Revista GGN

Assine

Só transferir renda não reduz pobreza, diz Fagnani

Pobreza não diminuiu só com Bolsa Família

Por João Paulo Caldeira, no Brasilianas.org
Da Agência Dinheiro Vivo

Em relatório recente, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) elogiou os “avanços extraordinários nos últimos dez anos” do Brasil, afirmando que “jamais se viu a pobreza e a desigualdade caírem tão depressa”. Grande parte dessa melhora se deve, segundo a entidade, ao programa Bolsa Família. Mas, apesar dos avanços, a Organização defende que o país ainda deve promover reformas ortodoxas, como da Previdência Social.

Esta visão foi confrontada pelo economista da Unicamp Eduardo Fagnani, no 16º Fórum de Debates Brasilianas.org - O Consumidor Invisível, realizado na última terça-feira (1), em São Paulo. Apesar de concordar com o fato de que a pobreza e a desigualdade caíram, Fagnani não acredita que isto se deve somente ao Bolsa Família.

Para o economista, a OCDE reflete a visão pregada pelo Banco Mundial, largamente difundida nos anos 90, de que somente uma estratégia - em geral, um único programa de transferência de renda - seria suficiente para erradicar a pobreza. Esta ideia valoriza uma ação focalizada, de benefício à pessoas de baixa renda, em detrimento de programas universais, como o Seguro Desemprego e a Previdência Social. ”O que está por trás disso é um ajuste fiscal. Um programa de transferência, como o Bolsa Família, por exemplo, custa 0,6% do PIB, e a seguridade social custa 8%”, afirmou Fagnani. “Ao enfatizar a importância do Bolsa Família, a OCDE minimiza, por exemplo, o papel do salário mínimo como motor do consumo e, portanto, do desenvolvimento brasileiro”.

Ele não acredita que somente um programa de transferência de renda possa ser capaz de reduzir a pobreza, e cita o exemplo do México, que tem o programa Oportunidades, “que é muito semelhante e anterior ao Bolsa Família, e a pobreza hoje no México é de 44%”. O economista declarou que a redução da pobreza e da desigualdade se devem ao crescimento econômico, ao aumento real do salário mínimo, às políticas universais e às políticas de combate à pobreza.

A pobreza no mundo, entre 1980 e 2001, caiu de 40% para 20%, principalmente na Índia e na China, que teve uma taxa média de crescimento de 9% no período. Em contraste, o Brasil, na década de 90, cresceu em média 1,7%, “uma das quatro piores taxas de crescimento”, completou. Entre 2004 e 2010, a média de crescimento do PIB brasileiro ficou na casa dos 5% anuais.”Pela primeira vez em 25 anos, a questão do crescimento econômico volta a fazer parte da agenda do governo”. Para o palestrante, um dos pontos fundamentais para o crescimento foi o aumento do crédito, que subiu de 20% para quase 45% do PIB. Conjuntamente, foram criados 16 milhões de empregos formais e houve uma queda no desemprego, de 12,7% para 5%.

Em relação ao salário mínimo, o economista da Unicamp explicou que, entre 2000 e 2011, ocorreu um aumento de 100% em termos reais.”Este é outro fator que explica o dinamismo econômico e a melhoria das condições sociais”. O aumento do salário mínimo se reflete diretamente em diversas políticas universais, como na Previdência Social, que beneficia em torno de 33 milhões de pessoas. “Tem estudos que mostram que, se não fossem esses benefícios de seguridade, a linha de pobreza dos idosos, que hoje é em torno de 10%, seria em torno de 70%”.

Os programas de combate à pobreza, não só o Bolsa Família, também influenciaram no avanço social do país

“Há várias políticas de assistência social que estão sendo seguidas: políticas de segurança alimentar, Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], programa de microcrédito produtivo, programa de economia solidária”.

Para Fagnani, o importante é a convergência entre ações universais e focalizadas. “Esse é o legado do Lula: uma política de desenvolvimento econômico solidário com o desenvolvimento social, baseado no emprego, na renda, e convergência entre política universal e a política focalizada, que antes eram vistas como antagônicas”.

O economista também chama a atenção para alguns pontos, como a questão do campo, que tem apresentado taxas de crescimento do PIB e redução da desigualdade maiores que na cidade, além da queda do êxodo rural pela metade. Outra política que ele julgou fundamental foi o Programa Luz para Todos, que atende 13 milhões de pessoas no campo, gerando também um impacto sobre o consumo e a renda. “Quem recebe energia elétrica compra geladeira, televisão, computador, entre outros”.

Sem votos
19 comentários

Comentários

Espaço Colaborativo de Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
+19 comentários

Eduardo Fagnani e o Bolsa-família.

É impressionante como os ditos sabichões economicos,ficam com comichões, quando os menos letrados e menos famosos nesta ciencia, ouzam e acertam, e contrariam suas teorias.

Desta vêz é o Eduardo Fagnani, que tenta provar o impomderável, quando desmerece toda a revolução que este programa social, obteve na colocação de quase 1/3 dos brasileiros, na situação de cidadania.

Cegueira tem limites, né não ? E em se tratando da magnânima sabedoria do citado economista, o mínimo que eles podiam fazer, era comprar uns metros de corda e enforcar-se.

 

O preço da liberdade, é a eterna vigilancia.

Só transferir renda não reduz pobreza, inclusive a espiritual.

 
 

O preço da liberdade, é a eterna vigilancia.

 

Para a direita conservadora, mudar nada é mais seguro.Ter barraco sem nada é mais "confortável".Já, para a esquerda de HH e MSilva, tudo tem que ser "a toque de caixa" e, eles, nunca vão desistir de procurar pela varinha mágica. Na democracia real, as mudanças vão acontecendo de forma gradual, equilibrada e com muita participação da sociedade.

 

De analista eu estou "porrr aqui", pelas razões que o Nassif expos no outro post, que já havia lido mais cedo na Carta Capital!

 

FORA TEMER

Arte é Luz - União e Olho Vivo

Simples transferencia de renda não reduz a pobreza , agora se chega a esta conclusão , quando muitos batem nesta tecla desde o começo . Atitudes pontuais tem que se implementar ao bolsa família para que ele não passe deu uma mera filantropia com fins eleitoreiros .

O Chile é um exemplo para   nós em termos de educação , saúde e saneamento , com planejamento a longo prazo , não pensando na próxima eleição e nem querendo ser o governanante mais   popular , um mixto de animador de auditório e governante . O que o povo quer é dignidade , e isso vem com uma boa educação que qualifica para um emprego com uma remuneração suficiente para o provedor da familia desfrutar das coisas boas e positivas da vida sem a necessidade do auxilio de politícos demagogos que querem é se arrumar juntamente com sua turma .

 

O Chile planejou e executou um programa de transferência do que deve ser serviço público universal para privilégio particular segregado. Ou seja: privatização.

O resultado foi um impressionante aumento na desigualdade social e famílias chafurdadas em dívidas impagáveis para os espertinhos empresários do ensino.

É impressionante como alguns ainda insistem no falido sistema neoliberal.

Ainda bem que no Brasil o Lula jogou o receituário dos Hayeks da vida no lixo, e implantou um programa complexo de melhoria da vida do povo. Bolsa-família, aumentos reais (embora tímidos) nos proventos da Previdência Pública, aumentos reais (maiores...) no salário-mínimo, acesso dos pobres ao ensino superior, Territórios da Cidadania mudou a vocação econômica de cidades antes dominadas pelo Coronelismo, e muitos outros programas.

Ainda falta enfrentar a mídia e garantir o financiamento do SUS para que tenhamos saúde pública de qualidade européia.

Com determinação, a Dilma chega lá.

 

 

 

 

O Chile que voce fala é aquele que os estudantes estão nas ruas com a policia batendo por causa da tentativa de privatizar a educação?

 

alexandre toledo

o Brasil, na década de 90, cresceu em média 1,7%, “uma das quatro piores taxas de crescimento”, completou.

Década de 90 = FHC

Entre 2004 e 2010, a média de crescimento do PIB brasileiro ficou na casa dos 5% anuais.

2004/2010 = Lula

E a direitada peessedebê/pefelê/demo/pepeessiana ainda quer discutir?

 

Primeiramente: FORA TEMER! E pra encerrar: FORA TEMER!

Faz assim compara o resto do mundo e veja como foi o desempenho do Brasil na decada de 90.

Verá que o PIB mundial passou de 30 para 33 trilhões de dolares na decada de 90 e depois passou de 33 para 61 trilões de dolares no periodo posterior.

 

“uma das quatro piores taxas de crescimento”,

 

Muito difícil não concordar com ele. vale somar as mudanças em termos de mercado interno e externo, implementadas por este governo, com a abertura de crédito e investimentos internos, com financiamento não apenas para consumo, mas para máquinas industriais, e a multiplicação de parceiros no mercado externo, incluindo aí os investimentos na África, assentando uma política desenvolvimentista alinha ao cone Sul e que, em médio prazo, propicia também o desenvolvimento interno. Essas são as principais virtudes; não cabe, porém, esquecer dos principais vicios - será necessário falar quais são?

 

Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica

Uma foto reproduzida recentemente parece ser o resumo do momento.

Uma família de favelados se equilibra num barranco de um morro carioca ao mesmo tempo que admiram uma máquina de lavar roupas novinha em folha.

O cidadão se acomoda num barraco, não tem "plano de saúde", seus filhos estudam naquela escola. Mas eles tem capacidade de compra. 

 

Melhor com a máquina, e com comida do que sem. Ou não ?

Não adianta achar que vamos acordar um dia e todos os problemas estarão resolvidos, todo mundo vai ser classe média. Até porque não é isso que  acontece em nenhum lugar do mundo. Só se melhora melhorando um pouco de cada vez e é isso que temos feito.

A não ser que a questão seja mais profunda de igualdade mesmo entre as classes - como muita gente ultimamente deu a entender que deveria ser os tratamentos do SUS, iguais os da iniciativa privada - ai só mesmo com revolução.

 

Não se preocupe, o "minha casa minha vida" foi criado pra resolver a questão do barraco.

E com todos os seus defeitos, ja é o maior e mais efetivo programa habitacional ja executado no país.

 

"supotamente" e o maior programa, mas não beneficia em sua maioria que realmente necessita.

 
 

O preço da liberdade, é a eterna vigilancia.

Como não beneficia se a imensa maioria das habitações são pra faixa de renda mais baixa ???

 

"Minha Casa" entregou, até outubro, 44% das moradias da primeira fase


Autor(es): Por Samantha Maia | De São Paulo Valor Econômico - 07/11/2011  

O programa Minha Casa, Minha Vida, iniciado em abril de 2009, entregou até o fim de outubro 438.449 moradias referentes à primeira fase, cujas contratações terminaram em dezembro de 2010. Isso representa 43,6% do total de um milhão de unidades contratadas. A expectativa do governo federal é que todas as unidades sejam entregues até o último trimestre do ano que vem.

"Houve um grande volume de contratação no último quadrimestre de 2010 e por isso as entregas vão se estender até outubro do ano que vem", diz o diretor de habitação da Caixa Econômica Federal, Teotônio Costa Resende. De acordo com o diretor, o prazo de entrega dos imóveis está demorando entre 15 e 18 meses.

A faixa que possui mais moradias entregues é a segunda, para famílias com renda de R$ 1,6 mil a R$ 3,1 mil, com 80% das obras prontas na primeira fase do programa. Segundo a Caixa, isso ocorre porque os investimentos nessa faixa são mais pulverizados - os condomínios são menores, o que permite que o prazo de entrega seja mais rápido.

Na primeira faixa (renda até R$ 1,6 mil), que tem subsídio total do governo, e está hoje com 67 mil casas entregues (15% do contratado), os prazos de entrega têm sido maiores, porque muitos empreendimentos chegam a ter 500 unidades, segundo justificativa da Caixa. Na faixa de renda mais alta (de R$ 3,1 mil a R$ 5 mil), cuja meta de contratação foi menor que as demais (200 mil, enquanto nas outras duas faixas eram 400 mil), no momento há apenas 25 mil moradias concluídas.

Os 404 mil imóveis contratados na primeira fase do programa para famílias com renda até R$ 1,6 mil devem terminar de ser entregues ainda no primeiro semestre de 2012, segundo o diretor da Caixa. Além das 67 mil que ficaram prontas até o dia 26 de outubro, há outras 180 mil a serem entregues até o fim do ano. "Cerca de 90 mil imóveis estão prontos, em fase de legalização dos documentos. Outros 90 mil têm mais de 90% das obras concluídas", diz Resende.

Da segunda fase do programa, iniciada em janeiro de 2011, já foram entregues 115.190 casas. Nesse caso, são financiamentos concedidos diretamente a pessoas físicas destinados à compra de casas prontas e financiadas pelas próprias construtoras. A regra do Minha Casa, Minha Vida é que podem ser incluídas moradias que receberam o "habite-se" a partir da vigência do programa.

Somando as duas fases do programa, foram contratadas pela Caixa, até o fim de setembro, 1.265.933 habitações do Minha Casa, Minha Vida, um total de R$ 72,6 bilhões de investimento. Os desembolsos totais do programa chegaram a R$ 30,4 bilhões, 42% do valor contratado até setembro deste ano.

Antes do Minha Casa, Minha Vida, essa média do prazo para entrega das obras era de 12 a 15 meses, menor do que os 15 a 18 meses de hoje. Segundo Resende, o que provocou esse aumento foi o crescimento do número de habitações por empreendimento, o que fez com que o tempo necessário para realização da obra fosse alongado. "O prazo varia de acordo com o tamanho do projeto. A média, que era antes de 300 unidades por condomínio, hoje está em 500, aumentando o período necessário para a conclusão", diz ele.

Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), porém, a dificuldade do mercado para atender à demanda criada pelo programa habitacional é que tem feito os prazos para entrega das moradias se estenderem, principalmente atrasos relacionados à dificuldade de contratação de mão de obra.

"Não conheço nenhuma empresa que conseguiu cumprir o prazo inicial do contrato, por conta do aquecimento do mercado. Há projetos com prazo de até 24 meses", diz João Carlos Robusti, vice-presidente de habitação popular do Sinduscon-SP. O executivo afirma que não era um procedimento comum da Caixa alongar os prazos para a entrega dos empreendimentos habitacionais.

O diretor da Caixa nega que tenha havido uma mudança de posição da instituição em relação aos períodos de execução das obras. Segundo ele, prazos superiores a 18 meses são pontuais, como construções com até 3 mil unidades, cuja entrega é realizada por módulos. "O prazo para a execução das obras é dado em função do perfil do empreendimento", diz.

Entre outros casos pontuais, que exigem revisão das datas de conclusão, Resende cita situações como excesso de chuva, dificuldade na contratação de funcionários e greves. "Mas são fatos pontuais, não fazem parte da rotina no programa, e quando ocorre, cada caso é analisado separadamente", diz. O diretor afirma que a maioria das construtoras com financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida manteve os prazos acertados na assinatura do contrato com a Caixa.

 

 Troll! Troll! Troll! Troll! Troll!