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"Sexistas são os outros"

 

Evidente é que, em situações extremas, poderíamos imaginar que há racistas e não racistas, sexistas e não sexistas, e toda sorte de preconceituosos e não preconceituosos.

Mas olhando de perto, bem de perto, podemos chegar à conclusão de que o preconceito é mais uma “questão de grau” do que de um ingênuo determinismo binário.

Uma campanha bem bolada perguntava há alguns anos: "Onde você guarda o seu racismo? " A mesma pergunta poderia ser feita no caso do machismo, da homofobia etc.

Racismo, tanto quanto o sexismo, se guarda no coração, na mente, nos olhos, na pele, na boca – e onde menos você espera.

Certo: há os muito racistas,  os racistas, os pouco racistas, os muito pouco racistas, mas que, aqui e ali, acabam sendo surpreendidos, para tamanho desgosto de sua confiante auto-consciência, pelo medo involuntário que o faz mudar de calçada, por uma risada descuidada diante de uma piada de preto.

A maior dificuldade da luta contra qualquer forma de preconceito é fazer com que cada um pense de que forma colabora para que ele exista e persista. Isto implica na necessidade de um auto-exame de consciência, em que o ponto de partida pode ser a criativa pergunta da campanha citada: “Onde eu guardo meu preconceito?”.

Quem chegar ao final do auto-exame com a certeza de que nada guarda, melhor que refaça a pergunta.

Pois que cada um de nós mortais somos sujeitos de um mundo em que discursos raciais, sexistas, marcadores de cruéis definições do que seja normal, saudável e belo, propensos a julgamentos morais por características físicas, idade e grana estão por aí com força e com vontade.

Estes discursos atravessam todos os sujeitos, em menor ou maior medida, sejam estes conscientes disso ou não.

O episódio recente envolvendo troca de farpas entre blogueiros, embora motivados por ciúmes e ressentimentos, vai bem nessa direção. Sem problemas se discordamos da cor da areia da praia de Copacabana.

Mas, de uma hora para outra, acusou-se um grupo bastante heterogêneo de jornalistas,  debatedores, livre-opinadores de serem sexistas.

Evidentemente, os acusadores eximiram-se daquela pergunta criativa.

Ficou parecendo que sexistas são sempre os outros, tal como constatado naquela pesquisa da Folha em que 96% diziam-se não racistas, embora 90% acreditavam que houvesse o racismo no país.

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O machismo, assim como o racismo, nos é ensinado junto com as primeiras palavras. Ainda vão nascer gerações, espero, que não passem por esse aprendizado.
Todos os feministas envolvidos nessa discussão são machistas, inconscientemente mas são.
O fato de ter opiniões anti-machistas não os credenciam para atacar aqueles que cometem o erro de vazar seus machismos.
Ontem, hoje e provavelmente amanhã, em uma situação que fuja ao controle os auto-intitulados feministas deixarão aflorar seus pecados machistas, e terão que pedir desculpas as mulheres e recuar para a meditação sobre seu atos.
Pra essa nossa geração a pena é perpétua, estaremos sempre condenados a pedir desculpas e racionalizar nossas atitudes, para que erros não se repitam.
A estes que tentaram demonizar o Nassif digo que a arrogância é uma erro maior e mais perigoso do que o cometido pelo Nassif.

 

Observem que o tema do post do Weden, o sexismo, é de importância capital para as mulheres. 

Com exceção da sempre interessante Raq_uel, não tivemos outras mulheres que se dispusessem a debater. Qual terá sido o motivo?

Muitas, como em outras ocasiões, ficam de butuca, observando tudo, mas embaixo dum quieto, urubuservando. Lamentável. 

 

Concordo plenamento Weden. Do mesmo modo que somos todos em maior ou menos grau hipócritas, gananciosos, mentirosos, mal-educados, etc.. A verdade é que ninguem é perfeito. Um pouco de tolerência nunca faz mal. E, óbvio, tentar ir melhorando...

 

Faltou a famosa: alcoolista é aquele que bebe mais que a gente. 

A gente sempre consome bebidas alcoólicas apenas socialmente - já o vizinho...

 

ô sô Glecio. Não sei quanto a você. Quanto a mim, não tenho a menor intenção de viver num mundo onde não se pode fazer piada de portugues, judeu, preto, loura, turco, gay ... , será que poderia de papagaio? Hum, não, os ecologistas iriam certamente opor-se!

Não existe humor políticamente correto. Esta frase não é minha. Se não me falha a memória é do De La Penha, que afirmou que ele mesmo faz piadas de preto. Aliás, de preto vestido de alemoa. Foi caracterizado de tiroleza com tranças louras que ele apareceu num programa da Vênus Platinada numa octoberfest lá em blumenau. Certo, o programa era uma droga, mas a imagem do De La Penha vestido de tiroleza carregando uma bandeja cheia de canecas de chopp foi hiláriante.

Se para vencer preconceitos for preciso acabar de vez com o humor, então prefiro um mundo cheio de preconceitos. Mas creio que não é preciso chegarmos a isto. Tinha a impressão, e pretendo continuar a te-la, de que combater preconceitos fosse lutar contra opressão, desigualdades, violências e não contra o humor.

Piadas são piadas. Eu pessoalmente já fui alvo de várias quando residi na europa. Os sul americanos, brasileiros em particular, são caracterizados lá com estereótipos que fornecem combustível para as mais diversas e engraçadas piadas. Eu mesmo rí às pampas das piadas de brasileiros. Quem não sabe rir de sí mesmo não deveria rir dos outros.

Como dizia o Stanislaw Ponte Preta, "pobre, quando come galinha, um dos dois está doente".

Ou será que o Stanislaw e eu somos a favor do ódio de classes?

 

O homem é o nú vestido.

Conforme gradualmente mais ameaçado ou menos agraciado, mostra-se, relativamente, mais ou menos pelado.

Ao natural, não temos o que guardar. 

Aí, uns gritam, outros protestam, alguns escrevem (nem todos tão precisos como o autor do post) e muitos, mais ou menos vestidos, saem para comer pizza.

 

Weden, parabéns. Sem a necessidade de posar como paladino da justiça e sem carteiradas, o seu texto nos obriga a olhar para si, ao invés de apontar o dedo para os outros. É por aí que o debate todo deveria ter começado, não da maneira que aconteceu.

 

O "sexismo" e o "racismo" não são questões mais ou menos subjetivas. É uma questão de exploração mesmo. Paga-se menos a mulheres e a negros. Isto é uma realidade. Negros e mulheres têm acesso restringido a todos os cargos de comando (inclusive ministérios de uma Presidenta!). Em igualdade de condições de emprego mulheres trabalham mais do que homens e ganham menos (trabalham mais porque assumem trabalhos domésticos não pagos!). O único senador negro, que eu me lembre, é do Rio Grande do Sul, não da Bahia. E é lá, no Rio Grande do Sul, onde a diferença de salário de brancos e negros é menor. Justo num dos Estados que têm menos negros. 

E é na Bahia, certamente o Estado mais negro do Brasil, onde a diferença de salário entre negros e brancos é maior (mesmo sendo o Estado onde a diferença de escolaridade entre raças é menor).

Mulher negra então, é a que menos ganha e mais trabalha. 

Racismo e sexismo são questões de exploração capitalista. Junto com o trabalho infantil, talvez as mais abomináveis. 

O resto, o que cada um de nós sente no íntimo em relação às mulheres ou aos negros, o grau em que cada um de nós é preconceituoso com eles, é apenas a manifestação cultural necessária para a manutenção da exploração.

A luta central não é descobrir o quanto somos "preconceituosos" com mulheres e negros. A luta principal é torná-los iguais na sociedade: no salário, no trabalho, no acesso aos cargos diretivos, à universidade.

Acabar com a hegemonia do macho-branco no concreto: a sua posição de privilégio na sociedade. 

No momento em que a cidadania de mulheres e negros seja plena - mas plena mesmo!, o preconceito irá, necessariamente, desaparecer. E o que ficar, será apenas um vestígio com pouquíssima importância. 

E um dos caminhos para isso é, sim, estipular cotas de igualdade: tantos homens quanto mulheres, brancos e negros, em todas as posições sociais; principalmente as de destaque. 

E isto não se aplica ao homosexualismo. Aí sim, a questão é preconceito puro (e medo). Homosexualismo é opção.

Ninguém nasce mulher por opção, nem negro por opção. 

(uma análise mais profunda sobre o assunto pode-se ler em O Capitalismo Histórico de Immanuel Wallerstein).

P.S. o termo "feminazi" é abominável também. Não discuto a existência ou inexistência de mulheres "nazistas", ou mesmo grupos que assim se comportem. Mas o termo "feminazi" contamina os esforços de liberação das mulheres mediante os movimentos feministas. Muitos "machos" devem ter esboçado um sorriso de satisfação ao ler o termo. Não se pode confundir qualquer sectarismo de um segmento em luta pela liberação com o sectarismo nazi, o sectarismo do poder. Isso é o que tentou a direita e a imprensa direitista com o passado de Dilma. O país em maioria rejeitou!

 

      Venho acompanhando a discussão, e de maneira geral é interessante observar as mais diferentes manifestações. Alguns mais agressivos que os outros, mas sempre com seus próprios preconceitos. Nada de anormal, como bem disse o autor do texto acima, todos temos preconceito, precisa-se verificar o grau. Vivemos numa sociedade que qualquer coisa diferente de um homem, heterosexual, magro, "boa pinta", rico, inteligente, graduado, de centro, branco e católico, sofrerá preconceito. Claro que de forma e intensidade diferente. O curioso disso tudo é que ignoramos nossa natureza e agredimos o outro, quando ele manifesta certa característica que nós mesmos possuimos. Lembro de uma candidata a vereadora de BH que no seu tempo de televisão se dizia minoria das minorias, pois era negra, gorda, feia, pobre, sapatão e comunista. Sem dúvida que ela conseguiu reverter essas características a seu favor ao criar um programa eleitoral com esse conteúdo, pena que o partido e o discurso dela são tão perseguidos pelo eleitorado conservador mineiro.

         Somos hipócritas, mesquinhos, individualistas. O problema é que não assumimos.  

 

 

Podemos alargar ainda mais a discussão?

O preconceito é alimentado diariamente por humor apelativo.

Alem do racismo, do sexismo e da homofobia, temos preconceito contra gordos, contra loiras e de origem.

Piadas utilizam estereótipos como base, por exemplo a xenofobia contra portugueses, contra turcos, contra norte-americanos. O que é feito pelo Galvão contra argentinos é um crime, não percebemos que isso apenas afasta povos que deveriam ser queridos por nós. 

Na próxima vez que a seleção brasileira entrar em campo podemos desejar que o melhor vença?

Podemos deixar de rir das piadas apelativas de loiras, de portugueses, de judeus e de turcos?

Temos muito a mudar ainda. Vamos começar tratando os hermanos como irmãos? As mulheres como seres iguais e até melhores que nós? Vamos enxergar as atitudes e não as aparencias?

Vamos comemorar este natal como a queda dos preconceitos e como o inicio da batalha contra os radicalismos. Lembremos que todos os membros da raça humana tem o mesmo destino, pois a única certeza da vida é a morte, nascemos com este objetivo e o que fazemos entre o nascimento e a morte pode fazer toda a diferença para as próximas gerações.

O engraçado de toda esta história é que o primeiro que se disse descontente com o nome progressista foi o Nassif. Eu filmei ele no encontro e coloquei no youtube.

 

Gostaria de relembrar uma das melhores contribuições do ano que agora se encerra, da nossa companheira de comunidade, a Vera das Alterosas, que teve um post aqui "upado" ainda em julho, sob o título "A intolerância e o mito de Narciso". Na época, a gente podia até imaginar o que viria pela frente em relação à campanha presidencial, mas ninguém poderia supor o que estaria ocorrendo agora no nosso campo da blogosfera. Mas vamos à profética Vera:

"Porque Narciso acha feio o que não é espelho"

Desconfio que vivemos o tempo da “humanofobia”. A gente se estranha, se evita e, pior, não nos toleramos. Simplesmente por sermos incompetentes para nos reconhecermos no outro. O reconhecimento, a aceitação e o acolhimento do outro incomoda profundamente os nossos narcisos. Narcisos só se identificam com imagens especulares.

Então... Seria engraçado se não fosse triste, mas é realmente incrível!

O gordo discrimina o velho. Discrimina, mas chama de "idoso", que chamar de velho nos tempos atuais não "pega bem". O idoso acha que as “bichinhas”, ou melhor, os homossexuais são um horror, sinal do fim dos tempos. Estes por sua vez acham os “hetero” qualquer coisa limitada e de gosto duvidoso. Heterossexuais, que ainda se creem maioria, do alto de sua hegemonia discriminam qualquer outra forma de amor e tesão. Também não gostam de preto, embora os chamem, “respeitosamente” de afrodescendentes. Já são informados o suficiente pra saberem que raça não tem a ver com cor de pele. Por isto, incluem, entre os afrodescendentes, também os brancos que sejam pobres. Negros, por sua vez, fazem questão de declarar em camisetas e outras mídias que são “cem por cento negros”.

Alguns acham que as louras são burras “de doer”. Ah! E os índios preguiçosos, os judeus pouco confiáveis. Louras, oxigenadas ou não, detestam pobres e, estes, desconfiam dos ricos ou dos quase ricos. Os quase ricos, também chamados de "classe média”, são seres atavicamente rancorosos. Torcem o nariz para os trabalhadores mais humildes sob a alegação de que "falta-lhes o glamour". Mas também provam do próprio veneno. Pelo mesmo motivo, são também discriminados por aqueles que nasceram em berço de ouro.

Intelectuais abominam quem não tenha lido pelo menos um clássico simplesinho como Ulisses de Joyce (no original de preferência). Nutrem um secreto desprezo por qualquer pessoa inculta, ainda que bela (exceção feita apenas à língua portuguesa: esta sim, pode ser “inculta e bela”. Mas esta não vale, a língua é viva mas não é pessoa, não é mesmo?) Já os iletrados, mas endinheirados acham que templo mesmo são os shoppings e não gostam muito de pessoas religiosas... e blá, blá, blá...

Este círculo vicioso - e viciante - vai dando voltas e mais voltas sobre si mesmo até se fechar novamente nos gordos. Destes, o mundo todo fala mal.

E assim caminha a humanidade, amalgamada na mediocridade da burrice que nos une a todos. Porque afinal, a burrice, esta sim, é um valor universal”.

PS: tomei a liberdade de reblogar o texto [remixado] no blog Matéria Incógnita com a imagem do pavão em preto-e-branco que ilustra este comentário. Abraços a todos e Feliz Natal.

Re: "Sexistas são os outros"
 

Talvez você me dará razão, Weden. Observe que o medo de ser estigmatizado como racista ou sexista pode ser um dos motivos pelos quais o debate sobre a questão sempre emperre. Pode-se dizer que esse receio colabora com o problema. As pessoas se sentem intranquilas e tensas ao tratar da questão, preferindo a cautela ao desprendimento. Como será que funciona essa engrenagem?

 

Cafezá..

Se todos assumirem a dimensão real do seu próprio preconceito, podemos resolver isso juntos.

Portanto, como em qualquer patologia, em que só se bem combate quando se bem diagnostica, é na verdade íntima que deve começar a luta.

Pureza d'alma só em literatura infantil. Melhor: em literatura infantilizada.

Abração..

 

 

 

 

 

 

Eu guardo o meu preconceito debaixo do manto da hipocrisia.

 

Podemos ampliar a questão filosofica ... “Onde eu guardo meu preconceito?”.  para  “Onde eu guardo minhas maldades ?”

 

Não que não seja verdade que todos nós, que vivemos em uma sociedade racista, machista e preconceituosa em geral não nos contaminemos com esses preconceitos e não que não devamos nos analisar e fazer a autocrítica de nossas atitudes e resbaladas.

 

Mas, se levarmos este ponto ao extremo, na busca da conciliação fácil, corremos o risco de acabarmos aceitando o preconceito e a sua manifestação, pois, afinal, somos todos mais ou menos preconceituosos. Se só quem não tem pecado pode atirar a primeira pedra, no fim das contas, quem poderá criticar o racista, o machista, o preconceituoso?

Essa, eu não engulo! Tudo bem que façamos a autocrítica. Mas nenhuma tolerância com o preconceito!

 

Caro Weden

Manifestei opinião parecida, recentemente, em comentário a uma das muitas manifestações desiludidas do Nassif com os rumos do episódio.

Usei as expressões "suscetibilidades", "melindres" etc, apresentados como justificativa aos ataques baixos e "a necessidade" de se tutelar qualquer debate.

O fato é que não deixamos de ser macacos. Repito: MACACOS ... afogados em instintos, fraquezas e fobias, eventualmente policiados por algum lustro; alguma civilidade ou urbanidade.

Vi, em toda aquela baixaria, muita mediocridade e má fé, esta nos oportunistas de sempre.

 

Não podemos permitir que uns poucos desmoralizem a blogosfera em busca de afago nos próprios egos. Foi a única forma de contraposição à mídia racista, machista e reacionária que surgiu desde o advento da criação da imprensa.

Confesso que até agora não acredito no que essa gente fez. E não entendo por que fez. Até que ponto alguém pode se julgar mais importante do que uma luta como essa que se trava hoje no Brasil para democratizar a comunicação?

Se fosse alguma denúncia séria, seria o primeiro a defender que fosse apurada. Mas do que os blogueiros progressistas foram acusados?

Tento ver um lado bom em tudo que aconteceu, mas não vejo. Em meio à luta que a blogosfera trava contra os barões da imprensa golpista, enfraquecê-los é ajudar o outro lado. Quem embarcou nessa, pode ter certeza disso.

Uma crítica tão danosa, por que não discuti-la conosco antes? Por que não buscar o diálogo, antes do confronto?

Se não somos todos iguais, os blogueiros de esquerda, progressistas, feministas, anti-racistas, anti-homofóbicos e todos os outros que defendem direitos vilipendiados, ao menos suponho que estamos mais próximos entre nós do que dessa mídia criminosa.

Para acusar alguém de preconceituoso, é preciso conhecê-lo. Acusaram, genericamente, gente que não conhecem. Com base em idiossincrasias, em suposições. E em uma infeliz coincidência que fez com que só homens tivessem comparecido à entrevista com Lula.

A segunda intenção é tão clara, mas tão clara em uma questão como essa que aposto a minha vida que a grande maioria entendeu a motivação dos que fizeram esses ataques tão injustos.

E o próprio feminismo, um movimento tão importante, saiu fragilizado. Quantos não farão acusações às feminsitas, por conta desse episódio? Quantos não as dirão destemperadas por conta de um grupo que não tem a menor autoridade para se arvorar em porta-voz do movimento?

Por que essas pessoas que fazem distinção entre blogs "grandes" e "pequenos" não trabalham para fazer crescerem os seus próprios blogs? Falam como se os blogueiros "grandes" tivessem recebido alguma concessão pública de mão beijada ou algum favor de alguém.

Sou um comerciante, um vendedor de autopeças. Nunca estudei jornalismo. Quando comecei meu blog, há quase cinco anos, não tinha relação nenhuma com jornalistas ou políticos. Construí o blog escrevendo todos os cerca de 1.800 dias desse período.

Jamais me convidei para nada. Tudo de que participei, foi a convite de pessoas que nem me conheciam. E antes que venham falar de personalismo, cabe explicar que uso a primeira pessoa como exemplo, para ilustrar, para não falar de quem não sou porta-voz.

Há uma fórmula para o sucesso e outra para o fracasso. O sucesso não tem atalhos. Não se chega a ele subindo nas costas dos outros, mas construindo a própria escada. Mas há muitos atalhos para o fracasso. E o oportunismo é um deles.

 

 

Eduardo, amigo, continue sua luta.

Isso foi pura maldade.

Mas o efeito passa.

Boas festas...

Abs..

 

Eduardo, você sabe muito bem que naquela transmissão de 48 horas dos movimentos populares, esse sujeito pediu aos organizadores para excluírem as mulheres da Marcha Mundial das Mulheres, alegando que eram intelectualmente toscas. Nunca vi tamanha hipocrisia.

 

Nassif,

parabéns por manter a paciência e tentar elucidar essa torre de babel.

minha modesta opinião: a) fez bem ao elevar o termo feminazi a post. Eu não conhecia o terno tbém; fosse eu blogueiro, tbém o faria. Palavras são palavras; veste a carapuça quem quer.

b) alguém detecta um sentido pejorativo no termo e te envia, basta colocar o outro significado no post e KABOW! pronto! Vc tem o argumento, o contra argumento no post e depois os comentários... o q precisa mais?

c) toda e qquer discussão estaria confinada ao post... os contra, os a favor, e pronto! Para q tanta celeuma?

d) NEM PEDIDO DE DESCULPAS COISA NENHUMA PRECISARIA FAZER (onde está o pecado de colocar qualquer palavra para discussão? ou algumas palavras o patrulhamento deixa e outras não deixa - então não temos direito ao livre debate de idéias).

e) se o tema for realmente interessante, que se faça uma página dele, no brasilianas, por exemplo, e canalize todos debates E PROPOSTAS E LISTAS DE ADESAO para lá (não e tão simples?)

vou dar um exemplo... estou no seu blog e me deparo com um post da palavra (expressão, sei) "franga heterossáurica"...

fosse eu um ativista histérico, começaria a escrever com o fígado, acionaria mais alguns radicais de plantão e começaria uma onda de pedidos de desculpas, ataques a alvos recalcados, pediria 50 chibatadas no dono do blog e, não satisfeito com eventuais desculpas, imporia ao dono do blog também uma operação de trocas de sexo para ver como se sente uma franga... rsrs.

como sou hetero, mas não franga nem pré-histórico, e tenho profundo respeito pelas pessoas e pelo planeta (inclusive pelas minorias como MINORIA, não como ditadores de padrão para a maioria, nem tolero patrulhamento ideológico de quem quer q seja sobre querm quer que seja), o termo "franga" e "ssaurica" não faz nenhum sentido pra mim.

Leria o post normalmente, acharia graça, faria uma ou outra observação e kabow! Onde está a razão de tanta polêmica?

A não ser que....

- algumas pessoas não tem o alcance intelectual que julgam ter;

- algumas pessoas ouvem (ou lêem) alguma coisa e QUEREM interpretar outra;

- algumas pessoas se aproveitam de qquer "fuá" (barraco, discussão) para tirar proveito ou "marcar presença" (se não posso aparecer numa discussão de alto nível, aproveito qualquer brecha para marcar território - típico animal político do qto pior melhor);

- algumas pessoas, se não consiguem emplacar uma opinião num embate intelectual honesto, partem para o desqualificação do interlocutor... cansei de ver isso em assembléias de estudantes e trabalhadores (técnica velha dos radicais de direita de esquerda).
E O PIOR... Algumas pessoas, pseudo intelectuais, pseudo politizados, caem como patos nessa conversa mole.
Eu diria q é até possível um linchamento de um inocente se houver um bom (e sofismático) orador e meia dúzia de pseudo conscientes acreditando que precisam fazer justiça "já".

Essa história parece "O Processo" de Kafka... surreal!

Como sugeri ao Azenha, peço permissão para sugerir a vc:

Agora, se depois de tudas essas manifestações de apoio, com estas frases "filosóficas e inspiradoras" vc ainda ficar muito p. da vida em alguns (poucos) casos, use a tecla "F#CK!" e conquiste a tranquilidade!
- vc fala uma coisa e as pessoas querem entender outra, fique na sua e aperte F#CK!
- vc trabalha pro bem comum e sempre tem gente resmungando pelos cantos, aperte F#CK!
- vc mantém um blog para discutir grandes (e pequenos, pq não?) problemas e construir conhecimento e volta e meia aparece pentelho(a) com discussões ridículas, aperte F#CK!
- vc deixa as diversas correntes opinarem, e essas pessoas aproveitam para se promoverem ao invés de colaborar com o post, censure o comentário, sem remorsos e aperte F#CK!
- vc tenta ser politicamente correto, educado e algumas pessoas, sabendo disso, tentam crescer pra cima de vc? Mande elas pra PQP (ponte q partiu) e aperte F#CK!
- detectou gente metida a besta, sem embasamento nenhum, querendo cantar de galo, mande ir "tomate kru" e aperte F#CK!
- vc se esforça fora do comum pra manter um "blog da hora", dá um sangue danado e meia dúzia fica aporrinhando? aperte F#CK! (o blog é seu, lembra-se?)
- detectou parasitas em geral q quando a festa tá montada vem pra comer, mas não ajudam a preparar antes, não dividem a despesa, nem a limpar no final e depois exigem serem convidados pra próxima festa, sejam parentes, colegas, blogueiros e outros "espertos" em geral, bota pra trabalhar ou pra correr e aperte F#CK! (seja feliz sem depender "dos outros").

Nassif, força, felicidade, otimas festas a vc e a todos q lhe são caros, bem como a todos os convivas do blog!!!

 

Ficou meio no ar, mas me parece que se trata do 48hdemocracia, pois não?

Lembro de um momento em que o Rovai, se não me engano, concocava as jornalistas para participarem da mesa.

Já temos tempo e lugar, só faltam os personagens.

 

Hein?

 

Weden:

Muito bom o seu artigo. A questão, queiramos ou não, é cultural, passa de geração em geração. Não foi por acaso que Joaquim Nabuco disse: ""Acabar com a escravidão não nos basta; é preciso destruir a obra da escravidão".

Sobre isso vejamos o que diz Fernando Lyra, presidente da Fundação Joaquim Nabuco:

"Esta é, certamente, a frase mais conhecida de Joaquim Nabuco e, infelizmente, das mais atuais. Um século e tanto depois da abolição formal da escravatura, ainda não se destruiu a obra da escravidão. Uma das razões mais fortes e evidentes, do que podemos chamar de insubordinação à Lei de 1888, é a incapacidade de superação efetiva da mentalidade e da prática que divide os brasileiros entre senhores e escravos. A questão da terra é, talvez, a metáfora mais contundente e reveladora dessa situação imorredoura e da relação que perversamente se mantém nas cidades e campos brasileiros".

Do meu ponto de vista, além do descrito acima, que em última análise são razões profundas de ordem filogenética, que levam em consequência a razões muito arraigadas de ordem ontológicas, narcísicas. Como diria o poeta: "É que Narciso acha feio tudo que não é espelho".

Assim, racismos, sexismos e outros ismos, no fundo são questões narcísicas no nível de cada sujeito.

 

José Antônio

"... de uma hora para outra, acusou-se um grupo bastante heterogêneo de jornalistas,  debatedores, livre-opinadores de serem sexistas"

Só quero dar meus parabéns publicamente aos "sexistas" progressistas  - homens e mulheres - que foram fundamentais para a eleição da primeira Presidenta da República e que, em momento algum, apoiaram as pessoas que, nas eleições de 2010, mostrariam ao Brasil o pior tipo de campanha eleitoral a ser feito, permeado de preconceitos os mais diversos.

p.s. Sim, agora eu sei os acusadores andaram aprontando nos verões passados hehehe

 

 

    Por mais sutil que seja;por se esforçar pra ser politicamente correto;por temer sua própia condição humana que o impele a escolhas que ele mesmo as condena,por hopocresia;por sobrevivência que sua opinião exige ,não há NINGUÉM no mundo que não tenha sua dose de preconceito.

       É certo que muitos lutam bravamente pra não ser detectados.Uma espécie de vergonha de si mesmo e tbm uma fraqueza,o distinto sabe,que gostaria de se livrar.

    Não é uma questão de gênero e sim de grau.Todos,absolutamente todos,temos,uma partícula que seja, de preconceito.Assim como todos nós somos pecadores.

    A luta é se livrar de preconceitos pecaminosos.Não é uma tarefa fácil.Escrevo isso pra aqueles que querem se libertar, e não pros ''donos da verdade'' que, são os mais pecadores preconceituosos.

          ''Vc será julgado na mesma  maneira que julga os outros''( palavra bíblica de Jesus simplificada) é de importante reflexão.Se nós formos mais misericordiosos,perdoando e pedindo perdão,olhando o mundo como um ciclo mínimo da nossa efêmera existência,enxergaremos com clareza ,desprendida de egoísmo e egocentrismo, o que Jesus nos ensinou.

       Como um voraz leitor de todas as correntes religiosas, um uníssimo se destaca em todas as correntes: O segredo da felicidade é a paz.E ela só é alcançada com a morte do ego.

         Por isso desejo ,neste dia, que todos ''morram'' pra poderem ser livres e felizes.

                    Façamos valer a pena o sacrifício Dele.

                   Abraços a todos!

 

Também importante, Anarquista sério, é correr atrás do bicho e segurá-lo pelo rabo. Não fugir do trem. Jesus também disse: "Ninguém é profeta em casa." 

 

preconceito é simplesmente expressa uma rejeição. se vc nao expressa, td bem.

 

Porque sou assim um ser - digamos - normal, é que aplaudo seu texto. (Já sei: " de perto ninguém é normal" etc.  etc.)

Somos o que somos e uns um pouco mais, outros um pouco menos expressamos vez ou outra nossos exageros ou escondemos nossos preconceitos etc. etc.

Ótimo texto.

 

Odonir Oliveira

“A colheita é comum, mas o capinar é sozinho” G. Rosa

          

Olá, gostaria de compartilhar um breve relato:

Quando fui votar nessa última eleição, saí do local de votação e fiquei papeando com um pessoal do lado de fora, como eu eleitores da Dilma. Tinha uma turminha de senhores nesse grupo, e a certa altura fiquei ouvindo dois tiozinhos falarem:

"Mas ela é mulher, será que vai dar certo? Porque as mulheres não tão dando muito certo, né? No Chile, na Argentina..."

"Ué, dando certo ou errado, não é por ser mulher, mizifí. Homens já vêm fazendo tanto bons como maus governos, e aí?"

"É mesmo, tem razão..."

Não me choquei diante da explícita demonstração de machismo, porque entendi na ocasião como sendo uma coisa de geração, de educação. Pensei na hora que os preconceitos são culturais. Achei a reação do outro senhor adequada e suficiente para o momento. E o assunto morreu ali. Falamos de tomar umas cervejas qualquer dia, nos despedimos e a vida seguiu.

Walt Whitman é um poeta de que gosto muito, é um cara que cantou o corpo, a liberdade, inspirou os beatniks, né? Como ele mesmo dizia, ele "não tinha nada que ver com as instituições".  Ele foi jornalista, dos tempos românticos do jornalismo, com o entusiasmo de capturar no jornal o "momento imediato" da pulsação da sociedade, que era a própria pulsação da VIDA.  Que  legal. Pois é, mas o cara tinha lá uma posições bem conservadoras. Naquele momento em que havia toda um movimento pela abolição dos escravos, Whitman não era o que se pudesse chamar de "abolicionista". Além disso, Whitman reclamava dos imigrantes, que em sua visão tiravam os empregos dos americanos nativos... Veja você. Mas será que vou amá-lo menos por isso?

Lembro também do Eça de Queirós como uma voz crítica ao anti-semitismo naquele momento na Europa. As pessoas tinham "bronca" com os judeus que eram cultural e financeiramente bem-sucedidos. E na hora que o "bicho pega", é sempre conveniente achar um bode expiatório para mobilizar os rancores, como a História nos ensina. É certo que judeu não gostava de se misturar com a cultura local, preferindo viver no seu próprio mundo, e isso é um crítica realmente. Para onde quer que se olhe o inferno são os outros, como diria o tio João.

Enfim, há bandeiras legítimas, mas existem maneiras e maneiras de defendê-las. Reconheço que há momentos em que é preciso gritar para se fazer ouvir. Mas conquistar de verdade o coração do outro é muito mais difícil. Implica no esforço do diálogo, da persuação firme porém amorosa. Leva tempo e não há resultado garantido. Mas é aí que se engendra a mudança cultural, não é mesmo?

É só uma pequena reflexão, que deixo em aberto.

Abraços.

 

Texto lúcido, esclarecedor, que coloca o debate no trilho certo.

 

Meu caro amigo Weden, você me prestou um grande favor. Desde que surgiu aqui no Blog, essa polêmica sobre sexismo tem me intrigado. Eu pretendia fazer um comentário expondo exatamente os argumentos que você apresentou agora. Mas eu estava pisando em ovos, com receio de ser mal interpretado. Creio que você resolveu a equação. Para dizer tudo o que você disse, é necessário extremo cuidado. E você foi muito feliz. Expôs com propriedade e de forma a ser bem compreendido. Qualquer palavra mal colocada poderia fazer com que recebesse um rótulo negativo.

Por causa disso, você conseguiu abrir uma estrada pela qual poderemos debater a questão com mais abrangência e sem receios.

Obrigado, amigo. 

 

 

Cafezá..

Eu também estava há uma semana pensando qual seria o momento certo para escrever. E também, da mesma forma, li e reli algumas vezes, para ver se não deixei espaço para o saco de maldades em que se transformou a rede nos últimos dias em relação ao tema..

Sabe como é né?

Abs.

 

Salve o debate democrático e respeitoso!!!

 

 

Sim..

A acusação genérica e oportunista é sempre leviana.

Que mau passo esse...

Vamos continuar o debate, sereno e franco, proposto pelo Nassif..

Abs.