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Rio de Janeiro: cai em 26% área verde por habitante

Por zanuja castelo branco

Área verde por habitante cai 26% no Rio com avanço de favelas e especulação imobiliária

Por Vladimir Platonow, da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Rio é uma das poucas cidades no mundo que pode se orgulhar de ter uma grande floresta em sua área urbana. Mas ela pode estar com os dias contados. O avanço das favelas e da especulação imobiliária está aos poucos mudando a imagem da cobertura vegetal da cidade que tem na Floresta da Tijuca o seu símbolo maior. Nos últimos 30 anos a cidade perdeu pelo menos 6,7 mil hectares de cobertura vegetal. De 39.802 hectares, em 1984, restavam 33.008 hectares em 2001, último dado disponível, o que representou uma perda de 17% de área verde.



Os números são da própria prefeitura e podem ser acessados no endereçowww.armazemdedados.rio.rj.gov.br, no link Estatísticas. Com a diminuição de suas áreas verdes, o índice de vegetação por habitante caiu ainda mais: em 1984 o carioca dispunha de 76,11 metros quadrados de cobertura vegetal por habitante, número que despencou para 56,28 metros quadrados em 2001, uma queda de 26%.

Embora a cidade ainda disponha de um índice invejável de área verde por habitante - cinco vezes superior ao mínimo sugerido pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 12 metros quadrados por pessoa – a vegetação não é igualmente distribuída na região urbana. Enquanto alguns bairros próximos à Floresta da Tijuca têm 78% de cobertura por vegetação, como é o caso da Tijuca, outros bairros da zona norte têm apenas 6,5% de cobertura verde, como a Penha, onde estão localizados os complexos do Alemão e da Penha. No bairro, a taxa de urbanização chega a 93%.

A área verde urbana diminuiu no sentido oposto ao do crescimento das favelas e das construções de casas e edifícios. Segundo dados da prefeitura carioca, da área total da cidade, calculada em 122.456 hectares, a área urbana passou de 33.749 hectares, em 1984, para 42.023 hectares, em 2001, representando um crescimento de 24%.

Em outra série histórica disponível, é possível constatar o explosivo crescimento populacional da cidade desde 1960, especialmente nas favelas, onde a população mais que triplicou em 40 anos. Em 1960, os residentes em favelas eram 335.063, segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano 2000, a população favelada chegava a 1.092.476.

Na cidade regularizada, também chamada de “asfalto”, houve igualmente forte crescimento populacional nesse intervalo, passando de 1.910.145 de habitantes, em 1960, para 4.765.428, em 2000. O resultado, aliado à falta de políticas habitacionais com a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1986, foi a expansão descontrolada do setor habitacional, empurrando famílias morro acima e rumo às áreas verdes em bairros distantes, em locais que originalmente abrigavam matas nativas.

Para a diretora de Gestão do Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, o que ocorreu no Rio nas últimas décadas é um retrato do que aconteceu nas demais capitais e grandes cidades do país. Segundo ela, o esforço de muitas prefeituras com políticas de reflorestamento e retirada de invasores ainda é pouco diante do tamanho do problema.

“Apesar de haver esforço de muitas prefeituras em combater esses desmatamentos, com políticas de reflorestamento e retirada de invasores, as ações ainda estão abaixo do necessário. É uma situação complicadíssima no país todo, envolvendo falta de gente e estrutura para fiscalização.”

A diretora do SOS Mata Atlântica considera que falta planejamento às prefeituras para se antecipar às invasões de áreas verdes. “O Poder Público está sempre atrasado, vai lá para multar ou combater um dano que já ocorreu. Não consegue fazer um trabalho de monitoramento para que a coisa não aconteça”, disse.

Como consequência disso, Márcia Hirota aponta as tragédias ambientais, que acometem milhares de famílias todos os anos, atingidas por enchentes e deslizamentos a cada período de chuva. “As ocupações e invasões ocorrem em áreas inadequadas, não só em capitais, mas em qualquer cidade. Aí quando acontecem deslizamentos e inundações, com perdas de vidas, a gente fica lamentando. Mas a culpa é do Poder Público, que não faz esse planejamento e não retira as pessoas em áreas impróprias, que a legislação não permite. Aí quando acontece uma tragédia, todos ficam indignados”, ressaltou.

Para a ambientalista, a saída é a participação da sociedade, pressionando as autoridades e apontando desrespeitos ao meio ambiente. “É preciso o cidadão denunciar casos de agressão à natureza, em um esforço coletivo. É mais barato evitar que as pessoas ocupem áreas inadequadas do que fazer um trabalho posterior para recuperar a natureza”, alertou.

Edição: Aécio Amado

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02/06 às 13h26- Atualizada em 02/06 às 13h28

Prefeitura quer recuperar matas plantando 1 milhão de árvores este ano

Rio de Janeiro – A perda de milhares de hectares de matas nativas nas últimas décadas, consumidos pela especulação imobiliária e o processo de favelização, deixou feridas visíveis na paisagem da capital fluminense. Embora ainda exista muito verde, principalmente por causa do Parque Nacional da Tijuca, com seus 3.958 hectares de floresta, basta uma olhada rápida para ver o resultado do crescimento desordenado sobre os morros cariocas, tomados de barracos ou mesmo casas de alto padrão, encravados no meio da vegetação.

Para recuperar ou pelo menos minimizar esse quadro, a prefeitura do Rio vem investindo em um ambicioso programa de reflorestamento, que só este ano tem como meta plantar 1,137 milhão de mudas de árvores, a maior parte nativa. O objetivo é reflorestar até dezembro 455 hectares, plantando, em cada um, 2,5 mil mudas de árvores. Para isso, é utilizada a própria comunidade, por meio do Programa Mutirão, com o treinamento de moradores que se encarregam desde a produção nos viveiros até o plantio e a manutenção das mudas.

A fim de acelerar o processo, foram contratadas empresas particulares para ajudar na tarefa de reflorestar as áreas degradadas, segundo a engenheira florestal Claudia França, gerente de Reflorestamento do município. Para serem plantadas, as mudas precisam ter um tamanho mínimo de 60 centímetros e mesmo assim existe uma perda de 10% a 15%, por causa da falta de chuva, sufocamento pelo chamado capim colonião e incêndios, favorecidos pela presença da gramínea, que cresce livremente nos morros cariocas.

“Para garantir o sucesso dessas mudas, é preciso executar as manutenções periódicas, cortando o capim em volta. Para a planta chegar a um porte aceitável, ela vai levar de quatro a cinco anos, até se tornar uma árvore jovem”, explicou Claudia França.

Além dos fatores naturais que interferem no sucesso do reflorestamento, a engenheira florestal disse que até a presença de traficantes em alguns morros atrapalhava o plantio de mudas, pois os criminosos consideravam que as árvores prejudicavam a visão do terreno e eles mesmos destruíam as mudas ou ateavam fogo para matar a vegetação. A situação só melhorou com a instalação de unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em favelas antes controladas pelo tráfico de drogas.

O secretário de Meio Ambiente do Rio e vice-prefeito da cidade, Carlos Alberto Muniz, vislumbra fechar o último ano desta administração com 1,3 mil hectares reflorestados. Até as Olimpíadas de 2016, segundo ele, serão replantados mais 500 hectares.

“Nós estamos chegando ao esgotamento de áreas públicas para reflorestar. Este ano nós estamos em negociação com proprietários de áreas para, juntos, fazermos o reflorestamento”, disse Muniz. Ele lembrou que, no passado, “a Floresta da Tijuca foi totalmente reflorestada, em um trabalho de recuperação. E hoje ela é vital para a cidade”.

Para o vice-prefeito, a cidade deve aproveitar a Rio+20 e iniciar uma grande discussão sobre o seu futuro e a qualidade de vida que se quer para as próximas gerações. “Meio ambiente não é só a questão da qualidade da água, da manutenção do verde e da disposição dos resíduos. É o lugar que a gente vive e principalmente como a gente vive. Que modelo de desenvolvimento a gente quer”, ressaltou.

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/06/02/prefeitura-quer-recuperar-matas-plantando-1-milhao-de-arvores-este-ano/