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Preconceitos, preconceitos e preconceitos...

Já repararam que esse é o tema do ano? (Depois das eleições e da política monetária, claro...)

Preconceitos e intolerância tem de todos os tipos para todos os lados.

Em relação a profissões (médicos, militares, advogados), a gêneros, a posturas (feminismo, punks, ecologistas, vegetarianos), a posições políticas, a religiões ou não-religiões (ateísmo, espiritismo, etc), a idéias ou a vícios, ao que for. Infelizmente generalizações são um comportamento relativamente comum.

Alguém entre na relação de matérias da semana no blog e poderá constatar facilmente como os preconceitos são uma questão mal-resolvida na sociedade brasileira (e, de resto, na mundial.) Uns 20% dos posts são sobre isso, ou não?

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/posts-mais-recentes

Sempre aparece alguém clamando contra a “ditadura do politicamente correto”. Mas.. Que utilidade haveria em um discurso “incorreto”? Para que reconhecer o “direito de se falar mal”? Só se for uma necessidade de diminuir para si mesmo o próprio preconceito que alguém reconhece em si. São horríveis aquelas frase que começam assim : “eu não sou preconceituoso mas...” É claro que é, apenas não se quer sair da zona de conforto de ver suas convicções contraditadas. E, se não violar nenhuma lei dos homens, não há nada dramático nisso, mas as dificuldades de lidar com o diferente, o que geralmente significa lidar com o futuro, permanecem.

Há exageros em algumas posições “politicamente corretas”? Possivelmente sim, quando são muito dogmáticas ou não enxergam o mundo de um modo holístico, mas geralmente não, prevalece o princípio de “onde há fumaça há fogo”. Se há alguma denúncia, deve ser dada atenção e crédito, antes de se descartar como vitimização.

Quanto a sexualidade, por exemplo, posso falar o seguinte : é mais comum do que se pensa uma pessoa se imaginar “progressista-por que-votei-em-Dilma” e não pensar duas vezes antes de escrever bobagem em posts sobre homofobia. Nem o programa de Penélope Nova resolveria...

Há muito preconceito cruzado, também. Alguém pode ser reacionário em política social, mas pode ser moderno em comportamento individual. Uma pessoa machista, que pode ser tanto homem como mulher, pode ser tanto religiosa como não-religiosa. Pessoas vítimas potenciais de uma discriminação podem estar discriminando outras. Ou a si mesmas, às vezes.

Acho que só há um caminho para se acertar quando o tema for preconceito ou intolerância : diga sempre NÃO AO PRECONCEITO, pois não há preconceito racional, todos são de algum modo manipulação de medos ou de fobias sociais com algum propósito.

Uma generalização é legal : toda pessoa é boa e/ou digna até prova cabal a respeito e que todos os lados sejam ouvidos. Evite-se ao máximo o prejulgamento.

Já as questões de como descobrir a quem interessam os preconceitos e de como lidar com eles, isso sim é que pode levar a bons debates.

Acaba de sair na Vida Simples uma matéria a respeito:

http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/099/grandes_temas/preconceito-eu-609350.shtml

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O primeiro passo para resolver os preconceitos que temos é admiti-los. E também termos a conciência de que eles não são ruins apenas para as suas vítimas. Mas também para nós, pois a intolerância envenena o convívio social, o que é ruim para todos, de uma forma ou de outra.

O preconceito que eu estou lidando no momento é contra os tucanos paulistas. Mas estou seriamente desconfiado que não é culpa minha.

 

Juliano Santos

"O preconceito que eu estou lidando no momento é contra os tucanos paulistas."

Acho que é um bom pretexto para discussão, Juliano, posto que existe a recíproca, um disseminado preconceito dirigido aos que votam nos candidatos escolhidos pela coligação governista, a saber, Lula & Dilma.

A maioria dos meus amigos físicos é "tucana". O que inclui a maioria das pessoas que mais gosto, que acompanham minha vida há quase 30 anos. Hoje, então, quase levo um susto. Alguém de quem gosto muito me achou no facebook e me adicionou. Ok, mas ao "confirmar" encontro o perfil dele com poucas mensagens postadas, quase um inventário dos factóides anti-Dilma. Incrível, mas fazer o quê? Vou perguntar pra ele se acredita em todo aquele besteirol? Nem posso muito, afinal, quando ele encontrou meu perfil viu um monte de "propaganda dilmista", a começar com o avatar e não ligou... (mas nada de factóides anti-Serra ou coisas negativistas, né?)

Como é possível que pessoas que compartilham um grande número de interesses, que sejam democracia, ética e progresso para o Brasil, pelo menos (nem todos estão convencidos da necessidade de justiça social, por ora...) consigam ter opiniões tão diferentes sobre quem seria o/a melhor para governar o Brasil?

Como o convívio social ficou tão difícil? Aqui penso que não chega a ser preconceito, mas um conceito: de um modo ou de outro, conscientemente ou não, o fato é que a postura tucana frente a eleitores de Dilma, pelo menos em SP, foi muito (mas muito) mais agressiva e desconstrutiva do que o contrário. Não me refiro ao que é postado na internet, mas ao dia-a-dia. Dezenas de emails sonsos e discurso furado.

Consegui estabelecer uma resposta padrão para não ser (muito) incomodado: “Você, com formação similar à minha, acredita mesmo nisso ou apenas torce para que alguém acredite?” Nunca houve alguém que dizesse: “Sim, acredito.” Parece que a campanha do PSDB este ano resumiu-se única e exclusivamente a mentir sobre Dilma, não vi conteúdo além disso. Aparentemente não se jogou pra vencer, mas para diminuir a vitória adversária.

Fica a questão : o PT (que nem é minha preferência para legislativo) não sabe se comunicar com a classe média paulista ou o PSDB é muito bom para divulgar sua versão?

No lugar de entrar em longas discussões resolvi simplificar as coisas com uma “receita”:

a)    Traçar uma hipótese para o que aconteceu. A minha, em simplificação, é de que o PSDB está desesperado para retomar o controle do orçamento federal de US$ 500 bi (não há outro motivo, como projetos, idéias, etc.) Em decadência nas eleições para legislativo e na falta de discurso concreto, apelou. E, em função de uma “macartização” da mídia, seus eleitores em potencial acreditaram nessa embromação. Nota-se que o discurso é sempre muito mais anti-Dilma do que pró-PSDB, o que é um sinal de sua fragilidade. Fico aberto a trocar de hipótese se surgir outra melhor.

b)    Aceitar que os eleitores tucanos podem (pensar) ter explicação contrária (mas nunca ouvi nada elaborado, em geral repetem vagamente alguma notícia da Veja, rebato e o assunto morre. Quando argumentam que vale a pena pagar pedágios porque as estradas paulista são boas é porque não há mais assunto.)

c)    Tocar a vida normalmente e esperar. Das três uma: c1) um dia “cai a ficha” e muita gente vai se sentir frustrada por perceber que foi engabelada pela propaganda tucana das últimas décadas; c2) um dia arranjam alguma argumentação cabal e consistente para me convencer de que seria útil um regresso dessa opção ao poder (ou seja, conseguem provar a hipótese da engabelação da propaganda lulista); c3) continua por tempo indefinido um grupo (decrescente) resistindo à realidade factual. Acho que as chances são algo como 50% / 10% / 40%

E assim não brigo com mais ninguém. Não vale a pena discutir com mitologias. Quem tem que ter o trabalho de comunicar ideário político-econômico são os partidos, não é? O que eu faço é confirmar minhas opções com franqueza e argumentação breve. Mas temos que dar tempo ao tempo.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Vou abusar do espaço, se for demais não publica. Mas é curto -

Edison Joani, não mexa com gosta de chorinho, tenho um enorme preconceito contra os inimigos do choro. Sará que se consideram humanos ?

 

Pessoal, eu sou fã, apreciador, dos textos do Gunter, sem desprezar dos demais, é claro. Mas vou colocar (palavrinha danada essa, melhor seria dizer propor, uma ou duas idéas.

Como dizia o esquecido Pavlov, que, em tempos teve a sua importância na neurologia, nós, animais que temos um sistema nervoso mais ou menos sofisticado, nascemos preparados, programados pela evolução, para identificar sensações da realidade, e reagir a elas. Faz parte do nosso kit de sobrevivência. A novidade do Pavlov (isto era no principio do sec. XX, entre 1900 e 1930) é que ele identificava, especialmente nos vertebrados, que tinham um encéfalo mais desenvolvido, além da programação (ele não usava esse termo, é claro) dada simplesmente pela evolução, e portanto inata, (chamava de não condicionada), uma outra programação capaz de ser aceita e incorporada pelo cérebro do individuo, do espécime, que se desenvolvia durante a vida individual do animal. Chamava isto de o conjunto dos reflexos condicionados. Especificando mais, dizia que a realidade circundante constituia para o animal, como que um conjunto de sinais, a ser percebido pelo seu corpo, proporcionado as diversas reações - frio, calor, alimento, sexo, dor, ruidos, etc. Chamava isso de primeiro sistema de sinais, as  sensações diretas da natureza ou da realidade, capazes de produzir as reações adaptativas. Considerava que o cerebro, em maior ou menor gráu, maior gráu na espécie humana, é capaz de identificar um segundo sistema de sinais, desde que venha costumeiramente associado ao primeiro: Por exemplo, ruido de milho batendo na vasilha, para chamar as galinhas. No caso do homem, há a possibilidade de criar-se todo um sistema secundário de sinais, chamado linguagem, correlato ao primeiro sistema, chamado realidade.

Deixando de lado o Pavlov, podemos constatar que a nossa realidade, a realidade para os humanos, fica tanto mais complicada quanto mais se acumula o conhecimento. É fato assente que um homem rural tradicional, vivendo a sua vida rústica de pequeno agricultor, especialmente se for analfabeto, pode viver, comunicar-se, ganhar a vida, namorar, casar e criar os filhos, com um acervo de palavras de menos de 5.000 palavras, talvez até com pouco mais de 1000 palavras.

O estoque de palavras do Gunther, de que porte será ?- seguramente 10 vezes mais, no minimo 50.000..

Ocorre, que esse estoque de palavras é, também realidade. Essas palavras estão internadas, e isoladamente, ou conjuntos delas, constituem IDEIAS. Tais ideias foram e estão sendo continuamente desenvolvidas na mente do Gunter. E são desenvolvidas pelas suas percepções, pelos ensinamentos recebidos da vida, dos pais e parentes, professores, amores, amigos, livros, etc. etc. Em suma, pela sua vida. Esse conjunto de ideias que o Gunter carrega, queira ou não, já que todos tem o seu, como todos tem um corpo, costuma-se chamar, ou é apropriado chamar, IDEOLOGIA. Na ideologia há noções, conhecimentos, exatos, correspondentes ao real, e há outros que podem não sê-lo, ou interpretações corretas e outras falsas. 

Desde muito cedo, já na prehistória da humanidade, pessoas que tinham o onus ou o bonus de liderança, descobriram que era importante levar os seus próximos a determinados conjuntos ou kits de ideias. Por exemplo, as mamães poderiam usar como recurso para ter o filhos junto a sí à noite, inventar seres imáginários povoando o escuro. Poderiam informar que  todo o estranho era um perigoso inimigo. E assim, ir disseminando crenças, ideias, PRECONCEITOS, adequados à proteção do grupo, ou aos interesses do lider, feiticeiro ou à turma dominante. As ideologias, então adotam o carater de instrumento de dominação, exploração. Mas também, alguns dominados poderiam tratar de disseminar ideias contrárias, por exemplo, de que alhures haveria uma "terra de canaã", ou como os Guaranis da nossa America, uma terra sem males. Essa ideologia instrumentalizou os judeus por 3 ou 4 mil anos, e os nossos guaranis por, segundo dizem, cerca de 5.000 anos. Os paises imperiais da idade moderna para cá, Europeus em geral, convenceram, suas populações de que estavam destinados por nada menos do que o próprio Senhor Deus a levar as benesses da civilização ao mundo todo, nem que para isso fosse preciso escravizar, roubar, saquear, massacrar, expoliar, enganar, e mais o que fosse preciso. Os Europeus convenceram-se disso com tanto entusiasmo, que, para eles aquela IDEOLOGIA,e aqueles PRECONCEITOS, eram a propria revelação do senhor. Os reis absolutistas convenciam sua população do direito divino da monarquia, e até hoje na Inglaterra deve haver um ou outro sargento do exercito britânico disposto a deixar-se matar pela rainha. A IDEOLOGIA NAZISTA, convenceu aos alemaes de tal maneira, que o preconceito permitiu aos alemaes praticar o Holocausto. Eles, realmente achavam a) que os alemaes eram raça superior; b) que os judeus eram culpados pelos males do mundo. Bem, o nosso regime de ditadura militar, aqui mesmo, convenceu muita gente que comunista não era gente, e que bastava ser contra a ditadura para ser um "perigoso comunista". E, é claro, havia a ideologia de sentido contrário. Portanto, onde há ideologia, o preconceito PODE  vicejar com facilidade. O preconceito só é combatido eficazmente pelo CETICISMO. Só se neutraliza o preconceito eficazmente, exigindo EVIDENCIAS, para corroborar qualquer afirmação, especialmente as que envolvem grandes ideias, generalizações.

Caro Gunter, no meu humilde entender, proponho a voce a ideia de que para tratar do preconceito é preciso abandonar o varejo do politicamente correto ( não sou contra, mas não creio muito na sua eficácia geral), e partir para o atacado do estudo histórico, sociológico, político, e saber que há muitos campos de batalha a considerar.

 

Não sei se estou enganado, mas creio que o Gunter confunde um pouquinho a política da anti-discriminação, da qual sou plenamente favorável (com exceção das cotas raciais), com o pensamento politicamente correto, que busca amenizar a discriminação através do emprego de palavras mais dóceis para descrever exatamente a mesma situação ou coisa. Sou contra essa última por se tratar de mera hipocrisia. Não creio que as favelas se tornaram melhores depois que passaram a ser alcunhadas de "comunidades" ou que o negão passou a ter seus direitos mais reconhecidos depois que se tornou "afrodescendente". Onde, exatamente, reside a diferença entre um portador da síndrome de down ser chamado de mongol ou "pessoa especial" no que concerne às suas dificuldades diuturnas em conduzir a própria vida sem restrições significativas em comparação às demais pessoas ditas "normais" da sociedade? E desde quando não é humilhante para um verdadeiro mongol (da Mongólia) ser considerado falta de respeito chamar alguém... de mongol? Enfim, devemos temer o uso ofensivo das palavras e não as palavras em si. Palavras significam apenas a exteriorização de nossos pensamentos. Se o pensamento não for ofensivo, a palavra também não será, independentemente de ser considerada pela comunidade um "palavrão" (outra discriminação histórica, essa contra as classes mais pobres e sua linguagem dita "de baixo calão"). Quanto à discriminação efetiva, aqui no sentido negativo de distinguir uma pessoa ou povo, negando-lhes acesso às coisas que são oportunizadas a outras, em função exclusivamente de um pré-conceito que se tem dessa pessoa ou desse povo, é abominável e precisa ser combatido. Porém, vejo muito mais perfumaria nos discursos (como esse dos politicamente corretos), do que vontade efetiva de tornar o mundo melhor para os discriminados (que nem sempre constituem minorias).

Gunter, concordo com quase tudo que você escreveu, mas você fez um pré-julgamento que , de certa forma, acaba por ofender as pessoas que são capazes de pensar. Não me considero, somente por ser contra o discurso politicamente correto ou contra as cotas raciais, alguém que busca amparar o próprio preconceito. De forma nenhuma. E mais: não é porque apelidaram o movimento de "politicamente correto" que ele está correto, o que invalidaria os discursos que lhe são contrários e que, assim, seriam "politicamente incorretos". Nada disso, meu discurso é tão correto e racional como o dos que pensam de forma contrária. Por favor, todos temos direito de expressar nossos pensamentos e eles devem ser submetidos à dialética ou crítica racional e não meramente apaixonada, como se somente existisse um viés correto para cada forma de pensar. Se alguém, por exemplo, defendesse a eugenia de forma racional, o racionalmente correto seria demonstrar os pontos fracos dessa argumentação e não meramente gritar "nazista" e proibir a continuação da argumentação. Não, não sou "nazista" e não defendo a eugenia, trata-se de mera argumentação levada ao extremo para demonstrar apreço pela discussão e liberdade de pensamento. Pensar não é crime, crime é agir para realizar o pensamento contrário à lei vigente. Pensar faz parte da natureza humana e foi a ação que nos conduziu gradativamente em direção à cultura e ao progresso intelectual humano. Sou contra todas as ações que visem obstaculizar a liberdade de pensamento.

 

Sem dúvida, discriminado não é coincidente com ser minoria.

Há questões mais ou menos difíceis de se lidar. Cotas raciais eu sou a favor, principalmente se cotas sociais demorarem muito a dar resultado. Agora se está dando chance a estas, vamos ver. Se uma situação foi criada a partir de um contexto histórico muito negativo, me parece ser dever da sociedade reconhecer que é necessário tirar o atraso o quanto antes. Mas isso é bem controverso, todos sabemos. E ambas as posições são “PC”.

Alguns pontos de terminologia podem não trazer resultados concretos em termos de direitos ou bens materiais. Mas delicadeza e tato nunca prejudicam. Assim, penso que depende mais de como cada grupo prefere ser chamado. É como escolher se alguém será tratado por você ou senhor. Eu não gosto de ser chamado de senhor, mas não posso impor isso ao meu interlocutor se ele julgar apropriado, posso apenas dar dicas. Na dúvida, o que "o outro" preferir. Se algo for apenas gafe, mas sem intenção ofensiva, certamente a outra parte percebe. Quase todo mundo tem bom senso e dá os devidos descontos.

O discurso generalista “anti discurso politicamente correto” a meu ver é falho e acaba servindo, ele sim, para obstacularizar as discussões, pois é muito usado para isso. Há muitos exemplos de críticas simplistas com o intuito de desqualificar e portanto isso não parece um bom caminho. É um pouco como a piada do “pega ladrão”, e é o que ocorre quando se chama de “ditadura” algo que busca combater a ditadura real de pensamento. É esta a situação em que as pessoas se amparam para se defender por antecipação. É esta paixão não-pensada em ser contra o discurso PC que causa desconfiança.

Se você apenas percebe que há pontos falhos no discurso PC porque se sentir pré-julgado? Está apenas na mesma situação que eu mesmo, em que falo dos exageros no parágrafo seguinte. Exatamente após eu usar o mesmo exemplo, que você usa, da falta de dramaticidade quando se segue a lei. O que não se pode é tentar impedir a discussão da lei, como tem sido feito muitas vezes.

Teci outras considerações em dois ou três comentários acima. Ou seja, penso que há uma tentativa de descaracterizar um todo por uma parte, como se faz com várias coisas, e que o “discurso PC” é muito útil para estabelecer parâmetros iniciais e raramente é prejudicial.

Não vejo motivos para ser contra o “discurso PC” por completo só porque há motivos para ser contra alguns exageros ou paixões (e que se surgiram foi mais como reação a exageros e paixões contrários, anteriores e preconceituosos.) Que se discutam estes então, mas não parece necessário discutir que a sociedade deve se mobilizar como um todo para combater a variedade de preconceitos que existem, nem é preciso recordar como era o ambiente antes da popularização dos movimentos sociais.

A origem geral do discurso PC, que de certo modo se tornou uma metodologia, foi justamente trazer questões para reflexão da sociedade e novas visões onde estas faltavam. Ou seja, para fazer se pensar mais, não menos, e a partir de um ponto inicial onde não havia muito pensamento crítico ou este era restrito à academia.

Alguém se arrisca a fazer um balanço dos benefícios e prejuízos de seu uso?

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

De fato, Gunter, a razão, ou a sabedoria, ou o bom senso, ou seja lá o nome que se queira dar àquilo que é considerado certo, sempre será encontrada no meio, jamais nos polos. Não sou contra o nome que os PC (para copiar você) queiram dar às coisas, em substituição aos outros que eles consideram ofensivos, preconceituosos, indignos ou de baixo nível. Somente não admito que queiram impor isso a mim. Não quero ser culpado por manifestar algo que não considero errado. O problema com esse tipo de coisa é justamente a imposição hipócrita que pela grita de alguns é estendida a todos. na forma de uma lei antidemocrática e autoritária. Sou absolutamente a favor de que pensem da forma que pensarem, desde que não considerem o seu próprio pensamento como o "mais certo", o mais inteligente ou o mais racional. O que o outro pensa é problema dele, assim como o que eu penso é problema meu. Qualquer pensamento é aturável, retrucável ou ignorável. O que não se pode jamais admitir é a opressão, a tirania, a cassação das liberdades individuais. Repito: se algo foi dito de forma racional e com intuito meramente de expressar o pensamento, não interessa o que foi dito, ainda que seja absolutamente "incorreto politicamente" ou afronte a moral vigente. A idéia está lançada e os que possuem capacidade argumentativa que a retruquem ou se calem. Constitui ignomínia coibir alguém de expressar o que pensa, desde que não haja intuito de injuriar. No mais, caro Gunter, admiro a sua forma de pensar e lastimaria profundamente que uma voz como a sua fosse calada se um dia uma nova onda limitativa do pensamento, como a dos PC, aparecesse. Para finalizar, não gosto da política PC mas defendo com unhas e dentes que eles possam manifestar-se. Jamais admitirei que tentem direcionar o que penso ou defendo.

 

 Uma demonstraçao de que preconceito nao escolhe classe social nem nivel intelectual....  Sim, porque   para ir para harvard ou vc tem muita grana ou consegue uma bolsa pelo seu desempenho intelectual.

 

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/844894-policia-investiga-vandalismo-c...

 

13/12/2010 - 12h42Polícia investiga vandalismo contra livros sobre gays em biblioteca de Harvard

DA ASSOCIATED PRESS, EM CAMBRIDGE

 

A polícia está investigando se houve crime de ódio em um ato de vandalismo contra cerca de 40 livros de temas gays na biblioteca da renomada Universidade Harvard, na cidade americana de Cambridge.

A equipe de segurança da Biblioteca Lamont afirmou em relatório entregue à polícia na última sexta-feira que alguém urinou nos livros, no último dia 24 de novembro. Uma garrafa vazia foi encontrada perto do local.

Um porta-voz da polícia afirmou ao jornal dos estudantes de Harvard "The Crimson" que todos os livros eram sobre temas ligados à comunidade gay, como casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A porta-voz da biblioteca, Beth Brainard, disse que a investigação demorou a ser aberta porque a equipe queria avaliar o valor dos livros. Ela diz que ele valiam milhares de dólares e serão jogados fora.

Marco Chan, co-diretor do grupo de defesa dos direitos dos gays de Harvard, chamou o incidente de "desconcertante".

 

¨Liberdade é a liberdade dos que pensam diferente¨ -- Rosa Luxemburgo

Perfeito, Gunter !!

Há uma falta generalizada de tolerância na sociedade como um todo - e me incluo aí, não tiro meu corpo fora. Precisamos rever muitos de nossos conceitos (pré- ou pós)...

Vou ler o texto que vc recomendou

 

Gunter,

O significado da palavra preconceito está ficando cada dia mais elástico. Como o colega opinou acima, também tenho medo da ditadura do políticamente correto. Não quero e não vou me submeter ao preconceito de quem vê preconceito em qualquer lugar e a todo o momento.

Na minha atividade, ramo imobiliário, a correta identificação do cliente,  levando em conta raça, cor da pele, religião, descendência, renda, atividade profissional, formação escolar e até preferência sexual é essencial no fechamento do negócio imobiliário.

Seremos preconceituosos por estabelecer características positivas/negativas a cada um destes agrupamentos (ou categorias, estratos) populacionais?

Um corretor deve se preparar com muito cuidado e planejamento ao intermediar a venda de um imóvel entre um libanês e um judeu, por exemplo. Muito mais fácil será esta intermediação se for entre um alemão e um brasileiro. E se a negociação for entre uma mulher recém divorciada (e talvez fragilizada ou inexperiente em negócios) e um cidadão cuja atividade profissional for doleiro/agiota.

Vamos a um caso prático. Suponha que um imóvel esteja para alugar e existam três candidatos a locação e podemos escolher qualquer um deles, uma vez que todos preenchem os requisitos exigidos. Os candidatos são: um japonês, um castelhano e um gay. O administrador experiente escolherá o gay. Gays pagam em dia, não irritam os vizinhos e são os que melhor conservam o imóvel. Os outros dois não tem historicamente a mesma performance.

Gunter, veja o risco contido no que escrevi. Muitos vão me taxar de preconceituoso.

 

A pergunta é boa, Francisco. E eu não sei responder, só poderei colocar mais elementos na discussão.

Quanto a isso de medo da ditadura do politicamente correto acho que não há razões para se preocupar. A cultura brasileira rejeita os exageros de processos que ocorrem em outros lugares, como às vezes se lê notícias vindas dos EEUU (ou essa da semana vinda da Suécia.) Se parece haver barulho por um lado, em geral é porque a reação ainda é forte e a discussão é recente. E estou convicto de que o discurso PC é mais para o bem e relativamente difícil de manipular.

Mas não é bom usar esse receio, pode parecer autodefesa antecipada. Essa impressão é inevitável e afeta o interlocutor. Na dúvida o melhor é sempre fazer colocações diretas e objetivas, acho.

(E, no fundo, não se pode questionar o discurso PC como um todo em função de falhas pontuais do mesmo modo que não se advoga o fim do Estado, da Igreja ou da liberdade de imprensa em função de suas respectivas falhas pontuais. O que vale é o conjunto.)

Não se chegou a comentar, mas seguradoras de automóvel em alguns países dão desconto para mulheres porque elas se envolvem menos com acidentes. Isso é um reconhecimento apropriado e positivo a um comportamento ou é um preconceito em relação aos homens que dirigem com cuidado?

O que você fala é como o estabelecimento de um “credit scoring”, que grandes empresas usam através de ferramentas estatísticas.

Há uma contradição na sociedade : por um lado ela defende agora um tratamento homogêneo a todos, a minimização/eliminação de preconceitos ou até mesmo políticas compensatórias. Por outro lado, estimula uma acirrada competição que faz com que agentes individuais tentem utilizar todo e qualquer conhecimento para maximização de resultados.

Cada caso é um caso, podemos tentar ver por partes. Na dúvida cumpra-se a lei, na ausência de lei a etiqueta, o que geralmente significa bom senso. Nos casos de empate pode valer a generosidade, optando pelo mais fraco. É como Malba Tahan dizia, existe a justiça perfeita e a mais que perfeita...

Preconceito positivo em relação à capacidade de pagamento de homossexuais. Isso não decorreria desse (meu) grupo ter em geral menos despesas com educação de crianças? Você não pode substituir na sua análise por “solteiros” ou “casais sem filhos” com resultados parecidos? Além de não melindrar ninguém talvez seja mais justo.

Pode até haver maiores dificuldades na lida comercial com grupos étnicos, mas isso não parece trazer dados sobre capacidade de pagamento ou ética, apenas que faz parte do trabalho, como lidar com pessoas simpáticas ou chatas, que tem apuro ao se vestir ou não. De qualquer modo usar essas informações (raça, origem, religião) para análises me parece ser proibido por lei, então não devem nem ser coletadas ou anotadas. Aqui a sociedade não permite qualquer maximização de resultados por modelagem e pronto. (E pode ser bom viver em uma sociedade menos exasperada.)

Atividade profissional e formação escolar são dados rotineiros nesses casos. Bancos usam, então é porque é permitido, o mesmo sendo válido para idade, que não citou. Acho que ninguém lhe chamará de preconceituoso por isso. O risco é outro, o de se perder bons negócios em função do que se julga ser uma informação pertinente e na verdade não ser. Autônomos e comerciantes informais acabam sofrendo preconceito sim, mas quando encontram alguém que encontra um modo de avaliá-los bem, tornam-se fiéis, ou não?

x-x-x-x-x-x-x

E vamos sempre com atenção a inferências, né não? Em uma sociedade cada vez mais multicultural e despadronizada é até difícil fazê-las. Por exemplo, eu sou um gay com nome alemão, mas tirando meu pai que era imigrante na Espanha, quase toda minha família veio de Castela... Ainda cuido bem do imóvel? rsrs

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

 

Você poderia por favor dizer o nome da Imobiliária? É que sou judeu, argentino, heterosexual e ateu, e apesar de nunca ter atrasado nem um dia o aluguel acho que vou perder meu tempo fazendo negócios com vocês.

 

 

 

 

Leandro,

A citação do judeu (e também do libanes) decorre da fama de serem bons negociantes e conciliar os interesses financeiros conflitantes entre eles  requer trabalho redobrado. Apenas isso.

O cidadão saber defender bem o dinheirinho dele e alguém destacar esta qualidade (voce acha defeito?) isto é preconceito?

 

 

corretor, ou outro profissional qualquer, que leva em consideraçao os fatores mencionados, estao longe de serem preconceituosos! muito pelo contrario, RESPEITAM seus clientes e suas caracteristicas. estamos falando de uma situaçao comercial que serve extamente, como uma luva, de base para nossos relacionamentos fora do "comercial".

 

 

Nossa, "taxar"? Isso é uma enxurrada de preconceitos...

Se sua imobiliária faz esse tipo de análise de risco deveria, com toda certeza, ser processada, por quase todo mundo! Inclusive eu jamais contrataria sua imobiliara, porque sei que ela usa critérios absolutamente superficiais, e com certeza errados, para tomar decisões.

A natureza do preconceito é exatamente essa! Atribuir aos indivíduos características que se atribuem (na esmagadora maioria das vezes de forma errada) aos grupos dos quais eles fazem parte. Que chances tem um indíviduo de qualquer um desses grupos que voce citou de viver com direitos plenos, sendo a pessoa mais honesta do mundo, se você o prejulga e o discrimina dessa forma?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rodrigo,

Não seja tão severo. Nós mesmos - corretores - sofremos com o preconceito de alguns, que acham que todos somos desonestos, trambiqueiros, etc.

Veja outro lado. Quando era gerente de vendas, gostava de contratar corretores que tivessem mais de 55 anos. O mercado, até há pouco tempo atrás, considerava que um trabalhador com mais de 45 anos era velho. Que preconceito, né.  A razão da preferência decorre da percepção do público que confia mais num homem ou mulher, digamos, mais maduros.

 

 

Discussões são úteis mesmo para quem for preconceituoso e sofre por ver que seu ponto de vista não mais prevalece na sociedade? Acho que sim.

Por  termos discutido tanto os direitos dos homossexuais este ano, não ficou mais fácil para todo mundo compreender o que ocorreu nos últimos dois dias úteis?

http://www.advivo.com.br/blog/gunter-zibell/casais-homossexuais-poderao-declarar-irpf-2011-juntos

http://www.advivo.com.br/blog/gunter-zibell/passos-a-mais-na-conquista-da-cidadania-plena-da-comunidade-lgbt

http://www.advivo.com.br/blog/gunter-zibell/contra-homofobia-grupo-promove-beijaco-no-centro-de-sp

 

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Triste época a nossa em que é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito.

Albert Einstein

Re: Preconceitos, preconceitos e preconceitos...
 

temos varios movimentos que depoem 100% contra a inteligencia dos seres humanos. hoje conhecemos mais um desse nivel que eh a bandeira dos ateus agnosticos. em breve teremos a bandeira dos preconceituosos com o lema: "temos preconceito, e daih?". Verdadeiramente estamos vivendo uma crise de total falta de respeito, que eh o que gera preconceitos e outros problemas do tipo. E da mesma forma que muitos garantem que honesto eh trouxa, podemos dizer que quem respeita seus semelhantes tambem eh um trouxa. E da-lhe bandeiras!

 

Parabens Gunter, irretocavael. So nao concordo com a suposiçao de que votar na Dilma é ser progressista e que isso implicaria em nao preconceito... alias a propria palavra progressista é muito mal usada, visto que, salvo contrario, todo mundo que vota em alguem é a favor do progressita, nao ha ninguem que tenha votado em alguem querendo "regresso".. fora isso, conheço muito boiola e simpatizante que votou no Ze Pedagio..

 

Hehe, mas eu não concordo com essa suposição, pelo menos não de um modo tão simples. É por isso que pus entre aspas, porque já li a frase muitas vezes, em geral usada como um "escudo". Fiz mais como tentativa para chamar a atenção a uma possível contradição.

Teríamos que saber se o progresso é uma opção ou uma obrigação, o que seria exatamente o progresso e também se Dilma realmente representa isso.

Eu não esquentei a cabeça muito com isso, o debate este ano nem deu espaço para essas explorações. Há tempos ela me convenceu que é mais preparada e é do bem e que sua base de apoio é aceitável. Se eu me decepcionar a imagem dela sairá do avatar.

Certamente, muitos amigos meus votaram no Zé Bolinha. Eu certamente não, mas não sou dogmático : fiz um post o elogiando (abaixo.) Sim, ele é popular entre os gays por várias bolas dentro, as pisadas foram só na fase final.

http://muitopelocontrario.wordpress.com/2010/03/26/ao-serra-com-carinho-por-gunter/

E eu, que não concordo com muita coisa que o Plínio fala (mesmo concordando com várias sacadas viscerais dele), gostei de ver o primeiro beijo gay da TV brasileira no programa eleitoral dele.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Sou pessimista em relação a esse tema. Acredito que o ser humano tem como postura inata a tendência a observar, classificar e hierarquizar o que ele/a vê ao seu redor. Mesmo que ele/a seja educado/a a controlar o preconceito, ele/a percebe que na prática é "melhor" ou "superior" ser A e não B. Muitas vezes esse preconceito é tão internalizado, que deixa de ser racional. Fica o exemplo da pessoa que se sente incomodada ou até ameaçada ao cruzar pela calçada com um jovem mal vestido, pobre e negro. Esse incômodo não existiria se a pessoa fosse mulher, bem vestida e branca. Você pode até racionalizar o que está acontecendo com você, mas o corpo responde negativamente.

Nesta postura pessimista, eu acredito que a luta contra o preconceito é permanente. E todos, mesmo os que se acham mais progressitas ou de esquerda, têm sempre que prestar atenção no que estão fazendo, pensando e escrevendo. Não importa o quão civilizados nós somos, estamos sempre a um passo da barbárie.

 

Preconceito contra médico ? A que ponto chega o corporativismo ?

 

Preconceito e medo deveriam constar nos dicionários como palavras sinônimas, é só se conhecer o objeto do medo que o preconceito se dissipa, eu me policio quanto ao preconceito contra evangélicos, geralmente quebro a cara quando rola o medo, pois ao conhecê-los terminamos nos tornando amigos, Edson Passetti trata da importância da amizade entre os diferentes, o que é impossível se temos medo do diferente

Segue resenha:

  Poucos duvidam de que ter amigos é um dos bens mais preciosos em nossos tempos, marcados por muita descrença e insegurança. Ao mesmo tempo, quase todos entendem que os amigos são poucos, defendendo-se para com os demais uma relação de distância e desconfiança. Mal nos damos conta  do modelo de amizade que praticamos, modelo cristão pautado na família e confinado ao privado, mesmo quando bradamos contra a destruição da esfera pública, a privatização da vida social, ou  a atomização do indivíduo.

        Ainda recentes, as  discussões sobre a difusão do modelo privatizado da amizade, que associa o amigo ao irmão vêm, contudo, relevando que outros modos de relação consigo e com os outros, fundados na solidariedade e no respeito à diferença são possíveis e, mais do que isso, necessários, para a tão desejada reinvenção das formas da sociabilidade e da subjetividade.


         É na direção dessas problematizações que o presente livro de Edson Passetti aponta, aprofundando uma importante discussão ética de nossa atualidade: as possibilidades da amizade entendida como vida em expansão, ou como afirmação de existências livres.

         Professor livre-docente em Ciências Políticas da PUC-SP, Passetti tem-se destacado pela crítica ousada e pelo corajoso enfrentamento de temas políticos da mais alta pertinência, destacando-se a busca de um fundamento ético para a reinvenção das relações intersubjetivas e associativas, assim como uma reatualização do anarquismo, de modo a escapar da herança  humanista do passado.

         Coordenador do Núcleo da Sociabilidade Libertária, do Programa de Estudos pós-Graduados em Ciências Sociais dessa Universidade, Passetti publica atualmente a revista VERVE, dedicada a temas libertários e é autor de vários livros e artigos referentes à violência contra as crianças e ao abolicionismo penal.

         ÉTICAS DOS AMIGOS pergunta pelas “invenções libertárias da vida”, como diz seu subtítulo, propondo uma genealogia da amizade no pensamento ocidental, especialmente quando formulada em relação às práticas da liberdade. Embora realize uma ampla e erudita historicização dos múltiplos sentidos atribuídos à amizade desde a Antigüidade clássica, seu principal alvo de investimento dirige-se à busca comprometida das experiências outras das práticas da amizade, para além dos conhecidos parâmetros que nos têm orientado no presente. A amizade que Passetti elege não se refere, portanto, à relação confortante, especular e íntima estabelecida entre iguais, através da qual reforçam a própria identidade e excluem os diferentes. Nem tampouco à aliança garantidora da paz perpétua promovida pelos Estados contra o inimigo comum. Antes, trata-se da busca inquieta pelos vínculos intensos que viabilizam associações libertárias, no presente, geradoras de estilos de vida não-hierárquicos, como querem os amigos La Boétie, Nietzsche, Stirner, Foucault e Deleuze. É Passetti quem afirma, ao questionar a canônica de Aristóteles, “ah, amigos, não há amigos”:

         A mim tocou a frase de Nietzsche ‘ah, inimigos, não há inimigos’, pelo desassossego que traz e pela bravura em reconhecer no amigo o melhor inimigo, o guerreiro que desestabiliza mas não destrói, em oposição à amizade  como bem superior, pacificação do conflito interno e exterior à cidade.” (p.33)

       Acompanhado por esses filósofos, Passetti visita epicuristas e estoicos, diferencia La Boétie de Montaigne, chega a Nietzsche e aos anarquistas clássicos, em especial a Max Stirner, evidenciando os elos que os aproximam, ou diferenciam na reflexão sobre a amizade. Com Foucault, encontra nos modos de subjetivação dos gregos e dos  romanos, experiências históricas de constituição de si radicalmente diferentes da sujeição contemporânea, pois aí longe de se visar a produção dos “corpos dóceis” submetidos a um código moral autoritário, cultivam-se livremente os usos dos prazeres e os cuidados de si, ainda não substituídos pelo ideal cristão de negação de si. Relações de amizade se constituem, portanto, em experiências éticas que almejam a estetização da existência, em práticas da liberdade que permitem fazer do indivíduo um ser livre e temperante, capaz de se auto-governar, antes mesmo de poder governar os outros e a polis.

         Vários capítulos compõem este  ensaio lúcido e apaixonado, que discute historicamente modos de “Coexistências”, “Estilos” de vida,  formas da amizade, convergindo para as possibilidades da criação de inúmeras “Associações” libertárias, no presente. É neste momento, a meu ver, que o livro atinge seu ponto alto, ao fazer vibrar, ao lado dos anarquistas clássicos, o pensamento de Stirner, incompreendido em função de sua defesa radical do individualismo. Novamente, a leitura irreverente de Passetti subverte as imagens cristalizadas: ao contrário do egoísmo narcisista que lhe é freqüentemente atribuído, a defesa stirneana do Um aparece como condição de possibilidade da afirmação libertária da amizade entre iguais, mas diferentes.

         Passetti não visa propor uma ética da amizade, mas “éticas dos amigos”, entendendo que “amigos libertários inventam existências, abalam o indivíduo, a sociedade e o Estado.” Em suas palavras,          “A ética dos amigos não é a ética da amizade, um procedimento privado da moral. Ela é presente, é agora. Não é a ética da vida boa, hedonista e feliz. Ela se instrui na convivência amistosa com os outros que partilham deste estilo de vida como arte de viver. Não busca o universal, o idêntico ou afinidades. Mas vitalidades, vontades de potência, combates e embriaguez possíveis para fazer emergir subjetividades constituintes. Trata-se segundo Foucault de um trabalho diário, uma prática com estilo, um ponto de vista próximo de Nietzsche.” (p.109)


        
A esse trabalho se entrega também o autor, convidando-nos a estabelecer laços libertários e horizontalizados de amizade, como inimigos e guerreiros desestabilizadores, desejosos de  criar e de se reapossar do mundo, aqui e agora.       

 

http://www.klepsidra.net/klepsidra19/eticasamigos.htm

 

 

...spin

 

 

Vejam o e-mail tosco que recebi hoje. Sequer é criativo. Mas o pior é que essa classe média que acha favor dar  panetone vagabundo pra porteiro não se dá conta de que, para os seus patrões, ela (essa classe média que ganha 10 mil reais ...) tem o mesmo status do "porteiro" que ganha "milão".  Então, o raciocínio também pode ser aplicado aos funcionários da área administrativa das grandes empresas, os engravatados e as "terninho" que adoram ganhar um brinde no Natal e aguardam ansiosos o jantar de confraternização que a "firma" patrocina no final de ano.  Portanto, rapaziada dos escritórios da Avenida Paulista, dos bancões, moçada que trabalha nos condomínios empresariais da Barra, jovens advogados de bancas famosas, engenheiros(as), administradores(as), profissionais da área médica, representantes da indústria farmacêutica, jornalistas que adoram bocas livres e brindes de final de ano, juízes e funcionários do Judiciário que aguardam com ansiedade as cestas de Natal presenteadas pelas poderosas bancas ... o e-mail que segue abaixo também é dirigido a vocês! (mesmo que a maioria ache uma "pobreza" votar na Dilma)

 

 

Segue o e-mail tosco:

 

"Nesse final de ano sigam a lógica!

Já que mais de 55% do povo votou na Dilma, significa que essa porcentagem está feliz com a atual situação econômica do país.
É provado que essa porcentagem é formada, em sua grande maioria por pessoas pobres. Certo?
Ou seja, os pobres estão, teoricamente, felizes porque a situação financeira deles melhorou!!!

Então... se os pobres estão felizes... CHEGA DE DAR CAIXINHA DE NATAL PRO LIXEIRO, CARTEIRO, VARREDOR DE RUA, FUNCIONÁRIO DA COPEL, SANEPAR, SABESP E DA ELETROPAULO E ETC!!! CHEGA DE DAR PANETONE PRO PORTEIRO!!! CHEGA DE DAR ESMOLAS NAS RUAS!!! NÃO PRECISAMOS MAIS AJUDAR ESSE POVO TODO!!!!

OBRIGADO DILMA!!!
VAMOS ECONOMIZAR NESTE NATAL!!!!"

 

 

 

 

 

O lado conservador da eleição presidencial 2010 trouxe muita intolerrância e preconceito ao dia a dia do brasileiro. 

 

 

Será que essa exacerbação dos preconceitos não é um sub-produto da era digital?

Do máximo minimalismo do bit?

Do zero ou um?

Do branco ou preto?

Do aceso ou apagado?

Do aberto ou fechado?

Estou certo ou estou errado?

 

Quem foram os que botaram cinco estrelinhas aqui no meu comentário?

É só isso que vocês tem a dizer? Um numerinho? Vocês por acaso acham que eu afirmo o que escrevi? Não viram que coloquei tudo na forma de perguntas? Vão ficar só na manifestação fácil de clicar nas estrelinhas? Não tem argumentos pra defender, concordando ou discordando? E por que só cinco estrelinhas e não 10, 100? É o péssimo, ruim, bom, muito bom e ótimo? Onde tenho que clicar se quiser escolher o "nenhuma das anteriores"? Só cinco opções de avaliação? E por que as estrelinhas são amarelas e não verdes? O que você tem contra os verdes, senhor Nassif? Já sei, o Nassif é anti-ambientalista enrustido, só pode ser isso. E por que estrelinhas e não bolinhas, quadradinhos ou triangulinhos? O que você tem contra as formas geométricas mais simples, senhor Nassif? Já sei, ele detesta geometria. Se detesta geometria é porque não gosta de matemática. Mas então, como pode ser economista se não gosta de matemática? Afinal, Nassif, você é economista mesmo? Onde está o seu diploma? É você mesmo que escreve os artigos sobre economia ou tem um ghost writer? Você acredita em fantasmas? Mula-sem-cabeça? Saci-pererê? Se não acredita, por que esse desprezo pelas manifestações folclóricas? Já sei: ele só gosta mesmo é de chorinho. E por que essa preferência por chorinho? Por que não funk, pop, ripe-rope? Você é ou foi do Bope? Terei meu comentário censurado se te chamar de xarope?

Viram como é fácil descambar para a intolerância, o preconceito e o patrulhamento?

É claro que eu exagerei, mas já vi muitos comentários nestes mesmos moldes aqui no blog.

Faz parte do aprendizado... Eu mesmo caí de boca no ENEM sem ter maiores informações, só porque estava preocupado com o meu filho, que prestou o exame. Depois vi que coloquei a carroça na frente dos bois.

Moral da história... hummm... não tem moral da história.

 

Eu acho que não, que a era digital não atrapalha e que o que vemos é parte da solução de alguns conflitos. Por milênios as pessoas se deixavam manipular facilmente, mas durante todo o século XX aumentou muito a alfabetização e o acesso a informação. E também a reflexão. Alguns dogmas passam a ser combatidos pela primeira vez e há fricções.

E acho que há também muito mais variedade de opiniões.

Mas outros preconceitos podem surgir. As últimas décadas têm sido pródigas na manipulação do discurso da saúde, por exemplo.

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Concordo com você que nesta era digital ficou muito melhor o acesso a informação variada e isso estimulou a diversidade de opiniões. Mas parece que hoje em dia todos tem que se posicionar no contra ou a favor, sem meio termo. Mesmo que as discussões sejam ricas em argumentos e nuances e os temas bastantes complexos. Pra mim fica sempre a impressão que muita gente ainda encara uma discussão como se fosse uma queda de braço.

Em tempo: também gosto muito do "Ponto de Mutação". Estou tentando baixar pelo emule e assim que conseguir vou postar aqui.

Um abraço!

 

Então. Eu escrevi em fevereiro de 2008:

Eis que a comparação que faço é esta: o racismo está para todos assim como o alcolismo está para o alcoólatra. Se no alcolismo faz-se necessário reconhecer-se como um doente que precisa de ajuda e, portanto, o faz todos os dias em confissão de ser um alcoólatra para redimir-se da moléstia, nós, racistas que somos, precisamos nos reconhecer doentes de racismo confessando-nos todos os dias para evitar o primeiro ato de racismo. Nossa profissão de fé deveria ser: "Sou racista. Fui educado para ser racista. Ao reconhecer minha condição de racista, penitencio-me todos os dias com a lembrança de que sou racista para evitar um ato de racismo e assim não me permitir manifestações que ofendam, aviltam e desqualificam os que são diferentes de mim” (Blog do Rildo, 2008).

E como um indivíduo doente que sou, sempre me pergunto o que é ser machista. Machista é o mesmo ou o contrário de feminista? Se for igual, eu quero ser machista. Se for diferente, eu quero saber porque a mulher para defender os seus direitos é chamada de feminista e o homem não pode ser chamado de machista por defender os seus direitos. Alguém é capaz de me explicar isso etmologicamente?

Hoje tenho medo de olhar para as mulheres. Posso ser acusado de assédio sexual e isso pode me causar muitos problemas dos quais não desejo tê-los. Estou condenado a viver o resto dos meus dias apenas com minha filha que em fevereiro próximo vai fazer 9 anos. Mas também não posso olhar para os homens porque posso ser considerado afeminado por isso e se o indivíduo alvo de minhas retinas for negro, tenho medo de ser acusado de racismo. Se é baixo, posso ser acusado de preconceito contra os baixinhos etc.

Dia desses um travesti fez um estardalhaço na fila do caixa do supermercado porque ele tinha apenas um produto na mão para pagar e achou que tinha o direito de passar a frente dos que estavam na fila. No início ficamos quietos, mas a insistência do indivíduo provocou uma reação coletiva negativa. Para tentar minimizar a coisa chamei-o para ser atendido antes de mim, mas os demais clientes da fila não permitiram e o argumento foi de que a arrogância não poderia superar o respeito. Cedi as pressões e o travesti acabou desistindo de comprar o produto.

O mundo, a meu ver, passa por um reajustamento de valores. Fundamental é o respeito, mas a criminalização das atitudes históricas é uma forma violenta de educar o outro e também uma forma de preconceito.

 

 

 

Tá vendo Rildo?

É o discurso social-democrata stalinista. O macho perdeu!!!! Já era. Está proibido de expressar-se como macho.

Sempre vai ter um ou uma fem... para apontar o estado para a tua cabeça, caso "saia da linha".

O futuro será sombrio, quer dizer, será rosa ou pink.

Para com isso de dar o lugar na fila por ter um item na mão. Aposto que se você pedir, vão mandar você ir para o fim da fila.

 

Menos, né? Não dá para se tentar construir uma crítica ao "politicamente correto" ajuntando exceções ou vitimizações da parte que não sofre cotidianamente preconceitos.

Situações extremas existem, como da moça que se autoflagelou na Suíça. No início o discurso antixenofobia prevaleceu, depois se viu que se tratava de uma situação particular. Enfim, o bom senso acaba dominando e o benefício da dúvida deve recair sobre o lado potencialmente mais fraco. Qual é esse lado a própria sociedade em evolução percebe e reconhece. É só ver para onde as coisas vão.

Devemos sim evitar manifestações que ofendam, aviltam ou desqualificam os que nos são diferentes. No mínimo porque isso raramente nos traria alguma utilidade. Mesmo que isso nos trouxesse algum benefício de classe, devemos nos perguntar se seria justo.

Machista é diferente de feminista pelo seguinte: o machista defende a manutenção de privilégios, a feminista defende a igualdade de direitos. O machista (que inclusive pode ser uma mulher) está em baixa na sociedade porque a tendência geral é pela eliminação de privilégios injustificados.

Olhar fixamente para uma pessoa, não importa quem seja, não é de bom tom na nossa sociedade. Para que fazê-lo? Se aparecer um jovem com tatuagens pelo rosto e cabelo amarelo na sua frente, não se deve demorar para dizer : "- Boa tarde senhor, em que posso ajudá-lo?" Se não se pretender namorar o moço pra que ficar pensando?

Cortesia e generosidade nunca é demais. Alguém está atrás de você na fila com apenas um item e você com 20? Ora, ofereça a vez com naturalidade. Supermercados não são cinemas, sabemos disso. De repente é isso que a outra pessoa espera mesmo, porque faz isso, independente de querer se aproveitar de algum "privilégio anti-preconceituoso". A condenação de atitudes históricas, se estas forem absolutamente inadequadas, é uma atuação pedagógica sim, sem isso a fila do progresso da socieade não anda. Uma reação só corresponde a uma ação e, se há casos em que as condenações são muito incisivas, no mais das vezes é porque os preconceitos originais e os prejuízos causados são resistentes.

E se algum caso a pessoa errou, se autovitimizou em excesso e você acertou? Ótimo, é sempre melhor passar por fino e deixar o mico de ser espevitado com o outro.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Gunter - aprecio muito os teus textos - sempre abro os para ler, e sempre valem a pena, mas ....

falando de preconceito, tira a foto desta ai , vai... já ganharam a eleição........ rs

 

AF

 

Oi AF, obrigado.

Eu não sou apoiador empedernido de Dilma. Mas ela recebeu muitos ataques indevidos e irá receber alguns mais, isso é previsível. Também receberá muitas críticas nos blog sujos (que de chapa-branca não têm nada) e de correligionários, que sempre esperam mais do que é possível. Vamos deixar a imagem mais um tempo enquanto a situação não ficar mais clara.

E dá dela ler o blog, né? O rosa é para ela não esquecer das mulheres, da social-democracia "cor-de-rosa" (da tendência europeia das décadas de 70 a 90 e que é a corrente para a qual mais tenho simpatia e que parece ser a dela também) e a bandeira do arco-íris é óbvia.

Entendemos (os gays/lbt) que ela deu umas rateadas em função do momento político, o André Fischer fez um post de "apoio crítico", por exemplo. Que ela (ou algum assessor) lembre de tempos em tempos que há uns 5 milhões de eleitores a convencer.

Se ela me decepcionar aí vejo como é que fica...

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Lendo o texto do Gunter, ao final ele sugere um artigo publicado pela editora Abril.

Eu confesso que eu tenho um pré-conceito, um conceito e um pós-conceito sobre a editora Abril que me impedem de ler qualquer coisa publicada por ela.

Enfrentei o preconceito e comecei a leitura. Primeiro verifiquei quem era o autor: Bernardo Ramirez.

Pensei: deve ser espanhol, quem sabe argentino. Países de grandes escritores, poetas, pintores, atores, cineastas, intelectuais, políticos, esportistas me recomendavam ler o artigo até o final. Fui em frente.

No segundo parágrafo, o Bernardo se revela paraguaio. Parei e fui verificar o tamanho do texto. Será que dá para ler esse calhamaço de texto de um paraguaio até o fim ?

Ora, vai ter preconceito assim na pqp.

Fui em frente e o Bernardo dá um banho e eu fiquei aqui morrendo de vergonha. Jamais teria condições de escrever um texto com a qualidade e a profundidade como o escrito pelo Bernardo.

A minha primeira conclusão é: 1) para vencer seus próprios preconceitos faça exatamente o contrário do que seu preconceito manda fazer.

Outro dia, li um comentário de um blogueiro progressista (outro preconceito: existem blogueiros conservadores, neoliberais e até reacionários(na minha ótica) ótimos de se ler pelos argumentos que os contrapõem aos dos progressistas - nada melhor que um argumento inteligente para instigar o debate) relatando que, na adolescência, fez parte de uma equipe de natação, de uma cidade no interior paulista, que veio a São Paulo, Capital, participar de uma competição esportiva.

Na equipe dele havia um negro que foi barrado na portaria do clube tradicional paulista, onde se realizaria a competição. Ele, então, solidarizou-se com o companheiro de equipe e não participou da competição, retirando-se do clube.

A minha segunda conclusão é: 2) para vencer os preconceitos dos outros não basta solidarizar-se com o alvo do preconceito(às vêzes, você pode ser o alvo). Tem que sair p'ro pau, denunciar e, se necessário, armar a maior confusão, confrontar e, se ainda for necessário, sair no cacete.

São as minhas recomendações.

Jorge Vieira.

 

Sanzio, só não adoto suas palavras, porque tenho preconceito contra preconceitos. Isto é não posso ter ao mesmo tempo antipreconceito e.... Opa, acho que melou o texto. Outro preconceito que tenho é para o chato que resolve fazer piadinhas e não tem talento (ai, ai, agora é que ficou ruim).

Em todo caso, vamos ver a campanha dos ateus associados  ou coisa assim, da Baía. Na verdade eu sou ateu, mas vou parafrasear o Ferreira Gullar (há preconceito contra ele, em hostes da esquerda mas náo atinge ao nivel da linguagem). Pois como diria o Gullar, "o ateismo, como  a crase, não foi feito para humilhar ninguem". Então na minha opinião, salvo a legítima indignação contra os "famigerados separatistas paulistas,", e os blogs lentos, nada tenho a dizer. Vou revisar as crases, e encerrar.Ebrantino.

 

Exemplo de que isto está entranhado, não apenas no Brasil, mas por aqui, as principais emissoras de TV tem em suas grades de programas, como campões de audiência, tipos de programas onde o formato de atratividade é a eliminação. Na política (eleições principalmente), nos esportes e na vida este mecanismo está imerso, já. Muitos ficam contentes não com o sucesso de si ou de sua escolha, mas pelo fracasso dos demais. Pobre ser humano que não nota que a fundação de tal "estratégia" de vida é baseada em uma baixa auto-estima, num baixo autorrespeito. Quem pouco se respeita, tende a não respeitar o outro.

Erroneamente, se faz valer este estratagema nocivo do ganha-perde. Já dizia Ghandi que, "com esta história de olho por olho, dente por dente, viveremos num mundo de cegos e banguelas"

 

NeyLima,

Perfeita sua colocação com relação aos chamados ''Reality Show'', que nada mais são que programas de treinamento do operário padrão contemporâneo. Ali ganha quem consegue convencer o público de que seus oponentes tem os maiores defeitos, mesmo que o acusador não demonstre ser possuidor de nenhuma das virtudes que pensa ter.

No mundo cada vez mais competitivo em que vivemos, a exclusão do outro é primeiro moral , depois pode ser física. Sai do micro para o macrocosmo. E os inocentes úteis mais aptos a reproduzir esta ideologia são os mais vaidosos, pretensiosos, os que se consideram eleitos.

A vaidade excessiva é inimiga da inteligência. Mas o vaidoso não tem tempo para enxergar isso. Afinal ele procura deseperadamente a quem oprimir, aquele que o faz suportar sua vida vazia.

 

Eu discordo do Gunter Zibell.

A mesma sociedade holandesa que admite "De Wallen" ( http://en.wikipedia.org/wiki/De_Wallen ) é a mesma que convive com "De Bijbelgordel" ( http://en.wikipedia.org/wiki/Bible_Belt_%28Netherlands%29 ).

Eu seria um completo imbecil se tentasse questionar os preconceitos desses dois grupos. Cada um vive como acha melhor e uma comunidade não fica hostilizando, provocando sem motivos, a outra.

O "politicamente correto" é uma das piores formas de hipocrisia. Seria muito mais honesto explicar para o público como vivem as pessoas em "De Wallen" e "De Bijbelgordel", mas os meios de comunicação brasileiros, seja o PIG ou mesmo os "blogueiros progressistas" são incapazes disso.

 

Hans, há alguns problemas no discurso politicamente correto. Mas penso que no geral é algo necessário, que traz mais bem proveniente da reflexão, que mal proveniente da precipitação.

As constantes discussões por intersecções culturais, como exemplo se a burca deve ser usada em países laicos, com alguns argumentando os direitos culturais e outros os direitos de gênero, não chegam a trazer mal a nenhuma das partes. O conflito latente haveria mesmo se a reflexão não houvesse.

Mas a maioria das restrições "politicamente corretas" me parece útil. Ou não foi melhor para a sociedade que tantos preconceitos passados foram substancialmente reduzidos? Se nunca houvesse discurso feminista, as mulheres hoje seriam maioria nas universidades? Se nunca houvesse discurso antirascista, etaríamos discutindo as cotas sociais para ajudar um pouco na solução do problema?

Pode haver casos e casos, mas, como em tantos outros casos, não se deve generalizar em relação ao "politicamente correto". E normalmente há uma parte interessada em questioná-lo, e, se há, novamente cabe discutir.

A sociedade evolui por uma sucessão de contraditórios, ou não? Se algo se revelar bobagem cai em desuso naturalmente.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

 

Ahh sim, em alguns casos sou preconceituoso mesmo.

 

Contra o politicamente correto. Contra o coletivismo. Essa praga que ainda irá destruir a individualidade do ser humano. Eu não sou uma característica apenas (por exemplo ateu, sim sou ateu).

Eu sou um conjunto grande de características. Tenho localidade, sexo, idade, profissão e etc.

Eu combato coletivistas duramente sim. E com muito orgulho.

E eu quero o direito de ter contradições. De votar na Dilma e ser machista. De valorizar políticas sociais e ser anti-coletivista.

E sim, você está certo Gunter. Os preconceitos não são racionais, as vezes guiados por medo.

Eu tenho medo de ter filho e este pedir um vibrador ao invés de uma bola de futebol por influência da mídia fem... . Imagina, o garoto ao invés de pedir uma camisa do time do coração, pedir uma calça tomara-que-foda?

 

Ué, e ninguém tem receio de um filho se tornar aqueles "machos-alfa" que se envolvem em "pegas" ou em brigas? Ou da filha ficar tão machista que se absterá de realizar seu pleno potencial?

Algumas coisas se tornam tendências sociais irreversíveis independentemente da torcida reacionária em contrário, o importante é compreender como se dão processos de longo prazo. A leitura de "O Ponto de Mutação", de Fritjof Capra pode ser útil.

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Vibrador? Será que ele não terá alternativas mais interessantes à disposição? Melhor uma conversa sobre preservativos.

Mas em torno desses receios infundados dos pais, que só deveriam temer que seus filhos tivessem um pai preconceituoso e enfrentassem uma sociedade idem, aqui também está a importância da defesa dos direitos LGBT.

Não há nada mais democrático, a saber : quando grupos minoritários reivindicam direitos ou redução de preconceitos eles atuam em geral em seu favor, ainda que transmitindo uma corrente de pensamento positivo antipreconceituoso.

Mas como gays, lésbicas e transgêneros (ainda) não costumam ter filhos (embora paguem os mesmos impostos que todos), e como nascem em geral de pais hétero, de todas as raças, classes sociais e religiões, sem que nunca se possa prever a sexualidade do filho/da filha, o que temos?

Que estamos defendendo os direitos futuros dos filhos de todos os hétero.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

"... Algumas coisas se tornam tendências sociais irreversíveis independentemente da torcida reacionária em contrário, o importante é compreender como se dão processos de longo prazo. A leitura de "O Ponto de Mutação", de Fritjof Capra pode ser útil...."

Vou tentar achar a leitura. Vamos ver se o books.google me ajuda nessa.

Mas sobre o que falou acima, o triste é que discordo. Tendências sociais, eu chamo de influência da mídia. A tal ponto asfixiante que considero crimidéia o que escrevi no começo. Já consigo imaginar minorias e grupos coletivos apontado o Estado para a minha cabeça (o assaltante aponta a arma, aliás acho até mais honesto).

De início Gunter, não sou contra a idéia de um possível filho meu optar por homoafetividade (olha a ditadura do politicamente correto). Desde que ele se conheça, tenha vivência, consciência de si e de repente tenha um relacionamento e se descubra assim. O que não gosto é da MÌDIA influenciando o garoto.

Porém, não pretendo ter filhos. Com esse ambiente, não, definitivamente, não desejo isso para um ser humano inocente.

 

 

Capra é ótimo para entender vários dos conflitos atuais : homem x mulher; ocidentalismo x orientalismo; ciência x religião; desenvolvimento x ecologia.

E não necessariamente tudo que é mudança é bom. Há momentos de retrocesso (o neoliberalismo que aumentou muito a concentração de renda nos países desenvolvidos, por exemplo.) Sempre cabe pensar se o que se vê é de longo prazo, curto prazo, se é o que se deseja ou não.

Mudanças podem ser desconfortáveis, ou não? Mas em geral, as posições conservadoras tornam quem as mantem o próprio frustrado. É até possível às vezes se insistir nelas e atrasar o ritmo geral da mudança. Talvez ao ponto do conflito evoluir apenas gerações após.

Não creio no poder eterno da mídia, embora esta seja a organização que mais manipula medos e fobias. Uma das tendências sociais do momento é a própria redução do poder de influência da mídia. O manejo do Estado por minorias e maiorias está em constante questionamento. Cabe pensar em que ponto estamos. Eu sou otimista, o Nobel da Paz ao chinês e o episódio wikileaks não fazem pensar isso?

Não existe ditadura do politicamente correto. Isso é mito. Como também é mito que se possa influenciar a sexualidade das pessoas. Se alguém é crítico em relação a poderes reais não deve ser quando eles se revelam imaginários? O que interessa é, o quanto antes, defender a autoestima dos adolescentes homossexuais, que são a parte frágil no processo. Se a mídia ajuda nisso, bem vinda seja, não se toma a parte pelo todo.

Mas como definir uma metodologia que garanta o que não é mito do que é?

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

 

Meu preconceito é contra blogs lerdos para abrir....

 

gunter, só consigo me lembrar de uma passagem em q nassif postou por duas vezes o pagode da bolinha de papel e nomeava o post como : brasil moreno. quem via o intérprete do pagode, o tantinho, pensava , como o nassif viu um moreno ali? eu cheguei a reclamar, coloca negro aí nassif. ele continuou olímpico, cacifando a morenice do tantinho e dos outros tb ( o mais moreno ali era o monarco). se eles são morenos , sou ariano (mãe branca e pai negro). vou falar o quê do nassif. o ativo dele é mt alto. vi a repercussão sobre a questão do feminismo ontem e conclui q 'bateram' mt nele. exageraram! é redundante mas reafirmo que é minha opinião!