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Religião e as origens do totalitarismo moderno

O livro “The New Inquisitions” do professor da Michigan State University Arthur Versluis localiza as origens do Totalitarismo moderno e das práticas de controle do pensamento no século II com a institucionalização da Igreja Católica e o surgimento da ortodoxia que iria identificar heresias e hereges. As primeiras vítimas foram os gnósticos, herdeiros de uma anterior tradição religiosa pluralista. Se no passado os Impérios dominavam exclusivamente recursos naturais e escravos, a partir da Igreja Católica em II DC surge também a necessidade do controle do pensamento, aprimorado até chegar à Inquisição no século XII. Hoje não são mais necessárias câmaras de torturas já que a Internet e redes sociais tornaram os pensamentos mais acessíveis do que nunca.

 

A institucionalização da Igreja historicamente se fundamentou na ortodoxia que criaria figura do “herege” e a identificação das “heresias”. Mas antes do Cristianismo institucionalizado havia outro modelo bem diferente. 

Olhando para o cristianismo oriental e, mais a leste, para as religiões da Índia, China e Tibet havia toda uma tradição muito mais pluralista: o Hinduísmo abrigava uma variedade de tradições (vedanta, védica, tântrica etc.); o pluralismo chinês onde budismo, taoismo e confucionismo conviviam lado a lado.

No Cristianismo primitivo havia também um modelo pluralista fundamentado nas antigas tradições da Ásia (Platonismo, Hermetismo, misticismo judaico etc.) que foi denominado “Gnosticismo” porque a sua unidade não era dada por uma forma externa – organização burocrática ou histórica – mas por um conhecimento interior, a “gnosis”.

Mas tudo mudou com a institucionalização da Igreja no século II DC: os padres da primeira Igreja como Tertuliano de Cartago pressentiram a necessidade de racionalizar os dogmas da religião através de termos como “ortodoxia” oposta da “heresia”. Pela primeira vez surge a necessidade do controle do pensamento por meio de uma forma de Poder. Além de conquistar terras, escravos e riquezas, pela primeira vez as estratégias políticas de dominação passaram a ter necessidade de reprimir por diversos instrumentos qualquer pensamento divergente da norma. Essa é a origem das modernas formas de Totalitarismo como o fascismo, nazismo até instrumentos contemporâneos da “nova inquisição” como as redes sociais na Internet e teorias conspiratórias como a “illuminatifobia”.

Essa é a tese fundamental do livro "The New Inquisitions: Heretic-Hunting and the Intellectual Origins of Modern Totalitarism" de Arthur Versluis, professor do Departamento de Estudos da Religião da Michigan State University. Reproduzimos abaixo uma ótima resenha de Miguel Conner (escritor norte-americano de sci fi e editor/apressentador do programa radiofônico "Aeon Bytes Gnostic Radio" - programa de debates e entrevistas semanais sobre temas do Gnosticismo, literatura e cultura pop) sobre o livro.

Conner vai destacar que os gnósticos (representantes de uma era de tradições religiosas mais pluralistas) foram os primeiros alvos dos dispositivos inquisicionais aprimorados durante séculos pela Igreja, cuja continuidade secularizada encontramos na pós-modernidade: “o inquisidor moderno não exige mais câmaras de tortura ou vizinhos delatores quando a Internet, mensagens eletrônicas, redes sociais e outros meios de comunicação fizeram os pensamentos do público mais acessível do que nunca.” Basta apenas que as ideias fascistas e de intolerância encontrem uma tradução política no Estado.

 

AS ORIGENS DO TOTALITARISMO E DO CONTROLE DE PENSAMENTO
Miguel Conner 

 

A maioria das pessoas conhecem termos como 'orwelliano', 'Politicamente Correto', Patrulhamento Ideológico"ou " Admirável Mundo Novo ", bem como os sistemas opressivos seculares e religiosos ao longo da história que os inspiraram. Apesar desses mecanismos que matam a individualidade serem construções relativamente modernas, não são apenas tão antigos quanto o Cristianismo, mas na verdade se originaram com o Cristianismo!

Mais surpreendente talvez seja saber que certas facções do cristianismo estão utilizando esses mecanismos até hoje. Em seu livro seminal, “The New Inquisitions”, Arthur Versluis, propõe que foi a caça à heresia promovida pelos pais da igreja primitiva que deu origem ao DNA que estruturou, muito mais tarde, as instituições totalitárias e o Estado policial. O desprezo cego destes bispos contra seus adversários teológicos, principalmente os gnósticos, acrescentou uma dimensão infernal às formas de controle sociais que poderiam ser aplicadas a seus súditos.

Antes do surgimento da figura do herege, impérios conquistaram quase que exclusivamente recursos naturais, escravos e prestígio, mas a maioria das nações subjugadas tinha a permissão de manter suas crenças nativas, costumes e ideologias. A perseguição religiosa dentro de um império geralmente surgia quando um sacerdote ou nobre – representantes na Terra de deuses específicos – iniciavam alguma forma de insurreição. 

Os exemplos são numerosos: os egípcios pemitiram que os israelitas e outras raças escravizadas existissem livremente como cultura; os babilônios isolavam o clero judaico das massas em uma espécie de prisão em um clube de campo; e os romanos eram famosos pela liberdade religiosa, desde que tanto cidadãos quanto estrangeiros obedecessem às leis, pagassem impostos e jurassem a santa fidelidade ao Imperador. Recompensa ou punição era geralmente aplicada por causa do comportamento de um indivíduo ou grupo.

Tertuliano de Cartago: polemista
contra a heresia viu a necessidade
de racionalizar os dogmas cristãos

 

De acordo com Versluis, uma mudança sísmica ocorreu no século II DC, quando o Cristianismo começou a solidificar-se como uma religião organizada ao invés de múltiplas seitas independentes. 

Padres da Igreja como Irineu de Lyon e Tertuliano de Cartago viram a necessidade de racionalizar os dogmas de sua religião a fim de ganhar respeitabilidade dentro do Império Romano. Dissidências ou especulações autônomas poderiam ameaçar a própria sobrevivência do cristianismo (pelo menos essa era sua razão de ser).

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Pelo visto, mais um livrinho com pretenções de teoria sobre as origens do totalitarismo. E de novo a religião é "a" causa. Dessa vez, o cristianismo. Preciso ler o livro a fim de conhecer os argumentos citados pelo autor. Mas penso que a "racionalização" dos conteúdos da fé não pode ser apontada como causa do totalitarismo, até porque esta mesma elaboração racional proporcionou uma síntese de conteúdos que muito contribuiu para  a formação do pensamento moderno, como p. ex. a noção de história (na qual está implícita a noção de sujeito) a ideia de liberdade (que a princípio é grega, mas foi assumida pelos autores do No Testamento bíblico), a noção de universalidade (que também é grega, mas encontrou áreas de intercecção no pensamento bíblico) etc.

E não é verdade que os babilônicos, os gregos e os romanos garantiam liberdade religiosa. Esta tese não resiste a uma análise mais profunda. Por que Sócrates foi condenado? E também Jesus de Nazaré não morreu de pneumonia, mas foi assassinado por motivos políticos, em razão das ideias que defendia.

Parece que a tese é unilateral.

 

Os gregos não eram totalitários, aceitaram muito bem o monoteísmo hebreu:

"Não muito tempo depois, o rei mandou um ancião ateniense convencer os judeus a que abandonassem as leis dos antepassados e deixassem de se governar segundo as leis de Deus.

2 Mandou também profanar o Templo de Jerusalém e dedicá-lo a Júpiter Olímpico, e também a Júpiter Hospitaleiro, dedicar o templo do monte Garizim, conforme o desejo dos moradores do lugar.

3 Até para a massa do povo, era difícil e insuportável o crescimento dessa maldade.

4 De fato, o Templo ficou cheio de libertinagem e orgias de pagãos, que aí se divertiam com prostitutas e mantinham relações com mulheres no recinto sagrado do Templo, além de levarem para dentro objetos proibidos.

5 O próprio altar estava repleto de ofertas proibidas pela Lei.

6 Não se podia celebrar o sábado, nem as festas tradicionais, nem mesmo se declarar judeu.

7 Todo mês eram forçados a participar do banquete sacrifical, que se realizava no dia do aniversário do rei. Quando chegavam as festas de Dionísio, eram obrigados a participar da procissão em honra a Dionísio, com ramos de hera na cabeça.

8 Por sugestão dos habitantes de Ptolemaida, foi decretado que as cidades gregas vizinhas também seguissem as mesmas disposições contra os judeus, obrigando-os a comer a carne dos sacrifícios,

9 e matassem os que não quisessem aceitar os costumes gregos. Podia-se perceber a calamidade que estava para chegar.

10 Duas mulheres foram presas por terem circuncidado seus filhos. Depois de fazê-las percorrer publicamente a cidade com os filhos pendurados ao seio, as jogaram muralha abaixo.

11 Outros, que tinham saído juntos para os arredores da cidade, para as cavernas, a fim de aí celebrar às escondidas o sábado, após serem denunciados a Filipe, foram queimados juntos, pois ficaram com escrúpulo de reagir, por respeito à santidade do dia." 

II Macabeus 6

 

"Hoje não são mais necessárias câmaras de torturas já que a Internet e redes sociais tornaram os pensamentos mais acessíveis do que nunca."

Alguém poderia me explicar quando foi necessária a tortura e a relação existente entre Internet/redes sociais com a tortura?

Sinceridade?

Tortura mesmo é ler um texto desses. Tem horas que lamento não ser analfabeto.

 

A semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.

Totalitarismo é um conceito totalmente vinculado à propaganda da Guerra Fria. A própria polissemia inicial do termo (Hannah Arendt chega a aplicá-lo, inicialmente, para designar a política colonial do Império Britânico) é obliterada pelo uso ideológico na justificativa da política externa estadunidense e de seus aliados, principalmente contra a URSS. Losurdo disseca o uso do conceito com amplas referências textuais, inclusive demonstrando a evolução do conceito na obra fulcral de Hannah Arendt: a primeira parte d'As Origens do Totalitarismo revelam a ênfase que a autora dava, na época da sua redação à vinculação do nazi-fascismo com as políticas coloniais da liberal Grã-Bretanha; já a última parte revela a autora sob a influência do pensamento da Guerra Fria, vinculando exclusivamente nazismo e stalinismo e absolvendo o Ocidente, como passou a ser "de rigueur". Não nos esqueçamos que, segundo o livro de Frances Stonor Saunders, Quem Pagou a Conta - A CIA na Guerra Fria Cultural ( http://www.americanas.com.br/produto/6612271/livros/historiaegeografia/h... ), Arendt foi um dos intelectuais financiados pela agência de espionagem estadunidense para se contrapor aos intelectuais engajados na militância comunista ( http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=1138

"Hannah Arendt, George Orwell, Isaiah Berlin, Sidney Hook, Daniel Bell e muitos outros, e suas revistas, foram financiados pela CIA para se oporem aos artistas e escritores engajados na luta contra o capitalismo

Foi publicado recentemente, em Londres, o livro Who Paid the Piper: The ClA and the Cultural Cold War (Quem paga a orquestra: a ClA e a guerra fria cultural), de Frances Stonor Saunders, que faz uma detalhada estimativa das formas pelas quais a CIA atuou e influenciou em um grande número de organizações culturais, através de seus agentes ou por meio de organizações filantrópicas, como as fundações Ford e Rockefeller. A autora dá detalhes de como e porque a CIA organizou congressos culturais, montou exibições de arte e organizou concertos." )

O artigo de Losurdo pode ser encontrado aqui na íntegra (trechos reproduzidos abaixo):

www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista/critica17-A-losurdo.pdf

Concentremo-nos sobre o debate mais propriamente político. Podemos distinguir dois filões principais. Na Dialética do iluminismo, Horkheimer e Adorno se ocupam bem pouco da URSS. Além do Terceiro Reich, o discurso versa sobre o “capitalismo totalitário”: “Primeiro, só os pobres e selvagens estavam expostos às forças capitalistas. Mas a ordem totalitária estabelece completamente, em seus direitos, o pensamento calculista e atém-se à ciência enquanto tal. Seu cânone é sua própria eficiência cruel” (2). Aqui, as etapas preparatórias do nazismo são identificadas na violência perpetrada pelas grandes potências ocidentais contra os povos coloniais e aquela consumada, no próprio coração das metrópoles capitalistas, contra os pobres e os marginalizados reclusos nos abrigos de desempregados. Não é distinta a orientação de uma autora também influenciada pelo marxismo. Se, por vezes, aproxima a Alemanha hitleriana e a União Soviética staliniana, Simone Weill denuncia o horror do poder total, do totalitarismo, com o olhar, sobretudo, fixado na dominação colonial e imperial: “A analogia entre o sistema hitleriano e a antiga Roma é surpreendente a ponto de levar a acreditar que, após dois mil anos, só Hitler teria sabido copiar corretamente os romanos” (3). Entre o Império romano e o Terceiro Reich coloca o expansionismo desenfreado e sem peias de Luís XIV: “O regime estabelecido por ele já merecia, pela primeira vez na Europa depois de Roma, a designação moderna de totalitário”; “a atroz devastação do Palatinato (da qual são culpadas as tropas conquistadoras francesas) sequer teve a desculpa das necessidades da guerra” (4). Procedendo retrospectivamente em relação à antiga Roma, Weill efetua uma leitura em registro proto-totalitário do episódio do Antigo Testamento da conquista de Canaã e do aniquilamento de seus habitantes.

 

 

 

É hora de olhar um pouco os autores de orientação liberal. Na reconstrução da gênese da “democracia totalitária”, Talmon chega à seguinte conclusão:

 

 

 

Se [...] o empirismo é aliado da liberdade e o espírito doutrinário é, ao contrário, aliado do totalitarismo, é provável que o conceito de homem como abstração, independentemente das classes históricas [os diversos agrupamentos] a que pertence, se torne um poderoso meio de propagação do totalitarismo.

 

 

 

Claramente, estão postas em acusação a Declaração dos Direitos do Homem e a tradição revolucionária francesa em seu conjunto (não somente Rousseau, mas também Sieyès).

 

 

 

(…)

 

 

 

Finalmente, vimos que o totalitarismo pode ser denunciado olhando-se principalmente para a direita ou para a esquerda, mas não faltam casos em que a denúncia provém de ambientes e de personalidades ligadas ao nazi-fascismo e dirige-se exclusivamente a seus inimigos. Em agosto de 1941, no decorrer da campanha, ou melhor, da guerra de extermínio contra a União Soviética, e diante da encarniçada e imprevista resistência que ela provocou, o general alemão Halder a explica pelo fato de que o inimigo preparou-se acuradamente para a guerra “com a completa falta de escrúpulos própria de um Estado totalitário” (10). No mesmo sentido, Goebbels, mesmo sem lançar mão do termo “totalitarismo”, explica essa inesperada e inaudita resistência encontrada pelo exército invasor no Leste pelo fato de que o bolchevismo, cancelando qualquer resquício de livre personalidade, “transforma os homens em robôs” e em “robôs de guerra”, em “robôs mecanizados” (11). Por fim, a acusação de totalitarismo pode golpear até os inimigos ocidentais do Eixo. Em 1937, a aspiração da Itália fascista a desenvolver também um império colonial confronta-se com a hostilidade, em primeiro lugar, da Inglaterra, que passa a ser acusada por sua “gélida e totalitária discriminação contra tudo aquilo que não seja simplesmente inglês” (12).

 

 

 

A virada da guerra fria e a intervenção de Hannah Arendt

 

 

 

A partir da publicação das Origens do totalitarismo, as polissemias do debate aqui delineado em grandes linhas tenderam a diluir-se. Ainda em maio de 1948, Arendt denunciava o “desenvolvimento de métodos totalitários” em Israel, referindo- se ao “terrorismo” e à expulsão e deportação da população árabe (13). Três anos depois, não havia mais espaço para críticas dirigidas contra o Ocidente atual. Em nossos dias, mais do que nunca, a única tese "politically correct" é aquela que tem por alvo sempre e somente a Alemanha hitleriana e a União Soviética.

 

 

 

É a tese que triunfou a partir e no decorrer da guerra fria. Em 12 de março de 1947, Truman proclama a “doutrina” que toma seu nome: depois da vitória alcançada na guerra contra a Alemanha e o Japão, abre-se uma nova fase na luta pela causa da liberdade. Agora, a ameaça provém da União Soviética, “regime totalitário imposto aos povos livres, mediante agressão direta ou indireta, minando os fundamentos da paz internacional e, portanto, a segurança dos Estados Unidos” (14).

 

 

 

Aqui, o alvo é delimitado com clareza: não se trata de virar as costas em relação ao século XX; de outro lado, não faz sentido golpear também os socialistas, junto com os comunistas: por mais graves que possam ter sido suas responsabilidades no passado, eles passaram a ser, no mais das vezes, aliados do Ocidente. Mas uma abordagem similar à assumida por Wittfogel seria um desvio por duas razões. A categoria de “despotismo oriental” dificilmente poderia legitimar a intervenção dos EUA, por exemplo, na guerra civil desencadeada na China onde, logo após a proclamação de sua doutrina, Truman se empenha em sustentar Chiang Kai-shek (15).

 

 

 

Por outro lado, a insistência sobre as condições objetivas, que explicariam a afirmação do “poder total”, tornaria mais difícil e menos agressiva a acusação feita aos comunistas. É por essa razão que termina por prevalecer a abordagem dedutivista. A guerra fria se configura como uma guerra civil internacional que dilacera transversalmente todos os países: para o Ocidente, o melhor meio de enfrentá-la é apresentar-se como o campeão da luta contra o novo totalitarismo, caracterizado como a conseqüência necessária e inevitável da ideologia e do programa comunista.

 

 

 

Nesse contexto, como colocar a intervenção de Arendt? Logo após sua publicação, Origens do totalitarismo foi submetido a dura crítica por parte de Golo Mann:

 

 

 

"As duas primeiras partes da obra tratam da pré-história do Estado total. Mas aqui o leitor não encontrará aquilo que está acostumado a encontrar em trabalhos semelhantes, isto é, pesquisas sobre as peculiaridades históricas da Alemanha ou da Itália ou da Rússia [..] Pelo contrário, Hannah Arendt dedica dois terços de seu esforço ao anti-semitismo e ao imperialismo e, sobretudo, ao imperialismo de matriz inglesa. Não consigo segui-la [..] Somente na terceira parte, em vista da qual todo o resto foi escrito, Hannah Arendt parece abordar realmente o tema" (16).

 

 

 

Portanto, estariam substancialmente fora do tema as páginas dedicadas ao anti-semitismo e ao imperialismo, embora se trate de explicar a gênese de um regime como o hitleriano, que declaradamente ambicionava construir na Europa central e oriental um grande império colonial fundado sobre o domínio de uma pura raça branca e ariana, após ter liquidado de uma vez por todas o bacilo judeu da subversão, que alimentava as revoltas dos Untermenschen e das raças inferiores.

 

 

 

Todavia, Golo Mann aponta um problema real. Como se harmoniza a última parte do livro de Arendt que tem por foco exclusivo a URSS staliniana e o Terceiro Reich, com as duas primeiras, que desenvolvem um requisitório contra a França (pelo anti-semitismo) e, em particular, contra a Inglaterra (pelo imperialismo)? Este último é o país que teve um papel central e funesto no decurso da luta contra a Revolução Francesa: Burke não se limitou a defender a nobreza feudal no plano interno, mas apontou “o princípio de tais privilégios até incluir neles todo o povo britânico, elevado assim ao estatuto de aristocracia entre as nações”. É aí que se deve buscar a gênese do racismo, “a arma ideológica do imperialismo” (17). Entende- se agora que estas torpezas ideológicas se afirmaram em particular na Inglaterra, obcecada “pelas teorias sobre a hereditariedade e seu equivalente moderno, a eugenia”. Se a atitude de Disraeli não difere da de Gobineau, é porque temos que lidar com “dois devotos defensores da ‘raça’” (18), mas somente o primeiro conseguiu ascender a posições de tal poder e de tal prestígio. Ademais, é sobretudo nas colônias inglesas que começa a ser teorizado e imposto às “raças submetidas” um poder sem os limites que ele conhece nas metrópoles capitalistas; já no âmbito do Império britânico emerge a tentação dos “massacres administrativos” como instrumento de manutenção da dominação (19). Esse é o ponto de partida necessário para se compreender a ideologia e a prática do Terceiro Reich. De Lord Cromer vem traçado um retrato que não está isento de analogias com aqueles sucessivamente dedicados a Eichmann: a banalidade do mal parece encontrar uma primeira encarnação, mais débil, no “burocrata imperialista” britânico, que “na fria indiferença, na genuína falta de interesse pelos povos administrados”, desenvolve uma “filosofia de burocrata” e uma “nova forma de governo [...] mais perigosa que o despotismo e a arbitrariedade” (20). Este requisitório é impiedoso, mas eis que se dissolve como por encanto na terceira parte das Origens do totalitarismo. O fato é que o livro de Arendt resulta, na realidade, de dois níveis distintos que remetem a dois períodos de composições diversas e separadas uma da outra pelo corte temporal do desencadeamento da guerra fria. Ainda na França, a autora via o trabalho que estava escrevendo “como uma obra exaustiva sobre o anti-semitismo e sobre o imperialismo e uma pesquisa histórica sobre aquele fenômeno que, então, chamava de ‘imperialismo racial’, isto é, sobre a forma mais extrema de opressão das minorias nacionais por parte das nações dominantes de um Estado soberano” (21). Naquele momento, bem longe de ser um alvo, a URSS era, sobretudo, um modelo. Vinha lhe sendo atribuído o mérito, observa Arendt no outono de 1942 (no meio tempo, tinha desembarcado nos EUA e dali seguia o desenvolvimento da operação Barbarossa desencadeada por Hitler), de ter “simplesmente liquidado o anti- semitismo” no âmbito de uma “solução justa e muito moderna da questão nacional” (22). Ainda mais significativo é um texto de outubro de 1945:

 

 

 

"Com respeito à Rússia, aquilo em que todos os movimentos políticos e as nações deveriam prestar atenção – o seu modo, completamente novo e bem-sucedido de enfrentar e compor os conflitos de nacionalidades, de organizar populações diferentes sobre a base da igualdade nacional – tem sido negligenciado tanto por seus amigos quanto por seus inimigos" (23).

 

 

 

Recorri às citações para evidenciar a reviravolta das posições que ocorrerá alguns anos depois, quando ela critica Stalin pela desarticulação calculada das organizações já existentes de forma a produzir artificialmente aquela massa amorfa que é o pressuposto do advento do totalitarismo.

 

 

 

A julgar pela terceira parte das Origens do totalitarismo, o que caracteriza o totalitarismo comunista é o sacrifício, inspirado e estimulado por Marx, da moral sobre o altar da filosofia da História e de suas leis “necessárias”. Arendt tinha, porém, se expressado de modo bem diverso em janeiro de 1946:

 

 

 

"No país que nomeou Disraeli primeiro-ministro, o judeu Karl Marx escreveu O Capital, um livro que em seu zelo fanático pela justiça alimentou a tradição judaica de forma (24) muito mais eficaz do que o festejado conceito de “homem eleito da raça eleita” .

 

 

 

Aqui, enquanto teórico da justiça, Marx é contraposto, nítida e positivamente, a um primeiro ministro inglês que enuncia teorias posteriormente herdadas e radicalizadas pelo Terceiro Reich.

 

 

 

Na passagem das duas primeiras partes, escritas ainda sob a emoção da luta contra o nazismo, para a terceira parte, que remete ao desencadeamento da guerra fria, a categoria de imperialismo (que inclui, em primeiro lugar, a Grã-Bretanha e o Terceiro Reich, esse tipo de estágio supremo do imperialismo) cede o posto à categoria de totalitarismo (que inclui a URSS staliniana e o Terceiro Reich).

 

 

 

 

A religião institucional tem inúmeros problemas, mas esse tipo de discurso é de uma pobreza tão grande que apenas mostra a ignorância do articulista.

Livro ruim com intenção de ser polemiquinho.

Blogueiro pior ainda (como esse cara escreve mal e como o Nassif insiste em destacá-lo!)

Cétiquinhos de araque fazendo fila pra postar "é isso aí!"

Afe, que miséria...

 

Tem senso a hipótese, mas me pergunto se não é um pouco eurocentrismo demais associar o totalitarismo moderno em sua vasta (infelizmente) e variada experiência a um único fenômeno que afetou na Idade Média - por séculos e definitivamente, admito - apenas a Europa (e nem sequer ela inteira, já que houve regiões, algumas poucas, onde o Cristianismo institucionalizado só se tornou uma força dominante no final da Idade Média). Ademais, recentemente lia sobre a Pérsia e topei com citações à perseguição de hereges pelos zoroastristas tradicionais e inclusive com o singular e pouco conhecido caso de um influente reformador religioso que iniciou e fez prosperar um movimento herético e popular para além do zoroastrismo - e cujo fim, depois da ascensão, foi obviamente a perseguição e a morte. Enfim, me pareceu que a Pérsia tinha ao menos algo dessa identificação dos hereges a serem combatidos, e creio que não tenha sido a única civilização que chegou a ter meios de controlar a difusão de pensamento que estabeleceu padrões do tipo, estabelecendo uma ideologia/religião oficial, identificando os contrários a serem eliminados e institucionalizando meios para isso. Talvez o que tenha distinguido a Igreja Católica - e tornado ela um "modelo" que desembocou nos Estados totalitários extremamente complexos e organizados da contemporaneidade - tenha sido mais a extrema organização, detalhamento e institucionalização de suas práticas em comparação com as outras instituições (incluindo os Estados) da época medieval.

 

Qual seria a origem religiosa do totalitarismo moderno Chinês [Mao], Stalin [União Soviética] e Coréia do Norte?

A origem do totalitarismo, assunto exposto na resenha, é sim a religião, mais especificamente, o catolicismo. Hans Kelsen, jurista e filósofo do direito, em seu livro A democracia, nos diz que "a Igreja pôde ser 'o mestre do Estado totalitário em quase todos os seus aspectos' não porque representava 'um positivismo destituído de fé e inimigo da metafísica e da religião', mas por ter ensinado exatamente o contrário: a crença em uma justiça absoluta." Citando o jurista Emil Brunner, Kelsen ainda acrescenta que "a igreja deu um exemplo ao Estado totalitário ao usar o Estado para intervir na vida privada - inquisição, polícia moral, monopólio da propaganda, perseguição de dissidentes e uniformidade compulsória são coisas que, em grande parte, devem ser-lhe imputadas."

Desse modo, o maoísmo, o stalinismo, o hitlerismo, em última instância, foram inspirados pela Igreja católica, o mais eficaz aparelho de repressão e de propagação ideológica. Nenhum Estado totalitário seria possível sem a Igreja; e é essa a tese sustentada pelo livro, tal como a resenha nos demonstra. O culto ao personalismo é apenas um desses aspectos.  A "origem religiosa" das ditaduras de esquerda ou de direita é justamente sua origem religiosa (nisso não há nenhum mistério). É de um oportunismo infantil, dir-se-ia mau-caratismo, trazer à baila os crimes perpetrados pelo stalinismo, maoísmo, por exemplo, para buscar uma justificativa para ações torpes, genocídio, guerras. Atribuir uma essência humana que tende para o mal, que possui o pecado original etc., dizer que as coisas são como são e que “não há nada de novo debaixo do sol” é ignorância, para dizer o mínimo.

 

É...Concordo: um texto furado, parcial, confuso.  Repisar a HISTÓRIA é importante, contando que seja uma HISTÓRIA fidedigna a ponto de poder tirar lições.

Acho que já o vi por aqui, entretanto, vale a reprise.

http://vimeo.com/26773488

http://grupobeatrice.blogspot.com.br/

 

José Saramago vai bem, nessas horas também.

 

Redescobri um livro meu recentemente que esteve esquecido por um pouco menos de trinta anos. Mesmo que seu autor tenha sido preso por dizer que o holocausto não existiu (tese aliás, depois defendida por um filósofo judeu) e, se não me engano, tenha sido acusado de revisionista pelo PC francês ao qual foi filiado, inclusive participando da direção do partido, o livro é uma aula de história do humanismo. Para mim é fascinante e atual. O autor é Roger Garaudy e o livro é Apelo aos Vivos. Aborda as religiões primitivas até às atuais, ciência e política. Garaudy participou ativamente do movimento ecumênico e estudou e praticou várias religiões (incluindo a muçulmana), acompanhou os movimentos das pastorais da AL que reunia católicos, protestantes, judeus  e  os movimentos de libertação nacional do continente africano. Vale a pena a leitura. Ele tentou ser presidente da França e tinha propostas muito boas para aquela época (década de 80 do século passado).  Acho que quem faz hoje um trabalho  mais atual nessa linha (na linha econômica e política, excluindo a religiosa) é o português Boaventura Santos. Recomendo também um outro do Garaudy que é Dançar a Vida, porque esse é muito lindo.

 

Trocando em miúdos, basicamente é " acredite nisso ou lhe encheremos de porrada! "

 

Ao invés de religião leia-se catolicismo. A tese é furada.

Qual seria a origem religiosa do totalitarismo moderno Chinês [Mao], Stalin [União Soviética] e Coréia do Norte?

 

A origem do totalitarismo, assunto exposto na resenha, é sim a religião, mais especificamente, o catolicismo. Hans Kelsen, jurista e filósofo do direito, em seu livro A democracia, nos diz que "a Igreja pôde ser 'o mestre do Estado totalitário em quase todos os seus aspectos' não porque representava 'um positivismo destituído de fé e inimigo da metafísica e da religião', mas por ter ensinado exatamente o contrário: a crença em uma justiça absoluta." Citando o jurista Emil Brunner, Kelsen ainda acrescenta que "a igreja deu um exemplo ao Estado totalitário ao usar o Estado para intervir na vida privada - inquisição, polícia moral, monopólio da propaganda, perseguição de dissidentes e uniformidade compulsória são coisas que, em grande parte, devem ser-lhe imputadas."

Desse modo, o maoísmo, o stalinismo, o hitlerismo, em última instância, foram inspirados pela Igreja católica, o mais eficaz aparelho de repressão e de propagação ideológica. Nenhum Estado totalitário seria possível sem a Igreja; e é essa a tese sustentada pelo livro, tal como a resenha nos demonstra. A "origem religiosa" das ditaduras de esquerda, de direita, de centro etc. foi justamente sua origem religiosa (nisso não há nenhum mistério). É de um oportunismo infantil, dir-se-ia mau-caratismo, trazer à baila os crimes perpetrados pelo stalinismo, maoísmo, por exemplo, para buscar uma justificativa para ações torpes, genocídio, guerras.

 

religião, como o Michel já muito bem disse a respeito é um tema dominado pelos judeus, impuseram o deus deles e não tem muito o que ser feito, somos praticamente obrigados a discutir sobre os deuses deles, até mesmo o espiritismo, que está aprisionado aos "evangelhos" do novo testamento (é paranóia minha ou os judeus foram as estrelas do filme "nosso lar"?), está atrelado ao que dizem os judeus e suas ideias, dominaram tudo, os filmes, as novelas, os livros, os dicursos neoliberais, os discursos motivacionais, os discursos empresariais, bancários, etc, todo tipo de pensamento intelectual ou pop, parabens judeus!

 

Não seja tão reducionista assim, meu caro. Concordo que a base fundante do que hoje costuma se chamar civilização ocidental judaica-cristã remete, sim, nas suas raízes ao Judaísmo e, por consequências ao povo judeu. É também verdade que os judeus após a Diáspora conseguiram conservar suas tradições e se integrar e absorver no ocidente a  partir do século XVIII a então nascente civilização moderna. Mas a partir daí afirmar que "manobram os cordéis" que controlam a humanidade é apenas mais uma teoria da conspiração. Sem falar que meio mundo( Extremo Oriente) pouco foi influenciado por eles.   

 

JB, tem nada de teoria da conspiração não, basta prestar um pouco de atenção nas pessoas, no que passa na tv, rádio ou o que seja, a pessoa não tem tempo nem pra respirar, pra todo lado que se olha é isso, é a doutrinação, as culturas do oriente eu não entendo mas estão sendo doutrinados, com certeza, com outro discurso, cada um com a sua "verdade", tem alguma novidade nisso? 

 

Quem se habilita a escrever sobre o Império Sionista nascido no pós-guerra (1940) e que prevalece firme e forte até hoje? É o único império da história que consegue ser ao mesmo tempo poderoso e invisível aos mais desavisados. Além de invisível, ele é dúbio ao aceitar que a fachada cristã permaneça. Ou seja: somos (ainda) espiritualmente manejados pelo Cristianismo, mas politicamente (porque economicamente e midiaticamente) manejados pelo Imperio Sionista. 

Controlam a grana, controlam a indústria bélica, controlam a comunicação - e por osmose mantém o 'P'oder norte-americano no bolso. No Brasil... plim! plim! 

 

Demorou, mas os antissemitas acéfalos começaram a se manifestar...

 

http://ruypenalva.blogspot.com.br

 

sábado, 31 de julho de 2010

 

Os Hebreus Através do Tempo

 

(Uma Breve História do Sucesso)

 

O que mais impressiona da influência e de como a civilização ex-nômade hebraica domina hoje o mundo ocidental, seja nas finanças, no comércio, na mídia e um pouco na indústria é que essa civilização tem poucas realizações na história. Como civilização não a poderemos comparar aos gregos, aos chineses, aos mesopotâmios, aos egípcios, aos iranianos, nem aos maias, astecas, incas, portugueses ou espanhóis.

 

Eram apenas 12, se esse número não for apenas cabalístico, tribos vagueando pelo deserto entre diásporas. Mas essa civilização tinha um livro, a Torá, e gerou, na hora certa, um profeta chamado Jesus, que foi assimilado, adotado e reprocessado pelos romanos, donos do mundo de então. Foi a partir de Jesus, oportunisticamente adotado por Roma, que toda influência da cultura hebraica veio até nós. O que não deixa de ser estranho, pois Jesus sequer é considerado um profeta importante para os judeus, apesar do inegável benefício que ele lhes trouxe.

 

Essa civilização nunca criou nada nas artes, na arquitetura, na astronomia, na matemática, na filosofia, (estou falando até o Renascimento e um pouco além dele), embora tivesse muitos sábios que ajudaram a traduzir do hebraico, do copta, do aramaico para o grego antigo na biblioteca de Alexandria. Eis que repente, uma série de estudiosos, psicanalistas, matemáticos, físicos, químicos judeus foi pipocando em diferentes países para onde seu descendentes migraram e culminou com a exuberância da produção científica judaica entre os séculos 19 e 20.

 

Mesmo após o terrível holocausto nazista, que também não poupou soviéticos e outros povos, esse povo se soergueu e voltou a mandar no mundo ocidental onde compõe uma vasta parte da elite acadêmica e financeira. Podemos dizer, sem medo de errar, que é o povo mais bem sucedido do mundo no exílio, pois manda ou influencia os Estados Unidos da América, a Inglaterra, a França, a Alemanha e a imprensa mundial de uma maneira geral, seja pelo dinheiro que tem seja pelo sentimento de culpa inexpiável e inexplicável do Ocidente em relação a ele.

 

Agora, como antes, o povo judeu continua a adorar muito mais o Deus Dinheiro e o Bezerro de Ouro do que a seu próprio Deus Javé, o que foi sempre uma constante na sua turbulenta história de desobediência e de falta de fé no Deus que ora lhe prometia e ora lhe tirava a Terra Prometida por desvio de conduta.

 

LF, 31/07/2010

 

Ruy Penalva

Postado por Ruy Penalva BloG às 18:59

 

 

Geraldor

hehe, resumiu bem 

 

Colocando em funcionamento 1/4 dos   neurônios disponíveis,identifica-se  nesses três exemplos o personalismo do líder,a onipresença da imagem,  do pensamento e da palavra,Stalin, Mao,  e  Kim Il Sung,inauguraram  a veneração  da imagem  ,do Guia Genial dos  Povos, o  Grande Timoneiro e Estimado Líder, respectivamente.

Lembram em tudo  os metodos inaugurados pelas religiões predominantes ou de massas:budismo,cristianismo e islamismo, que admitia no seu inicio a representação  humana de seus líderes.

Considere-se o "Livro Vermelho", a bíblia do maoismo,de curta  duração.Hoje ,apenas ,referencia  bibliófila, folclórica,destituida   de  "carga' ideológica como queriam ou acreditavam os devotos  do" cerco da cidade pelo campo".

 

Durvaldisko

Sua teoria é furada.

Alexandre [323 A.C] e o império Romano, pré cristianismo, Júlio Cesar [44 A.C] já traziam - antes da religião católica - "o personalismo do líder,a onipresença da imagem,  do pensamento e da palavra".

O autoritarismo/totalitarismo é tão velho quanto a humanidade.

 

O que está em análise é a origem e o substrato, doS totalitarismoS/autoritatismoS. É claro que ao longo da história sempre existiram esses regimes que restrigem ou tolhem a liberdade de pensamento dado que sua substância deriva apenas do líder, ditador, guia genial, o que for. E isso é comum, permeia tantos totalitarismos de esquerda como de direita. 

 

 

Ao invés de religião leia-se catolicismo. A tese é furada.

Qual seria a origem religiosa do totalitarismo moderno Chinês [Mao], Stalin [União Soviética] e Coréia do Norte?

 

Acho que o autor quer dizer é que o Cristianismo criou a tentativa de controle do pensamento e que depois foi usado por todos os sistemas totalitários, independente da sua ideologia.


Ele tenta comprovar que antes do Cristianismo os governos toleravam as diferenças religiosas porque seu interesse era restrito as riquezas dos povos dominados, sem se envolver nos aspectos culturais.


A Igreja Católica é que inventou a conversão dos povo conquistados.


Assim se perdeu os conhecimentos depositados em Alexandria e a cultura maia, entre outras perdas para a Humanidade.