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Segundo Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia

Segundo Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia

 

Disponível no Portal “Democracia e Transparência em C&T”

(http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/)

O portal é formado por membros da comunidade de ciência e tecnologia (C&T). Nosso consenso é de que políticas e decisões oligárquicas, que não consideram a opinião e a representatividade democráticas de toda a comunidade de C&T, têm produzido resultados nocivos para a C&T no país, como, dentre outros, a falta de transparência nas decisões; a carência e má distribuição dos recursos; e a aplicação de critérios iguais para áreas, centros e pesquisadores em condições desiguais.

 

Segundo Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia

Se concordar com os termos deste Manifesto, externe seu apoio, assinando-o.

Datas e locais das Mesas-Redondas para discussão do Manifesto.

 

Se preferir, leia a Versão Simplificada do Manifesto.

Lançado em dezembro de 2008, o Primeiro Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia [1], embora assinado por 180 membros da comunidade científica e tecnológica do país, não mereceu qualquer resposta por parte dos órgãos de ciência e tecnologia. Além disto, neste período, não houve qualquer sinalização, por parte das agências de fomento, em particular, do CNPq, de que estejam dispostas a modificar suas políticas e práticas, políticas e práticas estas, conforme demonstradas no Manifesto, desastrosas para o desenvolvimento uniforme do país.

Com este Segundo Manifesto Nacional, tornamos público, mais uma vez, nosso repúdio a estas políticas e práticas. Cremos que a falta de bom senso e de justeza destas políticas e práticas tem, por base, uma grande confusão de conceitos feita por estas agências. As agências de fomento (CNPq, CAPES e demais Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) confundem competência com produtividade.

Sobre competência, produtividade, grandes e pequenos centros de pesquisa

Competência é a quantidade de conhecimentos ou habilidades que um indivíduo possui. É, pois, um atributo imanente ao indivíduo. Produtividade, por outro lado, é a quantidade de produto produzido em um determinado tempo. A produtividade, portanto, depende fortemente dos recursos de que um indivíduo disponha para produzir. Dois indivíduos com a mesma competência (e o mesmo mérito) apresentam diferentes produtividades se dispuserem de recursos diferentes para sua produção.

Embora sejam conceitos diferentes, pode-se estimar a competência através da produtividade. De fato, a competência C é dada pela relação C = P / R, onde P é a produtividade e R são os recursos envolvidos. A sabedoria popular reconhece, na prática, esta relação, ao afirmar que “competente é o que produz mais com menos”.

Os critérios e métricas empregados pelas agências de fomento (CNPq, CAPES e demais Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) não são critérios e métricas de competência, mas sim, de produtividade. Para estas, são mais competentes os que produzem mais, independentemente dos recursos que, por ventura, possuam para a produção. Não haveria qualquer inconveniente em desconsiderar-se o denominador R, ou seja, em avaliar-se a competência de indivíduos e de programas de pós-graduação exclusivamente por suas produtividades, se os recursos utilizados pelos indivíduos e pelos programas fossem iguais para todos. Caso isto não ocorra, a competência será avaliada de forma incorreta e injusta.

Por exemplo, o jamaicano Usain Bolt, recordista mundial dos 100 metros rasos com 9 segundos e 58 centésimos, certamente possui o atributo imanente de competência, quer corra em pista de atletismo, quer corra no mar, com água pela cintura. No entanto, ao correr no mar, sua produtividade cairá sensivelmente, de forma a ter uma produtividade muito inferior a de qualquer outro corredor que corra em pista de atletismo, apesar de continuar sendo o corredor com maior competência.

Não é sensato e justo, portanto, comparar-se o tempo do Usain Bolt correndo 100 metros no mar com o de outro corredor correndo 100 metros em pista de atletismo. Não é sensato e justo comparar-se a produtividade de um pesquisador com parcas condições de pesquisa, no pequeno centro onde atua, com outro com excelentes condições de pesquisa, atuante em um grande centro de pesquisa.

As agências de fomento julgam a qualidade e competência de um pesquisador unicamente pela quantidade de artigos científicos que este produza, ou seja, pela sua produtividade. Os artigos científicos representam o passo final no processo de desenvolvimento de pesquisas. Eles reportam à comunidade científica e tecnológica os resultados obtidos nas pesquisas. Portanto, quantas mais pesquisas desenvolvidas, mais artigos científicos publicados.

 

Normalmente, há duas formas de se desenvolver pesquisas científicas. Na primeira, o professor/pesquisador desenvolve todo o trabalho de pesquisa. É ele quem avalia as pesquisas em uma determinada área, avalia as contribuições de outros pesquisadores, propõe novas pesquisas, realiza todos os experimentos, analisa os resultados, corrige os erros, procura soluções, escreve os artigos, submete os artigos a periódicos ou congressos científicos, corrige os erros apontados pelos revisores, faz novos experimentos sugeridos pelos revisores, corrige novamente os erros, e assim por diante. É bem possível a um professor/pesquisador realizar suas pesquisas desta forma. No entanto, a quantidade de artigos produzida, sua produtividade científica,  será muito baixa, por uma razão simples ― a atividade de pesquisa é apenas uma das muitas outras atividades onde ele é chamado a atuar. Um professor/pesquisador normalmente atua na área de ensino, lecionando disciplinas, e na área administrativa, atuando em coordenações, por exemplo.

 

Na segunda forma de se desenvolver pesquisas, o professor/pesquisador faz uso de mão-de-obra altamente qualificada. Faz uso dos alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado), com formação em sua área de pesquisa, que ele possui sob sua orientação. Esta segunda forma permite ao professor/pesquisador desenvolver várias pesquisas simultaneamente e ser, portanto, muito produtivo cientificamente. Os alunos realizam todos os experimentos, analisam os resultados, corrigem os erros e assim por diante, cabendo ao professor/pesquisador orientar apenas os passos destes alunos. Em verdade, quantos mais alunos, mais pesquisas desenvolvidas, mais publicações.

 

Assim, se um professor/pesquisador, da área de engenharia elétrica, atua em uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que possua um programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) na área de engenharia elétrica, consolidado ao longo de anos, ele terá oportunidade de ter alunos de mestrado e doutorado, na área de engenharia elétrica, que desenvolverão, em grande volume e extensão, suas pesquisas e que produzirão seus artigos, artigos estes, certamente, em quantidade e de qualidade. Ressalta-se que é necessário que o programa de pós-graduação seja na mesma área de atuação do professor/pesquisador, no caso, em engenharia elétrica. Caso contrário, seus alunos de pós-graduação não terão formação em engenharia elétrica e não terão os conhecimentos básicos desta área para poder desenvolver suas pesquisas. Neste caso, o professor terá que desenvolver, por ele mesmo, suas próprias pesquisas e, ao invés de ser ajudado pelo programa de pós-graduação, será ele quem ajudará o programa de pós-graduação, com suas publicações e orientações.

 

Igualmente, se este professor/pesquisador, da área de engenharia elétrica, atua em uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que possua um curso de graduação na área de engenharia elétrica, consolidado ao longo de anos, ele terá oportunidade de ter alunos de iniciação científica, na área de engenharia elétrica, que desenvolverão suas pequenas pesquisas e que podem também produzir artigos científicos de menor qualidade. Além disto, se atua em uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que possua grupos de pesquisa consolidados, na área de engenharia elétrica, ele terá oportunidade de interagir com outros professores/pesquisadores da área, permitindo-lhe desenvolver pesquisas conjuntas, dividindo o trabalho de pesquisa com outros professores/pesquisadores e, sobretudo, com os alunos sob a orientação destes, de forma a produzir artigos científicos de qualidade.

 

Uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que possua, portanto, um curso de graduação, grupos de pesquisa e um programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) consolidados, ao longo de anos, todos na área de engenharia elétrica, é uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que possui um grande centro de pesquisa na área de engenharia elétrica. Esta definição do que é um grande centro de pesquisa em uma área do conhecimento está mencionada no artigo “As políticas equivocadas de nossas agências de fomento” [2].

 

Por outro lado, se um outro professor/pesquisador, de uma outra área do conhecimento, como, por exemplo, computação, atua em uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que não possua um curso de graduação, grupos de pesquisa e um programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) consolidados, ao longo de anos, todos na área de computação, ele não terá oportunidade de ter alunos de iniciação científica, alunos de mestrado e doutorado e de colegas pesquisadores, nesta área, que desenvolvam suas pesquisas e que produzam seus artigos.

 

Uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que não possua, portanto, um curso de graduação, grupos de pesquisa e um programa de pós-graduação (mestrado e doutorado), todos na área de computação, é uma universidade (ou Instituto de Pesquisa) que possui um pequeno centro de pesquisa na área de computação. Esta definição do que é um pequeno centro de pesquisa em uma área do conhecimento também está mencionada no artigo “As políticas equivocadas de nossas agências de fomento” [2].

 

A definição de pequenos e grandes centros de pesquisa não tem, portanto, qualquer paralelo com o que poderiam ser grandes e pequenas universidades (ou Institutos de Pesquisa). Usualmente, uma universidade pequena (em tamanho) contém um pequeno número de grandes centros de pesquisa em apenas algumas poucas áreas do conhecimento. Uma universidade grande (em tamanho), por outro lado, possui um grande número de grandes centros de pesquisa em diversas áreas do conhecimento.

 

Faz-se necessário ressaltar que os atuais grandes centros de pesquisa são grandes não porque possuam algum mérito ou dádiva especiais, mas unicamente porque foram criados e desenvolvidos por pesquisadores de gerações passadas, durante décadas, e porque receberam fortes recursos humanos e financeiros das agências de fomento, também durante décadas, mesmo sendo, durante estas décadas, muito pouco produtivos quando comparados aos grandes centros de pesquisa internacionais. Já os atuais pequenos centros de pesquisa do país não possuem nenhuma destas duas características. São centros muito recentes, ainda em formação, usualmente localizados no interior de todas as regiões do país [2].

 

Julgar, de forma igual, a qualidade e a competência de professores/pesquisadores, através da quantidade de suas publicações, ou seja, por suas produtividades, sem levar em consideração os recursos desiguais de que dispõem nos diferentes centros onde atuam, é um erro grave. No entanto, é isto, lamentavelmente, o que fazem as agências de fomento, julgando de forma igual os desiguais, ferindo o artigo quinto da Constituição, em sua hermenêutica.

 

Professortes/pesquisadores com melhores condições de pesquisa, ou seja, atuantes em grandes centros de pesquisa, são, obviamente, mais produtivos e são classificados, equivocadamente, pelas agências de fomento, como os professores/pesquisadores de maior qualidade e competência. Estes professores/pesquisadores ganham grandes vantagens, por sua pretensa “competência”, nas avaliações de suas propostas de pesquisa. Em verdade, todos os julgamentos realizados pelas agências de fomento são impregnados com a mesma política de considerar a produtividade do professor/pesquisador, sem levar em consideração suas condições de pesquisa. Vejamos alguns exemplos.

 

 

 

A Bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq

 

O CNPq avalia os professores/pesquisadores do país para conceder-lhes Bolsas de Produtividade. Como mencionado no portal do CNPq na Internet [3], a Bolsa de Produtividade é “destinada aos pesquisadores que se destaquem entre seus pares, valorizando sua produção científica segundo critérios normativos”. Como o próprio nome da bolsa indica, estes critérios normativos não avaliam a competência do pesquisador, mas sim, a quantidade de produto (produção científica) produzida por este, ou seja, sua produtividade.

 

Assim, é natural que os professores/pesquisadores com mais recursos apresentem maior produtividade e, por conseguinte, abiscoitem estas bolsas. Não se estranha, portanto, o fato de que havendo mérito e competência em pesquisadores de grandes e pequenos centros de pesquisa do país, as Bolsas de Produtividade em Pesquisa de nível 1 do CNPq estejam concentradas apenas nas mãos dos pesquisadores dos grandes centros.

 

De fato, no início de 2010, por exemplo, havia 109 (N/NE/CO: 11; S: 14; SE: 84) Bolsistas de Produtividade em Pesquisa de nível 1 do CNPq, na área de computação [4]. Destes, três bolsistas, embora não fossem lotados em grandes centros, participavam de programas de pós-graduação de grandes centros. Estavam, portanto, ligados a grandes centros. Outros três bolsistas eram lotados em centros que possuíam programas de mestrado iniciados em 2002, 2000 e 1999. Todos os demais 103 bolsistas eram lotados em grandes centros de pesquisa na área de computação, com programas de mestrado e doutorado e grupos de pesquisa consolidados, ao longo de anos.

 

 

Os Comitês Assessores (CAs) do CNPq

 

O CNPq possui 48 Comitês Assessores em 48 diferentes áreas do conhecimento. Embora sejam de caráter consultivo, têm suas recomendações normalmente acatadas pela Diretoria Executiva do CNPq. Como os consultores ad hoc têm atuação limitada pelos Comitês Assessores, uma vez que seus pareceres e decisões são frequentemente alterados pelos membros dos Comitês Assessores, para fins práticos, estes Comitês acabam tendo a função executiva de decidir quem ganha e quem não ganha os recursos financeiros dos editais lançados pelo CNPq.

 

Além disto, quando algum professor/pesquisador discorda da decisão do Comitê Assessor e apresenta recurso, este é julgado, novamente, pelo mesmo Comitê que emitiu a decisão inicial. Assim, a decisão inicial é, normalmente, mantida.

 

Pelas normas do CNPq, descritas em seu portal na Internet [5], somente pesquisadores com Bolsa de Produtividade em Pesquisa de nível 1 podem eleger e ser eleitos membros dos seus Comitês Assessores. Assim, os Comitês Assessores são, em verdade, Comitês Oligárquicos, compostos, exclusivamente, por representantes dos grandes centros de pesquisa [6].

 

Como os Comitês Assessores têm papel fundamental no julgamento dos projetos de pesquisa submetidos pelos pesquisadores e na definição das políticas implementadas pelo CNPq, é natural que os resultados dos julgamentos dos projetos de pesquisa e que as políticas do CNPq favoreçam tanto os pesquisadores dos grandes centros de pesquisa quanto os próprios grandes centros de pesquisa do país.

 

 

Critérios usados pelo CNPq para julgamento de projetos

 

Para julgamento dos projetos submetidos pelos pesquisadores, o CNPq utiliza três critérios: (a) o mérito intrínseco do projeto; (b) a competência do executor (avaliada por sua produção científica); (c) as condições de infra-estrutura da instituição onde o projeto será desenvolvido.

 

Tanto o item (b) quanto o (c) são fortemente dependentes das condições de pesquisa de cada pesquisador. Por exemplo, se houver dois excelentes projetos, ambos com méritos intrínsecos comprovados, no caso de desempate, será escolhido o projeto que foi escrito pelo pesquisador com maior produtividade e com as melhores condições de infra-estrutura, ou seja, um pesquisador de um grande centro de pesquisa. Assim, projetos excelentes de pesquisadores de pequenos centros raramente obtêm aprovação. Os artigos “Bolsa de Produtividade: Qual o melhor corredor ― o que corre 100 metros em 10 segundos ou o que corre em 20 segundos?” [7] e “A quem se dirige o Edital Universal 2008?” [8] ilustram bem esta situação.

 

 

A política do CNPq de estabelecer um mínimo de 30% dos recursos para as regiões N/NE/CO

 

A política de se estabelecer um mínimo de 30% dos recursos de seus editais para as regiões N/NE/CO é, no mínimo, altamente contestável, por duas razões. A primeira razão deve-se ao fato de que, nestas três regiões, existem muitos grandes e consolidados centros de pesquisa que não necessitam de apoios diferenciados por parte do CNPq. Os diversos grandes e consolidados centros de pesquisa, nas diversas áreas do conhecimento, das grandes (em tamanho) universidades da região nordeste, por exemplo, têm necessidade de apoios diferenciados? Não conseguem disputar, de igual para igual, com os demais grandes centros do país?

 

A política do CNPq de considerar a produtividade do pesquisador, no julgamento dos projetos de pesquisa, acaba fazendo com que os 30% dos recursos dos editais acabem indo parar nas mãos dos grandes centros e dos pesquisadores dos grandes centros destas três regiões. Os pequenos centros e os pesquisadores dos pequenos centros destas três regiões continuam excluídos.

 

Por outro lado, o CNPq desconhece (ou quer desconhecer) o fato de que existem muitas regiões norte, nordeste e centro-oeste dentro das regiões sul e sudeste. Segundo o artigo da pesquisadora Marilene de Castilho Sá, fruto de uma intensa pesquisa e de análise de dados, publicado no portal da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e comentado no artigo “As políticas equivocadas de nossas agências de fomento” [2], dentre as razões apontadas para as assimetrias entre as regiões do país, destaca-se a “concentração dos investimentos públicos federais que, historicamente, privilegiaram instituições onde os recursos humanos e a infra-estrutura já atingiram índices de capacidade elevados”. Acrescenta que “é importante destacar ainda que essas distorções também se repetem no interior de uma mesma região ou estado”.

 

A realidade por trás desta política de reserva de 30% de recursos é, portanto, a de que os pequenos centros de pesquisa e os pesquisadores dos pequenos centros de pesquisa de todas as regiões do país continuam à margem do apoio do CNPq. Esta situação já foi inclusive abordada no artigo “A quem se dirige o Edital Universal 2008?” [8].

 

 

O Edital de Jovens Pesquisadores do CNPq

 

O Edital de Jovens Pesquisadores é, igualmente, contestável, posto que a produtividade dos jovens pesquisadores é levada em consideração nos julgamentos dos projetos. Assim, os jovens pesquisadores contemplados acabam sendo os jovens pesquisadores ligados aos grandes centros de pesquisa do país, quer ligados através de seus ex-orientadores como bolsistas de pós-doutorado, quer ligados como professores substitutos ou como professores em outras instituições próximas das cidades onde estão estes grandes centros de pesquisa. Ligados aos programas de pós-graduação consolidados destes grandes centros de pesquisa, possuem todas as condições para terem maior produtividade que seus colegas dos pequenos centros de pesquisa. É interessante ler a carta “Resultado do Edital Jovens Pesquisadores do CNPq” [9], enviada pelo jovem professor/pesquisador Rodrigo Arantes Reis ao CNPq, a respeito da realidade que, de fato, ocorre na aprovação dos projetos deste edital.

 

 

O Edital do CNPq de Bolsas de Produtividade em Pesquisa para novos campi e novas universidades

 

O Edital de Bolsas de Produtividade para novos campi e novas universidades [10], lançado, pela primeira vez, em 2009, é, igualmente, contestável. Há vários novos campi e novas universidades localizados em municípios próximos de grandes centros de pesquisa. Muitos pesquisadores formados nestes grandes centros foram contratados para estes novos campi e novas universidades, mantendo os vínculos com estes grandes centros de pesquisa. Estes pesquisadores, por contarem e por continuar a contar com as condições de pesquisa privilegiadas existentes nestes grandes centros de pesquisa, certamente vão apresentar produtividade maior que seus colegas atuantes em novos campi e novas universidades localizadas em regiões distantes de grandes centros de pesquisa. Portanto, não há qualquer garantia de que as bolsas de produtividade concedidas por este edital venham, realmente, para estes últimos pesquisadores nem de que este programa possa representar um instrumento para atrair e fixar pesquisadores nestes locais menos competitivos.

 

 

Os Editais da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG)

 

Na avaliação de uma proposta submetida a qualquer um dos Editais de Pesquisador Mineiro (Edital no. 03/2007, Edital no. 03/2008, Edital no. 03/2009) [11], a pontuação atribuída ao projeto da proposta pode valer, dependendo de sua qualidade, 40 pontos, no máximo. Os demais 60 pontos são atribuídos à “qualidade do pesquisador”, qualidade esta, conforme os anexos destes editais, avaliada segundo a produtividade (produção científica do pesquisador).

 

Assim, qualquer pesquisador de um grande centro de pesquisa pode dar-se o luxo de submeter uma proposta que contenha um projeto de valor mediano, posto que o que vai decidir, com efeito, se ela será aceita ou não, é a produtividade do pesquisador. As propostas aprovadas serão, portanto, ao menos em sua maioria, as dos pesquisadores dos grandes centros ou daqueles pesquisadores que possuam fortes vínculos com os grandes centros (por exemplo, que co-orientam alunos destes grandes centros, participando de suas publicações, ou que atuaram, recentemente, nestes grandes centros).

 

Ademais, para todos os seus editais, a FAPEMIG concede pontuação extra às propostas submetidas por pesquisadores bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq. No entanto, como já mencionado, para conceder bolsas de Produtividade em Pesquisa, como o próprio nome indica, o CNPq avalia tão somente a produtividade do pesquisador e não sua competência. Assim, ao conceder pontuação extra aos bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, a FAPEMIG favorece os pesquisadores mais produtivos, que obviamente estão nos grandes centros de pesquisa.

 

Ao confundir produtividade com competência, a FAPEMIG favorece, portanto, em todos os seus editais, os pesquisadores dos grandes centros de Minas Gerais, favorecendo, indiretamente, os grandes centros onde estes atuam. Além disto, a Fapemig lança editais de programas em que somente pesquisadores dos grandes centros (por exemplo, “Bolsa Conhecimento Novo”) e grandes centros de pesquisa (por exemplo, PACSS) podem participar [2].

 

 

 

 

As métricas da CAPES para avaliação dos programas de pós-graduação

 

Embora almeje, nas avaliações dos programas de pós-graduação, “estabelecer o padrão de qualidade exigido dos cursos de mestrado e de doutorado e identificar os cursos que atendem a tal padrão” [12], a CAPES falha em alcançar tal objetivo. A razão é simples ― as métricas de avaliação estabelecidas pela CAPES não avaliam a qualidade, a competência dos programas, mas sim, sua produtividade.

 

Por exemplo, a métrica de maior peso na avaliação dos programas de pós-graduação é a da produtividade média de seus docentes. Esta métrica é calculada através de uma fórmula simples ― a produtividade média P é dada pela equação P = NP / ND, onde NP é um valor ponderado, baseado no número de publicações obtidas pelo programa, e ND é o número de docentes do programa.

 

Desta forma, é natural que os programas com maiores recursos, ou seja, que os programas dos grandes centros de pesquisa, possuam maior produtividade média de seus docentes, em relação aos programas dos pequenos centros de pesquisa. Sendo assim, os programas de pós-graduação dos pequenos centros, mesmo competentes, serão sempre classificados, pela CAPES, como programas de baixo “padrão de qualidade”.

 

Como exemplo, seja um professor A, de um programa de pós-graduação consolidado, de um grande centro de pesquisa, que possua oito orientados, dentre alunos de mestrado e de doutorado, e seja um professor B, de um programa de pós-graduação recente, de um pequeno centro de pesquisa, que possua um único aluno orientado de mestrado. Se o professor A conseguir, com seus orientados, sete publicações qualificadas e o professor B conseguir, com seu orientado, uma publicação qualificada, surgirá uma situação bem interessante ― o professor mais produtivo, no caso o professor A, com sete publicações, não é o professor mais competente, posto que obteve uma relação “número de publicações / número de alunos” inferior a do professor B.

 

Será que a fórmula P = NP / ND não deveria ser modificada, de forma a incluir os diferentes recursos de pesquisa disponíveis aos diferentes programas, como, por exemplo, o número de alunos de mestrado e doutorado disponível em cada programa?

 

Uma outra métrica existente é a da valorização dos bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Os programas recebem pontuação extra, nas avaliações da CAPES, segundo a quantidade de seus docentes que possuam bolsas de produtividade. Assim, uma vez mais, os programas de pós-graduação já consolidados, programas dos grandes centros de pesquisa, recebem pontuação adicional por sua produtividade e não por sua competência.

 

Os critérios e métricas baseados na produtividade retiram dos programas a possibilidade de demonstrarem seus méritos e competências. Os programas de níveis 5, 6 e 7 não conseguem demonstrar suas competências, uma vez que são classificados como 5, 6 e 7 devido, exclusivamente, a suas produtividades. Por sua vez, os programas de níveis 3 e 4, com poucos recursos e consequente pequena produtividade, igualmente não conseguem demonstrar suas competências, permanecendo sempre nestes níveis de classificação.

 

Mais grave ainda, não existem métricas que avaliem a qualidade da formação dada ao corpo discente, verificando sua progressão ao encerrar seus estudos no programa. Em verdade, a qualidade na formação das gerações futuras é o que de mais importante justifica a existência dos programas de pós-graduação.

 

 

Considerações sobre bibliometria 

 

Em geral, como mencionado, a competência de um cientista tem sido unicamente medida, quer direta ou indiretamente, pela quantidade de artigos científicos que ele publica. Mais recentemente, além do número de publicações, tem-se usado também outros índices, tais como o número de citações dos artigos, o índice H e outras variantes. No caso brasileiro, existe ainda o Qualis da CAPES, pretensa classificação da qualidade dos periódicos, usada para valorizar, em maior ou menor grau, as publicações de um indivíduo (ou grupo), segundo a qualidade dos periódicos em que foram publicadas.

 

O uso generalizado de indicadores bibliométricos para medir a competência dos indivíduos tem gerado diversas fraudes [14, 15]. Ademais, três importantes associações científicas ligadas à Matemática — International Mathematical Union, International Council of Industrial and Applied Mathematics, Institute of Mathematical Statistics — emitiram conjuntamente um relatório [16], alertando contra o mau uso de dados bibliométricos na avaliação de cientistas e da qualidade de pesquisa. O trecho a seguir, retirado do sumário executivo desse relatório, é bastante claro: “Dados de citações fornecem somente uma visão limitada da qualidade da pesquisa e os indicadores estatísticos, derivados de dados de citações, são frequentemente mal entendidos e usados de forma errada. A pesquisa é importante demais para que seu valor seja medido através de uma única ferramenta grosseira”.

 

É, portanto, importante manifestar-se contra o uso indiscriminado de qualquer índice bibliométrico como medida de competência de um cientista. Existem muitos exemplos, passados e recentes, de cientistas inegavelmente competentes, que, entretanto, não se ajustariam ao perfil da bibliometria vigente e que, por conseguinte, não receberiam financiamento das agências de fomento. Através de um título/pergunta, Marcelo Viana sugere, por exemplo, que Einstein não ganharia uma bolsa de produtividade do CNPq, caso trabalhasse nos dias de hoje no Brasil [17].

 

Há também exemplos de cientistas cujos trabalhos desenvolveram-se por décadas para que tivessem sua importância reconhecida. Talvez o mais famoso seja Gregor Mendel, pai da genética. Há, igualmente, cientistas que ficaram vários anos sem publicar para que pudessem se dedicar à solução de problemas de grande profundidade. Um exemplo siginificativo destes é Andrew Wiles, que demonstrou recentemente, após mais de 300 anos de tentativas dos melhores matemáticos e vários anos de trabalho pessoal, o famoso “Último Teorema” de Pierre de Fermat.

 

O valor absoluto dado atualmente à bibliometria prejudica o desenvolvimento da ciência de qualidade no país. Além de prejudicar pesquisadores de pequenos centros, prejudica, igualmente, pesquisadores de grandes centros que não se ajustem aos critérios bibliométricos de produtividade.

 

 

Conclusão

 

Embora as políticas e práticas das agências de fomento — políticas estas baseadas em produtividade — sejam excepcionalmente boas para os pesquisadores dos grandes centros e para os próprios grandes centros de pesquisa, elas são desastrosas para o desenvolvimento uniforme do país. Basicamente, o são por quatro motivos.

 

Primeiro, porque retiram dos pesquisadores dos pequenos centros e dos próprios pequenos centros o que, por competência e direito, lhes é devido.

 

Segundo, porque desestimulam fortemente a migração de professores/pesquisadores para os centros menos desenvolvidos do país e a permanência deles nestes centros. Qual será o professor/pesquisador que aceita construir, sem recursos das agências de fomento, as condições de pesquisa em um centro menos desenvolvido do país, sabendo que, por causa disto, será qualificado como incompetente por estas mesmas agências?

 

Felizmente, ainda há muitos destes professores/pesquisadores. Criam, com esforço e dedicação, do “nada”, as condições de pesquisa nestes centros e conseguem mantê-las, em meio a dificuldades consideráveis. É salutar ver, igualmente, a coragem e idealismo que possuem ao arriscar suas carreiras científicas em prol do crescimento das regiões menos favorecidas do país.

 

Há uma entrevista interessante com o Ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, no portal da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Esta entrevista é comentada no artigo “As políticas equivocadas de nossas agências de fomento” [2]. Nela, o ministro descreve sua relutância em criar, do “nada”, o centro de pesquisa na área de física, na UFPE, na década de 70, pois era-lhe bem mais fácil e cômodo integrar-se ao grupo da UNICAMP, onde já havia recursos materiais e humanos de qualidade para o desenvolvimento de sua carreira como cientista.

 

A entrevista é interessante por apresentar vários pontos em comum com relação às dificuldades que encontram os pesquisadores que se dispuseram a criar e desenvolver, na última década, novos centros de pesquisa no interior de todas as regiões do país. Em verdade, estes encontram dificuldades bem maiores, pois, ao contrário do que ocorreu com o ministro nas décadas de 70, 80 e, quiçá, 90, não dispõem de fortes estímulos, de apoios, de fartas verbas do CNPq, da FINEP, do BID e demais agências de fomento.

 

O terceiro motivo pelo qual estas políticas e práticas das agências de fomento são desastrosas é devido ao fato de que prejudicam o desenvolvimento uniforme do país. Sem a migração de professores, não é possível a criação de novos cursos de graduação e pós-graduação nos municípios menos desenvolvidos do país. Alunos destes municípios, sem condições financeiras, são, assim, impedidos de obter uma formação escolar de qualidade. Com isto, afeta-se seriamente o desenvolvimento social e econômico destes municípios e do próprio país.

 

É de interesse coletivo que as políticas governamentais sejam orientadas no sentido de proporcionar às comunidades de municípios no interior de todas as regiões do país, municípios estes que usualmente abrigam os pequenos centros de pesquisa, recursos cada vez mais próximos dos recursos disponíveis às comunidades dos principais municípios do país, que usualmente abrigam os grandes centros de pesquisa. É de interesse coletivo o desenvolvimento dos pequenos centros de pesquisa para que estes possam, assim, ampliar o número de cursos de graduação, de pós-graduação, de atividades sociais, de parcerias com entidades administrativas e empresariais e possam contribuir, cada vez mais e melhor, para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida das comunidades locais e regionais que os abrigam.

 

O quarto e último motivo pelo qual estas políticas e práticas das agências de fomento são desastrosas é devido ao fato de que elas, ao priorizarem fortemente a produção científica, deixam de priorizar o que, realmente, deveria ser priorizado ― a qualidade da pesquisa científica e tecnológica e, sobretudo, o desenvolvimento humano e social. Em verdade, perguntas deveriam ser feitas a respeito da adequação e propósitos destas políticas e práticas, tais como: (a) estas políticas e práticas incentivam a criação ou a consolidação das condições de pesquisa (cursos de graduação, de pós-graduação, de grupos de pesquisa) nos centros onde elas inexistem? (b) são de interesse para o país, para a região? (c) contribuem para a geração de empregos? (d) promovem a integração do país? (g) contribuem para aumentar de forma significativa o conhecimento científico e tecnológico? (h) contribuem para o aumento da qualidade de vida? [13]

 

Por fim, deixa-se claro que nem os pequenos centros nem os pesquisadores dos pequenos centros de pesquisa do país precisam da “caridade” das agências de fomento, por meio de tratamentos diferenciados, editais ou políticas especiais. Ao contrário do que estas agências querem sugerir, existe grande mérito e competência nestes pequenos centros. Provavelmente, até maior que nos grandes e consolidados centros de pesquisa. Basta observar que os pequenos centros de pesquisa do país, em meio a dificuldades materiais e humanas, fruto do descaso das agências de fomento, têm conseguido sobreviver e produzir resultados. O que os pequenos centros do país e seus pesquisadores precisam é de políticas respaldadas pela justiça e pelo direito por parte das agências de fomento, políticas estas que não confundam mérito, competência com produtividade, que não julguem de forma igual a produtividade dos pesquisadores, posto que possuem condições de pesquisa desiguais, e que visem o desenvolvimento humano e social, de maneira uniforme. Com políticas respaldadas pela justiça e pelo direito, e com representatividade igual a dos pesquisadores dos grandes centros nos comitês destas agências, os pesquisadores dos pequenos centros podem competir, de igual para igual, com seus pares dos grandes centros de pesquisa.

 

Considerando o exposto acima, nós, abaixo assinados, solicitamos aos senhores e senhoras, responsáveis pela política de C&T do País, a convocação de uma comissão, composta por professores e pesquisadores de institutos de pesquisa, representantes tanto de grandes centros quanto de pequenos centros, para organizar uma discussão e votação, pela comunidade inteira de C&T, dos seguintes assuntos:

 

  1. Abertura de ouvidorias nas agências de fomento, de forma a se estabelecer canais de comunicação entre estas e a comunidade científica;
  2. Extinção ou manutenção (neste caso, com a correção dos critérios para concessão e progressão de nível) das bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq;
  3. Alteração dos critérios para concessão de auxílios, de forma a que estes critérios avaliem, tão somente, a qualidade dos projetos;
  4. Revisão dos critérios estritamente quantitativos de avaliação da pesquisa e dos pesquisadores;
  5. Democratização na escolha dos membros dos Comitês Assessores do CNPq;
  6. Reestruturação das atribuições dos Comitês Assessores do CNPq, de forma a dar-lhes maior autonomia para definição dos critérios de suas áreas;
  7. Fomento às soluções para problemas nacionais, em todas as áreas do conhecimento, a partir de discussões amplas com a comunidade científica;

 

 

Este manifesto será enviado à Fapemig, SecCT-MG, Governo-MG, CNPq, Capes, MCT, MEC e Presidência da República. Será enviado, igualmente, a alguns políticos voltados à área de educação.

 

 

Se concordar com os termos deste Manifesto, externe seu apoio, assinando-o aqui.

 

 

Referências

 

[1] Primeiro Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/06/manifesto-comunidade-e-aos-orgaos-de-c_08.html.

 

[2] As políticas equivocadas de nossas agências de fomento, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/09/as-politicas-equivocadas-de-nossas.html.

 

[3] Normas para as Bolsas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, disponível em http://www.cnpq.br/normas/rn_06_016_anexo1.htm.

 

[4] Bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq na área de computação, disponível em http://plsql1.cnpq.br/divulg/RESULTADO_PQ_102003.prc_comp_cmt_links?V_COD_DEMANDA=200310&V_TPO_RESULT=CURSO&V_COD_AREA_CONHEC=10300007&V_COD_CMT_ASSESSOR=CC.

 

[5] Normas do CNPq para composição dos CAs, estava disponível, em 2009, em http://www.cnpq.br/cas/renovacao_cas_09.htm. Um resumo destas normas está disponível em http://www.andifes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1353&Itemid=37.

 

[6] O CNPq e sua oligarquia, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/08/o-cnpq-e-sua-oligarquia.html.

 

[7] Bolsa de Produtividade: Qual o melhor corredor ― o que corre 100 metros em 10 segundos ou o que corre em 20 segundos?, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/06/bolsa-de-produtividade-qual-o-melhor_9945.html.

 

[8] A quem se dirige o Edital Universal 2008?, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/08/quem-se-dirige-o-edital-universal-2008.html.

 

[9] Resultado do Edital Jovens Pesquisadores do CNPq, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/07/resultado-do-edital-jovens.html.

 

[10] Edital MCT/CNPq no. 03/2009, disponível em http://www.cnpq.br/editais/ct/2009/003.htm.

 

[11] Editais FAPEMIG nos. 03/2007, 03/2008 e 03/2009 (Pesquisador Mineiro), disponível em http://www.fapemig.br/modalidades_de_apoio/editais/arquivos_dos_editais.php.

 

[12] CAPES ― Avaliação da pós-graduação, disponível em http://www.capes.gov.br/avaliacao/avaliacao-da-pos-graduacao.

 

[13] A casta dos superbacharéis, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2009/06/casta-dos-superbachareis_08.html.

 

[14] Integridade sob ataque: o estado da publicação acadêmica, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2010/06/integridade-sob-ataque-o-estado-da.html.

 

[15] Avaliação bibliométrica de pesquisadores: não é correta ... nem mesmo errada, disponível em http://democracia-e-transparencia-em-ct.blogspot.com/2010/04/avaliacao-bibliometrica-de.html.

 

[16] Citation statistics, disponível em http://www.mathunion.org/fileadmin/IMU/Report/CitationStatistics.pdf.

 

[17] Einstein, caso trabalhasse no Brasil nos dias de hoje, ganharia bolsa de produtividade do CNPq?, disponível em http://www.sbm.org.br/web//up/editor/File/ArtigoMarcelo.pdf.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apoios ao Segundo Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia

 

 

(até 04 de março de 2011)

 

 

 

 


Página de Apoio ao Segundo Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia

Lançado em dezembro de 2008, o Primeiro Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia), embora assinado por 180 membros da comunidade científica e tecnológica do país, não mereceu qualquer resposta por parte dos órgãos de ciência e tecnologia. Além disto, neste período, não houve qualquer sinalização, por parte das agências de fomento, em particular, do CNPq, de que estejam dispostas a modificar suas políticas e práticas.

Lançamos agora um Segundo Manifesto Nacional. Nele, não só tornamos público, mais uma vez, nosso repúdio a estas políticas e práticas, como também propomos a correção destas políticas e práticas. O portal "Democracia e Transparência em C&T" divulga o conteúdo deste Segundo Manifesto, bem como lista as datas das Mesas-Redondas, em diversas localidades do país, onde será debatido.

Signatários do manifesto até 4/3/2011:

Nome

Instituição

Cargo

Data

Adolfo Gustavo Serra Seca Neto

Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Professor

2010-10-13 17:09:55 UTC

Edinaldo Nelson dos Santos Silva

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazõnia

Pesquisador Titular

2010-10-14 21:44:43 UTC

Fred Freitas

CIn-UFPE

Professor adjunto

2010-10-15 04:05:23 UTC

Maria Avany Bezerra Gusmão

Universidade Estadual da Paraíba, UEPB

Professor Doutor-A-DE

2010-10-15 17:18:35 UTC

Jose Salvador Lepera

UNESP

Professor Assistente Doutor

2010-10-15 17:30:31 UTC

Wilson José Vieira

IEAv/CTA

Pesquisador

2010-10-19 12:18:16 UTC

Armando G. M. Neves

Universidade Federal de Minas Gerais

Professor Associado

2010-10-20 21:22:35 UTC

Eduardo Nahum Ochs

UFF

Professor Adjunto

2010-10-20 22:33:17 UTC

Luis Paulo Vieira Braga

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professor Associado III e membro da CPPD-UFRJ

2010-10-20 23:01:39 UTC

Kátia Maria Medeiros de Siqueira

UNEB

Professor Adjunto

2010-10-21 11:23:40 UTC

Gabriel Bahia Caldas

UFMG

Mestrando

2010-10-21 15:22:35 UTC

Otávio Augusto Salgado Carpinteiro

Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI)

Professor Associado

2010-10-21 17:57:05 UTC

Carlos Roberto de Menezes Peixoto

Universidade Federal do Rio Grande

Professor Adjunto

2010-10-22 17:02:09 UTC

José Lima de Figueiredo

Universidade de São Paulo

Professor doutor

2010-10-22 19:02:46 UTC

Paulo Roberto Cardoso da Silveira

Universidade federal d eSanta Maria - UFSM

professor assistente

2010-10-22 21:36:15 UTC

Aline Weber Sulzbacher

Universidade Federal de Santa Maria

Estudante e Geógrafa

2010-10-22 21:46:46 UTC

Samuel Laudelino Silva

Universidade do Estado de Mato Grosso

Professor Assistente Mestre

2010-10-22 22:17:34 UTC

Wilson Itamar Godoy

UTFPR

Prof. Ensino Superior

2010-10-23 19:01:51 UTC

Thais Borges Cesar

Universidade Estadual Paulista - UNESP

Professor Livre-Docente

2010-10-24 12:06:46 UTC

Jozimar Paes de Almeida

Universidade Estadual de Londrina

Professor Doutor

2010-10-25 12:26:50 UTC

Hildeberto Caldas de Sousa

Universidade Federal de Ouro Preto

Professor Associado II

2010-10-25 20:19:19 UTC

Jose Antonio Alves Gomes

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Pesquisador

2010-10-25 20:30:46 UTC

José Ribamar Bessa Freire

UNI-RIO (Pós Graduação em Memória Social) e UERJ

Professor Adjunto

2010-10-25 23:11:53 UTC

Bruno Cosenza de Carvalho

Centro Tecnológico do Exército

Tecnologista Sênior III

2010-10-26 10:49:23 UTC

Jansen Alfredo Sampaio Zuanon

INPA

Pesquisador Titular

2010-10-26 11:04:57 UTC

Luis Carlos Ogando Dacal

Instituto de Estudos Avançados (IEAv - CTA)

Pesquisador

2010-10-26 11:24:39 UTC

Murilo Naldi

Universidade Federal de Viçosa

Professor Assistente

2010-10-26 12:37:15 UTC

Luiz Antônio Moro Palazzo

Universidade Católica de Pelotas

Professor Adjunto

2010-10-26 13:12:40 UTC

Barbara Ann Robertson

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia

Pesquisador

2010-10-26 13:22:37 UTC

Carlos Alex Sander Juvencio Gulo

UNEMAT

Professor Auxiliar

2010-10-26 13:37:07 UTC

Geraldo Augusto de Oliveira Netto

FIAP

Estudante

2010-10-26 13:46:17 UTC

Regina Célia Coelho

Universidade Federal de São Paulo

Professor Adjunto II

2010-10-26 13:49:32 UTC

Alexandre Nóbrega Duarte

Universidade Federal da Paraíba

Professor Adjunto

2010-10-26 14:08:44 UTC

Juvenal Silva Neto

Universidade do Estado de Mato Grosso

Professor Auxiliar

2010-10-26 14:10:58 UTC

Neumar Costa Malheiros

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Doutorando

2010-10-26 15:16:37 UTC

Marize Varella de Oliveira

Instituto Nacional de Tecnologia

Pesquisador

2010-10-26 16:38:16 UTC

Clovis Torres Fernandes

ITA

Professor Associado II

2010-10-27 02:10:53 UTC

Inaldo Capistrano Costa

Universidade Federal do Maranhão - UFMA

Professor Assistente

2010-10-27 11:49:09 UTC

Jefferson Araujo Flaresso

Epagri

Pesquisador

2010-10-27 12:53:08 UTC

Fábio Luciano Verdi

UFSCar Sorocaba

Professor Adjunto I

2010-10-27 12:59:42 UTC

Mauricio Sperandio

Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA

Prof. Adjunto

2010-10-27 13:31:07 UTC

Giovani Gracioli

Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando

2010-10-27 15:36:35 UTC

José de Oliveira Guimarães

UFSCar

Professor Associado 3

2010-10-27 16:25:26 UTC

Yeda Regina Venturini

UFSCar Sorocaba

Professor

2010-10-27 16:29:33 UTC

Peter Bakuzis

Univeridade de Brasília

Prof. Titular

2010-10-27 17:02:30 UTC

Rodrigo Cardoso Rocha

Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL)

Estudante

2010-10-27 20:22:00 UTC

Flávio Duarte Couto Oliveira

Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

Professor

2010-10-27 21:49:24 UTC

João Bosco Delfino Júnior

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

Pesquisador

2010-10-28 04:22:57 UTC

Gleber Nelson Marques

Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT

Professor Adjunto

2010-10-28 06:46:54 UTC

Ivairton Monteiro Santos

Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Campus Universitário do Araguaia

Professor assistente

2010-10-28 16:41:36 UTC

Lucas Bonino Silva

Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG)

Graduando

2010-10-28 20:16:19 UTC

Francisco Nunes Navarro

Universidade de São Paulo (USP)

Graduando

2010-10-28 22:07:41 UTC

Edjard de Souza Mota

UFAM

Professor Adjunto IV

2010-10-29 18:32:31 UTC

Marcelo Eduardo Alves

ESALQ/USP

Professor Doutor

2010-10-30 20:03:35 UTC

Glauco Vieira de Oliveira

UFMT - Campus Universitário do Araguaia

Prof Adjunto I

2010-11-01 12:49:41 UTC

Maria Ciavatta

Univ. Fed. Fluminense (UFF)

Professora Titular

2010-11-01 13:51:35 UTC

Leandro Neves Duarte

UFMT - Campus Universitário do Araguaia

Professor Assistente I

2010-11-03 23:27:12 UTC

Veridiana Vizoni Scudeller

Universidade Federal do Amazonas

professor adjunto I

2010-11-04 14:38:31 UTC

Hektor Sthenos Alves Monteiro

Universidade Federal de Itajubá

Professor adjunto

2010-11-05 20:19:43 UTC

Maria Aparecida Lino Pauliukonis

UFRJ

Coordenadora de Programa de Pós- Graduação

2010-10-21 00:50:01 UTC

Marcelo Porto Allen

IFSP - Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia de Sao Paulo

Professor

2010-11-07 19:55:01 UTC

Pablo Marques de Oliveira

Universidade Federal de Itajubá

Mestrando

2010-11-08 13:51:20 UTC

Dagoberto Alves de Almeida

Universidade Federal de Itajubá

professor Titular

2010-11-09 20:20:03 UTC

Luis Felipe Skinner

UERJ

Prof. Adjunto

2010-11-18 22:05:54 UTC

Luis Aureliano Imbiriba

UFRJ

Prof. Adjunto

2010-11-20 11:06:00 UTC

Laura Cristiane de Souza

UFAL

Profª Adjunto I

2010-11-20 15:43:01 UTC

Guilherme de Oliveira Santos

Unifal-MG

Graduando

2010-11-21 02:02:52 UTC

Marcus Vinicius Machado de Almeida

FM/EEFD Universidade Federal do Rio de UFRJ

Professor Adjunto

2010-11-21 10:59:59 UTC

Andréa Maria Fedeger

Universidade Federal do Paraná

Professora Assistente

2010-11-22 13:36:20 UTC

José Otávio Motta Pompeu e Silva

UFRJ/Faculdade de Medicina

Professor Assistente

2010-11-22 14:04:19 UTC

Viviane Santalucia Maximino

Universidade federal de Sao Paulo - UNIFESP

profa. Adjunto Doutora

2010-11-24 10:47:37 UTC

Vera Lucia Vieira de Souza

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora Assistente

2010-11-24 13:15:45 UTC

Cláudia Maria Luz Lapa Teixeira

Instituto Nacional de Tecnologia

Pesquisador

2010-11-27 01:53:28 UTC

Pedro Celso Nogueira Teixeira

FIOCRUZ

Especialista Visitante

2010-11-27 01:56:14 UTC

Viviane Schneider

UFSC

Estudante

2010-12-07 13:25:24 UTC

Alexandre M. Espinheira

EMUS-UFBA

Doutorando-Representante Estudantil

2010-12-07 14:13:40 UTC

Antonio Celso Ferreira

UNESP

Professor Titular

2010-12-15 12:42:48 UTC

Simone Wolff

Universidade Estadual de Londrina - UEL

Docente

2010-12-16 14:49:35 UTC

Nandamudi Vijaykumar

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Tecnologista

2011-01-05 10:52:06 UTC

Germano de Souza Kienbaum

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Pesquisador

2011-01-21 11:07:09 UTC

Vera Maria Ferreira da Silva

INPA

Pesquisador Titular

2011-01-24 01:41:08 UTC

RAFAEL AGUIAR MARINHO

UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAIBA

MESTRANDO

2011-02-06 16:10:44 UTC

Eliana Marques Cancello

USP- Museu de Zoologia

Docente doutora- MS3

2011-02-06 22:09:44 UTC

Caroline Soares de Souza

Universidade Federal de Mato Grosso - ECCO - IL

Mestranda

2011-02-24 13:21:15 UTC

Fabio Tenorio de Carvalho

Universidade Federal do Oeste do Pará

Professor Assistente

2011-03-03 16:50:17 UTC

 

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É preciso melhorara muito com esses falsos editais.

Se precisar citerei um doCNPq.

 

Assino pelo fato de que temos que colocar em pauta os parâmetros acima expostos. A pressão assola os professores sem condições de trabalho para a pesquisa e vai minando o sistema educacional.

 

Prezado Nassif

O importante é fomentar carreiras científicas ao longo dos anos e diretamente aos pesquisadores , como era feito anteriormente.Agora se o Governo quer estatísticas infladas para objetivos de propaganda política e outras "cositas mais" , basta continuar com o presente "esquemão" de artigos Qualis A , da Capes/CNPQ/MCT.

Já em relação  ao fomento dos Centros Pequenos , deveria haver um programa sério destas Universidades e subsidiadas por um programa específico federal  para concessão de ajudas a estes centros com grande potencialidade .É simplesmente  impossível manter-se  uma carreira de pesquisa competitiva em lugares longe do eixo Rio-São-Paulo , infelizmente (experiência própria !).

A propósito, convido a todos os leitores deste tópico de discussão a lerem cuidadosamente os links abaixo , onde tal mentalidade "Pseudo-Elitista" de alguns membros da comunidade científica brasileira é notóriamente exposta! (murilo sp & Júlio 50).

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Eh pra pagina dois que os comentarios foram, Botelho.  Estao todos la:

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/nosso-comentarista-medalha-de... pagina 1

http://www.brasilianas.org/blog/luisnassif/nosso-comentarista-medalha-de... e pagina dois

 

 

1. Algumas pequenas ressalvas na minha opinião. Primeiramente sobre o parágrafo "Para julgamento dos projetos submetidos pelos pesquisadores, o CNPq utiliza três critérios: (a) o mérito intrínseco do projeto; (b) a competência do executor (avaliada por sua produção científica); (c) as condições de infra-estrutura da instituição onde o projeto será desenvolvido.": não está de todo errado. Dependendo dos recursos que o projeto demandar, é mais do que razoável que se avalie as condições reais de implementação de equipamentos e obtenção de bolsas a colaboradores. Não adianta pedir um cluster de máquinas ou um laser super moderno se não houver, no primeiro caso, rede elétrica e de refrigeração das máquinas adequados e, no segundo, sistema de refrigeração adequados. Além de, naturalmente, espaço físico, que muita UF do interior não tem. Há também a questão das bolsas, já que bolsas de Doutorado e Mestrado em geral são dadas diretamente aos departamentos em função do conceito do mesmo na capes. Portanto, departamentos em UFs menores tem menos bolsas, e o pesquisador daí não pode naturalmente prever a participação de muitos bolsistas. Em segundo lugar, penso também que o exemplo do andrew wiles é extremamente perigoso. Há no Brasil um grande contingente de professores/pesquisadores que de pesquisa fazem muito pouco (eufemismo pra nada) que se sentiriam honrados ao serem confundidos com o dr wiles. Uma coisa é saber enxergar méritos pralém da produtividade, que penso ser o ponto central do manifesto, e outra é ignorar a importância das publicações. Não há absolutamente nada errado em se exigir publicações (eu acho fundamental), que é algo muito diferente de exigir APENAS publicações;

2. Concordo que o céu de brigadeiro para a ciência brasileira passaria certamente pela consolidação da maior parte das propostas no manifesto. Apesar de algumas pequenas ressalvas (como as expostas acima), concordo em absoluto com a maioria dos pontos. Mas seria imprescindível tocar em um aspecto muito mais importante e espinhoso, e que na minha opinião atrasa muito mais a ciência nacional do que a má distribuição dos recursos para pesquisa: a estabilidade absoluta e inconteste dos professores das UFs, coisa inexistente em países com ciência relevante. UFs menores estão, infelizmente, recheadas de professores/pesquisadores que de pesquisadores tem pouquíssimo, seja porque perderam o ritmo justamente por falta de financiamento e condições no início da carreira, seja porque nunca o foram. Visitei um amigo no ano passado em uma UF no interior de Minas, e era impressionante como o gabinete da maioria dos professores do departamento dele era a cantina do edifício. Enfim... UFs maiores tem também sua cota significativa de professores que não fazem pesquisa nenhuma, ou que fazem pesquisa com qualidade bem inferior ao que a instituição merece. É fundamental a quebra dessa estabilidade, com o estabelecimento de avaliações de desempenho periódicas com critérios  que permitam separar esses indivíduos dos reais pesquisadores. Isso é muito mais importante do que a questão dos recursos, e acho significativo (e lamentável...) não ver nenhuma referẽncia a isso no manifesto...

 

O blog do Azenha destaca hoje uma entrevista com o Professor Miguel Nicolelis que imagino, é pretinente:

 

http://www.viomundo.com.br/entrevistas/nicolelis-e-a-comissao-da-ciencia-brasileira-estrategias-para-o-futuro.html