Revista GGN

Assine

Votação na ONU divide ocidente, diz Fisk

Por Marco Antonio L.

O Oriente Médio nunca mais será o mesmo

Por Robert Fisk, no The Independent

Os palestinos não conseguirão seu estado essa semana. Mas os palestinos provarão – se obtiverem votos suficientes na Assembleia Geral e se Mahmoud Abbas não sucumbir à sua subserviência característica ante o poder de EUA-Israel – que já fizeram por merecer ser estado.

E estabelecerão para os árabes o que Israel gosta de chamar – enquanto amplia suas colônias em terra roubada – “fatos em campo”: nunca mais EUA e Israel estalarão os dedos e verão árabes bater continência perfilados. Os EUA perderam a aposta que fizeram para o Oriente Médio. Acabou: fim do “processo de paz”, do “mapa do caminho”, do “acordo de Oslo”. Esse fandango já é história.

Pessoalmente, acho que “Palestina” é estado-fantasia, já impossível, agora que Israel já roubou quase toda a terra dos árabes, para os projetos coloniais israelenses. Quem duvidar, que dê uma olhada na Cisjordânia. Colônias em massa, exclusivas para judeus, as daninhas restrições que impedem palestinos de construírem casas de mais de um piso, e a destruição, como castigo, do sistema de esgotos urbanos, os “cordões sanitários” ao lado da fronteira com a Jordânia, as estradas exclusivas para colonos israelenses, tudo isso converteu o mapa da Cisjordânia em pára-brisa esfacelado de carro detonado. Às vezes, suspeito que a única força que impede que haja ali a “Grande Israel” é a obstinação daqueles palestinos incansáveis.

Mas, agora, se fala afinal de temas maiores. Essa votação na ONU – na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança; em certo sentido, nem faz diferença – dividirá o ocidente: EUA de um lado; árabes, de outro. Abrirá em fendas as divisões que há dentro da União Europeia, entre europeus do leste e europeus do oeste; entre Alemanha e França (Alemanha apoiando Israel pelas razões históricas de sempre; a França atormentada pelo sofrimento dos palestinos). E, claro, será como cunha cravada entre Israel e a União Europeia.

Décadas de poder, brutalidade e colonização, pelos militares israelenses; milhões de europeus, já conscientes da responsabilidade histórica que pesa sobre eles pelo holocausto de judeus e conhecedores da violência das nações muçulmanas, já não se deixam acovardar na crítica, por medo de serem ofendidos, acusados de antissemitismo. Há racismo no ocidente – e temo que sempre haverá – contra muçulmanos e africanos e judeus. Mas as colônias israelenses na Cisjordânia nas quais não podem viver árabes palestinos muçulmanos são o quê, além de expressão de racismo?

Israel sofre parte dessa tragédia, é claro. O insano governo israelense levou os israelenses por esse caminho de perdição, que se viu adequadamente sintetizado no medo que lhes causou a democracia na Tunísia e no Egito. O principal aliado de Israel é hoje a Arábia Saudita, o que é caso exemplar de toda essa insensatez. E a cruel recusa, por Israel, a desculpar-se pela matança de nove turcos, ano passado, em ataque contra a Flotilha da Paz em Gaza, e de cinco policiais egípcios durante incursão de palestinos em Israel.

Por tudo isso, adeus aos únicos aliados que Israel ainda tinha na região, Turquia e Egito, no curto espaço de 12 meses. No governo de Israel há hoje gente inteligente, potencialmente equilibrados, como Ehud Barak, e loucos, como o ministro dos Negócios Exteriores Avigdor Lieberman (...). Sarcasmos à parte, os israelenses merecem coisa melhor.

O estado de Israel talvez tenha sido criado por ato injusto – a Diáspora Palestina é prova disso – mas foi criado por ato legal. Os fundadores foram perfeitamente capazes de construir acordo com o rei Abdullah da Jordânia depois da guerra 1948-49 para dividir a Palestina entre judeus e árabes. Mas foi a ONU, que se reuniu para decidir o destino da Palestina dia 29/11/1947, quem deu a Israel sua legitimidade, com EUA como primeira nação a votar a favor de criar-se o estado de Israel. E agora – por uma suprema ironia da história –, Israel quer impedir que a ONU garanta legitimidade aos árabes palestinos e os EUA serão a primeira nação a votar contra essa legitimidade justa.

Israel não tem direito de existir? É a velha armadilha, estupidamente repetida pelos assim ditos “apoiadores de Israel”, também para mim, pessoalmente, muitas vezes repetida, embora, ultimamente, cada vez menos frequentemente. Cabe aos estados – que não são seres humanos – assegurar a outros estados o direito de existir. Para que indivíduos façam a mesma coisa, é indispensável que considerem um mapa. Porque, afinal, onde, exatamente, geograficamente, fica Israel?

Israel é a única nação do planeta que não sabe e não diz onde está sua fronteira leste. Acompanha a velha linha do armistício da ONU, a fronteira de 1967, que Abbas tanto ama e Netanyahu tanto odeia? Exclui toda a Cisjordânia palestina menos as colônias exclusivas para israelenses... Ou exclui toda a Cisjordânia?

Mostrem-me mapa do Reino Unido que inclua Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, e o Reino Unido tem direito de existir. Mas mostrem-me mapa do RU que pretenda incluir no RU os 26 condados da Irlanda independente e mostre que Dublin seria cidade britânica, não cidade irlandesa, e direi não: essa nação não tem direito de existir nessas fronteiras inchadas. No caso de Israel, aí está a razão pela qual quase todas as embaixadas ocidentais, inclusive as embaixadas dos EUA e da Grã-Bretanha, estão instaladas em Telavive, não em Jerusalém.

No novo Oriente Médio, com o Despertar Árabe e a revolta de povos livres que exigem dignidade e liberdade, esse voto da ONU – aprovado pela Assembleia Geral, vetado pelos EUA se for para o Conselho de Segurança – constitui uma espécie de pino que faz girar tudo que a ele esteja ligado: vira-se aí uma página, e marca-se também o fracasso do império.

A política externa dos EUA tornou-se de tal modo presa a Israel, tão temerosos, tão assustadiços ante Israel tornaram-se quase todos os deputados, deputadas, senadores e senadoras dos EUA – a ponto de amarem mais Israel que os EUA –, que os EUA, essa semana, deixarão de ser a nação que gerou Woodrow Wilson e seus 14 princípios de autodeterminação, não o país que combateu o nazismo e o fascismo e o militarismo japonês, não o farol da liberdade que, como nos dizem, os seus Pais Fundadores representaram –, e se revelarão ao mundo como estado autista, intratável, acovardado, cujo presidente, depois de prometer novo afeto ao mundo muçulmano, é forçado a apoiar uma potência ocupante contra um povo que nada pede além do reconhecimento do estado independente ao qual tem perfeito direito.

Será o caso de dizer “pobre velho Obama”, como eu disse em outros tempos? Acho que não. Bom de retórica, vão, superficial, distribuindo fingido respeito em Istanbul e no Cairo poucos meses depois de eleito, essa semana o mesmo Obama comprovará que a reeleição parece-lhe mais importante que o futuro do Oriente Médio; que sua ambição pessoal de continuar no poder supera, em importância, os sofrimentos de um povo que sobrevive sob ocupação. Nesse específico contexto, chega a ser bizarro que alguém que se apresenta como homem de tão altos princípios aja tão covardemente. Para o novo Oriente Médio, onde árabes exigem para eles os mesmos direitos e liberdades dos quais Israel e EUA dizem-se campeões, é tragédia profunda.

Na fonte de tudo estão os fracassos dos EUA, que não se ergueram para enfrentar Israel e que não insistiram em obter acordo de paz justo na “Palestina”, atrelados ao herói da guerra do Iraque, Blair. Os árabes também são responsáveis, por terem permitido que as ditaduras durassem tanto tempo, tentando conter dunas de areia com falsas fronteiras, velhos dogmas e petróleo (e que ninguém acredite que alguma “nova” “Palestina” seria um paraíso para seu próprio povo).

E Israel também é responsável, porque é dever de Israel acolher respeitosamente o pedido dos palestinos que requerem à ONU que reconheça o estado palestino e que cumpra todas as suas obrigações de garantir, com o reconhecimento, como de tantos outros estados-membros, segurança e paz também aos palestinos.

Mas nada disso acontecerá. O jogo está perdido. O poder político dos EUA no Oriente Médio essa semana será sacrificado aos pés de Israel. Servicinho vagabundo, esse, dos EUA, em nome da liberdade...

Sem votos
34 comentários

Comentários

Espaço Colaborativo de Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
+34 comentários

Gente, é preciso ler e enxergar os erros...

o Robert Fisk escreve: "...Israel é a única nação do planeta que não sabe e não diz onde está sua fronteira leste. Acompanha a velha linha do armistício da ONU, a fronteira de 1967, que Abbas tanto ama e Netanyahu tanto odeia? Exclui toda a Cisjordânia palestina menos as colônias exclusivas para israelenses... Ou exclui toda a Cisjordânia?...No caso de Israel, aí está a razão pela qual quase todas as embaixadas ocidentais, inclusive as embaixadas dos EUA e da Grã-Bretanha, estão instaladas em Telaviv, não em Jerusalém...".

Ele MENTE! Sabem por quê? Porque Jerusalém NÃO PODE ser capital de Israel, por recomendação da ONU antes da criação do Estado de Israel! Nem da Palestina ela poderia ser, por princípio! É cidade sagrada para três religiões - duas delas representadas majoritariamente em sua população, e possui status diferenciado reconhecido pela comunidade internacional! Berlim também teve este status, durante a Guerra Fria - não era capital da Alemanha Ocidental (era Bonn), mas a Alemanha Oriental manteve seu governo lá, ainda que sob protesto da OTAN. Israel faz hoje o mesmo: mantém sede de governo na cidade, que não é reconhecida como capital pela comunidade internacional - esta mantém em Telaviv suas embaixadas. Percebem a malícia? O esconder das arbitrariedades?

E não é só isso, não: tem um festival de meias-verdades: em novembro de 1947, as Nações Unidas só "recomendaram" a partição da Palestina em um Estado judeu, um Estado árabe e uma administração direta das Nações Unidas sob Jerusalém. A partição foi aceita pelos líderes judeus e os países ocidentais - mas rejeitada pelos líderes árabes e a URSS (a URSS tinha pode de veto no CS, lembram? - portanto, Israel não poderia ser criada pela ONU). Israel declarou independência em 14 de maio de 1948 (unilateralmente), com os ingleses saindo do país em seguida (havia um mandato de administração inglesa na Palestina vigorando, que acabou horas antes) e seis (!) estados árabes vizinhos atacaram o país no dia seguinte. Perderam, e Israel ocupou tudo. Os árabes não reconheciam Israel, e Israel não reconhecia o direito à Palestina. Isso foi cedendo com o passar dos anos, e acordos de mútuo reconhecimento e paz foram feitos com o Egito, a Jordânia e outros. Israel fez guerras e invasões depois (o Líbano é um exemplo), mas também cedeu à pressões internacionais (depois da Intifada), permitindo a criação da Autoridade Palestina e cedendo territórios (os mesmo que hoje são ocupados por assentamentos judaicos). Quem está certo, quem está errado? Cada um que decida por si, em seu foro íntimo...Agora, não lembrar dos fatos ou esconder a verdade, fazer ilações desarrazoadas ou mentir sobre a história por postura ideológica não é mais possível. A informação está na web, a um clique, para quem quiser saber! Não podemos mais nos dar ao luxo da ignorância!

Desculpem o desabafo! Abs.

 

DEUS SALVE OS PALESTINOS! BOICOTE, JÁ!  Agora, ninguém mais poderá dizer que não sabe, não ouviu, não entende essa história. Tudo que já se discutiu na Internet sobre o assunto dos palestinos daria um Tratado, um LIVRO DE MUITAS PÁGINAS. Está claro que o estado de israel é um fora da LEI e, os eua também, por se juntarem aos tais, não se contrapondo aos jogos mortais e nefandos dos sionistas.

[...]E estabelecerão para os árabes o que Israel gosta de chamar – enquanto amplia suas colônias em terra roubada – “fatos em campo”: nunca mais EUA e Israel estalarão os dedos e verão árabes bater continência perfilados. Os EUA perderam a aposta que fizeram para o Oriente Médio. Acabou: fim do “processo de paz”, do “mapa do caminho”, do “acordo de Oslo”. Esse fandango já é história.[...] RF.

 

Prezado Nassif

Mas a não criação imediata de um Estado Palestino não significa que a linha dura Israelita prevaleça :Do Texto Chamada :

"Quem duvidar, que dê uma olhada na Cisjordânia. Colônias em massa, exclusivas para judeus, as daninhas restrições que impedem palestinos de construírem casas de mais de um piso, e a destruição, como castigo, do sistema de esgotos urbanos, os “cordões sanitários” ao lado da fronteira com a Jordânia, as estradas exclusivas para colonos israelenses, tudo isso converteu o mapa da Cisjordânia em pára-brisa esfacelado de carro detonado. Às vezes, suspeito que a única força que impede que haja ali a “Grande Israel” é a obstinação daqueles palestinos incansáveis".

 

Prezado Nassif

No oriente Médio nuclearmente armado  , nada que for unilateral na explosiva  questão da criação de um Estado  Palestino , tem credibilidade  entre a OTAN : Realpolitik .

 

O discurso do Abbas na ONU sera ao meio dia e meia (horario de Brasilia), voces sabem se vai passar em algum canal aberto ou fechado ou de noticias?

Leonardo, apos a segunda guerra quando Churchill e os outros vencedores decidiram redesenhar os mapas das ex-colonias, resolveram devolver aos judeus a area que era deles na epoca do ... Imperio Romano!!! So que os palestinos eram quem viviam lá, em 1945. Porisso a terra foi dividida entre eles e é a fonte do conflito desde então.

Essa mesma divisão sem respeitar as tribos causou os problemas no Iraque (sunitas e xiitas), o problema dos curdos (divididos entre o Iraque e a Turquia e uma republica sovietica que me escapa o nome agora), do Libano (cristao frente a jordania muculmana que o controlava antes) e por ai vai.

 

Há os que discordem do que está claro e evidente. Negam a luz. Os argumentos que propõe, "nós somos assim por culpa deles", foi o argumento dos nazistas ao massacrarem os judeus. É bizarro.

A questão do por que ninguem protestou contra Hitler antes da guerra está agora escancarada por alguns dos que foram naquela época as vítimas. O ser humano é estranho.

 

Quem não desconfia de si próprio não merece a confiança dos outros (ditado árabe)

Ante tanta hipocrisia e desrespeito o Obama deveria receber um novo Prêmio Nobel da Paz. Mas se esse covarde presidente americano não respeitou sequer os pobres do seu país vai respeitar o povo palestino?

 

Vera Lucia Venturini

Mortal, no peito.

 

"...O Obama deveria receber um novo Prêmio Nobel da Paz".

    Agora tem mais dois concorrente de peso: David Cameron e Nicholas Sarkozy.

 

Nada contra Israel, mas eu nunca entendi o que aconteceu. Quero dizer, a Alemanha é que promoveu o holocausto, a Itália também estava junto com os nazistas, os japoneses também. Então, por que quem pagou o pato de ceder terras para um estado judeu não foi a Alemanha, a Itália, ou o Japão?

Por favor, não venham me acusar de antisemita. É só uma pergunta bem simples e, por favor, responda quem entende de história. Por que Israel não foi criado em um território da Itália, em um território da Alemanha, ou em um território do Japão? Por que os caras estão até hoje se envolvendo em brigas por montar um país em uma região inóspita?

 

Acaso a História do povo judeu se situava na Itália ou na Alemanha?

É muito simples entender por que eles se identificavam à região onde Israel foi criado.

 

Desculpe, mas já que vc quer história...

O povo hebreu (judeu é o professante do judaísmo) inicia sua história cerca de 1200 a.c.. Existem algumas evidências de que seriam parte de um povo que habitava a Palestina na época - os cananeus bíblicos -, a parte menos civilizada, que ainda vivia em tribos nas montanhas, enquanto a parte mais "moderna" já havia se acomodado à vida urbana, e que, abandonando a vida de pastores semi-nomades, em parte tomaram e em parte foram assimilados pelas cidades  dos vales. Não há qualquer registro histórico - a biblia não pode ser tomada como um registro histórico propriamente - do Grande Israel salomônico. A rigor, o período em que os hebreus costumam situar o reino de Salomão e o apogeu de Israel é aproximadamente o mesmo dos reinados de Seti I e Ramsés II, quando a Palestina era território Egípcio.

Com o desmoronamento do império egípcio o reino de Israel teve um pequeno período de liberdade e prosperidade. E logo se dividiria, e seria tomado pela Babilônia.

E depois pelos persas, e depois pelos gregos, e depois pelos romanos...

Israel, como Estado independente, teve uma vida intermitente, com períodos não superiores a 200 anos de independência, seguidos de longos períodos de dominação ou vassalagem, até que finalmente foi dissolvido pelo romanos em 70 d.c.

Boa parte da população foi dispersada pelo império, vivendo uma vida semelhante à dos ciganos. Muitos hebreus acabaram indo para a Europa, acompanhando as levas de levantinos. E graças ao judaísmo, que os faz crer que são o povo escolhido (só se for o escolhido para saco de pancada, perdoe-me o deboche...), lhes dando um sentido de diferença e superioridade - que gera uma espécie de apartheid invertido, em que é o oprimido que se nega a se misturar com o opressor - graças ao judaismo, os hebreus não foram absorvidos pelas populações locais, como ocorreu com celtas, francos e outros povos indoeuropeus que primeiro ocuparam a Europa.

Então, fora do judaísmo, que faz de Canaã o equivalente judeu do Santo Graal, qual é a relação HISTÓRICA real dos hebreus com a Palestina?

Ao argumento da posse histórica, eu respondo com o seguinte: E se um quechuá, ou um quetzal, ou um navajo, ou outro povo antigo das Américas resolver reinvindicar sua terra ancestral, de onde foi expulso há 500 anos? Pois se respeitarmos como válido o argumento de um povo que não habita um territorio por mais de 1900 anos, como não respeitar o mesmo, com 1400 anos menos de expulsão?

Não condeno a idéia de Israel existir. Nem mesmo sou contra a localização. Mas é preciso lembrar que, por pelo menos 1500 anos os povos que habitam a Palestina são árabes ou proto-árabes, e os hebreus já não estavam lá 400 anos antes disso. Então, os hebreus deveriam saber ser gratos, e, sobretudo, saber partilhar a terra com aqueles que a dividiram com eles. Mas o judaísmo não permite. Afinal, eles são o Povo Escolhido...

 

História baseada em escritos dogmáticos ? Suspeito.

Sim, a história da comunidade judaica está intrinsicamente ligada ao continente europeu, quiçá do mundo todo (península ibérica nos século XV e XVI; Brasil, no período colonial até nossos dias, América do Norte, onde é destaque ). A conceituação comunidade judaica = Oriente Médio é frágil; a questão me parece ser mais ampla, "beliscando" o pensamento de Fernand Braudel quando observa a Europa sob perspectiva inusitada em Mediterrâneo: além das fronteiras geográficas, um povo que contribui de maneira extraordinária, com sua cultura particular, onde quer que se estabeleça e que se deixa tomar por profundo pavor ao estabelecer limites territoriais para si.

E, na sequencia, o encontro com o espelho.

Pois o povo da Palestina hoje é, sob muitos aspectos, o povo de Israel ontem.

Absorveu-se os ensinamentos da lição ?

 

Terá existido ao longo da história conflito tão longo, tão sem sentido e tão insano como esse Israelense-Palestinos? Quanto sangue será ainda derramado apenas para sustentar posições egoístas e autocentradas?

 Judeus e arábes são "primos" em termos de etnia. Partilham de duas religiões monoteístas com ancestralidades comuns. Convivem em harmonia pelo mundo afora. Por que, então, esse ódio sem fim no que chamam "Terra Santa"?

Talvez o pano de fundo seja a questão da nacionalidade. Por essa visão é equivocada a posição(covarde e omissa) do Obama ao desqualificar a ONU como o fórum adequado para dirimir o contensioso. A história do conflito prova que o entrincheiramento das partes é tão forte que só uma autoridade(moral e política) externa pode conduzir e mediar as discussões. 

Mal sabe(ou talvez saiba bem demais) o atual presidente americano que o seu "lava mãos"  externado no plenário da ONU acerca do conflito pode jogá-lo para a lata de lixo da história. 

Mas, qual a supresa? Ele apenas deu sequência ao vezo comum da nação americana virar as costas ao mundo quando este mais precisa por causa do seu isolacionismo histriônico. Apenas quando a situação é irremediável, a exemplo da primeira e segunda guerras, é que colocam a cavalaria na estrada para salvar o que resta do estrago.

 

JB, acho muito interessante e responsáveis seus comentários, sempre, viu? Agora, nessa questão aí entre Israel e Palestina só um grande estadista, humanista como Lula pra resolver. Põe nas mãos dele e menos de um ano o mundo estará celebrando, enfim, a paz no OM. Tenho dito.

 

 

panfletario demais, perdeu o equilibrio definitivamente ou esta de olho no cargo de diretor da Al jazzera?

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Mas quanta sandice.......vc sabe quem é Fisk?? Você conhece a carreira brilhante deste jornalista?? Ninguém tem mais condições de opinar que Fisk...ninguém

 

conheço e sempre o leio, o que me permite dizer que esse artigo ele carregou demais a mão!  vc consegue le-lo de forma mais critica que de uma ridiculo fã?

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

  Difícil, senão impossível discordar do Robert Fisk. Ao menos de maneira séria.

 

Israel deixou Gaza há uns anos, por iniciativa própria. E para quê? Para começar a ser constantemente alvejada por foguetes de lá. Em vez de cuidarem direito de sua população ou apelarem ajuda financeira aos países árabes vizinhos para tal (petrodólares não faltariam), os novos governantes de Gaza direcionam seus recursos para atacar os israelenses. Não consigo ver de outra maneira, infelizmente, caso os israelenses retirem-se da Cisjordânia também - ocupada justamente pelos ataques que sofria (e ainda sofre ocasionalmente) de lá, por mais que o grupo político de situação ali seja mais moderado. 

Além disso, os próprios árabes israelenses em geral, mesmos vivendo sob desconfiança, preferem ser cidadãos de Israel, o único Estado do Oriente Médio em que têm direitos civis e políticos assegurados, do que viver na Palestina árabe. Para completar: nesses 60 e poucos anos, quem mais aniquilou os palestinos, em vez de acolhê-los dignamente (como Israel fez com as CENTENAS de MILHARES de judeus expulsos em retaliação dos países árabes nesse mesmo tempo), foram os próprios árabes vizinhos: 20 mil mortos (números já exponencialmente maiores que as baixas que tiveram da defesa legítima de Israel para consigo) e 200 mil expulsos só em 1970, na Jordânia, após uma tentativa de golpe no Rei Hussein; Sabra & Chatila, no Líbano, mortos por árabes cristãos; expulsão de 400 mil do Kuwait após a OLP ter apoiado Saddam na primeira Guerra do Golfo... 

PS: sou cristão, aprecio tanto árabes como judeus, tendo na família pessoas próximas de ambas as origens. Peço humildemente que eventuais críticas sejam educadas.

 

Esses palestinos são muito irritantes mesmo. Por mais que tentem matá-los de fome e miséria, massacrá-los com canhões, bombas guiadas a lazer e fósforo branco, por mais que derrubem suas casas com tratores eles insistem em jogar esses rojões de São João pro outro lado da cerca de seu gueto no meio do deserto.

Não seriam somente um povo masoquista comemorando sua própria desgraça com fogos de artifício?

 

Sobre  Sabra e Chatila, a área onde ocorreu o massacre estava sob proteção do exército israelense, que havia tomado seu controle quando da invasão do Líbano.

Conforme a Wikipedia, "A Corte Suprema de Israel considerou o Ministro da Defesa do país, Ariel Sharon, pessoalmente responsável pelo massacre, por ter falhado na proteção aos refugiados. O número de vítimas não é bem conhecido e, conforme a fonte, a estimativa pode variar de algumas centenas a 3.500 pessoas. Sharon, quando candidato a primeiro-ministro de Israel, lamentou as mortes e negou qualquer responsabilidade. A repercussão do massacre, entretanto, fez com que fosse demitido do cargo de Ministro da Defesa, na época."

Em outras palavras, o massacre ocorreu em território palestino ocupado por Israel

Parafraseando o Luis Lima, acima, asneiras ditas em tom educado não deixam de ser asneiras.

 

Toda manifestação educada é bem-vinda, mas a maioria das pessoas que conhecem o assunto "por ouvir falar" tem pudor de se manifestar.

 

Israel deixou Gaza há uns anos, por iniciativa própria. E para quê?

A pergunta é por que? Gaza sempre foi um lixo - não tem água nem terra fértil e é uma extensão do deserto do Sinai. Nunca teve população estável.

Os habitantes de lá foram expulsos, a maioria de Ashcelon. Perderam suas terras, plantações, parentes e familiares. São governados pelo Hamas, criado com apoio de Israhell para dividir o Fatah.

Para começar a ser constantemente alvejada por foguetes de lá. Em vez de cuidarem direito de sua população ou apelarem ajuda financeira aos países árabes vizinhos para tal (petrodólares não faltariam), os novos governantes de Gaza direcionam seus recursos para atacar os israelenses. Não consigo ver de outra maneira, infelizmente, caso os israelenses retirem-se da Cisjordânia também - ocupada justamente pelos ataques que sofria (e ainda sofre ocasionalmente) de lá, por mais que o grupo político de situação ali seja mais moderado. 

Hamas e o esteio de Israhell. Cada vez que as coisas esfriam por lá, eles assassinam algum líder. Os mais importantes formam os xeiques Ahamed Yassin e Al-Rantissi.

O método de assassinato é sempre com foguetes que matam dezenas de pessoas em torno. Foguetes militares de verdade e não os Qassans, que são rojões feitos por funuleiros. 

Além disso, os próprios árabes israelenses em geral, mesmos vivendo sob desconfiança, preferem ser cidadãos de Israel, o único Estado do Oriente Médio em que têm direitos civis e políticos assegurados, do que viver na Palestina árabe.

Parabéns. Você acabou de repetir os argumentos dos racistas americanos durante o apartheid: os negros daqui vivem melhor que os da África.

Mas os não-racistas sabem que devíamos comparar os negros americanos com os brancos americanos. E comparar os árabes de Israhell com os judeus. E, aí, a discriminação salta aos olhos.

Para completar: nesses 60 e poucos anos, quem mais aniquilou os palestinos, em vez de acolhê-los dignamente (como Israel fez com as CENTENAS de MILHARES de judeus expulsos em retaliação dos países árabes nesse mesmo tempo), foram os próprios árabes vizinhos: 20 mil mortos (números já exponencialmente maiores que as baixas que tiveram da defesa legítima de Israel para consigo) e 200 mil expulsos só em 1970, na Jordânia, após uma tentativa de golpe no Rei Hussein; Sabra & Chatila, no Líbano, mortos por árabes cristãos; expulsão de 400 mil do Kuwait após a OLP ter apoiado Saddam na primeira Guerra do Golfo...

A razão desses conflitos foi a limpeza étnica promovida por Israhell. A expulsão acarretou alterações demográficas insoluveis em países vizinhos que não tiveram a mesma ajuda do estado sionista. E os estados islâmicos não são depositórios de seres humanos, expulsos como lixo, só por que os judeus se consideram "escolhidos por Deus" e não querem se misturar com góis.

Mas lembre que somente no Líbano, em 1982, morreram 20.000 palestinos.

O massacre de Sabra e Chátila ocorreram em território controlado por Ariel Sharon, sabia o que estava ocorrendo e ele foi culpabilizado em Israhell por uma comissão de investigação. Está querendo ser mais realista que o rei.

Me dê informações sobre as centenas de milhares de judeus expulsos de países islâmicos.

Isso só ocorreu com maior intensidade no Egito, após a traição dos judeus no famoso "Levon Affair".

Abraços carinhosos.

 

 

 

  Caio de costas ao ler seu texto. É até difícil criticá-lo, uma vez que é uma coleção de absurdos. Sugiro que vá ao outro post e leia o artigo do Robert Fisk, daí quem sabe se enxuga um pouco de tanta mentira pró-Israel que você talvez inocentemente absorveu ao longo do tempo.

 

Peço humildemente que você se dê conta que enunciar um discurso absurdamente incorreto educadamente não reduz o teor de absurdidade ou incorreção do que você está dizendo. Obrigado.

 

De um centurião romano, em "Astérix":

"Esses gauleses são uns loucos! A gente invade, massacra e ocupa, e de repente, assim do nada, eles se voltam contra nós..."

 

Hahahahaha

 

Fisk sendo Fisk..

sempre minha primeira fonte de consultas quando o assunto é Oriente Médio.

 

"Quite a sacrifice in the name of liberty..." = "Servicinho vagabundo, esse, dos EUA, em nome da liberdade..."

Show!

 

O tradutor deu uma forcinha aí, porém. O mais exato seria "até parece um grande sacrifício" em nome da liberdade, ou "um sacrifício de araque".

 

o mais difícil em tudo isso é considerar, embora Fisk não revele isso em seu texto, não a importância que os EE UU dão a Israel, mas os interesses americanos em permanecer com livre passagem no O Médio. Essa tese, de que os Judeus comandam os EE UU, seria muito adequada, se não fosse, em larga medida, muito conveniente.

Uma mão anda lavando a outra, e as duas a jogar sujeira para baixo do tapete. Que importância eles dariam às palavras históricas da Presidente?

 

Robert Fisk como sempre brilhante.

Não sei como ele ainda consegue ter prestígio lá fora com essas opiniões totalmente contra o "establishment".

 

-------------------------------------------------- CIRO 2018 --------------------------------------------------

A última frase é contundente e definitiva.

 

É, mas a obra foi do tradutor.

 

Concordo resumiu explendidamente o texto.