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Reportagem simula licitação e identifica fraudes

Do G1

Fantástico mostra como é feita fraude em licitações de saúde pública

Reportagem simulou licitações com quatro fornecedoras do governo federal. 
Polícia Federal vai abrir inquérito para apurar denúncia. 

Em uma reportagem especial feita por Eduardo Faustini e André Luiz Azevedo, o Fantástico mostra como funciona um esquema para fraudar licitações de saúde pública, feito entre empresas fornecedoras e funcionários públicos.

Com o conhecimento do diretor e do vice-diretor do hospital, o repórter Eduardo Faustini fingiu ser o novo gestor de compras da instituição. Todos os outros funcionários acreditavam que ele era mesmo o responsável pelo setor de compras, onde pôde acompanhar livremente todas as negociações e contratações de serviços.

“Todo comprador de hospital, a princípio, é visto como desonesto. Acaba que essa associação do fornecedor desonesto com o comprador desonesto acaba lesando os cofres públicos. E a gente quer mostrar que isso não é assim, em alguns hospitais não é assim que funciona”, disse Edmilson Migowski, diretor do hospital.

As negociações foram todas filmadas de três ângulos diferentes e levadas até o último momento antes da liberação do pagamento. Nenhum negócio foi concretizado, nenhum centavo do dinheiro do contribuinte foi gasto.

O delegado Victor Poubel, titular da delegacia de repressão a crimes financeiros da Polícia Federal do Rio de Janeiro, informou que vai abrir um inquérito para investigar a denúncia do Fantástico. Segundo ele, todas as pessoas que aparecem na reportagem serão intimadas a prestar depoimento e todos os contratos serão investigados.

A  fraude
A lei brasileira prevê que toda empresa que vá fazer um serviço para um hospital público dispute uma licitação, com outras que oferecem o mesmo serviço. É uma maneira de tentar garantir que o dinheiro público não vai ser desperdiçado.

No esquema flagrado pelo Fantástico, no entanto, as empresas fornecedoras se unem para fraudar a disputa. A que quer ganhar paga uma porcentagem do total do contrato para as demais -- que entram na concorrência com orçamentos mais altos. Ou seja, entram para perder.

"Eu faço isso direto. Tem concorrência que eu nem sei que estou participando," comenta a gerente de uma empresa chamada para a licitação de contratação de mão de obra para jardinagem, limpeza, vigilância e outros serviços, que ganharia R$ 5.200.000 se a licitação tivesse existido.

Sem nenhuma interferência do hospital, o repórter escolheu quatro empresas, que estão entre os maiores fornecedores do governo federal. Três são investigadas pelo Ministério Público, por diferentes irregularidades. E, mesmo assim, receberam juntas meio bilhão de reais só em contratos feitos com verbas públicas.

Uma locadora de veículos, foi convidada para a licitação de aluguel de quatro ambulâncias. “Cinco. Cinco por cento. Quanto você quer?”, pergunta de imediato o gerente. Falando em um código em que a palavra "camisas" se refere à porcentagem desviada, ele aumenta a propina. “Dez camisa [sic], então? Dez camisa?".

O presidente do conselho da locadora garante que o golpe é seguro e o pagamento é realizado em dinheiro ou até mesmo em caixas de uísque e vinho. A empresa ganharia R$ 1.680 milhão pelo contrato. "Eu vou colocar o meu custo, você vai falar assim: ‘Bota tantos por cento’. A margem, hoje em dia, fica entre 15% e 20%", explicam o diretor e o gerente de uma empresa convidada para a licitação de coleta de lixo hospitalar. "Nós temos hoje, aproximadamente, três mil clientes nessa área de coleta", afirmam.

Para esconder a fraude da fiscalização, o dinheiro do suborno é espalhado por vários itens da proposta vencedora. O dono da empresa de jardinagem e vigilância diz à reportagem, que está acostumado a fraudar licitações, e a gerente comenta que o fraude é "ética de mercado". "No mercado, a gente vive nisso. Eu falo contigo que eu trago as pessoas corretas. Eu não quero vigarista, não quero nunca".

Veja o site do Fantástico

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A reportagem foi boa, mas o uso dela vai claramente ser enviesado...

 

Jornal Nacional de hoje: 2 blocos com a chamada: GLOBO ARMA, POLÍCIA PRENDE, OPOSIÇÃO ABRE CPI... acordem. A operação ABAFA CACHOEIRA e as eleições 2012 já começaram.

 

Ah entendi, comissario !! (parece que voce não gosta do camarada, embora eu nunca tenha escrito meu camarada).

É que eu não havia percebido que Vossa Senhoria estava se referindo ao país de Alice.

Os contos de Carrol e dos Grim explicam tudo.

 

Sua ironia de mau gosto só não é maior do que sua ignorância.

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

Quase rolei de rir ao ver os camaradas dizer que corrupção é exclusiva de "estado burgues".

Será que o revisionismo historico apagou o que se passou na Uniao Sovietica e todo bloco comunista (europa oriental)? Os privolegios da burocracia, as casas de campo, os favores pequenos ou grandes.

Querem apagar a historia assim como fizeram com as fotos em que Trotsky aparecia.

É por estas e outras que os comunistas não conseguem eleger quase nada.

 

E para completar, o comunismo não quer eleger ninguém. O comunismo, o autêntico, busca justamente a superação da política juntamente com o estado e a propriedade privada.

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

Acho que você leu outro comentário, não o meu. Eu não usei a palavra "exclusivo", isso você inventou da sua cabeça. União Soviética, e nem outro estado do "socialismo (sic) real", é comunista. A sociedade comunista não possui estado e por isso a corrupção não existiria lá. Ah, e não sou seu "camarada".

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

Ficar pensando em como barrar a corrupção na sociedade burguesa é o mesmo que tentar acabar com a desigualdade social nesta mesma sociedade: impossível. Tanto um como outro são congênitos à forma de sociabilidade capitalista. É o mesmo que as discussões bizantinas (e pró-burguesas) sobre desindustrialização, câmbio, PIB, e outros conceitos da economia escolástica. A corrupção é um dado normal da sociedade burguesa porque é impossível conter o ímpeto do capital de busca pela sua reprodução incessante. Nem mesmo a própria lei burguesa consegue. E como seria diferente? Uma sociedade fundada no lucro a qualquer custo seria "normatizada" por abstratas regras éticas? Quando as pessoas vão perceber que a lógica do capital é o da guerra aberta e total, passando por cima de tudo e de todos? Se o capital não respeita nem a si mesmo,  como é exemplificado nas crises, como ele respeitaria códigos e leis?

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

O assunto como postado merece algumas análises, que inicio pelos comentários.

Acho íncrivel, um verdadeiro assombro a capacidade quase infinita de atacar o que não é dito para criticar quem diz, se esquecendo de analisar o realmente dito. E é um tal de gente do alto de sua indignação a gritar contra a Globo porque ela isso e mais aquilo...a reclamar que tudo não passa de um meio de criticar o governo federal...que ninguem imagina então como será em sp...olha, é esse tipo de coisa que leva o santo ao ateismo.

A Globo a pouco tempo no mesmo programa detonou com um esquema de fraude em postos de gasolina. Não teve um "a" de comentários por aqui, mas este de domingo, a corrida pra falar mal da globo é estonteante.

A reportagem deixou claro a qualquer um com razoável domínio da lingua mãe brasileira que as empresas convidadas já tinham contra si acusaões e processos. Neste caso, a filmagem é a prova, comprovação, de que as acusações anteriores tem base por conta da repetição do mecânismo. Não se pode chamar nem de ato falho nem dá pra colocar a culpa do funcionário.

A reportagem apontou o esquema em hospitais públicos de controle federal. Isso é um ataque ao governo federal? - Longe disso porque a resportagem deixa claro que a armadilha foi montada com conhecimento e aprovação da direção do hospital que declarou não aceitar esse tipo de esquema. Ponto positivo pra adm pública federal do hospital, não?

A reportagem deixou claro como funciona um esquema de acerto de licitações. O ponto fraco da reportagem e que no entanto mostra a realidade é que quando as empresas são chamadas para esse tipo de reunião, o objetivo é um só: saber o que o representante do cliente irá ganhar com aquilo. Então quando as empresas foram convidadas e não existe nesse mercado e em nenhum outro, convite expontaneo para empresas escolhidas nas páginas amarelas ou na internet, elas já sabiam que estavam sendo chamadas para o "jogo". Quando o reporter que se faz passar por funcionário pergunta qual o percentual, ele abriu a brecha para o negócio. E ai é que a porca torce o rabo; porque se ele não tivesse perguntado fica a dúvida se o assunto teria surgido. Isso sem falar que carta convite é para valores tão pequenos que não dão abertura aquele tipo de jogo.

O que tivemos então, foi uma armadilha para comprovar a prática de um ato ílicito de um personagem do jogo que dada a ambientação construida só tinha um jeito, abrir mão da participação ou ir pra dentro já que outro irá no lugar dele. Se essa reportagem, muito boa diga-se, for usada para processos judiciais, essa facilmente pode ser a linha de defesa.

A questão de fundo. Ouvindo o audio das conversas fica claro que o personagem que o reporter criou era de um funcionário público interessado no jogo. Porque um funcionário efetivamente honesto, não teria feito uma carta convite para empresas arroladas em processos judiciais. Segundo, não demonstra interesse em saber "percentuais" e "forma e local de pagamento" e a conversa se iniciada pelo representante da empresa, seria o fato para recolher o convite. Entao sempre haverá o elemento ativo e passivo no lado do cliente, no caso poder público; o mesmo ocorrendo com a empresa privada.

A lei 8.666 sobre as licitações tem um premissa positiva e correta, que é proteger o bem público. Mas o que ocorria antes desta lei existir? Os corruptos estavam no controle, no poder público que estabeleciam a regra do jogo. A lei inverteu o processo e mandou esse controle para dentro das empresas.

Um modo simples de controle de danos, talvez fosse o registro em cartório dos documentos licitatórios icluso todo o processo administrativo, as planilhas de preços e as propostas de todos os participantes, bem como os documentos de habilitação. Dessa forma os orgãos de controle, a imprensa e qualquer cidadão poderia avaliar o processo como um todo e acompanhar a formação de um cartel, composição de preços, etc.

 

 

 

19/03/2012 16h17 - Atualizado em 19/03/2012 16h27

Esquema em hospitais 'não pode ser tolerado', diz ministro da JustiçaReportagem do Fantástico mostrou oferta de propina para vencer licitações.
Polícia Federal do Rio abriu quatro inquéritos para investigar fornecedoras. 

Iara Lemos Do G1, em Brasília

 1 comentário

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, afirmou nesta segunda-feira (19) que o esquema montado para fraudar licitações na área de saúde, mostrado neste domingo (18) pelo Fantástico, "é grave e não pode ser tolerado". A reportagem mostrou empresários oferecendo propina de até 20% para vencer licitações e prestar serviços ao hospital pediátrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"São fatos graves que mostram artifícios que as pessoas utilizam para desviar recursos públicos. Isso é grave e não pode ser tolerado", disse o ministro após participar de evento na sede da pasta.

Ainda nesta segunda, o delegado delegado Victor Poubel, da Polícia Federal do Rio de Janeiro, informou que já abriu quatro inquéritos para investigar as empresas que aparecem na reportagem. A PF, que é subordinada ao Ministério da Justiça, vai investigar se houve fraude em licitações, corrupução, formação de cartel, entre outros crimes.

"O inquérito foi aberto e é aberto para investigar", completou Cardozo.

saiba mais

O Ministério Público Federal também anunciou que vai investigar todas as empresas que aparecem na reportagem e os contratos com hospitais federais. O Tribunal de Contas da União também informou que já iniciou investigação sobre as quatro empresas mostradas. A corte pode aplicar multas, cobrar o dinheiro de volta e impedir, por cinco anos, que as empresas sejam contratadas por órgãos públicos.

O Ministério da Saúde que irá suspender de imediato contratos que ainda estejam em vigor com as empresas em toda a rede de hospitais do SUS no país. Ainda segundo o ministério, um ofício vai estabelecer uma auditoria em contratos de outras empresas que prestam serviços para hospitais federais.

Mais cedo, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, cuja pasta responde pelos hospitais universitários, afirmou que a reportagem do Fantástico oferece "provas irrefutáveis" de corrupção e exige "novas práticas da administração pública".

 

19/03/2012 12h23 - Atualizado em 19/03/2012 15h54

MP investiga cartel na locação de banheiros químicos no RS e em SCEmpresas do mesmo grupo forjavam competição em licitações.
Fraude gerou prejuízo de mais de R$ 15 milhões aos cofres públicos. 

Do G1 RS

 Comente agora Juliano Rodrigues/Divulgação MP )Fraude dos banheiros químicos gerou prejuízo de R$ 15 milhões (Foto: Juliano Rodrigues/Divulgação MP )

O Ministério Público investiga no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina a formação de um cartel na locação de banheiros químicos. Empresas do mesmo grupo familiar ou acordadas entre si com o vencedor definido apresentam propostas simulando uma competição em licitações. A fraude já gerou mais de R$ 15 milhões de prejuízo aos cofres públicos. A ação que pretende reprimir as irregularidades ocorre nesta segunda-feira (19) nos municípios de Caxias do Sul, Canoas e Porto Alegre (RS), Palhoça e Criciúma (SC).

Existia uma grande diferença nos valores cobrados pelas empresas nos aluguéis dos banheiros químicos, segundo o MP. Em uma cidade do litoral gaúcho, por exemplo, o valor cobrado por dia pela locação é de R$ 24. Enquanto na cidade vizinha, o preço aumentava para R$ 55.

saiba mais

“Eles fingiam uma competição que não existia, além de montarem acordos de cartelização do mercado e dividirem o Estado em regiões, onde as empresas não entravam no território das outras”, disse Ricardo Felix Herbstrith, promotor de Justiça que conduziu a investigação.

O Ministério Público de Contas (MPC) já instaurou inspeções extraordinárias em 11 prefeituras no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, o MPC realizará auditorias em diversos órgãos públicos

 

Tudo foi combinado com os reporteres, ai tem cheiro de reportagem encomendada.

 

 

Apos esta matéria, e sua repercussão e a iniciativa do TCU, de investigar até as últimas instancias suas raízes e os procedimentos prometidos,esperamos que os culpados por esta e pelas demais licitações já ganhas e operadas por estas empresas, e se estas invetigações não terminarem "em pizza"a administração federal brasileira, no que concerne à liberação dos recursos do Min.da Saúde, mudar seu foco, estaremos eleiminando o maior câncer da crise na saúde brasileira, a corrupção.

Seria um bom comêço e um bom prenuncio de que podemos moralisar o país.  

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Fraude em licitação é algo inerente ao DNA da burguesia brasileira, faz parte de sua essência mais íntima. Em todo o estado burguês existe corrupção, não importa o país, faz parte do modus operandi  na sociedade capitalista. Para tentar desviar o foco deste ponto, foram criadas estas esdrúxulas listas dos países mais ou menos corruptos, como se a questão estivesse na perspectiva de graus. A corrupção é um dado normal da sociedade burguesa. 

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

É isso aí, Leonardo. O problema é o Estado ter de adquirir bens e serviços de empresas privadas cujo objetivo é o lucro. É óbvio que os burgueses querem o maior lucro possível com o menor custo.


Se a produção fosse para atender necessidades, não para gerar lucro para uma classe privilegiada pelo monopólio que tem dos meios de produção da riqueza social, esse tipo de corrupção seria impossível.

 

Vejam só, TCU condenando diversos casos de ambulâncias do Vedoin do tempo do ministro Serra!

http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=175&data=13/03/2012

E, que ironia, bem ali no meio uma condenaçãozinha milionária a um secretário de governo do Beto Richa.

 

Ops, eu quis dizer que a Grobo não deu nadidca de nada sobre o demo da Cachoeira goiana...rsss

 

O Fantástico não deu nadica de nada sobre a "Cahoeira do Demo" em GO

 

O que adianta??? As empresas serão expurgadas na segunda, e na sexta-feira novas sociedades estarão constituídas, com os parentes dos mesmos e a fórmula cíclica continua... Ahhh..  O princípio é a cultura e a educação. Não sei se existe panacéia. Bom seria se fosse como a China e o Japão, na solução desse tipo de câncer.

 

Quem malha determinadas redes jornalisticas deveriam aplaudir quelas que prestam serviço público como esta reportagem que desmascara ladrões do erário e coloca a PF no rastro destes bandidos . Quem for contra a reportagem devera estar a favor dos bandidos , não tem terceira opção...É o jornalismo como aliado do povo...

 

Boa; Mas, mas... o senador tucano Alvaro Dias, já acostumado com as deixas da Globo, já pede uma criação de uma CPI, parece que nunca foi governador do RS, nem saber que existem orgãos, que poderão ser aperfeiçoados no combate a essas práticas. Todos nós sabemos que coisas ainda maiores podem, e deveram ser expostos a visão popular. Digo mais! o sistema (PPP) Parceria Público Privada, é muito versátil, e acho que deveria ser enchugado; tipo: eliminar o atravessador.

 

Nenhuma  novidade:   os  corruptores  estão  aí,  à  solta,  e  nada  acontece  a  êles....Toesa....conhecidíssimos  as  suas  práticas  aqui  no  Rio....


      Corruptores,  sonegadores, e os  que  se  apropriam  das  contribuições  dos  empregados  ao  INSS  nunca,  mas  nunca   são  responsabilizados  pela  "grande "  imprensa,  pelos  procuradores  ou  pelas  polícias  no  ´País.....E  é  onde  estão  os  grandes  ralos  que  drenam  os  recursos  públicos...

 

Olha, eu acho que o problema é muito mais abrangente. Não se trata de hospitais ou repartiões públicas apenas. O Brasil tem um povo trabalhador e batalhador. Porém, ainda existe em uma grande parcela do povo aquela iniciativa da velha “pilantragem“ do brasileiro. Em muitos casos é visto como virtude. Houve até um “movimento”, lá nos anos 70, com Simonal, Carlos Imperial e outros... Essa pilantragem é que atrasa tudo. O Brasil ainda é o país “dos 10%“. Isso tem em vários seguimentos, inclusive entre os "esclarecidos", de curso superior. Só pra citar outras áreas, arquitetos e decoradores também tem, só que é hipocritamente chamado de “reserva técnica“. O profissional ganha 10% de tudo o que é fornecedor. Não é diferente da prática de outra reportagem do Fantástico sobre médicos que receitam remédios do laboratório que lhes dão brindes, como viagens, ou farmácias de manipulação que lhes dão... os velhos 10%. E por aí vai, acho que está implícito no “caráter” do brasileiro, rola em diversas esferas. Talvez demore umas duas gerações ainda pra isso mudar. Mas sou otimista.

 

Tambem tou contigo. A culpa é nossa, do maldito jeitinho e mania (mania!!!!) de querer ganhar de tudo sempre, na moleza (sempre na moleza... pra que se esforçar!?!). As velhas desculpas de sempre: "Ninguem tá vendo", "Todo mundo faz", "Só uma vez", blablabla. Triste e desanimador, e infelizmente não sou otimista.

 

Pois eu sou. Muito disso, na minha opinião, vem da enorme desigualdade social do país, da eterna impressão do brasileiro de que esse era um país fadado ao fracasso e do nosso velho complexo de Macunaíma. O brasileiro, de todos as classes, sempre teve uma baixa auto-estima. Sempre fomos aquele “ povinho” da piada do país maravilhoso que Deus fez, mas “espera só pra ver o povinho que eu vou colocar aí...“. Acho que isso mudou nesse novo século. O brasileiro adquiriu uma auto-estima inédita a partir do momento que o Brasil também adquiriu um respeito e uma admiração mundial, que jamais teve. Acho que isso também faz adquirir mais responsabilidade e mais responsabilidade requer mais honestidade também. Assim espero

 

 

A matéria é excelente, quem não assistiu, vale a pena ler a matéria do Fantástico, escrita,  que indiquei acima.

 

Concordo Assis. Mas ainda acho que poderia haver um contraponto mostrando o sistema de pregão eletrônico como forma de evitar ou minimizar tais práticas nefastas.

 

 

Assisti a reportagem do fantástico. Fiquei surpresa, não com o conteúdo, mas pelo canal. Sabendo da não neutralidade e dos interesses envolvidos na divulgação de notícias uma pergunta ficou martelando  em minha cabeça: a que interesses e a quem serve a reportagem?

É que não dá para analisar apenas o explícito da denúncia e os motivos declarados pela emissora, tirando do contexto o tipo do programa, a história pregressa da emissora, a perspectiva adotada pelo canal para mostrar os fatos e /ou suas versões.

Estaria em processo de mudança a natureza do escorpião?

 

Cara Yeda, O hospital é de uma Universidade, a Universidade é subordinada ao MEC, o ex-Ministro do MEC é o Hadad e Hadad é o candidato a prefeito de São Paulo, logo...precisa explicar mais.

 

eu quis dizer dígna de um igNobel, foi a pressa em postar...

e minha bolinha de cristal tá me mostrando uma provável próxima capa da inominável:

"Hospitais ligados ao MEC, um antro corrupto de podridão"

e uma foto sacanamente editada de Haddad

e no corpo da reportagem os outros detalhes que no Fantástico não houve tempo de mostrar...

é só esperar.

 

e Euclides, completando teu raciocínio, Haddad foi ministro de Lula e de Dilma... fica evidente as reais intenções "de exercício de cidadania" da Globo na reporcagem, a seletividade dela no tocante às denúncias de corrupção é dégna de um igNobel de hipocrisia.

Nada que venha da Globo é confiável pra mim, pode vir pintada das mais santas intenções, não confio.

 

Para a reportagem ser isenta deveria ter sido incluida as Organizações Globo, pois, é a empresa que mais  se locupleta em recursos públicos ( em todos os Estados) e ainda prega um moralismo e honestidade, para os outros,  que ela mesmo não prática. A Globo, a meu ver, é a empresa mais corrupta deste país, pois se fez às custas do sangue do povo brasileiro, dando apoio incodicional  a uma ditadura cruel e sanguinária que durou mais de 20 anos e até hoje sofremos  suas consequencias. Mesmo nos dias de hoje a Globo age como se ainda vivessemos sob uma ditadutra, onde ela pode dizer, inventar, mentir e ludibriar que nada lhe acontece, ou seja, age como se fosse dona do Brasil. E a sensação e de que ela é mesmo dona do Brasil, para infelicidade do povo brasileiro.

 

Vc tem razão, a Globo foi excluida como prestadora de serviço do governo federal. Imagina só o motivo: Roubalheira! 

domingo, 11 de março de 2012"Calote" da Fundação Roberto Marinho obriga Ministério do Turismo refazer cursos O Ministério do Turismo lançará, até o final de março, o Pronatec Copa, um programa gratuito de qualificação, com cursos de inglês e espanhol, voltado para 80 mil profissionais do turismo envolvidos com a Copa-2014.

A iniciativa é uma repetência da tentativa fracassada de fazer essa qualificação através da Fundação Roberto Marinho (ONG ligada à TV Globo que recebeu R$ 17 milhões do Ministério com a expectativa de qualificar esses 80 mil profissionais, porém um relatório do TCU só localizou 19.751 alunos, até a data analisada, o que caracteriza um "calote" de cerca 60 mil alunos).

Dessa vez o Ministério do Turismo passou longe da ONG da Globo, e fez parceria com o Ministério da Educação, usando as escolas técnicas federais e o sistema S.

Essas 80 mil vagas serão no ano de 2012. Outras 160 mil vagas serão abertas pelo PRONATEC Copa em 2013 e 2014.

Já que o governo será obrigado a pagar de novo por estes cursos, nós, cidadãos brasileiros, pedimos celeridade aos órgãos de controle, inclusive ao Ministério Público que investiga as recentes fraudes no Ministério, para reaver aos cofres públicos a cifra milionária recebida pela Fundação Roberto Marinho.

Leia também:

Fundação Roberto Marinho é investigada por rombo de até R$ 13,8 milhões no Ministério do Turismo

 

 Spin

A reportagem foi até boa só que não existem milagres para lidar com esse tipo de coisa, é assim mesmo, sempre foi. Em licitações públicas e também em concorrências na iniciativa privada.

O que tem que se fazer é aumentar o poder de inteligência da polícias, a investigação, aumentar e fortalecer a atuação dos órgaos de controle e fortalecer e melhorar a administração dos órgaos públicos para tentar coibir um pouco esse tipo de prática, mas que sempre vai haver.

Achar que isso é só fruto de "safadeza" e do "mal moral" de alguns funcionários - não que não seja também -  não vai levar a lugar algum e nem vai se resolver o problema.

 

@DanielQuireza

Daniel, faltou a punição exemplar... sem isso meu amigo é um incentivo a corrupção!

 

Sim, sem dúvida.

 

@DanielQuireza

A página do Fantástico que corrobora minhas afirmações acima.

“Somos uma empresa aberta para negociação. Forneço para Jardim Zoológico, Guarda Municipal. Forneço para Policia Civil, a gente está em todas”, completa ele.

Licitações com cartas marcadas, negociatas, combinações indecorosas de suborno, propinas, truques para escapar da fiscalização. Certamente, você já ouviu falar muito de corrupção. Mas hoje você vai conhecer a cara dela. E do jeito mais deslavado.

Durante dois meses um repórter do Fantástico trabalhou em uma repartição pública. O que ele viu - e gravou - é um escândalo. Um retrato de como algumas empresas agem em órgãos do governo para ganhar dinheiro. Muito dinheiro. O nosso dinheiro.

Entre quatro paredes, o que a gente paga em impostos e que deveria ser destinado à saúde, à educação e outros serviços vai parar no bolso de empresários inescrupulosos e funcionários públicos corruptos. Uma vergonha.

A reportagem é de Eduardo Faustini e André Luiz Azevedo.

Empresários abrem o jogo. Licitações fraudadas são mais comuns do que a gente imagina. O desvio de dinheiro público é tratado por eles como coisa normal. E eles confessam que pagam propina. Os valores são milionários.

Você vai se assustar com o truque que eles usam para esconder o suborno.

O Fantástico mostra agora o mundo da propina, da fraude, da corrupção. De um jeito como você nunca viu. E vale a pena você ver: É o seu dinheiro que eles estão roubando.

Nosso objetivo foi descobrir como isso é feito. O Fantástico pediu ajuda à direção de um hospital de excelência, hospital de pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um grande hospital público infantil. Queríamos assumir o lugar do gestor de compras da instituição, acompanhar livremente todas as negociações, contratações, compras de serviços. Saber se existe oferta de propina, pagamento de suborno de um dinheiro que deveria ser sagrado: o da saúde.

Conseguimos. Durante dois meses, nosso repórter Eduardo Faustini frequentou o hospital. Na verdade, foi bem mais do que isso. Ele teve um gabinete aqui dentro. Foi o novo gestor de compras da instituição. Essa informação só era de conhecimento de duas pessoas no hospital, o diretor e o vice-diretor. Para todos os outros funcionários, o nosso repórter era mesmo o novo responsável pelo setor de compras.

“Todo comprador de hospital, a princípio, é visto como desonesto. Acaba que essa associação do fornecedor desonesto com o comprador desonesto acaba lesando os cofres públicos. E a gente quer mostrar que isso não é assim, em alguns hospitais não é assim que funciona”, disse Edmilson Migowski, diretor do Instituto de Pediatria/UFRJ.

As negociações foram todas filmadas de três ângulos diferentes e levadas até o último momento antes da liberação do pagamento. Evidentemente, nenhum negócio foi concretizado, nenhum centavo do dinheiro do contribuinte foi gasto. Só mesmo o tempo dos corruptos é que foi perdido. E eles agora vão ser desmascarados.

Com autorização da direção do hospital, o repórter Eduardo Faustini convocou licitações em regime emergencial. Elas são feitas por convite, são fechadas ao público. O gestor convida quem ele quiser.

Sem nenhuma interferência do hospital, o repórter escolheu quatro empresas, que estão entre os maiores fornecedores do Governo Federal.

Três dessas empresas são investigadas pelo Ministério Público, por diferentes irregularidades. E, mesmo assim, receberam juntas meio bilhão de reais só em contratos feitos com verbas públicas.

Em frente ao repórter gestor de compras, nessas cadeiras, se sentaram diretores, donos de empresas que deram uma triste aula de como se é desviado o dinheiro dos serviços públicos.

Cassiano Lima é gerente da Toesa Service, uma locadora de veículos. Foi convidado para a licitação de aluguel de quatro ambulâncias. Ele começa tomando cuidados.

“Queria saber quem me recomendou”, questiona Cassiano Lima. Mas o desejo de fechar negócio é maior. E ele abre o jogo. “Cinco por cento. Quanto você quer?”, pergunta ele.

Falando em um código em que a palavra "camisas" se refere à porcentagem desviada, Cassiano aumenta a propina.

“Dez camisas, então? Dez camisas?”, sugere.
“Pode melhorar isso, não?”, pergunta o repórter.
“Quinze”, aumenta.

Renata Cavas é gerente da Rufolo Serviços Técnicos e Construções. A empresa tem vários contratos com hospitais.

“Vocês estão trabalhando para o Into?”, pergunta o repórter.
“Into, Cardoso, Ipanema, Lagoa e Andaraí”, responde Renata Cavas.

Ela foi chamada para a licitação de contratação de mão de obra para jardinagem, limpeza, vigilância e outros serviços.

Ela também vai direto ao ponto.

“Eu quero o serviço. Você escolhe o que você quer. Vou fazer. Faço meu preço, boto. Qual é o percentual? Dez?”, questiona Renata.

O repórter quer saber exatamente qual é o valor que a gerente está oferecendo.

“Se eu ganho um milhão e trezentos, eu dou 130. É o normal”, diz. “Dez por cento. É o praxe, mercado é 10%. Se a sua pretensão é 15, ótimo. Você tem que me informar, porque eu vou formatar em cima da sua pretensão”, completa.

O repórter quer saber se a gerente é capaz de aumentar ainda mais a propina.

“Eu pensei em 20%”, diz ele.
“Tranquilo, você manda. Eu quero o serviço”, afirma Renata.

Carlos Alberto Silva é diretor e Carlos Sarres, gerente da Locanty Soluções e Qualidade.

“A gente tem muitos contratos. Tem mais de 2 mil contratos”, informa Sarres.

“Nós temos hoje, aproximadamente, 3 mil clientes nessa área de coleta”, diz Silva.

Foram convidados para a licitação de coleta de lixo hospitalar.

“A gente vai precisar é de preço. É um dos itens mais importantes para gente montar lá”, diz Silva.

“O que você tem para oferecer?”, pergunta o repórter.

“Você fala em matéria de percentual? Percentual, o preço que der, a gente abre para você o custo e a nossa margem, e a gente joga o percentual que você desejar, que você achar que encaixa”, afirma Sarres.

“A margem, hoje em dia, fica entre 15 e 20”, diz Silva.

Os empresários explicam como é feito o pagamento da propina para que ninguém perceba.

“Onde você marcar. Os caras são muito discretos. Nem parece que é dinheiro. Traz em caixa de uísque, caixa de vinho. Fica tranquilo. A gente está acostumado com isso já.”, afirma Sarres.

Quem fala é David Gomes, o próprio presidente da Toesa: “Bateu o crédito na conta. No máximo 48 horas depois, está na sua mão”, conta. “Eu diria que é a maior empresa no ramo de ambulância em atividade no país”, afirma.

Ele veio avalizar todo o acerto que foi feito para o pagamento da propina. “Uma das coisas que eu passo para os meus filhos e que eu aprendi,: eu protejo meu contratante, meu contratante me protege”, diz ele.

O pagamento é sempre em dinheiro.

“Que tipo de moeda?”, pergunta o repórter.

“A que você quiser. Normalmente em real, o real está mandando aí”, explica ele.

Ele oferece outras opções: “Dólar, euro”.

“Como você quiser, até iene. Quer iene?”, diz Renata Cavas.

Ela faz outra visita à sala do suposto gestor, e o repórter Eduardo Faustini pergunta: Qual é o melhor lugar para entregar a propina?

“Shopping, praia. Shopping. Subsolo, discreto. Quinta da Boa Vista! Sensacional. Floresta da Tijuca. Olha aí que bacana”, diz ela.

O suborno pode ser um percentual do valor total. Ou um valor fixo em cima de cada item fornecido.

“Tem gente que não conhece alimentação e diz assim: ‘Figueiredo, eu quero 30%’. Isso não existe em alimentação. Em alimentação, nós temos que considerar a quantidade diária, colocar mais um valor ali em cima, que no montante do mês a coisa vai crescer. Então o que eu vou fazer? Eu vou te apresentar os preços e você vai dizer: ‘Figueiredo, tu vai botar mais xis aí em cima’. Deu para entender? Está claro?”, explica Figueiredo.

Jorge Figueiredo é representante comercial da Bella Vista Refeições Industriais.

“Somos uma empresa aberta para negociação. Forneço para Jardim Zoológico, Guarda Municipal. Forneço para Policia Civil, a gente está em todas”, completa ele.

Ele dá um exemplo de como esse esquema de propina pode chegar a valores absurdos: “Isso é bom quando você está falando de três, como eu tenho aí. Eu tenho fornecimento de 12 mil serviços por dia. Aí, meu irmão. Tu bota 12 mil serviços em um dia, acrescentando mais um real em cada serviço e projeta isso para 30 dias. Aí é o diabo”, diz.

Em um hospital, a palavra emergência deveria servir apenas para classificar um tipo de atendimento. Mas não é assim. Emergência pode ser o código para licitações e concorrências de carta marcada.

“Emergências existem. Um terremoto derruba as pontes, enchentes. Agora, uma coisa que acontece demais são emergências planejadas. Você tem uma repartição pública lá e o sujeito do almoxarifado, juntamente com o diretor, que sempre está conivente, deixa o papel higiênico chegar em um ponto em que ,'amanhã vai acabar o papel higiênico, temos que comprar papel higiênico por emergência!", explica Claudio Abramo, diretor da Transparência Brasil.

Como a lei prevê concorrência, mesmo em licitações em regime emergencial, a empresa que corrompe se oferece para conseguir as outras concorrentes.

“Vou trazer tudo filé. Só empresa boa, de ponta. Vou trazer empresa de ponta, tá?”, garante Renata.

As concorrentes, que fazem parte do esquema, entram com orçamentos mais altos que o da primeira empresa. Entram para perder.

“A gente faz a mesma coisa para eles. Eles pedem para gente a mesma coisa. Da mesma maneira que a gente vai pedir para eles formatarem uma proposta em cima da nossa - a nossa mais baixa - eles pedem para gente fazer isso para eles”, diz Sarres.

“Do jeito que eu cubro aqui, ele me cobre lá. É uma troca de favores”, define Silva.

“É uma troca de favores. Isso é muito normal, tá? É extremamente normal”, garante Renata.

O nosso repórter, que se passa por gestor de compras, pede a presença do dono da empresa para confirmar o pagamento da propina. Rufolo Villar vai ao hospital. Ele confirma que, apesar de não estar no contrato social da Rufolo, é ele mesmo quem manda na empresa.

“Quem existe no contrato social é minha mãe e meu tio. Eu toco a empresa”, diz ele.

“Já fizemos todos os hospitais, de uma vez só, do estado”, garante ele.

Ele fala abertamente sobre o pagamento do percentual da propina. “O mercado pratica 10%, é o normal, é o praxe. Aí tem uma negociação melhorzinha e faz para 15%. Hoje, 20% eu não vejo mais no mercado”, diz.

O empresário diz que este roubo do dinheiro público que o Fantástico está denunciando é comum. O que é uma fraude, ele chama de acordo de mercado.

“Felizmente, nós temos um acordo de mercado. Isso é normal. Eu faço isso direto. Tem concorrência que eu nem sei que eu estou participando”, afirma.

“É a ética do mercado, entendeu?”, diz Renata.

“No mercado, a gente vive nisto. Eu falo contigo que eu trago as pessoas corretas. Vigarista, não quero nunca”, afirma o empresário.

Para comemorar a negociata, ele convida o gestor para o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Uma licitação correta, honesta, tem que terminar sempre com a abertura dos envelopes das propostas para afinal se saber quem é o vencedor. Mas na licitação fraudada, isso não acontece. É que os valores de todas as propostas já são acertados previamente.

O representante da Toesa antecipa o que só deveria ser conhecido na abertura dos envelopes. Ele fala em milhares de reais.

“Dois, oito, zero.O nosso, Toesa. O outro é 313”, diz o representante.

A representante da Rufolo faz a mesma coisa.

“Pode abrir? Não lacrei nada. Valor da CNS/ano: 5, 990, 002, 48”, diz Renata.

“O principal para mim: nossos 20%?”, pergunta o repórter.
“Está tudo aí dentro”, garante ela.

No dia do pregão, os representantes das empresas vão ao hospital para completar a farsa.

Preste atenção na cena absurda: a licitação para a contratação de empregados para serviços gerais. A ata é o documento final da licitação. E tem que ser feita por um funcionário público responsável pela concorrência. Mas, lá, o documento oficial é redigido pelos representantes das empresas.

Se o contrato fosse cumprido, a Rufolo receberia R$ 5.184.000. A propina seria de mais de R$ 1.036.800.

A situação se repete na licitação para a escolha da empresa que vai ser respondável pelo lixo hospitalar. Ela está armada para a escolha da Locanty. A empresa conseguiria a verba de R$ 450 mil. O que daria de propina quase R$ 70 mil. E o mesmo acontece na disputa fraudada pela Toesa para fornecimento de ambulâncias. A Toesa ganharia R$ 1,680 milhão pelo contrato. O desvio seria de mais de R$ 250 mil.

Apenas nestes três contratos, o gestor corrupto ganharia quase R$ 1,4 milhão do dinheiro da saúde.

Nós telefonamos para o presidente da Toesa. “Vocês cismam que tem carta marcada e não tem prova para isso. Você tem prova de que existe licitação de carta marcada?”, disse David Gomes, da Toesa.

Durante essa reportagem você viu Cassiano Lima, funcionário de David Gomes, fraudando uma licitação.

Telefonamos também para a empresa Rufolo. É a própria Renata que atende a ligação. Ela diz que o empresário vai falar e marca a entrevista.

No dia marcado, fomos à empresa. Uma secretária avisa que ninguém falaria.

Com Jorge Figueiredo, que no meio da licitação desistiu de disputar o contrato, conversamos por telefone. Ele parece não acreditar. “Só pode ser trote. Para de gozação”, diz ele.

Nós fomos à sede da Bella Vista. Fomos avisados de que não nos receberiam.

E o golpe não termina nem com o fim licitação de emergência, feita por convite. O representante da empresa de coleta de lixo explica como uma fraude pode continuar, mesmo em uma concorrência aberta ao público.

“As empresas que vão participar desse pregão são as empresas que a gente vai fechar, entendeu? Você vai fazer a retirada do edital aqui. Você pode disponibilizar o edital na internet. Mas a retirada do extrato tem que ser aqui. Aí, quando ele retira, tu vai me dizer quem está retirando, entendeu? E deixa o resto com a gente. Aí a gente vai nas pessoas, cara, aí monta tudo, entendeu?”, explica Sarres.

O repórter do Fantástico pergunta por que uma empresa entraria para perder na concorrência.

“Porque existe uma mesa. Pode acontecer. Mas existe uma mesa, você pode ter certeza. Difícil dar errado”, garante Sarres.

O que ele chama de mesa é um acordo para fraudar as concorrências. Nós fomos à sede da Locanty. O gerente Carlos Sarres negou envolvimento nas fraudes.

Carlos Sarres: Desconheço completamente. Isso chega a ser fantasioso.
Fantástico: O senhor não oferece de maneira alguma suborno para o funcionário público.
Sarres: De maneira nenhuma.
Fantástico: O senhor não vem com a licitação já preparada?
Sarres: De maneira nenhuma.

Por email, a Locanty informou que afastou temporariamente o gerente Carlos Sarres.

O ministro-chefe da Controladoria Geral da União, que é um dos principais responsáveis por combater a corrupção nos órgãos federais diz que em oito anos mais de três mil funcionários públicos foram punidos. Ele defende que haja também maior rigor para os maus empresários.

“Existe uma noção pré-concebida contra o funcionário público, que ele é o mau, ele é o corrompível. Enquanto que o empresário, o setor privado, é puro, é eficiente, é eficaz. Associada à noção de que a empresa tem que entrar nesse jogo, porque senão ela não leva vantagem porque as outras vão fazer. Isso distorce o mercado, distorce a competição e no longo prazo prejudica todo mundo”, comenta Jorge Hage, ministro da Controladoria Geral da União.

“A pessoa que rouba da saúde deveria ter o dobro da pena, porque quando você rouba o dinheiro da saúde, você mata as pessoas”, diz Edmilson Migowski.

Eles não sabiam que estavam sendo filmados. Mas sabiam bem o que estavam fazendo.

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1679161-15605,00.html

 

Nassif, Pessoal,


Sobre este assunto, eis o que encontrei:

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/03/o-telefonema-da-cachoeira.html

 

Nassif e amigos:

Tb sou contra a corrupção. Por conta disso, gostaria de sugerir ao Fantástico as seguintes pautas:

1) Esquema Time-Life durante a Ditadura (precisa explica?)

2) Privatizações (não precisa explicar! Dúvidas, leia o Amaury)

3) Grampo sem Áudio do DEMóstenes;

4) Debate Collor X Lula em 1989;

5) Cobertura democrática das Diretas Já (leiam o Blog do Mello de hoje)

Alguém mais gostaria de sugerir pautas?

 

Moacir

Segundo a reporcagem, das 4 empresas contactadas 3 estão sendo investigadas pelo MP. Quer dizer que a Globo selecionou exatamente empresas pilantras para o seu jornalismo investigativo. O que sei é que se uma encontra-se em situação situação irregular a mesma é declarada como inidônea e não pode participar de licitação, a reportagem não foi clara neste sentido. Ao que tudo indica, as tais empresas já foram declaradas inidôneas. Serão as tais empresas aquelas flagradas pelos Órgãos de controle do governo federal? A confeir nesta reportagem do Correio Brasiliense, enfim, um mínimo de honestidade a Globo não seria de todo um mal:

Empresas envolvidas em Caixa de pandora são inabilitadas para licitações:


Ana Maria Campos

Ricardo Taffner

Publicação: 11/08/2011 07:20 

Com participação em inúmeros escândalos de corrupção da última década, as empresas Linknet Tecnologia e Telecomunicações, Adler Assessoramento Empresarial e Representações, Patamar Manutenção de Domínios, que hoje é denominada Enterprice Engenharia de Softwares, e Cap Brasil Informática e Serviços tornaram-se inabilitadas para disputar contratos com qualquer órgão público no país. A Secretaria de Transparência declarou a inidoneidade das quatro firmas de informática que prestaram serviço ao Governo do Distrito Federal a partir de 1999, quando receberam diretamente dos cofres públicos R$ 649,6 milhões, sem contar os valores repassados por meio do Instituto Candango de Solidariedade (ICS), sem licitação. A decisão de bani-las da administração pública levou em consideração um histórico de irregularidades e ações judiciais propostas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que questionam o total de R$ 350,2 milhões destinado às empresas.

A declaração de inidoneidade será publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Distrito Federal. Com a decisão, as empresas, investigadas em pelo menos três operações do Ministério Público — Megabyte, Terabyte e Caixa de Pandora —, passam a ser consideradas oficialmente um risco para os cofres públicos. O secretário de Transparência, Carlos Higino, vai encaminhar nesta semana à Controladoria-Geral da União (CGU) os dados das quatro empresas para que sejam incluídas no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS). As informações podem ser consultadas no Portal da Transparência, onde representantes de órgãos públicos e empresas concorrentes no mercado poderão acessar as informações.

Prevista na Lei de Licitações, a medida adotada pelo Governo do Distrito Federal pode provocar uma disputa nos tribunais, caso a Linknet, Adler, Patamar e a Cap Brasil resolvam questionar a inabilitação. Mas para que possam participar de licitações ou firmar contratos com qualquer órgão da federação, essas empresas terão de obter uma decisão judicial favorável. “Decidimos aplicar a penalidade extrema devido ao histórico de irregularidades graves. São empresas pandoristas que já sofreram, inclusive, condenações judiciais”, justifica Higino. A declaração de inidoneidade é a proteção estabelecida em lei para evitar que empresas com problemas recorrentes possam provocar novos prejuízos aos cofres públicos.

Campanha
As prestadoras de serviço na área de tecnologia da informação são conhecidas dos promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) e do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (Ncoc) do Ministério Público do DF. A Linknet e a Adler foram alvo das primeiras denúncias durante as eleições de 2002, quando foram acusadas de patrocinar parte da campanha do então governador Joaquim Roriz à reeleição. Desde então, mantiveram contratos com o governo, a princípio por meio do ICS. Depois, executaram trabalhos para vários órgãos públicos.

Entre as irregularidades apontadas, estão dispensa ilegal de licitações, conluio para favorecer empresas do esquema, pagamentos de propina e superfaturamento. Atualmente, o governo não mantém mais nenhum contrato com as empresas. Entre 2005 e 2010, a Linknet recebeu R$ 522,2 milhões do GDF. De 2003 a 2010, o Executivo repassou R$ 97,3 milhões para a Adler. A Patamar levou R$ 25,9 milhões, entre 2005 e 2006. Nesse período, a Cap Brasil ficou com R$ 4,2 milhões.


Valores questionados
Enterprice/Patamar - R$ 21,3 milhões
Linknet - R$ 269,3 milhões
Adler - R$ 52,2 milhões
Cap Brasil - R$ 7,4 milhões
Total - R$ 350,2 milhões

 

Memória

Junho de 2003
O então governador Joaquim Roriz é denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pela suposta compra de equipamento para fabricação de urnas eletrônicas falsas. A ação inclui a empresa Linknet, que teria recebido recursos dos cofres públicos para aquisição de monitores e impressoras necessários para a montagem das urnas falsas.

Novembro de 2003
O MPF denuncia Joaquim Roriz e outras 14 pessoas por suposto desvio de R$ 28 milhões de contratos do GDF com as empresas Linknet e Adler. O dinheiro teria sido usado na campanha de Roriz em 2002. A denúncia tramita na Justiça para avaliação de crime. Na esfera eleitoral, Roriz foi absolvido por falta de provas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Agosto de 2004
Uma comissão de promotores de Justiça inicia investigação sobre irregularidades nos contratos do governo local com prestadoras de serviço, sem licitação, por meio do Instituto Candango de Solidariedade (ICS) e a Codeplan. Na apuração, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) descobre indícios de irregularidades graves, como pagamentos sem contrato, dispensas indevidas de licitação, superfaturamento e desvios de recursos.

Junho de 2008
Na investigação sobre Durval Barbosa e empresas de informática, o Ministério Público realiza, em parceria com a Polícia Federal (PF), a Operação Megabyte. São cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Durval, numa loja da mulher dele e em várias empresas de informática. Há suspeita de desvios de recursos de contratos e lavagem de dinheiro em benefício de Durval Barbosa.

Abril de 2009
O Ministério Público, dando prosseguimento nas investigações, realiza a Operação Terabyte. São cumpridos mandados de busca e apreensão em empresas de informática, entre as quais a Adler, Linknet e Patamar.

Setembro de 2009
Durval Barbosa presta depoimento aos promotores Sérgio Bruno Fernandes e Clayton Germano, do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (Ncoc) do Ministério Público do DF. Admite liderar um esquema de corrupção no qual cobrava propina para liberar pagamentos a empresas de informática que prestavam serviço ao governo. Ele entrega vídeos em que aparece repassando dinheiro a políticos e negocia pagamentos com empresários. Numa das gravações, o dono da Linknet, Gilberto Lucena, reclama da propina que tinha de pagar para receber os pagamentos por serviços prestados.

Novembro de 2009
É realizada a Operação Caixa de Pandora, que aponta um esquema de corrupção com pagamentos de mesadas a políticos abastecido por desvios de recursos com contratos de informática.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/08/11/interna_cidadesdf,265036/empresas-envolvidas-em-caixa-de-pandora-sao-inabilitadas-para-licitacoes.shtml

 

 Spin

É incrível o enviesamento que a grande imprensa dá a matérias deste tipo.

Assisti e como estava sendo gravado pelo aparelho, assisti mais uma vez.

A reportagem infiltrou um jornalista, com a concordância do diretor e vice diretor de um hospital federal, no setor de compras do hospital.

Esse jornalista, se passando como o responsável de compra abriu uma licitação de urgência e convocou algumas empresas.

Do enviesamento.

1) O hospital federal foi quem abriu a possibilidade da denúncia com a anuência da entrada do jornalista.

2) Das empresas que comparecerão quando tiveram oportunidade de nominar órgãos para quem já tinam prestado "serviços", nominou órgãos estaduais, como a Polícia Civil e outros, e órgãos federais.

3) Mesmo quando os licitantes tratam do aluguel de ambulâncias  devemos averiguar se estas não são alugadas pelo estado (SAMU ?).

4) Ficou claro que os licitantes não tinham participado de licitação no hospital que participou do esquema da reportagem.

A reportagem valeu para mostrar claramente como funciona o esquema de propinas, e mais, mostrou que mesmo sem iniciativa do órgão público eles propõem o esquema de corrupção.

Que as empresas têm um esquema entre si, que torna fácil a manipulação do resultado de uma licitação.

Esse esquema parece ocorrer em todos os níveis, mas, friso, quando os empresários abriram a boca para indicar órgãos públicos que eles já tinham "atendido", mencionaram apenas, friso, apenas os estaduais.

E a matéria, tanto do Fantástico, quanto do G1, acima, fala exclusivamente de propinas federais.

 

 

e mais, mostrou que mesmo sem iniciativa do órgão público eles propõem o esquema de corrupção.

Assis, 

 acho q vc errou aqui. Assista de novo.Vera q as falas anteriores do jornalista estao cortadas. Um fala "percentual?". Com interrogação. 

Outro fala. " tenho um preço. A partir dai vc põe o que quiser". Tenho quse certeza que quem indica o caminho foi o jornalista antes.

Nao diminui a pratica errada, mas bons advogados vão saber trabalhar com isto.

 

 

 

Daniel.

Olhe a própria página do Fantático que indiquei abaixo e que em um dos diálogos aparece:

“Queria saber quem me recomendou”, questiona Cassiano Lima. Mas o desejo de fechar negócio é maior. E ele abre o jogo. “Cinco por cento. Quanto você quer?”, pergunta ele.

Em outra passagem:

"Ela também vai direto ao ponto.

“Eu quero o serviço. Você escolhe o que você quer. Vou fazer. Faço meu preço, boto. Qual é o percentual? Dez?”, questiona Renata."

 

1. Se para comprar gaze , esparadrapo e alguns medicamentos é esse esquema todo de corrupção , vocês conseguem imaginar o que deve acontecer para se licitar obras públicas  para se construir aeroportos , metrôs , hidrelétricas , rodovias , etc , onde os valores envolvidos são milhares de vezes superiores , as construtoras habilitadas a participar do processo se restringem a meia dúzia e as decisões são tomadas entre dois ou três ministros e a porta fechadas ?


2. O próprio diretor do hospital admite que a maioria das licitações nesse setor é viciada. Isso mostra a falência dos órgãos de controle. Por quê é assim apesar do Tribunal de Contas , da CGU , do Ministério Público , da Polícia Federal , das auditorias internas ? Além do roubo na licitação , outro enorme desperdício pra se manter toda essa estrutura de fiscalização que não serve pra nada .

 

Ah. descobriram a pólvora, inventaram a roda.... incrível, isso vem ocorrendo há muito tempo... é tão comum, os caras lidam com isto com tanta naturalidade... todo mundo sabe, os governantes participam desse enredo que  faz parte da lei 8.666 - a chamada lei da besta.

Que hipocrisia!  Quem denuncia:  tv G-roubo... ah, como a emissora do plim-plim gosta de dizer: "oh, my god"

 

Pq será que o Fantástico não deu uma passadinha em algum hospital goiano. Pq a reporcagem não citou o nomes das empresas? Com certeza pq além de não citar nomes de empresas corruptoras em suas reportagens, as tais empresas fornecem, também o governo de SP.

O que o governo federal tem a ver com isso, é muita forçação de barra para propagandear que existe corrupção somente no governo federal,  enquanto que nas prefeituras e governos estaduais nem um pouco. Se há prática de cartel entre elas,  como evitar isso.  

Na verdade é no governo federal que há vários sistemas de controle para evitar fraudes, há PF, MP, AGU, CGU, TCU, Imprensa, etc etc. Quantos aos governos estaduais e prefeituras é uma maravilha, nenhum espião do Fantástico simulando uma licitação em SP.

Aliás, quem controla a transparência, a legalidade nas prefeituras e governos estaduais senão eles mesmo. Como se sabe, os conselheiros dos tribunais de contas que fiscalizam contas de governadores são indicados pelo próprio governador, desde quando isso tem qualquer justificativa a não o da roubalheira grossa. O Estado de Go que o diga. 

 

 Spin

A maioria das licitações hoje, pelo menos na esfera federal, é por pregão eletrônico. Com isso houve uma enorme redução nos preços licitados dos bens e serviços. Nesta modalidade de licitação o pregoeiro é o único que sabe quem são os participantes do processo licitatório. Os participantes não sabem quem está cocorrendo. Não assisti o fantástico. Aliás, não assisto o canal da Globo há seis anos.

 

Sou professor de um instituto pequeno da mesma universidade onde a matéria foi filmada (UFRJ). Mesmo no caso de pregões eletrônicos, tivemos problemas. O pregão é vencido com base exclusivamente no menor preço total apresentado. No caso de licitações para materiais, isso implica em produtos com qualidade sempre inferior, embora orçados com base no preço daqueles de melhor qualidade. No caso de licitações para uma obra de expansão, venceu uma firma que apresentou proposta orçada no valor mínimo da licitação + R$ 1,00. A firma apresentou proposta com preço baixíssimo para vencer a licitação, mas já esperando aditar o valor depois. O dono desta firma chegou a ligar ao engenheiro da UFRJ responsável pelo controle pedindo-o que este o "ajudasse" a aditar o valor do contrato. Quando ficou claro que a Prefeitura da universidade não aditaria o valor do contrato, a firma simplesmente abandonou a obra incompleta, criando-nos um transtorno enorme. Tivemos de aguardar 8 meses até que a procuradoria federal que inspeciona os contratos da universidade autorizasse uma nova licitação, para que a obra prosseguisse -- o que ainda não aconteceu. Em suma, há sim um mercado viciado em práticas fraudatórias que busca se locupletar às custas do dinheiro público. As leis que visam coibir práticas ilícitas estão, a rigor, criando uma burocracia que não impede a criação de esquemas -- só os sofistica.

 

Para mim este tipo de matéria coloca uma questão: até que ponto é trabalho do jornalista se fazer passar por outra pessoa? Onde está a ética numa situação dessas? Até que ponto o jornalista, fazendo um personagem, não forçou ou facilitou a situação apenas para confirmar sua tese/matéria? É claro que a edição da matéria "construiu" um roteiro, então é realidade , ficção ou uma pegadinha?

 

A prórpia Lei 8.666/93 é inadequada e favorece as fraudes. Juntando com os fracos controles internos do órgão e a atuação morosa dos órgãos de controle  combate à corrupção (TCU, CGU,...) devido à grande demanda e falta de servidores, favorece estes tipos de irregularidades.

Outra coisas ainda mais grave: a imputabilidade dos corruptores ! Nunca acontece nada com os corruptores - as pessoas, CPF - porque as empresas podem ser declaradadas inidoneas depois de um moroso processo administrativo.

 

A nuvem sobre as licitações publicas faz um belo trabalho que ilude quem não tem familiaridade com o setor. Não é um empresario subornando um funcionario, a era do propina ja acabou, é coisa do passado longinquo, hoje é a era do "esquema".

A Lei de Licitações é de tal forma burocratica que firmas do mercado privado  raramente se aventuram em licitações, DEIXANDO O CAMPO ABERTO PARA OS ''ESQUEMAS''.

O que é o "esquema""? É um conjunto de empresas especialmente constituidas para participar de licitações e os "funcionarios" fazem parte do esquema.

Há empresas de "esquema" especializadas EM CADA ORGÃO. Por exemplo, uma empresa esquema do DER, participa em todas as licitações do DER, fornecendo desde papel higienico até material de construção. Esa empresa TEM TODAS AS CERTIDÕES, tem a documentação completa, a parte formal é perfeita e assim atende às exigencias da Lei. Parte importante do esquema é a Tesouraria, a empresa "esquema" recebe rigorosamente em dia.

Os ""compradores"" geralmente são sócios das empresas, então não há do ponto de vista pratico corruptos e corruptores, são todos do esquema. Enquanto isso os leigos do lado de fora ainda pensam que é o empresario-tubarão subornando o pobre funcionario, que ilusão, no "esquema" o ganho é MUITO MAIOR do que uma reles propina de 3 ou 5%, os grandes donos dos "esquemas" tampouco são os funcionarios na ponta da Comissão de Licitações, é o padrinho-chefão que indicou o dirigente da estatal ou do departamento, o esquema é uma piramide, começa lá em cima e vai descendo, assim

uma merenda escolar que valr R$6 e comprada pela Secretaria da Educação por R$17,

deu para entender? Diretas Já tambem serviu para isso.