que ele e Djan querem mover contra a Fundação Bienal de São Paulo pelas agressões que sofreram nos dias das duas pichações na instituição.

7ª Berlin Biennale

A próxima edição do evento alemão de arte contemporânea, com curadoria do artista polonês Artur Zmijewski, está marcada para ocorrer entre 27 de abril e 1º de julho de 2012

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Arte é arte , Anthony Gormley encheu de bonecos no centro da cidade , pixação é a mesma coisa.

Liberdade para artista é poder criar e fazer o que quiser quando quiser....

Ignorancia mata...

 

Acho tudo isso uma palhaçada incentivar estes ignorantes que acham que isso é uma forma de protesto,

e ainda tem gringo que tira vantagem disso , no momento estao fazendo um documentario diretor Amir Escandari  da Finlandia e o brasileiro Hugo Ruax que por dinheiro e nenhum amor a patria esta ajudando a promover este crime, fazendo com que estes criminosos se sintam herois , promovendo pixacoes pela cidade, ele alugaram um apartamento de uma pessoa no minhocam dizendo que iam morar e levaram estes caras que sao da Favela de Osasco para pixar o predio no 10 andar, como morro no predio em frente tirei varias fotos deles filmando os desgraçados, ta certo essa merda???

o Brasil é um  pais de merda mesmo!!! e os gringos tiram vantagens da nosso povo ignorante

 

Pichadores ou pixadores como esses porcos gostam de ser chamados não passam de analfabetos, bobos, que não prestaram para nada na vida, que não têm competência para estudar ou trabalhar. São perdedores e entre os milhares de otários pichadores aparece uns aloprados da arte para levar um ou dois desses exemplares de imbecís para participar de bienais. O que deveriam fazer é botar esses maginais atrás das grades e jogar a chave fora.É como dizem: mantenha a sua cidade limpa matando um ou dois pichadores por dia.

 

Os polêmicos pichadores das últimas Bienais de São Paulo devem participar de mostra na Alemanha no próximo ano...

Absurdo ! O que qq pichador deveria receber é 300 chibatadas nas costas em praça pública...rs.

Pô! Este vandalismo suja e enfeia qq cidade. Para mim não passam de porcos e mal educados.

 

"Penso, logo existo"

E logo apos, voce pode ir visitar uma mostra de rap...

 

E agora, Ana Paula Cohen? Os "vândalos" foram promovidos a artistas... Mas, espere, eles não estão na sua dissertação de mestrado, então não poderão estar em nenhuma mostra (bienal do vazio ou não) que vc fizer a curadoria, né?

 

 

Uma lástima, ver BH coalhada de riscos ordinários, horrorosos, nas paredes dos prédios, dos muros, das escolas. As autoridades nem passam perto. São cegas para este tipo de coisa.

Não gosto de pixações e tenho muita pena dos pixadores. Perda de tempo e de dinheiro gasto com tintas.

 

Desculpe, mas acho que vc deve se informar melhor, veja o caso dos Piores de Belô, no ano passado, o que se discutia era justamente a repressão desmesurada e sem sentido:

(Sim, porque fazê-los limpar o que picharam é uma punição aceitável, jogá-los na cadeia, não.)

 

Manifesto: LIBERDADE AOS PIORES DE BELÔIn blog on setembro 28, 2010 at 21:50

Longe dos holofotes da Bienal Internacional de Arte de São Paulo e da imprensa especializada sobre arte, a pixação* invade a cidade e ainda é duramente reprimida pelo poder.

No dia 24 de agosto, cinco pixadores do grupo conhecido como os Piores de Belô foram presos. A polícia havia pedido a prisão preventiva dos integrantes por formação de quadrilha, pichação, invasão a propriedade alheia, crime ambiental, depredação de patrimônio público e apologia ao tráfico de drogas.

Tal fato não se mostra de forma nenhuma isolado, já que, desde junho do ano passado, a Polícia Civil desencadeou a “Operação BH Mais Limpa”, que resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Ainda esse ano, a Polícia Civil criará uma delegacia para combater especificamente as gangues de pixadores que agem em Belo Horizonte, fato já amplamente divulgado como uma ação visando a Copa do Mundo. Nos parece óbvio que, com a aproximação da Copa e o ímpeto de gerar uma cidade limpa e asséptica, serão criados cada vez mais novos meios de repressão.

Além dessa nova delegacia, a Prefeitura de Belo Horizonte prevê também uma central de monitoramento eletrônico. As câmeras serão instaladas para vigiar os prédios públicos e locais de grande concentração de pessoas, como o Parque Municipal no Centro, o mirante das Mangabeiras e também a Praça da Estação (que, como já sabemos, é um espaço que só atende às demandas da própria Prefeitura, da socialite Ângela Gutierrez, o seu Museu de Artes e Ofícios e o interesse de grandes empresas que podem pagar o preço absurdo de utilização da praça). Essas novas formas de combate ao crime são legitimadas pela falsa sensação que o cidadão comum tem de que o poder público efetivamente o protege e zela pela boa conservação da cidade quando, na verdade, a cidade só deve estar limpa e bem apresentada para receber o capital estrangeiro que escoará por aqui no período da Copa. Tais ações transformam a cidade em um lindo cartão postal, longe de qualquer uso efetivo e real pelas pessoas.

O preço de toda essa “segurança” e limpeza?! Eis aqui a conhecidíssima resposta: a eterna vigilância e a repressão constante. Tudo pretensamente justificado  pelos dados que a própria prefeitura apresenta, alegando gastar R$ 2 milhões por ano em reparos de equipamentos públicos depredados, incluindo pixações. Parece ser preferível pelo poder público gastar com reparos e repressão do que efetivamente discutir o problema para além do âmbito criminoso. Como transformar jovens com rolinhos de tinta em assaltante ou traficante? Prenda o pixador por formação de quadrilha e enjaule todos juntos! A manobra política efetuada pela força tarefa do Ministério Público em conjunto com Prefeitura e a Polícia Civil para enquadrar os Piores de Belô como uma quadrilha, modificando o procedimento normal dispensado ao delito, além de cruel, é extremamente simplista, reduz a questão a um caso de polícia e encarcera sumariamente os autores de uma das práticas estéticas mais questionadoras do espaço urbano. Nos parece que tal acusação é só uma forma de infligir penas mais duras para aqueles que, como dizem os próprios Piores de Belô, apenas “jogam tintas nas paredes”.

O que nos surpreende é o caso ter sido negligenciado tanto por artistas quanto por “intelectuais”, pois é necessário e urgente que haja uma defesa da pixação, dos Piores de Belô e das movimentações que vão contra os processos de gentrificação que Belo Horizonte está passando. A única defesa pública do fato vem de Deborah Pennachin, doutoranda da Escola de Belas Artes da UFMG que tem como objeto de estudo a pixação e que, ao defendê-los em uma reportagem, afirma: “Para quem estuda, eles são top de linha da pichação em Belo Horizonte”. Sabemos o quanto é provável que a impressa tenha cortado partes importantes do seu argumento, mas não podemos deixar de considerar que defendê-los apenas por seu valor estético, além de ser um argumento fraco, soa oportunista. Afinal, isso pode acontecer com qualquer “pixadorzinho meia-boca” e é o que de fato ocorre: a maioria desses pixadores vive em comunidades carentes onde traficantes e assassinos não passam o que eles passaram nas mãos da polícia por causa da pixação. De janeiro a agosto deste ano, foram presos 257 pixadores em Belo Horizonte.

Sem entrar em qualquer mérito sobre a pixação, espaços excludentes, relação com a cidade, arte/anti-arte, colocamos a questão: será que só o fato de ser uma medida autoritária que vai aumentar a quantidade de processos desnecessários no judiciário, abarrotar ainda mais nossas cadeias que ferem cotidianamente o básico dos direitos humanos e possivelmente servir de escola de bandidagem para jovens que só andavam por aí armados de rolinhos e tinta, será que só isso não basta para ser contra a prisão destes jovens?

Devemos lembrar que Os Piores de Belô ainda estão detidos por tempo indeterminado em uma unidade comum até que ocorra o julgamento.

* Utilizamos a grafia “pixo” no lugar de “picho”, conforme o uso que os próprios interventores fazem

FONTE: http://comjuntovazio.wordpress.com/2010/09/28/manifesto-liberdade-aos-piores-de-belo/

 

"cinco pixadores do grupo conhecido como os Piores de Belô foram presos":

Hei, respeito aos futuros rappers do Brasil!

 

Pixação é vandalismo. Só isso. Destina-se tão somente a danificar paredes alheias, enfeiar a cidade.

Grafite é outra história, outra praia, outras paredes.

 

MAF