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Sobre o crescimento dos bancos públicos em 2012

Do Terra Magazine

Esses bancos maravilhosos e suas máquinas emperradas

Rui Daher

Depois que o governo determinou aos bancos públicos, especialmente Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), que abrissem as burras do crédito a juros mais baixos, conversando com executivos de bancos privados, cansei de ouvir vaticínios do tipo “vamos ver os resultados quando forem publicados os balanços”.

As expectativas eram de queda na lucratividade, mais inadimplência e imediato recuo. Aos bancos privados ficaria reservada a receita do sucesso com caldo de galinha.

Os resultados saíram e o que se viu não foi bem o que as instituições financeiras privadas previam e queriam.

Tanto BB como CEF tiveram lucros recordes, ganharam participação de mercado e não aumentaram a inadimplência.

Lucros? 12,2 e 6,1 bilhões de reais, respectivamente. Participações? 20,4% e 15%. Por lá, tudo cresceu. Menos os calotes.

Pelos lados vermelho, azul e laranja tudo desceu, menos os canos.

Para a menor inadimplência dos bancos públicos chegam explicações várias. A mais batida: seu crédito é direcionado para investimento, crédito agrícola e imobiliário. Uai, mas não é disto que precisamos?

Mas nem mesmo isso é tão verdade, pois os aumentos de participação mais expressivos de BB e CEF ocorreram no segmento de pessoas jurídicas.

O Brasil é bom de justificativas. Daí que muitas mais virão. Como também esperanças de que tudo ainda vá piorar para os bancos públicos.

Não creio. Também eles estão aliviando o pé na tábua.

Dito isso, pera nos dois. Melhor, pedra, pera pode ser macia e saborosa.

Há uma situação, porém, em que públicos e privados se confundem numa só trava: seus sistemas operacionais.

Não é pra fazer tudo pela internet? Não chegam milhares de malas diretas diariamente para vocês? Não se inventam cartões, senhas, tokens, chaves de segurança e fenda a cada santo dia?

Por que, então, a necessidade de tantas agências, e em todas elas guichês de caixa desabitados e filas de usuários intermináveis?

Por acaso, cortar o número de funcionários é mais fácil do que reduzir os spreads? Falta de pessoal suficiente para o bom atendimento nas agências ajuda a aumentar a verba destinada à propaganda?

Seria bom lembrar que a cobrança de pesadas tarifas nos serviços bancários deveria incluir melhor atendimento aos clientes. Deve ter sido essa a finalidade dos aumentos nas tarifas imediatamente após baixarem os juros, certo?

São perguntas tolas. Ignoradas ou facilmente explicadas à sociedade por quem ganhou de presente um sistema econômico e dele abusa. 

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O que acontece é a péssima cultura do brasileiro de querer sempre que outro faça a coisa por você, uma coisa tão simples como pagar uma conta de luz poderia ser feita no caixa eletrônico, mas há sempre aqueles que tem preguiça e preferem pegar a fila do caixa. Vai entender.

 

 

Os empresários deste país não acreditam no capitalismo, preferem o mercantilismo e viver debaixo de privilégios regulamentados pelo Estado.

 

É irônico que é sob um governo petista que poder público pratique as leis do mercado ..... rsrsrrsrsr 

 

Sou cliente do BB há 34 anos. O Banco do Brasil trás  o cliente na corda curta. Atingiu o limite do cartão, bloqueia, nem considera se o credito é rotativo ou não. Este mês até pensei que meu cartão tivesse sido clonado, tinha feito compras parceladas e nem me atentei para o limite - resultado BB bloqueou. Aí oferece emprestimo consignado, etc. Não dá credito de mão beijada. Enquanto que os bancos particulares oferecem cartões com limites 10 vezes maiores e nem lhe conhece.

 

Durante decadas, ouvi que o sistema bancario brasileiro era o melhor do mundo, por isso passava incolome pelas crises.

Com os juros de 45% ao mês era facil ser competente.

Hoje o que vemos é um certo banco paulista com resultados piores a cada dia. O mais impressionante é seu proprietário, em entrevista continuar afirmando que o Governo esta errado, e ele manterá seus objetivos/metas e atuação sem mudanças.


SE EU TIVESSE CONTA NESSE BANCO JÁ TERIA TIRADO, ELE VAI QUEBRAR.


 

Rui Daher:

Está havendo uma revolução silenciosa no sistema bancário.

A parte mais evidente é a ação - bastante lucrativa - dos bancos públicos.

Mas o que mais me chamou a atenção, Brasil afora, são as imagens de um novo sistema que está se desenvolvendo no país.

A imagem a seguir, acredite se quiser, é do site do professor Hariovaldo. E retrata bem o que está acontecendo e que me impressionou, os bancos comunitários:

Banco comunitario

 

A eficiência e o lucro dos bancos estatais é impressionante e nos lembra dos mantras das privatizações, as chatices de desregulações, menos Estado, blá blá blá.

Nas duas últimas décadas aconteceu um violento processo no mercado bancário onde a mão de obra foi substituída pela automação. As demissões e pressões por metas ainda persistem, objeto de queixas sindicais à OIT. E o lucro? vai muito bem, como na iniciativa privada. Banco, no Brasil, é uma galinha dos ovos de ouro. Aqui, a agiotagem foi institucionalizada e, como bem sabemos, a cultura dos usuários não é o bastante para por fim à dependência suicida do crédito.

Não importa como os juros baixam ou seriam fixados artificialmente: junto com a tarifas escorchantes, brindamos com um dos ônus mais caros do mundo quando tomamos emprestado. O acinte fica escrachado quando depositamos as moedas do cofrinho para auferir 0,5% a.m., de 10 a 20 vezes MENOS ao que pagamos nos papagaios.

Como na telefonia, redes de dados, estradas esburacadas e filas do SUS, participamos de uma sociedade de capital e nós, com o trabalho.