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Relatório Independente sobre Belo Monte: metano e fazendas

O relatório independente sobre Belo Monte

Em 2009 foi circulado um relatório de vários acadêmicos criticando o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Belo Monte: http://t.co/7wpTzG94. É um relatório de mais de 200 páginas com muitas críticas detalhadas sobre todos os aspectos do EIA.

De modo geral, não tenho conhecimento para dizer se as críticas são pertinentes ou não.  Entretanto, na maior parte elas me parecem ser apenas divergências quantitativas: quanta área será alagada, quanta água restará no trecho de vazão reduzida, quantas pessoas serão afetadas e em que grau, e assim por diante.  Ou seja, na maior parte as críticas não mostram problemas que o EIA tenha omitido e que inviabilizem o projeto, mas apenas afirmam que as medidas de remediamento deveriam ser mais extensas do que contemplado no EIA. 

A questão do metano

A única critica que notei que poderia ser um obstáculo sério é a questão do metano. O especialista que escreveu essa parte do relatório (Phillip Fearnside) observa que os reservatórios de usinas hidroelétricas (bem como muitos lagos naturais) só tem oxigênio dissolvido numa camada superficial, da ordem de uns ~10 metros.  Abaixo dessa profundidade a água geralmente é anóxica (sem oxigênio dissolvido).  Nessas condições, a decomposição de material orgânico (como algas e vegetação trazida pelo rio) é diferente da que ocorre em condições normais.  Madeira e outras partes duras das plantas resistem indefinidamente na água anóxica sem apodrecer, mas as partes moles apodrecem gerando gás metano (CH4) que fica dissolvido na água. 

Embora o metano em si seja inofensivo aos seres vivos, acredita-se que ele tem efeito estufa 20-25 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2), o gás produzido pela queima de combustíveis e pelo apodrecimento em presença de oxigênio. O metano produzido em lagos naturais não é um problema, pois para escapar ele tem que atravessar a camada de água oxigenada , onde ele é quase todo convertido para CO2.  (Por ser parte do ciclo da vegetação, este CO2 não conta como adição ao efeito estufa.)

Porém, numa hidroelétrica típica, as turbinas tiram água do fundo do reservatório, cheia de metano, e a despejam rio abaixo, onde o metano é liberado e vai para a atmosfera sem tempo de virar CO2. Assim, um parte do carbono que circula entre o CO2 da atmosfera e a vegetação é desviado para metano na atmosfera, aumentando o efeito estufa.  Fearnside calcula que o metano liberado desta maneira por certas hidroelétricas na Amazônia contribui para o efeito-estufa 2-3 vezes mais que o CO2 que seria gerado por usinas termoelétricas de mesma potência.

Ora, a ausência de emissões de gases-estufa era supostamente a principal vantagem das usinas hidroelétricas sobre as termoelétricas.  Se a análise de Fearnside fosse válida, então a decisão lógica seria trocar belo Monte (e outras usinas hidroelétricas) por usinas termoelétricas. 

Porém, vejo três problemas nessa análise: dois gerais, e um específico para Belo Monte.

Em primeiro lugar, o metano tem vida limitada na atmosfera:  a cada 12 anos, metade da quantidade existente é convertida para CO2. Isso significa que, depois de duas ou três décadas, a produção efetiva de metano pela usina fica muito pequena.  Depois desse tempo, a quantidade de CH4 que é liberada na saída da turbina, por ano, fica praticamente igual à quantidade que é convertida para CO2; e este, como dito acima, não conta para efeito estufa pois é parte do ciclo da vegetação.  Portanto, mesmo que uma usina hidroelétrica seja mais poluente do que uma termoelétrica nos primeiros 20 anos, no decorrer de sua vida esperada (possivelmente 100 anos ou mais) ela vai contribuir bem menos.

Em segundo lugar, a camada anóxica de lagos e barragens é um importante sorvedouro de gás estufa. Isso porque parte da matéria vegetal que entra nela vai parar no fundo sem se decompor.  Não encontrei dados sobre qual é a percentagem de carbono que é sequestrada (em vez de virar CO2 ou CH4),mas mesmo que seja pequena, este fenômeno faz com que uma usina hidroelétrica não apenas páre de poluir mas comece a limpar atmosfera depois de algumas décadas.

Finalmente, Belo monte tem várias características que devem diminuir ou eliminar completamente o problema do metano.  Nas usinas 'poluidoras', a água que entra no reservatório fica 10-30 anos parada no lago antes de sair pelas turbinas; enquanto que em BM, como o reservatório é praticamente inexistente, o tempo de residência da água deve ser muito curto, e portanto  boa parte da matéria vegetal suspensa deve  sair antes de ter tempo de se decompor.  Além disso, em BM a água é levada da barragem até as turbinas por canais abertos, que retiram água da camada de água oxigenada no alto do reservatório, e portanto sem metano.  O metano na camada anóxica, se houver, só poderá escapar atravessando a camada oxigenada, onde será covertido para CO2.

Em suma, mesmo no aspecto da produção de metano, ainda não vi no relatório nenhum problema que justifique cancelar o projeto.

Floresta já foi em boa parte desmatada

Aproveitando o ensejo, é importante notar que a maior parte da área afetada por Belo Monte não é floresta amazônica, mas sim área desmatada, aparentemente grandes fazendas agropecuárias.  Este fato pode ser constatado na imagem do LANDSAT abaixo, que cobre aproximadamente 400x400 km:

http://www.ic.unicamp.br/~stolfi/EXPORT/projects/img-belo-monte/L225a/t5...

Nesta imagem, as manchas brancas no alto são nuvens, preto são rios (ou sombras das nuvens), verde escuro é floresta, e marrom ou verde claro são áreas desmatadas.  A mancha avermelhada na margem esquerda, na primeira "esquina" do rio Xingu, é a cidade de Altamira. Pode-se ver que a área dentro da Grande Volta está quase toda desmatada.  Esta imagem pode ser comparada com a planta da usina: http://3.bp.blogspot.com/_Zw7UaMn21wY/S-2qddgC3lI/AAAAAAAACvE/abKxELCi6K...

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36 comentário(s)

Comentários

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Nos comentários acima não vi nada que contrarie meu entendimento: as críticas do relatório de especialistas, válidas ou não, podem afetar o montante e direção das ações remediadoras, mas não apresentam obstáculos sérios para a construção da usina. 

De fato Fearnside baseia seus argumentos em medições das usinas de Tucuruí e Balbina, além de dados de outros países.  Como observado acima, em Belo Monte faltam vários dos fatores importantes para geração de metano, de modo que esse risco parece bastante implausível.  Tanto assim que no relatório de especialistas ele não afirma que o efeito ocorrerá, muito menos que tornará a usina mais poluente que uma termoelétrica.

Seria muito interessante medir a concentração de metano  na água que alimenta nas turbinas de Itaipu.  (A turbulência na entrada é irrelevante, pois a decomposição do metano na água oxigenada é devida à ação de bactérias e portanto leva algum tempo. Assim, mesmo que a hipótética água anóxica do fundo seja misturada à água oxigenada ao entrar na boca das turbinas, o metano presente deve ser quase todo liberado quando essa água é despejada na saída.)

Lamento saber que o tema da redação do ENEM foi o "fato" de que as hidroelétricas são mais  poluentes que as termoelétricas.  A prova de redação já é uma aberração do ponto de vista de avaliação, pois sua nota é muito mais aleatória e subjetiva que a de uma prova de questões objetivas. Pior ainda quando o tema é um assunto de atualidade.  Como esse exemplo mostra, o examinador fica tentado a usar a prova para divulgar "fatos" que podem ser incorretos ou apenas suas opiniões pessoais. (Quando prestei meu vestibular na Escola Politécnica da USP, em 1968, o tema da redação foi "aspectos positivos da guerra".) Um tema controverso coloca em desvantagem os alunos que tem opiniões contrárias, aumentando ainda mais o caráter aleatório e subjetivo da nota.

Quanto à eficiência de tirar a água do topo em vez do fundo, dá na mesma.  Em algum momento a àgua  fica confinada em um túnel ou tubo até chegar nas turbinas.  O desnível que importa (que define a pressão da água na turbina) é o que vai da última superfície livre da água antes desse tubo até a turbina.  No corte de Itaipu postado acima, o desnível efetivo é medido do topo da água antes da barragem; a profundidade onde fica a boca de captação é irrelevante.  Pelo que entendo, em Belo Monte o nível da água será praticamente o mesmo em toda a barragem, nos canais de desvio,  e no reservatório dos canas, até chegar perto da casa de turbinas.  Nesse ponto a água deve entrar em um poço ou tubo fechado que leva às turbinas.  Portanto o desnível que importa é do nível atual do rio  ao sul de  Altamira (onde vai começar o reservatório) até o nível do rio logo depois de Belo Monte (onde ficam as turbinas).

Finalmente, é preciso enfatizar que a área total a ser alagada por Belo Monte,  em toda sua vida útil de  50 anos ou mais, é menos de 300 km2  (pois parte dos 520 km^2 são o leito existente do rio). A redução da vazão no trecho leste da Grande Volta talvez venha a afetar negativamente uns 200 indígenas.  Esses números devem ser comparados aos 5000 km^2 de floresta amazônica que são destruídos a cada ano para agricultura e pecuária, e com os 60 indígenas que são assasinados a cada ano no Brasil (principalmente em Mato Grosso do Sul, onde mais de 10.000 indígenas estão lutando para reaver suas terras.)  E é preciso enfatizar que os impactos de Belo Monte foram analisados e  tem remediações previstas, enquanto que para estes danos muito maiores não houve nem EIA nem remediação.

Aliás, a reforma do Código Florestal que está tramitando no Congresso, se aprovada, fácil fácil causará danos 1000 vezes maiores ao ambiente e aos indígenas do que Belo Monte.  Quem realmente preza o meio ambiente deveria apontar sua artilharia nessa direção.

 

Será que o pessoal que recomenda ler o tal documento "científico" do "painel de especialistas" com críticas a Belo Monte também já se deu o trabalho de ler a documentação disponibilizada pelo Ibama, Funai e demais órgãos oficiais para conferir se os tais "especialistas" estariam corretos? Até onde sabemos, esses "especialistas" são seres humanos e também podem errar. Será que a opinião deles é inquestionável, mesmo havendo posicionamentos contrários de técnicos concursados dos órgão federais e outros acadêmicos com títulos e "credenciais" equivalentes. Será que aqueles que já dedicaram bastante tempo para ler os argumentos contrários à usina também dedicaram um tempo equivalente para ler as respostas e os argumentos favoráveis? Seria muito bom se todos utilizassem com consciência, racionalidade e razoabilidade a liberdade de expressão que a democracia nos proporciona, se informando e ouvindo todos os lados antes de se formar uma opinião firme sobre um assunto polêmico ao ponto de assinar uma petição. Infelizmente, isso ainda não é realidade na democracia brasileira.... talvez seja realidade na democracia da Finlândia, que tem a melhor educação do mundo.

Vou dar uma ajuda:

1. Documentação do licenciamento ambiental
http://siscom.ibama.gov.br/licenciamento_ambiental/UHE%20PCH/Belo%20Monte/

2. Cartilha com esclarecimentos sobre Belo Monte
www.blogbelomonte.com.br/wp-content/uploads/2011/11/folheto_UHE_portugues.pdf

3. O Brasil precisa de Belo Monte - Resposta da Eletronorte para Célio Bermann
www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=14806

4. O corredor polonês da usina de Belo Monte - Roberto Messias Franco, presidente do Ibama
http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/183100/1/noticia.htm

5. Pinguelli, Diretor da COPPE/UFRJ, defende necessidade de Belo Monte
www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2010/04/pinguelli-defende-necessidade-de-belo-monte
www.cartacapital.com.br/politica/a-conservacao-da-pobreza-e-patifaria/
www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78429

6. AGU comprova que audiências do Ibama e da Funai para ouvir comunidades afetadas pela UHE Belo Monte não ofendem a constituição
www.ibama.gov.br/publicadas/agu-comprova-que-audiencias-do-ibama-e-da-funai-para-ouvir-comunidades-afetadas-pela-uhe-belo-monte-nao-ofendem-a-constituicao

7. Para Funai, críticas sobre falta de diálogo com povos indígenas são infundadas
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-19/para-funai-criticas-sobre-falta-de-dialogo-com-povos-indigenas-sao-infundadas

8. Funai explica componente indígena da UHE Belo Monte a jornalistas
www.funai.gov.br/ultimas/noticias/1_semestre_2011/Maio/un2011_04.html

9. Parecer Técnico da Funai: Análise do Componente Indígena dos Estudos de Impacto Ambiental
www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/BeloMonteFUNAI.pdf

10. Esclarecimentos da Funai
www.funai.gov.br/home/BeloMonte/belomonte.html

11. Funai - Nota sobre as medidas cautelares da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA
www.funai.gov.br/ultimas/noticias/1_semestre_2011/abril/un2010_01.html

12. Itamaraty - Nota sobre a solicitação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA
www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/solicitacao-da-comissao-interamericana-de-direitos-humanos-cidh-da-oea

 

Assis, gosto de ti. Defende tuas posições com paixão - mas também com argumentos, dados e fatos...Em resumo: é racional na argumentação e se expressa com rara energia e convicção.
No caso de Belo Monte, porém, não posso concordar contigo. Os argumentos elencados contra a obra não são suficientes. Veja:

- Não foram respeitados processos básicos e pareceres ambientais como o EIA-Rima? Vou te contar: o trecho norte do Rodoanel de SP está começando SEM EIA-Rima, SEM assembléias com as comunidades atingidas e entidades ambientais (item essencial para a legalidade da obra) e vai atingir A MAIOR RESERVA AMBIENTAL URBANA DO MUNDO - a Serra da Cantareira! Do lado dela, só umas 18 milhões de pessoas, que precisam de mais verde e ecologia que todo o resto da população do País. Alguém se importa? Nem.

- Como já postei, serão 516 km² inundados e 11 mil megawatts gerados - é o MELHOR PROJETO HIDRELÉTRICO DO MUNDO, pois vai produzir muito ocupando muito pouco (a Represa Billings em SP alagou 582 km² e gera meros 889 megawatts). Vai ter impacto ambiental? Claro - mas a Amazõnia brasileira inteira possui área de 5.217.423 km² - o impacto vai se dar em aproximadamente 0,0001% da floresta (acho que são só três zeros depois da vírgula - se forem quatro me perdoe, pois fiz Humanas).

- Há interesses privados e estrangeiros? Inúmeros - a mídia grita por eles - que não possuem rosto, nem nome. Portanto, quando a mídia apóia em peso, desconfie. Nem quero elencar argumentos sobre isso, porque vai parecer teoria da conspiração. Mas é bem real...

Te peço que reflita um pouco sobre o que escrevi - mas não deixe nunca - nunca mesmo - de ser quem vc é. Porque é admirável. Sinceramente.

-

 

Olhem estes números - e vejam como é linda a mentirada que divulga-se na mídia:

- a Represa Billings (na Gde. SP) alaga 582 km2 e gera 889 MW;

- já Belo Monte vai alagar 516 km2 (menos) e produzirá 11.000 MW (treze vezes mais!);

Perguntinha: 516 km2 da Amazônia é muito - ou quase nada? Creio que estes números encerram o assunto - tanto do ponto de vista do "enorme" impacto ambiental quanto da relação custo X benefício.

Pô, a questão não é - nem nunca foi - impacto ambiental, opressão de populações indígenas autóctones ou obra supostamente ilegal/superfaturada - é questão da OCUPAÇÃO SOBERANA DA AMAZÔNIA! Que começa com Belo Monte!

O "mundo" (vou generalizar, entendam como quiserem) quer a região intocada para - no futuro, em um ambiente político propício - reivindicar o espaço (e suas riquezas, claro!) como patrimônio da humanidade e, portanto, sujeito à gestão e controle internacionais! Ô, acorda!

Pergunta pra essas ONGs norte-americanas de proteção aos índios o que eles fizeram pra evitar o destino do Gerônimo, do Cochise, Viracocha e Tatanka Yotanka (Touro Sentado)...

Ah - e meu nome agora é "Vento no Cabelo"!!!!

P.S.: Assistam o filme "Bye Bye, Brasil" e vejam como Altamira era (á época) ocupada - ponto medial e nevrálgico da Rodovia Transamazônica...

 

Só tem mais uma coisa.

Os dados de emissão de metano após a barragem foram pegos onde? Provavelmente utilizaram de Balbina e Tucuruí que não são exemplos para isso, pois neste local não se feez limpeza da área.

Verifiquei alguns trabalhos de UHE e continuan a utilizar os mesmos dados?

 

a hidrelétrica de Três Marias, construída em 1962, em Minas Gerais, é a campeã de emissões de metano, de acordo com o primeiro relatório brasileiro de efeito estufa, elaborado em 2004. Essa hidrelétrica foi construída em área de Cerrado e, embora seja antiga, ainda emite muitos gases de efeito estufa. Entre o nível de água mais alto e o mais baixo da hidrelétrica de Três Marias, há uma distância de nove metros. Em função disso, forma-se, em volta do lago, um lamaçal onde crescem gramíneos e ervas. Quando o nível da água do lago sobe, todas essas plantas ficam no fundo do lago, onde apodrecem e se transformam em metano

 

esta parecendo ponte estaiada de sampa, quando era marta que ia fazer, projeto errado, custava mais caro, alta demais poluindo visao, etc etc,,,,,

ganhou serra fez o mesmo projeto, com mesma verba e uns adicionais, MELHOR PROJETO DO MUNDO, virou cartao postal de sampa, etc etc,,,,

 

COMO ITAIPU precisa de 18 vezes mais de area alagada pra produzir mesmo que belo monte, vamos todos juntos,,,,,,

DERRABAR ITAUPU JA

obs: nas demais represas nao tem tal do metano? exclusividade de belo monte, mas que tem um belo monte de gente que nao quer ver a amozonia desenvolvendo, ah isso tem,,,,

 

Em reservatórios com grande profundidade, acima de 40 metros, o metano não consegue subir à superfície. A pressão da água impede que a bolha de metano atinja a superfície. 

a relação entre a potência energética e a geometria do reservatório é fundamental para a maior ou menor produção de gases. Lagos profundos em áreas pequenas, e com grande potência energética, emitem pouco gases deste tipo. Este é o caso de Itaipu. Lagos rasos, em áreas extensas, e com pouca densidade de potência, como é o caso da hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, são grande poluidores

 

As críticas e comentários desse relatório foram respondidas pelos responsáveis pelo EIA/RIMA de Belo Monte ainda em 2009. O texto com as respostas ainda deve estar postado no site do Ibama, pois fazia parte dos documentos avaliados pelo órgão ambiental para subsidiar sua decisão sobre a concessão da licença prévia. Eles não foram desconsiderados como é sugerido em alguns textos.

Quanto ao metano, o texto acima apresenta uma boa avaliação da questão. Acrescento que as medições e integração dos dados obtidos para reservatórios existentes é muito problemática e polêmica entre os pesquisadores. Há números para interpretações e conclusões diversas e contrárias. Além disso, o ambiente natural (florestas, várzeas, etc) e antrópico (pastagens, culturas, etc) emitem metano. A maioria dos trabalhos publicados apresentam apenas as emissões brutas dos reservatórios, sem subtrair as emissões do ambiente anterior ao reservatório. Ou seja, não apresentam as emissões líquidas devidas aos reservatórios. Para Belo Monte, as áreas dos dois reservatórios deverão ter a vegetação suprimida, eliminando a matéria orgânica que poderia produzir gases de efeito estufa em grandes quantidades. Lembro que o prof. Fearnside praticamente não tem dados primários: ele sempre aplica modelos em que utiliza emissões bastante elevadas de um reservatório situado na Guiana.

 

Li o painel de especialistas e há uma grave omissão nele.

Ele não prevê o impacto no meio-ambiente caso a espécie humana seja exterminada pela gripe suína e deixe Belo Monte sem operação.

 

"Porém, numa hidroelétrica típica, as turbinas tiram água do fundo do reservatório, cheia de metano, e a despejam rio abaixo, onde o metano é liberado e vai para a atmosfera sem tempo de virar CO2."

Um lago não é o mesmo que uma caixa d'água, logo não tem muita lógica isso. A formação do lago objetiva criar uma massa d'água com força para girar as turbinas e quanto mais alta a queda maior a força. Logo, a água que vai para as turbinas deveria ser retirada do topo do reservatório, e não do fundo. Mas isto é apenas um chute, não estou afirmando que seja assim.

 

Como tudo em Itaipu é meio colossal, essas medidas podem não valer para a maioria da hidroelétricas normais. Mas na planta das turbinas de Itaipu, as bocas das tomadas de água ficam entre 18 e 62 metros abaixo da superfície do reservatório quando a água está na cota ideal (EL 220).

Seguindo o raciocínio do post, a captação seria feita abaixo do limite de oxigenação (10 m) da água, mas isso não leva em conta o enorme turbilhonamento da água nas imediações da captação.

Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-energia-hidrica/...

Itaipu
 

André Borges Lopes www.bytestypes.com.br

Enquanto a produção de metano do lago de Monte Belo pode paralizá-la, a produção de metano urbano somente é dinimuida parcialmente pela SABESP e SANEPAR, que queimam uma parte do metano dos esgotos.

Vamos destruir as cidades, posto que já existentes? Acredito que tenhamos muito mais metano em uma cidade de 250 mil habitantes que em Belo Monte..

 

Já vimos este filme antes: a hidrelétrica de  Tucuruí - um fracasso ambiental, e concomitantemente um fiasco de geração hidroelétrica.

 

No mais, outra preocupação que apresentei em post passados foi em relação para onde vai a enérgia produzida, já que li que 25% gerado irá para industria de aluminio. Essas indústrias não trazem maiores desenvolvimentos para a região onde estão instaladas, se assim fosse Minas Gerais, campeão de ferro-ligas e silício metálico, seria o estado mais rico da Federação.

De um modo geral, este conjunto de fatores, com exceção, talvez, dos custos da energia,
ainda persiste, se bem que tenham surgido novos nichos que podem levar à formação e crescimento
de novos pólos.
Ilustrando, as unidades pioneiras do Pará podem vir a ser embriões de um novo pólo, dada a
convergência de fatores favoráveis, existentes e futuros. Com efeito:
- a região conta com reservas importantes de minério de manganês e níquel e uma
disponibilidade conveniente de quartzo;
- há uma boa disponibilidade de energia elétrica, tanto de Tucuruí, quanto de novos
aproveitamentos hidroelétricos, previstos dentro do horizonte considerado;
- já existe uma grande capacidade instalada de alumínio primário e a implantação da grande
siderurgia é prevista para a região nos próximos anos.
Estes e outros aspectos serão abordados no desenvolvimento do trabalho.
No desenvolvimento, cada uma das unidades produtoras será caracterizada, em termos de
capacidade, equipamentos, matérias primas e redutores.
Conforme já mencionado, os mercados consumidores de ferroligas e silício metálico são
específicos – a indústria siderúrgica para o primeiro e a indústria de alumínio e silicona para o
segundo. Neste último, o consumo doméstico é apenas no setor alumínio.

Pagina 12 do estudo encomendado pelo:

CONTRATO Nº 48000.003155/2007-17: DESENVOLVIMENTO DE ESTUDOS PARA ELABORAÇÃO DO PLANO DUODECENAL (2010 - 2030) DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA - MME
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL-SGM

http://www.mme.gov.br/sgm/galerias/arquivos/plano_duo_decenal/a_transfor...

 

Apresentei nos comentários acima, parte do estudo científico assinado por vários estudiosos em várias áreas, que também estão indicado.

A pior observação do estudo citado é  que demonstra que o governo não seguiu os trâmites legais e obrigatórios para a liberação de obras que atinjam a biodiversidade. O estudo sugere a correção desses ítens.

Agora, no jogo ideológico das apostas, ecochatos X desenvolvimentistas apoiadores de ilegalidades, mesmo defendendo as hidrelétricas na amazônia, fico com os ecochatos.

 

Sobre o parecer do Ibama contrário à emissão da licença de instalação , tento novamente um link que espero funcionar :

http://www.advivo.com.br/sites/default/files/documentos/aeh_belo_monte-p...

 

mpaiva

Não adianta a academia produzir um relatório de milhões de páginas (neste caso, apenas 230) se não consegue, através de porta vozes qualificados, resumir e defender suas idéias no debate público.

O Célio Bermann, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, foi colaborador deste documento e no programa Brasilianas.org sobe Belo Monte foi incapaz de articular seus pontos de vista para debater.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SajNGpTgtxk

No video abaixo uma antropologa, ao inves de usar seu tempo para listar os problemas concretos sobre Belo Monte, extrapola a questão prática de Belo Monte e pinta o projeto como quase que uma ameaça à democracia brasileira.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=npoLn9pzJ5E

Resumindo, em Belo Monte, a gente pode ser contra o governo ou os globais, mas quem errou feio foram a imprensa e a academia.

 

Projetos da Eletronorte no Lago de Tucuruí beneficiam comunidades indígenas e pescadores artesanais, além de patrocinar a pesquisa sobre biodiversidade, recuperação de solos degradados e o replantio de espécimes nativas da região amazônica:

http://www.eln.gov.br/opencms/opencms/pilares/meioAmbiente/estados/tucurui/

Quem só enxerga malefícios em Belo Monte está olhando só para um lado...

 

- De poste em poste o Brasil vai se iluminando...

Falaram a mesma coisa quando construíram a usina de Tucuruí, que a floresta coberta pelo lago iria gerar niveis venenosos de metano, que a decomposição da matéria orgânica no lago geraria um lago envenenado, e que ainda iria envenenar tudo rio abaixo e até mesmo danificar as próprias turbinas da hidrelétrica, e que essa água podre seria responsável por nuvens bíblicas de mosquitos, que iriam inviabilizar a vida humana num raio de 100 km...

Nada disso aconteceu, como todo mundo sabe. O lago de Tucuruí é um dois mais piscosos da Amazônia, tanto que sedia há anos um movimentado torneio de pesca esportiva, o TOPAM - Torneio de Pesca Esportiva da Amazônia:

http://www.mconline.com.br/tucurui/home/internas.php?page=cidade/pesca

 

- De poste em poste o Brasil vai se iluminando...

Tucuruí não é o melhor argumento para a defesa de Belo Monte :

http://www.advivo.com.br/video/tucurui-a-saga-de-um-povo

 

mpaiva

intrigante que até o ano passado, as hidreletricas eram vendidas como fontes 100% limpas de energia. a primeira vez que li o contrario foi no enem desse ano (uma prova federal, que ironia), numa questão que alertava sobre a produção de metano e afirmava que a hidreletrica era uma fonte de energia tão suja quanto as outras, ou até pior, já que o metano, uma vez que não é utilizado na fotossintese, é acumulado em maior volume na atmosfera.

sinto que essa discussão plantada e inoportuna é parte da estrategia do batalhão composto por ongs, ambientalistas, midia, governos estrangeiros e até gente do nosso próprio governo (vide o caso do enem) com o intuito de sabotar nossa matriz energetica. porque todas as opções "viaveis" as hidreletricas apresentadas por eles não são viaveis pra nós.  melhor resposta que o governo pode dar a essa gente é ignorar a chiadeira e tocar os seus projetos adiante.

 

Correto!

A tese de que as hidrelétricas são fontes de energia 100% limpas então foi por água abaixo? É isso?

 

O estudo que o post cita é assinado por:

Manoel Alexandre Ferreira da CUNHA
Universidade Federal do Pará
Rua Augusto Corrêa, 01 - Guamá.
CEP 66075-110. Belém - Pará – Brasil
Doutor em Antropologia, UnB-DF
Professor Associado do Programa de Pós- Graduação
em Ciências Sociais da UFPA
http://lattes.cnpq.br/3672393814496872

Philip Martin FEARNSIDEInstituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Departamento de Ecologia.

INPA, Av. André Araújo, 2936, C.P. 478 Petrópolis 69011-970 - Manaus, AM - Brasil
- Caixa-Postal: 478
Doutor em Ciências Biológicas - University of Michigan - Ann Arbor.
Pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
http://lattes.cnpq.br/3176139653120353

Inocêncio GORAYEB
Museu Paraense Emílio Goeldi.
Av. Perimetral 1901 Terra Firme 66017-970 - Belém, PA - Brasil - Caixa-Postal: 399
Doutor em Entomologia pelo INPA. Pós-doutorado em Sistemática Zoológica, na Florida State Collections of Arthropods, Gainesville, Florida, USA".
Pesquisador titular de Zoologia- Entomologia, do Museu Paraense Emílio Goeldi
http://lattes.cnpq.br/2391620537048479

Francisco del Moral HERNÁNDEZ
Instituto de Eletrotécnica e Energia
Av. Professor Luciano Gualberto, 1289 - Cidade Universitária
CEP 05508-010 - Butantã - São Paulo SP
Mestre em Energia, Doutorando em Energia PPGE USP
http://lattes.cnpq.br/3410097513669545

Flávio César Thadeo de LIMA
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo
Caixa Postal 42494
04299-970  São Paulo, SP, Brasil
Doutor em Zoologia, Universidade de São Paulo
Pós-doutorando do Museu de Zoologia, USP
Especialista em sistemática de peixes neotropicais.
http://lattes.cnpq.br/0930882349927734

Antonio Carlos MAGALHÃES
Museu Paraense Emílio Goeldi.
Av. Perimetral 1901 Terra Firme
66017-970 - Belém, PA - Brasil - Caixa-Postal: 399
Doutor em Antropologia Social (Universidade de São
Paulo)
Pesquisador aposentado do Museu Paraense Emílio Goeldi

Sônia Barbosa MAGALHÃES
Universidade Federal do Pará, Núcleo de Meio Ambiente.
Rua Augusto Correa, 1 66000-000 - Belém, PA - Brasil
Doutora em Antropologia e Sociologia pela Universidade Federal do Para e Université de Paris 13,
França. Professora Visitante da Universidade Federal do Para.
http://lattes.cnpq.br/2136454393021407

Rosa Acevedo MARIN
Núcleo de Altos Estudos Amazônicos - UFPA
Rua Augusto Corrêa, 01 - Guamá.
CEP 66075-110. Belém - Pará – Brasil
Doutora em História e Civilização pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, França.
Pós-Doutorado pelo Centre National de la Recherche Scientifique, França.
http://lattes.cnpq.br/0087693866786684

Hermes Fonseca de MEDEIROS
Universidade Federal do Pará,
Campus Universitário de Altamira.
Rua José Porfírio, nº 2515
São Sebastião
68372-010 - Altamira, PA - Brasil
Doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas
Com atuação nos temas: Ecologia Evolutiva, Ecologia de Comunidades e Biodiversidade.
http://lattes.cnpq.br/1496744228364321

Cecília Campello do Amaral MELLO
IPPUR - UFRJ.
Prédio da Reitoria, sala 543 - Cidade Universitária
Ilha do Fundão
21910-240 - Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Doutoranda em Antropologia Social, Museu Nacional da UFRJ.
Pesquisadora associada do ETTERN-IPPUR-UFRJ.
http://lattes.cnpq.br/8548550987685413

Jorge MOLINA
Instituto de Hidráulica e Hidrología, Universidad de San Andrés, La Paz
Engenheiro e Hidrólogo do Instituto de Hidráulica e Hidrologia e da Universidad Mayor de San Andrés, Bolívia.

Nirvia RAVENA
Núcleo de Altos Estudos Amazônicos - UFPA
Rua Augusto Corrêa, 01 - Guamá.
CEP 66075-110. Belém - Pará – Brasil
Doutora em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do
Rio de Janeiro/IUPERJ.
http://lattes.cnpq.br/0486445417640290

Geraldo Mendes dos SANTOS
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA-CPBA)
Av. André Araujo, 2936, Bro.
Petrópolis, Manaus, AM., CEP 69083-400.
Doutor em Biologia de Água doce e pesca interior Ictiólogo com estudos nas áreas de taxonomia,
biologia e ecologia de peixes amazônicos.
Pesquisador em programas de diagnóstico ambiental em várias sub-bacias amazônicas.
Secretário-executivo do Grupo de Estudos Estratégicos
Amazônicos (GEEA).
http://lattes.cnpq.br/9305903966611196

José Marcos da SILVA
Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães
Av. Moraes Rego S|N, Campus da UFPE - Recife- Pernambuco
CEP.: 50670420
Especialista em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães – Ministério da Saúde do Brasil.

A.Oswaldo SEVÁ Filho
Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Mecânica.
Rua Mendeleiev s/n FEM sala JD 301, Campus Universitário
13083-970 – Campinas
Doutor pela Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), França.
Pós-Doutorado pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, Brasil
Livre Docência pela Universidade Estadual de Campinas, Brasil.
http://lattes.cnpq.br/5331730714503567

Wilson Cabral de SOUSA Júnior
ITA - Pça. Mal. Eduardo Gomes 50
ITA – IEI 12228-900 - São Jose dos Campos, SP - Brasil
Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas e PhD Sandwich pelo Institute Of Latin American Studies - University of London.
Professor adjunto do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. http://lattes.cnpq.br/8987255813061182

Carlos B. VAINER
IPPUR - UFRJ. Prédio da Reitoria, sala 543 - Cidade Universitária
Ilha do Fundão
21910-240 - Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Doutor em Développement Economique et Social pela Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) .
Professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

Que tal então um parecer elaborado por TÉCNICOS DO PRÓPRIO IBAMA recomendando a NÃO EMISSÃO DA LICENÇA DAS INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS para a AHE Belo Monte ? 

 

 

PDF completo aqui : http://www.advivo.com.br/documento/licenca-de-instalacoes-iniciais-de-belo-monte-e-emitida-apesar-de-parecer-contrario-dos-proprios-tecnicos-do-ibama

 

mpaiva

No Fla X Flu desse assunto, o blog majoritariamente apoia as ilegalidades da aprovação do projeto. É isso que trata o bom estudo citada no post, mas, lamentavelmente disvirtuado.

 

Estudos indispensáveis para conclusões e tomada de decisão:

...

1) É necessário realizar mais coletas nas cavernas, identificar as espécies
encontradas (apenas 5 espécies foram identificadas dentre as 48 morfoespécies
coletadas), levantar sua distribuição geográfica e em que outras cavernas ocorrem.
Com base nisto seria possível identificar o impacto do empreendimento e
desenvolver planos para mitigação e compensação dos impactos.
2) É necessário produzir e apresentar análises de previsões para o declínio de
produção de energia pela hidrelétrica nas próximas décadas com base nas
previsões mais atuais de perda de vazão do Rio Xingu como conseqüência do
desmatamento (COE, COSTA & SOARES-FILHO, 2009) e do aquecimento global.
Tais análises são fundamentais, pois os principais argumentos em favor da opção
por hidrelétricas dependem de sua durabilidade.
3) O EIA, quando trata das questões ambientais, se restringe muito à análise de
fenômenos físicos, químicos e biológicos, como se não precisassem ser
considerados fenômenos que são alvos de estudos de outras ciências incluídas na
área das ciências humanas, como a política, a sociologia e a economia. A avaliação
dos impactos ambientais do empreendimento fica irremediavelmente prejudicada
sem a análise integrada destes componentes, que são determinantes do que
aconteceria com os ecossistemas. Dentre desta necessidade são apontadas uma
série de carências:
3.a) É necessário apresentar uma análise de risco, considerando a pressão para
barramentos futuros de grande impacto no Rio Xingu. Nestas análises é necessário
incluir a fragilidade do marco legal existente hoje; as expectativas de ociosidade do
sistema; as expectativas de perda de vazão do Rio Xingu (como conseqüência do
desmatamento e do aquecimento global); as expectativas de maior oscilação na
vazão do Rio Xingu (como conseqüência do desmatamento e do aquecimento
global); as mudanças socioeconômicas da região que deveriam tornar a população
mais dependente da renda produzida pelas hidrelétricas; mudanças políticas e de
legislação que podem vir a ocorrer no país, dentre outros. Dentro desta análise,
deveriam ser apontadas as áreas que estariam sobre maior risco de serem
atingidas em barramentos futuros, sendo este acréscimo de vulnerabilidade
contabilizado dentro do impacto do empreendimento. Esta é uma das questões que
mais preocupam diferentes setores da sociedade, desde indígenas e ribeirinhos e
acadêmicos. Pressões, vulnerabilidade e riscos são variáveis que podem ser
quantificadas e tratadas analiticamente, portanto não existe justificativa para não
incluir estes aspectos no EIA.
3.b) O EIA apresenta modelagens do processo de desmatamento no passado, mas
não previsões para o futuro, o que é possível com a aplicação de métodos de
simulação amplamente utilizados hoje. É notório que o impacto deste projeto no
desmatamento não está definido espacialmente pela área do reservatório, sendo
que o padrão espacial resultante só poderia ser apontado após estas análises.
Seriam necessárias análises de cenários futuros, com e sem barramentos,
modelando fluxos migratórios, níveis e tipos de ocupação, aumento da demanda
por recursos naturais, entre outros, e com base nisto apresentar previsões para o desmatamento na região para as próximas décadas. Ao final destas análises
deveriam ser apresentados os resultados, com intervalos de confiança para as
estimativas. Seriam então aproveitados cenários pessimistas para o impacto do
empreendimento, seguindo o critério da precaução, para só então ter-se uma
medida do impacto do projeto na perda de cobertura florestal, assim como em
variáveis associadas, como: emissões de carbono, perda de vazão do próprio Rio
Xingu, perdas culturais dentre os indígenas e populações tradicionais, perdas de
biodiversidade, etc. ... Sem esta análise não se tem qualquer estimativa de um dos
principais impactos ambientais do projeto, permanecendo as estimativas de
desmatamento como alvo de especulação.
Abaixo são elencados alguns dados e argumentos, baseados no EIA/RIMA, que
justificam esta exigência.
Apenas a expectativa de implantação do projeto já resultou em fluxo
migratório e em aceleração no processo de desmatamento da região em
períodos anteriores (EIA - Vol. 17 - Grau de Fragmentação e Isolamento de
Remanescentes Florestais na Área de Influência Direta do Aproveitamento
Energético de Belo Monte, (atentar para o período de 2000 a 2001) e
GLOBO AMAZÔNIA, 2009, tratando do período atual).
O projeto implica em um fluxo migratório que poderá dobrar a
população da região em menos de uma década (RIMA).
A maior parte dos empregos diretos gerados teriam duração de menos
de cinco anos, resultando no aumento da massa de desempregados e
subempregados na região (RIMA).
A região está no arco do desmatamento, já apresentando extensas
áreas degradadas e pouco produtivas ((EIA - Vol. 17 - Grau de
Fragmentação e Isolamento de Remanescentes Florestais na Área de
Influência Direta do Aproveitamento Energético de Belo Monte). A sociedade
brasileira tem se mostrado incapaz de conter este processo (GLOBO
AMAZÔNIA, 2009).
Além das previsões de impactos, para ter-se elementos suficientes para
licenciamento ou não do empreendimento, seriam necessários estudos de
planejamento de medidas mitigatórias e compensatórias baseadas nestes
resultados. Embora tais medidas só possam ser definidas com base os estudos
preditivos requeridos (incluindo simulações dos resultados esperados para as
próprias medidas, o que é perfeitamente factível), alguns pontos podem ser
apresentados como propostas apenas para demonstrar a diferença entre o que
seria necessário e o que está sendo proposto:
Criação de unidades de conservação permanentes na área da Volta
Grande, para proteger as comunidades naturais únicas que ficariam
permanentemente fragilizadas. impacto direto a jusante e a montante, nas quais seja garantida a
continuidade de áreas inundáveis e áreas de terra firme.
Criação de unidades de conservação em áreas próximas ao
reservatório.
Parte dos recursos obtidos com a energia produzida deveriam ser
direcionados a gastos permanentes com a manutenção de ecossistemas
naturais em áreas adjacentes.
3.c) Seriam necessárias análises de valoração dos serviços ecossistêmicos. Em uma
região como a tratada, os serviços ecossistêmicos podem ser a principal
contribuição para a riqueza nacional e mundial, mas foram completamente
negligenciados. Hidrelétricas se destacam particularmente pelo impacto em tais
serviços, por isso não se justifica não incluir esta abordagem em um EIA deste tipo,
nos dias atuais. Esta desatualização científica do projeto só pode ser entendida
como uma estratégia de externalização de custos, resultando em prejuízos para a
nação brasileira.
4) É necessário que os estudiosos dos animais e plantas que prepararam os
relatórios apresentados no EIA sejam convidados a apresentar análises objetivas
nas quais explicitem o que pode ser extraído de forma conclusiva de seus estudos,
incluindo os impactos do empreendimento, proposição de medidas mitigatórias e
compensatórias e a avaliação da eficácia esperada de cada medida. É esperado que
os especialistas tenham mais a extrair das informações por eles obtidas, assim
como é necessário que sejam apresentadas previsões concretas. Também é
necessário que as previsões possam ser atribuídas a seus autores, que se tornariam
responsáveis pelas mesmas. Assim a população poderia ser informada claramente
quanto ao que está sendo previsto, qual o nível de segurança destas previsões,
assim como quanto ao poder de generalização dos resultados destes estudos para
os ecossistemas como um todo.
5) É fundamental estudar mais as rotas migratórias dos peixes, assim como o
deslocamento de outros grupos de organismos aquáticos. Os estudos apresentados
são completamente insuficientes e inconclusivos. Muitas espécies estão restritas a
um dos dois trechos da bacia do Rio Xingu, definidos pela separação representada
pelas cachoeiras da Volta Grande. Para nenhuma espécie são apresentados seque
indícios de que o deslocamento através desta barreira seja necessário. É necessário
identificar as reais características do filtro representado pelas cachoeiras da Volta
Grande do Rio Xingu, que deixa passar algumas espécies, enquanto bloqueia a
passagem da maioria. Sem estes estudos, qualquer sistema de transposição de
peixes pode resultar na introdução de espécies fora da sua área de distribuição
natural, o que representa uma agressão ao meio ambiente de efeitos imprevisíveis
(espécies invasoras são a maior causa de extinções de espécies aquáticas e já
reduziram a produção de pescado em mais de 90% em alguns países), além de ser
crime previsto pela legislação nacional. Estes estudos não podem ser feito com um prazo muito curto e só podem ser desenvolvidos antes de qualquer intervenção no
curso do rio. Depois de iniciadas as intervenções no curso no rio tais estudos não
poderão mais ser realizados. Conseqüentemente não poderá ser feito qualquer
sistema de transposição de peixes, o que por sua vez poderá resultar em
diminuição ou desaparecimento de populações de espécies utilizadas na
alimentação humana.
6) É necessário refazer os estudos socioeconômicos sem a inclusão do sistema de
eclusas, pois este sistema representa a quebra de uma barreira geográfica que
pode ser uma das razões pelas quais a bacia do Rio Xingu é uma das mais ricas em
espécies de peixes do mundo. A quebra da barreira geográfica pelo sistema de
eclusas poderia resultar um número de extinções de espécies inaceitável para
qualquer empreendimento nos dias atuais.
7) É necessário estudar os impactos do empreendimento sobre o arquipélago do
Tabuleiro do Embaubal. Precisam ser considerados: 1) Estimativas quantitativas da
duração e do nível de turvamento das água como resultado das obras; 2) Análise
do impacto da construção da hidrovia (aprofundamento do leito por um trecho de
50 km) prevista no EIA.
8) É necessário estudar e apresentar de forma explicita as previsões para
alterações ambientais na região da Volta Grande, incluindo redução do nível do
lençol freático e mudança de vegetação. Com base nestes estudos teriam que ser
analisados os efeitos sobre a fauna, as nações indígenas e populações tradicionais
da região. No EIA existe uma inconsistência entre o que é discutido pelos
especialistas de ecossistemas terrestres, que assumem que a floresta inundável
será perdida, e a desconsideração destes efeitos na proposição de unidades de
conservação como medidas compensatórias, assim como na consideração que as
populações locais não são diretamente atingidas.
9) Para a manutenção do programa de criação de peixes ornamentais, seria
necessário um estudo sócio econômico, incluindo a escolaridade da população alvo,
o custo de aquisição de insumos na região e de exportação dos peixes. Com base
nestes parâmetros, seria necessário então verificar se os agentes locais teriam
possibilidade de competir com produtores de outras regiões do país e do mundo,
que seriam beneficiados com o desenvolvimento de tecnologias de criação das
espécies que hoje só podem ser obtidas através da economia local. É provável que
ao final destas análises se conclua que tal programa tem como efeito positivo
apenas a redução da pressão sobre as populações naturais, sendo que a região
perderia uma de suas fontes de renda a curto ou médio prazo. Ainda assim este
projeto poderia ser justificado, mas é necessário apresentar isto de forma clara à
população que sairia prejudicada.
10) É necessário definir os programas e projetos mitigatórios e compensatórios,
incluindo detalhamento e orçamento, antes da emissão da licença prévia. Para um
projeto desta magnitude fica impossível fazer estimativas de custos e atribuir
responsabilidades antes destes estudos. É necessário ponderar nesta demanda o histórico extremamente negativo de projetos hidrelétricos no país, que justificam a
adoção de precauções especiais com este tipo de empreendimento. Só assim um
novo barramento possa ser de fato desvinculado a deste histórico.
O monitoramento é fundamental, mas só permite a identificação de problemas, não
seu enfrentamento. Para os programas de monitoramento é necessário apontar
possíveis problemas a ser identificados com a aplicação destes programas, a forma
de enfrentamento destes possíveis problemas, o custo estimado disto e a quem
cabe esta responsabilidade. Da forma como está apresentado não fica claro que o
empreendedor deverá assumir tais custos, nem mesmo a que riscos está sendo
exposta a região.
11) Faltam estudos preditivos quanto ao aumento da incidência de insetos que se
alimentam de sangue humano em diferentes partes do reservatório e da área de
vazão reduzida, assim como estudos de planejamento para combate a estes
problemas.
Experiências anteriores, como a Hidrelétrica de Tucuruí, resultaram explosões das
populações de insetos vetores de doenças (em algumas populações a malaria
atingia mais de uma a cada quatro pessoas, chegava-se a experimentar 500
picadas por hora, alguns dos insetos nascidos no reservatório eram encontrados a
12 km no mesmo (COMISSÃO MUNDIAL DE BARRAGENS, 2002).
As áreas alagadas, que se estenderiam sobre áreas habitadas, incluindo a zona
urbana da cidade de Altamira, seriam rasas com pouca ou nenhuma troca de água.
Os resíduos produzidos pelas atividades humanas (principalmente esgoto),
poderiam permanecer por mais tempo próximos às áreas habitadas, devido à
redução da velocidade da água, causando um efeito conhecido como eutrofização
(RIMA). Mesmo considerando a remoção da maior parte da biomassa aérea das
plantas, as áreas inundadas também contribuiriam para a eutrofização dos
ecossistemas aquáticos durante muitos anos (COMISSÃO MUNDIAL DE
BARRAGENS, 2002). Todos estes efeitos levariam ao surgimento de áreas propícias
à proliferação de insetos hematófagos (que se alimentam de sangue), vetores de
doenças, como já foi observado em projetos de hidrelétricas anteriores (COMISSÃO
MUNDIAL DE BARRAGENS, 2002).
Em experiências anteriores não foi possível controlar satisfatoriamente este efeito,
resultando em verdadeiras calamidades (COMISSÃO MUNDIAL DE BARRAGENS,
2002), donde resulta a necessidade realização de estudos preditivos específicos de
melhor qualidade para o licenciamento de uma obra deste tipo nos dias atuais.
Além das previsões, é necessário apresentar planos de ação capazes de conter os
fenômenos negativos previstos, incluindo métodos, orçamentos e responsabilidades
pela execução.
Existe um projeto direcionado especificamente para este problema o ―Projeto
Monitoramento de Invertebrados Aquáticos‖ (EIA -Vol. 33, Pág. 184), mas este é apenas de monitoramento, sem ações previstas, e de duração restrita ao período
de implantação do empreendimento.
O problema é contemplado também no "Programa de Vigilância Epidemiológica,
Prevenção e Controle de Doenças" (EIA -Vol. 33, Pág. 403). É um projeto de
monitoramento e capacitação, que dependerá do setor público para ter êxito.
Estes programas são exemplos de externalização de custos, uma vez que as pragas
produzidas pelo reservatório teriam de que ser combatidas com recursos públicos.
12) Estudos sobre os peixes das corredeiras.
Não foram empregados métodos de coleta direcionados à amostragem dos peixes
das corredeiras, ficando a amostragem nestes ambientes bastante restrita aos
peixes de fundo. Como este é um grupo diverso e aquele a ser mais atingido pelo
projeto, esta é uma lacuna séria a ser preenchida. São necessários novos estudos,
com uso de métodos de coleta adequados para este ecossistema. Os resultados de
tais estudos dariam mais embasamento para a tomadas de decisões importantes
dentro do projeto, como por exemplo sobre a validade ou não de uso de um
sistema de transposição de peixes, assim como quanto às características de tal
sistema. Eles também seriam necessários para o monitoramento dos efeitos do
empreendimento. De qualquer forma estes estudos são importantes e precisam ser
realizados e incluídos em uma versão reformulada do EIA, antes do licenciamento
prévio.

http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/Belo_Monte_Painel_espec...

 

Tenho acompanhado com interesse, na medida do possível, este debate sobre Belo Monte.

Como trabalho há muitos anos no setor elétrico de potência, resolvi dar minha pequena contribuição.
A EPE, empresa que planeja a expansão do setor elétrico brasileiro tem a disposição no seu site a previsão necessária da expansão da geração elétrica até 2020 (plano decenal 2010-2020), baseada na previsão de crescimento do PIB entre outros fatores. Em resumo, precisamos aumentar nossa geração dos atuais 100.000MW para 171.000MW, ou seja, precisamos construir geração equivalente a 5 Itaipus (a maior do mundo!) até 2020, feito dificílimo.

Isto significa o seguinte: ou o Brasil pára de crescer, podemos até discutir isso, ou não podemos abrir mão de nenhuma forma de aproveitamento energético, nem hidrelétrica na Amazônia, nem eólica, nem solar, nem nuclear, nem térmica, nem hamster correndo em rodinha, sob risco de entrarmos em racionamento.

Abraço a todos.

 

Jel,

O estudo que o post menciona,  apresenta uma série de ítens obrigatórios não cumpridos, ou cumpridos apenas parcialmente, e ao final propõe as devidas correções.

 

 "Fearnside calcula que o metano liberado desta maneira por certas hidroelétricas na Amazônia..."

Quais? Na amazônia só tem duas, Balbina e Tucuruí. Balbina foi um grande erro por não terem limpado o reservatório antes do enchimento, inundando a floresta. Balbina é um grande biodigestor. Por causa disso hoje o Ibama obriga a limpeza do reservatório antes do enchimento. É a última condicionante antes da autorização do enchimento.

Fearnside e outros ambientalistas costumam citar sempre o caso de Balbina para dizer que as hidrelétricas geram muito metano. Balbina é uma exceção e não a regra. Fazem isso de má fé.

Quanto ao desmatamaento na área é verdade, boa parte da área já foi desmatada, sem nenhum tipo de autorização do Ibama, inclusive a Terra Indígena de Volta Grande, na margem direita do rio Xingú. Os índios vendem madeira a li faz tempo.

 

Problemas Encontrados:
1) Quebra de barreira geográfica e introdução de espécies.

...

2) Perda de ambientes resultantes da variação anual no nível do rio (praias,
pedrais, floresta inundável, ilhas), na área do reservatório. O que resultaria em
perdas de biodiversidade, assim como problemas de auto-suficiência para
indígenas e populações tradicionais.

...

3) Desvinculação do projeto de um dos seus principais impactos
ambientais: o aumento das pressões para destruição de ecossistemas
naturais e do patrimônio cultural por barramentos adicionais no Rio Xingu.

....

4) Estudos apenas preliminares apresentados para análise da fauna das
cavernas.

...

5) Partes do projeto para as quais não existe qualquer análise do impacto
ambiental.

...

6) Omissões quanto aos impactos a jusante, particularmente no
arquipélago do Tabuleiro do Embaubal (Senador José Porfírio – PA).

...

7) Não inclusão da área da Volta Grande na área de influência direta.

...

8) Falta de divulgação das características do empreendimento para que a
população possa conhecê-lo e opinar sobre ele.

...

9) Apresentação de planos de monitoramento sem apresentação de planos
de ação frente aos possíveis problemas que podem vir a ser detectados.

....

 

Chega a ser bizarro um projeto deste porte e importância conter falhas desse tipo.

Outro dia fizemos um projeto de um grande loteamento, (sou arquiteto), o biólogo fez todo o levantamento, bem detalhado, manutenção da passagem de algumas espécies que lá existem, preservação do habitat, etc. Porém, a FATMA não aprovou por exigir um detalhamento maior sobre a preservação do habitat dos poucos morcegos que habitam/freqüentam o local. O detalhamento disso já havia, porém, não estava a contento da instituição, e o fizemos um novo estudo desse ponto e encaminhamos novamente sem questionarmos ou reclamarmos, pois É SABIDO por todos nós da importância desta cobrança.

Agora, uma obra deste porte apresentar falhas em pontos que são o básico, do básico....

Muito estranho...

 

É no Sul?

 

...Trata-se de estudo crítico realizado por um Painel de Especialistas (pesquisadores
de diversas instituições de ensino e pesquisa), com o objetivo de evidenciar para a
sociedade as falhas, omissões e lacunas destes estudos e subsidiar um processo de
decisão, que se espera seja pautado pelo debate público - sério e democrático....

No entanto, acadêmicos com larga experiência de pesquisa na Amazônia, e/ou
nesta região em particular, reconhecidos por seus trabalhos sobre as temáticas
tratadas nestes estudos, trazem ao IBAMA – e a público - considerações
extremamente graves que colocam em questão a qualidade e a confiabilidade dos
dados ali apresentados, e, portanto, colocam em questão a dimensão dos impactos
e seus potenciais programas de mitigação....

http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/Belo_Monte_Painel_espec...

 

Esse post emite opiniões faseadas sobre o estudo a que se refere. Este estudo científico foi baseado nos seguintes ítens:

Sobre os estudos
 Inconsistência metodológica;
 Ausência de referencial bibliográfico adequado e consistente;
 Ausência e falhas nos dados;
 Coleta e classificação assistemáticas de espécies, com riscos para o
conhecimento e a preservação da biodiversidade local;
 Correlações que induzem ao erro e/ou a interpretações duvidosas;
 Utilização de retórica para ocultamento de impactos.
Sobre os impactos
 Subdimensionamento da ―área diretamente afetada‖;
 Subdimensionamento da ―população atingida‖;
 Subdimensionamento da perda de biodiversidade;
 Subdimensionamento do deslocamento compulsório da população rural e
urbana;
 Negação de impactos à jusante da barragem principal e da casa de força;
 Negligência na avaliação dos riscos à saúde;
 Negligência na avaliação dos riscos à segurança hídrica;
 Superdimensionamento da geração de energia;
 Subdimensionamento do custo social, ambiental e econômico da obra.

Aqui esta o link para quem quiser se aprofundar:

http://www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/Belo_Monte_Painel_espec...

 

"De modo geral, não tenho conhecimento para dizer se as críticas são pertinentes ou não.  Entretanto, na maior parte elas me parecem ser apenas divergências quantitativas: quanta área será alagada, quanta água restará no trecho de vazão reduzida, quantas pessoas serão afetadas e em que grau, e assim por diante.  Ou seja, na maior parte as críticas não mostram problemas que o EIA tenha omitido e que inviabilizem o projeto, mas apenas afirmam que as medidas de remediamento deveriam ser mais extensas do que contemplado no EIA. "

Li o documento até a página 30 e tive a mesma impressão. E ao que parece é discussão mais de metodologia, que é sempre questionável "academicamente" falando, do que de má-fé ou omissão.