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PSDB, a impossível reconstrução

É curioso o Estadão. Numa matéria atribui a um genérico "brigas" o fator que atrapalha a oposição para traçar uma estratégia para 2014. "Brigas", no caso, é a tentativa de renovação do partido, de livra-lo da herança amarga de José Serra, não os dossiês de Serra contra adversários – como parece ter sido as matérias desengavetadas sobre o cunhado de Geraldo Alckmin.

Na página de opinião, FHC mostra como (não) se fazer oposição.

É um amontoado de críticas pontuais, bordões denotando uma ampla incapacidade de enxergar além do dia seguinte. O pensamento de FHC é binário. Mais ou menos o seguinte:

1. O papel da oposição é bater sempre.

2. Aqui vai um cardápio de temas para quem quiser bater. E ponto.

Não há ideias estruturantes, conceitos mobilizadores, visões sistêmicas do país para os próximos dez ou quinze anos para, a partir daí, definir uma estratégia de (re)construção partidária.

O drama do PSDB – que compromete seu futuro político – é enorme.

TinTinha uma imagem pública que se esboroou no período FHC-Serra. Essa imagem garantia adesão de segmentos amplos da classe média, um pacto com a mídia e permitia ao partido ser um imã, atraindo boas ideias dos segmentos modernizadores do país. Nem precisava se esforçar.

Grosso modo, no período pré-Internet três grupos participavam da formação da imagem de partidos, personagens, produtos.

No primeiro nível, os formadores de opinião, conjunto restrito de economistas, acadêmicos, jornalistas, empresários, lideranças civis, especialistas setoriais que identificam virtudes ou defeitos e formavam o primeiro e mais consistente julgamento.

No segundo nível, influenciados pelo primeiro grupo, os propagadores de opiniões. Integram esse conjunto colunistas da velha mídia (alguns poucos são do primeiro nível), editores, âncoras de rádio e TV e, num plano mais amplo, a estrutura de opinião de rádios e TVs por todo o país, operando como caixa de ressonância..

No terceiro nível, o eleitor propriamente dito, a maior parte dos quais se escuda em ideias vagas sobre o tema analisado, impressões apenas, formadas a partir de ecos do debate no segundo nível.

Apesar do circuito se mover muito mais por impressões e formação superficial de imagem, se não tiver bem alicerçado no primeiro nível, dança.

A formação de imagem do PSDB

Graças a algumas figuras referenciais e a um conjunto de circunstâncias, no final dos anos 80 o PSDB tinha conseguido criar uma imagem que se consolidou nos anos seguintes.

Essa imagem se deveu a Franco Montoro e Mário Covas, acertando as contas fiscais do Estado; e a Sérgio Motta montando o novo modelo das telecomunicações e a um conjunto de jornalistas que entendeu o papel do partido nos novos tempos. Depois, incorporou os economistas do Cruzado, com toda a dose de fantasia que estimulava a opinião pública.

De um lado, conseguia se desvencilhar da imagem fisiológica do PMDB – consolidada no ato de partilha de cargos no governo Sarney. De outro, sugeria uma postura de centro-esquerda não-dogmática, de partido comprometido ao mesmo tempo com a eficiência e as políticas sociais, distanciando-se do estilo mais radical e aguerrido do PT.

Era o anti-malufismo com quem uma certa esquerda sempre sonhou.

Nos anos 90, havia duas linhas hegemônicas no partido: a de FHC (que torna-se hegemônica apenas com o Real) e a de Mário Covas.

Em 22 de outubro de 1998 tracei as diferenças básicas entre o PSDB de FHC e o de Covas:

«Mais do que um anti-Maluf, Covas é o avesso de FHC.

FHC é homem de grandes voos intelectuais, Covas, um cartesiano, até certo ponto rústico. FHC se inebria com as formulações teóricas, Covas é o cultivador dos valores básicos da gerência. FHC persegue os grandes momentos, Covas se compraz com as cobranças diárias. FHC é o arquiteto, Covas, o engenheiro. FHC é o condutor, Covas, o comandante.

O resultado final é que o Brasil é um quebrado, que FHC explica com justificativas sofisticadíssimas. E São Paulo, um Estado saneado, sem precisar explicar nada.

A fórmula de Covas é tão velha e eficiente quanto a descoberta da gerência. Definiu os valores básicos de um bom gestor: ênfase na gerência e no controle das contas públicas. E coragem de dizer não.»

Infelizmente a morte precoce de Covas acabou desequilibrando as discussões internas e deixando como único referencial a superficialidade de FHC.

O governo FHC teve dois momentos que ajudaram a plantar o ovo da serpente no âmago do PSDB.

Na primeira parte (até a crise de 1998) um deslumbramento acomodado, que o fez desatento para o enorme potencial de transformações do país e ao variado contingente de homens públicos que seu governo atraiu, grupos de especialistas em diversas áreas dispostos a transformar o país.

Deixou passar um enorme estoque de possibilidades de consolidação de um novo modelo, em substituição ao discurso único da estabilização da economia.

O segundo momento foi o da crise do "apagão". Em vez de crescer na adversidade, FHC se encolheu, reduzindo a pó a imagem de que o PSDB seria garantia de boa gestão.

Com sua falta de gana, de vontade transformadora, só tiveram espaço no seu governo pessoas sem a menor vontade de mudar nada – a não ser a própria vida. Abriu mão dos homens da inovação, das tentativas de reforma administrativa de Bresser-Pereira, do próprio modelo das telecomunicações, após a morte de Sérgio Motta.

Depois dele, panorama de terra salgada. Não houve renovação política nem intelectual no partido. Instaurou-se uma gerontocracia dominada por FHC e José Serra – graças às suas ligações com o grupo da velha mídia formado no pacto de 2005.

Fecharam os espaços para qualquer espécie de arejamento. As ideias dos cientistas sociais tucanos envelheceram, os intérpretes não conseguiram entender o novo país, as novas mídias. Criou-se uma nova linha de intelectuais de rinha de galo, os Villa da vida, sem e envergadura da geração anterior, envoltos em um superficialismo guerreiro de envergonhar primeiro anista de política.

A pá de cal foi o governo Serra em São Paulo. Como Ministro da Saúde, Serra preservou espaço dos sanitaristas e conseguiu passar a impressão de reencontro do partido com suas origens.

No governo do Estado, repetiu em tudo o padrão Maluf, na ênfase exclusiva na construção civil, na extraordinária leniência com a especulação imobiliária (enquanto prefeito), na falta de visão de futuro, na truculência, na incapacidade de gestão (nesse ponto conseguiu superar o próprio Maluf) e, na campanha, no endosso a teses medievais.

Agora, tenta-se uma reconstrução impossível.

A perda do bonde

Voltemos aos esforços atuais para construir uma nova imagem. A falta de rumo é ampla e fica nítida no programa gratuito do partido. A "aula" de FHC se limita a tentar reabilitar conceitos dos anos 90, o partido dos gestores, o partidos dos honestos, amplamente superados pelos fatos e pelos tempos.

Analisemos os pontos que poderiam ser âncoras no processo de (re)construção da imagem do partido:

Gestão moderna.

Perdeu o bonde. Após o ajuste fiscal de Covas, havia tentativas de avançar sistemas de gestão em São Paulo, propósitos ousados mas que foram abortados pela morte precoce do governador. No principal reduto tucano, Geraldo Alckmin nunca mostrou propensão à gestão moderna.

A gestão Serra teria sido a grande oportunidade do PSDB mostrar um contraponto que fosse. Mas ainda será considerada uma das mais ineptas da história moderna de São Paulo. Creio que nem o governo Fleury foi tão medíocre e desmobilizador.

Além disso, a expansão da informação está liquidando a blindagem sobre a suposta gestão técnica em São Paulo. O aparelhamento da máquina estadual é amplo e irrestrito. Os esquemas de financiamento de campanha em nada diferem dos demais partidos e do modelo político brasileiro.

Resta a experiência de gestão em Minas. Além de ser, por si, insuficiente para definir um partido, não é mais marca tucana. Eduardo Campos faz o mesmo (ou até mais) em Pernambuco. O governo Dilma será um avanço em cima das bases plantadas pelo modelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de gestão. A bandeira da gestão está sendo transferida irreversivelmente para Dilma.

Grande técnico, a "Dilma" de Aécio, Anastasia representa muito mais o gestor apolítico do que um padrão tucano. Seus avanços estarão contabilizados na cota dos governantes gestores – independentemente da cor partidária -, assim como o do (supervalorizado) Sérgio Cabral, ou de Paulo Hartung.

Mesmo no ambiente dos municípios – onde é mais fácil implantar modelos de gestão – não há a menor criatividade do partido em definir um modo tucano de governar.

Novo padrão de desenvolvimento

Dois valores tendem a ser hegemônicos nos próximos anos: a questão da mobilidade nas grandes metrópoles e a questão ambiental. O chamado desenvolvimento saudável e sustentável tornou-se um desses fatores essenciais.

Qual a marca do PSDB nesses dois campos? Enquanto prefeito, Serra flexibilizou mais o plano diretor de São Paulo do que o próprio Paulo Maluf. Seu herdeiro Gilberto Kassab continua preso aos mesmos padrões de décadas atrás. Não há nenhuma marca tucana em nenhuma dessas frentes.

Visão social

A bandeira mais relevante da atualidade, que foi entregue de bandeja para Lula.

Nas discussões políticas atuais, uma das maiores bobagens é a história de quem começou o quê. O papel do Estadista não é o de criar projetos ou ideias do nada. Há um estoque de ideias e de potenciais para serem explorados. O papel do político é identificar esses ativos e colocá-los em prática, massificar, dar dimensão.

Esses conhecimentos frequentaram a casa de FHC, através de dona Ruth. Mas faltava o básico: sensibilidade social, identificação com o país e o povo e capacidade de pensar grande. E, mais que isso, uma base social ao PSDB, quadros nos movimentos populares. Até a identificação com os movimentos de base da Igreja Católica foram para segundo plano no período FHC.

A impossível reconstrução

O que resta para reconstruir o PSDB?

Ouso dizer que será impossível essa reconstrução.

O primeiro ponto é a total carência de novas ideias. A única referência de ideias é FHC, que há muito deixou de tê-las. Não se chegou nem ao básico: uma interpretação das transformações atuais do país, do papel mobilizador das novas mídias etc.

Pior, não há nada no partido que atraia uma nova geração de acadêmicos criativos. A cara do partido é José Serra e aqueles arreganhos fundamentalistas, é o Álvaro Dias que todos conhecem e o Beto Richa, que ainda não se sabe a que veio, Geraldo Alckmin, que apenas tem imagem de bom moço.

Resta a imagem solitária de Aécio Neves, que carrega uma bandeira – da gestão -, a fama de bom articulador político, e só. No restante, ainda é um vazio de ideias e de conceitos.

É pouco pau para montar uma canoa.

A Aécio caberia o papel de aglutinar outras estrelas, aproximar-se de políticos progressistas, atrair os mercadistas.

É desafio considerável que esbarra, numa ponta, no peso da imagem de Serra, o ranço embolorado deixado no partido nas últimas eleições, a certeza de que enquanto tiver fôlego, FHC sempre será um obstáculo a mais, as resistências tanto de setores de centro-esquerda quanto dos mercadistas à herança de Serra.

Na outra ponta o desgaste de brigas intestinas, os tiros pelas costas, o uso da mídia para ataques.

O exercício da futurologia é complexo. Depende muito de intuição, de saber identificar fatores que poderão levar as decisões para um lado ou para o outro.

Por mais que me esforce, não consigo imaginar um PSDB coeso.

O quadro mais provável será o de um período de desgaste e, mais à frente, uma confluência de quadros partindo para a construção de uma nova alternativa de oposição.

E conferindo justo descanso a FHC e Serra, devidamente enterrados com o partido que ajudaram a destruir. 

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FHC é um cachorro morto do qual temos que chutar até se decompor... só por precaução...

 

Acho que devemos esquecer o FHC sim...enquanto ele permanecer "morto".

Mas se reaparecer qualquer sinal vital, vamos chutá-lo mesmo, até desmontar e torná-lo "morto" novamente.

O pedido dele para esquecê-lo, só depende dele.

 

Hc, concordo com voce.

Não aguento mais ouvir falar ou ler sobre FHC, Serra e Cia.

Meu Deus por favor vamos nos libertar do passado.

FHC sempre foi oco, seu filhote Serra só consegue enganar a elite paulista.

 

nadja marilia

prezada nadja,

não se trata de esquecer... eu por mim, não só teria esquecido, mas tbém teria passado com um rolo compressor em cima.... rsrs

precisa haver um trabalho constante de divulgação para o fortalecimento de uma memória "política brasileira" para q o público não caia em golpes de novo.

o problema é q esse povo corrupto, representante das piores elites brasileiras (e estrangeiras, lembre-se), parece aquele filme do "O Exterminador do Futuro"... vc atira, o cara não morre; vc atropela, o cara não morre; vc joga gasolina, o cara não morre; vc desmonta o cara em pedaços e ele consegue se remontar... rsrs

é isso! por isso essa discussão precisa manter-se um tempo para não pegar uma geração nova e ingênua em política para comprar essa conversa fiada e já se formar politicamente de forma bitolada e com visão deformada.

em política, não existem santos, mas alguns SÃO BEM MENOS PIORES Q OUTROS.

precisamos ficar atentos pelo futuro do país, e isso é trabalho como de mãe e pai... não acaba quase nunca.... AS MINORIAS SÃO MUITO MAIS ORGANIZADAS Q A MAIORIA, E INCANSÁVEIS À PROCURA DE PODER.
Se queremos q os benefícios do Estado recaiam para a maioria, essa maioria tem q se mexer para isso.
Senão, o poder e o dinheiro sempre vão ficar com uma minoria feroz e egoísta, e DANE-SE a maioria.

 

Metade do PSDB não sabe fazer oposição pq o governo Lula - e, por extensão, Dilma - seguiu uma linha q eles mesmos queriam ter seguido, ainda q essa parcela não declare aos microfones. Na minha visão, Serra e FHC estão na outra metade, principalmente após a eleição de 2006; a metade q jura de pé junto q o Brasil estava melhor no governo FHC do q no governo Lula e q todo o crescimento pós-2003 é resultado das privatizações. O PSDB está se dividindo por força de uma aliança com o DEM-PFL q não teria nada a ver com o PPS (mas o Roberto Freire é mais perdido do q o Serra e o FHC juntos). No entanto, o DEM é uma oposição raivosa q o PSDB não está acostumado e contradiz boa parte do baixo clero tucano, principalmente os prefeitos (haja vista o apoio desses a Dilma em 2010).

Está perdendo tempo precioso pra se reformar, não reformular. O PT está assumindo a posição social-democrata no Brasil e empurrando o PSDB para a posição de PNL, Partido Neo-Liberal. No Brasil atual, isso é palavrão.

 

Este blog tem recebido diversas contribuições avaliando o futuro do PSDB. Uma das ideias que parece um concenso é a como o PSDB perdeu suas bandeiras. A bandeira da estabilidade econômica não pertence mais aos tucanos e se tornou um valor da sociedade brasileira, assim como a democracia. Nenhum partido que não tenha em seu discurso a defesa da estabilidade econômica e da estabilidade democrática terá qualquer oportunidade de poder no Brasil. A bandeira social nunca foi dos tucanos e qualquer tentativa de desfralda-la será visto pela sociedade como uma capitulação às ideias de Lula. Não vai adiantar tucanos dizerem que tudo que Lula fez teve origem em FHC. A imagem social é de Lula. Mas é interessante que a sociedade também não aceitará retrocesso nesse tema. Por fim, a imagem de bons gestores foi destruida por Serra e será, ao que parece, tomada por Dilma. Em 2014 e 2018 o PT terá como bandeira a estabilidade e o crescimento econômicos, a estabilidade institucional, a preocupação social e a excelência administrativa.

A futura oposição irá surgir de dentro do próprio governo. Provavelmente o PSB com Eduardo Campos ou Ciro Gomes. Outros políticos que apoiaram Lula poderão tentar se colocar como alternativa á Dilma em 2018. Não haverá espaço para a oposição tucana. Não há nada que possa motivar a maioria do eleitorado a escolher uma projeto de oposição ao deixado por Lula. Em 2018 veremos opções de continuismo e não alternativas de projeto.

Aos tucanos, existem duas saídas. Uma é torcer pelo quanto pior melhor, que aliás acredito será a escolha tucana. Para eles, a bandeira será se apresentar como salvadores da pátria após um desastre dimista. A outra saída seria a de democratizar os procedimentos internos do partido, dando efetivamente espaço para uma geração que quer ser ouvida e quer participar, desse modo os tucanos teriam uma chance de chegar ao poder oferecendo uma alternativa política, algo como "fazemos tudo o que eles fazem, mas com mais transparência e participação". Mas duvido que a gerontocracia tucanna ache isso viável.

Em 2018 vencerá o partido que for mais transparente e democrático. Se os partidos continuarem a fazer sua política interna como fizeram até agora, Dilma fará a sucessão.

 

Geraldo

Um misto de autocrítica com penitência? De onde é que você tirou essa? Não faz sentido. 

 

fábio, o nassif respondeu, ele deve ter achado sentido, foi escrito p ele. e acho q a resposta dele dá sentido ao q tentei dizer.

 

Texto interessante, mas algo me deixa com a pulga atrás da orelha.

Quando se fala em gestão estadual, sempre aparecem os quatro governadores: Anastasia, Campos, Hartung e Cabral. Não há um exemplo de governador petista que alie a boa política à gestão competente e efetiva?

Pergunto porque o PT vai precisar voltar a avançar nos estados se quiser um dia se desvencilhar do PMDB. Quem são as lideranças petistas estaduais antenadas com a gestão? Ou será que todos os quadros de maior envergadura do PT estão aboletados na esfera federal?

 

Um problema sério do PT é que a maioria dos seus quadros disponíveis para as eleições estaduais professam o esquerdismo estúpido de que "gestão" é um sinônimo de exploração e opressão. Se mantêm distantes do eleitor, com discursos pouco atrativos e pouco compreensíveis para a maioria do eleitorado.

Apesar da saída de várias frações radicais, ainda prevalecem nos PTs locais muitos militantes cujo compromisso político não passa pela vitória eleitoral (e a impensável rendição à democracia burguesa). E a direção partidária, os quadros federais, parecem acreditar que não precisam conquistar os governos locais, que basta dominar o plano federal para levar adiante seu programa de governo. Enquanto assim for, o PT será refém do PMDB, e corre o sério risco de desmoronar frente uma oposição orgânica e com propostas.

 

"Um problema sério do PT é que a maioria dos seus quadros disponíveis para as eleições estaduais professam o esquerdismo estúpido de que "gestão" é um sinônimo de exploração e opressão."

Se viu disso então reclame com o PSDB, que sempre que eles falam em "gestão" e especialmente em "choque de gestão", o que a população vê no final é bandalheira, descaso, roubos e incompetência. A palavra acabou estigmatizada e não foi por causa do PT.

Quanto ao resto do seu comentário não vale a pena sequer comentar.

 

Desculpe, Paes... mas no plano estadual não há como negar que o partido sofre boicote recorrente de mídias locais. Tomemos SP por exemplo. Em termos de informação, a eleição foi sequestrada pela mídia que praticamente a ignorou. A impressão que se tinha é que somente haveriam eleições para Presidente. IBOPE e Datafolha faziam exatamente o que tentaram no plano federal sem sucesso, ou seja, cristalizar a percepção de que a eleição estava decidida a favor do PSDB.

 

Ainda assim, Alckmin venceu no 1o Turno por menos de 1%. E vai governar, a exemplo de seus dois últimos mandatos, sem cobertura crítica. Meu ponto é o seguinte: A formação de imagem dos governos PT sofre de forma inversamente proporcional à de governadores da oposição. Aliás, outro bom exemplo foi o ocorrido durante a cobertura da catástrofe serrana do Rio. O único Prefeito que teve seu partido exposto pela mídia, foi o de Terezópolis. Adivinha de que partido ele era?

 

Abraços.

 

 

      Excelente texto Nassif, porém, no trecho "mas faltava o básico : sensibilidade social, identificação com o país e o povo e incapacidade de pensar grande", o correto não seria "capacidade de pensar grande"? Abraços!

 

nassif, a maneira recorrente como vc analisa as possibilidades do psdb é um acerto de contas seu com o seu passado, suas idéias e crenças políticas . vc parece fazer um misto de autocrítica com penitência. não sei exatamente quem sou eu p te dar conselhos mas...vá lá: vira a página!

 

Com meus artigos ajudei a construir um pouco da ilusão. E acabou virando esse esgoto.

 

Depois de ler esse seu artigo também me considero um iludido...participei muito de politica estudantil na usp em que todo mundo aí estava lá do pt(liblu) e do psdb(partidão)....e me pergunto como podem ter preferido este esgoto depois de tantas chances de ouro ?

Burrice ? Ganancia ? Sempre penso que vc pode ser  corrupto construindo minhocão ou 300 km de linha de metro...a corrupção numca vai ser justificável mas o benifício para maioria é indiscutível . Então me pergunto de novo..por que preferiram o esgoto ? Burrice mesmo ?

Acabo caindo no maior das angustias do poder...Só pode ter sido um poço de vaidades e todos estes eventos incontroláveis do falecimento da parte rude do partido...(não toda ! ) de gestores do "chão de fábrica" como vc colocou. E definitivamente no quadro que vc pintou realmente tá difícil para este partido..

 

alexandre A. moreira

Eh, Nassif, éramos ingênuos, e não sabíamos q:
- a cia e no ned "instruiam" novas lideranças de países visados (e pensávamos q as coisas aconteciam "por acaso");

- os tentáculos do consenso de washington e seus representantes nos diversos países;

- o reacionarismo da grande mídia e seu atrelamento a interesses externos ao país;

- amadorismo de muitos (eu, inclusive), pois ainda não temos uma sólida cultura política e ética no Brasil, bem como faltava-nos UMA VISÃO GLOBAL das relações de forças (quem era amigo de quem no Brasil e fora do Brasil);

- jornalistas e formadores de opinião cooptados por bolsa-imprensa.marrom e pensávamos q era somente opinião própria, q a pessoa era só "conservadora";

- entrada no psdb de "apoiadores" com capital, mas proveniente de lavagem de dinheiro, propinas de negociatas, e lançamento de candidatos claramente identificados com o lado NÃO ético de empresas e finanças. Esses apoiadores (como em outros partidos também) desvirtuaram drasticamente o norte político e o "modus operandi" do psdb;

- falta de sentimento de "pátria", falta de solidariedade e honra como valor nacional, principalmente nas elites;

- empresários com a visão curta do lucro imediato, cedendo à tentação de matar a galinha dos ovos de ouro ao invés de mantê-la viva e sempre botando um ovinho por dia durante anos e anos;

- termos cedido sem criticar, ao modelo do nano estado, privatizar tudo sem discussão nacional e sem critérios prévios, e mais ingunuamente ainda, a desregulamentação de fusões e do capital sem nenhuma discussão profunda sobre o tema;

- se mais comentaristas quiserem listar outros fatores, acho q daria um bom painel dos fracassos do psdb e do nosso aprendizado político;

 

Foi um sonho coletivo, infelizmente não foi como imaginamos, mas amadurecemos no processo.

O Brasil de hoje com um futuro promissor e palpável é fruto de nossos erros tanto quanto dos nossos acertos.

Quanto a nova oposição tão urgentemente necessária, ela vai sair da base de apoio do governo e acho que vai ser o PSB.

PS: Com relação ao Cabral, apesar de ser um político "normal" com tudo que isto significa, ele esta conseguindo responder a uma demanda que a população achava impossível: segurança.

Cabral vai deixar uma marca e no processo esta e criando novas lideranças, tais como: Pezão e Beltrame.

 

PS: até Wikipedia detona a figura do antigo ministro das Comunicações: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Motta

 

Nassif, texto brilhante. Vai bombar na blogosfera. De minha parte, vou copiá-lo e enviar para alguns amigos tucanos.

 

Meu caro Nassif:

Há uma nítida contradição entre o que você dizia de FHC em 1998 e o que você diz dele agora.

Isto em nada invalida tua análise sobre a (re)construção do PSDB que, na conclusão, me parece também a mais provável.

Afinal de contas as pessoas (como FHC) também podem regredir, involuir, perder a capacidade de entender essa nova realidade que nos cerca. A maioria da nossa intelectualide perdeu.

Agora, em 1998, meu caro, você não entendia nada de Mário Covas.

Reduzir o papel de Covas a um gerente de cobranças diárias, sem visão de futuro para o país, aí é demais !

Por isto que eu gosto da prática dos comunistas. No caso de Covas, cabe aqui um belo exercício de autocrítica da tua parte, sem medo de ser feliz.

Jorge Vieira.

 

Já que estamos aqui para esclarecer, João (Carvalhaes), afinal você é mesmo João ou é Jorge (Vieira)? Obrigado.

 

Desculpe, você é que não entendeu nada. O artigo inteiro é uma crítica à superficialidade de FHC e uma elegia a Covas. Releia com atenção.

 

O teu artigo atual é que escancara a superficialidade de FHC e torna-se uma elegia a Covas.

Em 22 de outubro de 1998, você era bem generoso com FHC: "grandes vôos intelectuais", "formulações teóricas", "grandes momentos", "arquiteto", "condutor", "justificativas sofisticadíssimas".  Covas era o "operador", o gerente das "cobranças diárias".

Me engana que eu gosto se você quiser me convencer que àquela època você ironizava o papel de FHC.

Mudar de opinião não desmerece ninguém.

Eu, apesar de não entender muito bem os textos de grandes intelectuais, nunca me enganei com FHC.

Jorge Vieira.

A propósito o meu nome é João Jorge Vieira Carvalhedo. O meu "apelido" no teu blog é Jorge Vieira. Estou cadastrado.

Mas sempre que eu entro como Jorge Vieira, o teu blog me diz que Jorge Vieira já está cadastrado para outro usuário. Na verdade, o outro usuário sou eu mesmo.

Assim entro como João Carvalhedo e assino Jorge Vieira.

É mais interessante do que ficar a toda hora provando que eu sou eu mesmo, através de mais uma senha que tenho que decorar.

Mas se alguém estivar achando ruim, não há problema. Eu vou comentar em outro blog onde o dono não se incomode de ser contraditado.

 

 

Prezado,

aqui os comentaristas não importam de ser contraditados pelo blogueiro. Assim como o blogueiro não se importa de ser rebatido pelos comentaristas. Sua informação é incorreta. Tenho uma história jornalística registrada nos arquivos da Folha facilmente acessados pela Internet. A maioria das minhas colunas era de crítica à superficialidade e falta de vontade política de FHC. Sugiro ler meus livros "O jornalismo dos anos 90", no qual há um capítulo inteiro dedicado à política de juros de 1995, e, especialmente, "Os Cabeças de Planilha", que mostra claramente a perda de oportunidades por parte de FHC. Se achar que blogueiro não pode esclarecer suas próprias posições, sugiro procurarf blogs que vetam qualquer crítica ao blogueiro, ou sites que que tratam os comentários sem lhes dar atenção.

 

Muito bom o seu texto, especialmente sua análise que - para mim esclarece muito sobre - o papel do Ministério das Comunicações na pessoa do Sérgio Motta durante o governo FHC, contribuindo para o que está acontecendo com aquele partido agora.

 

Nos parágrafos seguintes a "Essa imagem garantia adesão de segmentos amplos da classe média, um pacto com a mídia e permitia ao partido ser um imã, atraindo boas ideias dos segmentos modernizadores do país. Nem precisava se esforçar" me deu aquele insight.

 

Parece que após 2002 começamos a viver uma lenta, mas progressiva desconstrução da influência desse pacto em nossa sociedade, e creio que muita coisa boa virá pela frente, com a participação da sociedade menos manipulada, e lutando pela democratização nos meios de comunicaçào, reulação do setor etc. Parabéns e obrigado.

 

Aécio está com receio de fundar um novo partido e dar com os burros n'agua, com aconteceu com Tancredo e o PP.

Mas é isso ou ele e muitos outros irem para o PSB.

Algum dia o PSDB fará prévias?

Resposta: não.

 

Aécio poderia criar uma nova legenda com o PSB ou simplesmente poderia migrar pra ele, mas poderia correr o risco, nas duas alternativas, de ficar restrito ao Nordeste e Minas Gerais, visto q o PSB não está tendo boa representação no Sudeste e Sul. Outra questão é como se colocar em uma agremiação q já parece ter muito cacique pra pouco índio e começar um trabalho do zero e consolidar em 4 anos.

 

Não pe bem assim, o (des)governador de Santa Catarina, sr. Colombo (o obóveo) teria sido convidado pelo Eduardo Campos para ir para o PSB (vê-se, portanto, que nunca o sr. Campos foi socialista). E o arenista/demista catarinense, cria e manteúdo dos Bornhausen, parece-me, sempre os logrou e aos milicos, pois desde Lages que sempre foi "socialista", tanto que sempre saía nas colunas sociais da city. E, agora, o ex-des-governador-que-nunca-estava-no-Estado, pois sempre em viagens internacionais (e bem acompanhado, diga-se), declarou seu apoio ao governo Dilma. Portanto, ninguém quer ouvir falar em psdb ou o que dele sobrar.

 

Pedro

Imaginou Colombo no PSB, e odep.Paulo Bornahusen no seu secretariado?

seria hilário.

 

O destino do PSDB é o mesmo do partido que lhe deu origem. E pior não tem aorganização deste.

 

como a globo, estadão, folha, veja, vaticano, tfp, opus dei e outros estão funcionando normalmente, não conseguimos entender essa conversa mole de reconstrução do psdb.

 

"Era o anti-malufismo com quem uma certa esquerda sempre sonhou."

Completando: a cara da Folha de São Paulo do Seu Frias II, o das Diretas-Já. A Folha que me fez fã da Folha.

De uma coisa o político não pode abrir mão: de ser político; de orientar, e não de ser apenas uma biruta a depender dos ventos. Ocorre que com os riscos inerentes à política e a sofisticação da sociedade, especialmente no que concerne à informação é cada vez menor o número de políticos com capacidade de liderar; e cada vez maior o de seguir a reboque, seja da mídia, da religião ou de qualquer ideologia radical.

 

Anti-Malufismo? E os cartazes com o Maluf e o FHC em 1998? Era tudo brincadeirinha?

O fato é que o PSDB é o legítimo herdeiro do Malufismo em Sao Paulo. Todos os malufistas que eu conheço tornaram-se fãs de carteirinha do Serra e do Alckmin. Será coincidência, ou eles estão usando os mesmos métodos do malufismo? Eu aposto na segunda hipótese.

 

ABAIXO A DITADURA

 

Por falar em PSDB, segue interessante  e revelador artigo  sobre um dos filhos de FHC. Imaginem o que o PIG não faria se as mesmas benesses fossem oferecidas a algum dos herdeiros de Lula? É bem antigo, mas mostra claramente o grau de beneficiamento para a família de FHC e a benevolência da mesma com os desvios do ex-presidente.

 

As andanças do filho do presidente

 
Paulo Henrique Cardoso trabalha em revista trimestral, anda numa BMW blindada e usa jatinho de empresário para voar entre Rio e São Paulo.

Paulo Henrique Cardoso, 45 anos, filho do presidente da República, é um sociólogo por formação acadêmica – estudou na Unicamp, logo após a família voltar dos anos de exílio, durante o governo militar. Mas nunca abraçou exatamente o que a carreira lhe oferece. É hoje diretor-geral da recém-lançada Brasil Sempre, uma publicação trimestral com mais de 150 páginas, com oito mil exemplares de tiragem.

A revista não é vendida em bancas. É distribuída para embaixadas, organismos internacionais e empresas. É um produto do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), organização não-governamental carioca ligada a 55 grupos empresariais e que tem como objetivo discutir problemas relacionados ao meio ambiente e à atuação das empresas brasileiras num mundo globalizado.

Mais pomposo que o nome do Conselho é a lista dos conselheiros editoriais da revista, que mais parece a relação dos representantes do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Estão estampados na página 2 Álvaro Cunha, das Organizações Odebrecht, Jorge Gerdau Johannpeter, da Metalúrgica Gerdau, Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, Benjamin Steinbruch, da Companhia Siderúrgica Nacional, só para citar alguns deles.

Para fazer as vezes de jornalista da publicação, na qual realiza entrevistas com nomes do empresariado brasileiro, Paulo Henrique ganha bem, trabalha pouco e gosta menos ainda O emprego oferece jornada de trabalho sem obrigações ou compromissos todos os dias, e não exige dedicação exclusiva. E ainda garante viagens, alimentação e outras despesas pagas pela instituição. “O Paulo Henrique custa pouco para nós”, afirma Félix de Bulhões, presidente do Cebds. PHC, como é chamado por alguns políticos e assessores do presidente, não tem cargo público e nunca foi personagem de peso do universo empresarial. “Com todo o orgulho que tenho de ser filho de presidente, sou obrigado a lidar com expectativas que têm de ser cumpridas, mesmo que eu não queira cumpri-las”, disse Paulo Henrique Cardoso a Gente.

O mais velho dos três filhos do presidente também trabalhou como conselheiro de algumas empresas. Atilano de Oms Sobrinho, presidente da Inepar – Indústrias Elétricas do Paraná Ltda., convidou-o há dois anos a fazer parte do Conselho de Desenvolvimento Estratégico da empresa, ao lado de nomes notórios como os ex-ministros Aureliano Chaves, Rafael de Almeida Magalhães e Eliezer Batista. No Brasil, a remuneração paga a esse tipo de função varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil para cada uma das reuniões esporádicas da qual participam os conselheiros – em que são discutidas questões de interesse da empresa, como cenários econômicos e rumos estratégicos para o negócio. Paulo Henrique permaneceu no conselho até meados de 1999. Saiu e manteve os amigos. Tanto que ele tem a sua disposição o jatinho que pertence a Oms Sobrinho – que eventualmente usa em seus deslocamentos entre Rio e São Paulo. “Estava difícil conciliar a agenda de trabalho do Cebds com o projeto proposto pela Inepar”, diz.

SOLTEIRO COBIÇADO
Para manter a forma física, ele faz caminhadas sempre a partir de 11 horas da manhã, no calçadão da praia de São Conrado, zona sul do Rio. Vive hoje num confortável apartamento em São Conrado, cujo aluguel é estimado por imobiliárias locais em R$ 4 mil por mês. Mas o apartamento é de propriedade da família Almeida Braga, do Banco Icatu, e por conta disso, garantem amigos da família Cardoso, Paulo Henrique desembolsa um valor menor pela moradia.

Para se locomover na Cidade Maravilhosa, ele utiliza uma BMW blindada, sempre acompanhado por guarda-costas e seguranças do Exército brasileiro. Paulo Henrique é um dos solteiros mais cobiçados dos salões da alta sociedade. Não faltaram namoradas depois da separação, em 1997, de Ana Lúcia Magalhães Pinto, herdeira do Banco Nacional, com quem esteve casado por 17 anos e com quem tem as filhas gêmeas Joana e Helena, de 13 anos. Ele se separou um ano depois da intervenção do Banco Central nas empresas da família de Ana Lúcia. A primeira empreitada de solteiro foi com Tereza Collor, 35, a viúva de Pedro Collor de Mello.

O romance durou oito meses, contados no calendário. Está há um ano e meio de namoro com a consultora de artes Evangelina Seiler, 42 anos, a quem conheceu quando ela separou-se do marido na Suíça e retornou ao Brasil. Casamento? “Nenhum de nós dois fez essa pergunta ao outro”, garante Paulo Henrique. Sua rotina tem sofrido alterações há um ano, desde que se envolveu no projeto de R$ 14 milhões oriundos de recursos públicos e destinados à montagem e organização do pavilhão brasileiro na Expo 2000, que acontece em Hannover, na Alemanha, a partir de 1.º de junho.

Por conta da nova empreitada, ele viaja a Brasília quase toda semana. “Não ganho um tostão nesse trabalho”, diz Paulo Henrique. Quando há necessidade de ficar na capital federal, Paulo Henrique mostra a face de filho de presidente e se hospeda no Palácio da Alvorada, moradia oficial do presidente e da primeira- dama, Ruth Cardoso. Paulo Henrique Cardoso é o representante de um grupo de empresas brasileiras no comissariado-geral que levará produtos e projetos artísticos e culturais brasileiros para serem expostos na Feira de Hannover. Foi colocado ali pelo governo comandado por seu pai, que constituiu por decreto o Conselho Empresarial para os 500 Anos, numa parceria com o Cebds.

O tema do pavilhão escolhido pelo Itamaraty é “Homem, Natureza e Tecnologia”. “O Conselho foi convidado e aceitou participar da conceituação porque atuamos na tese do desenvolvimento sustentável”, explicou Paulo Henrique. “Não vou negar que tentamos, sim, influenciar o governo para o Brasil discutir o desenvolvimento sustentável em Hannover, porque esta é a feira mais importante do final do milênio e qualifica o País para ser mais competitivo”, diz Bulhões.

A presença do filho do presidente em um cargo como esse gerou situações de constrangimento. Numa reunião ocorrida em 14 de setembro no Ministério do Turismo, com 18 representantes ministeriais, Paulo Henrique disse que queria mostrar aos países do primeiro mundo que aqui se tem “multiintegração racial, diversidade e competitividade internacional”. “Afinal, temos até um presidente mulato”, concluiu, provocando risos contidos dos participantes.

“Não podemos nos preocupar com os custos dos projetos, porque eu estarei me empenhando para mostrar aos ministros a importância desse investimento na Expo 2000”, disse o filho do presidente. “Entendo que o Brasil possa expor outros temas em seu pavilhão, como suas mulatas, suas sambistas”, retrucou o alemão Thomas Timm, representante da Câmara do Comércio Brasil Alemanha de São Paulo. “Mas não convém ao Brasil concentrar esforços num estande baseado em tecnologia”, concluiu. “Não devemos demonstrar um projeto individual de um ministério ou empresa num contexto que é global”, argumenta Paulo Henrique.

LIGAÇÕES PERIGOSAS
Mas Paulo Henrique já foi alvo de especulações sobre influências paralelas na economia nacional. Concessionária de serviços na área de energia elétrica, há um mês a Inepar foi a beneficiária de uma decisão do governo que causou perplexidade no mercado. Em 24 de fevereiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revogou a licitação pública para concessão da linha de transmissão de energia Tucuruí-Vila do Conde, no Pará. Um mês antes, a Inepar havia perdido a concorrência para o consórcio das empresas Schahin/Alusa.

A Aneel alegou “pioneirismo” da licitação e excesso de recursos ingressados pelos dois consórcios, o que prejudicaria o andamento da obra. A Schahin recorreu à Justiça. “Não sabemos dizer por que a Aneel tomou essa decisão, nossa proposta era a melhor e fomos pegos de surpresa”, afirmou o diretor jurídico da Schahin, Rinaldo Zangirolami. Um alto funcionário da empresa jogou mais lenha na fogueira. “Tivemos informação de que a concorrente contou com ajuda de interlocutores influentes no governo, como Paulo Henrique Cardoso”, disse ele, que não quis se identificar.

“Ter o filho do presidente da República como representante de uma empresa é um lobby maravilhoso”, comenta um parlamentar com negócios na área de construção civil. “Jamais fui lobista e acho inacreditável essa discussão”, irrita-se Paulo Henrique. “É evidente que um empresário do porte de Atilano não precisaria de uma pessoa como eu para chegar ao governo”, completa o primeiro filho.

A carreira do filho do presidente da República não prima pela estabilidade profissional – como sempre buscaram seus pais, profissionais de carreira acadêmica pela Universidade de São Paulo. Paulo Henrique chegou a cursar Economia na Unicamp, época em que andava de jipe e usava cabelos compridos, mas acabou formando-se em Sociologia pela mesma universidade. Nunca se interessou em mergulhar em pesquisas e estudos acadêmicos. Mas abraçou a carreira de marketing e publicidade e fundou, nos anos 70, uma produtora independente, a Rádio 2. Durou pouco.

Já na década seguinte, ingressou no meio cultural e arrumou trabalho na produtora de cinema e vídeo Intervalo, de Walter Salles Júnior. Mudou novamente de emprego e foi parar na Miksom, outra produtora de vídeo, na função de diretor. Passou pela Rádio MEC, quando seu pai Fernando Henrique era senador, e pela extinta TV Manchete. Em 1995, quando Fernando Henrique vestia a faixa presidencial, Paulo Henrique arrumou emprego na ex-estatal Companhia Siderúrgica Nacional. Tinha como função primordial cuidar da imagem institucional da siderúrgica. Também durou pouco no cargo. E saiu para assumir, em 1997, um cargo em marketing da ex-estatal Light, no Rio de Janeiro. “Ele sempre foi da área de marketing, mas agora estou feliz porque ele está atuando com sucesso na área empresarial”, diz Bulhões.

Xodó da mãe, Paulo Henrique aprendeu com ela a cozinhar, lavar, passar e até costurar. Com o pai, teve a vivência do exílio político no Chile e na França. No Chile, PHC viveu dos 10 aos 14 anos, depois acompanhou o pai na passagem pela França, Inglaterra e Berkeley, na Califórnia. Aprendeu a falar fluentemente inglês, francês e espanhol. “Tenho muita admiração pelos meus pais. Hoje vejo o que representou o fato de minha casa ter sido um ponto de encontro e de debates durante o exílio.” É também elogiado pelos amigos. “Ele é brilhante e um excelente relações públicas”, define o deputado federal Xico Graziano (PSDB-SP). “Ele é mais expansivo que o pai e gosta de política, só não gosta da militância política”, diz o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas.

 

"E saiu para assumir, em 1997, um cargo em marketing da ex-estatal Light, no Rio de Janeiro. “Ele sempre foi da área de marketing, mas agora estou feliz porque ele está atuando com sucesso na área empresarial”, diz Bulhões"

 

Interessante...

 

Faltou apenas ao inocente Bulhões (opa...) acrescentar que PHC, o filho de FHC, na Light, tinha como patrão o Sr. Benjamin Steinbruch que, ó coincidência cruel, neste mesmo ano - 1997 - levou a Vale - um lesa Pátria de dezenas de bulhões, digo, bilhões, de dólares - após a formação de um fulminante consórcio, lançado na enésima hora, ironicamente chamado de Brasil.

 

Mas por que a imprensa perderia tempo com PHC (ou com uma Verônica Serra) se já "intuía" que haveria um Lulinha? Um filho de Presidente muito mais perigoso para o país...

 

Interessante relembrar este texto mas ele está, com certeza, desatualizado. Não consegui achar a data original mas deve ser entre 2000 e 2001, quando FHC ainda era presidente, afinal no texto está escrito :

"Paulo Henrique Cardoso, 45 anos, filho do presidente da República"

Levo em conta também que a "recém-lançada Brasil Sempre", tal como anunciado logo no 1º parágrafo foi lançada em meados do ano 2000. A mais recente é a edição nº 42 - outubro/novembro/dezembro de 2010, se não me engano. Faça as contas, é uma publicação trimestral.

A data da publicação de um texto muda tudo. Este, embora interessando para refrescar a memória sobre o tal PHC, já é um texto histórico, ou melhor, uma coluna social de revista velha.

Em tempo : o PCH ainda está na revista Brasil Sempre no conselho editorial

http://www.insightnet.com.br/BrasilSempre/

 

Um senhor artigo do Nassif, e V.Sa. coloca este "troço" antigo aqui.